Categoria: CRÔNICAS

Textos produzidos

  • O encontro!

    O encontro!

    “O Encontro Invisível”

    Às vezes, vemos um carro passar.
    Rápido, apressado, como tantos outros que cruzam nosso caminho.
    No mesmo instante, um passarinho pousa no telhado de uma casa.
    Leve, quase imperceptível.

    Duas presenças tão diferentes…
    Mas, por um breve segundo, compartilham o mesmo espaço do mundo.
    E esse encontro, silencioso e improvável, poderia passar despercebido.

    Poderia.

    Mas existe quem veja.
    Quem perceba a dança sutil entre o que se move veloz e o que repousa em silêncio.
    E, ao perceber, transforma aquilo em metáfora.

    É esse olhar que dá sentido ao instante.
    É essa consciência que une o carro e o pássaro —
    como se já estivessem se procurando há muito tempo.

    Essa é a dádiva de quem habita o momento.
    De quem não está hipnotizado por uma tela,
    mas atento ao mundo que pulsa ao redor.

    Porque o mundo revela sua poesia o tempo todo.
    Mas só se mostra por inteiro a quem está… presente.
    A quem tem olhos que ligam os pontos.
    E coração para dar significado ao que parecia apenas mais um segundo qualquer.

    Prof Luciano Mannarino e A.I

  • Um idiota!!!

    Um idiota!!!

    Um Idiota!

    — Quando eu chegar, vejo isso, mas você é um idiota mesmo! Droga…

    Foi o que meu tio disse ao telefone quando contei que seu passarinho havia fugido. E, por um momento, achei que ele tinha razão.

    Minha única tarefa era ridiculamente simples: limpar a gaiola, trocar a água, repor o alpiste. Só isso. Mas, de alguma forma, deixei a portinha aberta por um instante e ele escapou.

    Deixei a gaiola encostada num canto e fui fazer outra coisa, tentando ignorar o problema. Agora, além da bronca ao telefone, eu teria que encarar meu tio pessoalmente, e já imaginava o sermão.

    Mas no fim da tarde, aconteceu algo inacreditável: o passarinho voltou. Ele entrou sozinho na gaiola.

    Sem hesitar, fechei a portinha o mais rápido possível.

    Quando meu tio chegou, viu a cena, me olhou e disse apenas para eu “tomar mais cuidado”. Como se nada tivesse acontecido.

    O passarinho viveu mais quatro anos e morreu de velhice na gaiola.

    Por muito tempo, achei que ele era um idiota. Teve a chance de ser livre e voltou para a prisão.

    Foi só depois que ele morreu que vi um velho que deixava a gaiola aberta, e sua ave saía, voava até uma árvore próxima, ficava ali por horas… e depois voltava sozinha. Sempre.

    — Como isso é possível? — perguntei, tentando entender.

    O velho sorriu e disse:

    — Confiança, meu filho. Se ele volta uma vez, volta sempre.

    O passarinho do meu tio não foi um idiota.

    Eu podia ter dado a ele o direito de ir e vir, mas fechei a portinha assim que tive a chance.

    Meu tio tinha razão.

    Prof Luciano Mannarino


  • A neta, a avó e a escada.

    A neta, a avó e a escada.

    A neta, com seus catorze anos e olhos curiosos, sentava-se ao lado da avó, uma senhora de cabelos brancos e um olhar que misturava serenidade e sabedoria. Ao redor delas, os amigos conversavam animadamente, como sempre acontecia nas noites quentes das férias.

    A escada era um palco onde cada um interpretava seu papel. Dona Maria fazia piadas que arrancavam risadas; seu José recontava histórias dos velhos tempos, com aquela entonação dramática que todos já conheciam. Mas, aos poucos, a cena ia se esvaziando. As vozes diminuíam, os risos se dissipavam, e a noite avançava.

    Enquanto todos partiam, a avó permanecia. Firme, tranquila, sem pressa. Quando o último amigo se despedia, ela suspirava levemente, como quem já conhecia aquele ciclo.

    — Vó, por que a senhora é sempre a última a sair? — perguntou a neta, intrigada.

    A avó sorriu, como se já esperasse essa pergunta.

    — Porque, minha menina, quando alguém vai embora, o assunto passa a ser ele. Mas quem fica por último… não dá margem para falarem.

    A neta refletiu por um instante.

    — Então a senhora fica para se proteger?

    A avó não respondeu. Apenas a envolveu num abraço demorado.

    Prof Luciano Mannarino

  • Confissão!!!

    Confissão!!!

    – Moça, a senhora é mãe desse garoto?

    – Sim, é o meu filho Matheus…por quê???

    – E que nós estamos brincando e ele me bateu. Minha mãe disse que se isso acontece eu devo reclamar com os pais do meu amiguinho.

    – Mathes, o que é isso??? Você quer ficar de castigo?

    – Mas mãe, ele me bateu 2 vezes…

    – Opa! Pera lá. Eu só bati uma vez em você!!!!

    Luciano Mannarino.

  • Non pessiore Dio…

    Non pessiore Dio…

    La bisnonna Maria Tereza arrivò in Brasile intorno agli anni ’50.
    Reclusa e sempre vestita di nero, non parlava una parola di portoghese.
    Mia nonna le fece un angolo in casa e lì visse.

    Ogni pomeriggio, verso le 18, si ritirava e pregava in ginocchio con fede assoluta sotto gli occhi dei nipoti che ammiravano il suo impegno per Dio

    .- Non peggiorare Dio, lascialo così com’è, non peggiorare…

    Nelle sue preghiere c’era una persona che chiedeva che le cose non peggiorassero.

    Non volevo più soffrire!

    Poco dopo si alzò con grande difficoltà e si sedette vicino alla finestra per guardare il tramonto.

    Maria Tereza aveva finalmente trovato la pace dopo aver vissuto due guerre mondiali.

    Ho realizzato questo testo in portoghese e l’ho tradotto in italiano utilizzando il traduttore di Google.
    Non parlo italiano però mi sento molto orgoglioso delle mie origini.

    Luciano Mannarino