Categoria: Energia

  • Dez anos após Fukushima, energia nuclear cresce com China e crise climática

    Dez anos após Fukushima, energia nuclear cresce com China e crise climática

    Produção mundial voltou aos níveis anteriores ao desastre; ambientalistas defendem fontes renováveis

    11.mar.2021 às 8h00

    Igor Gielow

    SÃO PAULO

    Em março de 2011, quando o desastre da usina japonesa de Fukushima horrorizou o mundo, o futuro comercial da energia nuclear foi dado como no mínimo incerto.

    A Alemanha anunciou o fim de seu programa de usinas atômicas, o Japão desligou para revisão seus 33 reatores, 3 dos quais tiveram seus núcleos derretidos após o terremoto e tsunami devastadores, grupos ambientalistas se disseram enfim reconhecidos no seu pleito por um mundo sem energia nuclear.

    A usina nuclear japonesa de Fukushima Daiichi, que teve três reatores atingidos no tsunami de 2011
    A usina nuclear japonesa de Fukushima Daiichi, que teve três reatores atingidos no tsunami de 2011 – Kazuhiro Nogi/AFP

    Dez anos depois, após uma queda, a produção mundial de suas usinas nucleares voltou aos índices pré-Fukushima. São 2.750 TWh (terawatts-hora), ante 2.720 TWh em 2010.

    E a tendência é de crescimento, puxado pela necessidade do corte mundial de emissões de carbono e pelo ambicioso programa energético da China.

    Durante seu encontro legislativo anual, chamado de Duas Sessões, o governo de Xi Jinping estabeleceu uma meta de aumento de 27% de sua produção nuclear até 2025.

    Das 53 usinas em construção em todo mundo, segundo a Associação Nuclear Mundial, o maior contingente (11) é chinês. Em 2020, havia 441 reatores civis em operação no planeta.

    O plano é considerado central para a ambição chinesa de atingir o máximo de sua emissão de carbono em 2030 e ser um país neutro no quesito em 2060. O tombo da economia mundial com a pandemia é visto como uma oportunidade de rearranjar a casa no clima.

    É o país mais poluente do mundo, segundo dados da Agência Internacional de Energia em 2020, responsável por 28% do despejo mundial de CO₂ na atmosfera —os EUA vêm em segundo lugar, com 15%.

    É o preço de ter virado uma das fábricas do mundo: de 1990 para cá, a emissão de carbono cresceu 356% no país, a segunda maior economia do mundo, atrás dos EUA.

    Hoje, apenas 4,7% da eletricidade consumida na China têm origem nuclear, sendo que dois terços da energia do país vem do ultrapoluente carvão.

    A terra do presidente e ativista climático Joe Biden, por sua vez, tem 19,4% de sua eletricidade oriunda de 94 usinas nucleares, maior parque da Terra. A produção anual está estável desde 2010 e fechou 2019 em 830 THh.

    Nem todo mundo está feliz com o plano chinês. O grupo ambientalista Greenpeace advoga que o mundo deve focar energias renováveis, como a solar e a eólica, mas isso esbarra na intermitência natural delas e no custo ainda alto devido à baixa escala.

    Uma vez ligado e alimentado, um reator nuclear gera energia virtualmente eterna sem emitir CO₂. Claro, a extração e o processamento do urânio que usa como combustível entram na conta, mas é uma fração muito baixa em relação a outras fontes poluentes.

    Usando fontes abertas sobre mortalidade e acidentes relacionados a fontes poluentes, o site Our World in Data fez uma comparação acerca dos efeitos de matrizes energéticas sobre uma cidade europeia média, com cerca de 188 mil habitantes e com o perfil usual de consumo no continente.

    A cidade de Namie, na província de Fukushima (Japão), classificada como de difícil retorno devido à radiação após acidente nuclear causado por terremoto e tsunami
    A cidade de Namie, na província de Fukushima (Japão), classificada como de difícil retorno devido à radiação após acidente nuclear causado por terremoto e tsunami Rodrigo Sicuro/Folhapress

    Pelas contas, 25 pessoas morreriam prematuramente por ano devido ao carvão, 18 pelo petróleo, 3 por causa do gás. Demoraria 14 anos para alguém morrer devido à energia nuclear, 29 anos pela eólica, 42 pela hidroelétrica, e 53, pela solar.

    Ou seja, aplica-se às usinas nucleares e sua relação com o entorno basicamente a regra do avião: é um modo muito seguro de transporte, desde que você não esteja dentro de um quando ele cai.

    Em conversa com a Folha no ano passado, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, apontou para essa contradição daqueles que demandam ação efetiva contra a mudança climática associada ao CO₂ na atmosfera.

    Para ele, a vantagem do nuclear é óbvia. Hoje, cerca de 10% da eletricidade consumida no mundo vêm de reatores nucleares, enquanto 38% vêm de carvão, 23% de gás natural, e 16%, de hidroelétricas. Alternativas (biomassa, solar e eólica) somam 7%.

    Já como fonte de energia para a economia, o petróleo segue imbatível com 31%, o carvão responde por 25%, e o gás, por 23%. O átomo fica com 4% do bolo, atrás de biomassa (7%) e hidroelétricas (6%). Vento e sol originam 3%.

    O caso alemão é exemplar do desafio colocado pelo temor de uma nova Fukushima —isso para não falar no pior acidente da história, em 1986, na usina de Tchernóbil (União Soviética, hoje Ucrânia). Em 2010, Berlim era a quinta maior geradora mundial de energia nuclear, com 140 TWh.

    Higashimatsushima, Província de Miyagi - 12.mar.11 / 3.mar.12
    Higashimatsushima, Província de Miyagi – 12.mar.11 / 3.mar.12 Reuters

    Em 2011, o país já havia decidido reduzir sua emissão de carbono. O acidente acelerou o processo de retirada da matriz nuclear, sob pressão da bancada verde no Parlamento, e o plano é desligar as seis usinas remanescentes em 2022.

    O problema é que a emissão de carbono se manteve relativamente estável, de 731 milhões de toneladas de CO₂ em 2011 para 677 milhões de toneladas em 2018, segundo a Agência Internacional de Energia.

    Curiosamente, países em que o movimento ambientalista é forte, como França e Suécia, têm alta dependência de energia nuclear: 71%, a maior do mundo, e 39%, respectivamente.

    País onde a tragédia de Fukushima ocorreu, o Japão vem religando suas usinas paulatinamente. Era o terceiro país em produção de energia atômica em 2010, com 286 TWh e 33 usinas. Em 2015, produziu apenas 4 TWh, quase quatro vezes menos que o Brasil e suas duas unidades em Angra dos Reis.

    Em 2019, último dado disponível, já havia subido para 70 TWh, tendo acionado nove de suas plantas nucleares.

    É um processo complicado, porque o trauma dos acidentes é altíssimo. Radiação é um subproduto perigosíssimo para lidar, e anos de construções com falhas de desenho (caso de Tchernóbil) ou em locais inadequados (Fukushima) colocam uma sombra permanente sobre a matriz nuclear.

    Na esteira de Tchernóbil, a segurança primária de reatores na antiga União Soviética foi melhorada, mas há lacunas. Enquanto nove unidades RBMK, iguais à que explodiu em 1986, ainda subsistem na Rússia, modelos de primeira e segunda geração VVER seguem pelo mundo.

    Um dos mais temidos por especialistas é o que equipa a planta de Metsamor, na Armênia. Numa região suscetível a terremotos devastadores, junto à capital Ierevan, ela quase foi alvo de forças azeris no conflito entre os países em 2020. Como fornece um terço da energia do país, deverá seguir onde está.

    Mulher presta homenagem às vítimas em cemitério de Kiev, na Ucrânia
    Mulher presta homenagem às vítimas em cemitério de Kiev, na Ucrânia Sergei Supinsky

    A questão dos resíduos é central, estatisticamente mais complexa do que a de acidentes em si. Lixo atômico é o combustível gasto pelos reatores, reciclável até certo ponto.

    No 14º Plano Quinquenal da China, revelado na reunião desta semana em Pequim, está inclusive previsto um trabalho específico em tecnologias que facilitem o reprocessamento do lixo.

    Os resíduos mais nocivos, o combustível gasto e não reciclável, precisa ser enterrado a centenas de metros por milênios. São um problema ambiental real, embora 99% do lixo seja de mais fácil manejo, como filtros, peças e roupas de proteção usadas.

    Por fim, mais intangível, há o preconceito que pode ser associado às tragédias e também às armas nucleares, que ocupam faixa semelhante no imaginário popular. Já os benefícios das aplicações médicas de isótopos radioativos, um terceiro ramo da energia nuclear, não costumam assustar tanto —exceto quando algo dá errado, como na exposição do césio-137 em Goiânia, em 1987.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/03/dez-anos-apos-fukushima-energia-nuclear-cresce-com-china-e-crise-climatica.shtml

  • Estudo indica união da ferrovia com o agronegócio para desenvolver o país

    Estudo indica união da ferrovia com o agronegócio para desenvolver o país

    Estudo do Instituto de Engenharia aponta como ferrovias e agronegócio podem se desenvolver juntos.

    (Serafin Reyna)

    Marcelo Toledo

    Um estudo desenvolvido pelo Instituto de Engenharia, organização com mais de cem anos de atuação, mostra que o caminho para o escoamento da produção do agronegócio nacional é o investimento no desenvolvimento ferroviário do país.

    Juntos, podem contribuir para o crescimento da economia do país, gerando empregos, reduzindo custos –em relação ao sistema rodoviário, emissão de gás carbônico e perdas–, e ampliando a capacidade de transporte devido ao tamanho das composições, diz o instituto.

    Além disso, as ferrovias impulsionariam a tecnologia e a infraestrutura dos municípios em setores como energia e telecomunicações, segundo o estudo “Ocupação Sustentável do Território Nacional pela Ferrovia Associada ao Agronegócio”.

    Conforme o trabalho do instituto, a ocupação territorial produtiva nos eixos Oeste (Mato Grosso) e Nordeste (Matopiba e norte de Goiás) continua a se expandir pelas condições favoráveis da terra e tecnologia empregada, mas, devido à logística, a produção precisa ser escoada na maior parte pelos portos do Sul e Sudeste, a longas distâncias rodoviárias, elevando custos.

    O estudo faz ainda comparações com o modal rodoviário, como a que mostra que uma composição ferroviária com 134 vagões tem capacidade de transportar o equivalente a 500 carretas de minério.

    Além disso, mostra que apesar de o país ter em tese uma malha ferroviária de 29 mil quilômetros, apenas 10 mil quilômetros estão em uso, insuficiente para a demanda.

    “É pouco principalmente se levarmos em conta que essas ferrovias foram criadas para atender principalmente café e passageiros [no século 19]. Muitas das ferrovias que estão desativadas estão adequadas ao agronegócio e em regiões do agro. A ferrovia de Petrolina a Salvador, que está desativada, com pouco uso, é o principal eixo para a exportação de frutas”, disse o consultor Jorge Hori, relator dos estudos do instituto.

    Outra rota que poderia ter melhor destinação, segundo ele, é a ferrovia entre Teresina e o litoral da Paraíba, também desativada.

    Americana fica na linha tronco da concessão, o chamado corredor de exportações
    Americana fica na linha tronco da concessão, o chamado corredor de exportações Rafael Hupsel/Folhapress

    As ferrovias surgiram em São Paulo a partir da segunda metade do século 19 para atender principalmente interesses dos cafeicultores em trechos curtos, razão pela qual seu traçado até hoje é sinuoso em alguns locais –seguia a lógica de passar nas lavouras de café para embarcar com destino ao porto de Santos.

    Com isso, há curvas inadequadas, rampas acentuadas, os trens precisam trafegar em baixa velocidade e composições cortam a zona urbana de importantes cidades.

    Essas inadequações devem sumir a partir da assinatura da renovação antecipada da concessão da malha paulista, dando mais segurança e velocidade ao sistema ferroviário.

    Ao buscar a renovação da concessão, a Rumo, concessionária que administra a malha, produziu um caderno de obrigações com contrapartidas que contempla obras em ao menos 35 municípios paulistas, que vão de contornos ferroviários à reativação de ramais, passando por viadutos, passarelas e pontes.

    A discussão sobre os gargalos ferroviários foi a primeira feita pela entidade pelo fato de a logística nacional estar muito ruim, segundo Eduardo Lafraia, presidente do instituto, para quem as ferrovias ainda têm o papel de integrar o território nacional.

    “Praticamente cada estação virou uma cidade no estado de São Paulo. Falamos também do planejamento disso, como levar o desenvolvimento para esses lugares. Falamos de ferrovia, mas também de levar junto todos os equipamentos, o desenvolvimento do mundo de hoje, quem vai morar nesses lugares são pessoas tecnicamente preparadas e precisam do conforto da vida moderna”, disse.

    Segundo a ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários), o transporte de minério e carvão representa 80% do volume total do setor.

    Hori disse que as concessionárias de ferrovias se atentaram para a importância do transporte desses produtos, mas precisam ter a percepção de que o agro é um grande mercado para elas, o que poderá ser mostrado já nos próximos anos.

    “Primeiro com a conclusão da Norte-Sul, mas também a Fiol [Ferrovia de Integração Oeste-Leste], a Fico [Ferrovia de Integração do Centro-Oeste] e a malha paulista.”

    Ferrovia Norte-Sul tem estrutura para 9 milhões de toneladas de grãos
    Ferrovia Norte-Sul tem estrutura para 9 milhões de toneladas de grãos Karime Xavier/Folhapress

    Conforme Lafraia, o estudo é desenvolvido há quatro anos e não tem de ser visto como um programa de governo, mas de Estado.

    “Não acreditamos que vá depender só de governo [o desenvolvimento ferroviário], mas de dinheiro privado. Uma coisa que a gente nota muito claramente é que a pandemia que para o mundo todo não está parando o nosso agronegócio. Por isso temos de estudar, tem uma coisa fora de moda no Brasil que se chama planejamento”, afirmou o presidente do instituto.

    Conforme ele, o país costuma ter planos para quatro anos –período dos mandatos no Executivo–, mas para ferrovias deveria pensar em no mínimo 20 anos. “Apesar da crise que passamos nosso agro está funcionando bem, se desenvolvendo, e temos de dar condições para ele. Quando falamos de logística boa, na verdade estamos falando em diminuir o custo de transporte.”

    Questões

    1 Analise o contexto histórico da criação das primeiras ferrovias em São Paulo.

    2 O texto jornalístico descortina um dos grandes problemas que afetam a competitividade da nossa economia? Justifique.

    3 O surgimento de diversas cidades do interior paulista esta ligada a malhar ferroviária do Estado? Justifique.

    4 O transporte ferroviário é, sob o ponto de vista ambiental e econômico, mais eficiente do que o transportes rodoviário? Justifique.

    Prof Luciano Mannarino

  • Era pós-petróleo redesenha o Oriente Médio

    Era pós-petróleo redesenha o Oriente Médio

    Países árabes buscam modernizar economia e veem um parceiro em Israel

    Prêmio Nobel da Paz em 1994, o líder israelense Shimon Peres (1923-2016) celebrizou a expressão “um novo Oriente Médio” ao apontar a cooperação econômica como fator a transformar inimigos em parceiros numa das regiões mais turbulentas do cenário global. A previsão finalmente ganha contornos nítidos, com o recente anúncio do acordo entre Israel e Emirados Árabes Unidos.

    O histórico tratado, ainda a ser assinado, apresenta como motor fundamental a chamada era pós-petróleo. Países árabes, em particular alguns situados no golfo Pérsico, passaram a enxergar Israel com outros olhos diante da necessidade de ingressar numa fase marcada pelo declínio da economia petrolífera.

    Bandeiras de Israel e dos Emirados Árabes Unidos em estrada em Netanya
    Bandeiras de Israel e dos Emirados Árabes Unidos em estrada em Netanya – Nir Eliar – 17.ago.20/Reuters

    Fatores geopolíticos, sem dúvida, compõem também a equação. Na disputa por zonas de influência no Oriente Médio, ambições expansionistas do Irã contribuem decisivamente para a aproximação de seus arqui-inimigos regionais, Israel e monarquias do golfo Pérsico lideradas pela Arábia Saudita.

    No entanto, o fator primordial a transformar antigos adversários em novos aliados chama-se era pós-petróleo. Dirigentes de países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos passaram a ver um potencial parceiro em Israel quando constataram o esgotamento da sua fórmula de governar no século 20.

    No passado recente, lideranças árabes governavam apoiados no tripé petróleo-ditadura-narrativa anti-Israel. Na economia, bastava confiar na bonança petrolífera, sem diversificar ou modernizar a atividade produtiva.

    No segundo fator do tripé, ditaduras congelavam dinâmicas política e social. Com a riqueza do petróleo e o autoritarismo, regimes árabes recorriam à narrativa anti-Israel como válvula de escape para obter mobilizações populares

    Plano de Netanyahu pode aumentar tensões entre Israel e Palestina

    Primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, em encontro semanal do gabinete de governo, em Jerusalem, em 28 de junho.
    Primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, em encontro semanal do gabinete de governo, em Jerusalem, em 28 de junho. Ronen Zvulun/AFP
    Tzvi Succot, 29, de uma família ultra-ortodoxa, caminha com a filha no assentamento de Yitzhar, ao sul da cidade palestina de Nablus, na Cisjordânia.

    Discursos oficiais descreviam a criação de Israel como “principal catástrofe do mundo árabe” e posicionavam as reivindicações palestinas no epicentro das estratégias emanadas do Cairo ou de Riad.

    A chegada do século 21, no entanto, corroeu o tripé, a começar pelo petróleo. A perda de relevância se evidencia com quedas vertiginosas em sua cotação e com a busca por fontes alternativas de energia.

    A partir de 2010, a Primavera Árabe, com manifestações de rua, derrubada de ditadores e guerras civis, demonstrou, a dirigentes no Oriente Médio, a necessidade de dinamizar o modelo econômico, gerar empregos e aplacar a crescente insatisfação popular.

    Ou seja, canalizar a revolta e a frustração para a narrativa anti-Israel deixou de ser suficiente. Evidenciou-se o esgotamento do tripé petróleo-ditadura-narrativa anti-Israel.

    Na nova equação, a opção por regimes autoritários se mantém. Prioriza-se agora a mudança do modelo econômico, com ênfase na diversificação das atividades e diminuição da dependência da indústria petrolífera. É a transição à era pós-petróleo.

    Arábia Saudita e as monarquias do golfo Pérsico embarcaram em planos para modernizar suas economias. Emirados Árabes Unidos, por exemplo, buscam se tornar polo de inovação e até lançaram uma sonda a Marte, iniciativa inaudita no Oriente Médio.

    Com as mudanças, sauditas e seus aliados reavaliaram a estratégia para o conflito israelo-palestino e a relação com Israel. Passaram a ver o ex-inimigo como parceiro, dono de soluções tecnológicas em defesa, segurança cibernética, agricultura no deserto, dessalinização de água, entre outras.

    Perspectivas de investimento e de comércio também fortalecem a aproximação, exemplificada pelo acordo entre Israel e Emirados Árabes Unidos. Ao que tudo indica, Shimon Peres tinha razão.Jaime Spitzcovsky

    Jornalista, foi correspondente da Folha em Moscou e Pequim.

    Prof. Luciano Mannarino

  • Sob tensão com EUA, petroleiros iranianos chegam à Venezuela (atividade)

    Sob tensão com EUA, petroleiros iranianos chegam à Venezuela (atividade)

    REUTERS

     

    O primeiro dos cinco petroleiros enviados do Irã para a Venezuela chegou ao país sul-americano no início da noite deste sábado (23), apesar de uma autoridade americana ter avisado que Washington considerava alguma resposta à chegada das embarcações.

    Neste domingo (24), o ditador Nicolás Maduro agradeceu Teerã pelo envio dos navios, que trazem combutíveis para socorrer a falta de gasolina no país.

    “Venezuela e Irã querem paz, e temos o direito de fazer negócio entre nós livremente”, disse em transmissão na TV estatal.

    O petroleiro iraniano Grace 1, que foi apreendido por britânicos no ano passado em Gibraltar
    O petroleiro iraniano Grace 1, que foi apreendido por britânicos no ano passado em Gibraltar – Jorge Guerrero – 15.ago.19/AFP

    O líder do país disse ainda que as duas nações são “povos revolucionários que nunca vão se ajoelhar diante do império norte-americano”.

    Fortuna foi o primeiro navio a adentrar as águas venezuelanas às 19h40 deste sábado, no horário local (20h40 no horário de Brasília), após passar por Trinidad e Tobago, segundo o software que monitora o tráfego marítimo, Refinitiv Eikon.

    “Os navios da fraternal República Islâmica do Irã estão agora em nossa zona exclusiva econômica”, tuitou Tareck El Aissami, vice-presidente da Economia da Venezuela, recentemente nomeado ministro do Petróleo.

    A segunda embarcação, Floresta, chegou às águas do país também neste sábado, enquanto as demais ainda cruzam o oceano Atlântico.

    A televisão estatal mostrou imagens de um navio da marinha e de uma aeronave que se preparavam para ir ao encontro do petroleiro Fortuna.

    O ministro da Defesa havia prometido escolta militar assim que a flotilha alcançasse a zona exclusiva econômica venezuelana devido ao que autoridades locais classificaram como ameaças dos EUA.

    O Irã afirma que os EUA destacaram quatro navios de guerra e um avião de espionagem eletrônica para acompanhar e, possivelmente, interceptar seus petroleiros.

    Ainda sem comentários oficiais de uma possível resposta americana, a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA disse neste domingo que o envio de socorro é “uma lembrança triste da má gestão desesperançosa de Maduro”.

    “Os venezuelanos precisam de eleições presidenciais livres e justas que levem a democracia e recuperação econômica, não tratados caros de Maduro com outro Estado pária.”

    Desde abril, Washington tem mantido exercícios navais regulares no Caribe, visando deixar o regime de Maduro sob pressão. O porta-voz do Pentágono afirmou que não tinha conhecimento de operação relacionada às embarcações, enquanto uma autoridade dos EUA disse que o país considerava tomar medidas em resposta a isso.

    Mais cedo no sábado, o presidente iraniano, Hasan Rouhani, alertou sobre medidas de retaliação contra os Estados Unidos se Washington causasse problemas para os petroleiros em direção à Venezuela, segundo uma agência de notícias do Irã.

    “Se nossos petroleiros do Caribe ou de qualquer lugar do mundo encontrarem problemas causados pelos americanos, eles também vão ter problemas”, disse Rouhani em uma conversa telefônica com o emir do Qatar. “O Irã nunca começará um conflito”, disse Rouhani. “Esperamos que os americanos não cometam um erro.”

    O chanceler do país, Javad Zarif, também alertou sobre uma possível retaliação em carta enviada à ONU (Organização das Nações Unidas), na qual afirmava que o Irã iria responder à altura de qualquer “ato de pirataria”.

    Zarif lembrou ainda que ambos os países estão sob sanção pelos EUA, mas nada os impede de fazer negócios entre si.

    O envio das embarcações é um socorro para a escassez de gasolina na Venezuela. Estima-se que os petroleiros levem cerca de 1,53 milhão de barris de gasolina e alquilato, segundo os dois governos e cálculos do site TankerTrackers.com. Os combustíveis são suficientes para um mês de consumo.

    Além de elevar a tensão externa, a ajuda iraniana gerou novas críticas da oposição da Venezuela. O país já foi um grande exportador de petróleo e hoje enfrenta uma grave crise econômica.

    “[O governo] está tentando transformar uma vergonha em uma vitória épica”, afirmou Oscar Rondero, legislador da Comissão de Energia da Assembleia Nacional, controlada pela oposição.

    Questões

    1. O que é a Zona Exclusiva Econômica?

    2. Por que o Irã e a Venezuela estão sob sansões dos EUA?

    3. Explique a criação da OPEP.

    4. Quais as implicações econômicas um país pode ter quando passa a ser considerado um “Estado Pária”?

    5. Considerando o principal produto produzido pela Venezuela a notícia apresenta um paradoxo? Justifique.

    Professor Luciano Mannarino.

    #geoverdade

  • Governo quer leiloar blocos de petróleo fora da fronteira marítima em 2020

    Estudos geológicos apontam a existência de reservas do pré-sal nesta região

    10.out.2019 às 10h14 – FSP

    O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou nesta quinta-feira (10) que o governo estuda leiloar, já em 2020, blocos para exploração de petróleo localizador além dos limites das 200 milhas náuticas estabelecidas pela ONU (Organização das Nações Unidas) como sua plataforma continental.    Estudos geológicos apontam a existência de reservas do pré-sal nesta região, o que levou a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) a sugerir a oferta em leilões de áreas mais distantes da costa. Atualmente, o Brasil vem licitando blocos bem próximos ao limite nas bacias de Campos e Santos.

    Plataforma P-58 ainda em viagem à costa do Estado do Espírito Santo
    Plataforma P-58 em deslocamento para a costa do estado do Espírito Santo –

    “O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) estudará para leilão a partir do próximo ano áreas além das 200 milhas náuticas”, disse o ministro, em discurso antes da abertura da 16ª rodada de licitações de áreas para exploração de petróleo no país, no Rio.  O ministro de referiu à região como “espelho sei pré-sal”, com base em estudos que indicam que, para além das 200 milhas, há formações geológicas semelhantes às que contém hoje às maiores reservas de petróleo do país.  O Brasil tenta na ONU, desde 2004, expandir esses limites e, embora o pleito ainda não tenha sido totalmente atendido, a exploração e produção de petróleo na região na frente da Bacia de Santos já foi autorizada. O grupo que acompanha o tema na ONU diz ser desejável que a área seja ocupada.

         

            Análise feita pelo geólogo Pedro Zalan, com base em pesquisa do solo feita pela empresa Spectrum Geo estima que, por analogia, as estruturas poderiam conter entre 20 e 30 bilhões de barris de petróleo e gás em recursos prospectivos (termo que define recursos ainda não encontrados). No pré-sal já conhecido a estimativa é que os recursos prospectivos somem 40 bilhões de barris. A expectativa, porém, ainda embute grande risco, já que é feita com base em pesquisa sísmica —espécie de ultrassonografia do subsolo. A sísmica é a primeira etapa na exploração de petróleo.No leilão desta quinta-feira, a ANP lícita 36 blocos fora dos limites do pré-sal. Sete deles estão sob questionamento judicial, por estarem próximos à área de conservação natural de Abrolhos, no litoral sul da Bahia. Durante a abertura do leilão, o diretor-geral da agência, Décio Oddone, disse confiar que a atividade na área seja segura. “O Estado brasileiro é responsável, a ANP é responsável e só colocamos para leilão áreas que acreditamos que tenham condições”, disse. 

     

    Nicola Pamplona

    Questões

    1. Relacione “mar de 200 milhas náuticas” e “Amazônia Azul”.

    2.Por que o litoral brasileiro é rico em jazidas de petróleo?

    3.Em que contexto político/econômico foi criada a A.N.P?

    4.Relacione a exploração na Bacia de Campos/RJ aos “choques” do Petróleo da década de 1970.

    5.Por que os royalties do petróleo vem gerando um debate federativo no Brasil?

     

     

     

    Luciano Mannarino