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China rejeita Guerra Fria 2.0 e diz que está pronta para negociar com os EUA

Chanceler chinês afirma que país asiático não é ‘antiga União Soviética’

7.ago.2020 à 0h32

SÃO PAULO

Em longa entrevista à agência de notícias Xinhua na quarta-feira (5), o ministro de Relações Exteriores da China, Wang Yi, rejeitou a ideia de uma Guerra Fria 2.0 com os EUA.

“A China de hoje não é a antiga União Soviética e não tem intenção de se tornar outros EUA”, disse ele.

Wang Yi, ministro de Relações Exteriores da China, durante entrevista à agência Xinhua, em Pequim
Wang Yi, ministro de Relações Exteriores da China, durante entrevista à agência Xinhua, em Pequim – Zhai Jianlan – 5.ago.20/Xinhua

A entrevista ao veículo chinês ocorre em um momento de tensão nas relações entre os dois países.

Nos últimos meses, Washington subiu o tom em relação ao país oriental, culpando-o pela pandemia do novo coronavírus, criticando a repressão de Pequim aos protestos em Hong Kong e ameaçando impor restrições a companhias chinesas de tecnologia que operam no país.

Segundo Wang, há políticos americanos que são tendenciosos e hostis em relação à China e estão usando seu poder para obstruir as relações entre os dois países.

Na entrevista, o tom do chanceler foi o de estabelecer pontes, e ele se colocou à disposição para encontros com os EUA “em qualquer nível, sobre qualquer assunto”, para tentar evitar mais conflitos entre as duas principais economias do mundo.

“Se a cooperação entre a China e os EUA fosse injusta e não recíproca, como poderia ter continuado por várias décadas? Como os laços entre a China e os EUA teriam percorrido esse longo caminho?”, questionou Wang.

Descrevendo a conduta de Washington em relação ao país como impulsiva, o chanceler instou os EUA a “estabelecerem um diálogo de igual para igual”.

“Nós exortamos os Estados Unidos a parar de agir com arrogância e preconceito”, disse.

Uma das críticas de Wang foi à decisão do presidente americano, Donald Trump, de retirar o país da OMS (Organização Mundial da Saúde) durante a pandemia do coronavírus. “O governo atual deixou mais tratados internacionais do que qualquer um antes dele.”

“O verdadeiro desafio para a ordem internacional é o fato de que os EUA, o país mais forte do mundo, colocam seus próprios interesses acima de todo o resto”, disse.

Trump anunciou o rompimento com o órgão de saúde em maio. Os EUA são os maiores doadores da OMS —em 2019, o país desembolsou US$ 400 milhões (R$ 2,06 bilhões), equivalentes a cerca de 15% do orçamento da organização sediada em Genebra.

À época, o americano disse que os pagamentos seriam direcionados a outras entidades de saúde pública.

No capítulo mais recente da crise diplomática entre as duas potências, Pequim ordenou o fechamento do consulado americano em Chengdu, no sudoeste do país.

Foi o cumprimento de uma promessa de retaliação anunciada assim que Washington mandou fechar o consulado chinês em Houston, no estado do Texas.

“Todas as desculpas para o fechamento apresentadas pelos EUA não passam de invenções para difamar a China, e nenhuma delas é apoiada por qualquer evidência ou resiste a escrutínio”, disse Wang.

“A China não tem intenção de lutar uma ‘guerra diplomática’ contra os Estados Unidos”, acrescentou.

Washington tem acusado Pequim de ser responsável pela disseminação do novo coronavírus —o vírus foi detectado pela primeira vez na cidade de Wuhan. Também têm usado o cerco da China a Hong Kong para criticar o país asiático no campo dos direitos humanos.

No mês passado, a Casa Branca determinou o encerramento da política de tratamento econômico especial dado à ex-colônia britânica em resposta à imposição chinesa de uma lei de segurança nacional que erodiu grande parte das liberdades do território semiautônomo.

Os EUA também têm apoiado os manifestantes anti-Pequim —Hong Kong vive uma onda de protestos desde junho de 2019.

Protestos em Hong Kong após aprovação de nova lei de segurança nacional

Polícia detém manifestante com base na nova lei de segurança nacional em Hong Kong
Polícia detém manifestante com base na nova lei de segurança nacional em Hong Kong Dale de la Rey – 1º.jul.20/AFP

No início da entrevista à Xinhua, o chanceler relembrou a visita histórica de Richard Nixon à China em 1972, que marcou a retomada de relações diplomáticas entre os dois países, e disse que as diferenças sociais entre as potências não afetaram a coexistência pacífica no passado e não deveriam afetar relações no futuro.

“Não é necessário nem possível que um país mude o outro. Deveríamos, em vez disso, respeitar a escolha feita de forma independente pelos povos de cada lado”, afirmou Wang. “O socialismo com características chinesas serve a China e tem o firme apoio da população.”

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, já afirmou que o Partido Comunista Chinês é uma “ameaça para a humanidade” e pediu que o povo chinês “mudasse o partido”, aumentando especulações de que uma estratégia de mudança de regime poderia ser aplicada ao país oriental.

“A China continuará a promover o desenvolvimento e o progresso para atender as expectativas de seu povo e fazer novas e maiores contribuições à humanidade”, disse o chanceler.

“Qualquer pessoa que tentar atrapalhar esse processo encontrará o fracasso.”

Questões

1 Explique o significado do título da notícia.

2. Analise o contexto geopolítico da visita histórica de Richard Nixon à China em 1972.

3. Por que Hong Kong vive um ambiente de protestos contra o governo Chinês desde junho de 2019?

4. O que seria o “socialismo com características chinesas”? Exemplifique.

Prof. Luciano Mannarino.

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