Categoria: População

  • Plano de aula: Demografia –

    Plano de aula: Demografia –

    Introdução à Demografia

    Definição de Demografia:

    Estudo estatístico das populações humanas, analisando seu tamanho, estrutura, distribuição e mudanças ao longo do tempo.

    Importância para entender tendências populacionais e planejar políticas públicas.

    Importância do Estudo Demográfico:

    Planejamento urbano e rural.

    Desenvolvimento econômico.

    Formulação de políticas de saúde e educação.

    2. Principais Conceitos Demográficos

    População:

    Total de habitantes de uma região ou país.

    Diferença entre população absoluta e relativa.

    Natalidade:

    Número de nascimentos em uma população.

    Fatores que influenciam a natalidade (culturais, econômicos, sociais).

    Mortalidade:

    Número de óbitos em uma população.

    Fatores que influenciam a mortalidade (saúde, condições de vida, guerra).

    Fertilidade:

    Capacidade biológica de ter filhos.

    Taxa de fecundidade e seus determinantes.

    3. Indicadores Demográficos

    Taxa de Natalidade:

    Fórmula: (Número de nascimentos / População total) x 1000.

    Interpretação e exemplos práticos.

    Taxa de Mortalidade:

    Fórmula: (Número de óbitos / População total) x 1000.

    Importância para análise de saúde pública.

    Taxa de Fertilidade:

    Número médio de filhos por mulher em idade reprodutiva.

    Implicações sociais e econômicas.

    Expectativa de Vida:

    Número médio de anos que uma pessoa pode esperar viver.

    Diferenças entre regiões e grupos sociais.

    4. Estrutura Etária

    Pirâmide Etária:

    Representação gráfica da distribuição da população por idade e sexo.

    Análise de pirâmides etárias: jovem, adulta, idosa.

    Classificação por Idade:

    Jovem: Predomínio de população jovem.

    Adulta: População equilibrada entre jovens e adultos.

    Idosa: Maior proporção de idosos.

    5. Crescimento Populacional

    Crescimento Natural:

    Diferença entre taxas de natalidade e mortalidade.

    Fatores que influenciam o crescimento natural.

    Migração:

    Movimento de pessoas entre regiões.

    Tipos de migração: interna e internacional.

    Crescimento Total:

    Soma do crescimento natural e saldo migratório.

    Impacto no desenvolvimento econômico e social.

    6. Migrações

    Conceito de Migração:

    Deslocamento de pessoas entre diferentes regiões ou países.

    Motivação por fatores econômicos, sociais, políticos e ambientais.

    Tipos de Migração:

    Interna: Deslocamento dentro do mesmo país.

    Internacional: Deslocamento entre países.

    Causas e Consequências:

    Causas: Busca por melhores condições de vida, conflitos, desastres naturais.

    Consequências: Impactos econômicos, culturais e sociais nas regiões de origem e destino.

    7. Distribuição da População

    Densidade Populacional:

    Relação entre população e área ocupada.

    Cálculo e interpretação de densidade populacional.

    Distribuição Geográfica:

    Fatores que influenciam a distribuição (clima, relevo, recursos naturais).

    Concentração populacional em áreas urbanas e rurais.

    Urbanização:

    Processo de crescimento das áreas urbanas.

    Impactos da urbanização na infraestrutura e qualidade de vida.

    8. Desafios Demográficos

    Envelhecimento Populacional:

    Aumento da proporção de idosos.

    Desafios para sistemas de saúde e previdência social.

    Sustentabilidade:

    Uso sustentável dos recursos naturais para atender a crescente demanda populacional.

    Políticas de desenvolvimento sustentável.

    Impactos Econômicos e Sociais:

    Relação entre crescimento populacional e desenvolvimento econômico.

    Desafios para a educação e a geração de empregos.

    Atividades e Discussões

    Análise de Gráficos e Pirâmides Etárias:

    Interpretação de dados demográficos reais.

    Comparação entre diferentes países e regiões.

    Discussão sobre Políticas Populacionais:

    Debate sobre políticas de controle de natalidade e imigração.

    Reflexão sobre políticas de inclusão e igualdade social.

    Conclusão

    Importância da demografia para o planejamento e políticas públicas.

    Reflexão sobre o futuro das populações e a sustentabilidade.

    Avaliação

    Quiz sobre os conceitos aprendidos:

    Perguntas objetivas para testar o conhecimento adquirido.

    Trabalho em Grupo sobre um Tópico Demográfico Específico:

    Pesquisa e apresentação sobre um tema demográfico atual.


    Parte 1: Questões Objetivas

    1. Qual é a definição de demografia?

    a) Estudo das paisagens geográficas.
    b) Estudo estatístico das populações humanas.
    c) Estudo das relações econômicas entre países.
    d) Estudo da biodiversidade e ecossistemas.


    2. A taxa de natalidade é calculada como:

    a) (Número de mortes / População total) x 1000.
    b) (Número de nascimentos / População total) x 1000.
    c) (Número de migrações / População total) x 1000.
    d) (Crescimento populacional / População total) x 1000.


    3. Qual dos seguintes fatores NÃO influencia a taxa de mortalidade?

    a) Condições de saúde.
    b) Políticas de imigração.
    c) Nível de acesso à educação.
    d) Disponibilidade de serviços de saúde.


    4. A pirâmide etária representa:

    a) O crescimento econômico de um país.
    b) A distribuição da população por idade e sexo.
    c) A quantidade de recursos naturais disponíveis.
    d) O número de migrações em um ano específico.


    5. Qual é a principal causa do envelhecimento populacional em muitos países?

    a) Aumento da taxa de natalidade.
    b) Aumento da expectativa de vida e diminuição da taxa de natalidade.
    c) Aumento das taxas de imigração.
    d) Diminuição da taxa de mortalidade infantil.


    Parte 2: Questões Discursivas

    6. Explique o que é crescimento populacional e mencione dois fatores que o influenciam.






    7. Descreva como a migração interna pode afetar a distribuição populacional de um país.






    8. Quais são as consequências do crescimento populacional descontrolado para o meio ambiente?






    9. Discuta a importância de estudar a demografia para a formulação de políticas públicas.






    10. Analise o gráfico a seguir (suponha que haja um gráfico de pirâmide etária) e responda: Qual é a tendência demográfica principal representada e quais as possíveis implicações para a sociedade?

    [Gráfico de Pirâmide Etária]






    Fim da Prova

    Professor: Avalie as respostas considerando a compreensão dos conceitos abordados e a capacidade dos alunos de relacionar as informações ao contexto social e econômico atual.


    Essa prova é projetada para avaliar o conhecimento teórico dos alunos sobre demografia, bem como sua capacidade de aplicar esse conhecimento em questões práticas e interpretativas.

    Gabarito
    Parte 1:

    Questões Objetivas
    1b) Estudo estatístico das populações humanas.

    2b) (Número de nascimentos / População total) x 1000.

    3b) Políticas de imigração.

    4b) A distribuição da população por idade e sexo.

    5b) Aumento da expectativa de vida e diminuição da taxa de natalidade.

    Parte 2:

    Questões Discursivas
    Gabarito6: Crescimento populacional é o aumento do número de habitantes de uma região ao longo do tempo. Dois fatores que o influenciam são o crescimento natural (diferença entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade) e a migração (entrada e saída de pessoas de uma região).

    Gabarito7: A migração interna pode causar a concentração populacional em áreas urbanas, resultando em crescimento das cidades e possíveis problemas como falta de infraestrutura, transporte, habitação, além de afetar as áreas rurais com a diminuição da força de trabalho e envelhecimento populacional.

    Gabarito8: Consequências incluem degradação ambiental, aumento da poluição, desmatamento, esgotamento de recursos naturais e perda da biodiversidade, além de pressão sobre o fornecimento de água e alimentos.

    Gabarito9: Estudar demografia é crucial para formular políticas públicas eficazes em áreas como saúde, educação, habitação e previdência social. Permite prever tendências populacionais, planejar infraestrutura adequada e garantir o desenvolvimento sustentável.

    Gabarito10: A análise da pirâmide etária pode indicar tendências como o envelhecimento populacional, onde há uma maior proporção de idosos. Isso implica em desafios para os sistemas de saúde e previdência, necessidade de políticas de apoio aos idosos e possível redução da força de trabalho ativa.

    Fim da Prova
    Professor: Avalie as respostas considerando a compreensão dos conceitos abordados e a capacidade dos alunos de relacionar as informações ao contexto social e econômico atual.

    Prof Luciano Mannarino

  • Proporção da população brasileira que vive próxima do litoral diminui, mas segue sendo maioria

    Proporção da população brasileira que vive próxima do litoral diminui, mas segue sendo maioria

    Censo aponta que proporção de quem mora no interior aumentou

    21.mar.2024 às 10h00

    Lucas Lacerda

    SÃO PAULO

    Mais da metade da população brasileira —203,1 milhões de pessoas, segundo o Censo Demográfico 2022— está espremida numa faixa de 150 km a partir do litoral. Já nas fronteiras do Brasil, o número, embora tenha crescido, representa uma parcela de 4,6% dos habitantes.

    É o que mostram os dados de setores censitários publicados nesta quinta-feira (21) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Essas unidades territoriais agrupam domicílios em um local, urbano ou rural, que será mapeado pelos recenseadores.

    Foi dessa forma que o IBGE calculou as quantidades da população morando a até 150 km do litoral ou da fronteira, sobrando, assim, o contingente populacional do interior.

    movimentação de pessoas em tarde no pelourinho, com rua larga e imóveis antigos conservados
    Turistas no Largo do Pelourinho, em Salvador (BA); a capital perdeu população entre 2010 e 2022, segundo o Censo – Rafaela Araújo – 21.mai.2023/Folhapress

    Comparados aos resultados do Censo 2010, os números continuaram praticamente os mesmos, com uma queda de 1% no litoral, apesar do aumento de 5 milhões de habitantes verificado em 2022, que chegou a 111.277.361 pessoas.

    Já a porção fronteiriça, com 9.416.714 habitantes, continua com 4,6% da população, e todo o contingente entre as duas faixas, no interior, soma 83.157.078 pessoas (41%).

    Mas o crescimento da população, maior no Centro-Oeste do país do que a média nacional, significa que a população pode estar se interiorizando. Esse movimento não vai superar o contingente do Sudeste, mas pode até passar o Sul em algumas décadas.

    É o que diz o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, pesquisador aposentado do IBGE. Para ele, a causa é a atração econômica do agronegócio e o peso do setor primário nas exportações do país.

    “Esse peso está no Centro-Oeste. Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Esse movimento é acompanhado pelo crescimento da população, que vai para onde há emprego e renda.”

    Desde a colonização, o Brasil passou por diferentes momentos de ocupação do interior do território, que começou espalhada pelo litoral. “Dizia-se que os portugueses se limitavam a arranhar a costa do Brasil como caranguejos”, afirma Eustáquio.

    Entre as corridas por borracha, as marchas para o oeste do país e a construção de Brasília, os diferentes governos do país foram ao interior sob o pretexto de ocupar para proteger e integrar o país. Ainda, a ditadura militar pretendeu conquistar a Amazônia patrocinando a construção de estradas como a Transamazônica (BR-230) e a BR-163 (Cuiabá-Santarém).

    Com a perda do peso da indústria no PIB (Produto Interno Bruto) do país, segundo Eustáquio, o país consolidou o movimento de reprimarização da economia. “O setor que mais cresce, exporta e gera divisas não é a indústria, concentrada em São Paulo.”

    Segundo o professor do Instituto de Geografia da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) Vitor de Pieri, as mudanças na economia também explicam mudanças nos fluxos de migração nas grandes capitais. “Há um movimento de pessoas saindo de cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, migrando para o centro do país.”

    Junto com emprego, Pieri também aponta uma busca por mais qualidade de vida em regiões de interior. “Mais contato com natureza e até para trabalhar com produção primária, o que chamamos de neo-rurais.”

    Ele aponta que a indústria também começou a se interiorizar no país a partir dos anos 1960 e 1970. “É uma deseconomia de aglomeração, conceito do Milton Santos. Por causa de fatores como trânsito, alto valor do metro quadrado, insegurança e os incentivos fiscais no interior, as indústrias migraram.”

    Com 11.451.245 de habitantes, São Paulo encabeça a lista das maiores cidades do Brasil, de acordo com o Censo de 2022 do IBGE

    Com 11.451.245 de habitantes, São Paulo encabeça a lista das maiores cidades do Brasil, de acordo com o Censo de 2022 do IBGE Rivaldo Gomes/FolhapressMAIS 

    Para Eustáquio, embora não seja possível que o Centro-Oeste supere o Sudeste em termos absolutos de população, a região pode superar o Sul, e deve continuar a crescer no país nas próximas décadas, tornando o Brasil mais interiorizado e urbanizado.Mas o pesquisador diz que ainda é preciso aguardar os dados de migração do Censo, que podem ajudar a explicar por que capitais como Salvador (BA) perderam população entre 2010 e 2022.

    https://arte.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/03/21/censo22-litoral-fronteira/censo22-litoral-fronteira-1-desktop.png?t=1710979804835

  • Dados do Censo revelam lugares onde ninguém mora no Brasil

    Informações inéditas localizam a população de forma mais precisa e ajudam a embasar políticas públicas, diz IBGE

    2.fev.2024 às 10h00Atualizado: 2.fev.2024 às 13h10

    Lucas LacerdaDiana YukariGustavo Queirolo

    SÃO PAULO

    Para contar os 203,1 milhões de habitantes do Brasil, as equipes do Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) percorreram todas as regiões do país e fizeram entrevistas em 111,1 milhões de endereços. Enquanto o Sudeste é a região mais povoada, o mapa também revela áreas onde não há ocupação, concentradas no Norte, especialmente no oeste de Roraima e em grande parte do Amazonas.

    É o que revelam as coordenadas geográficas do Censo, divulgadas nesta sexta-feira (2). As informações partem de microdados coletados em cada endereço visitado pelos recenseadores.

    agentes do censo estão de costas, paradas em frente a um portão, usam equipamentos e coletes onde é possível ver a sigla IBGE escrita
    Agentes do Censo, do IBGE, durante visita – Helena Pontes – 5.jan.2023/Agência IBGE Notícias

    Esta é a primeira vez que o Censo tem seu cadastro de endereços totalmente referenciado geograficamente. A imensa maioria das localidades foi verificada, enquanto 747 mil endereços (0,7% do total) tiveram suas coordenadas estimadas a partir de correções de dados e informações de levantamentos anteriores.

    Essas informações, segundo os técnicos do IBGE, servem para responder a questionamentos sobre onde está a população brasileira, agora de forma mais precisa, e para embasar políticas públicas.

    As coordenadas geográficas proporcionaram um avanço no detalhamento do local em relação às grades estatísticas, por exemplo. Introduzidas no Censo Demográfico de 2010, as grades chegavam a células com 200 metros na área urbana e 1 km na área rural e permitiam a visualização de grupos de domicílios e estabelecimentos. As coordenadas, por sua vez, conseguem diferenciar cada endereço de uma rua.

    Cada coordenada geográfica corresponde a um endereço visitado pelos agentes responsáveis pelo recenseamento, que pode ser um domicílio ou estabelecimento —comercial, religioso, de saúde ou de educação, por exemplo.

    Partes da Serra da Cantareira, em São Paulo, por exemplo, não têm nenhum morador, já que são cobertas por floresta ou água.

    Essas informações, quando cruzadas ao levantamento de população, revelam curiosidades como as 18 cidades que tinham, em 2022, mais domicílios do que habitantes, como Matinhos (PR) e Mangaratiba (RJ), que ficam muito mais cheios aos fins de semana e durante as férias. O município que encabeça essa lista é Arroio do Sal, no litoral norte do Rio Grande do Sul, com 11,1 mil habitantes e 18,9 mil domicílios.

    Os dados também permitem traçar a relação entre o número de estabelecimentos e o número de moradores de determinada cidade. São José do Ribamar (a 30 km de São Luís), no Maranhão, tinha no ano passado a menor presença de estabelecimentos de saúde do país: 1 endereço do tipo para cada grupo de 3.176 habitantes.

    Embu das Artes, na Grande São Paulo, vem logo em seguida, com 1 estabelecimento de saúde para cada 3.020 pessoas. Em relação a estabelecimentos religiosos, o destaque fica com cidades da região metropolitana do Rio de Janeiro, como Itaboraí (a 52 km da capital fluminense), onde os dados Censo 2022 indicam que há 1 endereço religioso para cada grupo de 157 pessoas —é a maior presença desse tipo de estabelecimento entre os municípios com mais de 200 mil habitantes.

    CRITÉRIOS PRÓPRIOS DO IBGE

    É importante ressaltar que esses dados não têm relação com os cadastros dos ministérios da Saúde ou da Educação. Os critérios de classificação do IBGE são próprios —estabelecimentos de saúde, por exemplo, incluem hospitais, postos de saúde e outras unidades de atendimento, públicas ou privadas. Consultórios médicos, diz o IBGE, não entram nessa categoria –são registrados em outras finalidades na pesquisa

    “Por ser um microdado, permite a análise a um nível muito detalhado”, disse Eduardo Luís Teixeira Baptista, gerente do Cadastro de Endereços do IBGE, durante a apresentação do material à imprensa.

    Um exemplo é a sobreposição dos dados coletados por recenseadores em cada domicílio da Vila Sahy, a área mais atingida pelo temporal que deixou 64 mortos em São Sebastião (SP) no ano passado, com as informações de um mapeamento da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

    Esse cruzamento de dados, segundo o IBGE, indica 144 domicílios localizados na área de médio risco e 199 domicílios na área de risco alto. O mesmo uso vale para identificar a distância de domicílios de estações de metrô e equipamentos e serviços públicos diversos, dizem os técnicos.

  • Brasil tem envelhecimento recorde, e pessoas de 65 anos ou mais chegam a 10,9% da população

    Brasil tem envelhecimento recorde, e pessoas de 65 anos ou mais chegam a 10,9% da população

    Grupo nessa faixa etária se aproxima de 22,2 milhões em 2022, com alta de 57,4% ante 2010, diz Censo

    Leonardo Vieceli Isabella Menon

    RIO DE JANEIRO e SÃO PAULO

    Indicadores de envelhecimento da população brasileira aceleraram para níveis recordes, e pessoas de 65 anos ou mais já representam 10,9% do total de habitantes no país —dos 203,1 milhões de brasileiros, 22,2 milhões estão nesta faixa etária.

    É o que apontam novos dados do Censo Demográfico 2022 divulgados nesta sexta-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

    Elide Elisa Rodrigues Luccas, 72, trabalha no ateliê de sua casa no Butantã, zona oeste de São Paulo
    Elide Elisa Rodrigues Luccas, 72, trabalha no ateliê de sua casa no Butantã, zona oeste de São Paulo – Mathilde Missioneiro/Folhapress

    O percentual de idosos é o maior desde o primeiro recenseamento realizado no Brasil, em 1872, disse o instituto.

    Em termos absolutos, a população nessa faixa etária (22,2 milhões) superou o número total de habitantes de Minas Gerais (20,5 milhões), o segundo estado mais populoso do país.

    Ainda em termos absolutos, o contingente de idosos de 65 anos ou mais teve um salto de 57,4% em relação ao recenseamento anterior, de 2010. À época, a população nessa faixa etária era de 14,1 milhões, o equivalente a 7,4% do total de habitantes.

    Uma comparação mais longa também dá uma dimensão do envelhecimento dos brasileiros. Em 1980, os idosos de 65 anos ou mais representavam 4% da população total. O percentual cresceu ao longo das décadas seguintes, até superar os 10% em 2022.

    Enquanto isso, a participação de crianças e adolescentes vem encolhendo, de acordo com o IBGE. Em 2022, as pessoas de 0 a 14 anos representavam 19,8% do total de habitantes, abaixo da marca de 24,1% em 2010. Em 1980, essa mesma faixa etária correspondia a 38,2% da população total.

    Izabel Marri, gerente de estudos e análises da dinâmica demográfica do IBGE, afirma que o efeito da redução da fecundidade começou a ficar mais visível no Brasil na passagem dos anos 1980 para a década de 1990. Nos anos seguintes, a perda de participação dos jovens se intensificou, como apontam os dados de 2022.

    “É uma estrutura populacional que já não é tão jovem, que está em franco envelhecimento e que tende a envelhecer mais”, diz a pesquisadora.

    Ela afirmou nesta sexta que a pandemia reduziu nascimentos em um nível maior do que o esperado anteriormente. O instituto, contudo, ainda não publicou os dados do Censo sobre fecundidade.

    “A gente está em um período pós-crise, pós-pandemia. Isso fez uma redução dos nascimentos para além do que a gente esperava”, disse Marri.

    O IBGE ponderou que, embora a população brasileira tenha um percentual mais elevado de idosos atualmente, o país é menos envelhecido do que nações como o Japão. A estrutura etária nacional se assemelha mais à de locais como os Estados Unidos.

    IDADE MEDIANA AVANÇA A 35 ANOS

    Outras estatísticas divulgadas nesta sexta reforçam o cenário de envelhecimento no Brasil. Segundo o IBGE, a idade mediana dos brasileiros aumentou em seis anos do Censo 2010 para o levantamento de 2022. Nesse intervalo, o indicador subiu de 29 para 35 anos.

    É o maior nível de uma série histórica divulgada pelo instituto com dados a partir do Censo de 1940, o primeiro produzido pelo órgão. A idade mediana separa o total da população em duas metades iguais: uma mais jovem, e a outra, mais velha. Ou seja, 50% dos brasileiros têm mais de 35 anos, e 50% têm menos.

    O chamado índice de envelhecimento também avançou. Saltou de 30,7 em 2010 para 55,2 em 2022. O novo patamar é o maior da série histórica com dados a partir de 1940.

    Na prática, o índice de envelhecimento referente ao ano passado aponta que havia 55,2 idosos de 65 anos ou mais para cada cem crianças de 0 a 14 anos. Essa relação estava em 10,5 em 1980.

    De acordo com especialistas, o envelhecimento traz uma série de impactos para o país. Parte das pessoas vive mais, e a procura por serviços de saúde tende a aumentar.

    Ao mesmo tempo, o país deve contar com uma proporção menor de jovens trabalhando e gerando recursos para o pagamento de aposentadorias e outros benefícios.

    A solução, segundo economistas, passaria por elevar a produtividade do trabalho, um gargalo histórico no Brasil.

    “As implicações em termos de políticas públicas deveriam estar sendo pensadas há muitos anos para atender a essa população idosa”, diz o demógrafo Ricardo de Sampaio Dagnino, professor da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

    “A gente tem um déficit grande. Precisa debater sobre isso e sobre o que fazer com os jovens”, acrescenta, citando a necessidade de criar caminhos em áreas como trabalho e educação para o segundo grupo.

    RS É O ESTADO MAIS ENVELHECIDO

    De acordo com o Censo, o Rio Grande do Sul é a unidade da federação mais envelhecida. A população de 65 anos ou mais correspondia a 14,1% do total de habitantes do estado em 2022.

    O Rio de Janeiro vem na sequência, com 13,1%. O percentual de São Paulo foi de 11,9%, também acima da média nacional (10,9%).

    Roraima se destaca na outra ponta do ranking. O percentual de idosos de 65 anos ou mais correspondeu a 5,1% da população local em 2022. É a menor proporção entre os estados.

    De acordo com o IBGE, a queda da fecundidade começou mais cedo no Sul do que no Norte, fator que poderia explicar uma parte das diferenças entre gaúchos e roraimenses.

    A região Norte é a mais jovem do país: 25,2% da população local tinha até 14 anos em 2022. A marca equivale a 1 em cada 4 habitantes. O Nordeste (21,1%) e o Centro-Oeste (20,9%) vieram na sequência.

    O Sudeste e o Sul, por outro lado, apresentam as estruturas mais envelhecidas. A população de 65 anos ou mais corresponde a 12,2% e 12,1% do total de habitantes nas duas regiões, respectivamente.

    ‘A CABEÇA NÃO ENVELHECE’, DIZ IDOSA

    A bióloga Elide Luccas, 72, ri ao lembrar que considerava “velhas” suas vizinhas de 30 anos quando implicavam com o barulho que fazia durante brincadeiras.

    Quando tinha entre 20 e 30 anos e pensava sobre os anos 2000, ela sempre imaginava um futuro distante e que estaria velha quando chegasse a virada do milênio. “Nós estamos em 2023, e eu não estou velha. Achava que a velhice estava ligada à aparência”, diz ela. “As vezes, olho no espelho e não me reconheço, mas a cabeça não envelhece.”

    Hoje, a bióloga de São Paulo tem uma rotina que varia de acordo com trabalhos manuais que ela produz, cuidados dos três netos, tarefas domésticas e prática de esportes.

    “Trabalho formal eu não tenho, faço um hobby-trabalho. Não dá para pagar as contas, mas eu ganho um dinheirinho”, diz ela, que confecciona mosaicos em casa e vende em feiras do clube que frequenta. “Melhora a longevidade, é uma distração que me faria muita falta se eu não fizesse.”

    Creusa Biasioli, 75, tem um pensamento semelhante ao de Elide. Ela vive em Araraquara (SP), comanda uma siderúrgica e afirma que gosta de trabalhar e de se sentir útil.

    “Gosto de sempre dar um pulo e saber o que está acontecendo para podermos melhorar”, conta ela.

    MULHERES SÃO MAIS DA METADE DOS BRASILEIROS

    Além dos dados de idade, o IBGE também publicou nesta sexta estatísticas sobre a divisão por sexo da população brasileira.

    Conforme o Censo 2022, as mulheres eram 51,5% (104,5 milhões) do total de habitantes, enquanto os homens representavam 48,5% (98,5 milhões). Ou seja, a parcela feminina superava a masculina em cerca de 6 milhões.

    A comparação com os recenseamentos anteriores sinaliza que as mulheres vêm aumentando sua participação entre os brasileiros. O percentual feminino era de 50,78% em 2000, passou para 51,03% em 2010, alcançando 51,5% em 2022.

    A parcela masculina, por sua vez, estava em 49,22% em 2000, foi para 48,97% em 2010 e atingiu 48,5% em 2022.

    A razão de sexo, que mede o número de homens para cada cem mulheres, diminuiu de 96 em 2010 para 94,2 no ano passado. É a menor relação da série histórica divulgada pelo IBGE com dados a partir de 1940.

    Em linhas gerais, a população feminina supera a masculina no Brasil em razão da mortalidade menor das mulheres na comparação com os homens, afirmou nesta sexta Izabel Marri, gerente de estudos e análises da dinâmica demográfica do instituto.

    Essa tendência, disse a pesquisadora, pode ser reforçada pelas condições do mercado de trabalho em cada município. Segundo ela, as mulheres se concentram mais em grandes cidades pela disponibilidade maior de oportunidades de emprego.

    https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2023/10/brasil-tem-envelhecimento-recorde-e-pessoas-de-65-anos-ou-mais-chegam-a-109-da-populacao.shtml

    Atividade

    1. Quando comparamos os dados do censo da região sul com o da regão norte do Brasil, percebemos diferenças em relação a expectativa de vida e número de brasileiros do sexo masculino. Aponte e explique essas diferenças.

    2. Por que a população feminina apresenta as maiores expectativas de vida?

    3. Viver mais é motivo de comemoração e preocupação para um país. Por quê?

    4. O Brasil está vivendo o seu “bonus demográfico” de maneira produtiva? Justifique.

    5 Como as taxas de fertilidade e mortalidade no Brasil têm evoluído ao longo das décadas e quais são as principais razões por trás dessas mudanças?

    6 Quais são as implicações demográficas da migração interna no Brasil, incluindo a migração do campo para as cidades e a concentração populacional em áreas urbanas?

    Questão 1 – Pirâmide Etária Comparativa

    Gráfico 1 – Pirâmide Etária do Brasil: 2010 x 2022

    Com base no Gráfico 1, que compara a pirâmide etária do Brasil em 2010 e 2022, identifique as principais transformações ocorridas na estrutura etária. O que essas mudanças revelam sobre as taxas de natalidade e longevidade no Brasil?

  • Brasil tem 203 milhões de habitantes, aponta Censo; domicílios crescem mais.

    Ana Paula BimbatiLola Ferreira e Carlos Madeiro

    Do UOL, em São Paulo e no Rio, e colunista do UOL

    28/06/2023 10h00

    Somos 203 milhões de habitantes no Brasil. O número foi divulgado hoje pelo IBGE, que revelou os primeiros resultados do Censo 2022. Segundo os dados, vivemos em 90,6 milhões de domicílios, mas nos últimos 12 anos o país teve a menor taxa de crescimento populacional da sua história —os dados oficiais começam a ser contados a partir de 1872.

    O Censo 2022 foi feito com dois anos de atraso e levou 10 meses de coletas em campo. A pandemia e o corte de verbas no governo Bolsonaro foram apontados como os responsáveis pela demora.

    O que o Censo revelou

    A população cresceu em 12,3 milhões de pessoas em comparação a 2010, quando foi realizado o último censo. Na época, eram 190,7 milhões de habitantes, e agora chegamos a 203 milhões; uma alta de 6,4%.

    Porém, o dado divulgado hoje “reduz” a população do país, estimada anualmente pelo órgão. A projeção atual do IBGE é de que haveria 213,3 milhões de habitantes no país em 2021; também menor que o dado parcial do Censo divulgado no final do ano passado, de 207 milhões de moradores —a divulgação antecipada, por sinal, foi alvo de críticas. (Entenda o porquê da diferença).

    Já em domicílios, a alta foi bem maior: em 2010 eram 67,5 milhões e agora são 90,6 milhões, ou 34% a mais: um ritmo de crescimento cinco vezes maior que o da população.

    Com mais domicílios, caiu o número médio de moradores por residência: são agora 2,79 em média; há 13 anos, esse número era de 3,31.

    O Censo revelou que, nos últimos 12 anos, a taxa de crescimento populacional foi de 0,52% ao ano. Foi a menor já registrada desde que temos dados oficiais sobre o tema, a partir de 1872.

    Hoje saíram apenas dados referentes à população e domicílios. Resultados mais detalhados serão divulgados em publicações específicas por área em breve.

    Os demógrafos vão avaliar, por exemplo, qual o impacto da pandemia de covid-19 nesse baixo crescimento.

    “Tivemos diversos problemas. Primeiro, o corte de orçamento; depois, um período pandêmico, e por isso pegamos um país diferente. Foi difícil contratar recenseadores. Mas estamos entregando o censo do Brasil. Nunca havíamos entregue um resultado definitivo tão rápido como agora.”

    Cimar Azeredo Pereira, presidente do IBGE

    São Paulo, maiores números

    Em termos de moradores, São Paulo segue sendo o estado mais populoso com 44 milhões de moradores; e Roraima, o menos populoso, com seus 636 mil habitantes.

    A região Sudeste segue como o maior número de moradores brasileiros (84,8 milhões de habitantes), com 41,8%, enquanto 8% moram no Centro-Oeste.

    Já entre as cidades, a capital paulista também lidera em população, com 11,4 milhões de pessoas.

    Quando analisadas as maiores variações entre 2010 e 2022, Manaus chama atenção por ter sido a cidade que mais ganhou moradores nos últimos 12 anos em números absolutos, saltando de 1,8 milhão para 2 milhões de moradores.

    Já Salvador teve a maior queda de população entre esses anos, caindo de 2,67 milhões para 2,41 milhões de moradores.

    Com isso, a metrópole mais populosa do Nordeste passou a ser Fortaleza, que passou a ser a 4ª mais populosa do país. Entre os dez municípios mais populosos do país, cinco perderam população entre 2010 e 2022.

    As cidades mais populosas do país:

    São Paulo – 11.451.245 (1,8% a mais que em 2010)

    Rio de Janeiro – 6.211.423 (-1,7%)

    Brasília – 2.817.068 (+9,6%)

    Fortaleza – 2.428.678 (-1,0%)

    Salvador – 2.418.005 (-9,6%)

    Belo Horizonte – 2.315.560 (-2,5%)

    Manaus – 2.063.547 (+14,5)

    Curitiba – 1.773.733 (+1,2%)

    Recife – 1.488.920 (-3,2%)

    Goiânia – 1.437.237 (+10,4%)

    Metrópoles menores, entorno maior

    O Censo também apontou que a cidade com menor população do país não é mais Bora (SP), mas sim Serra da Saudade (MG) e seus 833 moradores.

    O IBGE também contou a população de concentrações urbanas, e e São Paulo segue também como a líder com 20,6 milhões de pessoas na região metropolitana. A região do Rio de Janeiro vem em seguida, com 11,6 milhões.

    Nessas concentrações urbanas (que são classificadas como arranjos populacionais acima de 100 mil habitantes com forte integração da população), moram 124,1 milhões de pessoas.

    Uma tendência observada pelo Censo 2022 é que as médias cidades foram as que mais ganharam população a partir de 2010, com redução de ritmo de alta nas capitais e cidades-pólo de regiões metropolitanas. “É o fato novo do Censo”, diz o presidente do IBGE.

    Vista aérea da área portuária de Manaus Imagem: Prefeitura de Manaus

    Crescimento desigual

    O crescimento populacional ocorreu em todos os estados nesses 12 anos, mas as taxas foram diferentes entre as regiões.

    Os números apontam que o Norte deixou de ter a maior taxa de crescimento populacional e passou o posto para o Centro-Oeste, que registrou uma taxa de 1,23% ao ano, mais que o dobro da média nacional.

    Na contramão, o Nordeste é a região que menos cresceu e teve alta de apenas 0,24% ao ano. Alagoas foi o estado com menor crescimento do país e ficou quase estável, com aumento de apenas 0,02% ao ano.

    Já Roraima teve a maior taxa de crescimento. Parte da explicação disso pode ser explicada pela inédita inclusão do povo Yanomami no recenseamento. … –

    Sobre o Censo

    Para fazer o Censo, o IBGE levou 10 meses em campo. O orçamento inicial aprovado foi de R$ 2,3 bilhões, mas segundo o presidente do órgão, o atual governo precisou investir R$ 350 milhões para concluir as entrevistas em 2023.

    Com o aporte do governo atual, foi possível fazer o recenseamento de mais 16 milhões de pessoas pelo país.

    “Dessas, 2 milhões estavam em favelas e iriam ficar fora”, diz. O número de moradores de favelas será divulgado posteriormente.

    “Estamos orgulhosos por esse momento. Ele é histórico e fundamental para todos nós. Existe um IBGE antes e depois do Censo 2022.”

    Cimar Azeredo Pereira, presidente do IBGE

    Recenseadores visitaram todas as cidades.

    O Censo começou em 1º de agosto de 2022 e encerrou a coleta em junho de 2023. Ao todo, participaram da coleta de dados 215.915 trabalhadores temporários, entre analistas, supervisores e recenseadores.

    Os recenseadores visitaram ao todo 106,8 milhões de endereços, com uma taxa de não-resposta de 4,23%. Nesse quesito, São Paulo se destacou pela média bem acima do restante dos estados: 8,1% dos paulistas não responderam.

    Segundo o IBGE, 1 milhão de domicílios se recusaram a responder o Censo.

    Quando uma pessoa não responde ao Censo, ou o entrevistador não consegue localizar um morador, o IBGE faz uma inferência para calcular de acordo com médias recenseadas no local.

    No Censo 2022, o IBGE informou que 195 milhões de pessoas foram recenseadas e 7,9 milhões foram imputadas (calculadas por método científico).

    Dos domicílios visitados, o IBGE encontrou 18 milhões desocupados ou ocupados ocasionalmente (caso de imóveis usados para veraneio ou aluguel temporário, por exemplo). Em comparação a 2010, a alta foi de 87%.

    https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2023/06/28/resultado-censo-2022-brasil-203-milhoes-de-habitantes.htm

    Questões

    1) Quais são os motivos para o atraso do Censo de 2022?

    2) Por que estado de Roraima teve um aumento de sua população?

    3) Em relação os municípios mais populosos do país, quais foram os que perderam efetivos?

    4) Aponte um fator para a redução do crescimento da população brasileira na última década.

    `Prof Luciano Mannarino