Categoria: Geopolítica

  • Por que o Norte está na parte superior da maioria dos mapas do mundo?


    As explicações passam por questões religiosas, espirituais e políticas

    4.jun.2022 às 12h55

    POR JERRY BROTTON – DA BBC RÁDIO 4, SÉRIE ‘ONE DIRECTION’ *

    Poucas coisas parecem mais naturais do que os quatro pontos cardeais.

    Onde quer que você esteja no planeta, você pode ver o Sol nascendo no Leste e se pondo no Oeste. O zênite do sol identifica o Sul, enquanto outra estrela, a estrela polar, lhe dirá onde está o norte. Sem os pontos cardeais estaríamos perdidos. Mais do que pontos em um mapa ou bússola, são ideias poderosas com significados políticos, morais e culturais.

    Mapa do astrônomo e geógrafo grego Claudio Ptolomeo
    Mapa do astrônomo e geógrafo grego Claudio Ptolomeo – BBC News Brasil/Getty Images

    Mas por que o Norte acabou no topo da maioria dos mapas do mundo?

    Embora as quatro direções cardeais de uma bússola sejam definidas pelas realidades físicas do polo norte magnético (norte-sul) e do nascer e pôr do sol (leste-oeste), não há razão para o norte automaticamente receber essa “distinção”. O Sul e o Leste poderiam muito bem ocupar esse lugar, e o fizeram no passado.

    O Oeste no mapa

    Embora tenha dado origem a um dos conceitos mais poderosos e intangíveis – o Ocidente ou o mundo ocidental – as sociedades antigas recusavam-se a privilegiar o Ocidente como lugar onde o sol se punha.

    'Calypso's Grotto', Francis Danby, ca. 1843
    Para muitas culturas, o pôr do sol e o Oeste simbolizavam o fim da vida

    O pôr do sol personificava o fim da jornada da vida, antecipando a escuridão e o reino da morte, de modo que quase nenhuma cultura o escolheu como orientação sagrada para a oração, e menos ainda o colocou no topo de seus mapas. Ele era colocado na área inferior dos mapas, como no mapa-múndi de Hereford, um dos grandes mapas medievais, no qual ao olhar para baixo você chega ao oeste, onde o julgamento final espera por você.

    Essa posição está associada a uma sensação de fim, de prenúncio, de escuridão e decadência. E nas bordas do mapa estão as letras MORS, a palavra latina para “morte”. Mas se o Oeste estiver na parte de baixo dos mapas, o Leste estará na parte de cima.

    O Leste e o nascer do sol

    Na história dos pontos cardeais, tudo começa no Leste com o nascer do sol. O oriente tem sido desde tempos imemoriais um símbolo de nascimento, do início da jornada da vida. Oriente vem do latim oriens, aparecer, nascer. É a raiz do termo “orientação”, a principal forma de nos localizarmos no espaço.

    O leste foi definido em oposição ao oeste ao longo do eixo horizontal que precedia o norte-sul. No cristianismo primitivo, o Leste é a localização do paraíso, uma razão poderosa pela qual ele é posicionado no topo de muitos mapas-múndi.

    Mapa mundi de Hereford
    Mapa-múndi de Hereford, feito em 1300

    No mapa mundi de Hereford, abaixo de Cristo, sentado em um arco-íris, está o Jardim do Éden. Abaixo, a Torre de Babel e no centro, Jerusalém. Na parte inferior, a oeste, estão os pilares de Hércules, que podem ser interpretados como o fim dos tempos.

    Fora do mundo terrestre, nas bordas do mapa, o tempo terrestre termina e é substituído pelo eterno presente do céu, onde não há necessidade de pontos cardeais. E no canto inferior do mapa há uma figura saindo do quadro, olhando para o mundo que ele está deixando. A inscrição acima diz: “continue”.

    A figura parece sair desta vida, mas olha ansiosamente para o topo do mapa, para o leste, aquele lugar de renascimento, onde toda a vida começa. Este mapa-múndi foi feito em couro de bezerro por volta de 1300.

    Coberto por mais de 1.000 inscrições, ilustrações de labirintos e monstros, é uma vasta enciclopédia visual do conhecimento cristão e retrata a criação bíblica da humanidade. Por que foi criado permanece um mistério?

    Embora não seja um mapa convencional, pois ao invés de mostrar um caminho físico traça um caminho espiritual, é a prova de que os mapas poderiam ter o leste como norte.

    É que “a morada também tem a ver com identidade, que é uma declaração espiritual e teológica, não geográfica”, sublinha o historiador dos mapas islâmicos Yossef Rappaort.

    O Sul nos mapas do mundo islâmico

    A direção geográfica tem sido extremamente importante para o ritual na vida diária desde o início do Islã.

    Mapa-múndi de Al-Idrisi
    Mapa-múndi de Al-Idrisi, com o sul no topo
    Tabula Rogeriana
    Tábula Rogeriana, feita por Al-Idrisi para Roger II en 1154

    A “qibla” ou “quibla” é a direção sagrada da oração para Meca. À medida que mais tribos ao norte de Medina, a cidade onde o profeta Maomé viveu e ensinou, se converteram ao islamismo, o quibla se estabeleceu ao sul. “Isso impactou a maneira como eles viam o mundo, então fazia sentido que, escolhendo uma direção cardinal sobre as outras, eles escolhessem essa.” É por isso que a maioria dos mapas-múndi islâmicos posicionam o sul na parte superior.

    Um dos mapas mais famosos posicionando o sul na parte superior foi feito em 1154 por Al-Idrisi, que viveu na corte do rei normando cristão Roger 2º da Sicília, embora fosse muçulmano.

    “Nesses mapas, a Europa está na parte inferior e muitas vezes é muito menor do que estamos acostumados”, observa Rappaort. Embora não seja o foco desses mapas, o continente europeu tem um belo nome: “‘A diversão de quem anseia por viajar pelos horizontes’. Essa é a tradução literal”, diz o historiador.

    América Invertida
    “América Invertida”, obra do pintor uruguaio Joaquín Torres-García de 1943.

    Séculos depois, o Sul ressurgiu no topo, com obras como “América Invertida” do pintor uruguaio Joaquín Torres-García (1874-1949) e o icônico Mapa Corretivo Universal do Mundo de 1979 do australiano Stuart McArthur. MacArthur escreveu na legenda do mapa: “O Sul não vai mais chafurdar em um poço de insignificância carregando o Norte em seus ombros por pouco ou nenhum reconhecimento de seus esforços. Finalmente, o Sul emerge por cima.”

    Por que o Norte começou a aparecer no topo?

    O Norte é o mais contraditório dos pontos cardeais. É um lugar desolado e escuro. Um deserto congelado de exílio, punição e até morte. Monstros e demônios enchiam as regiões congeladas do norte dos mapas cristãos medievais. Mas é também uma região de beleza austera, gerando maravilha, revelação e, com a Estrela Polar, constância, até salvação.

    Mapa de estrelas
    ‘Se há algo que explica por que tendemos a colocar o norte no topo, acho que é o Polaris’ diz Felipe Fernández-Armesto, especialista em história da navegação e cartografia

    O Norte também é único entre os quatro pontos cardeais, devido ao polo físico do campo magnético da Terra. As correntes de convecção combinam a eletricidade com o núcleo planetário de ferro e níquel, criando um campo geomagnético que gira em torno do planeta e se espalha pelo espaço.

    No entanto, como não possuímos uma bússola neurológica interna, do ponto de vista científico, não temos um sentido inato do norte magnético. Então, por que ele acabou por padrão no topo do mapa-múndi é uma questão que ainda divide os historiadores. Sabemos por que os chineses o tinham ali, embora as primeiras bússolas chinesas apontassem para o sul, o que era considerado mais desejável do que o norte escuro. O imperador vivia no norte do país e sempre tinha que aparecer no topo do mapa, olhando seus súditos de cima para baixo.

    E os demais mapas com o Norte no topo?

    “Se há algo que explica por que tendemos a colocar o Norte no topo, acho que é o Polaris”, diz Felipe Fernández-Armesto, especialista em história da navegação e cartografia. “O verdadeiro salto para o norte veio com a expansão da navegação em alto mar. Essa estrela do norte foi absolutamente crítica para os navegadores se localizarem naqueles mares desconcertantes, onde não há características físicas para dizer onde você está.”

    El mapa del mundo de Gerardus Mercator, de 1569
    Mapa de Gerardus Mercator, de 1569

    Se for para apontarmos um momento decisivo para a fixação do norte no topo do mapa-múndi, seria 1569 e a publicação do cartógrafo flamengo Gerardus Mercator. Seu mapa, famoso por ser o primeiro a levar em conta a curvatura da Terra (embora não seja o primeiro a colocar o Norte no topo), foi projetado para ajudar os marinheiros a navegar pelo mundo, usando linhas de latitude e longitude para traçar um caminho reto.

    O Norte está no topo, mas não porque importasse mais, muito pelo contrário. Os Polos Norte e Sul projetam-se ao infinito e “não importava”, segundo Mercator, pois não havia interesse em navegar até eles. O mapa de Mercator tornou-se a cartografia padrão para fins náuticos. Na década de 1970, foi usado como base para mapear a superfície de Marte. O norte de Mercator havia triunfado mesmo em planetas distantes. Mas, de volta à Terra, pelo menos como ponto cardeal, essa posição já não é mais tão privilegiada.

    Mapas virtuais

    Nas últimas décadas, a maioria das pessoas carrega seu próprio atlas virtual no telefone. O ponto mais importante é aquele pequeno ponto azul em nossos aplicativos de mapa que seguimos sem muito cuidado com as direções da bússola ou o terreno pelo qual estamos nos movendo.

    GPS
    A localização dos pontos cardeais perdeu importância diante dos mapas virtuais que usamos nos aplicativos de celular

    “Com o mapeamento tradicional de mapas, trata-se de ter uma visão geral da área de interesse. Você se coloca mentalmente lá e navega usando as habilidades que aprendeu na infância”, explica Ed Parsons, tecnólogo espacial-chefe do Google.

    “No mapeamento online, os pontos cardeais são menos relevantes.” “Com o Google Maps, seu telefone sabe onde você está e o mapa que você vê é orientado de forma a te colocar no centro. É autocentrado. Você é o centro do mapa e a direção em que está viajando está à sua frente.” “A geração que cresceu com smartphones pode nunca saber como é estar perdido.”

    Alguns observadores temem, no entanto, que estejamos virtualmente conectados, mas ambientalmente separados do mundo físico, habitando um reino confuso de analfabetismo espacial. “As habilidades de orientação foram essenciais para a sobrevivência ao longo de nossa história evolutiva”, diz o jornalista científico Michael Bond.

    “A relação que você tem com a paisagem pela qual está viajando não se reduz a seguir um conjunto de instruções. Obter informações do lugar ao seu redor ajuda a construir um mapa cognitivo.” Pela primeira vez na história, podemos estar perdendo muitas das habilidades e ferramentas espaciais que nos sustentaram por milênios.

    Em outras palavras, podemos estar perdendo o Norte.

    https://www.bbc.com/portuguese/geral-61691283#:~:text=O%20norte%20est%C3%A1%20no%20topo,cartografia%20padr%C3%A3o%20para%20fins%20n%C3%A1uticos.

    * Essa reportagem é uma adaptação de um episódio da série da BBC Radio 4 “One Direction”, do historiador e autor Jerry Brotton.

    Questões

    Compreensão Geral

    Qual é o motivo principal pelo qual o Norte acabou no topo da maioria dos mapas do mundo?

    Como as diferentes culturas históricas encaravam o Leste e o Oeste em seus mapas?

    De acordo com o texto, qual foi a principal mudança tecnológica que diminuiu a importância dos pontos cardeais nos mapas?

    Detalhamento Cultural e Histórico

    Por que o Leste foi tão importante em muitos mapas antigos, especialmente nos contextos cristãos?

    Qual é a razão apresentada no texto para a maioria dos mapas-múndi islâmicos posicionarem o Sul no topo?

    Como o mapa de Hereford reflete a visão medieval do mundo?

    Navegação e Cartografia

    Como a Estrela Polar influenciou a escolha do Norte como ponto de orientação principal nos mapas?

    Qual foi a contribuição de Gerardus Mercator para a cartografia, e como ela influenciou a preferência pelo Norte no topo dos mapas?

    Reflexão Crítica

    Por que o texto sugere que estamos “perdendo o Norte” na era dos mapas digitais e dos smartphones?

    De que maneira a mudança de mapas tradicionais para mapas virtuais pode impactar nossa relação com o mundo físico e nossa habilidade de orientação espacial?

    Análise de Impacto Cultural e Político

    Como os pontos cardeais, mais do que simples direções, possuem significados políticos, morais e culturais?

    Como a escolha de uma direção cardeal para o topo dos mapas pode refletir as perspectivas e valores de uma sociedade?

    Interpretação Contextual

    No texto, qual é o significado associado ao Oeste e como isso afetou sua posição nos mapas antigos?

    Por que o Sul ganhou destaque em obras como “América Invertida” de Joaquín Torres-García e o Mapa Corretivo Universal do Mundo de Stuart McArthur?

    Aplicação Prática

    Como a orientação pelos pontos cardeais foi essencial para a sobrevivência humana ao longo da história?

    Que lições podemos aprender ao refletir sobre como diferentes culturas e períodos históricos abordaram a orientação nos mapas?

    Conclusão e Pensamento Futuro

    Como podemos equilibrar o uso de tecnologias de navegação modernas com a preservação de nossas habilidades de orientação natural?

    O que você acha que o texto sugere sobre a importância de mantermos um senso de orientação no mundo físico, apesar dos avanços tecnológicos?

    Prof Luciano Mannarino

    Governo altera mapa do semiárido, inclui cidades do ES e exclui do Nordeste (EF06G03 – EF07GE02 – EF07GE09 – EM13CHS106)

    A formação do Território Brasileiro (EM13CHS204)

    Significado do nome de cada Bairro da Cidade do Rio de Janeiro.

  • Mudanças climáticas: um guia rápido para entender o aquecimento global (EM13CHS304)

    Mudanças climáticas: um guia rápido para entender o aquecimento global (EM13CHS304)

    EM13CHS304    
    Analisar os impactos socioambientais decorrentes de práticas de instituições governamentais, de empresas e de indivíduos, discutindo as origens dessas práticas, selecionando, incorporando e promovendo aquelas que favoreçam a consciência e a ética socioambiental e o consumo responsável.

    Temperatura do planeta está aumentando em decorrência das atividades humanas

    22.abr.2022 às 12h45

    BBC NEWS BRASIL

    As temperaturas mundiais estão subindo por causa da atividade humana, e as mudanças climáticas agora ameaçam todos os aspectos da vida humana.

    Se a situação não for controlada, os humanos e a natureza passarão por um aquecimento catastrófico, com o agravamento das secas, maior aumento do nível do mar e extinção em massa de espécies.

    Enfrentamos um grande desafio, mas existem soluções potenciais.

    Clima é o conjunto de condições médias de temperatura e ambiente num lugar, ao longo de muitos anos. A mudança climática é uma mudança nessas condições médias.

    BBC News Brasil - Mudanças climáticas: um guia rápido para entender o aquecimento global.
    A temperatura do planeta está aumentando em decorrência das atividades humanas, e as mudanças climáticas ameaçam todos os aspectos da nossa vida na Terra – Getty Images

    A rápida mudança climática que estamos vendo agora é causada pelo uso humano de petróleo, gás e carvão para casas, fábricas e transporte.

    Quando esses combustíveis fósseis queimam, eles liberam gases de efeito estufa – principalmente dióxido de carbono (CO2). Esses gases retêm o calor do Sol e fazem com que a temperatura do planeta aumente.

    O planeta está agora cerca de 1,2°C mais quente do que no século 19 – e a quantidade de CO2 na atmosfera aumentou em 50%.

    O ritmo de aumento da temperatura precisa diminuir se quisermos evitar as piores consequências das mudanças climáticas, dizem os cientistas. Eles afirmam que o aquecimento global precisa ser mantido em 1,5°C até o ano 2100.

    BBC

    No entanto, a menos que outras ações sejam tomadas, o planeta ainda pode aquecer mais de 2°C até o final deste século.

    Se nada for feito, os cientistas acreditam que o aquecimento global pode ultrapassar os 4ºC, levando a ondas de calor devastadoras, milhões perdendo suas casas devido à elevação do nível do mar e perda irreversível de espécies vegetais e animais.

    QUAL O IMPACTO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS?

    Eventos climáticos extremos já estão mais intensos, ameaçando vidas e meios de subsistência.

    Com o aquecimento adicional, algumas regiões podem se tornar inabitáveis, à medida que as terras agrícolas se transformam em desertos. Em outras regiões, está acontecendo o contrário, com chuvas extremas causando inundações históricas – como visto recentemente na China, Alemanha, Bélgica e Holanda.

    As pessoas nos países mais pobres sofrerão mais, pois não têm dinheiro para se adaptar às mudanças climáticas. Muitas cidades em países em desenvolvimento já têm que suportar climas muito quentes e isso só vai piorar.

    Nossos oceanos e seus habitats também estão ameaçados. A Grande Barreira de Corais na Austrália, por exemplo, já perdeu metade de seus corais desde 1995 devido aos mares mais quentes causados ​​pela mudança climática.

    Se a temperatura média global continuar a aumentar, quase todos os corais de água mais quente poderão desaparecer – Getty Images

    Os incêndios florestais estão se tornando mais frequentes à medida que as mudanças climáticas aumentam a incidência de clima quente e seco.

    E à medida que o solo congelado derrete em lugares como a Sibéria, gases de efeito estufa aprisionados por séculos serão liberados na atmosfera, agravando a mudança climática.

    Em um mundo mais quente, os animais terão mais dificuldade para encontrar a comida e a água de que precisam para viver. Por exemplo, os ursos polares podem morrer à medida que o gelo de que dependem derrete, e os elefantes terão dificuldade em encontrar os 150-300 litros de água de que precisam por dia.

    Cientistas acreditam que pelo menos 550 espécies podem desaparecer neste século, se medidas não forem adotadas.

    COMO AS DIFERENTES PARTES DO MUNDO SERÃO AFETADAS?

    As mudanças climáticas têm efeitos distintos em diferentes áreas do mundo. Alguns lugares aquecerão mais do que outros, alguns receberão mais chuvas e outros enfrentarão mais secas.

    Se o aumento da temperatura não puder ser mantido dentro de 1,5°C:

    * O Reino Unido e a Europa serão vulneráveis ​​a inundações causadas por chuvas extremas

    * Os países do Oriente Médio passarão por ondas de calor extremas e as terras agrícolas podem se transformar em deserto

    * Nações insulares na região do Pacífico podem desaparecer com a elevação do mar

    * Muitas nações africanas podem sofrer secas e escassez de alimentos

    * As condições de seca são prováveis ​​no oeste dos EUA, enquanto outras áreas verão tempestades mais intensas

    * A Austrália provavelmente sofrerá extremos de calor e seca

    Inundações em Londres em 2021 – Getty Images

    O QUE OS GOVERNOS ESTÃO FAZENDO?

    Os países concordam que a mudança climática só pode ser enfrentada trabalhando juntos e, em um acordo histórico em Paris em 2015, eles se comprometeram a tentar manter o aquecimento global em 1,5°C.

    O Reino Unido vai sediar uma cúpula para líderes mundiais, chamada COP26, em novembro, onde os países definirão seus planos de redução de carbono para 2030.

    Muitos países se comprometeram a chegar à neutralidade de carbono até 2050. Isso significa reduzir as emissões de gases de efeito estufa tanto quanto possível e equilibrar as emissões restantes absorvendo uma quantidade equivalente da atmosfera, por meio de tecnologias de captura de carbono, por exemplo.

    A maioria dos especialistas acredita que isso é possível, mas exigirá que governos, empresas e indivíduos façam grandes mudanças.

    O QUE OS INDIVÍDUOS PODEM FAZER?

    Grandes mudanças precisam vir de governos e empresas, mas os cientistas dizem que algumas pequenas mudanças no dia a dia podem limitar nosso impacto no clima:

    * Pegue menos voos

    * Não use carros ou opte por carro elétrico

    * Compre produtos com eficiência energética, como máquinas de lavar, quando precisarem de substituição

    * Mude de um sistema de aquecimento a gás para uma bomba de calor elétrica

    * Use material que isole sua casa do frio e do calor, evitando com isso usar aquecimento e ar-condicionado

    https://g1.globo.com/meio-ambiente/aquecimento-global/noticia/2022/04/22/mudancas-climaticas-um-guia-rapido-para-entender-o-aquecimento-global.ghtml

    Questões.

    Prof. Luciano Mannarino

  • Colonialismo tardio e dados imprecisos aprofundam diferenças entre países lusófonos (EM13CHS204/603)

    30.set.2021 às 4h00Atualizado: 2.out.2021 às 9h30

    GUARULHOS

    Nove pontos no mapa-múndi, distribuídos em quatro continentes, marcam hoje aquilo que é conhecido como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

    A língua –ora tida como a quinta mais falada do mundo, ora como a sétima– é partilhada por um contingente aproximado de 260 milhões a 280 milhões de pessoas, número que deve dobrar até o final do século 21, se consideradas as projeções demográficas das Nações Unidas para a África, onde estão seis dos países lusófonos.

    Mais de cinco séculos após a expansão ultramarina de Portugal levar às ex-colônias o português, e muitas vezes impô-lo à força, essas nações compartilham a língua, alguns costumes e parte de suas histórias —mas estão longe de ser uma massa homogênea.

    Monumento aos Descobrimentos, referência às grandes navegações portuguesas, localizado em Lisboa, capital de Portugal, país que colonizou as demais nações que hoje compõem a comunidade lusófona
    Monumento aos Descobrimentos, referência às grandes navegações portuguesas, localizado em Lisboa, capital de Portugal, país que colonizou as Lalo de Almeida – 7.nov.17/FolhapressMAIS 

    Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste situam-se de maneira bem diferente nos índices internacionais que comparam áreas como economia, desenvolvimento humano e democracia. Há uma receita para ler essas diferenças, que envolve conhecimento sobre as características locais e pitadas de contexto histórico.

    A Folha conversou com dois especialistas em lusofonia para saber quais fatores devem ser levados em conta na hora de analisar a radiografia dos países de língua portuguesa.

    Professor de economia da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, e ex-secretário-executivo da Comissão Econômica da ONU para a África, o guineense Carlos Lopes explica que o colonialismo tardio é um dos principais fatores que levaram os lusófonos a se desenvolverem de forma tão diferente.

    Enquanto o Brasil se tornou independente em 1822, os países de língua portuguesa localizados na África conquistaram sua independência mais de um século depois, na década de 1970. A independência tardia, afirma Lopes, teve dois efeitos principais.

    Com uma economia estruturada na dependência de matérias-primas, essas nações demoraram a iniciar o processo de industrialização, modernização econômica e diminuição da informalidade. “O colonialismo tardio traz com ele uma longa caminhada para chegar à transformação estrutural.”

    A conquista da independência em meio ao contexto da Guerra Fria também fez com que as novas nações tivessem de se posicionar de algum lado da disputa geopolítica, o que imprimiu contornos bem específicos às relações internacionais dos países. Houve ainda um atraso na formação de quadros políticos, já que, em geral, os lusófonos africanos chegaram à independência com um restrito acesso ao ensino superior, o que desembocou em problemas de gestão pública.

    “As antigas colônias portuguesas na África foram os últimos territórios do continente a contar com um estabelecimento de ensino superior”, diz a historiadora Helena Wakim Moreno, mestre pela USP e professora do Centro Universitário Sumaré. “Em Angola e Moçambique, essas instituições só foram formadas em 1963.”

    A contextos gerais se soma o que Lopes classifica como fabricações locais. “Na maior parte dos países, houve uma gestão do dinheiro público concentrada na classe dominante e, portanto, criou-se uma elite que gosto de chamar de rentista —aquela que suga a renda fácil que vem das matérias-primas”, diz.

    O comparativo internacional da lusofonia também pede cautela para a análise dos dados de nações africanas. Segundo Lopes, parte considerável das estatísticas dessas nações apresenta problemas nos censos —com exceção do arquipélago de Cabo Verde. “Nesses países temos uma média de 60% da população que não tem documentos, e apenas 10% das terras têm algum registro formal.”

    A situação não é melhor na contabilidade nacional, que fornece informações para que se possa, por exemplo, comparar o PIB (Produto Interno Bruto) dos países. O economista explica que os lusófonos africanos têm poucas atualizações na metodologia que afere a situação financeira. Um exemplo é Guiné-Bissau, onde o ano-base de dados econômicos ainda é o de 2007.

    “A economia que esses Estados conhecem é a das transações internacionais, como matérias-primas, balanço de pagamentos e ajuda financeira. As outras, de que os governos não precisam para funcionar, são abstraídas”, diz. “Isso exacerba a desigualdade, porque há uma parte significativa da população que vive às margens do Estado moderno.”

    Com esses contornos históricos, emergiram também nações muito diferentes quando os temas são o desenvolvimento humano e as liberdades democráticas —algo que muitos dos lusófonos africanos, por exemplo, só foram vivenciar na década de 1990, quando tiveram início eleições multipartidárias.

    “Os Estados estiveram por muito tempo submetidos a uma legislação do Estado colonial português que colocava uma série de restrições à educação e à economia”, diz Moreno. “Os africanos não podiam ser donos de comércios, e o desenvolvimento econômico estava nas mãos da elite colonial estrangeira.”

    Lopes acrescenta que o contexto histórico-social fez com que fossem retardadas as condições para que uma democracia plena emergisse na maioria dos países de língua portuguesa. Com uma administração pública que reconhecia apenas uma pequena parcela da sociedade —em geral, os colonos— como cidadãos, o comportamento cívico e participativo demorou a chegar para grande parte da lusofonia.

    “Os Estados, após a independência, alargaram mal a cidadania, porque havia um hábito da administração colonial de tratar a maior parte das pessoas como sujeitos, não como cidadãos”, diz. “E então começa a emergir uma democracia fechada, para os letrados. Isso exacerbou a etnicidade, o tribalismo.”

    Por isso, ele critica os comparativos internacionais que não levam em conta o contexto africano. “Digo que devemos democratizar a África e africanizar a democracia. Ou seja, aceitar que há um determinado número de características próprias do continente que precisam ser levadas em conta.”

    A partir desse incômodo, o economista participou da formulação do Índice Ibrahim de Governança Africana, que mede anualmente a qualidade da administração em 54 países africanos.

    Do outro lado do Atlântico, o Brasil, também uma jovem democracia, não têm mostrado grandes êxitos nos comparativos internacionais. O país vem caindo desde a década passada no ranking que mede a democracia e também despenca, por quatro anos consecutivos, no ranking de liberdade de imprensa.

    Desde 1996, os nove países lusófonos, que já compartilham a língua e parte de suas histórias, passaram a integrar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, uma cúpula internacional cuja articulação teve grande participação do brasileiro José Aparecido de Oliveira (1929-2007), ex-ministro da Cultura.

    Lopes critica o que chama de “excitações diplomáticas” na história da CPLP e parte de sua arquitetura institucional. Um dos principais problemas seria o fato de as lideranças bienais da comunidade serem eleitas por meio de rotatividade geográfica. “Isso condena a comunidade a ter sempre uma pessoa designada pelo país da vez, em vez de escolher o melhor, a pessoa mais representativa e capaz.”

    Por outro lado, tece elogios e reconhece feitos que a mobilização diplomática já alcançou. “Veja a quantidade de líderes mundiais que a comunidade consegue produzir”, diz, referindo-se ao português António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas pelo segundo mandato consecutivo, ao brasileiro José Graziano, ex-diretor-geral da FAO (agência da ONU para Alimentação e Agricultura), e a ele próprio, que atua na ONU e já liderou a Comissão Econômica das Nações Unidas para África —uma espécie de Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) africana.

    A historiadora Helena Wakim Moreno afirma que a CPLP tem muito a oferecer aos falantes de português, especialmente se ampliar as prioridades para além “da tônica economicista adotada nos últimos anos”. Assim, para ela, mais cooperações universitárias, de pesquisa e ensino seriam bem-vindas.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/09/colonialismo-tardio-e-dados-imprecisos-aprofundam-diferencas-entre-paises-lusofonos.shtml

    Habilidades do BNCC presentes no texto.

    EF08GE15 – Analisar o papel do processo de colonização na formação econômica, política, social e cultural dos diferentes territórios colonizados por Portugal.

    O texto aborda o impacto do colonialismo português, enfatizando as diferenças no desenvolvimento econômico e social dos países de língua portuguesa.

    EM13CHS601 – Analisar criticamente os processos de colonização e descolonização, levando em conta as diferentes trajetórias e seus impactos na organização sociopolítica, econômica e cultural das nações.

    O texto detalha como o colonialismo tardio influenciou a trajetória histórica dos países lusófonos, e como esses países lidaram com sua independência no contexto da Guerra Fria.

    EM13CHS202 – Analisar as desigualdades econômicas e sociais, considerando as influências dos processos históricos, políticos e culturais em diferentes contextos e épocas.

    O texto explora as desigualdades nos países lusófonos, relacionando-as com o colonialismo, a falta de estrutura educacional, e a concentração de poder econômico nas elites locais.

    EF09HI22 – Identificar e analisar processos históricos, dinâmicas políticas e econômicas e características culturais de países africanos, a partir da interação com outras sociedades e culturas.

    O texto fala sobre a independência tardia dos países africanos lusófonos, suas dificuldades econômicas, e os desafios enfrentados para consolidar democracias.

    EM13CHS504 – Analisar criticamente as interações entre os países e seus impactos econômicos, sociais, políticos e culturais em contextos de integração regional e internacional.

    O texto menciona a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e seus desafios em relação à representação e à liderança rotativa, e analisa os impactos da integração de países lusófonos.

    EM13CHS301 – Compreender as transformações nas relações de poder entre as nações, considerando as disputas hegemônicas e suas consequências para o desenvolvimento socioeconômico.

    O texto aborda o papel da Guerra Fria na posição dos países recém-independentes e as transformações políticas nas ex-colônias portuguesas.

    Atividade

    Como o colonialismo tardio afetou o desenvolvimento econômico e político dos países lusófonos na África, de acordo com o texto?

    Quais são as principais diferenças entre os países lusófonos, e como essas diferenças estão relacionadas ao contexto histórico de cada nação?

    De acordo com o texto, quais desafios específicos a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) enfrenta para se consolidar como um bloco internacional coeso?

    Qual é a crítica de Carlos Lopes sobre as estatísticas nos países lusófonos africanos, e quais são as implicações disso para a comparação internacional?

    Como o contexto histórico e social influenciou o atraso na democratização dos países lusófonos africanos?

    A partir do texto, como você interpreta a frase de Carlos Lopes: “devemos democratizar a África e africanizar a democracia”?

    Quais fatores históricos e sociais levaram à formação de uma elite rentista nos países lusófonos africanos, e quais são as consequências disso para a sociedade?

    Quais são as limitações apontadas no texto sobre a metodologia de cálculo do PIB em alguns países lusófonos africanos, como a Guiné-Bissau?

    De que maneira o texto sugere que o passado colonial dos países lusófonos ainda influencia suas políticas de desenvolvimento e cidadania atualmente?

    Como o Brasil se posiciona no cenário internacional em relação aos outros países lusófonos, conforme descrito no texto? Quais são seus principais desafios?

      Prof Luciano Mannarino

    1. Rússia, EUA, China, Coreia do Norte: qual país tem mais armas nucleares?

      Rússia, EUA, China, Coreia do Norte: qual país tem mais armas nucleares?

      Marcelle Duarte – UOL

      09/02/2022

      Hoje, nove países do mundo possuem, comprovada ou alegadamente, armas atômicas. É o chamado “clube nuclear”. Neste contexto, o temor de uma possível terceira guerra mundial ganha novos contornos, com os recentes embates e rusgas entre Estados Unidos, Rússia, China e Coreia do Norte – justamente as nações com maior poderio.

      Em 1968, esforços internacionais de paz levaram à assinatura do TNP (Tratado de Não-Proliferação Nuclear), que entrou em vigor em 5 de março de 1970. Atualmente, conta com a adesão de 189 países, cinco dos quais são reconhecidos como “Estados com armas nucleares” (EAN ou NWS, do inglês nuclear-weapon states).

      São eles, em ordem de fabricação das bombas: Estados Unidos, Rússia (ex-União Soviética), Reino Unido, França e China. Possuem a grande maioria das armas nucleares conhecidas do mundo e, nos termos do tratado, podem mantê-las e também desenvolver pesquisas na área – mas são proibidos de repassar tecnologia bélica a outras nações. Esses também são os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e vencedores da Segunda Guerra Mundial.

      Três países que nunca fizeram parte do TNP realizaram testes nucleares ostensivos depois que o tratado entrou em vigor: Índia, Paquistão e Coreia do Norte. A nona nação do clube é Israel, amplamente creditado como detentor de armamento atômico, mas que se recusa a confirmar ou negar a informação e ainda não conduziu testes – detonações deste tipo não conseguem ser escondidas, pois são detectáveis por instrumentos.

      Vale destacar que a Coreia do Norte assinou o TNP, mas se retirou em 2003, realizando os primeiros testes nucleares três anos depois. Quatro outros países já possuíram bombas atômicas no passado: África do Sul, que desmontou seu arsenal antes de aderir ao tratado, Belarus, Cazaquistão e Ucrânia —as armas das três antigas repúblicas soviéticas foram repatriadas para a Rússia.

      Um levantamento do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), de 2019, estima haver 13.890 ogivas nucleares pelo mundo – sendo 3.750 ativas, ou seja, implantadas estrategicamente. Em 1986, no fim da Guerra Fria, este número chegou a 70.300.

      “Não sabemos os números exatos dos arsenais, pois muitos países não revelam informações a respeito ou são ambíguos sobre o tema”, explica Vitelio Brustolin, pesquisador da Universidade Harvard e professor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (INEST-UFF).

      Rússia e Estados Unidos possuem cerca de 92% dessas armas, mas têm reduzido mutuamente seus armamentos atômicos desde a dissolução da União Soviética. Por outro lado, relatórios recentes do Pentágono revelam a ampliação gradual do arsenal nuclear da China, Índia, Paquistão e Coreia do Norte. Além disso, há um forte candidato a décimo país com bomba atômica: o Irã, que nos últimos anos ameaça sair do TNP.

      Quantidade de ogivas ativas é capaz de destruir o planeta; saiba quais países têm mais bombas nucleares - Getty Images/iStockphoto
      Quantidade de ogivas ativas é capaz de destruir o planeta; saiba quais países têm mais bombas nucleares

      “Depois de um certo ponto, o aumento da quantidade implica em redundância, pois o arsenal conhecido atualmente já seria capaz de destruir o planeta”, ressalta Brustolin. “Podemos dizer que estamos em uma retomada da Guerra Fria, porém com circunstâncias e contexto diferentes daqueles que se estenderam do final da Segunda Guerra até 1991. O mundo não é mais ‘bipolar’; estamos em meio a alinhamentos multipolares.”

      Guerra nuclear?

      “Uma guerra nuclear é altamente improvável”, acredita o professor. “Isso não significa, no entanto, que um conflito armado convencional entre estados específicos não venha a acontecer. Se de fato houver o uso da força, é provável que seja por meio não atômico.” Uma guerra nuclear seria potencialmente catastrófica não apenas para os países envolvidos, mas para o mundo em geral. Diversos riscos afastam essa possibilidade, entre eles:

      • destruição mútua
      • perdas irreparáveis de cidades inteiras e milhões de habitantes potencial
      • inverno nuclear
      • prejuízos para o mundo todo, perdendo muito mais do que se ganharia com a guerra

      Para uma guerra atômica, a estratégia deve ser bem diferente daquela para conflitos convencionais. “No primeiro ataque, seria preciso destruir ao máximo a capacidade do oponente de contra-atacar. Caso contrário, os dois lados serão alvejados e poderão se destruir mutuamente”, diz Brustolin.

      Muitas das armas não estão em terra, mas em submarinos nucleares cuja localização é incerta. “Por isso, eles são armas tão estratégicas: ao mapear o território do oponente e de aliados em busca de locais de lançamento de armas nucleares, é muito difícil determinar em que local do planeta estão os submarinos.”

      Há temores em relação a grupos terroristas, como a Al Qaeda ou o Estado Islâmico, que poderiam fabricar uma bomba atômica rudimentar, caso tenham acesso a urânio ou plutônio enriquecido.

      Conheça os detalhes dos projetos nucleares das principais nações que já possuem estes armamentos: Estados Unidos Militares dos Estados Unidos fotografam momento da explosão da bomba atômica em Hiroshima, no Japão, em 6 de agosto de 1945.

      Estados Unidos

      bomba - EFE - EFE
      Militares dos Estados Unidos fotografam momento da explosão da bomba atômica em Hiroshima, no Japão, em 6 de agosto de 1945

      Ogivas: 5.500

      Ogivas ativas: 1.375

      Primeiro teste nuclear: 1945

      As primeiras armas nucleares do mundo foram desenvolvidas pelos EUA, durante a Segunda Guerra Mundial, por meio do Projeto Manhattan – uma força-tarefa em resposta ao nazismo, em cooperação com o Reino Unido e o Canadá, que mobilizou cientistas, engenheiros e militares, entre 1942 e 1947. O físico Robert Oppenheimer, diretor do projeto, é considerado o “pai da bomba atômica”.

      A primeira delas foi detonada em 16 de julho de 1945 e menos de um mês depois os Estados Unidos dispararam duas bombas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 6 e 9 de agosto, respectivamente. Nas explosões devastadoras, morreram entre 129 mil e 226 mil pessoas, a maioria civis. Até hoje, esta foi a única vez que armas nucleares foram usadas em uma batalha.

      O Projeto Manhattan, na verdade, teve início em 1939, quando Franklin Roosevelt, então presidente norte-americano, recebeu uma carta assinada pelos cientistas Leo Szilard e Albert Einstein, alertando sobre um possível projeto da Alemanha nazista para construção de armas atômicas. O objetivo, então, era se antecipar à bomba alemã, acabar com a guerra e evitar próximos conflitos desta magnitude.

      Mais tarde, durante a Guerra Fria com a então União Soviética, os Estados Unidos também se tornaram o primeiro país a desenvolver armas termonucleas da geração anterior, funcionando por fusão (em vez de fissão) nuclear, como acontece com a energia do Sol. O primeiro teste de um protótipo aconteceu em 1952 (Ivy Mike), no Atol Enewetak, nas remotas Ilhas Marshall.

      Em 1954, os EUA fizeram sua maior detonação nuclear até hoje (Castele Bravo), no Atol Bikini – com 15 megatons, foi cerca de mil vezes mais potente que a bomba de Hiroshima. É a quinta maior explosão atômica da história, excedida apenas por quatro testes soviéticos.

      Rússia (sucessora da União Soviética)

      bomba - Mikhail Svetlov/Getty Images - Mikhail Svetlov/Getty Images
      Míssil nuclear russo na Praça Vermelha, em Moscou, Rússia, durante o desfile militar marcando o 75º aniversário da derrota nazista na Segunda Guerra Mundial.

      Ogivas: 6.257

      Ogivas ativas: 1.456

      Primeiro teste nuclear: 1949

      A segunda nação a desenvolver armas nucleares foi a antiga União Soviética (URSS); o primeiro teste aconteceu em 1949, chamado RDS-1. Este projeto foi realizado, parcialmente, com informações obtidas via espionagem nos Estados Unidos, durante e após a Segunda Guerra. O objetivo era atingir um balanço de forças durante a Guerra Fria. A URSS detonou o explosivo mais poderoso de nossa história, a Tsar Bomba – sua potência teórica é de 100 megatons, mas foi reduzida intencionalmente para 50 durante o teste. Outras bombas soviéticas, com cerca de 20 megatons, ocupam o segundo, terceiro e quarto postos da lista.

      China

      china - Reprodução - Reprodução

      Ogivas: 350

      Ogivas ativas: desconhecido

      Primeiro teste nuclear: 1964

      A China detonou seu primeiro dispositivo de arma nuclear (batizado 596) em 1964, na área de testes Lop Nur. Foi uma resposta aos Estados Unidos e à União Soviética, que protagonizavam a Guerra Fria. Em 1967, testou sua primeira bomba de hidrogênio – foi o salto de tecnologia fissão-fusão mais curto da história. O país é o único do TNP a garantir uma política de “não primeiro uso”; ou seja, só usará suas armas nucleares em resposta a um ataque.

      Coreia do Norte

      bomba - Airbus Defense & Space and 38 North via Reuters - Airbus Defense & Space and 38 North via Reuters
      7.out.2016 – Imagem de satélite da região em torno do local do teste nuclear de Punggye-Ri, na Coreia do Norte.

      A Coreia do Norte é o único país, até hoje, que assinou e posteriormente se retirou do TNP – o anúncio de saída ocorreu em janeiro de 2003, depois que os Estados Unidos a acusou de manter, secretamente, um programa de enriquecimento de urânio. Dois anos depois, ela assumiu possuir armas atômicas funcionais – mas isso gerou dúvidas na comunidade internacional, pois não havia evidências concretas.

      Em 2006, realizou a primeira detonação nuclear, pouco potente, mas que confirmou seu poderio. Em 2016, iniciou os testes com bombas de hidrogênio – também bem menores que de seus rivais, com potência estimada de 250 quilotons.

      Mantém um programa nuclear ativo e cada vez mais sofisticado, violando normas internacionais.

      O Conselho de Segurança das Nações Unidas condena as atividades nucleares do país e impõe sanções cada vez mais severas às forças armadas e à economia norte-coreana. Em 2018, a Coreia do Norte anunciou a suspensão dos testes – um sinal para negociar um acordo de paz com os EUA, que ameaça retaliações, que por diversas vezes beiraram um confronto direto.

      Em 2022, Kim Jong Un já declarou uma possível retomada dos testes nucleares e de mísseis de longo alcance. “A política hostil e a ameaça militar dos Estados Unidos atingiram uma linha de perigo que não pode ser ignorada”, disse o Vale lembrar que o país conta com o apoio da China e, em menor medida, da Rússia.

      Bomba atômica brasileira?

      De acordo com o tratado, os cinco EANs têm o direito de manter suas bombas, mas os demais países que assinaram o TNP se comprometem a nem tentar construir armas nucleares – algo considerado injusto por algumas nações, pois concentra o poder de domínio e destruição mundial nas mãos das potências. Eles podem desenvolver tecnologia nuclear apenas para usinas de eletricidade, medicamentos, aparelhos médicos e outras atividades com fins pacíficos.

      “O Brasil tem, sim, tecnologia e capacidade para produção de armas nucleares, mas renunciou à sua produção e isso trouxe importantes impactos de soft power e smart power”, ressalta Brustolin. “Atualmente, temos um parque de centrífugas para enriquecer urânio e estamos produzindo um submarino com reator nuclear para movimentar os motores, garantindo autonomia de navegação por todo o extenso litoral.

      https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2022/02/09/qual-pais-tem-mais-armas-nuclearea.htm

      Há 30 anos, desintegrava-se a União Soviética, personagem central do século 20

      Desarmamento nuclear é nobre, mas algo limitado pela política (atividade)

      Prof Luciano Mannarino

    2. Entenda a crise entre a Rússia de Putin, a Ucrânia e as forças da Otan

      Entenda a crise entre a Rússia de Putin, a Ucrânia e as forças da Otan

      Com ameaça de uso de força, presidente russo busca impor visão estratégica no Leste Europeu

      A grave crise no Leste Europeu que opõe a Rússia de Vladimir Putin à Ucrânia e ao Ocidente, representado pela sua aliança militar, a Otan, pode trazer a guerra de volta ao solo europeu.

      Ao mesmo tempo, as negociações em torno do impasse testam duas décadas de política de Putin e talvez seu futuro político — no poder desde 1999, ele mudou a Constituição e pode tentar ficar no cargo até 2036.

      Força de reserva ucraniana treina a defesa de Kiev, capital do país, no fim de 2021
      Força de reserva ucraniana treina a defesa de Kiev, capital do país, no fim de 2021 – Serguei Supinski – 25.dez.2021/AFP

      O presidente da Rússia, que assumiu sobre as ruínas dos dez anos de crise após o fim da União Soviética, trabalhou um plano geopolítico claro. Críticos o acusam de buscar restaurar o império comunista, mas suas preocupações são as mesmas de governantes do maior país do mundo desde tempos imperiais: aumentar a distância entre seu território e os adversários, perdida quando a união caiu, em 1991.

      Há outros pontos, como a proteção de russos étnicos que ficaram para trás, e a manutenção da popularidade, que tem na ideia de uma Rússia forte um de seus pilares. O adversário, claro, é a Otan, liderada pelos vencedores da Guerra Fria, os EUA.

      Três décadas depois, o Ocidente se vê encurralado pelos russos na Ucrânia, uma crise que Putin tenta resolver com um xeque-mate — ou um ippon, para ficar no judô que aprecia. A Folha resume o caminho que trouxe os dois países com os maiores arsenais nucleares do mundo frente a frente, novamente.

      O que está acontecendo na Ucrânia agora? 

      No começo de novembro, Putin deslocou mais de 100 mil soldados e equipamentos para áreas próximas, relativamente, da Ucrânia. O vizinho, os EUA e a Otan o acusaram de planejar uma invasão militar, que ele nega.

      Tanques ucranianos fazem manobras perto de Donetsk
      Tanques ucranianos fazem manobras perto de Donetsk Forças Armadas da Ucrânia – 14.abr.2021/Via Reuters

      Mas o que existe lá que interessa a Putin? 

      Em 2014, o governo pró-Rússia de Kiev foi derrubado (golpe ou revolução, depende de quem conta). Putin percebeu que a Otan e a União Europeia poderiam absorver o vizinho e agiu, promovendo a anexação da Crimeia, um território étnico russo que havia sido cedido à Ucrânia nos tempos soviéticos, em 1954. E fomentou uma guerra civil de separatistas pró-Kremlin na região do Donbass, no leste da Ucrânia, que está no centro da confusão agora.

      A ONU disse o quê? 

      Ela não reconhece a Crimeia russa.

      Alguém reconhece? 

      Apenas oito aliados do Kremlin. Mas, na prática, a anexação é vista como um fato consumado na comunidade diplomática.

      E as áreas autônomas? 

      Aqui a coisa complica. Primeiro, porque não são tão homogêneas etnicamente; segundo, porque Putin não jogou todo seu peso militar para apoiar de forma decisiva os rebeldes.

      Mas isso não o interessava? 

      Anexar o Donbass seria muito mais complexo e caro, além de ter evidente custo militar e humano. A prioridade de Putin é outra: evitar que a Ucrânia, ou qualquer outro país ex-soviético, entre na Otan e, de forma talvez mais secundária, na União Europeia.

      Por quê? 

      Historicamente, os russos têm o seu flanco mais vulnerável no Leste Europeu. Por isso, tanto o Império Russo quanto a União Soviética ou dominavam ou tinham aliados na região. O ocaso soviético fez com que parte desses países fosse absorvida na esfera ocidental, e em 2004 a expansão da Otan chegou a três repúblicas que eram da união: Estônia, Letônia e Lituânia. Isso foi a gota d’água para Putin.

      Mas isso não seria uma questão dos países? 

      Sim, é o que diz o direito internacional e a lógica ocidental, quando lhe interessa. Politicamente, contudo, os EUA se comportaram como vencedores pouco magnânimos da Guerra Fria, perdendo a oportunidade de atrair a Rússia para uma parceria mais estável com seus aliados europeus.

      E então Putin agiu. 

      Ele primeiro travou uma guerra em 2008 na Geórgia, um país pequeno numa região explosiva, o Cáucaso, uma das rotas históricas de invasões e guerras —no caso, contra a Turquia. Nos dias de hoje, o problema lá é a infiltração de radicais islâmicos, como as duas guerras que Moscou lutou na Tchetchênia, que faz parte de seu território, demonstraram. No caso georgiano, o então presidente do país tinha uma atitude agressiva e foi visto como imprudente ao provocar os russos, dando a desculpa para que eles atacassem em nome da minoria étnica que povoa duas áreas do país. Resultado, hoje a Geórgia não controla 20% de seu território, o que na prática impede que ela se una à Otan.

      Que é exatamente o que Putin queria. 

      Sim, e é o motivo pelo qual ele é visto como um vilão no Ocidente, pelo uso de força bruta quando acha necessário. O passo seguinte foram as ações na Ucrânia, em 2014.

      E as sanções ocidentais tiveram efeito? 

      Há uma pressão sobre a Rússia, mas especialistas se dividem sobre o real impacto, porque a resultante das sanções foi um incremento no mercado interno, o maior descolamento do sistema financeiro internacional e uma certa diversificação da economia, que ainda é dependente da exportação de hidrocarbonetos (petróleo e gás).

      E a Europa segue comprando gás russo. 

      O gasoduto Nord Stream 2, completado no ano passado, permitirá à Rússia, quando a Alemanha liberar sua operação, retirar boa parte do trânsito do gás natural que vende aos europeus por meio de velhas linhas que passam pela Ucrânia. Assim, Kiev pode perder boa parte dos US$ 2 bilhões anuais que aufere em taxas. O Nord Stream 2 e seu irmão em operação, o ramal 1, ligam a Rússia à Alemanha pelo mar Báltico. Hoje, 40% do gás que a Europa consome vem do país de Putin, e os EUA lutam para inviabilizar o gasoduto porque consideram que os europeus fazem jogo duplo.

      Por que a Ucrânia não entrou na Otan e na UE? 

      Pelo mesmo motivo da Geórgia: as regras dos clubes não permitem países com conflitos territoriais ativos. Isso torna conveniente o discurso ocidental, já que ninguém quer pagar para ver em um confronto direto com a Rússia. Assim, Kiev recebe apoio e algum armamento da Otan, mas não se esperam tropas em solo para sua defesa.

      E o que acontece agora? 

      Putin quer ver implementados os Acordos de Minsk 2, de 2015, que congelaram a guerra civil no Donbass. Só que eles preveem um grau de autonomia às áreas russas que Kiev não aceita. Ao deslocar tropas, insinua que pode usar a força como em 2014, o que alguns acham ser blefe.

      Por quê? 

      Porque o Exército ucraniano não pode derrotar o russo, mas causar um bom estrago. E uma invasão implicaria anexação de áreas, o que custa bilhões que Putin não dispõe. Fora o risco de a Otan mudar de ideia e defender Kiev, o que arriscaria uma escalada perigosa, talvez nuclear. Não por acaso, as cinco potências atômicas se comprometeram recentemente a nunca iniciar uma guerra com essas armas.

      Tanque russo atira durante treinamento no campo de Mulino
      Tanque russo atira durante treinamento no campo de Mulino Vadim Savitski – 11.set.2021/Ministério da Defesa da Rússia/via Reuters

      O que está sendo negociado? 

      Russos e ocidentais não avançaram nas negociações iniciadas em meados de janeiro para debater os termos apresentados por Putin para pacificar a região. Ele “trucou”, pedindo compromisso do fim da expansão da Otan e retirada de forças da aliança de membros que entraram após 1997, ou seja, todo o bloco que era comunista. Isso não será aceito, mas pode haver concessões pontuais e o reinício de negociações sobre a Ucrânia, o que já será vendido em Moscou como uma vitória do líder.

      E qual a resposta? 

      Até aqui, é não, mas o fato de que diversas frentes de negociações foram abertas traz a esperança de que algum avanço venha a acontecer.

      Se não der certo, pode haver guerra? 

      Sim, o risco é real, embora não seja necessariamente o cenário mais provável. Putin tem na mesa opções mais drásticas e perigosas, como tentar invadir totalmente a Ucrânia e depois deixar o país sob condições de que nunca entre na Otan, ou ações mais pontuais.

      E a Otan, faria o quê? 

      Joe Biden cometeu um erro e admitiu que uma ação limitada não deveria trazer as sanções econômicas devastadoras que promete aplicar ao Kremlin em caso de invasão. Tentou corrigir, mas o estrago foi feito. Além disso, países como a Alemanha, o mais forte economicamente da Europa, são reticentes em um embate direto com Putin, explicitando o racha na aliança.

      Em frente a monumento a mortos na Segunda Guerra, noiva e sargento da Marinha Russa dançam ao som de uma banda militar, tradição local
      Em frente a monumento a mortos na Segunda Guerra, noiva e sargento da Marinha Russa dançam ao som de uma banda militar, tradição local

      E a crise recente no Cazaquistão, como se encaixa nisso? 

      Há duas teorias sobre o fato de protestos legítimos contra o aumento de combustível terem quase virado uma revolução, com gente armada nas ruas. Primeiro, que foi fomentada pelo Ocidente para enfraquecer Putin. Segundo, que foi obra do Kremlin para, resolvida rapidamente, o colocar em posição de força. Seja o que for, Putin saiu fortalecido.

      Há outras implicações? 

      A crise aproximou ainda mais a Rússia da China, que deu apoio a Putin e disse que ambos os países precisam se defender juntos do Ocidente. É uma tendência que já estava colocada, mas que pode ter efeitos no futuro próximo.

      Há alguma chance de uma Terceira Guerra Mundial com a China e a Rússia de um lado, e o Ocidente, do outro? 

      Isso é especulação pura, até porque tal conflito não interessaria a ninguém e teria uma grande chance de acabar com a civilização. Ainda assim, não passou despercebido que a China reiniciou seu embate com os EUA no Indo-Pacfício, reagindo a exercícios de dois porta-aviões americanos na sua vizinhança com mais uma grande incursão aérea contra Taiwan.

      https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/01/entenda-a-crise-entre-a-russia-de-putin-a-ucrania-e-as-forcas-da-otan.shtml

      Questões

      Quais ações de Putin podem ser consideradas uma forma de restabelecer o antigo território da Ex URSS?

      Explique o contexto histórico da criação da OTAN

      De que forma a tensão na Ucrânia se relaciona com o fim da Guerra Fria?

      Geopolítica

      Prof Luciano Mannarino