Um idiota!!!

Um Idiota!

— Quando eu chegar, vejo isso, mas você é um idiota mesmo! Droga…

Foi o que meu tio disse ao telefone quando contei que seu passarinho havia fugido. E, por um momento, achei que ele tinha razão.

Minha única tarefa era ridiculamente simples: limpar a gaiola, trocar a água, repor o alpiste. Só isso. Mas, de alguma forma, deixei a portinha aberta por um instante e ele escapou.

Deixei a gaiola encostada num canto e fui fazer outra coisa, tentando ignorar o problema. Agora, além da bronca ao telefone, eu teria que encarar meu tio pessoalmente, e já imaginava o sermão.

Mas no fim da tarde, aconteceu algo inacreditável: o passarinho voltou. Ele entrou sozinho na gaiola.

Sem hesitar, fechei a portinha o mais rápido possível.

Quando meu tio chegou, viu a cena, me olhou e disse apenas para eu “tomar mais cuidado”. Como se nada tivesse acontecido.

O passarinho viveu mais quatro anos e morreu de velhice na gaiola.

Por muito tempo, achei que ele era um idiota. Teve a chance de ser livre e voltou para a prisão.

Foi só depois que ele morreu que vi um velho que deixava a gaiola aberta, e sua ave saía, voava até uma árvore próxima, ficava ali por horas… e depois voltava sozinha. Sempre.

— Como isso é possível? — perguntei, tentando entender.

O velho sorriu e disse:

— Confiança, meu filho. Se ele volta uma vez, volta sempre.

O passarinho do meu tio não foi um idiota.

Eu podia ter dado a ele o direito de ir e vir, mas fechei a portinha assim que tive a chance.

Meu tio tinha razão.

Prof Luciano Mannarino


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