Categoria: Hidrosfera

  • Emenda favorece uso político da água, impõe indústria da seca e agrava drama secular

    Emenda favorece uso político da água, impõe indústria da seca e agrava drama secular

    João Pedro Pitombo

    Salvador – A adoção das emendas parlamentares como uma das molas propulsoras das políticas de convivência com a seca deve aprofundar o cenário de contrastes no semiárido brasileiro, que incluem as famílias que precisam andar quilômetros para buscar água e as caixas-d’água que apodrecem guardadas por prefeituras.

    A dinâmica de distribuição dos equipamentos de armazenamento de água sem planejamento, apontam especialistas, favorece o clientelismo, cria abismos entre municípios, inverte prioridades e aprofunda o problema secular da indústria da seca.

    Caixas-d’água da Codevasf estocadas em um depósito na cidade de Santa Filomena (PE) – Mathilde Missioneiro / Folhapress


    Na série de reportagens Política da Seca, a Folha percorreu cinco estados do Nordeste e flagrou efeitos dessa distorção no dia a dia de moradores ignorados pelas emendas e pelas estatais, com famílias que muitas vezes têm que escolher entra a compra de comida e de um garrafão de água.

    Em âmbito federal, a distribuição de cisternas e perfuração de poços é feita por órgãos como a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), ambos entregues a líderes do centrão por Jair Bolsonaro (PL) e mantidos com esses mesmos dirigentes pelo presidente Lula (PT).

    Em geral, o planejamento é deixado em segundo plano. São os chamados “barões da água”, políticos com influência em Brasília, que definem o destino dos recursos por meio de emendas, turbinadas nos últimos anos. Os equipamentos são escolhidos a partir de um catálogo, como uma espécie de “loja de políticos”.

    “Isso é talvez uma das maiores evidências da permanência desse modelo clientelista no Brasil. E não é aquele clientelismo que não é menos danoso, mas ocorre na esfera local e causa um esvaziamento de uma agenda mais propositiva. É num nível nacional”, afirma a cientista política Priscila Lapa, professora da Universidade Federal de Pernambuco.

    As distorções nos investimentos são ainda mais graves em regiões como a do semiárido brasileiro, região que inclui parte dos estados do Nordeste e o norte de Minas Gerais.


    Emenda parlamentar amplia abismo no acesso a água com abandono e desperdício


    Conforme explica o engenheiro agrônomo João Suassuna, especialista em hidrologia e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, o cenário de escassez demanda uma gestão eficiente dos recursos hídricos e dos investimentos públicos.

    “A água é um recurso finito, sua busca tem que ser planejada e seu uso deve ser feito com a parcimônia devida. É preciso que essa pouca água que existe seja bem distribuída para uso da população”, afirma.

    O pesquisador destaca que a região Nordeste possui cerca de 70 mil represas com um potencial de armazenar 37 bilhões de metros cúbicos de água, o que representa o maior volume represado em região de semiárido do mundo.

    A prioridade, afirma, deveria ser a criação de uma infraestrutura para que essa água seja distribuída de forma bem planejada. Mas, em geral, o que prevalece são as demandas paroquiais de parte dos políticos, que nem sempre vão ao encontro das necessidades de determinada região.

    Um exemplo, mostrado nas reportagens da Folha, é aquisição de reservatórios com baixa capacidade de armazenamento, que demandam o abastecimento recorrente com carros-pipa para que famílias tenham água nos períodos de seca.

    “Temos um histórico de maus políticos que costumam governar com o sofrimento e a miséria do povo. Essa questão do carro-pipa, em que o abastecimento depende das prefeituras, é uma coisa cruel. Tem muito prefeito que não abastece as casas de quem não votou nele”, afirma Suassuna.


    Política da Seca deixa caixas-d’água apodrecerem


    A indústria da seca foi definida pelo economista paraibano Celso Furtado (1920-2004) como um modelo de enfrentamento aos efeitos da estiagem que tem como consequência o enriquecimento da elite econômica agrária e a manutenção do poder de parte dos líderes políticos da região.

    O próprio conceito de Nordeste como uma região do Brasil surge atrelado à questão hídrica, conforme aponta o historiador Durval Muniz de Albuquerque Júnior no livro “A Invenção do Nordeste e Outras Artes”.

    A expressão aparece pela primeira vez em um documento público brasileiro em 1919, quando foi instaurada a Inspetoria Federal de Obras contra as Secas, na gestão do presidente Delfim Moreira. O órgão foi criado em resposta à estiagem de 1915, cujos efeitos perduraram nos anos seguintes.

    A partir da década de 1920, políticos e intelectuais, dentre os quais se destacava o sociólogo Gilberto Freyre, passaram a trabalhar o conceito de Nordeste do ponto de vista político e cultural.

    No governo Juscelino Kubitschek, nos anos 1950, Celso Furtado capitaneou a criação da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), autarquia voltada para o desenvolvimento regional. A criação do Nordeste no formato atual, com nove estados, só seria oficializada em 1970.

    Esquecidos por emendas gastam dinheiro da comida em água e fazem peregrinação
    Cidade de líder do centrão tem caixas-d’água estocadas e distribuídas a conta-gotas.


    Poço vira farra em reduto de emendas, e cidade de político supera estados inteiros
    Emenda vira marco zero da ‘indústria do carro-pipa’, e doação avança sob critério político
    Refém de carro-pipa esquecido por emendas parlamentares recebe água sem tratamento


    Ao longo das últimas décadas, a questão hídrica esteve no epicentro das decisões políticas para o desenvolvimento do Nordeste. Foram realizadas grandes obras de sistemas de armazenamento e abastecimento de água, muitas delas sob a marca de suspeitas de corrupção.

    Em 2005, Lula decidiu fazer da transposição do rio São Francisco a sua principal obra de recursos hídricos na região. Alvo de controvérsia desde a época de sua concepção, o projeto consumiu mais de R$ 16 bilhões e atualmente é objeto de um jogo de empurra entre União e estados para o custeio do sistema.

    Na avaliação de João Abner Guimarães Júnior, especialista em recursos hídricos e professor titular aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, grandes obras hídricas feitas sem critérios técnicos são uma constante na região, em governos de diferentes partidos.

    “A verdadeira indústria da seca são as grandes obras superfaturadas e feitas sem nenhum critério. Esta é a indústria da seca no atacado. O semiárido é um reserva de mercado da indústria das secas”, afirma o Guimarães Júnior.

    Ele defende soluções que passam por políticas públicas e obras talhadas para realidade de cada região, recuperação da infraestrutura hídrica e a integração de sistemas hídricos por meio de adutoras que garantam capilaridade ao abastecimento.

    Isso passa por gastar melhor os recursos que alcançam uma fatia robusta do orçamento federal. Cidade de líder do centrão tem cisternas liberadas a conta-gotas por prefeito na Bahia


    Dados do Siga Brasil, plataforma mantida pelo Senado, apontam que o orçamento de 2023 destinou R$ 2,3 bilhões para recursos hídricos, contemplando obras como a transposição, Adutora do Agreste, Canal do Sertão e Vertente Litorânea.

    Iniciativas como o Programa Cisternas, por outro lado, foram esvaziadas nos últimos anos saindo de 149 mil equipamentos instalados em 2014 para 5.946 no ano passado. O governo Lula anunciou a retomada do projeto com investimento de R$ 562 milhões, beneficiando 60 mil famílias.

    Enquanto isso, a distribuição de cisternas, tanques e caixas-d’água por meio de emendas segue como o carro-chefe de órgãos federais como a Codevasf e Dnocs, modelo que tem procurado distensionar relação do governo Lula com líderes de partidos como PP e União Brasil, que controlam as estatais.

    Diz a cientista política Priscila Lapa: “A ampliação do Legislativo na produção do orçamento pode ser algo bem-vindo por desconcentrar a decisão política. Porém isso deveria ser acompanhado de uma outra cultura política de acompanhamento pela sociedade e órgãos de controle. Não consigo enxergar isso acontecer no curto prazo no Brasil.”

    https://www1.folha.uol.com.br/poder/2023/10/emenda-favorece-uso-politico-da-agua-impoe-industria-da-seca-e-agrava-drama-secular.shtml

    Atividade

    1 Estabeleça relações entre os seguintes órgãos públicos: Dnocs, Sudene e Codevasf.

    2 Por que o rio São Francisco pode ser chamado de “Nilo Brasileiro”?

    3 Explique a expressão “O problema do sertão não é seca e sim a cerca”.

    4 Aponte um problema e ordem ambiental e um de ordem política ligado ao Projeto de Transposição das Águas do São Francisco.

  • A superfície da Terra está subindo embaixo dos nossos pés

    Camada de gelo mostra sinais de derretimento a oeste do Alasca, em imagem feita em 4 de fevereiro de 2014 por satélites da Nasa. O estreito de Bering, coberto com gelo, se situa entre Alasca e Rússia Imagem: MODIS/Aqua/NASA Brian K. Sullivan 27/03/2015 18h07

    Brian K. Sullivan

    27/03/2015 18h07

    Nos EUA, nos últimos doze meses, houve alertas mais do que suficientes de como o clima pode afetar nossas vidas. A Califórnia está entrando no quarto ano de seca porque não teve neve suficiente. Boston está começando a emergir de uma quantidade recorde de neve. Quase todos os dias, voos são cancelados, crianças perdem aulas e pais enviam cheques às seguradoras para para se protegerem de inundações, furacões e tornados.

    No entanto, também existem impactos de longo prazo que a maioria das pessoas talvez não perceba. Por exemplo, se você mora no Canadá, no norte dos EUA ou em determinadas partes da Europa, o solo sob seus pés está subindo. E o motivo, de certo modo, é o clima.

    Mas não o clima no sentido da chuva de ontem ou do vento da semana passada. O fenômeno foi causado pelas neves que se acumularam e criaram enormes mantos de gelo que cobriram a terra na última Era do Gelo. OK, foi muita neve, por um longo período de tempo, mas a questão tem mais a ver com o clima do que simplesmente com as condições meteorológicas

    Independentemente da causa, a mudança é perceptível. “Podemos monitorá-la em tempo real”, disse Theresa Damiani, pesquisadora de geologia da Investigação Geodésica Nacional (NGS), da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), em Camp Springs, Maryland.

    Compensação da Terra.

    O peso dos mantos de gelo, que tinham diversos quilômetros de espessura em alguns lugares, empurrou a superfície da Terra para baixo. Quando o gelo derreteu e recuou, o solo começou a subir novamente. A NOAA descreve o fenômeno como o que acontece quando um colchão velho volta ao formato original depois que uma pessoa se levanta de manhã. Quando os mantos de gelo começaram a recuar, ocorreu uma recuperação rápida em muitas regiões, que desacelerou ao longo dos séculos, disse Damiani.

    “O solo vem se recuperando e continua nisso”, disse Damiani. “Leva um período muito longo”.

    A superfície da Terra sobe cerca de 1 milímetro por mês no Canadá e aproximadamente a mesma quantidade ao longo de um ano nos EUA, disse ela. Para um lugar como a Baía de Hudson, no Canadá, as mudanças seriam visíveis ao longo da vida de uma pessoa, disse ela.

    “Se você construiu um atracadouro, parece que o oceano está baixando”, disse Damiani.

    Não é que o nível do oceano esteja caindo? É que a terra está voltando a subir.

    Ao calcular o aumento dos oceanos devido ao atual derretimento das geleiras e dos mantos de gelo, os pesquisadores precisam levar em consideração essas taxas de recuperação, de acordo com um relatório da NOAA publicado em dezembro de 2012. Área coberta É claro que a terra só está subindo nas áreas cobertas pelo manto de gelo. No hemisfério ocidental, essa região abrange quase todo o Canadá até a Nova Inglaterra, passando pelos Grandes Lagos e chegando à Região Centro-Oeste, às Grandes Planícies do norte e ao Noroeste do Pacífico.

    Além do limite dos lugares em que o gelo empurrou o solo para baixo, existem áreas onde a superfície está, na verdade, assentando-se mais abaixo. O que aconteceu aí é que o terreno na beira dos mantos de gelo se comportou como a geleia que se esparrama para fora de um sanduíche esmagado.

    As mudanças podem provocar pequenos terremotos, embora eles sejam muito fracos e passem despercebidos para a maioria das pessoas.

    O movimento é acompanhado por meio de satélites de posicionamento global e é utilizado para assegurar que os mapas continuem sendo exatos, disse Damiani. “A tarefa da minha agência, a NGS, é a de monitorar o formato do planeta”, disse Damiani. Os países escandinavos também monitoram a lenta taxa de recuperação da superfície ao longo dos últimos 14.000 anos, um ou dois séculos a mais ou a menos, desde que os mantos de gelo atingiram o auge na última Era do Gelo.

    A paciência é, sem dúvida, um dos requisitos para esse trabalho.

    https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2015/03/27/a-superficie-da-terra-esta-subindo-sob-seus-pes.htm

    Prof Luciano Mannarino

    Atividade em sala (pesquisar)

    Qual a relação entre a reportagem e os estudos de Isostasia Geológica?

    O que é Glacioisostasia?

    Relacione movimento eustático e epirogênese.

    Geologia/Geomorfologia

    Conceitos de Epirogênese e de Orogênese.

    Apresentação do Professor de Geologia…

  • Atafona, distrito do RJ que vem sendo engolido pelo mar, serve de alerta para erosão costeira

    Atafona, distrito do RJ que vem sendo engolido pelo mar, serve de alerta para erosão costeira

    13.nov.2021 às 23h15

    Ana Luiza Albuquerque Nicollas Witzel

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    Restos de uma casa na beira da praia em Atafona; nos períodos mais críticos, o mar chegou a avançar nove metros por ano Nicollas Witzel/Folhapress

    ATAFONA (RJ)

    Se os escafandristas imaginados por Chico Buarque explorassem o mar de Atafona, lá encontrariam fragmentos de cartas, poemas, mentiras, retratos e vestígios de uma civilização que, em parte, deixou de existir. Assim como a cidade submersa narrada na música “Futuros Amantes”, o distrito de São João da Barra, no Norte Fluminense, e suas memórias têm sido engolidos pela água.

    Desde a década de 1960, o avanço do mar já causou a destruição de mais de 500 casas, desabrigando centenas de famílias. Dezenas de quarteirões foram para o fundo do oceano.

    Apegados a Atafona, muitos moradores já trocaram de residência algumas vezes para fugir do mar, sem nunca deixar a pequena comunidade. Para eles, as perdas afetivas são mais dolorosas do que as materiais: há lugares que marcaram suas vidas para os quais nunca poderão voltar.

    Distrito de Atafona, em São João da Barra, município do Norte Fluminense, sofre com a erosão costeira há 60 anos – Arquivo Pessoal/Eduardo Bulhões

    A erosão costeira é explicada por uma série de motivos, mas o principal é o assoreamento do rio Paraíba do Sul, que tem seu delta (tipo de foz em que o rio desemboca no mar por meio de vários canais) em Atafona.

    Com cerca de 7.000 habitantes, o distrito é uma espécie de laboratório das consequências da intervenção humana em um ecossistema. Isso porque o assoreamento do rio foi causado especialmente por desvios de água para abastecimento doméstico, industrial e agrícola em São Paulo e no Rio de Janeiro.

    Com menor volume, o Paraíba do Sul não consegue fazer frente ao mar e transportar sedimentos em quantidade suficiente para barrar o avanço das águas em Atafona. Também contribuem para o processo condições naturais, como a dinâmica das correntes marítimas e os fortes ventos na localidade.

    Atafona é apenas uma entre tantas regiões litorâneas que sofrem com a erosão costeira em todo o mundo. Diante das mudanças climáticas e do aumento no nível dos oceanos, o cenário pode piorar nas próximas décadas.

    O geógrafo Eduardo Bulhões, professor na UFF (Universidade Federal Fluminense), lembra que uma pesquisa identificou que somente 4% de todas as regiões litorâneas no mundo erodem em taxas superiores a cinco metros por ano. Atafona é um desses lugares. Nas áreas mais críticas, o mar avança cerca de seis metros por ano. Em alguns períodos, o avanço chegou a nove metros.

    “A erosão só se torna um problema quando há uma cidade instalada. Nesse contexto, Atafona talvez seja o principal ponto do país”, diz.

    O severo processo de erosão que ali ocorre contrasta com a tranquilidade do local, onde a vida se desenrola em um ritmo mais devagar, não se veem edifícios e não se ouvem buzinas. É comum que os moradores se conheçam. Foi assim que a reportagem chegou à casa da aposentada Sonia Ferreira, 77, uma referência na comunidade.

    Acostumados a passar verões em Atafona, Sonia e sua família compraram uma casa ali no fim da década de 1970. À época, alguns quarteirões separavam a construção da praia. Hoje, a residência está de frente para o mar.

    Pilares de antiga construção enterrados na areia da praia de Atafona, distrito do município de São João da Barra, localizado no Norte Fluminense
    Pilares de antiga construção enterrados na areia da praia de Atafona, distrito do município de São João da Barra, localizado no Norte Flumin Nicollas Witzel/Nicollas Witzel/Folhapress

    Em frente à casa de Sonia estão as ruínas do conhecido prédio do Julinho, o único que havia na região, derrubado pelas ondas em 2008. “Foi um impacto muito grande. A gente sempre tem aquela esperança de que não vai chegar na nossa casa”, diz.

    Quando o mar destruiu seu muro, em 2019, Sonia aceitou que precisava se mudar. A aposentada decidiu ir para uma pequena casa nos fundos do terreno e, aos poucos, vem retirando seus pertences.

    “Atafona era um lugar de férias, passeio, alegria. Perder isso é difícil. Você tem seus cantinhos na casa que te remetem a pessoas queridas. Esses cantinhos ficam perdidos na sua história.”

    O prédio do Julinho também é citado como uma das melhores memórias da empresária Camila Hissa, 31, filha dos fundadores do restaurante Ricardinho, o mais famoso em Atafona. “Era um lugar icônico, tinha o barzinho que vendia uma empada deliciosa com um cheiro peculiar. É o resumo da infância”, diz.​

    Seus pais fundaram o restaurante em 1978 e tiveram que mudá-lo de lugar três vezes para fugir do avanço do mar. “Quem é daqui aprendeu a conviver. Não é uma coisa que você se revolta e larga tudo, vai embora.”

    Camila relata que os restaurantes e pescadores foram muito impactados pelas dificuldades de navegação com o assoreamento do rio. Há cerca de três anos houve um período tão crítico que os barcos não conseguiam desembarcar o peixe em Atafona.

    O pescador Valcinei Bento, 52, lembra que nessa época os barcos só trabalhavam com a maré cheia. “Foi um inferno. A gente chegava na beira dos frigoríficos e era uma zona fantasma”, afirma.

    Apesar das perdas financeiras, Camila diz que as perdas emocionais são as piores. “Aquela história foi simplesmente apagada. Era uma época na qual a fotografia era muito cara. As fotos são raras”, afirma.

    No início do ano, um projeto interativo conhecido como Museu Ambulante levou para as ruas uma enorme bicicleta com fotografias antigas de Atafona. O acervo e a iniciativa foram desenvolvidos pela residência artística CasaDuna, fundada pela filósofa Julia Naidin e pelo artista plástico Fernando Codeço.

    Codeço diz que a reação da comunidade foi impressionante e que muitos moradores se identificaram nas fotos, quando ainda eram crianças. “As pessoas imediatamente se emocionavam, queriam contar histórias”, diz.

    Ele afirma que a CasaDuna quer contribuir para a produção de memória local e também discutir sobre a forma predatória com a qual lidamos com o meio ambiente. “Falar de Atafona é falar desse Brasil que está ruindo e de um processo civilizatório que precisa mudar.”

    Algumas das fotos que mais chamaram a atenção foram as da Ilha da Convivência, primeiro lugar atingido pelo avanço do mar. Ao longo de décadas, as famílias de pescadores que lá viviam foram obrigadas a deixar o local, onde hoje ninguém vive.

    Avanço do mar em Atafona, distrito de São João da Barra (RJ), já destruiu 500 casas e desabrigou centenas de famílias
    Avanço do mar em Atafona, distrito de São João da Barra (RJ), já destruiu 500 casas e desabrigou centenas de famílias Gilberto Pessanha/Arquivo pessoa

    Uma das últimas a abandonar a ilha, em setembro de 2008, Jamira Pedra Gomes, 58, resistiu por décadas, mesmo após perder duas casas. Ela lembra que no dia de sua saída acordou de madrugada com o mar batendo nas paredes. “Eu falei ‘me ajuda, Deus’. Espera esfriar minhas pernas, que não vou botar minhas pernas quentes do cobertor nessa água fria”, diz.

    Da 1h às 8h, Jamira carregou sozinha todos os seus pertences. No dia seguinte, as paredes caíram. Sua irmã, Janira Pedra Monteiro, 60, se mudou da ilha anos antes. Quando o mar entrou em sua casa, ela deixou que tudo fosse levado. “A gente fica cansada. O mar tinha tomado quatro casas minhas”, afirma.

    Décadas após a mudança, as irmãs voltaram de barco à ilha acompanhadas pela reportagem. Janira diz que sente falta de andar de canoa, pescar manjuba, pegar caranguejo e fazer redes de pesca. “Eu penso [na ilha], eu quase nem durmo de noite. Essa noite pensei tanto naquele lugar, nas pessoas que se foram.”

    Jamira se emociona ainda mais —chegando na ilha, chorou e apontou para o lugar onde foi dona de um bar. “Eu queria envelhecer lá. Eu gosto tanto que dá vontade de ficar”, diz.

    Ela conta que a saudade se transformou em uma depressão. “Eu vivo do trabalho. Gosto de estar andando com as pessoas, conversando, para me distrair.”

    Os distúrbios psíquicos são citados pelo psicólogo Leandro Viana como uma das consequências do processo erosivo na vida dos moradores.

    Finalizando uma tese de doutorado pela Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense) sobre Atafona, ele afirma que muitos relatam sentir angústia e ansiedade por estarem sempre em alerta para o movimento do mar. Também causa sofrimento a espera por uma solução.

    “Os pescadores falam muito da Ilha da Convivência, um lugar de muita troca e solidariedade. Ao perder esse lugar, perdeu-se isso também”, diz.

    Nos últimos seis anos, foram realizadas audiências para tratar do tema com a sociedade civil, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública. Três soluções foram apresentadas, mas nenhuma saiu do papel.

    A resolução esbarra em ao menos três pontos: a falta de articulação entre os poderes municipal, estadual e federal, o custo das obras e a insegurança a respeito de seus efeitos ambientais. Em primeiro lugar, é preciso obter uma licença com o Inea (Instituto Estadual do Ambiente).

    “União, estados e municípios têm responsabilidade de zelar pelo ecossistema da praia. Como as responsabilidades e o interesse são difusos, ninguém se sente na obrigação de resolver. Por outro lado, qualquer obra de aumento da faixa de praia leva tempo”, afirma o geógrafo Eduardo Bulhões, autor de um dos projetos.

    A proposta de Bulhões envolve o engordamento artificial da praia para inverter o déficit de areia. Ele avalia que qualquer solução que se proponha como definitiva, com o uso de estruturas rígidas como os espigões, é enganosa.

    “Em todos os lugares onde se criaram proteções com estruturas foram gerados problemas adicionais, e todas as obras têm tempo de vida útil”, diz.

    O geógrafo afirma que uma das opções que podem ser adotadas é a de não fazer nada, mas que mesmo assim precisa haver um planejamento e informação da população. “Acho que em Atafona houve essa opção, de vários governos, e isso não é comunicado de forma eficiente.”

    O professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Gilberto Pessanha, que estuda o caso de Atafona há 20 anos, afirma que mesmo o engordamento artificial requer monitoramento das ondas e dos ventos. Isso envolve tecnologia, pessoal e mais recursos.

    “Existe uma dúvida porque há locais onde houve iniciativa de engordamento de praia e o processo erosivo voltou”, diz.

    Secretária de Meio Ambiente de São João da Barra, Marcela Toledo afirma que o impacto das obras ainda não foi amplamente estudado. Ela diz que o Inea indicou, em 2020, que nenhum dos projetos tem eficácia comprovada. De fato, o órgão citou questões a serem trabalhadas, mas nenhum deles foi avaliado negativamente.

    Em setembro deste ano, foi criada uma Câmara Técnica com a Prefeitura e entidades da sociedade para continuar discutindo a situação e pensar em possíveis soluções. Toledo defende, também, que as ações precisam passar pela União, que, de acordo com a Constituição Federal, é dona das praias.

    Em nota enviada à Folha, a Secretaria de Coordenação e Governança do Patrimônio da União afirma que os encaminhamentos necessários competem à administração municipal. O governo federal argumenta que o Estatuto das Cidades deu aos municípios a capacidade jurídica de gestão das superfícies das cidades.

    https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2021/11/atafona-distrito-do-rj-que-vem-sendo-engolido-pelo-mar-serve-de-alerta-para-erosao-costeira.shtm

    Avaliação

    Erosão Costeira e Suas Causas (4 pontos)
    a) O texto menciona que a erosão costeira em Atafona é causada principalmente pelo assoreamento do rio Paraíba do Sul. Explique como a intervenção humana contribuiu para o assoreamento e, consequentemente, para a erosão costeira. (2 pontos)


    b) Quais são as condições naturais que também contribuem para o processo de erosão em Atafona? Explique como essas condições se combinam com os fatores antrópicos para agravar a situação. (2 pontos)

    Impactos Ambientais e Sociais (3 pontos)
    a) Discuta os impactos sociais da erosão costeira em Atafona, considerando as perdas emocionais e materiais dos moradores, conforme descrito no texto. Como esses impactos estão diretamente ligados às mudanças ambientais na região? (1,5 pontos)


    b) O texto menciona o avanço do mar em Atafona e sua relação com as mudanças climáticas. Como o aumento no nível dos oceanos, associado às mudanças climáticas, pode afetar outras regiões costeiras no Brasil e no mundo? (1,5 pontos)

    Soluções e Desafios Ambientais (3 pontos)
    a) O geógrafo Eduardo Bulhões propõe o “engordamento artificial da praia” como uma possível solução para a erosão em Atafona. Quais são os potenciais benefícios e riscos dessa solução do ponto de vista ambiental? (2 pontos)


    b) O texto aponta a falta de articulação entre os poderes municipal, estadual e federal como um obstáculo para resolver o problema da erosão em Atafona. Como uma gestão ambiental integrada poderia ajudar a enfrentar os desafios ecológicos e sociais nessa e em outras regiões afetadas por problemas semelhantes? (1 ponto)

    Prof Luciano Mannarino

  • Com secas e degradação, Caatinga perdeu 40% de água original em 35 anos (EF07GE11)

    Com secas e degradação, Caatinga perdeu 40% de água original em 35 anos (EF07GE11)

    EF07GE11

    Caracterizar dinâmicas dos componentes físico-naturais no território nacional,
    bem como sua distribuição e biodiversidade (Florestas Tropicais, Cerrados, Caatingas, Campos
    Sulinos e Matas de Araucária).

    Carlos Madeiro Colaboração para o UOL, em Maceió

    07/10/2021 04h00

    O avanço da degradação ambiental, somado a um período de estiagens severas, levou o bioma da Caatinga a perder 40% de sua água de origem natural entre 1985 e 2020. O dado consta no estudo “Mapeamento Anual de Cobertura e Uso da Terra na Caatinga”, do projeto MapBiomas. Ao todo, foram 79 mil hectares de superfície de água a menos nesses 35 anos, o que equivale a uma área de 96 mil campos de futebol oficiais.

    Carro-pipa capta água em rio em Santa Bárbara (BA)  - Fernando Vivas - 21.out.2016/Folhapress
    Com secas e degradação, Caatinga perdeu 40% de água original em 35 anos Carro-pipa capta água em rio em Santa Bárbara (BA) Imagem: Fernando Vivas – 21.out.2016/Folhapress

    A água natural de um bioma se constitui, especialmente, pelas bacias de rios e açudes já existentes na região. A redução de água no bioma foi compensada, em partes, pela construção de fontes artificiais, como os reservatórios de hidrelétricas. Somando todas as formas encontrada na superfície, o estudo apontou para 922 mil hectares de extensão média da água mapeada em 2020 (menos 8,27% no período de 35 anos).

    Onde está a água de superfície na Caatinga:

    Hidrelétricas – 304.994 hectares (42,7% do total)

    Reservatórios – 211.556 hectares (29,6%)

    Natural – 196.365 hectares (27,5%)

    Mineração – 1.584 hectares (0,2%)

    Caatinga é um bioma que ocupa 844 mil km² do Nordeste e do norte de Minas Gerais, cobrindo 10,1% do território brasileiro. Nele, moram 27 milhões de brasileiros em 1.210 cidades —entre elas, uma capital: Fortaleza. Segundo Washington Franca Rocha, coordenador da equipe de Caatinga do MapBiomas, a perda natural só não causou maiores estragos porque houve uma série de ações públicas recentes. “A gente verificou que, a partir de 2004, houve um investimento em construção de açudes, reservatórios, em infraestrutura hídrica para se armazenar água. Não tivemos uma crise hídrica mais grave por conta dessas ações”, afirma.

    Menos vegetação, menos água.

    A perda de água tem relação direta com a perda de cobertura vegetal. A área remanescente de vegetação nativa, entre 1985 e 2020, por exemplo, caiu 10%. Dos dez municípios que mais perderam essa vegetação natural no período, oito ficam na Bahia.

    Mapa de áreas degradas cresceu em 35 anos - Reprodução/MapBiomas - Reprodução/MapBiomas
    Mapa de áreas degradadas cresceu em 35 anos Imagem: Reprodução/MapBiomas Nesses 35 anos, foram ao menos 15 milhões de hectares de vegetação primária suprimidas

    “O que sustenta o bioma é a vegetação que retém água, não permitindo que ela, de forma acentuada, vá parar no oceano. Se você tira essa cobertura vegetal de forma acelerada, o que vai acontecer é que áreas mais expostas, sem cobertura, tendem a ficar secas”, explica.

    Isso acende um alerta a essas ameaças ao bioma. Reforça a condição de que o bioma está se tornando ainda mais seco. Tivemos uma redução contínua, não cíclica, como a gente consegue mostrar em um período de 35 anos. Algo está acontecendo na região que está se sobrepondo e causando a perda de água.Washington Franca Rocha, do MapBiomas Segundo Rodrigo Vasconcelos, da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana) e da equipe do MapBiomas Caatinga, a queda começou a se acentuar a partir de 2009. “Hoje, uma minoria [da água superficial] é natural, o que indica a necessidade de novas —e manutenção das atuais— políticas públicas para dar sustentabilidades a estados e municípios”, afirma. O que fica claro, ao longo da série temporal, é que o bioma vem apresentando uma perda de água. Isso merece destaque quando avaliamos que essa redução ocorre em todas as bacias. Há uma forte tendência de diminuição em termos de área mapeada. Rodrigo Vasconcelos, da UEFS e do MapBiomas.

    Rio São Francisco “seca”

    Em 35 anos, o maior reservatório do Nordeste: o rio São Francisco, perdeu 30.679 hectares de superfície com água —o que corresponde a 4,16% do volume total. O pesquisador Humberto Barbosa, coordenador do Lapis (Laboratório de Processamento de Imagens de Satélite), da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), publicou um artigo –junto com outros pesquisadores, em 23 de setembro– em que aponta a degradação ambiental acelerando e causando danos na bacia.

    “Nos últimos anos, toda aquela área do São Francisco vem enfrentando degradação, com a mudança no uso e ocupação do solo, que inclui a conversão de terras para a agricultura, em detrimento da vegetação nativa. Os períodos secos são relativamente comuns no rio São Francisco, mas há uma crescente preocupação sobre a capacidade de esse rio responder a esses eventos de secas”, conta. 2019:

    Sertania - Leo Caldas/Folhapress - Leo Caldas/Folhapress
    Agricultores de Sertânia (PE) buscam água ao lado de canal seco da transposição do São Francisco Imagem: Leo Caldas/Folhapress

    Barbosa diz que isso ocorre em razão da tendência das secas se tornarem mais frequentes e extremas, devido aos efeitos da mudança climática. O semiárido brasileiro é a região do Brasil mais afetada pela mudança climática. Simulações de modelos climáticos indicam possibilidade de redução de cerca de 40% das chuvas na região ainda neste século. A região já conta com 13% do seu território em processo de desertificação. Humberto Barbosa, Lapis/Ufal Segundo ele, as grandes secas que afetaram o rio São Francisco estiveram historicamente mais concentradas na região do Baixo São Francisco (entre Alagoas e Sergipe). “Mas, de acordo com a nossa pesquisa, há sinais de condições crescentes de seca nas demais áreas da bacia, como é o caso do Alto e Médio São Francisco”, explica, lembrando que, nessas áreas, estão localizadas as usinas hidrelétricas de Três Marias (MG), Sobradinho (BA) e Luiz Gonzaga (PE), além de importantes áreas agrícolas”, revela.

    Vista de satélite da barragem de Sobradinho (BA): perdas afetam o rio São Francisco - Planet Scope/Lapis/Ufal - Planet Scope/Lapis/Ufal
    Vista de satélite da barragem de Sobradinho (BA): perdas afetam o rio São Francisco Imagem: Planet Scope/Lapis/Ufa

    Com a maior escassez de água, Barbosa ainda aponta para uma tendência de acirramento nas disputas pelo seu uso. “A avaliação dos impactos de eventos intensos de seca na bacia do rio São Francisco é fundamental para desenvolver estratégias adequadas de adaptação e mitigação desses conflitos”, pontua.

    https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2021/10/07/com-secas-e-degradacao-caatinga-perdeu-40-de-agua-original-em-35-anos.htm

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    Prof Luciano Mannarino

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  • NATURE: O gelo do mar Ártico atinge o mínimo de 2021

    NATURE: O gelo do mar Ártico atinge o mínimo de 2021

    A cobertura mínima de gelo neste verão foi a décima segunda menor de todos os tempos – e os cientistas alertam que a tendência de longo prazo de encolhimento continua.

    Tosin Thompson

    Um urso polar está em blocos de gelo no Canal Britânico, no arquipélago de Franz Josef Land, em 16 de agosto de 2021.
    Animais do Ártico, como os ursos polares, dependem do gelo marinho. Embora a extensão mínima anual deste ano tenha sido relativamente alta, a cobertura de gelo está diminuindo com o aumento das temperaturas globais. Crédito: Ekaterina Anismova / AFP via Getty

    O gelo marinho do Ártico ultrapassou sua extensão mínima neste ano, diminuindo para 4,72 milhões de quilômetros quadrados em 16 de setembro, informou o Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo (NSIDC) dos Estados Unidos.

    Devido a um verão ártico frio e nublado, o mínimo anual deste ano foi o mais alto desde 2014 – o gelo cobriu quase 1 milhão de quilômetros quadrados a mais do que a extensão do ano passado de 3,82 milhões de quilômetros quadrados, que foi o segundo menor já observado (consulte ‘Cobertura de gelo ‘). Mas ainda é a décima segunda menor extensão de gelo marinho em quase 43 anos de registros de satélite, e os cientistas dizem que a tendência de longo prazo é para uma cobertura de gelo mais baixa.

    “Mesmo com o aquecimento global e a tendência geral de queda no gelo marinho, ainda há variabilidade natural”, diz Walt Meier, um cientista pesquisador sênior do NSIDC, que trabalha na Universidade do Colorado em Boulder.

    COBERTURA DE GELO.  O gráfico que mostra a extensão mínima do gelo marinho do Ártico está diminuindo em cerca de 13% por década.
    Fonte: NSIDC

    A extensão mínima do gelo marinho do Ártico está diminuindo a uma taxa de 13,1% por década. “Incluindo este ano, os últimos 15 anos tiveram as 15 extensões árticas mínimas mais baixas já registradas”, diz Meier. A menor extensão mínima já registrada foi estabelecida em 2012, depois que uma tempestade muito forte acelerou a perda de gelo fino que já estava à beira do derretimento.

    “A média de todos os anos está diminuindo constantemente, enquanto a temperatura média global está aumentando”, diz Steven Amstrup, cientista-chefe da Polar Bears International em Bozeman, Montana. Ele acrescenta que, embora possa haver maior extensão de gelo marinho em um determinado ano, a frequência de anos de gelo “ruim” com uma extensão mínima de gelo marinho está aumentando. “Melhores anos de gelo são cada vez mais anômalos na tendência de longo prazo”, diz Amstrup.

    Um verão fresco

    As regiões árticas experimentaram uma temporada de verão mais fria e nublada do que o normal neste ano, o que foi parcialmente causado por padrões de baixa pressão atmosférica no hemisfério norte. Arctic 2.0: O que acontecerá depois que todo o gelo desaparecer?

    Em junho e julho, a fraca pressão baixa no Ártico central impediu que ventos mais quentes do sul fossem atraídos para a área. Isso manteve o ar frio e impediu que parte do gelo derretesse. A baixa pressão também causa a formação de nuvens, que bloqueiam a luz solar. Isso pode retardar ainda mais o derretimento.

    Em agosto, o sistema de baixa pressão mudou para o norte dos mares Beaufort e Chukchi, no Alasca, produzindo temperaturas do ar de 2 a 3 ° C abaixo da média. E os ventos de inverno do ano passado empurraram gelo mais velho e mais espesso em ambos os mares. “Então, no início do verão, o gelo estava mais espesso do que nos últimos anos, e isso o tornou um pouco mais resistente”, diz Meier. “No entanto, também é provável que haja um aspecto da mudança climática”, acrescenta. “Em geral, há menos gelo antigo e a cobertura de gelo é mais fina. Gelo mais fino é mais facilmente empurrado pelos ventos e correntes ”.

    Um aumento transitório no gelo marinho pode criar melhores condições para as espécies que usam o gelo para caçar, diz Amstrup. “Mas é essa tendência descendente do mar de gelo, causada por uma frequência crescente de anos de gelo ruim, que determina o destino final dos ursos polares e de outros animais selvagens dependentes do gelo marinho.”

    https://doi.org/10.1038/d41586-021-02649-6

    Tradutor automático

    Prof Luciano Mannarino

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