Mapas de Relevo do Brasil

Classificações Anteriores do Relevo Brasileiro

Antes do lançamento do novo mapa de relevo do Brasil, diversas classificações foram elaboradas por geógrafos e instituições, cada uma contribuindo para o entendimento e a representação das formas de relevo do país. A seguir, apresentamos um breve histórico das principais classificações anteriores:

1. Aroldo de Azevedo (1949):

A primeira classificação sistemática do relevo brasileiro foi proposta pelo geógrafo Aroldo de Azevedo. Ele dividiu o território em 8 grandes unidades de relevo, agrupadas em duas grandes categoriais: Planaltos e Planícies.

Planaltos

Planalto das Guianas: Localizado no extremo norte do Brasil, estendendo-se pela região das Guianas, com altitudes que podem ultrapassar 2.000 metros.

Planalto Central:

Ocupa uma vasta área do centro-oeste brasileiro, caracterizado por chapadas e serras, com altitudes variando entre 200 e 1.200 metros.

Planalto Atlântico:

Estende-se ao longo da costa brasileira, desde o nordeste até o sul do país, com serras e escarpas que acompanham a linha costeira.

Planalto Meridional:

Localizado no sul do Brasil, caracteriza-se por ser uma área de cuestas e morros suaves, resultante da erosão de derrames basálticos.

Planícies

Planície Amazônica:

Localiza-se na região norte do Brasil, formada por extensas áreas de terrenos baixos e alagadiços, associadas aos rios da Bacia Amazônica.

Planície do Pantanal:

Situada no centro-oeste, é uma das maiores planícies alagáveis do mundo, conhecida pela sua rica biodiversidade e sazonalidade das cheias.

Planície Litorânea:

Acompanha a faixa costeira do Brasil, caracterizada por terrenos baixos, manguezais, restingas e áreas de sedimentação marinha.

Essas unidades

A classificação de Aroldo de Azevedo era simplificada, mas forneceu uma base importante para estudos posteriores.

2. Aziz Ab’Saber (1960):

Aziz Ab’Saber, um dos geógrafos mais influentes do Brasil, propôs uma nova classificação que refinou as unidades de relevo anteriores e introduziu conceitos geomorfológicos mais detalhados. Ele dividiu o território brasileiro em 11 unidades de relevo, agrupadas em duas grandes categorais: Planaltos e Planícieis.

Planaltos

Planalto Atlântico:

Estende-se ao longo da costa leste e sudeste, incluindo a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira. Compreende áreas elevadas e montanhosas, formadas por rochas cristalinas. A presença de florestas densas, como a Mata Atlântica, torna essa área ecologicamente significativa.

Planalto Central:

Ocupa grande parte do interior, abrangendo o Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso. É uma área de altitudes moderadas, com relevos planos e ondulados. Essencial para a agricultura e pecuária, destacando-se na produção de grãos.

Planalto Nordestino (Planalto da Borborema):

Situa-se no interior do Nordeste, abrangendo Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte. Formado por relevos dissecados e rochas cristalinas, com altitudes variadas e áreas de serras. Influencia o clima e a distribuição de chuvas, impactando a agricultura.

Planalto do Maranhão-Piauí:

Localizado entre os estados do Maranhão e Piauí, inclui chapadas e áreas elevadas com relevos planos e suaves. Importante para a agricultura, especialmente na produção de grãos como soja e milho.

Planícies

Planície Amazônica:

Cobre a região Norte, incluindo a bacia do Rio Amazonas. Formada por vastas áreas de deposição fluvial, com relevos baixos e planos. É uma área de alta biodiversidade, crucial para o equilíbrio ecológico e a subsistência das populações locais.

Planície do Pantanal:

Localizada no centro-oeste, principalmente em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Uma das maiores planícies alagáveis do mundo, caracterizada por ciclos sazonais de cheias. Destaca-se pela biodiversidade e é essencial para a conservação de espécies.

Planície Costeira:

Estende-se ao longo do litoral brasileiro, composta por áreas de deposição marinha e fluvial, com relevo baixo. Importante economicamente pelo turismo, pesca e urbanização, além de ser uma zona de transição ecológica

3. Jurandyr Ross (1995):

Uma das classificações mais utilizadas atualmente foi proposta por Jurandyr Ross, que elaborou uma divisão detalhada do relevo brasileiro baseada em imagens de satélite e dados geomorfológicos. Ele identificou 28 unidades de relevo, agrupadas em três grandes categorias: Planaltos, Depressões e Planícies.

Planaltos

Planalto das Guianas:

Localizado no extremo norte, formado por rochas antigas e terrenos elevados.

Planalto Central:

Ocupa grande parte do interior, com relevos suaves e planícies elevadas.

Planalto Meridional:

Abrange o sul do Brasil, com escarpas e relevos ondulados.

Planalto Sul-Rio-Grandense:

No extremo sul, caracterizado por coxilhas e planícies elevadas.

Planalto do Maranhão-Piauí:

Formado por chapadas e relevos suaves, influenciando a bacia do Parnaíba.

Planalto da Borborema:

No nordeste, com serras e relevos acidentados, influenciando o clima local.

Planalto e Chapadas da Bacia do Paraná:

Com relevos ondulados e solos férteis, importante para a agricultura.

Planalto e Chapadas da Bacia do Parnaíba:

Caracterizado por chapadas e depressões interplanálticas.

Planalto e Chapadas dos Parecis:

Localizado no centro-oeste, com áreas de chapadas e relevos planos.

Planalto e Chapadas Residuais Norte-Amazônicas:

Caracteriza-se por relevos residuais e terrenos elevados.

Planalto e Serras do Atlântico Leste-Sudeste:

Inclui serras costeiras e relevos montanhosos.

Depressões

Depressão Amazônica Ocidental:

Áreas de relevo plano e baixas altitudes na Amazônia.

Depressão do Araguaia:

Caracteriza-se por relevos baixos entre planaltos.

Depressão do Alto Paraguai:

Áreas de transição entre o Pantanal e os planaltos.

Depressão Cuiabana:

Localizada em Mato Grosso, com relevo mais plano e transição ecológica.

Depressão do Tocantins:

Relevo suavemente ondulado entre planaltos centrais.

Depressão Sertaneja e do São Francisco:

No semiárido nordestino, com relevos baixos e áreas de erosão.

Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense:

Áreas de baixas altitudes ao redor dos planaltos do sul.

Depressão Periférica da Amazônia Oriental:

Transição entre planaltos e planícies amazônicas.

Depressão Periférica da Borborema:

Relevo plano ao redor do Planalto da Borborema.

Depressão Periférica Norte-Rio-Grandense:

Relevos baixos e planos no nordeste.

Depressão Periférica da Mantiqueira:

Áreas de transição entre serras e planícies.

Planícies

Planície e Terraços Amazônicos:

Áreas de deposição fluvial, formando grandes planícies na Amazônia.

Planície do Pantanal:

Caracterizada por inundações sazonais, com rica biodiversidade.

Planície Costeira:

Ao longo do litoral, composta por áreas de deposição marinha e fluvial.

Planície do Rio Guaporé:

Formada por sedimentos fluviais, localizada na região amazônica.

Planície do Rio Amazonas:

Vastas áreas de deposição ao longo do Rio Amazonas.

Planície do Rio Paraná:

Áreas aluviais na bacia do Rio Paraná, influentes na agricultura.

Importância das Classificações Anteriores

As classificações anteriores desempenharam um papel fundamental no desenvolvimento da geografia física do Brasil. Elas forneceram uma base sólida para a compreensão das diferentes formas de relevo e suas implicações ambientais, climáticas e socioeconômicas. Além disso, essas classificações ajudaram a orientar políticas públicas, planejamento urbano e rural, e a gestão de recursos naturais.

Transição para o Novo Mapa de Relevo

Com o avanço das tecnologias de sensoriamento remoto e geoprocessamento, tornou-se possível criar um mapa de relevo ainda mais detalhado e preciso. O novo mapa de relevo do Brasil, lançado recentemente, incorpora dados de alta resolução, permitindo uma análise mais abrangente e precisa das formas de relevo. Ele se baseia nas classificações anteriores, refinando e expandindo o conhecimento adquirido ao longo das décadas.

Conclusão

As classificações anteriores do relevo brasileiro, de Aroldo de Azevedo a Jurandyr Ross, foram fundamentais para a construção do conhecimento geomorfológico do país. Elas forneceram as bases sobre as quais o novo mapa de relevo foi construído, representando um avanço significativo na precisão e utilidade das informações geográficas. Com essas novas ferramentas, o Brasil está melhor equipado para enfrentar desafios ambientais, econômicos e sociais, promovendo um desenvolvimento mais sustentável e informado.

Avaliação

1 Compare as classificações de relevo de Aroldo de Azevedo, Aziz Ab’Saber e Jurandyr Ross, destacando as principais diferenças e avanços de cada uma. Como essas classificações contribuíram para o desenvolvimento da geografia física no Brasil? (2 pontos)

2 Analise como o novo mapa de relevo do Brasil pode auxiliar na prevenção e mitigação de desastres naturais, como deslizamentos de terra e inundações. Dê exemplos específicos de como as informações do relevo podem ser usadas nesse contexto. (2 pontos)

3 Discuta a relevância da tecnologia na elaboração do novo mapa de relevo do Brasil. Como ela contribuiu para a precisão e detalhamento do mapa? (2 pontos)

4 Analise como as diferentes formas de relevo (planaltos, planícies, depressões) influenciam a economia brasileira, especialmente nas áreas de agricultura, mineração e turismo. Use exemplos específicos para ilustrar sua resposta. (2 pontos)

5 Explique como o novo mapa de relevo pode influenciar o planejamento de infraestruturas, como rodovias, hidreléticas e ferrovias, no Brasil. Quais são os benefícios de usar informações atualizadas sobre o relevo para esses projetos? (2 pontos)

Prof Luciano Mannarino

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