Categoria: Urbanização

  • Plano de Aula: Urbanização Brasileira

    Plano de Aula: Urbanização Brasileira

    Aqui estão alguns exercícios sobre migrações para sua aula:


    1. Definições Básicas
    A) Explique a diferença entre migração, imigração e emigração.
    B) Cite um exemplo de migração interna e um de migração internacional.


    2. Tipos de Migração
    A) Classifique os exemplos abaixo como migração interna ou internacional:

    • Um agricultor do Nordeste se muda para São Paulo em busca de trabalho.
    • Uma família brasileira se muda para o Canadá em busca de melhores condições de vida.

    B) Classifique os exemplos abaixo como migração voluntária ou forçada:

    • Refugiados sírios que fogem da guerra civil.
    • Jovens brasileiros que se mudam para Portugal para estudar.

    3. Causas das Migrações
    A) Quais são as principais causas das migrações econômicas? Dê um exemplo.
    B) Explique como as mudanças climáticas podem forçar a migração de populações.


    4. Consequências das Migrações
    A) Cite uma consequência positiva e uma negativa para os países de origem e para os países de destino.
    B) Como o êxodo rural impactou as cidades brasileiras durante o século XX?


    5. Estudos de Caso
    A) Pesquise um exemplo de migração forçada atual e discuta suas causas e consequências.
    B) Com base no que foi discutido, como você enxerga o impacto da crise dos refugiados na Europa?


    Atividade Extra: Debate em Grupo
    Forme grupos e discuta um caso de migração (real ou hipotético), abordando suas causas, tipo de migração e consequências. Prepare uma apresentação para compartilhar suas conclusões com a turma.


    Esses exercícios ajudarão os alunos a consolidar os conceitos e refletir sobre as dinâmicas migratórias com mais profundidade.

    Prof Luciano Mannarino

  • Proporção da população brasileira que vive próxima do litoral diminui, mas segue sendo maioria

    Proporção da população brasileira que vive próxima do litoral diminui, mas segue sendo maioria

    Censo aponta que proporção de quem mora no interior aumentou

    21.mar.2024 às 10h00

    Lucas Lacerda

    SÃO PAULO

    Mais da metade da população brasileira —203,1 milhões de pessoas, segundo o Censo Demográfico 2022— está espremida numa faixa de 150 km a partir do litoral. Já nas fronteiras do Brasil, o número, embora tenha crescido, representa uma parcela de 4,6% dos habitantes.

    É o que mostram os dados de setores censitários publicados nesta quinta-feira (21) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Essas unidades territoriais agrupam domicílios em um local, urbano ou rural, que será mapeado pelos recenseadores.

    Foi dessa forma que o IBGE calculou as quantidades da população morando a até 150 km do litoral ou da fronteira, sobrando, assim, o contingente populacional do interior.

    movimentação de pessoas em tarde no pelourinho, com rua larga e imóveis antigos conservados
    Turistas no Largo do Pelourinho, em Salvador (BA); a capital perdeu população entre 2010 e 2022, segundo o Censo – Rafaela Araújo – 21.mai.2023/Folhapress

    Comparados aos resultados do Censo 2010, os números continuaram praticamente os mesmos, com uma queda de 1% no litoral, apesar do aumento de 5 milhões de habitantes verificado em 2022, que chegou a 111.277.361 pessoas.

    Já a porção fronteiriça, com 9.416.714 habitantes, continua com 4,6% da população, e todo o contingente entre as duas faixas, no interior, soma 83.157.078 pessoas (41%).

    Mas o crescimento da população, maior no Centro-Oeste do país do que a média nacional, significa que a população pode estar se interiorizando. Esse movimento não vai superar o contingente do Sudeste, mas pode até passar o Sul em algumas décadas.

    É o que diz o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, pesquisador aposentado do IBGE. Para ele, a causa é a atração econômica do agronegócio e o peso do setor primário nas exportações do país.

    “Esse peso está no Centro-Oeste. Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Esse movimento é acompanhado pelo crescimento da população, que vai para onde há emprego e renda.”

    Desde a colonização, o Brasil passou por diferentes momentos de ocupação do interior do território, que começou espalhada pelo litoral. “Dizia-se que os portugueses se limitavam a arranhar a costa do Brasil como caranguejos”, afirma Eustáquio.

    Entre as corridas por borracha, as marchas para o oeste do país e a construção de Brasília, os diferentes governos do país foram ao interior sob o pretexto de ocupar para proteger e integrar o país. Ainda, a ditadura militar pretendeu conquistar a Amazônia patrocinando a construção de estradas como a Transamazônica (BR-230) e a BR-163 (Cuiabá-Santarém).

    Com a perda do peso da indústria no PIB (Produto Interno Bruto) do país, segundo Eustáquio, o país consolidou o movimento de reprimarização da economia. “O setor que mais cresce, exporta e gera divisas não é a indústria, concentrada em São Paulo.”

    Segundo o professor do Instituto de Geografia da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) Vitor de Pieri, as mudanças na economia também explicam mudanças nos fluxos de migração nas grandes capitais. “Há um movimento de pessoas saindo de cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, migrando para o centro do país.”

    Junto com emprego, Pieri também aponta uma busca por mais qualidade de vida em regiões de interior. “Mais contato com natureza e até para trabalhar com produção primária, o que chamamos de neo-rurais.”

    Ele aponta que a indústria também começou a se interiorizar no país a partir dos anos 1960 e 1970. “É uma deseconomia de aglomeração, conceito do Milton Santos. Por causa de fatores como trânsito, alto valor do metro quadrado, insegurança e os incentivos fiscais no interior, as indústrias migraram.”

    Com 11.451.245 de habitantes, São Paulo encabeça a lista das maiores cidades do Brasil, de acordo com o Censo de 2022 do IBGE

    Com 11.451.245 de habitantes, São Paulo encabeça a lista das maiores cidades do Brasil, de acordo com o Censo de 2022 do IBGE Rivaldo Gomes/FolhapressMAIS 

    Para Eustáquio, embora não seja possível que o Centro-Oeste supere o Sudeste em termos absolutos de população, a região pode superar o Sul, e deve continuar a crescer no país nas próximas décadas, tornando o Brasil mais interiorizado e urbanizado.Mas o pesquisador diz que ainda é preciso aguardar os dados de migração do Censo, que podem ajudar a explicar por que capitais como Salvador (BA) perderam população entre 2010 e 2022.

    https://arte.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/03/21/censo22-litoral-fronteira/censo22-litoral-fronteira-1-desktop.png?t=1710979804835

  • Mundo com 8 bilhões é, sobretudo, mais envelhecido e desafiador

    Em 1965 entrei para a faculdade de medicina. A população mundial mal passava de 3 bilhões; a do Brasil, 83 milhões. As taxas de natalidade eram altas, e a grande preocupação era com a superpopulação. Prevalecia a teoria neomalthusiana, de incentivo ao uso de métodos contraceptivos e o controle do crescimento populacional com influência do Estado. Do contrário, o mundo não teria capacidade de produzir alimentos para tanta gente.

    Rios de dinheiro de fundações americanas chegavam para deter o “desenfreado crescimento da população”. De envelhecimento populacional ninguém falava. A proporção dos 60+ no mundo era de 4,2. No Brasil, idosos eram apenas 2,8% da população, enquanto 21,4% eram crianças abaixo de 15 anos.

    Três mulheres idosas caminham em rua de Maiaki, na Ucrânia – Yasuyoshi Chiba – 6.mai.22/AFP


    Ao longo das décadas que tenho como médico, um mundo bem diferente emergiu. Se as altas taxas de natalidade tivessem prevalecido, o marco mundial de 8 bilhões já teria há muito sido alcançado, e o Brasil teria uma população muito maior que os 215 milhões de hoje.

    Estima-se que o Brasil atinja seu pico populacional em 2046, com 231,1 milhões. A proporção de idosos, hoje em torno de 15,5%, dobrará até 2050. Segundo o IBGE, em 2022 a proporção de pessoas acima de 50 anos ultrapassou a de com menos de 30 anos. O único segmento da população que seguirá crescendo ao longo do século é o de pessoas idosas.

    Este cenário de rápido envelhecimento vislumbrado para o Brasil é compartilhado com outros países em desenvolvimento, como a China. A diferença é que no gigante asiático foi resultado de uma rígida política de um filho por família, enquanto no Brasil a queda da natalidade foi tão vertiginosa quanto não programada.

    Antes de 2000, o número médio de filhos ao final da vida reprodutiva de uma mulher atingiu o nível abaixo do necessário para reposição: dois —casais precisam ter em média mais de dois filhos para que haja crescimento populacional, salvo em países que recebem muitos imigrantes. Dentro em pouco as mulheres nascidas nos anos 1980 e 1990, quando as taxas de nascimento ainda eram relativamente altas, chegarão à menopausa. Teremos então atingido nosso pico populacional.

    As implicações para saúde são transcendentais. Focando o Brasil apenas, é necessário formularmos políticas de saúde para uma população muito mais envelhecida. Isso pressupõe uma perspectiva de curso de vida pois ninguém envelhece “de repente”. Somos, no final da vida, um reflexo de nossos hábitos e comportamentos –que, por sua vez, dependem de oportunidades para que eles sejam mais saudáveis.


    Saúde é criada no dia a dia, onde as pessoas vivem, trabalham, locomovem-se, divertem-se, amam-se, como já dizia, em 1986, a Carta de Ottawa de Promoção da Saúde da OMS. É, portanto, crucial fazer com que escolhas mais saudáveis sejam também mais fáceis, simples e baratas. Gritantes desigualdades distinguem aqueles que chegam bem à velhice e milhões que envelhecem precocemente e mal.

    Face à impossibilidade de prevenirmos por completo as doenças crônicas associadas ao envelhecimento, faz-se imperativo postergá-las o mais que possível. Se ganharmos dez, 15 anos sem doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, câncer, doenças neurodegenerativas, inclusive vários tipos de demências, não é só a qualidade de vida que aumenta. Os custos para os sistemas de saúde, público ou privado, baixam significativamente.

    O envelhecimento populacional pressupõe desenvolver uma cultura do cuidado. É um marco civilizatório. Não é viável, nem tampouco justo, que o ônus recaia exclusivamente na família. É dever do Estado desenvolver políticas e intervenções que dividam tal responsabilidade.

    Menos justo ainda esperar que o tal “cuidado pela família” seja um eufemismo, que recaia para as mulheres da família a responsabilidade. Cuidam dos filhos, dos pais, dos sogros e mesmo do esposo, geralmente mais velho, e, quando necessitam elas próprias de cuidados, não há ninguém que lhes cuide.

    Embora vivam mais, as mulheres sofrem mais de doenças incapacitantes, como as doenças osteomusculares. Essa questão de gênero é fundamental para um país que tão rapidamente envelhece. Os homens precisarão deixar de ser sobretudo recipientes de cuidado para dele participarem ativamente.

    Globalmente veremos nas próximas décadas transformações desafiadoras. A Índia deve ultrapassar a China como país mais populoso do mundo em 2023. A elas seguem-se os Estados Unidos, Indonésia e Paquistão, o Brasil ocupando a sexta posição. Em 2050, Índia e China seguirão nas primeiras posições, seguidas da Nigéria e, no ranking dos dez mais populosos países do mundo, estarão também Etiópia, Congo e Bangladesh.

    A ONU projeta que em 2064 teremos 10 bilhões e, na década de 2080, alcançaremos o pico de 10,4 bilhões

    O influente Institute for Health Metrics and Evaluation, ligado à Universidade de Washington, projeta que a população mundial será de 9,7 bilhões em 2064 e logo começará a diminuir, com exceção dos países subsaarianos. As implicações geopolíticas são óbvias: o resto do mundo muito mais envelhecido, imensas populações jovens de países pobres à procura de oportunidades. É hora de levar demografia como algo muito mais sério do que levamos no Brasil.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/11/mundo-com-8-bilhoes-e-sobretudo-mais-envelhecido-e-desafiador.shtml

    Prof Luciano Mannarino

    Questões

    1 Explique a Teoria Demográfica Neomalthusiana.

    2 Aponte fatores que explicam a diminuição da taxa de fecundidade da mulher brasileira.

    3 De que forma o “envelhecer bem” diminuiu os custos para o sistema de saúde?

    4 Os “cuidados pela família” acabam sendo responsabilidade dos membros femininos.

    Você concorda com essa afirmação? Justifique.

    5 O “envelhecer precocemente e mal” se relaciona com o acesso diferencial a riqueza? Justifique.

    DEMOGRAFIA E TEORIA DA TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA.

    Em meio à pandemia de Covid, EUA registram menor taxa de natalidade em mais de 40 anos

    Para conter crise demográfica, China autorizará 3 filhos por família

  • Plano Diretor e o bem-estar da população

    Plano Diretor e o bem-estar da população

    A conquista do bem-estar da população deve constar no planejamento das cidades

    9.jul.2022 às 4h00

    Bem-estar e qualidade de vida são questões críticas para o funcionamento das cidades e, consequentemente, aspectos importantíssimos a serem considerados nos planos diretores estratégicos de cada município. Entretanto, as formas de associação do plano de desenvolvimento urbano com o bem-estar da população e sua relação com o ambiente construído nem sempre estão claras para os planejadores.

    Nesse sentido, pode ser bastante útil a compreensão do modelo conceitual proposto pelo professor Kostas Mouratidis, do departamento de planejamento urbano da Norwegian Univeristy of Life Sciences, na Noruega.

    O modelo considera para a caracterização do ambiente construído, no âmbito desse estudo, quatro componentes principais: uso do solo, sistema de transporte, desenho urbano e habitação.

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    Vila Guilhermina, zona leste de São Paulo – Eduardo Anizelli/Folhapres

    A definição de bem-estar da população, considerado um conceito subjetivo, compreenderia três aspectos: satisfação com a vida, bem-estar emocional e a eudaimonia (doutrina que prega a felicidade como finalidade da vida humana).

    Assim, estabelecidos o ambiente construído e o objetivo a ser alcançado (bem-estar da população), o autor indica os aspectos que devem ser considerados no planejamento das cidades para proporcionar essa conexão de forma eficiente: mobilidade, lazer, trabalho, relações sociais, bem-estar residencial, respostas emocionais e saúde.

    Isso significa dizer que, embora existam inúmeras questões importantes a serem consideradas no planejamento de uma cidade, esses são aspectos essenciais quando se pretende estruturar mecanismos que permitam alcançar o bem-estar da população.

    A mobilidade é um dos aspectos mais relevantes e abrangentes. Permite que as pessoas acessem lugares, instalações e serviços e, assim, participem de atividades e atendam às suas necessidades diárias. Gera também respostas emocionais – por exemplo, deslocamentos longos e estressantes ou agradáveis– e, portanto, influencia o bem-estar emocional.

    As viagens urbanas permitem que as pessoas conheçam outras pessoas, dirijam-se até seus locais de trabalho, visitem lojas e acessem instalações e serviços de saúde, educacionais, espaços recreativos, esportivos e culturais. Essas opções de acesso contribuem para a satisfação de necessidades e permitem que as pessoas alcancem a eudaimonia.

    O trabalho é um dos domínios mais importantes da vida, e a satisfação no trabalho contribui substancialmente para o bem-estar. O nível de diversidade e acessibilidade, a oportunidade de trabalho e educação são extremamente importantes nesse processo.

    Nesse contexto, estudos mostram que cidades mais densas e vibrantes aumentam o acesso a bens e serviços, facilitam a interação diária, atraem talentos, facilitam o empreendedorismo e possibilitam a mobilidade social e econômica.

    A satisfação com a moradia expressa o nível de contentamento com a habitação em que se vive, e fornece indicações sobre a influência das características da habitação no bem-estar social. Além, obviamente, da satisfação com a habitação em si – aspectos relacionados com a vizinhança são importantes. Assim, é desejável que problemas urbanos comuns (ruídos, desigualdades, criminalidade, falta de espaços verdes) sejam relativamente limitados, e características essenciais (densidade, uso do solo equilibrado, transporte público eficiente, caminhabilidade), e um ambiente construído compacto sejam foco do planejamento.

    Vista aérea do edifício Figueira Altos do Tatuapé, de 170 metros
    Vista aérea do edifício Figueira Altos do Tatuapé, de 170 metros Eduardo Knapp/FolhapressMAIS 

    O estudo do professor Mouratidis conclui que as estratégias potenciais para melhorar o bem-estar social por meio do planejamento urbano podem incluir aspectos, como melhorar as condições para viagens ativas e transporte público e restringir as viagens de automóveis quando possível; fornecer acesso fácil e equitativo a instalações e serviços; desenvolver ou orientar a tecnologia e novas opções de mobilidade para melhorar a inclusão e a qualidade de vida de diferentes grupos; integrar ao máximo as várias formas de natureza urbana; fornecer espaços públicos acessíveis e inclusivos; manter a manutenção e a ordem no espaço urbano, vegetação e sistemas de transporte.

    Além disso, aponta que outras questões importantes como implementar estratégias de redução de ruído; propor modelos para o desenvolvimento de edifícios e espaços públicos esteticamente agradáveis com base nas necessidades e preferências dos moradores; reduzir as desigualdades socioespaciais ao mesmo tempo em que dá apoio à moradia e ao transporte para grupos vulneráveis; assegurar que políticas, planos, leis e regulamentos urbanos considerem o conhecimento baseado em evidências; melhorar a transferência de conhecimento e interação entre planejadores e coordenadores de saúde pública; aplicar a medição e benchmarking dos resultados do planejamento urbano; e empregar estratégias de empoderamento e incentivar a participação pública e a inclusão de grupos vulneráveis no processo de planejamento.

    Essas estratégias podem e devem ser orientações importantes para planejadores municipais que estejam elaborando ou revisando seus planos diretores, para que possam, dessa forma, incorporar definitivamente ao planejamento a conquista do bem-estar da população.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/claudiobernardes/2022/07/plano-diretor-e-o-bem-estar-da-populacao.shtml

    Questões (consulta)

    1 O que são “desigualdades socioespaciais”? Por que elas ocorrem?

    2 A participação pública na elaboração de um Plano Diretor aumenta a eudaimonia? Justifique.

  • População da China tem menor crescimento em décadas e atinge 1,41 bilhão

    População da China tem menor crescimento em décadas e atinge 1,41 bilhão

    Censo revela aumento do número de idosos e queda na proporção de homens

    10.mai.2021 às 23h40 – Atualizado: 11.mai.2021 às 12h14

    Rafael Balago

    SÃO PAULO | REUTERS e AFP

    Após seguidos adiamentos, a China revelou, enfim, os dados de seu último censo. De acordo com o levantamento, divulgado na manhã desta terça (11) —noite de segunda (10) no Brasil—, a parte continental do país asiático tinha 1,411 bilhão de habitantes em 2020, 72 milhões a mais do que em 2010.

    Trata-se da menor taxa de crescimento populacional no país asiático ao menos desde a década de 1960.

    Os dados mostram uma taxa de fecundidade de 1,3 filho por mulher em 2020, em sintonia com sociedades em processo de envelhecimento, como Japão e Itália.

    O censo é feito a cada dez anos pelo Departamento Nacional de Estatísticas e, nesta edição, envolveu o trabalho de mais de 7 milhões de funcionários entre novembro e dezembro de 2020. Parte dos dados foi coletada online: moradores puderam escanear QR codes e preencher os formulários usando celulares.

    Chineses caminham em distrito financeiro de Pudong, em Xangai – Aly Song – 10.mai.2021/Reuters

    No último levantamento, de 2010, o país tinha 1,339 bilhão de habitantes. Assim, o crescimento anual médio entre 2011 e 2020 foi de 0,53%. Na década anterior (2001-2010), essa taxa havia sido de 0,57%.

    Com esse ritmo, o país pode perder o título de maior população do mundo mais rapidamente que o previsto. A Índia deve registrar em 2020, de acordo com estimativa da ONU, 1,38 bilhão de habitantes —e a população indiana cresce, em média, 1% ao ano, segundo estudo divulgado no ano passado por Nova Déli.

    A China havia previsto que a curva de crescimento populacional atingiria o pico em 2027, quando seria superada pela Índia. A população chinesa começaria, então, a diminuir, até chegar a 1,32 bilhão em 2050. O porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas, Ning Jizhe, confirmou que o país se aproxima do pico, mas não antecipou uma data. A população deve ser superior a 1,4 bilhão “durante um certo tempo”, disse.

    A queda da taxa de natalidade tem várias razões: diminuição do número de casamentos, custo de habitação e educação e gravidez mais tardia das mulheres que priorizam a carreira, por exemplo.

    No ano passado, marcado pela pandemia de Covid-19, o número de nascimentos caiu a 12 milhões, contra 14,65 milhões em 2019, ano em que a taxa de natalidade (10,48 por 1.000) já estava no menor nível desde a fundação da China comunista, em 1949. A pandemia de coronavírus “aumentou a incerteza da vida cotidiana e a preocupação com o nascimento de um filho”, explicou Ning.

    No começo dos anos 1950, o país tinha cerca de 540 milhões de habitantes e, em menos de 30 anos, dobrou a população, atingindo 1 bilhão no começo da década de 1980.

    Em seguida, com uma política rígida de controle de natalidade, que permitia apenas um filho por casal em muitos casos, o crescimento populacional foi contido. Estima-se que a medida tenha impedido o nascimento de cerca de 400 milhões de pessoas desde sua aplicação, a partir de 1979.

    Casais que descumpriam as restrições estavam sujeitos a penas como pagamento de multas e perda de emprego, e havia denúncias de medidas mais duras, como esterilizações e abortos forçados.

    Em 2015, o regime suspendeu a política do filho único e passou a estimular que cada família tenha dois filhos. A decisão, porém, não aumentou a taxa de natalidade, o que leva a pedidos do fim do limite de duas crianças por família. A meta estabelecida em 2016 era superar 1,42 bilhão de habitantes em 2020.

    Pelos dados do último censo, a China conseguiu atenuar o desequilíbrio entre sexos induzido pela preferência tradicional por meninos e que, às vezes, leva à eliminação de fetos do sexo feminino. Assim, o país registrou o nascimento de 111,3 meninos para cada 100 meninas, uma proporção em queda de 6,8 pontos percentuais na comparação com 2010.

    Em fevereiro deste ano, o Ministério da Segurança Pública chinês já havia divulgado números que apontavam queda no número de recém-nascidos. Segundo os dados, houve 11,79 milhões de nascimentos em 2019 —em 2020, esse número caiu para 10,035 milhões.

    Foto aérea de um bairro cultural de Beicang, localizado no distrito de Jiangbei, em Chongqing, que foi reformado a partir de um antigo armazém têxtil; cidade possui topografia montanhosa
    Foto aérea de um bairro cultural de Beicang, localizado no distrito de Jiangbei, em Chongqing, que foi reformado a partir de um antigo armazém têxtil; cidade possui topografia montanhosa Liu Chan – 23.abr.2021/Xinhua

    O regime chinês havia contestado, no fim de abril, uma reportagem do jornal britânico Financial Times que apontava encolhimento no número de habitantes na China pela primeira vez em décadas.

    POPULAÇÃO MAIS VELHA E MAIS URBANA

    O total de maiores de 60 anos na China subiu 5,4 pontos percentuais na última década, enquanto o de crianças e adolescentes de até 14 anos aumentou 1,3 ponto percentual. Agora, a população se divide em 18,7% de idosos, 17,95% com até 14 anos de idade e 63,35% com idades entre 15 e 59 anos.

    Por isso, os demógrafos advertem que o país pode registrar o mesmo fenômeno de Japão e Coreia do Sul, com excesso de idosos em comparação à população jovem e ativa no mercado de trabalho, uma preocupação que levou o Parlamento chinês, em março, a aprovar um plano para aumentar progressivamente a idade de aposentadoria durante os próximos cinco anos.

    Em relação à distribuição dos habitantes pelo país, as cidades ganharam 236 milhões de habitantes, e o total da população que vive em áreas urbanas aumentou 14 pontos percentuais, atingindo 63,89%. Ao mesmo tempo, a população “flutuante” de migrantes internos —pessoas de zonas rurais que trabalham em cidades com pouca proteção social— chegou a 376 milhões, aumento de quase 70% em uma década.

    Na educação, o país elevou a taxa de adultos que foram à universidade: o índice passou de 8,9 para 15,4 a cada 100 habitantes. Na mesma toada, o analfabetismo caiu de 4% para 2% do total.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/05/populacao-da-china-cresce-mais-devagar-e-atinge-141-bilhao-de-pessoas-em-2020.shtml

    Questões

    1 Aponte algumas razões para a queda da taxa de natalidade na China.

    2 Explique a diferença de gênero na população jovem da China.

    3 Por que China tem buscado aumentar progressivamente a idade da aposentadoria de sua população ativa?

    4 Por que a China vai perder o posto de maior população absoluta do mundo na próxima década?

    DEMOGRAFIA E TEORIA DA TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA.

    O perfil demográfico do Brasil até 2100 e os desafios da covid-19

    População

    Risco de mais desastres naturais

    Prof Luciano Mannarino