Categoria: CRÔNICAS

Textos produzidos

  • A proof of love

    A proof of love

    I had a very limited childhood. My father made his living as a shoeshine man. There was a bank at Av. Pres. Vargas (Rio de Janeiro) and that‘s where he earned the sustenance of our family. We did not have a refrigerator and no television (even if in the decades of 1960 and 1970 it was not very common the presence of the two in a house). We slept around 20:00 hours without much to do. However, we had an electric shower! Yes, an old and noisy shower that always presented defects, but it never stopped working, because my father, as a Swiss watchmaker, had a tremendous patience to fix it. I remember one day you came home from work and stayed up to high hours about a pile of pieces to look for the defect. I never understood it after all, there were so many shortcomings. This obsession of my father, in relation to the electric shower, is one of the remarkable memories that I have of my childhood.
    Well, not long ago, talking to my mother about our past, the explanation came.

    – We really didn’t have anything. They were good times even with all those limitations.-

    Mama, I don’t remember you complaining about the life we had

    Well, he never missed the only comfort I asked when we got married.
    – which?
    – An electric shower. He always knew I hated taking a cold bath!
    (Sorry, I have a hard time writing in English. I used the Microsoft Word translator. I hope the tool can translate what I intend to say. Hugs)
    Luciano Mannarino.
  • A promessa!!!

    A promessa!!!

    Tive uma infância muito limitada. Meu pai ganhava a vida como engraxate. Tinha uma banca na Av. Pres. Vargas (Rio de Janeiro) e era lá que ele ganhava o sustento da nossa família. Não tínhamos geladeira e nem televisão (se bem que nas décadas de 1960 e 1970 não era muito comum a presença desses dois eletrodomésticos numa casa). Dormíamos por volta das 20:00 horas sem muito o que fazer. No entanto, tínhamos um chuveiro elétrico!

    Sim, um chuveiro velhinho e barulhento que sempre apresentava defeitos, mas nunca deixou de funcionar, pois meu pai, como um relojoeiro suíço, tinha uma enorme paciência para consertá-lo. Me lembro um dia que chegou do trabalho e ficou até altas horas sobre um amontoado de peças para procurar o defeito. Eu nunca entendia aquilo, afinal eram tantas carências. Essa obsessão do meu pai, em relação ao chuveiro elétrico, é uma das lembranças marcantes que eu tenho da minha infância.

    Bom, há pouco tempo conversando com minha mãe sobre esse nosso passado.

    – É realmente não tínhamos nada. Eram bons tempos mesmo com todas aquelas limitações.

    – É verdade, a Senhora nunca reclamou da vida que tínhamos.

    – Bom, seu pai nunca deixou faltar o único conforto que pedi quando nos casamos.

    – Qual?

    – Ter água quente no chuveiro. Ele sempre soube que eu odiava tomar banho frio!

    Luciano Mannarino.

    #geoverdade

  • Arcos Íris.

    Arcos Íris.

    Arco-Íris

    — Vejam uma das mais belas ilusões óticas da natureza: um arco-íris. Ele está lá, mas só podemos enxergá-lo de uma determinada perspectiva. Ele existe e não existe ao mesmo tempo.

    A professora de ciências abriu as janelas da sala, deixando o cheiro da chuva entrar. As gotas ainda escorriam pelo vidro, e o ar abafado contrastava com a brisa fria que vinha de fora.

      — A perspectiva é essencial para contemplar esse fenômeno — continuou ela. — Assim como muitas coisas na vida, só o vemos quando estamos na posição certa.

    Essa ideia me acompanhou durante todo o caminho de volta para casa.

    “Quantas coisas maravilhosas existem ao nosso redor sem que as percebamos? 

    A chuva voltou a cair quando cheguei em casa estava completamente ensopado.

    — Você vai acabar pegando um resfriado! Fique aqui, vou pegar uma toalha para te secar. O lanche está na mesa.

    Minha mãe sempre teve sete cores.

    (parte do livro que estou escrevendo “memórias do lugar”)

    Prof Luciano Mannarino

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  • O último jogo…

    O último jogo…

    A parte da rua onde as partidas eram realizadas com seus buracos no chão, calçadas irregulares, paralelepípedos, postes, pessoas e carros que passam etc., torna o futebol um jogo peculiar – quem já esteve de cara para o gol e foi obrigado parar a bola para uma kombi passar sabe o que estou falando.

    É nesse pequeno universo que sentimentos e aptidões são desenvolvidos e exercitados. A rivalidade, a solidariedade, o oportunismo, a superação, o esforço, a vitória, a derrota, enfim turbilhões de emoções que cada jogo oferece – Acredito que seja possível conhecer muito sobre nós mesmos e sobre as pessoas durante um simples jogo de futebol. 

    É uma escola, no entanto, no meu caso, teve um fim melancólico. É que no final da rua onde vivi começaram a construir um condomínio de seis prédios com dez andares cada um. Sabíamos que isso poderia afetar nossas partidas, porém continuávamos a jogar mesmo com passagem constante de caminhões.

    Mas na semana seguinte, após a entrega das chaves dos apartamentos, tudo mudou. O quarto automóvel que passou, com alguns minutos de jogo, descortinou o obvio: Havíamos perdido nosso “campo” de futebol. Ficou inviável.

    Olhamos uns para os outros e resignados, sem dizer uma palavra, cada um foi para sua casa e nunca mais voltamos a jogar na rua. Fiquei sozinho com a bola sobre meu pé refletindo sobre a perda do meu laboratório de sentimentos até que uma buzina e uma bronca interromperam minha melancolia.

    “Sai da rua seu maluco! Quer morrer???”

    (memórias do lugar)

    Professor Luciano Mannarino

    Pensamentos

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  • O helicóptero, o governador e os alunos…

    O helicóptero, o governador e os alunos…

    Era uma manhã fria de inverno quando três viaturas da PM e uma Van entraram no pátio da ETEAB (Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch) provocando um certo espanto em todos os alunos, funcionários e professores.

    Um oficial saiu de uma das viaturas e rumou prontamente para a andar da direção. Alguns minutos depois todos ficamos sabendo que o governador do Estado do Rio de Janeiro usaria o campo de futebol do para pousar seu helicóptero, pois inauguraria um curso de capacitação na comunidade da Mangueira que fica bem próxima.

    Isso despertou a fúria do grêmio estudantil que há tempos reclamava das condições da unidade junto a SECTI (Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia) e nunca foram ouvidos. Acharam isso uma afronta.

    Após uma breve reunião, os alunos decidiram que iriam cercar a aeronave para bloquear o acesso do governador e só liberar depois de todas as reivindicações ouvidas e estavam dispostos a enfrentar a PM se fosse o caso. Alguns colegas professores tentaram ponderar, mas eles estavam decididos e só restou acompanhar o desenlace numa das janelas.

    As 9:00 em ponto, apontou no horizonte o tal helicóptero que, após algumas manobras de aproximação, posou suavemente no campo. Quando as hélices davam as últimas voltas a aeronave foi cercada por dezenas alunos diante de atônitos policiais militares. O impasse estava armado.

    Foram vários minutos até que um ajudante de ordem do governador saiu para falar com diretor do grêmio. Uma breve conversa e ele voltou para o aparelho e mais alguns minutos se passaram até que finalmente o governador apareceu e, com um largo sorriso, acenou e caminhou em direção aos alunos.

    Foi logo cercado, e após gestos, falas, todos os alunos comemoraram, o abraçaram e fizeram questão de escoltá-lo até um furgão que o esperava.

    Foi uma rápida inauguração, o governador voltou e antes de entrar no helicóptero, mais acenos que foram respondidos com uma calorosa salva de palmas. O aparelho levantou voo e desapareceu no horizonte.

    Achei tudo aquilo muito estranho, dado aos ânimos exaltados e assim que pude fui até o grêmio para saber sobre o encontro.

    – Afinal, o que aconteceu lá embaixo?

    Perguntei…

    – Professor, na realidade o governador fez o pouso de maneira intencional, ele queria saber das reais necessidades dos alunos junto a Secretária. Foi uma decisão dele. Queria falar com a gente diretamente. Nos ouviu e exigiu uma relação de todas as carências e necessidades. Entregamos uma lista suas mãos quando ele voltou da inauguração.  Ele foi super atencioso!

    Os meses se passaram e nenhuma das propostas foram atendidas.

    O político só queria usar o campo de futebol como heliporto.

    Prof Luciano Mannarino