Categoria: Cartografia

  • A formação do território brasileiro

    A formação do território brasileiro

    Circunstâncias e Fronteiras: A Construção do Território Brasileiro ao Longo da História

    A formação do território brasileiro é uma história cheia de surpresas, decisões inesperadas e respostas a desafios que surgiram ao longo dos séculos. Ao invés de seguir um plano organizado desde o início, o Brasil foi se moldando conforme as circunstâncias, resultando no país de dimensões continentais que conhecemos hoje.

    Ambição portuguesa

    O mercantilismo português foi fundamental na incorporação de terras na América do Sul, impulsionando a busca por riquezas como ouro, prata e outros recursos naturais. Esse sistema econômico, baseado na acumulação de riquezas e no controle do comércio, incentivou a expansão territorial e a exploração de novas áreas. A necessidade de fortalecer a economia da Coroa Portuguesa levou à ocupação de terras a oeste de Tordesilhas, especialmente com o uso de bacias hidrográficas navegáveis para acessar o interior. A extração de recursos e o monopólio comercial foram fundamentais para consolidar o domínio português na região, ampliando sua influência na América do Sul.

    E se Portugal não percebesse a colônia brasileira como solução para seu mercantilismo?

    A expansão silenciosa do Brasil na União Ibérica
    Um dos momentos mais importantes e circunstanciais na história do Brasil foi a União Ibérica (1580-1640), quando Portugal e Espanha ficaram sob o mesmo rei. Durante esse período, as fronteiras entre as colônias espanholas e portuguesas na América ficaram menos rígidas, permitindo que os portugueses avançassem ainda mais para o oeste, em terras que antes eram oficialmente espanholas. Essa expansão ajudou a formar o que viria a ser o território brasileiro, aproveitando a situação política favorável de uma união temporária entre os dois países.

    E se não tivéssemos fusão entre os interesses portugueses e espanhóis?

    Estradas naturais

    As bacias hidrográficas navegáveis foram cruciais para a expansão portuguesa além dos limites do Tratado de Tordesilhas. Ao usar os rios como vias de penetração no território, Portugal conseguiu explorar e ocupar áreas a oeste. Isso facilitou a integração de novas terras, ultrapassando os limites acordados com a Espanha. Assim, os rios serviram como rotas estratégicas para a consolidação do Brasil.

    E se a oeste de Tordeilhas tivéssemos um imenso deserto?

    Redefinindo as fronteiras
    Em 1750, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Madri, que substituiu o Tratado de Tordesilhas e reconheceu as terras já ocupadas pelos portugueses. O novo acordo se baseava no princípio do uti possidetis, (“quem possui, continua possuindo”), o que permitiu a Portugal manter o controle sobre vastas áreas que seus colonos já haviam ocupado, como a Amazônia e o Mato Grosso. Esse tratado foi uma resposta às circunstâncias da época, consolidando as fronteiras do Brasil conforme a realidade da ocupação.

    E se a amazônia tivesse sido colonizada por espanhóis?

    Independência e manutenção do território
    O período imperial foi crucial para enfrentar revoltas regionais que ameaçavam a unidade territorial do Brasil. Levantes como a Cabanagem, Balaiada, Sabinada e, especialmente, a Revolução Farroupilha desafiaram o poder central. A monarquia respondeu com repressão militar e, em alguns casos, negociações, evitando a fragmentação do país. A centralização do poder foi essencial para garantir a integridade territorial e impedir que o Brasil se fragmentasse como as colônias espanholas. Assim, o Império assegurou a coesão nacional ao longo do século XIX.

    E se nossa morarquia fosse débil e indiferente aos levantes por emancipação?

    “Pai da diplomacia brasileira”
    O Barão do Rio Branco foi fundamental no fechamento das fronteiras finais do Brasil, utilizando a diplomacia para resolver disputas territoriais no início do século XX. Ele negociou com países como Bolívia e Peru, usando o princípio do “uti possidetis”, que defendia a posse de áreas ocupadas. O Tratado de Petrópolis (1903), por exemplo, garantiu o Acre ao Brasil em troca de compensações à Bolívia. Rio Branco evitou conflitos militares e consolidou o território nacional, garantindo o acesso a áreas estratégicas e fortalecendo a soberania do Brasil.

    E se o Barão do Rio Branco fosse boliviano ou frances, ou até mesmo argentino?

    Começa a surgir o Acre

    Um Processo Circunstancial
    Em resumo, a formação do território brasileiro foi um processo cheio de imprevistos e adaptações. As fronteiras que temos hoje não foram planejadas de uma só vez, mas se desenvolveram ao longo dos séculos, como resposta a diferentes desafios e oportunidades. Desde a União Ibérica até as expedições dos bandeirantes, passando pelos tratados internacionais e pela exploração da Amazônia, cada parte do Brasil foi incorporada ao país de forma circunstancial, resultando no território vasto e diverso que conhecemos hoje.

    A sociedade brasileira atual ainda carrega diversas marcas do passado colonial, refletidas em diferentes aspectos culturais, econômicos e sociais. Aqui estão alguns exemplos claros:


    1. Língua Portuguesa como Única Língua Oficial

    Herança colonial: Durante a colonização, o português foi imposto como língua oficial, suprimindo línguas indígenas e africanas.

    Atualidade: O Brasil é o único país da América do Sul que fala português. Poucas línguas indígenas sobreviveram, e o conhecimento sobre elas é marginalizado.


    2. Cristianismo e Influência Religiosa

    Herança colonial: O catolicismo foi trazido pelos portugueses e imposto pela Igreja e pelo Estado. Os jesuítas foram responsáveis por catequizar indígenas, enquanto os africanos escravizados adaptaram suas crenças por meio do sincretismo religioso.

    Atualidade: O Brasil continua sendo um país majoritariamente cristão (católicos e evangélicos), e a influência da religião ainda se reflete em feriados religiosos, nomes de cidades e resistência a pautas progressistas, como o aborto e os direitos LGBTQIA+.


    3. Concentração Fundiária e Desigualdade Social

    Herança colonial: O sistema de sesmarias favoreceu grandes latifundiários e excluiu a maior parte da população do acesso à terra. Isso continuou após a Independência com a Lei de Terras (1850), que dificultou o acesso à propriedade para ex-escravizados e camponeses.

    Atualidade: A estrutura agrária do Brasil ainda é extremamente desigual, com uma pequena elite controlando vastas propriedades rurais, enquanto milhões de pessoas vivem em condições precárias nas cidades e no campo.


    4. Racismo Estrutural e Exclusão de Povos Indígenas e Negros

    Herança colonial: Durante séculos, indígenas foram expulsos de suas terras e escravizados, enquanto milhões de africanos foram trazidos à força para trabalhar em plantações e minas. Após a abolição, o Estado não deu suporte à população negra, e o racismo se enraizou nas estruturas sociais.

    Atualidade: O Brasil tem desigualdades raciais evidentes, com negros e indígenas tendo menos acesso a educação, saúde e empregos de alta renda. Movimentos como as cotas raciais e as políticas de demarcação de terras indígenas tentam corrigir parte desse legado.


    5. Desigualdade Regional e a Prioridade do Litoral

    Herança colonial: Os portugueses concentraram suas atividades no litoral, onde estavam os portos e a produção agrícola de exportação. O interior do país foi ocupado lentamente, sem grande investimento em infraestrutura.

    Atualidade: O litoral, especialmente o Sudeste, ainda concentra a maior parte da população, infraestrutura e oportunidades de trabalho, enquanto regiões como o Norte e o Nordeste enfrentam desafios econômicos e menor acesso a serviços básicos.


    6. Economia Baseada na Exportação de Matérias-Primas

    Herança colonial: A economia colonial brasileira foi estruturada para produzir e exportar produtos agrícolas e minerais para Portugal (pau-brasil, açúcar, ouro, café). Isso criou uma dependência externa.


    7. Nomes de Cidades e Estados

    Herança colonial: Muitos lugares no Brasil têm nomes de santos ou referências religiosas trazidas pelos portugueses, como São Paulo, São Luís, Salvador e Espírito Santo.

    Atualidade: A influência católica na toponímia ainda é muito forte, e muitos desses nomes permanecem inalterados, refletindo a colonização cristã do território.


    Conclusão

    O Brasil de hoje não pode ser compreendido sem entender seu passado colonial. A língua, a religião, a economia, a estrutura fundiária e as desigualdades sociais e regionais são heranças diretas desse período. Muitas dessas marcas ainda limitam o desenvolvimento do país e afetam grupos marginalizados, tornando essencial o debate sobre políticas de reparação e valorização das culturas indígenas e africanas que foram apagadas ao longo da história.

    Exercícios Objetivos


    O Tratado de Tordesilhas (1494) estabeleceu uma linha imaginária que dividia as terras do Novo Mundo entre quais dois países?

    a) Portugal e Inglaterra
    b) Espanha e França
    c) Portugal e Espanha
    d) França e Inglaterra
    e) Espanha e Holanda


    Durante o período da União Ibérica (1580-1640), Portugal e Espanha estiveram sob o mesmo rei. Qual foi uma das consequências desse período para o território brasileiro?

    a) Redução das terras controladas por Portugal na América
    b) Aumento das fronteiras do Brasil além dos limites do Tratado de Tordesilhas
    c) Estagnação da colonização portuguesa no Brasil
    d) Aliança entre indígenas e portugueses contra os espanhóis
    e) Criação do Tratado de Tordesilhas

    O princípio do uti possidetis foi fundamental para a definição das fronteiras brasileiras no Tratado de Madri (1750). Esse princípio pode ser definido como:

    a) Quem explora, possui
    b) Quem primeiro chegar, possui
    c) Quem já ocupa, continua possuindo
    d) Quem tem o maior exército, possui
    e) Quem melhor desenvolve a terra, possui


    Qual dos seguintes fatores foi mais determinante para a ocupação da região amazônica no final do século XIX?

    a) O ciclo da borracha
    b) A descoberta de ouro
    c) A produção de café
    d) O interesse francês na região
    e) O ciclo do açúcar


    Qual dos tratados abaixo substituiu o Tratado de Tordesilhas e redefiniu as fronteiras do Brasil?

    a) Tratado de Utrecht
    b) Tratado de Paris
    c) Tratado de Madri
    d) Tratado de Badajoz
    e) Tratado de Lisboa


    Exercícios Discursivos

    Avaliação

    1 Como o mercantilismo influenciou a concentração das atividades econômicas nas regiões litorâneas do Brasil durante os primeiros séculos de colonização?

    2 Quais foram os principais fatores que levaram à expansão das fronteiras brasileiras no século XVIII, como resultado do Tratado de Madri de 1750?

    3 Explique a importância do Barão do Rio Branco na questão do Acre e como sua atuação influenciou a configuração territorial do Brasil.

    4 Explique o papel das bandeiras e das entradas na expansão do território brasileiro durante o período colonial.

    5 Analise o impacto da exploração de ouro e diamantes no interior do Brasil durante o século XVIII para a configuração territorial do país.

    6 Explique a importância da Amazônia e das fronteiras ao norte do Brasil nas disputas territoriais entre portugueses e espanhóis até o século XIX.

    7 Explique os principais levantes que o periodo imperial enfrentou.

    8 Como a política de imigração europeia, iniciada no século XIX, influenciou a ocupação de novas áreas do território brasileiro, especialmente no sul do país?

    9 Quais foram os impactos da União Ibérica (1580-1640) na consolidação do território brasileiro?

    10 Como o ciclo da borracha no final do século XIX influenciou a integração da Amazônia ao Brasil e quais foram seus impactos ambientais e sociais?

    .

    Tabela de Códigos da BNCC Relacionados ao Texto

    Código BNCCDescrição da HabilidadeRelação com o Texto
    EM13HIS3Analisar processos históricos que influenciaram a formação do território brasileiro.Aborda o Tratado de Tordesilhas, a União Ibérica, os bandeirantes e o Tratado de Madri.
    EM13GEO3Compreender a formação socioespacial do território brasileiro.Expansão dos bandeirantes, construção de fortalezas e exploração da Amazônia.
    EM13HIS4Avaliar a influência de tratados internacionais nas fronteiras nacionais.Tratado de Tordesilhas e Tratado de Madri definiram as fronteiras do Brasil.
    EM13GEO4Analisar processos de ocupação e exploração do território brasileiro.Atuação dos bandeirantes na expansão territorial em busca de recursos e indígenas.
    EM13HIS5Compreender impactos de invasões estrangeiras e estratégias de defesa territorial.Invasões francesas e holandesas levaram à construção de fortalezas no Nordeste.
    EM13GEO5Analisar dinâmicas econômicas e suas relações com o território brasileiro.Ciclo da borracha na Amazônia impulsionou a ocupação e consolidou as fronteiras ao norte do

    Prof Luciano Mannarino

  • Dados do Censo revelam lugares onde ninguém mora no Brasil

    Informações inéditas localizam a população de forma mais precisa e ajudam a embasar políticas públicas, diz IBGE

    2.fev.2024 às 10h00Atualizado: 2.fev.2024 às 13h10

    Lucas LacerdaDiana YukariGustavo Queirolo

    SÃO PAULO

    Para contar os 203,1 milhões de habitantes do Brasil, as equipes do Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) percorreram todas as regiões do país e fizeram entrevistas em 111,1 milhões de endereços. Enquanto o Sudeste é a região mais povoada, o mapa também revela áreas onde não há ocupação, concentradas no Norte, especialmente no oeste de Roraima e em grande parte do Amazonas.

    É o que revelam as coordenadas geográficas do Censo, divulgadas nesta sexta-feira (2). As informações partem de microdados coletados em cada endereço visitado pelos recenseadores.

    agentes do censo estão de costas, paradas em frente a um portão, usam equipamentos e coletes onde é possível ver a sigla IBGE escrita
    Agentes do Censo, do IBGE, durante visita – Helena Pontes – 5.jan.2023/Agência IBGE Notícias

    Esta é a primeira vez que o Censo tem seu cadastro de endereços totalmente referenciado geograficamente. A imensa maioria das localidades foi verificada, enquanto 747 mil endereços (0,7% do total) tiveram suas coordenadas estimadas a partir de correções de dados e informações de levantamentos anteriores.

    Essas informações, segundo os técnicos do IBGE, servem para responder a questionamentos sobre onde está a população brasileira, agora de forma mais precisa, e para embasar políticas públicas.

    As coordenadas geográficas proporcionaram um avanço no detalhamento do local em relação às grades estatísticas, por exemplo. Introduzidas no Censo Demográfico de 2010, as grades chegavam a células com 200 metros na área urbana e 1 km na área rural e permitiam a visualização de grupos de domicílios e estabelecimentos. As coordenadas, por sua vez, conseguem diferenciar cada endereço de uma rua.

    Cada coordenada geográfica corresponde a um endereço visitado pelos agentes responsáveis pelo recenseamento, que pode ser um domicílio ou estabelecimento —comercial, religioso, de saúde ou de educação, por exemplo.

    Partes da Serra da Cantareira, em São Paulo, por exemplo, não têm nenhum morador, já que são cobertas por floresta ou água.

    Essas informações, quando cruzadas ao levantamento de população, revelam curiosidades como as 18 cidades que tinham, em 2022, mais domicílios do que habitantes, como Matinhos (PR) e Mangaratiba (RJ), que ficam muito mais cheios aos fins de semana e durante as férias. O município que encabeça essa lista é Arroio do Sal, no litoral norte do Rio Grande do Sul, com 11,1 mil habitantes e 18,9 mil domicílios.

    Os dados também permitem traçar a relação entre o número de estabelecimentos e o número de moradores de determinada cidade. São José do Ribamar (a 30 km de São Luís), no Maranhão, tinha no ano passado a menor presença de estabelecimentos de saúde do país: 1 endereço do tipo para cada grupo de 3.176 habitantes.

    Embu das Artes, na Grande São Paulo, vem logo em seguida, com 1 estabelecimento de saúde para cada 3.020 pessoas. Em relação a estabelecimentos religiosos, o destaque fica com cidades da região metropolitana do Rio de Janeiro, como Itaboraí (a 52 km da capital fluminense), onde os dados Censo 2022 indicam que há 1 endereço religioso para cada grupo de 157 pessoas —é a maior presença desse tipo de estabelecimento entre os municípios com mais de 200 mil habitantes.

    CRITÉRIOS PRÓPRIOS DO IBGE

    É importante ressaltar que esses dados não têm relação com os cadastros dos ministérios da Saúde ou da Educação. Os critérios de classificação do IBGE são próprios —estabelecimentos de saúde, por exemplo, incluem hospitais, postos de saúde e outras unidades de atendimento, públicas ou privadas. Consultórios médicos, diz o IBGE, não entram nessa categoria –são registrados em outras finalidades na pesquisa

    “Por ser um microdado, permite a análise a um nível muito detalhado”, disse Eduardo Luís Teixeira Baptista, gerente do Cadastro de Endereços do IBGE, durante a apresentação do material à imprensa.

    Um exemplo é a sobreposição dos dados coletados por recenseadores em cada domicílio da Vila Sahy, a área mais atingida pelo temporal que deixou 64 mortos em São Sebastião (SP) no ano passado, com as informações de um mapeamento da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

    Esse cruzamento de dados, segundo o IBGE, indica 144 domicílios localizados na área de médio risco e 199 domicílios na área de risco alto. O mesmo uso vale para identificar a distância de domicílios de estações de metrô e equipamentos e serviços públicos diversos, dizem os técnicos.

  • Por que o Norte está na parte superior da maioria dos mapas do mundo?


    As explicações passam por questões religiosas, espirituais e políticas

    4.jun.2022 às 12h55

    POR JERRY BROTTON – DA BBC RÁDIO 4, SÉRIE ‘ONE DIRECTION’ *

    Poucas coisas parecem mais naturais do que os quatro pontos cardeais.

    Onde quer que você esteja no planeta, você pode ver o Sol nascendo no Leste e se pondo no Oeste. O zênite do sol identifica o Sul, enquanto outra estrela, a estrela polar, lhe dirá onde está o norte. Sem os pontos cardeais estaríamos perdidos. Mais do que pontos em um mapa ou bússola, são ideias poderosas com significados políticos, morais e culturais.

    Mapa do astrônomo e geógrafo grego Claudio Ptolomeo
    Mapa do astrônomo e geógrafo grego Claudio Ptolomeo – BBC News Brasil/Getty Images

    Mas por que o Norte acabou no topo da maioria dos mapas do mundo?

    Embora as quatro direções cardeais de uma bússola sejam definidas pelas realidades físicas do polo norte magnético (norte-sul) e do nascer e pôr do sol (leste-oeste), não há razão para o norte automaticamente receber essa “distinção”. O Sul e o Leste poderiam muito bem ocupar esse lugar, e o fizeram no passado.

    O Oeste no mapa

    Embora tenha dado origem a um dos conceitos mais poderosos e intangíveis – o Ocidente ou o mundo ocidental – as sociedades antigas recusavam-se a privilegiar o Ocidente como lugar onde o sol se punha.

    'Calypso's Grotto', Francis Danby, ca. 1843
    Para muitas culturas, o pôr do sol e o Oeste simbolizavam o fim da vida

    O pôr do sol personificava o fim da jornada da vida, antecipando a escuridão e o reino da morte, de modo que quase nenhuma cultura o escolheu como orientação sagrada para a oração, e menos ainda o colocou no topo de seus mapas. Ele era colocado na área inferior dos mapas, como no mapa-múndi de Hereford, um dos grandes mapas medievais, no qual ao olhar para baixo você chega ao oeste, onde o julgamento final espera por você.

    Essa posição está associada a uma sensação de fim, de prenúncio, de escuridão e decadência. E nas bordas do mapa estão as letras MORS, a palavra latina para “morte”. Mas se o Oeste estiver na parte de baixo dos mapas, o Leste estará na parte de cima.

    O Leste e o nascer do sol

    Na história dos pontos cardeais, tudo começa no Leste com o nascer do sol. O oriente tem sido desde tempos imemoriais um símbolo de nascimento, do início da jornada da vida. Oriente vem do latim oriens, aparecer, nascer. É a raiz do termo “orientação”, a principal forma de nos localizarmos no espaço.

    O leste foi definido em oposição ao oeste ao longo do eixo horizontal que precedia o norte-sul. No cristianismo primitivo, o Leste é a localização do paraíso, uma razão poderosa pela qual ele é posicionado no topo de muitos mapas-múndi.

    Mapa mundi de Hereford
    Mapa-múndi de Hereford, feito em 1300

    No mapa mundi de Hereford, abaixo de Cristo, sentado em um arco-íris, está o Jardim do Éden. Abaixo, a Torre de Babel e no centro, Jerusalém. Na parte inferior, a oeste, estão os pilares de Hércules, que podem ser interpretados como o fim dos tempos.

    Fora do mundo terrestre, nas bordas do mapa, o tempo terrestre termina e é substituído pelo eterno presente do céu, onde não há necessidade de pontos cardeais. E no canto inferior do mapa há uma figura saindo do quadro, olhando para o mundo que ele está deixando. A inscrição acima diz: “continue”.

    A figura parece sair desta vida, mas olha ansiosamente para o topo do mapa, para o leste, aquele lugar de renascimento, onde toda a vida começa. Este mapa-múndi foi feito em couro de bezerro por volta de 1300.

    Coberto por mais de 1.000 inscrições, ilustrações de labirintos e monstros, é uma vasta enciclopédia visual do conhecimento cristão e retrata a criação bíblica da humanidade. Por que foi criado permanece um mistério?

    Embora não seja um mapa convencional, pois ao invés de mostrar um caminho físico traça um caminho espiritual, é a prova de que os mapas poderiam ter o leste como norte.

    É que “a morada também tem a ver com identidade, que é uma declaração espiritual e teológica, não geográfica”, sublinha o historiador dos mapas islâmicos Yossef Rappaort.

    O Sul nos mapas do mundo islâmico

    A direção geográfica tem sido extremamente importante para o ritual na vida diária desde o início do Islã.

    Mapa-múndi de Al-Idrisi
    Mapa-múndi de Al-Idrisi, com o sul no topo
    Tabula Rogeriana
    Tábula Rogeriana, feita por Al-Idrisi para Roger II en 1154

    A “qibla” ou “quibla” é a direção sagrada da oração para Meca. À medida que mais tribos ao norte de Medina, a cidade onde o profeta Maomé viveu e ensinou, se converteram ao islamismo, o quibla se estabeleceu ao sul. “Isso impactou a maneira como eles viam o mundo, então fazia sentido que, escolhendo uma direção cardinal sobre as outras, eles escolhessem essa.” É por isso que a maioria dos mapas-múndi islâmicos posicionam o sul na parte superior.

    Um dos mapas mais famosos posicionando o sul na parte superior foi feito em 1154 por Al-Idrisi, que viveu na corte do rei normando cristão Roger 2º da Sicília, embora fosse muçulmano.

    “Nesses mapas, a Europa está na parte inferior e muitas vezes é muito menor do que estamos acostumados”, observa Rappaort. Embora não seja o foco desses mapas, o continente europeu tem um belo nome: “‘A diversão de quem anseia por viajar pelos horizontes’. Essa é a tradução literal”, diz o historiador.

    América Invertida
    “América Invertida”, obra do pintor uruguaio Joaquín Torres-García de 1943.

    Séculos depois, o Sul ressurgiu no topo, com obras como “América Invertida” do pintor uruguaio Joaquín Torres-García (1874-1949) e o icônico Mapa Corretivo Universal do Mundo de 1979 do australiano Stuart McArthur. MacArthur escreveu na legenda do mapa: “O Sul não vai mais chafurdar em um poço de insignificância carregando o Norte em seus ombros por pouco ou nenhum reconhecimento de seus esforços. Finalmente, o Sul emerge por cima.”

    Por que o Norte começou a aparecer no topo?

    O Norte é o mais contraditório dos pontos cardeais. É um lugar desolado e escuro. Um deserto congelado de exílio, punição e até morte. Monstros e demônios enchiam as regiões congeladas do norte dos mapas cristãos medievais. Mas é também uma região de beleza austera, gerando maravilha, revelação e, com a Estrela Polar, constância, até salvação.

    Mapa de estrelas
    ‘Se há algo que explica por que tendemos a colocar o norte no topo, acho que é o Polaris’ diz Felipe Fernández-Armesto, especialista em história da navegação e cartografia

    O Norte também é único entre os quatro pontos cardeais, devido ao polo físico do campo magnético da Terra. As correntes de convecção combinam a eletricidade com o núcleo planetário de ferro e níquel, criando um campo geomagnético que gira em torno do planeta e se espalha pelo espaço.

    No entanto, como não possuímos uma bússola neurológica interna, do ponto de vista científico, não temos um sentido inato do norte magnético. Então, por que ele acabou por padrão no topo do mapa-múndi é uma questão que ainda divide os historiadores. Sabemos por que os chineses o tinham ali, embora as primeiras bússolas chinesas apontassem para o sul, o que era considerado mais desejável do que o norte escuro. O imperador vivia no norte do país e sempre tinha que aparecer no topo do mapa, olhando seus súditos de cima para baixo.

    E os demais mapas com o Norte no topo?

    “Se há algo que explica por que tendemos a colocar o Norte no topo, acho que é o Polaris”, diz Felipe Fernández-Armesto, especialista em história da navegação e cartografia. “O verdadeiro salto para o norte veio com a expansão da navegação em alto mar. Essa estrela do norte foi absolutamente crítica para os navegadores se localizarem naqueles mares desconcertantes, onde não há características físicas para dizer onde você está.”

    El mapa del mundo de Gerardus Mercator, de 1569
    Mapa de Gerardus Mercator, de 1569

    Se for para apontarmos um momento decisivo para a fixação do norte no topo do mapa-múndi, seria 1569 e a publicação do cartógrafo flamengo Gerardus Mercator. Seu mapa, famoso por ser o primeiro a levar em conta a curvatura da Terra (embora não seja o primeiro a colocar o Norte no topo), foi projetado para ajudar os marinheiros a navegar pelo mundo, usando linhas de latitude e longitude para traçar um caminho reto.

    O Norte está no topo, mas não porque importasse mais, muito pelo contrário. Os Polos Norte e Sul projetam-se ao infinito e “não importava”, segundo Mercator, pois não havia interesse em navegar até eles. O mapa de Mercator tornou-se a cartografia padrão para fins náuticos. Na década de 1970, foi usado como base para mapear a superfície de Marte. O norte de Mercator havia triunfado mesmo em planetas distantes. Mas, de volta à Terra, pelo menos como ponto cardeal, essa posição já não é mais tão privilegiada.

    Mapas virtuais

    Nas últimas décadas, a maioria das pessoas carrega seu próprio atlas virtual no telefone. O ponto mais importante é aquele pequeno ponto azul em nossos aplicativos de mapa que seguimos sem muito cuidado com as direções da bússola ou o terreno pelo qual estamos nos movendo.

    GPS
    A localização dos pontos cardeais perdeu importância diante dos mapas virtuais que usamos nos aplicativos de celular

    “Com o mapeamento tradicional de mapas, trata-se de ter uma visão geral da área de interesse. Você se coloca mentalmente lá e navega usando as habilidades que aprendeu na infância”, explica Ed Parsons, tecnólogo espacial-chefe do Google.

    “No mapeamento online, os pontos cardeais são menos relevantes.” “Com o Google Maps, seu telefone sabe onde você está e o mapa que você vê é orientado de forma a te colocar no centro. É autocentrado. Você é o centro do mapa e a direção em que está viajando está à sua frente.” “A geração que cresceu com smartphones pode nunca saber como é estar perdido.”

    Alguns observadores temem, no entanto, que estejamos virtualmente conectados, mas ambientalmente separados do mundo físico, habitando um reino confuso de analfabetismo espacial. “As habilidades de orientação foram essenciais para a sobrevivência ao longo de nossa história evolutiva”, diz o jornalista científico Michael Bond.

    “A relação que você tem com a paisagem pela qual está viajando não se reduz a seguir um conjunto de instruções. Obter informações do lugar ao seu redor ajuda a construir um mapa cognitivo.” Pela primeira vez na história, podemos estar perdendo muitas das habilidades e ferramentas espaciais que nos sustentaram por milênios.

    Em outras palavras, podemos estar perdendo o Norte.

    https://www.bbc.com/portuguese/geral-61691283#:~:text=O%20norte%20est%C3%A1%20no%20topo,cartografia%20padr%C3%A3o%20para%20fins%20n%C3%A1uticos.

    Essa reportagem é uma adaptação de um episódio da série da BBC Radio 4 “One Direction”, do historiador e autor Jerry Brotton.

    Questões

    Compreensão Geral

    Qual é o motivo principal pelo qual o Norte acabou no topo da maioria dos mapas do mundo?

    Como as diferentes culturas históricas encaravam o Leste e o Oeste em seus mapas?

    De acordo com o texto, qual foi a principal mudança tecnológica que diminuiu a importância dos pontos cardeais nos mapas?

    Detalhamento Cultural e Histórico

    Por que o Leste foi tão importante em muitos mapas antigos, especialmente nos contextos cristãos?

    Qual é a razão apresentada no texto para a maioria dos mapas-múndi islâmicos posicionarem o Sul no topo?

    Como o mapa de Hereford reflete a visão medieval do mundo?

    Navegação e Cartografia

    Como a Estrela Polar influenciou a escolha do Norte como ponto de orientação principal nos mapas?

    Qual foi a contribuição de Gerardus Mercator para a cartografia, e como ela influenciou a preferência pelo Norte no topo dos mapas?

    Reflexão Crítica

    Por que o texto sugere que estamos “perdendo o Norte” na era dos mapas digitais e dos smartphones?

    De que maneira a mudança de mapas tradicionais para mapas virtuais pode impactar nossa relação com o mundo físico e nossa habilidade de orientação espacial?

    Análise de Impacto Cultural e Político

    Como os pontos cardeais, mais do que simples direções, possuem significados políticos, morais e culturais?

    Como a escolha de uma direção cardeal para o topo dos mapas pode refletir as perspectivas e valores de uma sociedade?

    Interpretação Contextual

    No texto, qual é o significado associado ao Oeste e como isso afetou sua posição nos mapas antigos?

    Por que o Sul ganhou destaque em obras como “América Invertida” de Joaquín Torres-García e o Mapa Corretivo Universal do Mundo de Stuart McArthur?

    Aplicação Prática

    Como a orientação pelos pontos cardeais foi essencial para a sobrevivência humana ao longo da história?

    Que lições podemos aprender ao refletir sobre como diferentes culturas e períodos históricos abordaram a orientação nos mapas?

    Conclusão e Pensamento Futuro

    Como podemos equilibrar o uso de tecnologias de navegação modernas com a preservação de nossas habilidades de orientação natural?

    O que você acha que o texto sugere sobre a importância de mantermos um senso de orientação no mundo físico, apesar dos avanços tecnológicos?

    Prof Luciano Mannarino

    Governo altera mapa do semiárido, inclui cidades do ES e exclui do Nordeste (EF06G03 – EF07GE02 – EF07GE09 – EM13CHS106)

    A formação do Território Brasileiro (EM13CHS204)

    Significado do nome de cada Bairro da Cidade do Rio de Janeiro.

  • País em transformação (Censo)

    País em transformação (Censo)

    IBGE

    Christina Queiroz

    Edição 305
    jul. 2021

    Enquanto o Censo pioneiro, realizado em 1872, desenvolveu-se a partir de 14 quesitos, a última edição apresentou 111 perguntas – questões envolvendo mobilidade urbana, migrações internacionais, cor e raça da população foram as mais ampliadas nos últimos 30 anos. As transformações metodológicas têm sido acompanhadas por tecnologias de georreferenciamento, que aprimoram a organização do trabalho de campo, desempenhado pelos recenseadores, e tornam mais ágil o processamento dos resultados.

    Inovações metodológicas incorporadas ao Censo permitem captar complexidade da realidade brasileiraDesenvolvimento tecnológico tem facilitado a coleta e o processamento de dados do Censo

    “Ao abranger, a partir da década de 1960, questões habitacionais, educacionais e de renda sobre a base produtiva dos municípios e o mercado de trabalho, o Censo deixou de ser apenas um levantamento demográfico”, observa o economista Eduardo Pereira Nunes, presidente do IBGE entre 2003 e 2011. “O Brasil se tornou mais complexo e essa complexidade foi incorporada aos questionários.” Nunes recorda, ainda, que na década de 1970 os dados do censo passaram a funcionar como base para a realização de pesquisas de amostragem, entre elas a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), ambas do IBGE. “O Censo permite calibrar as estatísticas que serão feitas no país no decorrer de toda uma década”, diz. Além disso, também é fundamental para a iniciativa privada, sendo utilizado, por exemplo, para análises de mercado.

    Paulo de Martino Jannuzzi, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), do IBGE, informa que, no início, o Censo utilizava fichas de planilha para registrar os dados obtidos. A primeira inovação tecnológica ocorreu em 1920, com a utilização de cartões perfurados, que agilizaram o processamento das respostas. “Em 1960, com a adoção do questionário da amostra, dirigido a cerca de 25% da população, foi possível incorporar um número maior de quesitos. Além disso, o uso de computadores de alto desempenho facilitou a assimilação dos dados nos anos subsequentes”, informa Jannuzzi. Até o ano 2000, os questionários eram de papel, mas já podiam ser processados por leitores ópticos.

    No último Censo, dispositivos móveis utilizados para a coleta das informações viabilizaram a transmissão diária dos dados para a sede do IBGE, no Rio de Janeiro. “Na próxima edição, o levantamento georreferenciado de todos os endereços e do percurso do recenseador também servirá para acompanhar a qualidade da coleta de dados simultaneamente à realização do Censo”, informa o sociólogo Vando da Paz Nascimento, coordenador técnico no estado de São Paulo do Censo Demográfico 2020. Iniciada em agosto, a edição de 2010 teve seus resultados preliminares divulgados em dezembro.

    Desde 2018 o IBGE se prepara para a realização do próximo levantamento, com atividades que incluem a participação de cientistas, caso das consultas para definição de novos quesitos. “O Censo é feito em três meses, mas levamos três anos para prepará-lo e pelo menos outros dois para divulgar os dados”, detalha Nascimento. O Censo de 2022 permitirá que seja medido o impacto da implantação das cotas raciais, adotadas no final da década de 1990, no nível de instrução. Poderá, ainda, fornecer elementos para analisar aspectos relativos à empregabilidade da população negra. “Entre outros aspectos, a ideia é analisar se o regime de cotas deve ser expandido para o mercado de trabalho”, pontua Nunes, ex-presidente do IBGE, destacando, por fim, que a próxima edição do Censo também dará continuidade ao mapeamento de comunidades quilombolas, iniciado na edição de 2010.

    1. Por que o Censo deixou de ser apenas um levantamento demográfico?
    2. Explique a importância da realização periódica do Censo.
    3. Aponte uma política pública que depende dos dados do Censo para seu pleno sucesso.
    4. O que são comunidades quilombolas?
    5. Faça um pequeno histórico da evolução tecnológica na coleta dos dados do Censo.

    Prof Luciano Mannarino

    População da China tem menor crescimento em décadas e atinge 1,41 bilhão

  • A formação do território brasileiro

    A formação do território brasileiro

    EM13CHS204    
    Comparar e avaliar os processos de ocupação do espaço e a formação de territórios, territorialidades e fronteiras, identificando o papel de diferentes agentes (como grupos sociais e culturais, impérios, Estados Nacionais e organismos internacionais) e considerando os conflitos populacionais (internos e externos), a diversidade étnico-cultural e as características socioeconômicas, políticas e tecnológicas

    O Tratado de Tordesilhas definiu as áreas de domínio do mundo extra-europeu. Demarcando os dois hemisférios, de polo a polo, deu a Portugal o direito de posse sobre a faixa de terra onde se encontrava o Brasil: ficou Portugal com as terras localizadas a leste da linha de 370 léguas traçadas a partir de Açores e Cabo Verde, e a Espanha com as terras que ficassem do lado ocidental desta linha.

    O direito de posse de Portugal sobre a faixa de terra onde se encontrava o Brasil foi produto de crescentes rivalidades entre Portugal e Espanha pelas terras do Novo Mundo, durante a segunda metade do século XV.

    Portugal deu início à colonização do Brasil para compensar a perda para os muçulmanos de um importante comércio no Norte da África, garantir as rotas para as Índias e expulsar os franceses que assediavam a costa brasileira desde o início do século XVI.

    União Ibérica, que se extendeu de 1580 a 1640, cumpriu um importante papel na construção do território brasileiro: o de diluir as fronteiras estabelecidas pelo Tratado de Tordesilhas. Expandiu os limites territoriais tanto ao norte, com a conquista efetiva do Maranhão, quanto ao sul, alargando a fronteira na região platina.

    Data também deste período o início da expansão territorial para o interior. Em 1580, foram organizadas as primeiras expedições dos bandeirantes em São Paulo. Essa frente de expansão territorial para os “sertões” – palavra então usada para se aludir ao interior – prolongou-se por todo o período da dominação espanhola.

    • a conquista da Paraíba, em 1584
    • as guerras travadas contra os índios no norte da Bahia, atual Sergipe, em 1589
    • a bandeira a Goiás, em 1592
    • as primeiras incursões dos bandeirantes paulistas à região de Minas Gerais, em 1596
    • a bandeira apresadora de índios na região do baixo Paraná, em 1604

    A descoberta do ouro, no final do século XVII, nas regiões das Minas Gerais foi importante para a expansão territorial e para uma nova organização administrativa da colônia.

    A necessidade crescente de abastecimento na região das Minas, provocada pelo afluxo de população em busca de riquezas, contribuiu para a expansão do Brasil em direção ao Rio Grande, fomentando a criação de gado e rebanhos de todo tipo.

    Em 1693, no tempo em que se descobriu ouro nas regiões das minas, foram criadas as capitanias do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas. Entretanto, com o massacre dos paulistas em 1709 no conflito que ficou conhecido como “guerra dos emboabas” (confronto entre bandeirantes paulistas e forasteiros que procuravam ouro e pedras preciosas), teve início uma intervenção mais efetiva da Coroa na região de Minas Gerais: Minas foi separada da capitania do Rio de Janeiro, tendo sido criada a capitania de São Paulo, em substituição à de São Vicente – adquirida em 1710 pela Coroa. Além dela, outras foram compradas, como as de Pernambuco (1716) e Espírito Santo (1718), dando nova feição à administração portuguesa na colônia, mais presente e interiorizada.

    Tratado de Tordesilhas (1494) definiu as áreas de domínio do mundo extraeuropeu.

    O Tratado de Lisboa (1681) tratou da devolução da Colônia do Sacramento, ocupada pelos espanhóis no ano de sua fundação. O apoio da Inglaterra foi decisivo para Portugal conseguir essa vitória diplomática. A saída das forças espanholas só se dá efetivamente em 1683.

    O primeiro Tratado de Utrecht entre Portugal e França (1713) estabeleceu as fronteiras portuguesas do norte do Brasil: o rio Oiapoque foi reconhecido como limite natural entre a Guiana e a Capitania do Cabo do Norte.

    O segundo Tratado de Utrecht entre Portugal e Espanha (1715) tratou da segunda devolução da Colônia de Sacramento a Portugal.

    O Tratado de Madri (1750) redefiniu as fronteiras entre as Américas Portuguesa e Espanhola, anulando o estabelecido no Tratado de Tordesilhas: Portugal garantia o controle da maior parte da Bacia Amazônica, enquanto que a Espanha controlava a maior parte da baixa do Prata. Nesse Tratado, o princípio do usucapião (uti possidetis), que quer dizer a terra pertence a quem a ocupa, foi levado em consideração pela primeira vez.

    O Tratado de Santo Ildefonso (1777) confirmou o Tratado de Madri e devolveu a Portugal a ilha de Santa Catarina, ficando com a Espanha a Colônia de Sacramento e a região dos Sete Povos.

    O Tratado de Badajós entre Portugal e Espanha (1801) incorporou definitivamente os Sete Povos das Missões ao Brasil.

    O Tratado de Petrópolis (1903), negociado pelo Barão do Rio Branco com a Bolívia, incorporou ao Brasil, como território, a região do Acre.

    No final do século XVIII, novos ventos sopraram: Portugal enfrentou revoltas no Brasil visando à separação da Metrópole. São exemplos típicos as conjurações de Minas Gerais (1789), Rio de Janeiro (1794), Bahia (1798) e Pernambuco (1801).

    Esses movimentos desembocaram na independência do Brasil (1822), pouco tempo depois, mas o território brasileiro não foi afetado. Pode-se dizer que a grande questão enfrentada pelo Império (1822-1889) foi a de manter e consolidar a unidade territorial, superando as forças centrífugas das inúmeras revoltas locais.

    Com a proclamação da República, em 1889, as províncias do império foram transformadas em estados da República Federativa do Brasil (ver Divisão político-administrativa e regional). A região do Acre, no entanto, só foi incorporada ao Brasil em 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis, negociado pelo Barão do Rio Branco.

    O mapa abaixo mostra a atual extensão territorial do Brasil.

    Fonte dos mapas: IBGE (Regina Célia Silva Afonso)

    Prof Luciano Mannarino

    Geografia e a Marvel (Território)

    CONSIDERAÇÕES SOBRE A FORMAÇÃO DO TERRITÓRIO BRASILEIRO (vídeo e atividades)