Categoria: Energia

  • Mercedes-Benz vai demitir 3.600 pessoas em SP e terceirizar parte da operação

    SÃO PAULO | REUTERS
    A Mercedes-Benz anunciou nesta terça-feira (6) uma reestruturação de sua fábrica de caminhões e chassis de ônibus em São Bernardo do Campo (SP), que resultará na demissão de 3.600 trabalhadores, e terceirização de parte da operação.

    A Mercedes-Benz Caminhões e Ônibus atribuiu a medida à pressão de custo e à transformação da indústria automobilística, o que tornou necessário um foco maior no “core business”, definido como a fabricação de chassis de ônibus, caminhões e o desenvolvimento de tecnologias e serviços para o futuro.

    A produção de componentes como eixos dianteiros e transmissão média e os serviços de logística, manutenção e ferramentaria estão entre as atividades que passarão a ser executadas por empresas contratadas.

    Funcionários trabalham em montagem de motor na linha de produção de caminhões 4.0 na fábrica da Mercedes, em São Bernardo do Campo (ABC paulista) – Eduardo Kanpp-08.jan.21/Folhapress


    “Estamos garantindo a sustentabilidade dos negócios da Mercedes-Benz Caminhões e Ônibus a longo prazo no Brasil”, disse a montadora em comunicado.

    A empresa demitirá aproximadamente 2.200 trabalhadores da unidade, sua primeira no país —inaugurada em 1956— e maior planta da Daimler fora da Alemanha para veículos comerciais Mercedes-Benz. E cerca de 1.400 profissionais não terão seus contratos temporários renovados a partir de dezembro de 2022.

    O Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC disse que seus dirigentes se reuniram com a diretoria da Mercedes-Benz nesta tarde, quando representantes da companhia pediram a abertura de negociação sobre esses temas. A fábrica tem 6.000 trabalhadores na produção e entre 8.000 e 9.000 no total, segundo a entidade.

    Uma assembleia da diretoria do sindicato com os trabalhadores foi marcada para quinta-feira (8) às 14h.

    “Esclarecimentos e comunicados à imprensa por parte do sindicato e sua direção só serão feitos após conversa e assembleia com os trabalhadores da planta”, disse o sindicato por meio de sua assessoria de imprensa.

    A Mercedes-Benz já tinha posto 600 trabalhadores em férias coletivas em São Bernardo do Campo (SP) no início do ano devido à falta de componentes eletrônicos. A Mercedes também tem uma fábrica de caminhões em Juiz de Fora (MG).

    DEMISSÕES ACUMULAM, ELETRIFICAÇÃO NO RADAR
    O estado de São Paulo enfrentou nos últimos anos uma série de fechamentos, ou reestruturações, em fábricas de montadoras.

    Em 2019, houve a desmobilização da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, antes do anúncio da saída da montadora do país, em 2021. A própria Mercedes-Benz vendeu no ano passado uma planta em Iracemápolis, onde eram produzidos automóveis de luxo, à chinesa Great Wall Motors.

    Mercedes lança sedã elétrico EQS 53 AMG


    Em abril deste ano, a Toyota decidiu fechar sua fábrica em São Bernardo do Campo, a primeira fora do Japão. A Caoa Cherry anunciou em maio a interrupção da produção de veículos em sua principal planta no país, em Jacareí, para adaptar a unidade à produção de carros híbridos e elétricos

    A Mercedes-Benz disse nesta terça-feira que “o mercado tem se tornado mais dinâmico do que nunca e a competitividade em nessa indústria vai continuar a se intensificar, especialmente considerando a transformação das tecnologias tradicionais para novas formas de propulsão”.

    A empresa deve começar a montar seu primeiro ônibus elétrico no Brasil no fim deste ano e estimou demanda de ônibus elétricos no Brasil da ordem de 3.000 veículos até 2024.

    https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/09/mercedes-benz-vai-demitir-36-mil-pessoas-em-sp-e-terceirizar-parte-da-operacao.shtml

    Prof Luciano Mannarino

    INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA – FASE DE CRESCIMENTO (vídeo a atividades)

    Por que Toyota, Ford e outras montadoras fugiram do ABC Paulista? (EM13CHS202)

  • Com mais de 8 mil torres eólicas, NE sofre com danos ambientais silenciosos.

    Com mais de 8 mil torres eólicas, NE sofre com danos ambientais silenciosos.

    Carlos Madeiro

    Colunista do UOL

    03/07/2022 04h00

    A instalação em grande escala de parques eólicos na região Nordeste se tornou motivo de preocupação para pesquisadores do tema, que dizem que o avanço do setor ao longo das últimas duas décadas ocorreu sem minimizar corretamente os danos ambientais. A coluna conversou com pesquisadores e leu estudos mais recentes, que revelam impactos como desmatamento e redução na movimentação de dunas e da recarga de lençóis freáticos (água subterrânea, essencial especialmente no semiárido).

    Torres na proximidade da comunidade de Xavier, em Camocim (CE)

    Tida como uma das energias produzidas mais limpas, a produção eólica, que utiliza o vento, vem ganhando força no país. Segundo a Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), são 805 parques, 708 deles no Nordeste. Ao todo são 8.211 torres instaladas somente na região. A energia eólica foi defendida por Jair Bolsonaro, em recentes discursos. Ele disse que anunciará, em breve, um projeto de energia eólica no Nordeste que equivalerá à geração de “50 Itaipus”. Recentemente, a coluna mostrou os danos sociais que a instalação de parques estava causando no interior do Nordeste, com casas e cisternas rachadas e estradas com acesso deteriorado.

    Danos cumulativos

    A coordenadora do Labocart (Laboratório de Geoprocessamento e Cartografia Social) da UFC (Universidade Federal do Ceará) —que reúne pesquisadores sobre a energia eólica em todo o país—, Adryane Gorayeb, alerta que, com a instalação dessas milhares de torres, é preciso trabalhar agora com o conceito de impactos cumulativos

    “Hoje se estuda de forma isolada. É como se só aquele empreendimento fosse causar dano, mas não estamos falando de um empreendimento, mas de vários construídos em épocas e distâncias diferentes”, afirma. Em 2019, alguns desses estudos foram publicados no livro “Impactos socioambientais da implantação dos parques de energia eólica no Brasil”, que apontou para muitos problemas. Segundo Gorayeb, os estudos deixaram claro os impactos, que começam antes da obra, quando há desmatamento, em muitos casos, para construção de estradas para que caminhões pesados passem.

    “Muitas vezes eram ambientes fechados, que não tinha nenhum acesso”, explica. Se a construção de estrada vier por calçamento ou asfalto, o impacto afeta o ecossistema. “Raios solares sobre o asfalto acumulam muito mais calor maior que um solo exposto com argila e areia”, diz. Outro fator já clarificado pelas pesquisas é que essas obras causaram impermeabilização do solo, que prejudica o reabastecimento dos aquíferos. Especialmente em áreas secas, esses lençóis freáticos são fundamentais para garantir água à população..

    “Nesse processo a água vai sendo rebaixada, ficando cada vez mais no fundo. Na prática, as pessoas que vivem ao redor precisam cavar com poços mais profundos. Nordeste hoje responde por mais 80% da produção de energia eólica do Brasil Imagem: Marilia Barros.

    Problemas em dunas e água de Camocim

    A pesquisadora Raquel Morais, da UFC, fez uma análise sobre a qualidade das águas subterrâneas em Camocim, no extremo oeste do litoral cearense. No local, o parque eólico ocupou uma área de 1.040 hectares (o equivalente a 10,4 km²), e que 5% desse terreno foi impermeabilizado.

    No estudo ela perfurou 15 poços, que depois foram fechados e expostos a mudanças de solo similares às causadas pelos empreendimentos. O resultado obtido foi que os poços estavam com menos pressão e vazão de água. “As interferências são muito relevantes e influenciaram também a recarga das lagoas entre as dunas, muitas delas que eram permanentes antes da instalação do parque”, diz. Ela cita que, após a implementação do empreendimento, esses volumes hídricos secaram, comprometendo a pesca.

    Torres na proximidade da comunidade de Xavier, em Camocim (CE).

    Um outro estudo na mesma área feito pela geógrafa Gloria Duran, especialista em sensoriamento remoto (ciência que estuda imagens captadas à distância). Ela usou imagens antigas e recentes de satélite para comparar os impactos das dunas de Camocim. “Existiam deslocamentos de até 100 metros a cada dois anos dessas dunas, e depois que foi construído houve uma redução e não supera 60 metros em alguns locais.

    A construção dos parques se transformou numa espécie de barreira sobre o campo de dunas”, explica. Ela cita que, à época, o impacto conseguiu ser medido antes porque os parques de Aracati e Camocim foram as primeiras construções na região. “Foi feito de forma muito rápida”, completa.

    O professor e pesquisador da UERN (Universidade do Estado do Rio Grande do Norte), Rodrigo Guimarães, também estuda o tema há anos e reforça que a instalação das fundações muda a dinâmica natural das dunas por conta dos aterros e estruturas de suporte às torres. “Além disso, a utilização de água subterrânea em grande quantidade diminuindo o aporte [de água] de ecossistemas, como lagoas costeiras e manguezais”, diz. Sobre o movimento das dunas, Guimarães explica que boa parte delas migram naturalmente e voltam para o mar através dos estuários [área alagada de encontro com o mar] de rios. “Com as obras, as dunas são escavadas. Eles injetam muito concreto na base para instalar as torres, e as dunas vão sendo fixadas”. completa.

    Rio Grande do Norte é o estado com mais parques no país.

    Pássaros também afetados

    A bióloga Paula Tavares, que é mestre em geografia pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), também pesquisou o impacto nos pássaros com as torres e cita que há danos encontrados. “Os principais são as colisões, os afugentamentos e o efeito de barreira”, diz. Ela defende que o licenciamento ambiental deve analisar o local, onde o parque vai ser erguido para saber o impacto. Quando já erguido, existem formas também de reduzir impactos, como a pá pintada de preto na turbina —que consegue reduzir em até 70% a morte acidental de pássaros. “Uma outra tecnologia muito interessante é a instalação de radares que detectam a aproximação de bandos de aves e com essa informação as máquinas podem ser paradas, evitando a colisão”, conta.

    Nordeste hoje responde por mais 80% da produção de energia eólica do Brasil..

    Entidade afirma que atua para evitar danos

    Segundo a Abeeólica, os parques construídos no Brasil respeitam as legislações ambientais e são erguidos sempre tentando reduzir os impactos ambientais para se “conviver de forma compatível com a preservação dos principais recursos ambientais do território”.

    Sobre a questão do desmatamento, a entidade diz que a instalação de parques resulta em “baixos índices de supressão vegetal para implantação do empreendimento, sem supressão de grandes poligonais e, portanto, com impactos reduzidos”.

    Complexo Eólico Ventos de São Clemente está nos municípios pernambucanos de Caetés, Capoeiras, Pedra e Venturosa Imagem: Divulgação

    Divulgação De acordo com a entidade, os empreendimentos são distribuídos “de forma a conviver com um entorno preservado quanto às características de infiltração de água, sendo exceções os casos de uso de pavimentação asfáltica nas estradas associadas”.

    Diz ainda que, sempre que possível, os projetos buscam utilizar estradas vicinais já existentes no território. “Esses acessos são revitalizados com sistemas de drenagem e contenção de sedimentos, bem como com recuperação e controle de erosões que ficam como um legado para o território”, afirma.

    Quando há necessidade de instalar novos acessos, assegura que as estradas são projetadas “sem o uso de pavimentação asfáltica e considerando as melhores práticas da engenharia”, com sistema de drenagem. Sobre os prejuízos as dunas, a Abeeolica explicou que, no início das atividades há mais de 15 anos, “alguns parques foram instalados em dunas, com as respectivas compensações ambientais”. “Hoje isso já é bastante incomum, visto que os parques tendem a se instalar em áreas fora do litoral”, diz.

    Sobre o impacto causado pelos aerogeradores a pássaros, a entidade assegura que, antes de um parque eólico ser construído, há uma uma série de etapas técnicas prévias para se adaptar e atender à legislação ambiental.

    “Uma destas etapas inclui, exatamente, estudo de rotas migratórias de aves. A licença apenas é concedida quando há comprovação de que os riscos para impacto de aves são baixos e que podem ser compensados por medidas mitigatórias definidas pelos órgãos ambientais”, afirma, citando que, quando o “impacto reduzido chega, há medidas mitigatórias”.

    Carlos Madeiro

    https://noticias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/

    Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas e com especialização em gestão de conteúdo em jornalismo pela Universidade Mackenzie, Carlos Madeiro atua há 20 anos e escreve para o UOL desde 2009, participando de grandes coberturas e fazendo reportagens e análises sobre o Nordeste e o Norte do Brasil.

    https://noticias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/2022/07/03/com-mais-de-700-parques-eolicos-ne-sofre-com-danos-ambientais-silenciosos.htm

    Questões.

    1.Aponte os fatores naturais que determinam o grande potencial eólico da região nordeste.

    2. Quais são os pontos positivos ligados a produção de energia elétrica a partir da fonte eólica?

    3. Quais medidas podem reduzir a mortalidade de pássaros no uso desse tipo de fonte?

    4. Explique a importância da legislação ambiental no uso da fonte eólica.

    5. Como se produz energia eólica a partir do vento?

    Prof Luciano Mannarino

    #geoverdade

  • Trens maiores tiram quase 800 composições do principal corredor ferroviário do país

    Trens maiores tiram quase 800 composições do principal corredor ferroviário do país

    EM13CHS302

    Analisar e avaliar criticamente os impactos econômicos e socioambientais de cadeias produtivas ligadas à exploração de recursos naturais e às atividades agropecuárias em diferentes ambientes e escalas de análise, considerando o modo de vida das populações locais – entre elas as indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais -, suas práticas agroextrativistas e o compromisso com a sustentabilidade.

    Concessionária Rumo completa um ano da operação de trens com 120 vagões entre Rondonópolis (MT) e o porto de Santos

    6.mai.2022 às 7h34

    Marcelo Toledo

    A implantação de trens com mais vagões no principal corredor do agronegócio no país, entre Rondonópolis (MT) e o porto de Santos, fez com que cerca de 800 viagens deixassem de ser feitas somente em 2021.

    O sistema de trens com 120 vagões foi implantado pela concessionária Rumo em março do ano passado, com o objetivo de reduzir custos e, ao mesmo tempo, transportar mais carga até o porto no litoral paulista. Até então, eram utilizadas somente composições com 80 vagões.

    Trem da concessionária Rumo, com 120 vagões, trafega no principal corredor do agronegócio, que liga Rondonópolis (MT) ao Porto de Santos
    Trem da concessionária Rumo, com 120 vagões, trafega no principal corredor do agronegócio, que liga Rondonópolis (MT) ao Porto de Santos – Divulgação

    Para isso, o plano iniciado em 2018 envolveu mapeamento da tecnologia nas locomotivas, como é o carregamento em Rondonópolis, o tempo que leva para embarcar toda a carga, como seria trafegar por todas as cidades paulistas e a chegada a Santos.

    Um dos problemas é que a malha paulista é muito recortada. Criada principalmente entre o fim do século 19 e as primeiras décadas do século passado, ela tem curvas irregulares e traçado que dificulta a operação de grandes composições. O percurso era o ideal para o período por buscar café nas fazendas, já que não havia outro meio de transporte de carga.

    A proposta inicial da Rumo era utilizar cinco locomotivas para tracionar os 120 vagões, mas após estudos no decorrer de 2021 concluiu-se que era possível fazer a rota entre a cidade mato-grossense e Santos com quatro locomotivas.

    “Esse fator e mais o auxílio das tecnologias embarcadas de condução semiautônoma permitem um ciclo mais eficiente para atender as principais regiões produtoras do país”, diz a concessionária.

    A medida reduziu a emissão de gases e fez, também, com que o comprimento de cada trem passasse de 1,5 quilômetro para 2,2 quilômetros.

    Americana fica na linha tronco da concessão, o chamado corredor de exportações
    Americana fica na linha tronco da concessão, o chamado corredor de exportações Rafael Hupsel/FolhapressMAIS

    De acordo com a concessionária, se mantivesse em 2022 as operações no formato antigo, seriam necessárias mais de 40 locomotivas e 1.445 vagões para cumprir o mesmo ciclo que agora é feito com 120 vagões.

    Foram realizadas no ano passado 1.585 viagens com os 120 vagões, ante as 2.377 que teriam de ocorrer para levar a mesma carga caso a rota fosse percorrida com trens menores. A redução é de 792 viagens.

    Gerente executivo de planejamento da Rumo, Thiago Alvarenga disse que a operação já trouxe “ganhos operacionais expressivos” e que a perspectiva é melhor para este ano. A fase de testes indicou que, a cada cem viagens com o trem maior, o ganho de combustível era equivalente a quatro trens.

    Trecho em obras na BR-163, no Pará, que liga estados da região Centro-Oeste a portos no norte do país
    Trecho em obras na BR-163, no Pará, que liga estados da região Centro-Oeste a portos no norte do país DivulgaçãoMAIS 

    O agronegócio tem impulsionado o novo modelo de viagens da Rumo. O Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) estima que a área plantada com soja crescerá 2,55% na próxima safra em relação à anterior, atingindo 11,13 milhões de hectares.

    “A ampliação inicial está pautada pela valorização do preço da oleaginosa, demanda aquecida e o cenário de preços favoráveis dos subprodutos da soja, o que motivou alguns produtores a fazerem a conversão de áreas de pastagens para agricultura, principalmente em regiões onde a pecuária predomina —nordeste, noroeste e norte”, diz relatório do instituto.

    Dos 6,5 trens por dia, em média, que a Rumo embarca rumo a Santos, cinco saem do terminal em Rondonópolis, com 74 mil toneladas diárias.

    A forte demanda chegou a fazer com que, em um único dia, fossem embarcados 11 trens, 7 deles partindo de Rondonópolis.

    Um trem desse tamanho não é inédito no país, já que há outras ferrovias que transportam minério, por exemplo, com composições que chegam a ter 300 vagões. Em outras, porém, não é possível trafegar com mais de 40 vagões.

    Isso é determinado conforme a modernidade da ferrovia e a existência ou não de trechos de serra ou raios de curvatura menores, por exemplo.

    A Rumo passou a operar com trens de 120 vagões no segundo semestre do ano passado também a partir dos terminais de São Simão e Rio Verde, ambos em Goiás.

    Com a alteração no tamanho dos trens, a capacidade de cada um passou da equivalência de 173 caminhões para 261 caminhões.

    https://www1.folha.uol.com.br/blogs/sobre-trilhos/2022/05/trens-maiores-tiram-quase-800-composicoes-do-principal-corredor-ferroviario-do-pais.shtml

    Questões.

    1 Explique a criação da malhar ferroviária no interior paulista no final do Século XIX.

    Prof Luciano Mannarino

  • Mudanças climáticas: um guia rápido para entender o aquecimento global (EM13CHS304)

    Mudanças climáticas: um guia rápido para entender o aquecimento global (EM13CHS304)

    EM13CHS304    
    Analisar os impactos socioambientais decorrentes de práticas de instituições governamentais, de empresas e de indivíduos, discutindo as origens dessas práticas, selecionando, incorporando e promovendo aquelas que favoreçam a consciência e a ética socioambiental e o consumo responsável.

    Temperatura do planeta está aumentando em decorrência das atividades humanas

    22.abr.2022 às 12h45

    BBC NEWS BRASIL

    As temperaturas mundiais estão subindo por causa da atividade humana, e as mudanças climáticas agora ameaçam todos os aspectos da vida humana.

    Se a situação não for controlada, os humanos e a natureza passarão por um aquecimento catastrófico, com o agravamento das secas, maior aumento do nível do mar e extinção em massa de espécies.

    Enfrentamos um grande desafio, mas existem soluções potenciais.

    Clima é o conjunto de condições médias de temperatura e ambiente num lugar, ao longo de muitos anos. A mudança climática é uma mudança nessas condições médias.

    BBC News Brasil - Mudanças climáticas: um guia rápido para entender o aquecimento global.
    A temperatura do planeta está aumentando em decorrência das atividades humanas, e as mudanças climáticas ameaçam todos os aspectos da nossa vida na Terra – Getty Images

    A rápida mudança climática que estamos vendo agora é causada pelo uso humano de petróleo, gás e carvão para casas, fábricas e transporte.

    Quando esses combustíveis fósseis queimam, eles liberam gases de efeito estufa – principalmente dióxido de carbono (CO2). Esses gases retêm o calor do Sol e fazem com que a temperatura do planeta aumente.

    O planeta está agora cerca de 1,2°C mais quente do que no século 19 – e a quantidade de CO2 na atmosfera aumentou em 50%.

    O ritmo de aumento da temperatura precisa diminuir se quisermos evitar as piores consequências das mudanças climáticas, dizem os cientistas. Eles afirmam que o aquecimento global precisa ser mantido em 1,5°C até o ano 2100.

    BBC

    No entanto, a menos que outras ações sejam tomadas, o planeta ainda pode aquecer mais de 2°C até o final deste século.

    Se nada for feito, os cientistas acreditam que o aquecimento global pode ultrapassar os 4ºC, levando a ondas de calor devastadoras, milhões perdendo suas casas devido à elevação do nível do mar e perda irreversível de espécies vegetais e animais.

    QUAL O IMPACTO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS?

    Eventos climáticos extremos já estão mais intensos, ameaçando vidas e meios de subsistência.

    Com o aquecimento adicional, algumas regiões podem se tornar inabitáveis, à medida que as terras agrícolas se transformam em desertos. Em outras regiões, está acontecendo o contrário, com chuvas extremas causando inundações históricas – como visto recentemente na China, Alemanha, Bélgica e Holanda.

    As pessoas nos países mais pobres sofrerão mais, pois não têm dinheiro para se adaptar às mudanças climáticas. Muitas cidades em países em desenvolvimento já têm que suportar climas muito quentes e isso só vai piorar.

    Nossos oceanos e seus habitats também estão ameaçados. A Grande Barreira de Corais na Austrália, por exemplo, já perdeu metade de seus corais desde 1995 devido aos mares mais quentes causados ​​pela mudança climática.

    Se a temperatura média global continuar a aumentar, quase todos os corais de água mais quente poderão desaparecer – Getty Images

    Os incêndios florestais estão se tornando mais frequentes à medida que as mudanças climáticas aumentam a incidência de clima quente e seco.

    E à medida que o solo congelado derrete em lugares como a Sibéria, gases de efeito estufa aprisionados por séculos serão liberados na atmosfera, agravando a mudança climática.

    Em um mundo mais quente, os animais terão mais dificuldade para encontrar a comida e a água de que precisam para viver. Por exemplo, os ursos polares podem morrer à medida que o gelo de que dependem derrete, e os elefantes terão dificuldade em encontrar os 150-300 litros de água de que precisam por dia.

    Cientistas acreditam que pelo menos 550 espécies podem desaparecer neste século, se medidas não forem adotadas.

    COMO AS DIFERENTES PARTES DO MUNDO SERÃO AFETADAS?

    As mudanças climáticas têm efeitos distintos em diferentes áreas do mundo. Alguns lugares aquecerão mais do que outros, alguns receberão mais chuvas e outros enfrentarão mais secas.

    Se o aumento da temperatura não puder ser mantido dentro de 1,5°C:

    * O Reino Unido e a Europa serão vulneráveis ​​a inundações causadas por chuvas extremas

    * Os países do Oriente Médio passarão por ondas de calor extremas e as terras agrícolas podem se transformar em deserto

    * Nações insulares na região do Pacífico podem desaparecer com a elevação do mar

    * Muitas nações africanas podem sofrer secas e escassez de alimentos

    * As condições de seca são prováveis ​​no oeste dos EUA, enquanto outras áreas verão tempestades mais intensas

    * A Austrália provavelmente sofrerá extremos de calor e seca

    Inundações em Londres em 2021 – Getty Images

    O QUE OS GOVERNOS ESTÃO FAZENDO?

    Os países concordam que a mudança climática só pode ser enfrentada trabalhando juntos e, em um acordo histórico em Paris em 2015, eles se comprometeram a tentar manter o aquecimento global em 1,5°C.

    O Reino Unido vai sediar uma cúpula para líderes mundiais, chamada COP26, em novembro, onde os países definirão seus planos de redução de carbono para 2030.

    Muitos países se comprometeram a chegar à neutralidade de carbono até 2050. Isso significa reduzir as emissões de gases de efeito estufa tanto quanto possível e equilibrar as emissões restantes absorvendo uma quantidade equivalente da atmosfera, por meio de tecnologias de captura de carbono, por exemplo.

    A maioria dos especialistas acredita que isso é possível, mas exigirá que governos, empresas e indivíduos façam grandes mudanças.

    O QUE OS INDIVÍDUOS PODEM FAZER?

    Grandes mudanças precisam vir de governos e empresas, mas os cientistas dizem que algumas pequenas mudanças no dia a dia podem limitar nosso impacto no clima:

    * Pegue menos voos

    * Não use carros ou opte por carro elétrico

    * Compre produtos com eficiência energética, como máquinas de lavar, quando precisarem de substituição

    * Mude de um sistema de aquecimento a gás para uma bomba de calor elétrica

    * Use material que isole sua casa do frio e do calor, evitando com isso usar aquecimento e ar-condicionado

    https://g1.globo.com/meio-ambiente/aquecimento-global/noticia/2022/04/22/mudancas-climaticas-um-guia-rapido-para-entender-o-aquecimento-global.ghtml

    Questões.

    Prof. Luciano Mannarino

  • Entenda a crise entre a Rússia de Putin, a Ucrânia e as forças da Otan

    Entenda a crise entre a Rússia de Putin, a Ucrânia e as forças da Otan

    Com ameaça de uso de força, presidente russo busca impor visão estratégica no Leste Europeu

    A grave crise no Leste Europeu que opõe a Rússia de Vladimir Putin à Ucrânia e ao Ocidente, representado pela sua aliança militar, a Otan, pode trazer a guerra de volta ao solo europeu.

    Ao mesmo tempo, as negociações em torno do impasse testam duas décadas de política de Putin e talvez seu futuro político — no poder desde 1999, ele mudou a Constituição e pode tentar ficar no cargo até 2036.

    Força de reserva ucraniana treina a defesa de Kiev, capital do país, no fim de 2021
    Força de reserva ucraniana treina a defesa de Kiev, capital do país, no fim de 2021 – Serguei Supinski – 25.dez.2021/AFP

    O presidente da Rússia, que assumiu sobre as ruínas dos dez anos de crise após o fim da União Soviética, trabalhou um plano geopolítico claro. Críticos o acusam de buscar restaurar o império comunista, mas suas preocupações são as mesmas de governantes do maior país do mundo desde tempos imperiais: aumentar a distância entre seu território e os adversários, perdida quando a união caiu, em 1991.

    Há outros pontos, como a proteção de russos étnicos que ficaram para trás, e a manutenção da popularidade, que tem na ideia de uma Rússia forte um de seus pilares. O adversário, claro, é a Otan, liderada pelos vencedores da Guerra Fria, os EUA.

    Três décadas depois, o Ocidente se vê encurralado pelos russos na Ucrânia, uma crise que Putin tenta resolver com um xeque-mate — ou um ippon, para ficar no judô que aprecia. A Folha resume o caminho que trouxe os dois países com os maiores arsenais nucleares do mundo frente a frente, novamente.

    O que está acontecendo na Ucrânia agora?

    No começo de novembro, Putin deslocou mais de 100 mil soldados e equipamentos para áreas próximas, relativamente, da Ucrânia. O vizinho, os EUA e a Otan o acusaram de planejar uma invasão militar, que ele nega.

    Tanques ucranianos fazem manobras perto de Donetsk
    Tanques ucranianos fazem manobras perto de Donetsk Forças Armadas da Ucrânia – 14.abr.2021/Via Reuters

    Mas o que existe lá que interessa a Putin? 

    Em 2014, o governo pró-Rússia de Kiev foi derrubado (golpe ou revolução, depende de quem conta). Putin percebeu que a Otan e a União Europeia poderiam absorver o vizinho e agiu, promovendo a anexação da Crimeia, um território étnico russo que havia sido cedido à Ucrânia nos tempos soviéticos, em 1954. E fomentou uma guerra civil de separatistas pró-Kremlin na região do Donbass, no leste da Ucrânia, que está no centro da confusão agora.

    A ONU disse o quê? 

    Ela não reconhece a Crimeia russa.

    Alguém reconhece? 

    Apenas oito aliados do Kremlin. Mas, na prática, a anexação é vista como um fato consumado na comunidade diplomática.

    E as áreas autônomas? 

    Aqui a coisa complica. Primeiro, porque não são tão homogêneas etnicamente; segundo, porque Putin não jogou todo seu peso militar para apoiar de forma decisiva os rebeldes.

    Mas isso não o interessava?

    Anexar o Donbass seria muito mais complexo e caro, além de ter evidente custo militar e humano. A prioridade de Putin é outra: evitar que a Ucrânia, ou qualquer outro país ex-soviético, entre na Otan e, de forma talvez mais secundária, na União Europeia.

    Por quê?

    Historicamente, os russos têm o seu flanco mais vulnerável no Leste Europeu. Por isso, tanto o Império Russo quanto a União Soviética ou dominavam ou tinham aliados na região. O ocaso soviético fez com que parte desses países fosse absorvida na esfera ocidental, e em 2004 a expansão da Otan chegou a três repúblicas que eram da união: Estônia, Letônia e Lituânia. Isso foi a gota d’água para Putin.

    Mas isso não seria uma questão dos países? 

    Sim, é o que diz o direito internacional e a lógica ocidental, quando lhe interessa. Politicamente, contudo, os EUA se comportaram como vencedores pouco magnânimos da Guerra Fria, perdendo a oportunidade de atrair a Rússia para uma parceria mais estável com seus aliados europeus.

    E então Putin agiu. 

    Ele primeiro travou uma guerra em 2008 na Geórgia, um país pequeno numa região explosiva, o Cáucaso, uma das rotas históricas de invasões e guerras —no caso, contra a Turquia. Nos dias de hoje, o problema lá é a infiltração de radicais islâmicos, como as duas guerras que Moscou lutou na Tchetchênia, que faz parte de seu território, demonstraram. No caso georgiano, o então presidente do país tinha uma atitude agressiva e foi visto como imprudente ao provocar os russos, dando a desculpa para que eles atacassem em nome da minoria étnica que povoa duas áreas do país. Resultado, hoje a Geórgia não controla 20% de seu território, o que na prática impede que ela se una à Otan.

    Que é exatamente o que Putin queria. 

    Sim, e é o motivo pelo qual ele é visto como um vilão no Ocidente, pelo uso de força bruta quando acha necessário. O passo seguinte foram as ações na Ucrânia, em 2014.

    E as sanções ocidentais tiveram efeito? 

    Há uma pressão sobre a Rússia, mas especialistas se dividem sobre o real impacto, porque a resultante das sanções foi um incremento no mercado interno, o maior descolamento do sistema financeiro internacional e uma certa diversificação da economia, que ainda é dependente da exportação de hidrocarbonetos (petróleo e gás).

    E a Europa segue comprando gás russo. 

    O gasoduto Nord Stream 2, completado no ano passado, permitirá à Rússia, quando a Alemanha liberar sua operação, retirar boa parte do trânsito do gás natural que vende aos europeus por meio de velhas linhas que passam pela Ucrânia. Assim, Kiev pode perder boa parte dos US$ 2 bilhões anuais que aufere em taxas. O Nord Stream 2 e seu irmão em operação, o ramal 1, ligam a Rússia à Alemanha pelo mar Báltico. Hoje, 40% do gás que a Europa consome vem do país de Putin, e os EUA lutam para inviabilizar o gasoduto porque consideram que os europeus fazem jogo duplo.

    Por que a Ucrânia não entrou na Otan e na UE?

    Pelo mesmo motivo da Geórgia: as regras dos clubes não permitem países com conflitos territoriais ativos. Isso torna conveniente o discurso ocidental, já que ninguém quer pagar para ver em um confronto direto com a Rússia. Assim, Kiev recebe apoio e algum armamento da Otan, mas não se esperam tropas em solo para sua defesa.

    E o que acontece agora?

    Putin quer ver implementados os Acordos de Minsk 2, de 2015, que congelaram a guerra civil no Donbass. Só que eles preveem um grau de autonomia às áreas russas que Kiev não aceita. Ao deslocar tropas, insinua que pode usar a força como em 2014, o que alguns acham ser blefe.

    Por quê?

    Porque o Exército ucraniano não pode derrotar o russo, mas causar um bom estrago. E uma invasão implicaria anexação de áreas, o que custa bilhões que Putin não dispõe. Fora o risco de a Otan mudar de ideia e defender Kiev, o que arriscaria uma escalada perigosa, talvez nuclear. Não por acaso, as cinco potências atômicas se comprometeram recentemente a nunca iniciar uma guerra com essas armas.

    Tanque russo atira durante treinamento no campo de Mulino
    Tanque russo atira durante treinamento no campo de Mulino Vadim Savitski – 11.set.2021/Ministério da Defesa da Rússia/via Reuters

    O que está sendo negociado?

    Russos e ocidentais não avançaram nas negociações iniciadas em meados de janeiro para debater os termos apresentados por Putin para pacificar a região. Ele “trucou”, pedindo compromisso do fim da expansão da Otan e retirada de forças da aliança de membros que entraram após 1997, ou seja, todo o bloco que era comunista. Isso não será aceito, mas pode haver concessões pontuais e o reinício de negociações sobre a Ucrânia, o que já será vendido em Moscou como uma vitória do líder.

    E qual a resposta? 

    Até aqui, é não, mas o fato de que diversas frentes de negociações foram abertas traz a esperança de que algum avanço venha a acontecer.

    Se não der certo, pode haver guerra?

    Sim, o risco é real, embora não seja necessariamente o cenário mais provável. Putin tem na mesa opções mais drásticas e perigosas, como tentar invadir totalmente a Ucrânia e depois deixar o país sob condições de que nunca entre na Otan, ou ações mais pontuais.

    E a Otan, faria o quê? 

    Joe Biden cometeu um erro e admitiu que uma ação limitada não deveria trazer as sanções econômicas devastadoras que promete aplicar ao Kremlin em caso de invasão. Tentou corrigir, mas o estrago foi feito. Além disso, países como a Alemanha, o mais forte economicamente da Europa, são reticentes em um embate direto com Putin, explicitando o racha na aliança.

    Em frente a monumento a mortos na Segunda Guerra, noiva e sargento da Marinha Russa dançam ao som de uma banda militar, tradição local
    Em frente a monumento a mortos na Segunda Guerra, noiva e sargento da Marinha Russa dançam ao som de uma banda militar, tradição local

    E a crise recente no Cazaquistão, como se encaixa nisso?

    Há duas teorias sobre o fato de protestos legítimos contra o aumento de combustível terem quase virado uma revolução, com gente armada nas ruas. Primeiro, que foi fomentada pelo Ocidente para enfraquecer Putin. Segundo, que foi obra do Kremlin para, resolvida rapidamente, o colocar em posição de força. Seja o que for, Putin saiu fortalecido.

    Há outras implicações? 

    A crise aproximou ainda mais a Rússia da China, que deu apoio a Putin e disse que ambos os países precisam se defender juntos do Ocidente. É uma tendência que já estava colocada, mas que pode ter efeitos no futuro próximo.

    Há alguma chance de uma Terceira Guerra Mundial com a China e a Rússia de um lado, e o Ocidente, do outro? 

    Isso é especulação pura, até porque tal conflito não interessaria a ninguém e teria uma grande chance de acabar com a civilização. Ainda assim, não passou despercebido que a China reiniciou seu embate com os EUA no Indo-Pacfício, reagindo a exercícios de dois porta-aviões americanos na sua vizinhança com mais uma grande incursão aérea contra Taiwan.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/01/entenda-a-crise-entre-a-russia-de-putin-a-ucrania-e-as-forcas-da-otan.shtml

    Questões

    Quais ações de Putin podem ser consideradas uma forma de restabelecer o antigo território da Ex URSS?

    Explique o contexto histórico da criação da OTAN

    De que forma a tensão na Ucrânia se relaciona com o fim da Guerra Fria?

    Geopolítica

    Prof Luciano Mannarino