Categoria: Brasil

  • Seca no cerrado é a pior em pelo menos 7 séculos.

    Seca no cerrado é a pior em pelo menos 7 séculos.

    Aquecimento na região central do país tem sido cerca de 1°C acima da média global

    29.jun.2024 às 8h07

    Maria Fernanda Ziegler

    AGÊNCIA FAPESP

    Estudo conduzido por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) e publicado na revista Nature Communications indica que a seca no cerrado brasileiro é sem precedentes, pelo menos nos últimos 700 anos.

    Segundo os autores, o aquecimento global na região central do país tem sido mais intenso, sendo o aumento das temperaturas cerca de 1°C acima da média global, que é de 1,5°C.

    A condição tem gerado um distúrbio hidrológico: a temperatura próxima ao solo está tão quente que uma parte significativa da água da chuva evapora antes de se infiltrar no terreno. A anomalia traz diversas consequências, como mudanças no padrão de chuva, que está mais concentrada em poucos eventos, e menor recarga nos aquíferos, o que pode afetar o nível dos rios tributários do rio São Francisco.

    Solo de argila quebrado, com vegetação baixa ao fundo
    Solo seco em Correntina (BA), no cerrado – Lalo de Almeida – 15.mar.2024/Folhapress

    Para chegar a essa conclusão, o trabalho apoiado pela Fapesp e pela National Science Foundation, dos Estados Unidos, revisou os dados de temperatura, vazão, precipitação regional e balanço hidrológico da Estação Meteorológica de Januária —uma das mais antigas de Minas Gerais, com registros iniciados em 1915— e os correlacionou com as variações da composição química de estalagmites de uma caverna no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, situada no mesmo município.

    “Com o uso de dados geológicos foi possível expandir a percepção da seca causada pelo aquecimento global para um período bem anterior ao dos registros meteorológicos. Dessa forma, conseguimos fazer a reconstituição do clima até sete séculos atrás”, afirma Francisco William da Cruz Junior, professor do Instituto de Geociências (IGc-USP) e um dos autores do estudo, que foi liderado por Nicolás Strikis, do mesmo instituto.

    “Isso permitiu não somente provar que o cerrado está mais seco, mas que a origem dessa seca tem relação com o distúrbio do ciclo hidrológico causado pelo aumento da temperatura induzida pela atividade humana na emissão de gases do efeito estufa.”

    “A mensagem é que não há paralelo com a seca que estamos vivenciando atualmente. É importante frisar que identificamos uma tendência de aumento da temperatura que começa nos anos 1970, mas o fato é que ainda não atingimos o pico de aquecimento. Portanto, a expectativa é que esse fenômeno piore ainda mais”, informa Cruz à Agência Fapesp.

    A Caverna da Onça, onde foram coletados os dados químicos das estalagmites, é diferente das demais estudadas pelo grupo, porque é aberta e localizada no fundo de um cânion com 200 metros de profundidade e está sob influência da variação de temperatura externa. Fica localizada no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu e serve de hábitat para uma onça, daí o nome.

    Parque Nacional Cavernas do Peruaçu

    Formação geológica conhecida como carste, no Parque Nacional do Peruaçu (MG), que abriga patrimônio arqueológico
    Formação geológica conhecida como carste, no Parque Nacional do Peruaçu (MG), que abriga patrimônio arqueológico Araquém Alcântara/Divulgação/Instituto EkosMAIS 

    “Trata-se de um trabalho inédito, pois geralmente estudamos cavernas em um ambiente fechado, com a circulação de ar muito restrita e a temperatura estável ao longo do ano. A conexão da Caverna da Onça com o clima externo nos permitiu avaliar que a seca também altera a química das formações rochosas de cavernas [espeleotemas]”, explica.

    “O aumento da evaporação causada pelo maior aquecimento diminui a recarga de água que alimenta os gotejamentos na caverna. Foram essas mudanças químicas na rocha, associadas à evaporação da água, que nos mostraram que estamos vivenciando uma seca sem precedentes.”

    INOVAÇÃO

    O trabalho integra um projeto de pesquisa que visa reconstituir a variabilidade do clima e das mudanças climáticas durante o último milênio por meio de registros de formações rochosas que ocorrem dentro de cavernas e anéis de crescimento de árvores.

    “A nova metodologia e a validação dos dados do nosso trabalho abrem caminho para que mais estudos em outras cavernas, de outras regiões e biomas, sejam realizados. Com esse tipo de abordagem será possível ter uma reconstituição do clima do país de uma forma mais precisa”, afirma.

    Geralmente, os estudos geológicos utilizados para fundamentar a teoria do aquecimento global são feitos a partir de amostras de testemunhos de gelo [retiradas de geleiras nos polos]. “A inovação do nosso estudo está em utilizar os dados químicos de espeleotemas para identificar variações dos ciclos hidrológicos e associá-los às mudanças geradas pelo aumento da temperatura nos trópicos”, explica Cruz.

    O grupo também tem conduzido estudos de paleoclima com base em árvores fósseis encontradas no mesmo parque nacional, trabalho realizado em parceria com um grupo de biólogos que integra o projeto temático.

    “São fósseis de umburanas encontrados dentro das cavernas e que ficaram protegidos da luz por mais de 500 anos. Somando os resultados do nosso estudo com o que está sendo realizado nas árvores fósseis, obtivemos dados independentes sobre esse mesmo fenômeno”, conclui.

    Questionário.

    Qual é a principal descoberta do estudo conduzido por pesquisadores da USP e publicado na revista Nature Communications?


    Como o aquecimento global tem afetado a região central do Brasil, segundo o estudo?


    Quais são as consequências do distúrbio hidrológico causado pelo aquecimento global no cerrado?


    Qual é o impacto da seca no padrão de chuva e nos aquíferos da região?


    Que dados foram utilizados para reconstituir o clima de até sete séculos atrás?


    Quem são os principais autores do estudo e qual é sua afiliação acadêmica?


    Por que a Caverna da Onça, onde os dados foram coletados, é considerada diferente das demais estudadas pelo grupo?


    O que o estudo sugere sobre a tendência futura de aquecimento e seca no cerrado?


    Tente responder a essas perguntas com base no texto, e podemos revisar suas respostas juntos!

    Qual é o período de tempo que o estudo indica ser a seca no cerrado brasileiro sem precedentes?

    a) Nos últimos 100 anos
    b) Nos últimos 200 anos
    c) Nos últimos 500 anos
    d) Nos últimos 700 anos


    De quanto foi o aumento das temperaturas na região central do Brasil em comparação à média global?

    a) 0,5°C
    b) 1°C
    c) 1,5°C
    d) 2°C


    Qual é a principal consequência do distúrbio hidrológico causado pelo aumento da temperatura no cerrado?

    a) Aumento na quantidade de chuvas
    b) Evaporação da água da chuva antes de se infiltrar no solo
    c) Diminuição da temperatura próxima ao solo
    d) Aumento no nível dos rios


    Quais dados foram correlacionados com as variações da composição química de estalagmites para reconstituir o clima?

    a) Dados de precipitação e balanço hídrico de rios da região
    b) Dados de temperatura, vazão, precipitação regional e balanço hidrológico
    c) Dados de temperatura média global e índice pluviométrico
    d) Dados de temperatura e umidade relativa do ar


    Qual é a principal mensagem do estudo quanto à tendência de aquecimento na região?

    a) A tendência de aumento de temperatura começou no século XIX.
    b) Já atingimos o pico de aquecimento.
    c) A tendência de aumento de temperatura começou nos anos 1970, e ainda não atingimos o pico de aquecimento.
    d) A seca atual não tem relação com o aquecimento global.


    Essas perguntas são voltadas para avaliar a compreensão do texto de forma objetiva. Se precisar de mais alguma coisa, estou aqui!

    Qual é o período de tempo que o estudo indica ser a seca no cerrado brasileiro sem precedentes?

    a) Nos últimos 100 anos
    b) Nos últimos 200 anos
    c) Nos últimos 500 anos
    d) Nos últimos 700 anos

    De quanto foi o aumento das temperaturas na região central do Brasil em comparação à média global?

    a) 0,5°C
    b) 1°C
    c) 1,5°C
    d) 2°C

    Qual é a principal consequência do distúrbio hidrológico causado pelo aumento da temperatura no cerrado?

    a) Aumento na quantidade de chuvas
    b) Evaporação da água da chuva antes de se infiltrar no solo
    c) Diminuição da temperatura próxima ao solo
    d) Aumento no nível dos rios

    Quais dados foram correlacionados com as variações da composição química de estalagmites para reconstituir o clima?

    a) Dados de precipitação e balanço hídrico de rios da região
    b) Dados de temperatura, vazão, precipitação regional e balanço hidrológico
    c) Dados de temperatura média global e índice pluviométrico
    d) Dados de temperatura e umidade relativa do ar

    Qual é a principal mensagem do estudo quanto à tendência de aquecimento na região?

    a) A tendência de aumento de temperatura começou no século XIX
    b) Já atingimos o pico de aquecimento
    c) A tendência de aumento de temperatura começou nos anos 1970, e ainda não atingimos o pico de aquecimento
    d) A seca atual não tem relação com o aquecimento global

    https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2024/06/seca-no-cerrado-e-a-pior-em-pelo-menos-7-seculos-aponta-estudo.shtml

    Prof Luciano Mannarino

  • Proporção da população brasileira que vive próxima do litoral diminui, mas segue sendo maioria

    Proporção da população brasileira que vive próxima do litoral diminui, mas segue sendo maioria

    Censo aponta que proporção de quem mora no interior aumentou

    21.mar.2024 às 10h00

    Lucas Lacerda

    SÃO PAULO

    Mais da metade da população brasileira —203,1 milhões de pessoas, segundo o Censo Demográfico 2022— está espremida numa faixa de 150 km a partir do litoral. Já nas fronteiras do Brasil, o número, embora tenha crescido, representa uma parcela de 4,6% dos habitantes.

    É o que mostram os dados de setores censitários publicados nesta quinta-feira (21) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Essas unidades territoriais agrupam domicílios em um local, urbano ou rural, que será mapeado pelos recenseadores.

    Foi dessa forma que o IBGE calculou as quantidades da população morando a até 150 km do litoral ou da fronteira, sobrando, assim, o contingente populacional do interior.

    movimentação de pessoas em tarde no pelourinho, com rua larga e imóveis antigos conservados
    Turistas no Largo do Pelourinho, em Salvador (BA); a capital perdeu população entre 2010 e 2022, segundo o Censo – Rafaela Araújo – 21.mai.2023/Folhapress

    Comparados aos resultados do Censo 2010, os números continuaram praticamente os mesmos, com uma queda de 1% no litoral, apesar do aumento de 5 milhões de habitantes verificado em 2022, que chegou a 111.277.361 pessoas.

    Já a porção fronteiriça, com 9.416.714 habitantes, continua com 4,6% da população, e todo o contingente entre as duas faixas, no interior, soma 83.157.078 pessoas (41%).

    Mas o crescimento da população, maior no Centro-Oeste do país do que a média nacional, significa que a população pode estar se interiorizando. Esse movimento não vai superar o contingente do Sudeste, mas pode até passar o Sul em algumas décadas.

    É o que diz o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, pesquisador aposentado do IBGE. Para ele, a causa é a atração econômica do agronegócio e o peso do setor primário nas exportações do país.

    “Esse peso está no Centro-Oeste. Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Esse movimento é acompanhado pelo crescimento da população, que vai para onde há emprego e renda.”

    Desde a colonização, o Brasil passou por diferentes momentos de ocupação do interior do território, que começou espalhada pelo litoral. “Dizia-se que os portugueses se limitavam a arranhar a costa do Brasil como caranguejos”, afirma Eustáquio.

    Entre as corridas por borracha, as marchas para o oeste do país e a construção de Brasília, os diferentes governos do país foram ao interior sob o pretexto de ocupar para proteger e integrar o país. Ainda, a ditadura militar pretendeu conquistar a Amazônia patrocinando a construção de estradas como a Transamazônica (BR-230) e a BR-163 (Cuiabá-Santarém).

    Com a perda do peso da indústria no PIB (Produto Interno Bruto) do país, segundo Eustáquio, o país consolidou o movimento de reprimarização da economia. “O setor que mais cresce, exporta e gera divisas não é a indústria, concentrada em São Paulo.”

    Segundo o professor do Instituto de Geografia da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) Vitor de Pieri, as mudanças na economia também explicam mudanças nos fluxos de migração nas grandes capitais. “Há um movimento de pessoas saindo de cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, migrando para o centro do país.”

    Junto com emprego, Pieri também aponta uma busca por mais qualidade de vida em regiões de interior. “Mais contato com natureza e até para trabalhar com produção primária, o que chamamos de neo-rurais.”

    Ele aponta que a indústria também começou a se interiorizar no país a partir dos anos 1960 e 1970. “É uma deseconomia de aglomeração, conceito do Milton Santos. Por causa de fatores como trânsito, alto valor do metro quadrado, insegurança e os incentivos fiscais no interior, as indústrias migraram.”

    Com 11.451.245 de habitantes, São Paulo encabeça a lista das maiores cidades do Brasil, de acordo com o Censo de 2022 do IBGE

    Com 11.451.245 de habitantes, São Paulo encabeça a lista das maiores cidades do Brasil, de acordo com o Censo de 2022 do IBGE Rivaldo Gomes/FolhapressMAIS 

    Para Eustáquio, embora não seja possível que o Centro-Oeste supere o Sudeste em termos absolutos de população, a região pode superar o Sul, e deve continuar a crescer no país nas próximas décadas, tornando o Brasil mais interiorizado e urbanizado.Mas o pesquisador diz que ainda é preciso aguardar os dados de migração do Censo, que podem ajudar a explicar por que capitais como Salvador (BA) perderam população entre 2010 e 2022.

    https://arte.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/03/21/censo22-litoral-fronteira/censo22-litoral-fronteira-1-desktop.png?t=1710979804835

  • Café cultivado ao redor de cratera vulcânica entre SP e MG leva prêmios e recordes

    Café cultivado ao redor de cratera vulcânica entre SP e MG leva prêmios e recordes

    BOTELHOS (MG) e SÃO SEBASTIÃO DA GRAMA (SP)

    Uma região entre o sul de Minas Gerais e o nordeste de São Paulo tem chamado atenção por cultivar cafés que produzem bebidas com notas sensoriais complexas e muito valorizadas.

    Localizadas no entorno de uma cratera de vulcão extinto há milhões de anos, as fazendas dessa área têm conquistado prêmios e concursos de qualidade, o que chamou atenção para aquilo que a diferencia das demais regiões produtoras de café do Brasil: o solo vulcânico.

    Ainda faltam estudos mais aprofundados para explicar com precisão as razões de a região produzir cafés de tamanha qualidade, mas hipóteses apontam para o fato de que o diferencial está mesmo na combinação da altitude com o solo vulcânico.

    Entenda o que tem feito os cafés dessa região ganharem tanto reconhecimento
    Lucena/FolhapressMAIS

    Como se sabe, o café da espécie arábica demanda grandes altitudes para produzir bons frutos. Nessa região, os cafezais ficam situados nas elevações criadas naturalmente no entorno da caldeira vulcânica.

    Isso resulta em bebidas com sabor doce e a acidez cítrica, segundo o pesquisador Leandro Carlos Paiva, do Instituto Federal do Sul de Minas Gerais.

    “Terras mais altas são mais frias à noite, e de dia ainda mantêm uma temperatura quente o suficiente para manter um desenvolvimento adequado do café. E nas noites frias, o café respira mais e produz mais ácido cítrico. Então existe um balanço entre a acidez e a doçura, e o café é muito equilibrado, muito encorpado, muito doce, porém com equilíbrio perfeito de acidez”, diz.

    Outra razão reside nas propriedades do solo em si. “Ele não é considerado um vulcão extinto; é uma caldeira vulcânica que se formou, mas não explodiu. Então nosso solo não é aquele solo de basalto. É um solo de formação vulcânica, mas tem uma formação rochosa muito diversificada, porque é uma elevação que veio de baixo para cima, do magma. Então tem uma complexidade de solos muito maior”, afirma Paiva.

    É claro que o sabor final do café depende de inúmeros fatores, como a variedade, a altitude, o processamento pós-colheita, a torra etc. Mas, de modo geral, um café da região vulcânica remete a sabores de frutas amarelas, caramelo e chocolate, com corpo sedoso e acidez cítrica e intensa.

    No ano passado, um café da região bateu recorde de preço. Cultivado pela Orfeu em São Sebastião da Grama (a cerca de 250 km de São Paulo), os grãos da variedade gesha cultivados a 1.570 metros de altitude foram vendidos pelo equivalente a R$ 84,5 mil por saca de 60 kg –ou cerca de R$ 1.410,00 por quilo. Foi o maior valor já pago em leilão por um café de processamento natural brasileiro.

    O sucesso obtido pelos cafeicultores tem atraído outras culturas e empresas para a região. A própria Orfeu começou a cultivar oliveiras e, com isso, produz azeites que já conquistaram prêmios internacionais. Investidores chineses começaram a testar o plantio de avocado, e o resultado tem agradado.

    Para agregar valor ao café, os fazendeiros decidiram se associar, a fim de delimitar a área que de fato está situada no terroir vulcânico. Ao todo, a chamada região vulcânica abrange 12 municípios, sendo oito em Minas –Andradas, Bandeira do Sul, Botelhos, Cabo Verde, Caldas, Campestre, Ibitiúra de Minas e Poços de Caldas– e quatro em São Paulo –Águas da Prata, Caconde, Divinolândia e São Sebastião da Grama.

    Agora associados, os produtores pretendem pleitear junto ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) o reconhecimento da denominação de origem –selo que designa um produto cujas qualidades se devam ao meio geográfico, como o que ocorre na Europa com o espumante da região de Champagne, na França, ou os queijos parmigiano reggiano, na Itália.

    O jornalista viajou a convite da Orfeu.

    https://www1.folha.uol.com.br/blogs/cafe-na-prensa/2024/03/cafe-cultivado-ao-redor-de-cratera-vulcanica-entre-sp-e-mg-leva-premios-e-recordes.shtml

    Questões (pesquisa em sala)

    1 Por que o territ´´ório brasileiro apresenta um grande número de “vulções extintos”? (2 pontos)

    2 Explique a fertilidade dos solos próximos as regiões vulcânicas. (2 pontos)

    3. Como se forma o solo de texa roxa? (2 ponto)

    4 Aponte as qualidades do meio geográfico da região do texto que levam os produtores pleitiarem o selo de ‘denominação de origem”? (2 pontos)

    5. Aponte diferenças entre uma Caldeira Vulcânca e uma Cratera Vulcânica? (2 pontos)

    Prof Luciano Mannarino

  • Dados do Censo revelam lugares onde ninguém mora no Brasil

    Informações inéditas localizam a população de forma mais precisa e ajudam a embasar políticas públicas, diz IBGE

    2.fev.2024 às 10h00Atualizado: 2.fev.2024 às 13h10

    Lucas LacerdaDiana YukariGustavo Queirolo

    SÃO PAULO

    Para contar os 203,1 milhões de habitantes do Brasil, as equipes do Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) percorreram todas as regiões do país e fizeram entrevistas em 111,1 milhões de endereços. Enquanto o Sudeste é a região mais povoada, o mapa também revela áreas onde não há ocupação, concentradas no Norte, especialmente no oeste de Roraima e em grande parte do Amazonas.

    É o que revelam as coordenadas geográficas do Censo, divulgadas nesta sexta-feira (2). As informações partem de microdados coletados em cada endereço visitado pelos recenseadores.

    agentes do censo estão de costas, paradas em frente a um portão, usam equipamentos e coletes onde é possível ver a sigla IBGE escrita
    Agentes do Censo, do IBGE, durante visita – Helena Pontes – 5.jan.2023/Agência IBGE Notícias

    Esta é a primeira vez que o Censo tem seu cadastro de endereços totalmente referenciado geograficamente. A imensa maioria das localidades foi verificada, enquanto 747 mil endereços (0,7% do total) tiveram suas coordenadas estimadas a partir de correções de dados e informações de levantamentos anteriores.

    Essas informações, segundo os técnicos do IBGE, servem para responder a questionamentos sobre onde está a população brasileira, agora de forma mais precisa, e para embasar políticas públicas.

    As coordenadas geográficas proporcionaram um avanço no detalhamento do local em relação às grades estatísticas, por exemplo. Introduzidas no Censo Demográfico de 2010, as grades chegavam a células com 200 metros na área urbana e 1 km na área rural e permitiam a visualização de grupos de domicílios e estabelecimentos. As coordenadas, por sua vez, conseguem diferenciar cada endereço de uma rua.

    Cada coordenada geográfica corresponde a um endereço visitado pelos agentes responsáveis pelo recenseamento, que pode ser um domicílio ou estabelecimento —comercial, religioso, de saúde ou de educação, por exemplo.

    Partes da Serra da Cantareira, em São Paulo, por exemplo, não têm nenhum morador, já que são cobertas por floresta ou água.

    Essas informações, quando cruzadas ao levantamento de população, revelam curiosidades como as 18 cidades que tinham, em 2022, mais domicílios do que habitantes, como Matinhos (PR) e Mangaratiba (RJ), que ficam muito mais cheios aos fins de semana e durante as férias. O município que encabeça essa lista é Arroio do Sal, no litoral norte do Rio Grande do Sul, com 11,1 mil habitantes e 18,9 mil domicílios.

    Os dados também permitem traçar a relação entre o número de estabelecimentos e o número de moradores de determinada cidade. São José do Ribamar (a 30 km de São Luís), no Maranhão, tinha no ano passado a menor presença de estabelecimentos de saúde do país: 1 endereço do tipo para cada grupo de 3.176 habitantes.

    Embu das Artes, na Grande São Paulo, vem logo em seguida, com 1 estabelecimento de saúde para cada 3.020 pessoas. Em relação a estabelecimentos religiosos, o destaque fica com cidades da região metropolitana do Rio de Janeiro, como Itaboraí (a 52 km da capital fluminense), onde os dados Censo 2022 indicam que há 1 endereço religioso para cada grupo de 157 pessoas —é a maior presença desse tipo de estabelecimento entre os municípios com mais de 200 mil habitantes.

    CRITÉRIOS PRÓPRIOS DO IBGE

    É importante ressaltar que esses dados não têm relação com os cadastros dos ministérios da Saúde ou da Educação. Os critérios de classificação do IBGE são próprios —estabelecimentos de saúde, por exemplo, incluem hospitais, postos de saúde e outras unidades de atendimento, públicas ou privadas. Consultórios médicos, diz o IBGE, não entram nessa categoria –são registrados em outras finalidades na pesquisa

    “Por ser um microdado, permite a análise a um nível muito detalhado”, disse Eduardo Luís Teixeira Baptista, gerente do Cadastro de Endereços do IBGE, durante a apresentação do material à imprensa.

    Um exemplo é a sobreposição dos dados coletados por recenseadores em cada domicílio da Vila Sahy, a área mais atingida pelo temporal que deixou 64 mortos em São Sebastião (SP) no ano passado, com as informações de um mapeamento da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

    Esse cruzamento de dados, segundo o IBGE, indica 144 domicílios localizados na área de médio risco e 199 domicílios na área de risco alto. O mesmo uso vale para identificar a distância de domicílios de estações de metrô e equipamentos e serviços públicos diversos, dizem os técnicos.

  • Terremoto de 6,5 graus atinge Acre; não houve danos

    Magnitude do sismo ainda pode ser revisada; confirmação fará do tremor o maior já registrado no país

    21.jan.2024 às 14h49

    Leonardo Augusto

    BELO HORIZONTE

    Um terremoto de 6,5 graus na escala Richter foi registrado no início da noite deste sábado (20) em Tarauacá (AC), a 409 km da capital Rio Branco. A intensidade do tremor, se confirmada, coloca o sismo como o maior já ocorrido no país.

    O terremoto foi notado às 18h31 pela RSBR (Rede Sismográfica Brasileira) e, apesar da intensidade, não há registro de danos. Até este sábado, o tremor mais forte ocorrido no Brasil havia sido de 6,2 graus em 1955, quando um tremor atingiu a região da Serra do Tombador, no Mato Grosso.

    Terremoto
    Tremor registrou 6,5 graus na escala Richter – Reprodução/Rede Sismográfica Brasileira no Facebook

    A RSBR informou que a magnitude exata, o epicentro e a profundidade do terremoto poderão ser revisados nas próximas horas à medida que os sismólogos revisarem os dados e refinarem seus cálculos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos detectou o mesmo tremor, mas com intensidade maior, de 6,6.

    Segundo o professor George Sand, do departamento do Centro de Sismologia da USP (Universidade de São Paulo), esse tipo de diferença entre as medidas de um e outro serviço são comuns devido ao número de equipamentos que acompanham os tremores.

    A ausência danos no Acre, conforme explica o professor, é porque o terremoto foi muito profundo. Segundo informações da RSBR, o sismo ocorreu a 628 km de profundidade.

    A região é conhecida pela ocorrência de sismos profundos por ser uma área de encontro entre duas placas tectônicas, a Sul-Americana e a Nazca.

    “Geralmente ninguém nota esse tipo de terremoto. Nós é que os identificamos e informamos à população”, diz o professor, referindo-se aos centros de acompanhamento de tremores.

    Segundo a RSBR, a força dos terremotos naquela região pode ser atenuada pela profundidade em que ocorrem.

    https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/01/terremoto-de-65-graus-atinge-acre-nao-houve-danos.shtml

    Questões

    Explique por que, apesar da magnitude elevada do terremoto em Tarauacá, não houve registro de danos na região.

    Compare a ocorrência do terremoto em Tarauacá com o sismo de 1955 na Serra do Tombador. O que faz com que o tremor de 2024 seja potencialmente mais significativo?

    Analise a relação entre a profundidade dos terremotos e a percepção de seus efeitos na superfície, utilizando o caso de Tarauacá como exemplo.

    Quais são as implicações geológicas do encontro entre as placas tectônicas Sul-Americana e Nazca para a região do Acre?

    Por que há uma diferença nas medições da magnitude do terremoto entre a RSBR e o Serviço Geológico dos Estados Unidos? O que isso revela sobre as tecnologias e metodologias utilizadas?

    Discuta a importância da Rede Sismográfica Brasileira na identificação e no monitoramento de sismos no Brasil.

    Explique como a profundidade de 628 km pode ter atenuado os efeitos destrutivos do terremoto de Tarauacá.

    Como o conhecimento sismológico pode ajudar na prevenção de desastres, mesmo em regiões com baixa percepção de terremotos, como o Brasil?

    O que torna o Brasil um país de baixa sismicidade, e por que eventos como o de Tarauacá são considerados raros?

    Analise a importância de revisões e refinamentos de dados após a ocorrência de um sismo para entender melhor a sua magnitude, epicentro e impactos.

    Prof Luciano Mannarino

    Por que é tão difícil prever um grande terremoto como o que atingiu a Turquia?

    TIPOS DE ROCHAS E CICLO DAS ROCHAS (vídeo e atividades)

    NATURE: Sismômetros domésticos fornecem dados cruciais sobre o terremoto do Haiti