Categoria: Geopolítica

  • Espaço Vital

    Espaço Vital

    Espaço Vital

    O conceito de espaço vital, associado a Ratzel, parte da ideia de que os Estados tendem a buscar expansão territorial e influência como forma de garantir recursos e segurança para sua sobrevivência.

    No século XX, essa noção foi  apropriada pela Alemanha nazista, convertendo-se em justificativa para conquista, dominação e extermínio — um exemplo extremo de como um argumento geográfico pode ser instrumentalizado por projetos políticos.

    No mundo contemporâneo, embora não se repita a mesma estrutura ideológica do nazismo, certos movimentos internacionais revelam ecos dessa lógica, agora expressos como disputa por áreas estratégicas e reposicionamento de poder.

    A retirada de Nicolás Maduro do poder na Venezuela, em meio a pressões externas e interesses regionais, e o desejo de anexar a Groenlândia, defendido por Donald Trump sob o argumento de segurança e controle do Ártico, indicam que a geopolítica continua operando pela busca de vantagem espacial. 

    Assim, o “espaço” permanece sendo um dos principais campos onde se decidem interesses econômicos, militares e diplomáticos — e compreender isso é essencial para interpretar o mundo atual com clareza.

    Luciano Mannarino é Prof de Geografia.

  • O que é o conflito Israel-Palestina? Como chegamos à guerra atual?

    A guerra entre Israel e o grupo extremista Hamas é o mais novo capítulo sangrento de um conflito que se estende há décadas, a partir da criação de Israel, em 1948. A origem da disputa, no entanto, é mais antiga e remonta ao final do século 19.

    O surgimento do sionismo

    O sionismo surgiu no fim do século 19, quando apareceram na Europa diversos movimentos nacionalistas. Desenvolvida pelo jornalista húngaro e ativista judeu Theodor Herzl, a tese era que a sobrevivência do povo judeu — então espalhado pelo mundo — dependia da formação de um país. Essa nação deveria se erguer sobre a Palestina, região onde a terra de Israel existiu, segundo a Bíblia.

    No século 20, porém, a população local era formada por árabes e muçulmanos, que viviam sob o domínio do Império Otomano, a mais poderosa organização política islâmica da história. As coisas começaram a mudar em 1922, quando o império caiu e os britânicos assumiram o controle da região.

    A partir de então, judeus espalhados pelo mundo começaram a migrar em massa para a Palestina. Eles justificavam a ocupação mencionando a Declaração Balfour, de 1917, um apoio formal do Reino Unido ao sionismo.

    1920: Pouco antes de sua derrocada, Império Otomano assina tratado de paz em razão da Primeira Guerra Mundial

    Essa migração se intensificou nas décadas de 1930 e 1940, em razão da perseguição nazista aos judeus. Foi naquela época que a oposição árabe à chegada de judeus aumentou. Mesmo assim, a presença judaica na Palestina cresceu e, ao final da 2ª Guerra, já representava um terço da população local.

    Nasce Israel

    Membros de uma comunidade judaica fundada por brasileiros (Bror Hayil) trabalhando na agricultura em 1951


    Com a saída dos britânicos da Palestina, a ONU aprovou, em 1947, um acordo que dividia o território entre árabes e judeus. Jerusalém, cidade sagrada para os dois povos, seria administrada pelas Nações Unidas.

    Os judeus aceitaram a proposta; os árabes, não.

    Diante do impasse, o líder israelense David Ben-Gurion declarou a independência de Israel em 14 de maio de 1948. Um dia depois, Egito, Síria, Líbano e Jordânia atacaram Israel. O armistício só foi assinado no ano seguinte.

    Pouco depois, a ONU reconheceu o Estado de Israel, que em seguida ocupou parte da Palestina. Outros territórios foram divididos: a Faixa de Gaza ficou com o Egito; a Cisjordânia e o leste de Jerusalém acabaram com a Jordânia.

    Enquanto 700 mil palestinos se refugiaram nos países vizinhos, sobreviventes do Holocausto migravam para Israel.

    A reação árabe e o surgimento do Hamas
    Em 1964, foi fundada a OLP (Organização para libertação da palestina)

    Em 1967, ocorreu a Guerra dos Seis Dias (entre 5 e 10 de junho), quando Israel atacou em resposta à movimentação militar de países vizinhos.

    Essa guerra consolidou o poder militar israelense, que derrotou Egito, Síria e Jordânia. Israel, então, assumiu a Faixa de Gaza, a Península do Sinai, as colinas do Golã e a Cisjordânia, incluindo Jerusalém oriental.

    Comandantes militares israelenses chegam a Jerusalém Oriental durante a Guerra dos Seis Dias
    Imagem: Getty Images


    Em 1973, Egito e Síria fizeram um ataque surpresa durante o Yom Kippur, um dia sagrado para os judeus. Israel quase perdeu o conflito, mas venceu no final. Em 1977, Israel intensificou a ocupação dos territórios palestinos na Cisjordania.

    Em 1979, Israel assinou um acordo de paz com o Egito e deixou a Península do Sinai. Em troca, o país árabe reconheceu o Estado judeu.

    A resposta palestina nos anos 1980 ocorreu com ataques por parte da OLP, então liderada por Yasser Arafat. Naquela década nasceu o grupo libanês Hezbollah, contrário ao Estado israelense.

    As tensões culminaram na Primeira Entifada, em 1987 —uma revolta palestina contra a ocupação de Gaza e Cisjordânia.

    Naquele mesmo ano, nasceu o Hamas —grupo extremista baseado em Gaza que é opositor tanto de Israel quanto da OLP.

    Movimentação do Exército Israelense na Guerra do Yom Kippur, em 1973

    OLP reconhece Israel
    O ano de 1993 anunciava novos tempos. Foi quando o então primeiro-ministro israelense, Ytzhak Rabin, assinou com Arafat o Acordo de Oslo.

    Nele, a OLP reconhecia Israel, que aceitou a OLP como representante dos palestinos. Nascia, em 1994, a ANP (Autoridade Nacional Palestina), responsável pelo controle da segurança e das necessidades civis de palestinos.

    Acordos de Oslo: Yitzhak Rabin (esq) e Yasser Arafat se cumprimentam sob o olhar de Bill Clinton
    Imagem: Getty Images


    Novos ataques até a guerra atual
    Após novos acordos de paz, grupos fundamentalistas voltaram a atacar. Em 1995, um judeu de extrema direita matou o primeiro-ministro Rabin, enquanto o Hamas apostava em ataques terroristas contra civis.

    Em 2001, ataques suicidas com bomba marcaram a Segunda Intifada. Israel respondeu erguendo um muro na fronteira com a Cisjordânia. Em 2009, 2012 e 2014, revidou os lançamentos de foguetes pelo Hamas com ataques contra Gaza que mataram centenas de palestinos.

    Em 2018, o Estado de Israel completou 70 anos ainda mergulhado em conflitos. A ascensão da extrema direita no país dividiu a sociedade nos últimos anos, dificultando até a formação de governos.

    Em 2021, um conflito em Jerusalém durou 11 dias. Em 21 de julho de 2023, israelenses assentados depredaram casas, carros e atiraram contra palestinos, que revidaram com foguetes.

    Foguetes disparados da Faixa de Gaza em direção a Israel nesta segunda-feira (9)

    As tensões escalaram até culminarem no ataque do Hamas no último sábado (7) e a declaração de guerra por Israel contra a célula terrorista, resultando em mais de mil mortos.


    https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2023/10/09/israel-palestina-origens-do-conflito-guerra.htm

  • Irlanda do Norte segue dentro e fora do Mercado Comum Europeu.

    Acordo assinado nesta sexta (24) deixa país em situação única, atendendo a todos os lados da ‘guerra das linguiças’

    25.mar.2023 às 4h00

    Ivan Finotti
    MADRI


    A Irlanda do Norte é o novo gato de Schrödinger. Da mesma forma que aquele felino, imaginado pelo físico austríaco Erwin Schrödinger para ilustrar as incertezas da mecânica quântica em 1935, estava vivo e morto ao mesmo tempo, a partir desta sexta (24) a Irlanda do Norte está no Mercado Comum Europeu e também não está.

    James Cleverly, secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, e Maros Sefcovic, vice-presidente da Comissão Europeia, após assinarem ao acordo Quadro de Windsor, nesta sexta – Niklas Halle’n/Comissão Europeia/AFP


    O novo acordo Quadro de Windsor, proposto há um mês pelo primeiro-ministro britânico Rishi Sunak, foi formalmente assinado em uma reunião em Londres. As regras foram seladas por James Cleverly, secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, e pelo vice-presidente da Comissão Europeia, Maros Sefcovic.

    Os dois presidem o Comitê Conjunto do Brexit, organismo que supervisiona a correta aplicação da saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

    A situação única da Irlanda do Norte tem sua origem no Brexit, que aconteceu há três anos. Na ocasião, a nação também saiu da comunidade europeia, mas, diferentemente dos demais países do Reino Unido, a Irlanda do Norte optou por permanecer no Mercado Comum Europeu.

    As diferentes legislações comerciais, tributárias e aduaneiras do Reino Unido e da União Europeia causaram, então, uma série de complicações, que podem ser mais bem entendidas usando o exemplo da “guerra das linguiças”.


    Após o Brexit, os britânicos da Irlanda do Norte não podiam mais comprar as linguiças feitas na Inglaterra. Isso porque mercadorias na categoria “produto resfriado à base de carne” só podem ser importadas pelo bloco europeu se estiverem congeladas. Como essas linguiças não eram congeladas, elas sumiram dos supermercados da Irlanda do Norte.

    A partir de agora, no entanto, os portos irlandeses terão duas faixas diferentes para o que entra ali. A faixa verde se destina a produtos para serem consumidos apenas pelo mercado irlandês, portanto, não precisa seguir a legislação europeia.

    Já a faixa vermelha é para produtos que entrarão na Irlanda do Norte e depois seguirão para a UE. As linguiças inglesas, portanto, poderão ser importadas pela faixa verde, para consumo local, mas não pela vermelha, para posterior reexportação.

    Em meio à “guerra das linguiças”, o açougueiro Kieran McAtamney exibe alguns exemplares feitos de porco em sua loja em Ballymena, na Irlanda do Norte – Paul Faith – 10.dez.2020/AFP


    “Com as medidas acordadas, respondemos, de forma definitiva, aos desafios colocados durante a implementação do Protocolo Irlandês nos últimos dois anos, bem como aos problemas cotidianos que os cidadãos e empresas da Irlanda têm enfrentado, ao mesmo tempo em que apoiamos e protegemos o acordo da Sexta-Feira Santa em todos os seus pontos”, disseram Cleverly e Sefcovic em comunicado conjunto.

    O acordo da Sexta-Feira Santa é um pacto assinado em 1998, em Belfast, que encerrou décadas de uma guerra civil entre o IRA (Exército Republicano Irlandês) e o Reino Unido, que foi responsável por 3.700 mortes.

    O documento estabeleceu a Irlanda do Norte como nação oficial do Reino Unido, mas também criou o princípio de que o norte e o sul irlandeses poderão unificar a ilha, caso ambos os governos concordem nessa decisão.

    Para resolver a questão das linguiças e afins, antes do acordo assinado nesta sexta, cogitou-se fazer uma fronteira aduaneira entre as duas Irlandas, o que poderia promover abalos políticos no tratado da Sexta-Feira Santa e levar oxigênio à questão separatista. O Quadro de Windsor resolve a questão sem necessidade uma cerca entre as Irlandas —a República da Irlanda, mais ao sul, não faz parte do Reino Unido e segue normalmente na União Europeia.


    Sunak tem motivos para comemorar, uma vez que debelou nesta semana uma rebelião contra o novo acordo por seu partido Conservador. Boris Johnson e Liz Truss, os dois predecessores de Sunak no cargo de primeiro-ministro, foram dois dos 22 parlamentares conservadores que se recusaram a apoiar o documento, junto com seis do partido Unionista Democrático.

    Mas o primeiro-ministro conseguiu manter a unidade e a maioria do grupo conservador, tendo o respaldo de 515 parlamentares na votação que aconteceu nesta quarta (22).

    “A Comissão Europeia e o governo do Reino Unido reafirmaram o seu desejo de explorar plenamente o potencial do novo acordo de comércio e cooperação e de maximizar o potencial da relação UE-Reino Unido de formas que beneficiem ambas as partes”, concluiu o comunicado conjunto.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2023/03/irlanda-do-norte-segue-dentro-e-fora-do-mercado-comum-europeu.shtml

    Prof Luciano Mannarino

  • Vietnã mantém pragmatismo com EUA, mas sinaliza encanto com fórmula da China

    Líder do país comunista visita Pequim, mas mudanças econômicas podem ameaçar modelo político

    Nguyen Phu Trong, principal dirigente vietnamita, atravessou salões do Grande Palácio do Povo, em Pequim, a 31 de outubro, como primeiro líder estrangeiro recebido por Xi Jinping após o encerramento do 20º Congresso do Partido Comunista Chinês, concluído nove dias antes. A deferência iluminou prioridades e movimentos geopolíticos nos palcos global e do Sudeste Asiático.

    O Vietnã contemporâneo, ainda governado pelo Partido Comunista fundado por Ho Chi Minh (1890-1969) e com as profundas cicatrizes de um dos conflitos bélicos mais icônicos da Guerra Fria, seguiu o exemplo da China e embarcou em reformas responsáveis por engendrar uma das economias mais dinâmicas do cenário asiático.


    Iniciada em 1986 sob o nome de “doi moi” (renovação, em vietnamita), a metamorfose resultou na criação de uma “economia socialista de mercado”, rótulo oficial de um sistema alicerçado numa ousada abertura econômica acompanhada da manutenção do poder nas mãos do partido. Os vietcongues do século 21 passaram a seguir a trilha desenhada por Deng Xiaoping (1904-1997), mentor das mudanças chinesas.

    O vietnamita Nguyen Phu Trong e o chinês Xi Jinping em cerimônia em Pequim – Yao Dawei – 31.out.22/Xinhua

    Em Bancoc, poucos dias depois de seu colega secretário-geral do PC ser recepcionado por Xi, o presidente do Vietnã, Nguyen Phuc, reuniu-se com Kamala Harris, durante um fórum diplomático. Hanói sinalizava assim a manutenção da política pendular entre Pequim e Washington.

    A atual flexibilidade diplomática contrasta com a rigidez da Guerra Fria, quando o Vietnã, após o triunfo comunista em 1975, encaixou-se definitivamente na órbita soviética e proporcionou a Moscou presença em estratégicos mares do Sudeste Asiático, conexão entre os oceanos Pacífico e Índico.


    Porém, a debacle soviética, com a desintegração de 1991, levou o PC vietnamita a rever a cartilha. Prevaleceu, no plano doméstico, a opção por replicar a alquimia chinesa, enquanto na dimensão geopolítica verificou-se a aproximação com os EUA.

    Com relações diplomáticas recuperadas em 1995, no governo Bill Clinton, Hanói avançou na estratégia de engajamento com o ex-inimigo. Almejava investimentos para impulsionar a decolagem econômica. E buscava um aliado para ajudar na desafiadora tarefa de conter o aumento do peso político, econômico e militar do gigantesco vizinho setentrional chamado China.

    Rivalidades sino-vietnamitas culminaram em batalhas, por exemplo, já no século 10 d.C. Num passado recente, em 1979, uma invasão ordenada por Deng viu, ao final dos combates, os dois lados cantando vitória.


    O pragmatismo do Vietnã esmaece traumas históricos e abre espaço para laços econômicos com a China, importante parceiro comercial. E, recentemente, o viés político desponta nas relações bilaterais, com festejada reunião entre os camaradas Nguyen Trong e Xi Jinping.

    No âmbito político, o diálogo se aprofunda impulsionado por desafio comum: a manutenção do monopólio do poder nas mãos do Partido Comunista em sociedades como a chinesa e a vietnamita, cada vez mais modeladas por ascensão de classes médias e urbanização.

    E Xi certamente detalhou ao visitante vietnamita o plano de voo: incrementar as doses de autoritarismo, para evitar a perda de controle, apesar de concessões às vezes inevitáveis, a exemplo das mudanças de Pequim nas ações de enfrentamento da pandemia.

    No poder desde 2011, Nguyen sinaliza seguir os passos de Xi. A pergunta é até quando o modelo político de Hanói e de Pequim resistirá às profundas transformações sociais trazidas pelo trepidante crescimento econômico.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/jaimespitzcovsky/2022/12/vietna-mantem-pragmatismo-com-eua-mas-sinaliza-encanto-com-formula-da-china.shtml

    Questões

    1 Caracterize a “economia socialista de mercado” do Vietnã.

    2 Aponte motivos que levaram a desintegração da exURSS em 1991.

    3 Por que o conflito bélico entre EUA e Vietnã se insere no contexto da Guerra Fria?

    4 Explique o título do texto jornalístico.

    5 Qual seria a sua resposta para questão que é colocada no último parágrafo do texto?

    Prof Luciano Mannarino

  • O que é o Protocolo de Kyoto?

    O que é o Protocolo de Kyoto?


    Crédito: Karsten Würth/Unsplash


    O Protocolo de Kyoto foi adotado em 11 de dezembro de 1997. Devido a um complexo processo de ratificação, entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005. Atualmente, existem 192 Partes no Protocolo de Kyoto.

    Em suma, o Protocolo de Kyoto operacionaliza a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima ao comprometer os países industrializados e as economias em transição a limitar e reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) de acordo com metas individuais acordadas. A própria Convenção apenas pede a esses países que adotem políticas e medidas de mitigação e informem periodicamente.

    O Protocolo de Kyoto é baseado nos princípios e disposições da Convenção e segue sua estrutura baseada em anexos. Apenas vincula os países desenvolvidos, e lhes impõe um ônus mais pesado sob o princípio da “responsabilidade comum, mas diferenciada e respectivas capacidades”, porque reconhece que eles são os grandes responsáveis ​​pelos atuais altos níveis de emissões de GEE na atmosfera.

    Em seu Anexo B, o Protocolo de Kyoto estabelece metas vinculantes de redução de emissões para 37 países industrializados e economias em transição e para a União Européia. No geral, essas metas somam uma redução média de 5% das emissões em comparação com os níveis de 1990 durante o período de cinco anos 2008–2012 (o primeiro período de compromisso).

    Emenda Doha

    Em Doha, Qatar, em 8 de dezembro de 2012, a Emenda de Doha ao Protocolo de Kyoto foi adotada para um segundo período de compromisso, com início em 2013 e duração até 2020.

    Em 28 de outubro de 2020, 147 Partes depositaram seus instrumentos de aceitação, portanto, o limite de 144 instrumentos de aceitação para a entrada em vigor da Emenda de Doha foi alcançado. A alteração entrou em vigor em 31 de dezembro de 2020.

    A emenda inclui:

    Novos compromissos para as Partes do Anexo I do Protocolo de Kyoto que concordaram em assumir compromissos em um segundo período de compromisso de 1º de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2020;
    Uma lista revisada de GEE a ser relatada pelas Partes no segundo período de compromisso; e
    Alterações em vários artigos do Protocolo de Kyoto que faziam referência específica a questões relativas ao primeiro período de compromisso e que precisavam ser atualizadas para o segundo período de compromisso.
    Em 21 de dezembro de 2012, a emenda foi divulgada pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, na qualidade de Depositário, a todas as Partes do Protocolo de Quioto, de acordo com os Artigos 20 e 21 do Protocolo.

    Durante o primeiro período de compromisso, 37 países industrializados e economias em transição e a Comunidade Européia se comprometeram a reduzir as emissões de GEE para uma média de 5% em relação aos níveis de 1990. Durante o segundo período de compromisso, as Partes se comprometeram a reduzir as emissões de GEE em pelo menos 18% abaixo dos níveis de 1990 no período de oito anos de 2013 a 2020; no entanto, a composição das Partes no segundo período de compromisso é diferente da primeira.

    Os mecanismos de Kyoto

    Um elemento importante do Protocolo de Kyoto foi o estabelecimento de mecanismos de mercado flexíveis, que se baseiam no comércio de licenças de emissão. Sob o Protocolo, os países devem cumprir suas metas principalmente por meio de medidas nacionais. No entanto, o Protocolo também oferece a eles um meio adicional para atingir suas metas por meio de três mecanismos baseados no mercado:

    Comércio Internacional de Emissões

    Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)

    Implementação conjunta (JI)

    Esses mecanismos incentivam idealmente a redução de GEE a começar onde é mais rentável, por exemplo, no mundo em desenvolvimento. Não importa onde as emissões são reduzidas, desde que sejam retiradas da atmosfera. Isso tem os benefícios paralelos de estimular o investimento verde nos países em desenvolvimento e incluir o setor privado nesse esforço para reduzir e manter as emissões de GEE estáveis ​​em um nível seguro. Ele também torna o salto-frogging – ou seja, a possibilidade de pular o uso de tecnologia mais antiga e mais suja para infraestrutura e sistemas mais novos e mais limpos, com benefícios óbvios de longo prazo – mais econômico.

    Monitoramento de metas de emissão
    O Protocolo de Kyoto também estabeleceu um sistema rigoroso de monitoramento, revisão e verificação, bem como um sistema de conformidade para garantir a transparência e responsabilizar as Partes. De acordo com o Protocolo, as emissões reais dos países devem ser monitoradas e devem ser mantidos registros precisos dos negócios realizados.

    Os sistemas de registro rastreiam e registram as transações das Partes sob os mecanismos. A Secretaria de Mudanças Climáticas da ONU, com sede em Bonn, na Alemanha, mantém um registro de transações internacionais para verificar se as transações estão de acordo com as regras do Protocolo.

    O relatório é feito pelas Partes mediante a apresentação de inventários anuais de emissões e relatórios nacionais sob o Protocolo em intervalos regulares.

    Um sistema de conformidade garante que as Partes cumpram seus compromissos e as ajuda a cumprir seus compromissos se tiverem problemas para fazê-lo.

    Adaptação
    O Protocolo de Kyoto, assim como a Convenção, também foi elaborado para ajudar os países a se adaptarem aos efeitos adversos das mudanças climáticas. Facilita o desenvolvimento e a implantação de tecnologias que podem ajudar a aumentar a resiliência aos impactos das mudanças climáticas.

    O Fundo de Adaptação foi criado para financiar projetos e programas de adaptação em países em desenvolvimento que são Partes do Protocolo de Kyoto. No primeiro período de compromisso, o Fundo foi financiado principalmente com uma parte dos recursos das atividades do projeto de MDL. Em Doha, em 2012, foi decidido que, para o segundo período de compromisso, o comércio internacional de emissões e a implementação conjunta também forneceriam ao Fundo de Adaptação uma parcela de 2% das receitas.

    https://unfccc.int/kyoto_protocol

    Prof Luciano Mannarino


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