Categoria: Indústria

  • O que é o Protocolo de Kyoto?

    O que é o Protocolo de Kyoto?


    Crédito: Karsten Würth/Unsplash


    O Protocolo de Kyoto foi adotado em 11 de dezembro de 1997. Devido a um complexo processo de ratificação, entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005. Atualmente, existem 192 Partes no Protocolo de Kyoto.

    Em suma, o Protocolo de Kyoto operacionaliza a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima ao comprometer os países industrializados e as economias em transição a limitar e reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) de acordo com metas individuais acordadas. A própria Convenção apenas pede a esses países que adotem políticas e medidas de mitigação e informem periodicamente.

    O Protocolo de Kyoto é baseado nos princípios e disposições da Convenção e segue sua estrutura baseada em anexos. Apenas vincula os países desenvolvidos, e lhes impõe um ônus mais pesado sob o princípio da “responsabilidade comum, mas diferenciada e respectivas capacidades”, porque reconhece que eles são os grandes responsáveis ​​pelos atuais altos níveis de emissões de GEE na atmosfera.

    Em seu Anexo B, o Protocolo de Kyoto estabelece metas vinculantes de redução de emissões para 37 países industrializados e economias em transição e para a União Européia. No geral, essas metas somam uma redução média de 5% das emissões em comparação com os níveis de 1990 durante o período de cinco anos 2008–2012 (o primeiro período de compromisso).

    Emenda Doha

    Em Doha, Qatar, em 8 de dezembro de 2012, a Emenda de Doha ao Protocolo de Kyoto foi adotada para um segundo período de compromisso, com início em 2013 e duração até 2020.

    Em 28 de outubro de 2020, 147 Partes depositaram seus instrumentos de aceitação, portanto, o limite de 144 instrumentos de aceitação para a entrada em vigor da Emenda de Doha foi alcançado. A alteração entrou em vigor em 31 de dezembro de 2020.

    A emenda inclui:

    Novos compromissos para as Partes do Anexo I do Protocolo de Kyoto que concordaram em assumir compromissos em um segundo período de compromisso de 1º de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2020;
    Uma lista revisada de GEE a ser relatada pelas Partes no segundo período de compromisso; e
    Alterações em vários artigos do Protocolo de Kyoto que faziam referência específica a questões relativas ao primeiro período de compromisso e que precisavam ser atualizadas para o segundo período de compromisso.
    Em 21 de dezembro de 2012, a emenda foi divulgada pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, na qualidade de Depositário, a todas as Partes do Protocolo de Quioto, de acordo com os Artigos 20 e 21 do Protocolo.

    Durante o primeiro período de compromisso, 37 países industrializados e economias em transição e a Comunidade Européia se comprometeram a reduzir as emissões de GEE para uma média de 5% em relação aos níveis de 1990. Durante o segundo período de compromisso, as Partes se comprometeram a reduzir as emissões de GEE em pelo menos 18% abaixo dos níveis de 1990 no período de oito anos de 2013 a 2020; no entanto, a composição das Partes no segundo período de compromisso é diferente da primeira.

    Os mecanismos de Kyoto

    Um elemento importante do Protocolo de Kyoto foi o estabelecimento de mecanismos de mercado flexíveis, que se baseiam no comércio de licenças de emissão. Sob o Protocolo, os países devem cumprir suas metas principalmente por meio de medidas nacionais. No entanto, o Protocolo também oferece a eles um meio adicional para atingir suas metas por meio de três mecanismos baseados no mercado:

    Comércio Internacional de Emissões

    Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)

    Implementação conjunta (JI)

    Esses mecanismos incentivam idealmente a redução de GEE a começar onde é mais rentável, por exemplo, no mundo em desenvolvimento. Não importa onde as emissões são reduzidas, desde que sejam retiradas da atmosfera. Isso tem os benefícios paralelos de estimular o investimento verde nos países em desenvolvimento e incluir o setor privado nesse esforço para reduzir e manter as emissões de GEE estáveis ​​em um nível seguro. Ele também torna o salto-frogging – ou seja, a possibilidade de pular o uso de tecnologia mais antiga e mais suja para infraestrutura e sistemas mais novos e mais limpos, com benefícios óbvios de longo prazo – mais econômico.

    Monitoramento de metas de emissão
    O Protocolo de Kyoto também estabeleceu um sistema rigoroso de monitoramento, revisão e verificação, bem como um sistema de conformidade para garantir a transparência e responsabilizar as Partes. De acordo com o Protocolo, as emissões reais dos países devem ser monitoradas e devem ser mantidos registros precisos dos negócios realizados.

    Os sistemas de registro rastreiam e registram as transações das Partes sob os mecanismos. A Secretaria de Mudanças Climáticas da ONU, com sede em Bonn, na Alemanha, mantém um registro de transações internacionais para verificar se as transações estão de acordo com as regras do Protocolo.

    O relatório é feito pelas Partes mediante a apresentação de inventários anuais de emissões e relatórios nacionais sob o Protocolo em intervalos regulares.

    Um sistema de conformidade garante que as Partes cumpram seus compromissos e as ajuda a cumprir seus compromissos se tiverem problemas para fazê-lo.

    Adaptação
    O Protocolo de Kyoto, assim como a Convenção, também foi elaborado para ajudar os países a se adaptarem aos efeitos adversos das mudanças climáticas. Facilita o desenvolvimento e a implantação de tecnologias que podem ajudar a aumentar a resiliência aos impactos das mudanças climáticas.

    O Fundo de Adaptação foi criado para financiar projetos e programas de adaptação em países em desenvolvimento que são Partes do Protocolo de Kyoto. No primeiro período de compromisso, o Fundo foi financiado principalmente com uma parte dos recursos das atividades do projeto de MDL. Em Doha, em 2012, foi decidido que, para o segundo período de compromisso, o comércio internacional de emissões e a implementação conjunta também forneceriam ao Fundo de Adaptação uma parcela de 2% das receitas.

    https://unfccc.int/kyoto_protocol

    Prof Luciano Mannarino


    º

  • Mercedes-Benz vai demitir 3.600 pessoas em SP e terceirizar parte da operação

    SÃO PAULO | REUTERS
    A Mercedes-Benz anunciou nesta terça-feira (6) uma reestruturação de sua fábrica de caminhões e chassis de ônibus em São Bernardo do Campo (SP), que resultará na demissão de 3.600 trabalhadores, e terceirização de parte da operação.

    A Mercedes-Benz Caminhões e Ônibus atribuiu a medida à pressão de custo e à transformação da indústria automobilística, o que tornou necessário um foco maior no “core business”, definido como a fabricação de chassis de ônibus, caminhões e o desenvolvimento de tecnologias e serviços para o futuro.

    A produção de componentes como eixos dianteiros e transmissão média e os serviços de logística, manutenção e ferramentaria estão entre as atividades que passarão a ser executadas por empresas contratadas.

    Funcionários trabalham em montagem de motor na linha de produção de caminhões 4.0 na fábrica da Mercedes, em São Bernardo do Campo (ABC paulista) – Eduardo Kanpp-08.jan.21/Folhapress


    “Estamos garantindo a sustentabilidade dos negócios da Mercedes-Benz Caminhões e Ônibus a longo prazo no Brasil”, disse a montadora em comunicado.

    A empresa demitirá aproximadamente 2.200 trabalhadores da unidade, sua primeira no país —inaugurada em 1956— e maior planta da Daimler fora da Alemanha para veículos comerciais Mercedes-Benz. E cerca de 1.400 profissionais não terão seus contratos temporários renovados a partir de dezembro de 2022.

    O Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC disse que seus dirigentes se reuniram com a diretoria da Mercedes-Benz nesta tarde, quando representantes da companhia pediram a abertura de negociação sobre esses temas. A fábrica tem 6.000 trabalhadores na produção e entre 8.000 e 9.000 no total, segundo a entidade.

    Uma assembleia da diretoria do sindicato com os trabalhadores foi marcada para quinta-feira (8) às 14h.

    “Esclarecimentos e comunicados à imprensa por parte do sindicato e sua direção só serão feitos após conversa e assembleia com os trabalhadores da planta”, disse o sindicato por meio de sua assessoria de imprensa.

    A Mercedes-Benz já tinha posto 600 trabalhadores em férias coletivas em São Bernardo do Campo (SP) no início do ano devido à falta de componentes eletrônicos. A Mercedes também tem uma fábrica de caminhões em Juiz de Fora (MG).

    DEMISSÕES ACUMULAM, ELETRIFICAÇÃO NO RADAR
    O estado de São Paulo enfrentou nos últimos anos uma série de fechamentos, ou reestruturações, em fábricas de montadoras.

    Em 2019, houve a desmobilização da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, antes do anúncio da saída da montadora do país, em 2021. A própria Mercedes-Benz vendeu no ano passado uma planta em Iracemápolis, onde eram produzidos automóveis de luxo, à chinesa Great Wall Motors.

    Mercedes lança sedã elétrico EQS 53 AMG


    Em abril deste ano, a Toyota decidiu fechar sua fábrica em São Bernardo do Campo, a primeira fora do Japão. A Caoa Cherry anunciou em maio a interrupção da produção de veículos em sua principal planta no país, em Jacareí, para adaptar a unidade à produção de carros híbridos e elétricos

    A Mercedes-Benz disse nesta terça-feira que “o mercado tem se tornado mais dinâmico do que nunca e a competitividade em nessa indústria vai continuar a se intensificar, especialmente considerando a transformação das tecnologias tradicionais para novas formas de propulsão”.

    A empresa deve começar a montar seu primeiro ônibus elétrico no Brasil no fim deste ano e estimou demanda de ônibus elétricos no Brasil da ordem de 3.000 veículos até 2024.

    https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/09/mercedes-benz-vai-demitir-36-mil-pessoas-em-sp-e-terceirizar-parte-da-operacao.shtml

    Prof Luciano Mannarino

    INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA – FASE DE CRESCIMENTO (vídeo a atividades)

    Por que Toyota, Ford e outras montadoras fugiram do ABC Paulista? (EM13CHS202)

  • Por que Toyota, Ford e outras montadoras fugiram do ABC Paulista? (EM13CHS202)

    EM13CHS202    
    Analisar e avaliar os impactos das tecnologias na estruturação e nas dinâmicas de grupos, povos e sociedades contemporâneos (fluxos populacionais, financeiros, de mercadorias, de informações, de valores éticos e culturais etc.), bem como suas interferências nas decisões políticas, sociais, ambientais, econômicas e culturais.

    Fechada em 2019, fábrica da Ford é desmontada em São Bernardo do Campo (SP); espaço dará lugar a centro de logística

    Do UOL, em São Paulo (SP) 11/04/2022 04h00

    Formado por sete municípios da Região Metropolitana de São Paulo, o ABC é considerado o berço da indústria automotiva brasileira e chegou a abrigar quase a totalidade das fábricas de veículos instaladas no País entre as décadas de 1950 e 1970. Contudo, já faz tempo que o ABC já não tem a mesma relevância. Ao longo das últimas décadas, montadoras têm direcionado investimentos para outras localidades do Brasil e algumas, inclusive, decidiram fechar as fábricas que mantinham no histórico polo industrial paulista.

    Fechada em 2019, fábrica da Ford é desmontada em São Bernardo do Campo (SP); espaço dará lugar a centro de logística

    Neste mês, a Toyota anunciou o fechamento da sua fábrica em São Bernardo do Campo, uma das principais cidades do ABC, ao lado de Santo André e São Caetano do Sul. Inaugurada há 60 anos, a linha de produção era a primeira aberta pela marca oriental fora do território japonês. Além disso, em 2019 a Ford fechou sua fábrica no mesmo município, cujo terreno foi vendido e dará lugar a um centro de logística – após ter a aquisição descartada por montadoras…

    UOL Carros consultou especialistas para explicar os motivos dessa “fuga” do ABC – com a ressalva de que a região segue com fábricas de importantes montadoras, como General Motors, Mercedes-Benz, Scania e Volkswagen, que recentemente anunciaram investimentos bilionários para modernizar e ampliar a produção das respectivas unidades ali instaladas..

    Especificamente em relação às fábricas de Toyota e Ford, ouvimos que ambas tiveram o fechamento decretado por estarem defasadas tecnologicamente e não compensarem aporte de novos recursos para sua atualização. No caso da Toyota, a empresa decidiu transferir as atividades de São Bernardo para suas linhas mais recentes em Indaiatuba, Porto Feliz e Sorocaba, no interior paulista, com a justificativa de buscar mais “sinergia” e competitividade no mercado local.

    A unidade do ABC não produz veículos desde 2001, quando o Bandeirante saiu de linha, e hoje fabrica peças de motores. A previsão é de que feche definitivamente as portas no ano que vem.

    Já o adeus da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo precedeu o fim das atividades em Taubaté (SP) e Camaçari (BA), no ano passado, quando a Oval Azul encerrou suas operações de manufatura em solo brasileiro. “Considero que, na visão da Toyota, o investimento para modernizar São Bernardo seria muito grande, levando em conta que a marca detém fábricas mais modernas e eficientes, nas quais já tem investido”, avalia Flavio Padovan, sócio da consultoria MRD Consulting e ex-executivo de montadoras como Ford, Volkswagen e Jaguar Land Rover..

    Em relação à Ford, Padovan entende que o fechamento já fazia parte dos planos de encerrar a produção no País. “Ainda assim, não dá para ignorar que a unidade do ABC era ineficiente e antiga, representava um custo morto, sem trazer benefício”.

    Guerra fiscal pulveriza investimentos.

    Segundo o consultor, não é coincidência o fato de as linhas de Toyota e Ford serem as mais defasadas das duas companhias. que, atraídas por vantagens tributárias e imobiliárias, já direcionavam os gastos para fora daquela região. “Assim como Detroit, nos EUA, o ABC foi o primeiro polo automotivo do seu país. Só que, ao longo dos anos, outros Estados e cidades iniciaram uma guerra fiscal e melhoraram a respectiva infraestrutura, enquanto as regiões pioneiras ficaram obsoletas para novos investimentos, que passaram a ficar restritos a companhias já ali consolidadas”.

    Desde os anos 1990, montadoras que ainda não produziam no Brasil preferiram se instalar fora do ABC Paulista, enquanto marcas já instaladas aqui também decidiram erguer novas fábricas em outros locais. Toyota e Honda foram para o interior de São Paulo; Renault e Volkswagen construíram linhas em São José dos Pinhais (PR); Ford investiu em Camaçari (BA); General Motors escolheu Gravataí (RS) para fazer o Chevrolet Onix; Nissan e Peugeot/Citroën selecionaram respectivamente, Resende e Porto Real. no Rio de Janeiro; Jeep elegeu Goiana (PE); e muito antes, lá nos anos 1970, Fiat preferiu Betim (MG) para dar início à sua atividade industrial no Brasil.

    Inaugurada há 60 anos, fábrica da Toyota em São Bernardo vai encerrar atividades no fim do ano que vem.

    O também consultor Ricardo Bacellar, sócio fundador da Bacellar Advisory Boards e conselheiro da SAE Brasil, avalia que os municípios do ABC ainda reúnem localização estratégica e excelente malha rodoviária para atraírem novos aportes de montadoras. Contudo, na ponta do lápis, têm perdido para a concorrência.

    “Por conta da exigência cada vez maior de investimentos para a produção de veículos mais seguros e eficientes, associada a um momento de baixas vendas e falta de componentes, as montadoras têm sido pressionadas como nunca a buscar o melhor custo-benefício na hora de investir”, afirma Bacellar. Dentro desse cenário, diz o especialista, os incentivos fiscais têm sido o principal atrativo, sobretudo na hora de defnir o local para a fabricação de novos produtos.

    Fabrica da Renault em São José dos Pinhais (PR); não é de ontem que montadoras têm preferido outras regiões.

    “As vantagens fiscais têm sido tão importantes que a Jeep preferiu erguer do zero todo um polo automotivo em Pernambuco, incluindo a cadeia de fornecedores. O órgão mais sensível é sempre o bolso e nesse caso não foi diferente.”

    Sindicato afugenta montadora?

    O ABC Paulista também é o berço do sindicalismo no Brasil e até hoje tem entidades atuantes – dentre elas, a mais emblemática é o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que atualmente faz campanha contra o fechamento da fábrica da Toyota em São Bernardo do Campo.

    Trabalhadores mobilizados e com representatividade forte teriam motivado o afastamento de montadoras da região? Para Ricardo Bacellar, o poder de negociação dos sindicatos lá instalados já foi “muito grande” na época em que o ABC reunia quase todas as fabricantes de veículos do País.

    “De fato, a questão sindical pode influenciar na decisão de onde construir uma fábrica. Porém, a mobilização de funcionários sindicalizados não é exclusividade do ABC e acontece em outras cidades. Acredito que esse critério faça mais sentido em locais ainda sem indústria instalada”, opina. Por sua vez, Flavio Padovan diz que sindicato “pesa” na hora de uma empresa decidir onde gastar seu dinheiro, mas não é um fator decisivo.

    “É natural que o sindicato exerça o direito de lutar por sua categoria. Ao longo do tempo, à medida que determinada região vai se desenvolvendo, os trabalhadores inevitavelmente vão se organizando”

    Procuramos o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para se manifestar sobre a influência da entidade sobre a migração de investimentos para fora da região. A entidade se manifestou por meio de nota, que fala especificamente da fábrica da Toyota.

    “O Sindicato tem pautado políticas públicas que promovam o crescimento do setor industrial e garantam que as fábricas existentes possam se manter e até receber investimento, porém nem o governo do Estado nem o governo federal têm se movimentado em defesa da indústria. Isso é falta de uma política industrial. O Brasil necessita urgentemente de uma política industrial para que o setor possa voltar a gerar empregos. O ABC é mais um reflexo disso”.

    Fechamento não é problema local’, diz prefeito de SBC Fábrica da Ford em São Bernardo do Campo é desmobilizada; nenhuma montadora quis comprar instalações Imagem: André Paixão/Primeira Marcha Segundo Orlando Morando (PSDB), prefeito de São Bernardo do Campo, o fechamento das fábricas da Toyota e da Ford e o direcionamento do investimento das montadoras para outras cidades e Estados não têm relação com sua gestão.

    “O problema é a falta de uma política pública de parte do governo federal para a geração e a manutenção de empregos, o que inclui a necessidade de reforma tributária. Da forma como está, o município fica engessado na sua capacidade de agir”,

    Especificamente em relação à instalação de fábricas de montadoras no interior paulista, Morando destaca que, desde a década de 1950, o valor dos terrenos e também o custo de vida nas cidades do ABC explodiram. “Hoje, o valor do metro quadrado na Região Metropolitana de São Paulo é infinitamente superior na comparação com o interior.

    Não há condição de doar terreno para montadoras”, pontua o prefeito. Ele acrescenta que, assim como no caso da Ford, sua gestão trabalha para que o terreno da Toyota seja vendido para “gerar empregos” e não para empreendimento residencial que gere “especulação imobiliária”. Morando finaliza, informando as iniciativas que sua gestão adotou para atrair projetos industriais de montadoras ou de outros setores: IPTU congelado e com desconto condicionado à geração de empregos; ISS fixado em 2%; e extinção da taxa de incêndio.

    https://www.uol.com.br/carros/noticias/redacao/2022/04/11/por-que-toyota-ford-e-outras-montadoras-fugiram-do-abc-paulista.htm

    Questões

    O que é uma deseconomia de aglomeração?

    O que seria a “guerra fiscal”?

    Explique o contexto político e econômico da chegada das montadoras de automóveis a partir da década de 1950 no Brasil?

    O texto menciona uma outra localidade no mundo que passou por esse processo? Justifique.

    Prof Luciano Mannarino

  • China dobra aposta em tecnologia

    China dobra aposta em tecnologia

    País mobiliza grandes investimentos para projetos de tecnologia em estágios iniciais

    1º.abr.2021 às 23h15

    Volumes fabulosos de recursos já foram investidos no desenvolvimento de semicondutores e, apesar disso, a China segue altamente dependente da importação desses insumos.

    Anos de expectativas frustradas incomodam o governo chinês. Não apenas porque isso evidencia a dificuldade de transformar desejos em realidade, mas também porque coloca a China numa posição vulnerável do ponto de vista tecnológico.

    Do total de semicondutores que consome, a China produz apenas 30% e importa o restante, numa proporção que há anos insiste em não se alterar.

    A China depende de chips para produzir outros bens, para exportar e para inovar. Produtores de carros chineses, por exemplo, importam 90% dos semicondutores de que necessitam.

    Um funcionário trabalha em uma fábrica de semicondutores em Nantong, na província de Jiangsu, leste da China
    Um funcionário trabalha em uma fábrica de semicondutores em Nantong, na província de Jiangsu, leste da China – 17.mar.2021/AFP

    Os EUA enxergaram na fragilidade chinesa uma oportunidade. Adotaram medidas para restringir suas exportações de semicondutores para a China. Foram além e criaram dificuldades para que empresas estrangeiras mesmo fora dos EUA vendessem, para a China, equipamentos e software para a produção de chips.

    Ainda que em escala menor, histórias parecidas se repetem em outras tecnologias. É extensa a lista de empresas chinesas proibidas de fazer negócios com firmas americanas. Com isso, limita-se o acesso chinês a certos insumos estratégicos.

    Qual a consequência do outro lado do mundo? O Estado-investidor chinês aumenta seu apetite pelo risco. Pequim passa a atuar como um “venture capitalist” —como argumentou Arthur Kroeber num webinário organizado pelo Cebri e Conselho Empresarial Brasil-China nesta semana.

    Claro, investimentos em política industrial, em tecnologia e mesmo em autossuficiência não são novidade na China. No entanto, agora Pequim mais que dobrou a aposta.

    O que há de novo são a ousadia na maneira de investir, o volume de recursos envolvidos na empreitada e a coerência estratégica da intervenção do Estado, segundo Kroeber.

    Pequim passa a mobilizar grandes investimentos em setores intensivos em tecnologia, especialmente para vários projetos em estágios iniciais —arriscados, mas potencialmente promissores.

    Como é típico do modelo de “venture capitalism”, nem todas as apostas vão se revelar acertadas. Mas, claro, a ideia é de que haja vencedores suficientes para compensar os investimentos que inevitavelmente fracassarão.

    Sede do gigante do varejo Alibaba em Hangzhou, província de Zhejiang
    Sede do gigante do varejo Alibaba em Hangzhou, província de Zhejiang Aly Song/Reuters

    Apesar de tudo, o sucesso não é garantido. As dificuldades normalmente associadas a política industrial estão presentes também na China. Há espaço para desperdício, favorecimentos, distorções e corrupção.

    Quando, no ano passado, Pequim definiu novos incentivos para o desenvolvimento de semicondutores, empresas de todos os tipos se aprontaram para pleitear benesses. O governo precisou agir para evitar abusos. Definiu três “nãos”. Empresas sem experiência, sem tecnologia e sem capital humano na área não deveriam se aventurar aí —não com recursos públicos.

    Se o intervencionismo estatal tem seus riscos, a lógica do relacionamento entre Estado e mercado na China, no entanto, sempre foi diferente. O setor público é visto sobretudo como parte de solução e não como o problema na economia.

    Ronaldo Lemos na Torre Pérola em Nanjing, China
    Ronaldo Lemos na Torre Pérola em Nanjing, China Bruno Prada

    Expressões como China Inc. e capitalismo de Estado, por exemplo, representam o esforço de capturar a essência deste modelo híbrido —e que também se transforma. Mas enquanto o resto do mundo aponta para as contradições, os chineses enxergam as sinergias da relação.

    Nas atuais circunstâncias, a dependência tecnológica da China e o ambiente internacional difícil para o país contribuem para a ousadia do Estado-investidor. Não por acaso o recém-adotado plano quinquenal prioriza autossuficiência tecnológica.

    Se fosse um investidor privado, a China de hoje teria perfil arrojado. O risco é alto, mas o retorno também pode ser. Em jogo, estão os rumos da competição tecnológica, econômica e geopolítica. Com bolsos mais fundos que no passado, Pequim está disposta a pagar para ver.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tatiana-prazeres/2021/04/china-dobra-aposta-em-tecnologia.shtml

    Questões.

    O que seria o “Capitalismo de Estado” implementado na China?

    Aponte contradições entre esse modelo e o modelo neoliberal.

    Num mundo cada vez mais competitivo, qual a importância da autossuficiência tecnológica?

    Quais são as medidas que os EUA vem adotando para dificultar o avanço da China nessa área?

    Prof Luciano Mannarino

  • Fabricantes americanos enfrentam escassez de aço, alta dos preços

    Fabricantes americanos enfrentam escassez de aço, alta dos preços

    EM13CHS202     Analisar e avaliar os impactos das tecnologias na estruturação e nas dinâmicas de grupos, povos e sociedades contemporâneos (fluxos populacionais, financeiros, de mercadorias, de informações, de valores éticos e culturais etc.), bem como suas interferências nas decisões políticas, sociais, ambientais, econômicas e culturais.

    Por Rajesh Kumar Singh

    6 MIN DE LEITURA

    CHICAGO (Reuters) – Uma fabricante de peças aeroespaciais da Califórnia está lutando para adquirir aço laminado a frio, enquanto uma fabricante de peças automotivas e de eletrodomésticos em Indiana não consegue garantir suprimentos adicionais de aço laminado a quente das usinas.

    Ambas as empresas e muitas outras estão sendo atingidas por uma nova rodada de interrupções na indústria siderúrgica dos EUA. O fornecimento de aço está escasso nos Estados Unidos e os preços estão subindo. Os pedidos não atendidos de aço no último trimestre estavam no nível mais alto em cinco anos, enquanto os estoques estavam perto de uma baixa de 3-1 / 2 anos, de acordo com dados do Census Bureau. O preço de referência para o aço laminado a quente atingiu US $ 1.176 / t este mês, seu nível mais alto em pelo menos 13 anos.

    Os preços em alta estão elevando os custos e reduzindo os lucros dos fabricantes consumidores de aço, provocando uma nova rodada de pedidos para acabar com as tarifas do ex-presidente Donald Trump.

    “Nossos membros têm relatado que nunca viram tamanho caos no mercado de aço”, disse Paul Nathanson, diretor executivo da Coalition of American Metal Manufacturers and Users.

    O grupo, que representa mais de 30.000 empresas no setor de manufatura e cadeias de abastecimento downstream, este mês pediu ao presidente Joe Biden para encerrar as tarifas de metais de Trump.

    As siderúrgicas domésticas que paralisaram fornos no ano passado em meio a temores de uma prolongada desaceleração econômica induzida por uma pandemia têm demorado a aumentar a produção, apesar da recuperação na demanda por carros e caminhões, eletrodomésticos e outros produtos de aço. As taxas de utilização da capacidade nas siderúrgicas – uma medida de quão totalmente a capacidade de produção está sendo usada – subiu para 75% depois de cair para 56% no segundo trimestre de 2020, mas ainda está bem abaixo de 82% em fevereiro passado.

    Os embarques de aço estão crescendo, mas ainda abaixo dos níveis do ano passado.

    UM MERCADO DE AÇO JUSTO

    A produtora de aço Steel Dynamics disse no mês passado que não pode obter chapas laminadas suficientes nem mesmo para suas próprias operações internas.

    “É muito frustrante”, disse Hale Foote, presidente da Scandic Springs, fabricante de peças aeroespaciais com sede na Califórnia. “Estou procurando um ótimo negócio … mas não tenho nenhum suprimento de material.”

    A Scandic Springs enfrenta o risco de perder um contrato anual de US $ 1 milhão, pois não consegue encontrar um fornecedor doméstico pronto para fornecer 240.000 libras de aço laminado a frio.

    A Stone City Products, sediada em Indiana, que fornece componentes para empresas automotivas e de eletrodomésticos, também sofre forte pressão para adquirir 2 milhões de toneladas de aço laminado a quente por ano para um novo projeto.

    A empresa teve uma reviravolta dramática nos negócios após a queda da pandemia no segundo trimestre de 2020, quando os pedidos despencaram 50%. Sua carteira de pedidos está agora 25% acima dos níveis pré-pandêmicos. Apresentação de slides (4 imagens)

    Para acompanhar, ela está operando suas fábricas sete dias por semana e aumentou o número de funcionários em 40%. Mas o aço que costumava ser entregue em oito semanas no ano passado agora leva de 12 a 16 semanas. As fábricas não estão aceitando solicitações de compras adicionais.

    “Temos estado a braços com muitas exigências do cliente”, disse Stewart Rariden, o presidente da empresa.

    Os preços domésticos do aço subiram mais de 160% desde agosto passado, deixando os consumidores de aço em um dilema – absorver ou repassar o aumento no custo.

    “Teremos sorte se atingirmos esse preço”, disse Stuart Speyer, presidente da Tennsco, com sede no Tennessee. Os custos do aço para fabricantes de armários, estantes e armários aumentaram 98% nos últimos seis meses.

    A Whirlpool disse no mês passado que o aumento nos custos do aço reduziria 150 pontos-base de seu lucro este ano. A fabricante de equipamentos agrícolas AGCO e a fabricante de guindastes Terex anunciaram aumentos de preços para compensar os custos de material.

    Em sua pesquisa “instantânea” com gerentes de compras de fevereiro, o índice de preços pagos da IHS Markit pelas fábricas foi o mais alto desde 2011 e seu indicador de preços recebidos por produtos acabados foi o mais alto desde 2008.

    A alta nos preços do aço ocorre em um momento em que a expectativa de estímulo fiscal adicional e uma implementação mais rápida da vacina alimenta o temor de uma pressão inflacionária generalizada.

    No entanto, legisladores como o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e a secretária do Tesouro, Janet Yellen, não prevêem um aumento prolongado e generalizado nos preços em breve, com o desemprego nos EUA ainda bem acima dos níveis pré-pandêmicos e mais de 18 milhões de americanos recebendo algum tipo de auxílio-desemprego do governo.

    AÇO AMERICANO VERSUS IMPORTADO

    Os preços recordes, entretanto, estão se tornando uma bonança para os produtores de aço. As ações das siderúrgicas americanas subiram 65% desde agosto passado. Uma análise da agência de classificação Fitch mostra que as siderúrgicas americanas tiveram uma margem de lucro de 45% em janeiro. A Nucor espera registrar o maior lucro de todos os tempos no primeiro trimestre.

    A indústria do aço e grupos sindicais no mês passado instaram Biden a manter as tarifas do aço em vigor, chamando-as de “essenciais” para a indústria doméstica. As produtoras de aço estão enfrentando seus próprios custos mais altos após o aumento nos preços da sucata e do minério de ferro.

    Os preços do aço nos EUA estão 68% mais altos do que o preço do mercado global e quase o dobro dos da China, mesmo com os preços na China e na Europa acima de 80% em relação às baixas induzidas pela pandemia.

    A diferença de preço é tão grande que, mesmo com uma tarifa de 25%, seria mais barato importar do que comprar das usinas domésticas. Os Estados Unidos importaram 18% de suas necessidades de aço no ano passado.

    Desafios logísticos, como escassez de contêineres e escasso fornecimento no exterior, estão mantendo as importações sob controle. Mas alguns distribuidores esperam que as importações aumentem até junho, se o mercado doméstico continuar apertado.

    A incerteza sobre as perspectivas tarifárias é um fator que mantém o controle sobre a produção doméstica de aço.

    Angela Reed, executiva da distribuidora de aço Reibus International, de Atlanta, disse que uma revisão esperada das restrições de importação está atrasando um aumento na produção e um aumento nos estoques, já que a redução das restrições provavelmente reduzirá os preços domésticos.

    “(As pessoas) estão tentando se certificar de que não se preocupem com nenhuma das coisas mais caras”, disse Reed.

    Reportagem de Rajesh Kumar Singh; Edição de Andrea Ricci

    https://www.reuters.com/article/us-usa-economy-steel-insight/u-s-manufacturers-grapple-with-steel-shortages-soaring-prices-idUSKBN2AN0YQ

    Questão

    A reportagem descortina uma grande tensão existente no comércio global que acaba se tornando um grande debate no âmbito da OMC. Analise.

    INDÚSTRIA E SEUS FATORES LOCACIONAIS (vídeo e atividades)

    Prof. Luciano Mannarino.