Categoria: África

  • Colonialismo tardio e dados imprecisos aprofundam diferenças entre países lusófonos (EM13CHS204/603)

    30.set.2021 às 4h00Atualizado: 2.out.2021 às 9h30

    GUARULHOS

    Nove pontos no mapa-múndi, distribuídos em quatro continentes, marcam hoje aquilo que é conhecido como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

    A língua –ora tida como a quinta mais falada do mundo, ora como a sétima– é partilhada por um contingente aproximado de 260 milhões a 280 milhões de pessoas, número que deve dobrar até o final do século 21, se consideradas as projeções demográficas das Nações Unidas para a África, onde estão seis dos países lusófonos.

    Mais de cinco séculos após a expansão ultramarina de Portugal levar às ex-colônias o português, e muitas vezes impô-lo à força, essas nações compartilham a língua, alguns costumes e parte de suas histórias —mas estão longe de ser uma massa homogênea.

    Monumento aos Descobrimentos, referência às grandes navegações portuguesas, localizado em Lisboa, capital de Portugal, país que colonizou as demais nações que hoje compõem a comunidade lusófona
    Monumento aos Descobrimentos, referência às grandes navegações portuguesas, localizado em Lisboa, capital de Portugal, país que colonizou as Lalo de Almeida – 7.nov.17/FolhapressMAIS 

    Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste situam-se de maneira bem diferente nos índices internacionais que comparam áreas como economia, desenvolvimento humano e democracia. Há uma receita para ler essas diferenças, que envolve conhecimento sobre as características locais e pitadas de contexto histórico.

    Folha conversou com dois especialistas em lusofonia para saber quais fatores devem ser levados em conta na hora de analisar a radiografia dos países de língua portuguesa.

    Professor de economia da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, e ex-secretário-executivo da Comissão Econômica da ONU para a África, o guineense Carlos Lopes explica que o colonialismo tardio é um dos principais fatores que levaram os lusófonos a se desenvolverem de forma tão diferente.

    Enquanto o Brasil se tornou independente em 1822, os países de língua portuguesa localizados na África conquistaram sua independência mais de um século depois, na década de 1970. A independência tardia, afirma Lopes, teve dois efeitos principais.

    Com uma economia estruturada na dependência de matérias-primas, essas nações demoraram a iniciar o processo de industrialização, modernização econômica e diminuição da informalidade. “O colonialismo tardio traz com ele uma longa caminhada para chegar à transformação estrutural.”

    A conquista da independência em meio ao contexto da Guerra Fria também fez com que as novas nações tivessem de se posicionar de algum lado da disputa geopolítica, o que imprimiu contornos bem específicos às relações internacionais dos países. Houve ainda um atraso na formação de quadros políticos, já que, em geral, os lusófonos africanos chegaram à independência com um restrito acesso ao ensino superior, o que desembocou em problemas de gestão pública.

    “As antigas colônias portuguesas na África foram os últimos territórios do continente a contar com um estabelecimento de ensino superior”, diz a historiadora Helena Wakim Moreno, mestre pela USP e professora do Centro Universitário Sumaré. “Em Angola e Moçambique, essas instituições só foram formadas em 1963.”

    A contextos gerais se soma o que Lopes classifica como fabricações locais. “Na maior parte dos países, houve uma gestão do dinheiro público concentrada na classe dominante e, portanto, criou-se uma elite que gosto de chamar de rentista —aquela que suga a renda fácil que vem das matérias-primas”, diz.

    O comparativo internacional da lusofonia também pede cautela para a análise dos dados de nações africanas. Segundo Lopes, parte considerável das estatísticas dessas nações apresenta problemas nos censos —com exceção do arquipélago de Cabo Verde. “Nesses países temos uma média de 60% da população que não tem documentos, e apenas 10% das terras têm algum registro formal.”

    A situação não é melhor na contabilidade nacional, que fornece informações para que se possa, por exemplo, comparar o PIB (Produto Interno Bruto) dos países. O economista explica que os lusófonos africanos têm poucas atualizações na metodologia que afere a situação financeira. Um exemplo é Guiné-Bissau, onde o ano-base de dados econômicos ainda é o de 2007.

    “A economia que esses Estados conhecem é a das transações internacionais, como matérias-primas, balanço de pagamentos e ajuda financeira. As outras, de que os governos não precisam para funcionar, são abstraídas”, diz. “Isso exacerba a desigualdade, porque há uma parte significativa da população que vive às margens do Estado moderno.”

    Com esses contornos históricos, emergiram também nações muito diferentes quando os temas são o desenvolvimento humano e as liberdades democráticas —algo que muitos dos lusófonos africanos, por exemplo, só foram vivenciar na década de 1990, quando tiveram início eleições multipartidárias.

    “Os Estados estiveram por muito tempo submetidos a uma legislação do Estado colonial português que colocava uma série de restrições à educação e à economia”, diz Moreno. “Os africanos não podiam ser donos de comércios, e o desenvolvimento econômico estava nas mãos da elite colonial estrangeira.”

    Lopes acrescenta que o contexto histórico-social fez com que fossem retardadas as condições para que uma democracia plena emergisse na maioria dos países de língua portuguesa. Com uma administração pública que reconhecia apenas uma pequena parcela da sociedade —em geral, os colonos— como cidadãos, o comportamento cívico e participativo demorou a chegar para grande parte da lusofonia.

    “Os Estados, após a independência, alargaram mal a cidadania, porque havia um hábito da administração colonial de tratar a maior parte das pessoas como sujeitos, não como cidadãos”, diz. “E então começa a emergir uma democracia fechada, para os letrados. Isso exacerbou a etnicidade, o tribalismo.”

    Por isso, ele critica os comparativos internacionais que não levam em conta o contexto africano. “Digo que devemos democratizar a África e africanizar a democracia. Ou seja, aceitar que há um determinado número de características próprias do continente que precisam ser levadas em conta.”

    A partir desse incômodo, o economista participou da formulação do Índice Ibrahim de Governança Africana, que mede anualmente a qualidade da administração em 54 países africanos.

    Do outro lado do Atlântico, o Brasil, também uma jovem democracia, não têm mostrado grandes êxitos nos comparativos internacionais. O país vem caindo desde a década passada no ranking que mede a democracia e também despenca, por quatro anos consecutivos, no ranking de liberdade de imprensa.

    Desde 1996, os nove países lusófonos, que já compartilham a língua e parte de suas histórias, passaram a integrar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, uma cúpula internacional cuja articulação teve grande participação do brasileiro José Aparecido de Oliveira (1929-2007), ex-ministro da Cultura.

    Lopes critica o que chama de “excitações diplomáticas” na história da CPLP e parte de sua arquitetura institucional. Um dos principais problemas seria o fato de as lideranças bienais da comunidade serem eleitas por meio de rotatividade geográfica. “Isso condena a comunidade a ter sempre uma pessoa designada pelo país da vez, em vez de escolher o melhor, a pessoa mais representativa e capaz.”

    Por outro lado, tece elogios e reconhece feitos que a mobilização diplomática já alcançou. “Veja a quantidade de líderes mundiais que a comunidade consegue produzir”, diz, referindo-se ao português António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas pelo segundo mandato consecutivo, ao brasileiro José Graziano, ex-diretor-geral da FAO (agência da ONU para Alimentação e Agricultura), e a ele próprio, que atua na ONU e já liderou a Comissão Econômica das Nações Unidas para África —uma espécie de Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) africana.

    A historiadora Helena Wakim Moreno afirma que a CPLP tem muito a oferecer aos falantes de português, especialmente se ampliar as prioridades para além “da tônica economicista adotada nos últimos anos”. Assim, para ela, mais cooperações universitárias, de pesquisa e ensino seriam bem-vindas.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/09/colonialismo-tardio-e-dados-imprecisos-aprofundam-diferencas-entre-paises-lusofonos.shtml

    Habilidades do BNCC presentes no texto.

    EF08GE15 – Analisar o papel do processo de colonização na formação econômica, política, social e cultural dos diferentes territórios colonizados por Portugal.

    O texto aborda o impacto do colonialismo português, enfatizando as diferenças no desenvolvimento econômico e social dos países de língua portuguesa.

    EM13CHS601 – Analisar criticamente os processos de colonização e descolonização, levando em conta as diferentes trajetórias e seus impactos na organização sociopolítica, econômica e cultural das nações.

    O texto detalha como o colonialismo tardio influenciou a trajetória histórica dos países lusófonos, e como esses países lidaram com sua independência no contexto da Guerra Fria.

    EM13CHS202 – Analisar as desigualdades econômicas e sociais, considerando as influências dos processos históricos, políticos e culturais em diferentes contextos e épocas.

    O texto explora as desigualdades nos países lusófonos, relacionando-as com o colonialismo, a falta de estrutura educacional, e a concentração de poder econômico nas elites locais.

    EF09HI22 – Identificar e analisar processos históricos, dinâmicas políticas e econômicas e características culturais de países africanos, a partir da interação com outras sociedades e culturas.

    O texto fala sobre a independência tardia dos países africanos lusófonos, suas dificuldades econômicas, e os desafios enfrentados para consolidar democracias.

    EM13CHS504 – Analisar criticamente as interações entre os países e seus impactos econômicos, sociais, políticos e culturais em contextos de integração regional e internacional.

    O texto menciona a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e seus desafios em relação à representação e à liderança rotativa, e analisa os impactos da integração de países lusófonos.

    EM13CHS301 – Compreender as transformações nas relações de poder entre as nações, considerando as disputas hegemônicas e suas consequências para o desenvolvimento socioeconômico.

    O texto aborda o papel da Guerra Fria na posição dos países recém-independentes e as transformações políticas nas ex-colônias portuguesas.

    Atividade

    Como o colonialismo tardio afetou o desenvolvimento econômico e político dos países lusófonos na África, de acordo com o texto?

    Quais são as principais diferenças entre os países lusófonos, e como essas diferenças estão relacionadas ao contexto histórico de cada nação?

    De acordo com o texto, quais desafios específicos a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) enfrenta para se consolidar como um bloco internacional coeso?

    Qual é a crítica de Carlos Lopes sobre as estatísticas nos países lusófonos africanos, e quais são as implicações disso para a comparação internacional?

    Como o contexto histórico e social influenciou o atraso na democratização dos países lusófonos africanos?

    A partir do texto, como você interpreta a frase de Carlos Lopes: “devemos democratizar a África e africanizar a democracia”?

    Quais fatores históricos e sociais levaram à formação de uma elite rentista nos países lusófonos africanos, e quais são as consequências disso para a sociedade?

    Quais são as limitações apontadas no texto sobre a metodologia de cálculo do PIB em alguns países lusófonos africanos, como a Guiné-Bissau?

    De que maneira o texto sugere que o passado colonial dos países lusófonos ainda influencia suas políticas de desenvolvimento e cidadania atualmente?

    Como o Brasil se posiciona no cenário internacional em relação aos outros países lusófonos, conforme descrito no texto? Quais são seus principais desafios?

      Prof Luciano Mannarino

    1. Angola vive o fim de sua perestroika

      Angola vive o fim de sua perestroika

      Brasil deve estar preparado para se posicionar do lado do progresso democrático no país africano

      10.out.2021 às 17h02

      Nos anos Bolsonaro, o debate sobre Angola no Brasil se resume às querelas missionárias animadas pelos bispos evangélicos da base governista. Mas o país, fundamental para a diplomacia brasileira em tempos normais, tem conhecido importantes transformações.

      A chegada de João Lourenço ao poder em 2017 foi vivida como uma inesperada ruptura com os anos de autoritarismo e obscenidade financeira do interminável regime de José Eduardo dos Santos. Para a surpresa de todos, Lourenço, membro do MPLA, mesmo partido que o de seu predecessor, encampou uma agenda de abertura política e tomou medidas espetaculares, como a prisão de membros da família Dos Santos e a reorganização da estatal petrolífera Sonangol.

      O presidente de Angola, João Lourenço, na Assembleia-Geral da ONU em Nova York – Timothy A. Clary/Pool via Reuters

      Mas o conto da perestroika angolana era um mito criado pelo MPLA, mestre na arte de adaptar a narrativa nacional às expectativas da comunidade internacional para se eternizar no comando do país. A despeito dos avanços concretos em termos de governança, as medidas anticorrupção parece ter sido calibradas para enfraquecer os oligarcas ligados ao ex-presidente Santos e consolidar o novo projeto de poder.

      A implementação do plano de reformas acertado com o FMI é celebrada como um modelo de competência tecnocrática. Mas a economia real está em frangalhos. O fim do ciclo de ouro da indústria petrolífera dissipou a ilusão de um petroestado desenvolvimentista que pairava sobre o país.

      A infraestrutura está decadente, os serviços públicos desmoronaram, a fome cresce nas regiões rurais e a população urbana vive no marasmo de um modelo econômico em via de extinção.

      Ninguém esperava que o novo governo transformasse de ponta-cabeça, em anos de pandemia, um país refém de dogmas soviéticos e oligarquias góticas. Mas o período deixou claro que a reconversão econômica é incompatível com a ausência de alternância política. Lançada oficialmente na semana passada, a Frente Patriótica Unida representa o maior avanço da construção democrática angolana desde 2002.

      O vento de mudança deixou a ala mais reacionária do MPLA desesperada. Os quadros mais autoritários da era Dos Santos regressaram ao jogo político, e o partido voltou a manifestar seus piores reflexos.

      Estudante de Angola desinfecta os tênis antes de entrar em uma escola da capital, Luanda, que foi reaberta em fevereiro, após 11 meses fechada
      studante de Angola desinfecta os tênis antes de entrar em uma escola da capital, Luanda, que foi reaberta em fevereiro, após 11 meses fecha Osvaldo Silva – 10.fev.21/AFPMAIS 

      Logo depois da criação da Frente Patriótica Unida, o Tribunal Constitucional, capturado por membros do MPLA, abriu uma ofensiva legal para deslegitimar o principal líder da oposição, Adalberto Costa Júnior. Por enquanto, Lourenço parece resistir, mas a pressão do MPLA pelo fechamento do regime deve aumentar nos próximos meses.

      Nesse cenário, as eleições presidenciais agendadas para outubro de 2022 podem ser um teste importante para o Brasil na África.

      A inesperada alternância de poder na Zâmbia criou esperança na África austral, atormentada pelo impasse autoritário no Zimbábue, o colapso social na África do Sul e o desastre militar em Moçambique. O Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência de Angola, em 1975. Ele deve estar preparado para, quando chegar a hora, se posicionar novamente do lado do progresso democrático.

      www1.folha.uol.com.br/colunas/mathias-alencastro/2021/10/angola-vive-o-fim-de-sua-perestroika.shtml

      Questão.

      1 O que seria o “petroestado”? Aponte um outro exemplo.

      2 Aponte semelhanças entre o Brasil e Angola em relação a exploração de petróleo.

      3 Explique a expressão russa do título do texto.

      4 Por que a independência de Angola só se deu após 1975?

      5 De que forma a “guerra fria” esteve presente no processo de independência da Angola?

      Professor Luciano Mannarino

    2. Alemanha se desculpa por genocídio na Namíbia e oferece 1 bilhão de euros

      Alemanha se desculpa por genocídio na Namíbia e oferece 1 bilhão de euros

      Repressão de colonizadores a rebeldes, no começo do século 20, dizimou dois povos da região africana

      28.mai.2021 às 13h24

      Ana Estela de Sousa Pinto

      BRUXELAS

      A Alemanha reconheceu oficialmente nesta sexta-feira (28) ter sido responsável por um genocídio na Namíbia durante a era colonial. O governo alemão pagará à nação africana 1,1 bilhão de euros (cerca de R$ 7 bilhões) para compensar danos infligidos.

      A matança aconteceu entre 1904 e 1907, quando soldados alemães assassinaram de 75 mil a 100 mil pessoas no então território da África do Sudoeste, atual Namíbia, após revolta dos povos herero e nama.

      Uma das últimas fronteiras africanas a despertar o interesse de colonizadores europeus, essas áreas semidesérticas foram ocupadas pela Alemanha em 1884. A expansão rumo ao interior levou aos conflitos com povos já estabelecidos, enraivecidos pela perda das poucas terras aráveis do território.

      Seis africanos em pé e três agachados ao lado de soldado, em foto em preto e branco
      Soldado alemão (dir.) e prisioneiros africanos durante repressão a povos herero e nama na região em que hoje fica a Namíbia; o massacre dos colonizadores durou de 1904 a 1907 – Arquivos Nacionais da Namíbia via AFP

      A revolta dos povos herero e dos nama foi contida com assassinatos em massa, internação em campos de concentração insalubres e expulsões para o deserto, onde milhares de homens, mulheres e crianças morreram de sede. O massacre alemão exterminou 80% dos herero e 50% dos nama, reduzindo-os a parcelas relativamente pequenas entre os 2,6 milhões de namibianos atuais. Os herero, por exemplo, passaram de 40% da população para apenas 7%.

      A Organização das Nações Unidas, que define genocídio como “uma série de atos, incluindo assassinato, cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”, considera desde 1985 o massacre como o primeiro genocídio do século 20, e a Alemanha já havia reconhecido “responsabilidade moral”.

      Museus alemães também devolveram em 2018 restos mortais de vítimas herero e nama que haviam sido trazidos para a Alemanha para pesquisas destinadas a “provar a superioridade da raça branca”. As negociações sobre o pagamento da indenização, porém, levaram seis meses, porque a Alemanha temia que o uso do termo “reparação” a deixasse suscetível a novas ações na Justiça.

      No anúncio desta sexta, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, disse oficialmente que os eventos, “da perspectiva de hoje”, foram “um genocídio”. “À luz da responsabilidade histórica e moral da Alemanha, pediremos perdão à Namíbia e aos descendentes das vítimas”, afirmou, antes de enfatizar que “reivindicações legais de compensação não podem ser derivadas disso”.

      O governo alemão quer desincentivar reclamações como a da Grécia, que pede cerca de € 289 bilhões (R$ 1,84 trilhão) por danos causados durante o período nazista. Por isso, os recursos foram anunciados como “um gesto de reconhecimento do imensurável sofrimento infligido às vítimas”.

      “Queremos apoiar a Namíbia e os descendentes das vítimas com um programa substancial de 1,1 bilhão de euros para reconstrução e desenvolvimento”, disse Maas.

      Namíbia ocupa o 130º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, entre 189 pesquisados e tem a segunda maior desigualdade do mundo, segundo o Banco Mundial, melhor apenas que a vizinha África do Sul nesse item. Seu índice de Gini é de 59,1, numa escala que vai de 0 a 100 (o do Brasil é 53,4), o desemprego passa de 30%, e a pobreza atinge mais de 20% da população.

      Apesar da promessa de participação das populações locais nos investimentos em infraestrutura, o acordo foi rejeitado por líderes dos herero e dos nama. Eles afirmaram considerar o valor insuficiente para compensar o sofrimento de seus ancestrais e a perda de suas terras.

      Caveira em meio a telas verdes
      Crânio que faz parte de restos mortais de guerreiros dos povos herero e nama, em museu de Berlim, em 2018; os ossos foram devolvidos pela Alemanha à Namíbia – Christian Mang – 29.ago.18/Reuters

      O anúncio alemão acompanha o movimento de vários outros países europeus para reconhecer crimes do período colonial e oferecer reparações. Desde o ano passado, estátuas foram derrubadas em vários países, e governos como o da França e da Holanda têm devolvido obras de arte trazidas de países africanos, discussão que ocorre também no Reino Unido.

      Nesta semana, o presidente francês, Emmanuel Macron, foi a Ruanda pedir desculpas pelo papel da França no genocídio que deixou 800 mil mortos da etnia tutsi, em 1994. Estudo encomendado pelo governo francês concluiu que o país europeu, embora não tenha sido cúmplice do genocídio, tinha “responsabilidades avassaladoras”, por se manter aliada ao governo “racista, corrupto e violento” dos hutus, que se preparavam para massacrar os tutsis.

      Museu das Civilizações Negras de Dacar, no Senegal
      Museu das Civilizações Negras de Dacar, no Senegal Divulgação

      “A França tem um papel, uma história e uma responsabilidade política. Tem o dever de confrontar a história e reconhecer sua parte no sofrimento que infligiu ao povo ruandês”, disse Macron nesta quinta (27), após visitar o Memorial do Genocídio de Kigali.

      Manter e ampliar sua influência na África é uma das prioridades de política internacional de Macron, que gosta de lembrar ser o primeiro presidente francês nascido depois que a maior parte do continente conquistou sua independência. Em 2019, ele visitou a África oriental e assinou acordos de parcerias e investimentos na Etiópia e no Quênia. Na viagem atual, ele visita ainda a África do Sul.

      https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/05/alemanha-se-desculpa-por-genocidio-na-namibia-e-oferece-1-bilhao-de-euros.shtml

      Questão

      1 A ocupação alemã, no início do século XX, na região que hoje abriga a Namíbia é reflexo da “Partilha da África”? Justifique.

      2 Em que momento do texto é possível perceber que o processo de independência dos países africano é um processo relativamente recente?

      3 Explique a formação do Deserto da Namíbia.

      4 A ajuda dos países europeus em nações africanas abriga interesses geopolíticos? Justifique.

      O descendente do homem!

      Família real belga fala pela 1ª vez em arrependimento por colonização na África.

      Enviar arroz à África nunca vai conter a migração para a Europa, diz escritor de Gana

      O que é um deserto?

      Prof Luciano Mannarino

    3. Após erupção de vulcão, tremores sacodem República Democrática do Congo

      Após erupção de vulcão, tremores sacodem República Democrática do Congo

      Fenômeno deixou ao menos 32 mortos e milhares de desabrigados; 170 crianças estão desaparecidas

      GOMA (REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO) | AFP e REUTERS

      Tremores de terra sacudiram nesta segunda-feira (24) a cidade de Goma, na República Democrática do Congo, assustando moradores que começavam a voltar às suas casas depois que um vulcão entrou em erupção no sábado (22) e deixou milhares de desabrigados e ao menos 32 mortos, segundo o chefe da defesa civil da província de North Kivu, Joseph Makundi, afirmou à agência de notícias Reuters.

      Entre as vítimas, nove estavam envolvidas em um acidente de trânsito durante a fuga e quatro eram prisioneiros de uma penitenciária que tentavam fugir, enquanto outras morreram queimadas, devido à inalação de fumaça ou asfixiadas pelo gás vulcânico.

      Um dos vulcões mais ativos e perigosos do mundo, o monte Nyiragongo entrou em erupção subitamente na tarde de sábado, pegando de surpresa autoridades e moradores e derramando lava por centenas de metros em direção à cidade de 2 milhões de habitantes. O balanço de mortos deve subir consideravelmente —o Unicef estima que 170 crianças estejam entre os desaparecidos.

      Lava desce do vulcão Nyiragongo perto de Goma, na República Democrática do Congo
      Lava desce do vulcão Nyiragongo perto de Goma, na República Democrática do Congo – 22.mai.21/Missão da ONU para a Estabilização da República Democrática do Congo via Reuters

      Segundo especialistas, os tremores são causados pelo alinhamento das placas tectônicas, e o risco de uma segunda erupção é pequeno. Ainda assim, as autoridades pediram que a população fique alerta.

      Numerosos desde o domingo, os terremotos continuaram durante toda a noite de domingo e na manhã desta segunda-feira, alguns com grande intensidade. Segundo testemunhas ouvidas pela agência de notícias Reuters, eles acontecem a cada meia hora, em média.

      Parte da população, que já havia retornado às suas casas após a erupção, saiu da cidade novamente, e edifícios de vários andares foram abandonados. Reabertas na manhã desta segunda, muitas lojas fecharam após os tremores. As escolas não funcionaram e pediram que os alunos fiquem em casa.

      Autoridades informaram que 17 povoados foram afetados pela erupção e que os danos materiais foram importantes. Dois rios de lava desceram do vulcão, e um deles alcançou a periferia de Goma, onde parou na manhã de domingo. Uma importante estrada da região também foi afetada, e muitas casas foram engolidas. A última erupção do Nyiragongo aconteceu em janeiro de 2002 e causou cerca de cem mortes.

      Nesta segunda, a lava rochosa ainda estava quente e soltava fumaça em alguns lugares. Dezenas de pessoas se aproximaram do local, algumas correndo risco de inalar fluídos tóxicos. Muitos moradores fugiram até a fronteira com Ruanda, ao sul de Goma, ou em direção ao sudoeste, na região do Masisi.

      Uma delegação de oito ministros chegou à área para supervisionar a reconstrução.

      https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/05/apos-erupcao-de-vulcao-tremores-sacodem-republica-democratica-do-congo.shtml?origin=uol

      Questões

      1 Enumere as placas tectônicas envolvidas no evento.

      2 Explique o tipo de encontro de placas tectônicas está ocorrendo nessa região da África.

      3 Qual rocha comumente é formada pela solidificação completa da lava?

      4 Explique a formação do oceano atlântico.

      Prof Luciano Mannarino

      VÍDEO – TEORIA DA DERIVA CONTINENTAL

      TIPOS DE ROCHAS E CICLO DAS ROCHAS (vídeo e atividades)

      CAMADAS DA TERRA E ESCALA GEOLÓGICA DO TEMPO (vídeo e atividades)

    4. Após um ano de ausência, portugueses voltam às ruas para celebrar Revolução dos Cravos e fim da ditadura

      Chaimite (veículo blindado) é uma das atrações do desfile de Lisboa | Foto: S. Couvreu

      Giuliana Miranda

      Impedidos de comemorar nas ruas a Revolução dos Cravos em 2020,  quando estava em vigor o primeiro lockdown contra a Covid-19, os portugueses puderam, neste ano, voltar às celebrações presenciais.

      Embora ainda com restrições, distanciamento e máscaras obrigatórias, o 25 de abril, que marca os 47 anos do fim da ditadura do Estado Novo, foi festejado em todo o país.

      Festa nacional e feriado, a data também foi celebrada com uma sessão especial no Parlamento e um discurso do Presidente da República.

      A manifestação mais emblemática, na av. da Liberdade, em Lisboa, voltou a acontecer. Ainda que os organizadores não tenham incentivado a participação presencial, muitas pessoas fizeram questão de acompanhar o tradicional cortejo.

      O dia ensolarado e quente –contrariando a previsão do tempo, que antevira uma tempestade– parece ter motivado os portugueses a também desconfinarem a participação cívica.

      Desfile do 25 de abril voltou às ruas de Lisboa em 2021 | Foto: S. Couvreur
      Desfile do 25 de abril voltou às ruas de Lisboa em 2021 | Foto: S. Couvreur

      O público na manifestação lisboeta, como de costume, foi um mix de faixas etárias, incluindo muitos idosos, estudantes, jovens trabalhadores e famílias com crianças.

      Um detalhe: neste ano, estava mais difícil conseguir comprar o cravo que é símbolo da festa. Talvez por não terem botado fé no quórum do desfile, os tradicionais vendedores de flores não davam conta da demanda.

      Muitas famílias com crianças estiveram presentes em Lisboa | Foto: S. Couvreur
      Muitas famílias com crianças estiveram presentes em Lisboa | Foto: S. Couvreur

      O desfile é marcado pela participação de delegações de várias cidades e associações, que costumam ostentar faixas que condenam o fascismo e exaltam a democracia. Além, é claro, de reivindicações como melhores salários e melhores cuidados de saúde.

      Muitos brasileiros participaram da manifestação e houve críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em vários momentos do desfile, manifestantes entoaram o coro “Bolsonaro genocida”, em referência à gestão da pandemia no Brasil.

      Brasileiros também participam do 25 de abril | Foto: S. Couvreur
      Brasileiros também participam do 25 de abril | Foto: S. Couvreur

      A REVOLUÇÃO

      Em 25 de abril de 1974, um movimento de sublevação nos quartéis portugueses ganhou as ruas e levou à queda de uma das mais longas ditaduras do século 20.

      Inaugurado por António Oliveira Salazar em 1933, o chamado Estado Novo durou 41 anos, período marcado por repressão, pobreza e uma sangrenta guerra colonial.

      Em 1968, Salazar sofreu um acidente e ficou incapacitado para continuar no comando do país. Foi substituído por Marcello Caetano, que já ocupara vários ministérios no regime de exceção. Salazar morreria em 1970, mas o regime que criara seguia em funcionamento.

      Com a adesão das tropas e da população ao movimento revolucionário, Marcello Caetano anunciou sua rendição no início da noite do próprio dia 25 de abril.

      O antigo autocrata partiu para o exílio no Brasil, vivendo no Rio de Janeiro e trabalhando como professor universitário. Ele morreu em 1980, sem jamais retornar a Portugal.

      Questões

      Relacione Revolução dos Cravos e a independência da Angola e de Moçambique na África.

      Crise do Clima “Portugal”

      DESIGUALDADE GLOBAL (ÁFRICA DO SUL)

      Prof Luciano Mannarino