Categoria: Agropecuária

  • Questão Agrária: Ensino Médio

    Questão Agrária: Ensino Médio

    1. Objetivos da Aula

    Compreender o conceito de questão agrária.

    Analisar a história da questão agrária no Brasil.

    Identificar os principais desafios e conflitos agrários.

    Discutir políticas e movimentos sociais relacionados à reforma agrária.

    2. Introdução

    2.1. Pergunta Inicial: “O que é a questão agrária?”.

     2.2. Definição:

    Questão Agrária: Conjunto de problemas relacionados à distribuição e uso da terra, incluindo acesso, propriedade, produtividade e condições de vida no campo.

    3. Desenvolvimento

    3.1. História da Questão Agrária no Brasil

    Período Colonial:

    Capitanias hereditárias e sesmarias: Grandes propriedades concedidas a nobres e apoiadores da coroa portuguesa.

    Período Imperial:

    Lei de Terras de 1850: Introduziu a compra como única forma legal de adquirir terras, dificultando o acesso dos pobres à terra.

    Século XX:

    Modernização da agricultura e concentração de terras.

    Êxodo rural e crescimento das periferias urbanas.

    3.2. Principais Problemas e Desafios

    Concentração Fundiária: Pequeno número de proprietários detém grandes áreas de terra.

    Conflitos Agrários: Disputas violentas entre grandes proprietários e trabalhadores sem-terra.

    Produtividade e Sustentabilidade: Uso inadequado da terra, desmatamento e impacto ambiental.

    3.3. Movimentos Sociais e Reforma Agrária

    Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST):

    História e objetivos: Luta pela redistribuição de terras e melhoria das condições de vida no campo.

    Ações e impacto: Ocupações de terra, criação de assentamentos e pressão por políticas públicas.

    Políticas de Reforma Agrária:

    Programas governamentais para redistribuição de terras.

    Desafios na implementação: Burocracia, resistência de proprietários e financiamento.

    3.4. Questão Agrária no Mundo

    Exemplos Globais:

    África: Conflitos por terras e impacto da colonização.

    América Latina: Semelhanças e diferenças com o Brasil.

    Europa e América do Norte: Diferentes modelos de propriedade e uso da terra.

    4. Atividade Prática

    4.1. Debate em Grupo:

    Divida a turma em grupos e peça que discutam as seguintes perguntas:

    “Quais são as principais causas da concentração de terras no Brasil?”

    “Como os movimentos sociais contribuem para a reforma agrária?”

    “Quais são os desafios ambientais relacionados à questão agrária?”

    4.2. Apresentação:

    Cada grupo apresenta suas conclusões em 3-5 minutos.

    5.Conclusão

    5.1. Resumo da Aula:

    Revisão dos principais pontos discutidos: Definição de questão agrária, história no Brasil, problemas e desafios, movimentos sociais e políticas.

    5.2. Reflexão Final:

    “O que podemos fazer para contribuir para uma solução justa para a questão agrária?”

    5.3. Tarefa de Casa:

    Pesquisar um caso recente de conflito agrário no Brasil e escrever um pequeno resumo.

    6. Materiais Necessários

    Quadro e marcadores

    Slides ou projeção com imagens e gráficos

    Folhas de papel e canetas para as atividades em grupo

    7. Recursos Didáticos

    Documentários e vídeos sobre a questão agrária no Brasil.

    Artigos e livros sobre movimentos sociais e reforma agrária.

    Sites de organizações como o MST e órgãos governamentais de agricultura.

    Avaliação

    Questão 1:
    Explique o que foi a Lei de Terras de 1850 e como ela impactou a distribuição de terras no Brasil. Em sua resposta, aborde as consequências dessa lei para a população rural e o desenvolvimento agrário no país. (2 pontos)

    Questão 2:
    Analise a relação entre a concentração de terras no Brasil e os problemas sociais enfrentados no campo, como a pobreza e o êxodo rural. Em sua análise, considere o papel do latifúndio e da monocultura na perpetuação dessas questões. (1, 5 pontos)

    Questão 3:
    Discuta como a modernização agrícola impactou a vida dos pequenos agricultores e trabalhadores rurais no Brasil. Aborde aspectos como a mecanização, o uso de agrotóxicos, e a expansão do agronegócio. (1, 5 pontos)

    Questão 4:
    Explique a importância dos movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na luta pela reforma agrária no Brasil. Qual foi o impacto dessas organizações na conscientização e mobilização da sociedade em relação à questão agrária? (2 pontos)

    Questão 5:
    Discuta as consequências da grilagem de terras para o desenvolvimento agrário no Brasil. Como esse fenômeno afeta os pequenos produtores rurais e a preservação ambiental? (1,5 pontos)

    Questão 6:
    Disserte sobre a influência das empresas multinacionais no setor agrário brasileiro. Aborde como a presença dessas corporações afeta a produção local, o uso da terra, e a soberania alimentar do país. (1,5 pontos)


    Prof Luciano Mannarino.

  • Café cultivado ao redor de cratera vulcânica entre SP e MG leva prêmios e recordes

    Café cultivado ao redor de cratera vulcânica entre SP e MG leva prêmios e recordes

    BOTELHOS (MG) e SÃO SEBASTIÃO DA GRAMA (SP)

    Uma região entre o sul de Minas Gerais e o nordeste de São Paulo tem chamado atenção por cultivar cafés que produzem bebidas com notas sensoriais complexas e muito valorizadas.

    Localizadas no entorno de uma cratera de vulcão extinto há milhões de anos, as fazendas dessa área têm conquistado prêmios e concursos de qualidade, o que chamou atenção para aquilo que a diferencia das demais regiões produtoras de café do Brasil: o solo vulcânico.

    Ainda faltam estudos mais aprofundados para explicar com precisão as razões de a região produzir cafés de tamanha qualidade, mas hipóteses apontam para o fato de que o diferencial está mesmo na combinação da altitude com o solo vulcânico.

    Entenda o que tem feito os cafés dessa região ganharem tanto reconhecimento
    Lucena/FolhapressMAIS

    Como se sabe, o café da espécie arábica demanda grandes altitudes para produzir bons frutos. Nessa região, os cafezais ficam situados nas elevações criadas naturalmente no entorno da caldeira vulcânica.

    Isso resulta em bebidas com sabor doce e a acidez cítrica, segundo o pesquisador Leandro Carlos Paiva, do Instituto Federal do Sul de Minas Gerais.

    “Terras mais altas são mais frias à noite, e de dia ainda mantêm uma temperatura quente o suficiente para manter um desenvolvimento adequado do café. E nas noites frias, o café respira mais e produz mais ácido cítrico. Então existe um balanço entre a acidez e a doçura, e o café é muito equilibrado, muito encorpado, muito doce, porém com equilíbrio perfeito de acidez”, diz.

    Outra razão reside nas propriedades do solo em si. “Ele não é considerado um vulcão extinto; é uma caldeira vulcânica que se formou, mas não explodiu. Então nosso solo não é aquele solo de basalto. É um solo de formação vulcânica, mas tem uma formação rochosa muito diversificada, porque é uma elevação que veio de baixo para cima, do magma. Então tem uma complexidade de solos muito maior”, afirma Paiva.

    É claro que o sabor final do café depende de inúmeros fatores, como a variedade, a altitude, o processamento pós-colheita, a torra etc. Mas, de modo geral, um café da região vulcânica remete a sabores de frutas amarelas, caramelo e chocolate, com corpo sedoso e acidez cítrica e intensa.

    No ano passado, um café da região bateu recorde de preço. Cultivado pela Orfeu em São Sebastião da Grama (a cerca de 250 km de São Paulo), os grãos da variedade gesha cultivados a 1.570 metros de altitude foram vendidos pelo equivalente a R$ 84,5 mil por saca de 60 kg –ou cerca de R$ 1.410,00 por quilo. Foi o maior valor já pago em leilão por um café de processamento natural brasileiro.

    O sucesso obtido pelos cafeicultores tem atraído outras culturas e empresas para a região. A própria Orfeu começou a cultivar oliveiras e, com isso, produz azeites que já conquistaram prêmios internacionais. Investidores chineses começaram a testar o plantio de avocado, e o resultado tem agradado.

    Para agregar valor ao café, os fazendeiros decidiram se associar, a fim de delimitar a área que de fato está situada no terroir vulcânico. Ao todo, a chamada região vulcânica abrange 12 municípios, sendo oito em Minas –Andradas, Bandeira do Sul, Botelhos, Cabo Verde, Caldas, Campestre, Ibitiúra de Minas e Poços de Caldas– e quatro em São Paulo –Águas da Prata, Caconde, Divinolândia e São Sebastião da Grama.

    Agora associados, os produtores pretendem pleitear junto ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) o reconhecimento da denominação de origem –selo que designa um produto cujas qualidades se devam ao meio geográfico, como o que ocorre na Europa com o espumante da região de Champagne, na França, ou os queijos parmigiano reggiano, na Itália.

    O jornalista viajou a convite da Orfeu.

    https://www1.folha.uol.com.br/blogs/cafe-na-prensa/2024/03/cafe-cultivado-ao-redor-de-cratera-vulcanica-entre-sp-e-mg-leva-premios-e-recordes.shtml

    Questões (pesquisa em sala)

    1 Por que o territ´´ório brasileiro apresenta um grande número de “vulções extintos”? (2 pontos)

    2 Explique a fertilidade dos solos próximos as regiões vulcânicas. (2 pontos)

    3. Como se forma o solo de texa roxa? (2 ponto)

    4 Aponte as qualidades do meio geográfico da região do texto que levam os produtores pleitiarem o selo de ‘denominação de origem”? (2 pontos)

    5. Aponte diferenças entre uma Caldeira Vulcânca e uma Cratera Vulcânica? (2 pontos)

    Prof Luciano Mannarino

  • Mata atlântica tem crescimento histórico de desmatamento

    Mata atlântica tem crescimento histórico de desmatamento

    24.mai.2022 às 22h00

    Phillippe Watanabe

    SÃO PAULO
    A mata atlântica, o bioma brasileiro mais devastado, está vivendo um momento que parecia que não iria se repetir em sua história: um grande crescimento do desmatamento.

    A destruição na mata atlântica saltou 66% em 2020-2021, em comparação ao período anterior (2020-2019). É o maior aumento percentual registrado desde o início do monitoramento, em 1985 (até 2010 os dados eram divulgados e englobavam um período de cinco anos).

    No período de 2020-2021, foram derrubados 21.642 hectares do bioma, que mantém somente pouco mais de 12% de sua cobertura original. É o maior valor desde 2015/2016, quando era de 29.075 hectares.

    Os dados são de relatório da ONG SOS Mata Atlântica e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) lançado na noite desta terça-feira (24).

    Metade da foto tem uma floresta em pé, a outra uma floresta escurecida, queimada
    Vista aérea de área desmatada no município de Rio Vermelho, em Minas Gerais – 20.mai.2022 – Douglas Magno/SOS Mata Atlântica.


    “Estamos andando para trás”, afirma Luis Fernando Guedes Pinto, diretor de conhecimento da SOS Mata Atlântica e coordenador do Atlas Mata Atlântica, o projeto que anualmente levanta as áreas desmatadas no bioma.

    Na última semana, em um sobrevoo por áreas de Minas Gerais que tinham registros de desmate no ano passado, a equipe da SOS Mata Atlântica flagrou novas derrubadas em curso —que, pela questão da data, não entram nos dados citados na reportagem.

    “Imagens horríveis. Aquelas imagens da Amazônia. A gente tem que lembrar que estamos falando da mata atlântica, de uma região mais rica, com maior governança. Deveríamos estar falando exclusivamente de restauração e estamos falando de coisas desse nível [desmatamento]. É uma reversão total de agenda”, diz Guedes Pinto.

    Os resultados são vistos como surpreendentes e preocupantes. Ao todo, 15 estados apresentam alta de desmatamento —somente 2 tiveram redução.

    Apesar do crescimento generalizado, três estados concentram mais de 80% da destruição registrada. Minas Gerais, líder de desmate, levou ao chão 9.209 hectares de floresta. Em segundo lugar, a Bahia derrubou 4.968 hectares. O Paraná fecha a lista com 3.299 hectares derrubados. Todos eles tiveram aumentos de destruição superiores a 50% em relação ao período anterior. Em Minas, o salto chegou a 96%.

    Até mesmo estados que se aproximavam de desmatamento zero (quando os dados não passam de 100 hectares no ano) apresentaram crescimento na destruição, caso de São Paulo, Sergipe e Rio de Janeiro. O estado fluminense, por exemplo, antes estava abaixo dos 100 hectares, mas agora teve um aumento de 95% na supressão de matas.

    A única explicação para um aumento generalizado como esse, segundo Guedes Pinto, seria uma visão antiambiental que se espalhou pelo país.

    “São praticamente quatro anos de uma cultura de antifloresta, de negacionismo da ciência e de desmonte da política ambiental. E uma expectativa de impunidade, de ataque à legislação ambiental no Congresso e de atos administrativos do governo federal”, afirma o especialista. “Até atacaram a Lei da Mata Atlântica. Não podemos esquecer do despacho do [Ricardo] Salles.”

    Guedes Pinto se refere a um despacho assinado pelo então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em 2020, que acabava por anistiar proprietários rurais que destruíram mata atlântica. Esse documento reconhecia como áreas consolidadas (sem necessidade de recuperação) as APPs (Áreas de Preservação Permanentes, como margens de rios) desmatadas e ocupadas até julho de 2008.

    O despacho, posteriormente revogado por Salles, seguia um parecer da AGU (Advocacia-Geral da União), feito após pressões da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil) e do agronegócio do sul do país.

    “A mata atlântica tem uma lei especial, tem uma governança mais robusta e existe uma segurança jurídica nessas áreas. Não era esperado que a gente chegasse nessa condição. Os resultados mostram que esse contexto institucional nacional acaba contaminando as pessoas e elas tomam a decisão de desrespeitar a lei, de ir para a ilegalidade e abrir novas áreas, infelizmente”, afirma o coordenador do Atlas.

    DESMATAMENTO E AGRONEGÓCIO
    Minas Gerais e Bahia, ambos com áreas grandes contínuas de desmatem, formam uma espécie de bloco de fronteira de derrubada da mata atlântica. Nesses locais, a destruição é ligada ao agronegócio, segundo Guedes Pinto.

    O Paraná é outro com desmate ligado ao agro. Ali, porém, a floresta é comida, aos poucos, com pequenas derrubadas, pelas bordas.

    A dinâmica de desmate continua diferente em outros locais, como São Paulo e Rio de Janeiro, onde as supressões são, costumeiramente, ligadas a pressões urbanas e imobiliárias.

    O coordenador do Atlas alerta que a ideia do relatório não é apontar legalidade ou não de supressões de vegetação. Mas as informações que se têm sobre autorizações para desmatamento no país indicam que o que predomina são desmates ilegais.

    Segundo dados do MapBiomas, mais de 90% dos desmatamentos do bioma têm indícios de ilegalidade.



    Vale ressaltar ainda que o monitoramento é focado em fragmentos maduros de mata, ricos em biodiversidade e biomassa. Portanto, desmatamentos nessas áreas acabam tendo um impacto ainda maior.

    “A gente voltar a ter desmatamentos contínuos nesse patamar de 20 mil hectares é uma tragédia ambiental”, diz Guedes Pinto, que relembra que, segundo a lei da Mata Atlântica, supressões no bioma só podem ser autorizados se forem de interesse público ou com propósito social.

    O bioma chegar a um ano eleitoral com essas taxas de desmate também é algo preocupante, considerando que, em anos de eleição, a derrubada ilegal costuma crescer na mata atlântica.

    Nesses anos, diz o especialista da ONG, o diálogo e a cobrança sobre entes públicos muitas vezes se tornam mais complicados, considerando as mudanças que ocorrem internamente, com pessoas deixando a posição para a disputa de cargos eletivos.

    A destruição da mata também pesa sobre outro ponto que tem crescido nos últimos anos no Brasil: as emissões de gases-estufa. O atlas aponta que o desmatamento registrado na mata atlântica no período 2020-2021 jogou na atmosfera 10,3 milhões de toneladas de CO2 equivalente (medida que soma os gases de efeito estufa).

    O país é parte do Acordo de Paris, que busca reduzir drasticamente as emissões de gases para conter o aumento da temperatura global. O desmatamento e o agronegócio são os principais responsáveis pelas emissões brasileiras.

    O QUE DIZEM AS SECRETARIAS DE MEIO AMBIENTE
    A Folha entrou em contato com as secretarias de meio ambiente dos estados com maiores níveis de desmatamento e com a secretaria de São Paulo.

    Somente a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente ​paulista respondeu até a conclusão da reportagem.

    Em nota, ela afirma que “a metodologia utilizada pela SOS Mata Atlântica não considera áreas licenciadas e com a devida compensação, de acordo com a legislação ambiental vigente, inclusive para obras de interesse público”.

    Segundo o órgão, no relatório anterior da ONG, metade dos hectares de derrubada apontados para o estado tinha licenciamento pela agência ambiental e medidas compensatórias.

    “Vale lembrar que São Paulo continua com um dos menores índices de desmatamento do país e uma área de mata atlântica de 5,4 milhões de hectares”, diz a nota, que ressalta que ainda analisará os dados presentes no relatório.

    A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais afirmou que combate diariamente o desmatamento ilegal. Segundo o órgão, o desmate sem autorização teve redução de 9% em áreas de mata atlântica no estado no período 2020/2021.

    A secretaria mineira aponta que há diferenças entre a metodologia que segue e a do Atlas da Mata Atlântica. Além disso, diz que o SOS Mata Atlântica não considera áreas restauradas.

    “Na avaliação do IEF [Instituto Estadual de Florestas], tais pontos interferem no quantitativo de supressão total da vegetação no período. Minas Gerais é o estado que possui a maior área remanescente de Mata Atlântica do país, com cerca de 12,8 milhões de hectares. Além da fiscalização crescente contra o desmatamento, o Governo de Minas adota ações de prevenção, conservação e restauração do Bioma”, diz a nota enviada à reportagem pela secretaria de Minas Gerais.

    https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2022/05/mata-atlantica-tem-crescimento-historico-de-desmatamento.shtml

    Prof Luciano Mannarino

  • Matopiba: Nova fronteira agro do país lidera em desmate e expulsa moradores.

    Carlos Madeiro

    Colunista do UOL

    13/08/2022 04h00Atualizada em 13/08/2022 19h01

    Apontada como nova fronteira agrícola do país, a região do Matopiba —sigla que envolve o Cerrado dos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia— se tornou o principal motor do desmatamento do país nos últimos anos, devido à expansão do agronegócio. A disputa por terras tem ainda pressionado comunidades tradicionais, expulsando alguns povos da região.

    Com 73 milhões de hectares, o Matopiba responde por aproximadamente 10% da produção de grãos e fibras no país, com destaque para soja, milho e algodão. Em 2021, foi responsável por 23 de cada 100 km² desmatados no país —um recorde para a área.

    Transcerrado, rota de escoamento da produção do Matopiba

    Segundo o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), atualmente essa é a região que mais cresce, em área plantada, em todo o Brasil. A previsão do governo é que chegue a 8,9 milhões de hectares até o final de 2030. Essa expansão do agro está ocorrendo à custa de grande parte da vegetação nativa da região, levando a área a ser hoje o principal vetor de alta do desmatamento no país.

    Segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, do MapBiomas Brasil, quase um quarto (23,6%) do desmatamento no Brasil em 2021 ocorreu no Matopiba: 391 mil hectares desmatados. O número é 14% maior em relação a 2020. Ao analisar somente o Cerrado, vê-se que a área dos quatro estados representa 73% do desmatamento do bioma. “Nessa região, existe uma conversão de áreas para pecuária e agricultura que acontece muito mais rápido do que em outras regiões do país”, diz Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas, citando uma predominância da soja na lavoura.

    Segundo ele, 5,1 milhões de hectares já estão mapeados com pontos de desmatamento no Matopiba. Nem 10% do território tem áreas de conservação ou preservação. “Lá não tem muitas unidades de conservação, é muito carente”, diz.

    Cerrado tem sido a área mais desmatada do país nos últimos dois anos Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Histórico e avanço.

    A região do Matopiba começou a ser explorada pelo agronegócio na década de 1980. Mas foi a partir de 2005 que grandes fazendas de monocultura investiram na região. Segundo Juarez Mota, professor da UFMA (Universidade Federal do Maranhão), o Matopiba tem sofrido um “impacto severo” do agronegócio.

    “A gente se volta muito à Amazônia e esquece que temos outros biomas tão importantes, como o Cerrado”, diz. Ele critica a posição antagônica dos EUA e da Europa sobre o desmatamento nacional. “Eles falam tanto da proteção da Amazônia, mas são os maiores desmatadores por meio de fundo de investimento, principalmente dentro desse eixo”, afirma.

    Ele diz que fundos de investimentos internacionais estão comprando fazendas e colocando ações na Bolsa para investir na área. “A questão ambiental tem sofrido com a forma bastante agressiva do agronegócio. E a supressão da vegetação nativa, segundo estudos, tem relação com o clima e a realização de eventos extremos.

    Antes eles eram raros, e agora estão se tornando cada vez mais normais”, afirma. Um exemplo disso foram as chuvas na Bahia entre o final de 2021 e o início deste ano, consideradas as mais intensas na região sul e sudeste do estado.

    “Quando se faz a supressão da vegetação, o equilíbrio hidrológico é muito afetado. O solo e as águas são muito impactados, e as consequências estão aí, com as tragédias das chuvas.

    ” Vista aérea do município de Balsas, no Maranhão Imagem:

    Povos relatam drama.

    A coluna conversou com líderes nas áreas que têm sofrido pressão e perda de territórios. Muitos, porém, não quiseram expor seus nomes, com medo de represálias. Segundo Renato Krahô, líder do povo Krahô-akaywrá no Tocantins, como a sua comunidade não vive em uma terra demarcada, o povo que vive na aldeia Takaywrá sofre com o avanço do agronegócio. “Isso afeta a nossa vida social e ambiental. Somos coagidos, ameaçados”, relata.

    O problema chamou a atenção ao ser um dos julgados, em julho, no Tribunal Permanente dos Povos, que analisou casos do Cerrado brasileiro. Ao todo, foram 15 julgados (veja aqui quais). Eles lutam pela demarcação de seu território e, assim como os Krahô Kanela vivem em 7.000 hectares, disputando uma outra parte que ainda permanece em posse dos fazendeiros. Renato diz que o modo de vida no local depende da água, seja para tirar o sustento, navegar ou para consumo humano e animal.

    “Hoje somos privados de navegar por causa das barragens que estão sendo construídas para uso particular das fazendas”, afirma. Outro ponto citado é a poluição das águas. “Os peixes estão contaminados, além de muitas espécies já estarem em extinção, devido ao uso excessivo de agrotóxicos. Nem a água que a gente bebeu por séculos é mais confiável”, reclama.

    Matopiba tem sua área dividida assim:

    Tocantins – 37,95%

    Maranhão – 32,77%

    Bahia – 18,06%

    Piauí – 11,21%

    Ao todo, são 337 municípios e 73,1 milhões de hectares (51% da área dos quatro estados)

    Até 2021 existiam na área:

    324 mil estabelecimentos agrícolas

    46 unidades de conservação 35 terras indígenas

    36 quilombolas

    1.053 assentamentos de reforma agrária

    Fonte: Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária)

    Para Martin Mayr, coordenador da ONG Agência 10envolvimento e diácono da Diocese de Barreiras, o que as comunidades defendem é a regularização fundiária, por meio de processos como reconhecimento de territórios de indígenas e quilombolas.

    “Estamos falando de áreas que pertencem ao Estado, mas que foram griladas. São as comunidades tradicionais que arcaram com o ônus disso porque eles tinham a sua posse lá antes da chegada desses negócios.”

    Martin Mayr, coordenador de ONG

    O conflito de propriedade e posse tem ido parar muitas vezes na Justiça. Para ele, o Judiciário tem “costume de privilegiar os grileiros”. “Temos muitas vezes casos em que esses povos perderam suas terras: 50%, 60%, 70% de seus territórios. Alguns perderam tudo no oeste baiano. Isso não ocorria antes. Até os anos 1970, havia terra para todos”, lamenta.

    Para Amanda Silva, assessora da Agência 10envolvimento e integrante do Cáritas Regional Nordeste 3, com o avanço do agronegócio e o poder de seu dinheiro, as comunidades tradicionais —como indígenas, ribeirinhas e quilombolas— acabaram se envolvendo em conflitos por terra e por água.

    “Essas comunidades habitam esse Cerrado há muitas gerações, mas a expansão dessa agricultura de larga escala —que necessita de grandes áreas desmatadas— foi usurpando seus territórios e pressionando-as a utilizarem apenas os vales”, diz.

    Ela cita que ainda existe o uso da violência para expulsar moradores. “Em qualquer imagem de satélite, você perceberá que os chapadões, que eram áreas de solta para o gado, hoje praticamente estão ocupados pelo agro”, afirma.

    “As comunidades têm tentado resistir, mas existe um grande custo. Percebe-se um índice considerável de pessoas deprimidas, o êxodo de jovens das comunidades, a presença de agrotóxicos e a inviabilização de seus modos de vida tradicionais.”

    Amanda Silva, assessora.

    https://notícias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/2022/08/13/avanco-agro-no-matopiba-expulsa-povos-e-responde-por-23-do-desmate-no-pais.htm

    Prof Luciano Mannarino

    Domínio do Cerrado

  • Trens maiores tiram quase 800 composições do principal corredor ferroviário do país

    Trens maiores tiram quase 800 composições do principal corredor ferroviário do país

    EM13CHS302

    Analisar e avaliar criticamente os impactos econômicos e socioambientais de cadeias produtivas ligadas à exploração de recursos naturais e às atividades agropecuárias em diferentes ambientes e escalas de análise, considerando o modo de vida das populações locais – entre elas as indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais -, suas práticas agroextrativistas e o compromisso com a sustentabilidade.

    Concessionária Rumo completa um ano da operação de trens com 120 vagões entre Rondonópolis (MT) e o porto de Santos

    6.mai.2022 às 7h34

    Marcelo Toledo

    A implantação de trens com mais vagões no principal corredor do agronegócio no país, entre Rondonópolis (MT) e o porto de Santos, fez com que cerca de 800 viagens deixassem de ser feitas somente em 2021.

    O sistema de trens com 120 vagões foi implantado pela concessionária Rumo em março do ano passado, com o objetivo de reduzir custos e, ao mesmo tempo, transportar mais carga até o porto no litoral paulista. Até então, eram utilizadas somente composições com 80 vagões.

    Trem da concessionária Rumo, com 120 vagões, trafega no principal corredor do agronegócio, que liga Rondonópolis (MT) ao Porto de Santos
    Trem da concessionária Rumo, com 120 vagões, trafega no principal corredor do agronegócio, que liga Rondonópolis (MT) ao Porto de Santos – Divulgação

    Para isso, o plano iniciado em 2018 envolveu mapeamento da tecnologia nas locomotivas, como é o carregamento em Rondonópolis, o tempo que leva para embarcar toda a carga, como seria trafegar por todas as cidades paulistas e a chegada a Santos.

    Um dos problemas é que a malha paulista é muito recortada. Criada principalmente entre o fim do século 19 e as primeiras décadas do século passado, ela tem curvas irregulares e traçado que dificulta a operação de grandes composições. O percurso era o ideal para o período por buscar café nas fazendas, já que não havia outro meio de transporte de carga.

    A proposta inicial da Rumo era utilizar cinco locomotivas para tracionar os 120 vagões, mas após estudos no decorrer de 2021 concluiu-se que era possível fazer a rota entre a cidade mato-grossense e Santos com quatro locomotivas.

    “Esse fator e mais o auxílio das tecnologias embarcadas de condução semiautônoma permitem um ciclo mais eficiente para atender as principais regiões produtoras do país”, diz a concessionária.

    A medida reduziu a emissão de gases e fez, também, com que o comprimento de cada trem passasse de 1,5 quilômetro para 2,2 quilômetros.

    Americana fica na linha tronco da concessão, o chamado corredor de exportações
    Americana fica na linha tronco da concessão, o chamado corredor de exportações Rafael Hupsel/FolhapressMAIS

    De acordo com a concessionária, se mantivesse em 2022 as operações no formato antigo, seriam necessárias mais de 40 locomotivas e 1.445 vagões para cumprir o mesmo ciclo que agora é feito com 120 vagões.

    Foram realizadas no ano passado 1.585 viagens com os 120 vagões, ante as 2.377 que teriam de ocorrer para levar a mesma carga caso a rota fosse percorrida com trens menores. A redução é de 792 viagens.

    Gerente executivo de planejamento da Rumo, Thiago Alvarenga disse que a operação já trouxe “ganhos operacionais expressivos” e que a perspectiva é melhor para este ano. A fase de testes indicou que, a cada cem viagens com o trem maior, o ganho de combustível era equivalente a quatro trens.

    Trecho em obras na BR-163, no Pará, que liga estados da região Centro-Oeste a portos no norte do país
    Trecho em obras na BR-163, no Pará, que liga estados da região Centro-Oeste a portos no norte do país DivulgaçãoMAIS 

    O agronegócio tem impulsionado o novo modelo de viagens da Rumo. O Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) estima que a área plantada com soja crescerá 2,55% na próxima safra em relação à anterior, atingindo 11,13 milhões de hectares.

    “A ampliação inicial está pautada pela valorização do preço da oleaginosa, demanda aquecida e o cenário de preços favoráveis dos subprodutos da soja, o que motivou alguns produtores a fazerem a conversão de áreas de pastagens para agricultura, principalmente em regiões onde a pecuária predomina —nordeste, noroeste e norte”, diz relatório do instituto.

    Dos 6,5 trens por dia, em média, que a Rumo embarca rumo a Santos, cinco saem do terminal em Rondonópolis, com 74 mil toneladas diárias.

    A forte demanda chegou a fazer com que, em um único dia, fossem embarcados 11 trens, 7 deles partindo de Rondonópolis.

    Um trem desse tamanho não é inédito no país, já que há outras ferrovias que transportam minério, por exemplo, com composições que chegam a ter 300 vagões. Em outras, porém, não é possível trafegar com mais de 40 vagões.

    Isso é determinado conforme a modernidade da ferrovia e a existência ou não de trechos de serra ou raios de curvatura menores, por exemplo.

    A Rumo passou a operar com trens de 120 vagões no segundo semestre do ano passado também a partir dos terminais de São Simão e Rio Verde, ambos em Goiás.

    Com a alteração no tamanho dos trens, a capacidade de cada um passou da equivalência de 173 caminhões para 261 caminhões.

    https://www1.folha.uol.com.br/blogs/sobre-trilhos/2022/05/trens-maiores-tiram-quase-800-composicoes-do-principal-corredor-ferroviario-do-pais.shtml

    Questões.

    1 Explique a criação da malhar ferroviária no interior paulista no final do Século XIX.

    Prof Luciano Mannarino