Estudo do IBGE coloca Campinas, Florianópolis e Vitória como novas metrópoles do país
Marcelo Toledo
RIBEIRÃO PRETO
Após o IBGE publicar um estudo que aponta novas metrópoles no país, prefeituras das cidades com a nova classificação já esperam aumento de investimentos em setores como saneamento, além de avanço tecnológico e até mesmo a descentralização da Justiça.
O país ganhou três novas metrópoles e viu outras 32 cidades receberem o título de capitais regionais em 12 estados, segundo o estudo Regic (Regiões de Influência das Cidades), feito pelo IBGE e que mostrou o avanço na rede urbana brasileira entre 2008 e 2018.
As novas metrópoles são Campinas (primeira não capital a entrar na lista), Florianópolis e Vitória. Elas se somam a São Paulo, que ocupa o topo da hierarquia como grande metrópole nacional, Rio e Brasília (consideradas metrópoles nacionais), Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Manaus, Belém, Fortaleza, Recife e Goiânia.
Coordenador da pesquisa, o geógrafo Marcelo Mota diz que o estudo é importante para a definição de políticas de acesso a serviços públicos e para o setor privado planejar, por exemplo, a localização de filiais de empresas ou a regionalização de vendas conforme as zonas de influência de cada cidade.
“A realidade evoluiu e o IBGE captou isso. Metrópole é uma cidade que tem capacidade de articulação muito grande no território. Todas as atividades de empresas, órgãos públicos, ONGs, indivíduos, associações, enfim, toda a constelação de entes que existe numa cidade e tem ligação de longa distância com outras.”
Complexo Intermodal de Rondonópolis, que liga o terminal de Alto Araguaia a Rondonópolis, principal corredor exportador de grãos do país – Sirlei Alves/Divulgação
Foram analisadas gestão do território, comércio e serviços, instituições financeiras, ensino superior, saúde, informação, cultura e esporte, transporte, atividades agropecuárias e ligações internacionais para se chegar ao resultado.
Campinas foi alçada à condição devido ao seu dinamismo empresarial e ao porte demográfico, por influenciar uma rede com mais de 4 milhões de habitantes.
A classificação como metrópole fará com que a prefeitura envie ao TJ (Tribunal de Justiça) um pedido para ser instalado na cidade um braço do tribunal de segunda instância. “Só temos segunda instância em São Paulo. Seria natural essa descentralização e seria natural começar por Campinas”, afirmou o prefeito Jonas Donizette (PSB).
Para ele, a cidade pode se beneficiar também com programas de habitação e saneamento da União que começam pelas metrópoles.
Já em Florianópolis, a prefeitura espera novas oportunidades de investimentos, especialmente na área tecnológica, que em 2019 obteve arrecadação de ISS (Imposto Sobre Serviços) superior a do turismo pela primeira vez.
O secretário de Turismo, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, Juliano Richter Pires, diz que a vocação foi extrapolada pela pandemia, que atraiu paulistas e habitantes de centros maiores para a capital catarinense.
“O home office mostrou que é possível associar qualidade de vida com qualidade profissional e temos um aeroporto entre os melhores do país. É muito fácil trazer a família para morar aqui e vez ou outra ir a São Paulo para o que for preciso.”
Líder no ranking, São Paulo tem uma rede de influência que concentrava 49 milhões de habitantes em 2018 e mais de R$ 2 trilhões anuais de PIB, o equivalente a 23,6% da população e 33,3% da renda total do país, conforme o estudo do IBGE. Sua influência ultrapassa o próprio estado e atinge Mato Grosso do Sul, norte do Paraná, sul de Minas Gerais e do Triângulo Mineiro –onde divide influência com Belo Horizonte.
Das 15 metrópoles, 5 estão no Sudeste. Para elas convergem 97 capitais regionais, 352 centros sub-regionais, 398 centros de zona e 4.037 centros locais — estes últimos, mais numerosos no Nordeste.
As capitais regionais são definidas como centros urbanos que têm alta concentração de atividades de gestão, mas com alcance menor que as metrópoles.
O estudo mostrou avanço de Mato Grosso nesse ponto. O estado só tinha Cuiabá como capital regional e agora passou a ter também Rondonópolis e Sinop.
Em Goiás, Anápolis também subiu para essa categoria, assim como Cacoal e Ji-Paraná, em Rondônia. Em comum, são ligadas ao agronegócio.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso, César Miranda, disse que o estudo consolida Rondonópolis como a mais importante cidade do interior do estado, e vê na soja e no gado bovino os principais pontos a gerar o avanço.
Por ali passa boa parte da produção de soja do Centro-Oeste, escoada pelo terminal ferroviário, mas isso não é suficiente para o prefeito José Carlos Junqueira de Araújo (SD), que queria mais industrialização. “As commodities não são interessantes para nós. O correto é agregar valor à produção, é industrializar.”
E levantaoutra questão: “A estrutura que tenho talvez seja maior que muitas cidades grandes de São Paulo, pois tenho de cuidar das pessoas 220 quilômetros distante da capital. Se a cidade não tivesse a estrutura que tem, como socorreria a região? É necessidade”.
De maneira geral, as cidades progrediram ou se mantiveram estacionadas na classificação, mas 3% dos municípios foram rebaixados. É o caso de Campina Grande (PB), que segue como capital regional, mas agora caiu da classificação B para C.
“Muitos municípios que buscavam serviços em Campina Grande passaram a ter Patos como referência. Com isso, ela perdeu área de influência”, disse o geógrafo.
O promotor Luiz Alberto Meirelles Szikora, da cidade de Votorantim (SP), divulgou hoje uma nota de esclarecimento para pedir explicações sobre o funcionamento de um shopping center localizado na divisa do município com a vizinha Sorocaba. Como as duas cidades estão em fases diferentes de flexibilização das medidas de isolamento contra a pandemia do novo coronavírus, o estabelecimento reabriu apenas parcialmente no início da semana: as lojas do lado de Sorocababa.
Como as duas cidades estão em fases diferentes de flexibilização das medidas de isolamento contra a pandemia do novo coronavírus, o estabelecimento reabriu apenas parcialmente no início da semana: as lojas do lado de Sorocaba estão fechadas, enquanto as lojas em Votorantim foram abertas.
Na nota, divulgada pelo Ministério Público de São Paulo, o promotor classificou a situação como “absurda e icônica”, “por retratar a absoluta incongruência entre as posturas adotadas, atualmente, pelos municípios de Votorantim e de Sorocaba, em relação às medidas de isolamento e de distanciamento social (…)”. “Vale lembrar que os dois municípios formam um grande maciço urbanizado (conurbação), de modo que, em muitos locais, basta atravessar uma rua ou uma avenida ou seguir por mais alguns metros numa via pública, para sair do território de um município e adentrar no território de outro”, acrescenta o texto.
Na nota, a Promotoria de Justiça de Votorantim pede “uma solução única, que abranja todos os estabelecimentos situados no território do município de Votorantim, para resolver a divergência de posturas adotadas, atualmente, entre os referidos municípios, em relação às medidas de isolamento e de distanciamento social”.
Segundo o texto, as medidas devem ser compatíveis e uniformes nas duas cidades. Ainda no documento, o promotor anunciou ter enviado um ofício ontem à Prefeitura de Votorantim para pedir informações. A partir daí, deverá determinar providências cabíveis, “especialmente se o Município de Votorantim continuar a adotar medidas menos rígidas de isolamento e de distanciamento social.
Conceito de Conurbação (4 pontos) a) O texto menciona que Votorantim e Sorocaba formam um “grande maciço urbanizado (conurbação)”. Explique o que significa o conceito de conurbação e como ele se aplica à relação entre essas duas cidades. (2 pontos)
b) Como a conurbação entre Votorantim e Sorocaba pode impactar a aplicação de políticas públicas, como as medidas de isolamento social? (2 pontos)
Relação com Metrópoles (3 pontos) a) Considerando que a conurbação ocorre quando áreas urbanas de diferentes municípios se fundem, como a situação descrita no texto pode influenciar a dinâmica de uma região metropolitana? (1,5 pontos)
b) Discuta a importância de uma gestão integrada entre municípios conurbados dentro de uma metrópole para enfrentar desafios como a pandemia de COVID-19. (1,5 pontos)
Implicações Urbanas e Sociais (3 pontos) a) O promotor menciona a “absoluta incongruência” entre as medidas adotadas por Votorantim e Sorocaba. Como a falta de uniformidade nas políticas de isolamento social pode afetar as populações que vivem em áreas conurbadas? (2 pontos)
b) Em uma região conurbada, quais seriam as vantagens de tratar os municípios como uma única entidade metropolitana para o planejamento urbano? (1 ponto)
Análise da Folha indica mudança no clima paulistano, que esquentou quase 3ºC desde 1960.
SÃO PAULO
O clima em São Paulo sofreu profundas mudanças nos últimos 60 anos: chuvas intensas estão mais comuns, mas longos períodos secos também aparecem mais, e a temperatura está quase 3ºC mais alta hoje (dependendo da forma de medição).
Os dados, coletados pela Folha no Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), e pesquisadores indicam que a cidade enfrentará cada vez mais desafios na saúde pública, com mais mortes relacionadas a doenças cardíacas, por exemplo, que são mais comuns nas ondas de calor. E sofrerá cada vez mais problemas de infraestrutura, com mais alagamentos em alguns períodos e falta d’água em outros.
A chuva é um dos grandes exemplos da mudança no clima em São Paulo no período. Até 1980, a cidade havia enfrentado apenas um evento com mais de 100 mm em um dia. Na década de 2010, foram seis.
O grande alagamento deste ano em São Paulo
Patamar próximo a esse foi o que a capital paulista enfrentou no começo de fevereiro, quando os 114 mm foram suficientes para alagar trechos das marginais, ilhar moradores e suspender aulas e o serviço público.
Por outro lado, os períodos sem chuva estão cada vez maiores. A década de 1960 começou com período de até 15 dias sem precipitação em alguns anos. Nesta década mais recente, já se chegou a 51 dias secos, em 2012.
Após sequência de estiagens, a cidade sofreu com a crise hídrica de 2014, quando reservatórios chegaram a operar com 10% da capacidade, levando a racionamentos.
Os dados do Inmet, que vão de 1961 a 2019 e são coletadas na zona norte, mostram também mudança no padrão de temperatura.
Há diferentes formas de se avaliar essa variação. Considerando a diferença ano a ano, o acumulado desses 58 anos aponta para uma temperatura média 2ºC superior agora em relação ao período inicial (subindo da casa dos 20ºC para 22ºC).
Se analisada a variação das temperaturas mínimas, o aquecimento é ainda maior (quase 3ºC a mais, saindo da casa dos 8ºC para 11ºC).
Visto de outra forma, as temperaturas mínimas da década de 2010 estão 2,3ºC maiores do que de 1960, considerando as medianas (medida que identifica qual a temperatura é a que divide em dois o grupo analisado).
Como as mudanças no regime de chuvas e nas temperaturas têm sido constantes ao longo das décadas, climatologistas dizem que a situação atual deverá ser o novo padrão da cidade para os próximos anos. E as projeções apontam para presença ainda maior de eventos extremos nas próximas décadas.
“A situação exige melhoria significativa em ações para redução de desastres na região metropolitana”, escreveram o climatologista José Marengo e outros pesquisadores brasileiros em trabalho acadêmico publicado na revista da Academia de Ciências de Nova York, no começo deste ano.
A pesquisa enfocou o padrão de chuvas na região —a reportagem se inspirou nessa metodologia para a análise, acrescentando dados mais recentes.
Os cientistas destacam que as mudanças podem estar relacionadas à variação natural do clima, mas também podem ser fruto do aquecimento global e da urbanização da região.
“O aumento das temperaturas é um processo natural, que pode ser acelerado pela ação humana, com urbanização, queima de combustível fóssil e desmatamento”, disse à reportagem o cientista Marengo, do Cemaden (centro nacional de monitoramento de desastres naturais). “O que não foi estabelecido é saber qual porcentagem é natural e qual é humana.”
Estúdio do fotógrafo Bob Wolfenson em SP é atingido por enchente
Mesmo que a causa das mudanças no clima da cidade ainda não esteja totalmente definida, já há pesquisas sobre o impacto na saúde da população decorrente das temperaturas mais altas e pelo novo padrão de chuvas.
A população idosa parece ser mais sensível ao aumento do calor. Uma das razões é que o corpo nessa idade tem mais dificuldade para se adaptar à mudança de temperatura. E também tarda mais para perceber o aumento do calor, demorando também para se hidratar.
As pesquisas mostram que aumento da temperatura está relacionado a mais casos de mortes decorrentes de doenças cardiovasculares e respiratórias.
Em pesquisa feita no IAG-USP (instituto de ciências atmosféricas), o meteorologista Rafael Batista avaliou o impacto de altas temperaturas nos óbitos de idosos.
O trabalho verificou que houve mais mortes do que o esperado em fevereiro de 2014 na região metropolitana de São Paulo, quando ocorreu forte onda de calor (26 dias consecutivos com máximas acima dos 30ºC).
Outro impacto do aumento do calor é a elevação do consumo de água, aponta o professor da Faculdade de Saúde Pública da USP Leandro Giatti.
E a situação pode se agravar porque o novo padrão de chuvas, com pancadas cada vez mais fortes, alternadas com períodos secos mais longos, não é o ideal para se acumular águas nos reservatórios.
Recuperação do Cantareira em 2016
Imagem da represa Jaguari-Jacareí, a maior do sistema CantareiraFabio Braga/Folhapres
Nas chuvas intensas, a água passa muito rapidamente pelo solo, não sendo absorvida para os aquíferos, além de levar sujeira e sedimentos para os reservatórios.
O aumento das chuvas intensas, e consequentes alagamentos, pode contribuir ainda para aumento de doenças como leptospirose e dengue ou diarreia, especialmente em crianças. Essa relação foi apontada em pesquisas de Juliana Duarte, da Faculdade de Saúde Pública da USP.
Ela verificou que houve aumento de internações devido a essas doenças nos períodos mais chuvosos em Rio Branco (AC), entre os anos de 2008 e 2013.
Todos esses problemas devem se intensificar, de acordo com os cientistas.
A pesquisa do meteorologista Rafael Batista, do IAG-USP, estimou como deverá ser a temperatura na região metropolitana até 2099, considerando a evolução nas últimas décadas.
Segundo esse cálculo, o número de dias de risco por altas temperaturas (médias acima de 25ºC) passará a ocupar 40% do ano, dentro das próximas seis décadas; hoje, são apenas 8% do ano.
“O inverno pode passar a ficar parecido com o que conhecemos do verão”, disse o climatologista Fábio Gonçalves, do IAG (instituto de ciências atmosféricas), da USP. A unidade também faz monitoramento do clima, a partir de ponto na zona sul na cidade, e possui observações semelhantes ao verificado pela Folha.
GOVERNOS AINDA TROPEÇAM PARA FREAR PROBLEMA
As temperaturas mais altas e a frequência maior de eventos extremos ganham contornos mais graves quando se pensa que a cidade não para —nem em população (cresceu uma média de 100,8 mil habitantes por ano na última década) nem em mancha urbana (que hoje ocupa 878,6 km², o equivalente a 57% do território da cidade).
A Prefeitura de São Paulo lista intervenções como a construção de piscinões, a melhoria da drenagem e a implantação de parques como respostas. Por outro lado, reportagem da Folha no começo do mês mostrou que a cidade tem ao menos 17 grandes obras de drenagem atrasadas.
A cidade instituiu em 2009, na gestão Gilberto Kassab, sua Política Municipal de Mudança do Clima, que estabelece ações para mitigar os efeitos das mudanças ambientais.
São Paulo também tem como meta reduzir em 45% as emissões de gás carbônico nos próximos dez anos em relação ao nível de 2010, e promete neutralizar as emissões de gases que provocam efeito estufa até 2050.
“Os preâmbulos de todos os planos diretores, desde o Plano Urbanístico Básico, de 1968, até o Plano Diretor Estratégico de 2014, têm capítulos dedicados a chuvas, ao meio ambiente”, diz o professor Valter Caldana, da Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, que afirma que o respeito a variáveis ambientais é um dos fundamentos da boa arquitetura, mesmo antes de se falar em mudanças climáticas.
“Mas nós adotamos um modelo de desenvolvimento urbano no século 20 que passou por cima dos elementos naturais da nossa topografia, geomorfologia e hidrografia”, diz ele, ao citar o encanamento e enterramento indiscriminado de rios e córregos e a impermeabilização de áreas verdes da cidade.
É preciso mudar o modo como se produzem cidades, diz o urbanista. E cita coisas práticas: cuidar do mobiliário urbano, aumentar a capacidade de drenagem, acabar com a exigência de recuos de edifícios (o que faz com que se desperdice espaços), fazer com que empresas abram espaços verdes para uso público.
“Antigamente São Paulo tinha bolsões de calor. Hoje a cidade inteira virou um bolsão de calor. Tem que parar de agir só na emergência e agir cotidianamente”, diz.
Galeria
Favelas da Linha e do Nove sofrem com enchente em SP. Idosa recém-operada precisou ser resgatada de casa inundada; há 46 anos, moradores vivem sucessão de tragédias
Secretário de Infraestrutura e Obras da cidade, o engenheiro Vitor Aly afirma que a atual administração tem olhado os problemas derivados das mudanças climáticas de forma propositiva, e não mais reativa como no passado, quando, segundo ele, apenas atacavam os efeitos das enchentes.
“Os alagamentos acontecem no mundo todo agora. Veja Austrália, Inglaterra, Japão. É um problema da sociedade moderna. Fomos ocupando o território e agora precisamos nos ocupar do problema”, diz Aly.
Ele lista soluções estruturais que têm sido elaboradas pela prefeitura: a construção de piscinões (já foram entregues oito e planejam mais cinco para 2020); um estudo para alteamento de pontes e pontilhões, que funcionam como represas quando enchem os rios; um mapeamento das 104 bacias hidrográficas e das manchas de inundação da cidade, com o propósito de alertar moradores e construtoras com precisão dos riscos de cada região.
Um dos compromissos previstos no plano de metas da atual gestão é o de reduzir em 12,6% (2,77 km²) as áreas inundáveis da cidade.
Nas ações de manutenção, o secretário de Subprefeituras, Alexandre Modonezi, diz que a drenagem tem funcionado bem diante desse desafio pluvial que se avoluma.
Ele avalia que a limpeza de ramais e de bocas de lobo e a retirada de resíduos de córregos fizeram com que a água da chuva tivesse fluidez no último episódio de chuvas, por exemplo. Segundo ele, a drenagem da cidade levou toda a água para os rios Pinheiros e Tietê —”foram essas artérias que não suportaram todo o volume”, afirma Modonezi. A manutenção dos dois rios é incumbência do governo do estado.
“Nas outras regiões da cidade tivemos alagamentos pontuais, pequenos, lâminas de água que acabaram sendo drenadas depois de passada a chuva”, completa.
O plano de metas dedica diversas rubricas à problemática: recuperar 240 mil metros lineares de guias e sarjetas; limpar 2,8 milhões de metros quadrados de margens de córregos; retirar 176.406 toneladas de detritos de piscinões, entre outros.
Em 2019, o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou compromisso de elaborar um plano de ação climática para zerar a emissão de gases que provocam efeito estufa nos próximos 30 anos. A proposta do tucano está alinhada às metas do Acordo de Paris, repetidamente atacado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nos últimos anos.
Ricardo Viegas, secretário adjunto de Verde e Meio Ambiente, diz que o plano será apresentado em junho, mas diversas ações para controle do aumento de temperatura e do efeito estufa já têm sido feitas.
Ele diz que um grande esforço tem sido feito em relação ao transporte na cidade.
Chuva alaga ruas de São Paulo
Carro enfrenta alagamento no elevado João Goulart, o Minhocão, na tarde desta quinta-feira (16)Portal Santa Cecilia no Facebook/
A chamada “lei do clima”, sancionada pelo então prefeito João Doria (PSDB) em 2018, estabeleceu que as emissões de dióxido de carbono e de material particulado terão que ser zeradas até 2038 pela frota de ônibus municipal, por exemplo.
A resposta às ilhas de calor e ao aumento de temperatura vem por meio da ampliação das áreas verdes. Nesse sentido, Viegas afirma que a prefeitura implantará dez parques até o final do ano e revitalizará outros 58. A cidade hoje conta com 107 parques.
Outras propostas da gestão Covas que apontam para o longo prazo são a proibição do fornecimento de utensílios plásticos por estabelecimentos comerciais, a implantação de reuso de água em 100% dos novos equipamentos entregues e ampliação do atendimento da coleta seletiva para todos os endereços da capital.
Erosão come praias e até casas inteiras; obras tentam conter as ressacas frequentes
Menino anda sobre escombros de casas destruídas na Praia do Leste, em Iguape, no litoral sul de São Paulo; local sofre efeitos da erosão marinha, intensificada por ressacas – Lalo de Almeida/Folhapress
Mariana Versolato/Lalo de Almeida
12.jun.2018 – 02h00
SANTOS, IGUAPE E ILHA COMPRIDA (SP)
Quando a água invade as casas de palafitas da favela do Mangue Seco, na zona noroeste de Santos (SP), “é hora de se mandar”. Quem avisa é Dyennifer Aparecida da Silva, 35, auxiliar de limpeza que está desempregada.
“Ela chega no tornozelo, às vezes até no joelho. Aí entra rato, barata, aqueles mosquitos que tu não te aguenta mais. Você pode ser limpíssima, mas o rato come a sua comida.”
A zona noroeste de Santos se expandiu sobre uma área de manguezal que fica apenas 1,4 metro acima do nível do mar. Na década de 1950, um sistema de drenagem por canais foi instalado na região para permitir a agricultura. É por meio deles que, mesmo a cerca de 15 km da Ponta da Praia, o Mangue Seco se vê invadido por enchentes quando o nível do mar está alto ou a ressaca é forte.
“O que chamam de minirressaca lá na praia às vezes é um tsunami aqui”, diz Dyennifer.
Acima, favela do Mangue Seco, na zona noroeste de Santos, que foi alvo de estudos sobre adaptação a mudanças climáticas; abaixo, Dyennifer Silva em frente ao seu barraco – Lalo de Almeida/Folhapress
Enquanto anda pelas ruelas da comunidade, equilibrando-se em tábuas de madeira com vãos grandes o bastante para se ver o esgoto que corre abaixo, ela cumprimenta vizinhos e familiares –são cinco filhos biológicos e uns 12 ou 13 “de coração”.
Ela, sua irmã Jane Maria Vieira, 50, e outras dez mulheres são líderes da associação de moradores da comunidade, que pressiona a Prefeitura de Santos por casas populares.
Enquanto a morada de alvenaria não vem, a vizinhança toda vai elevando as casas e adaptando-as às enchentes mais frequentes e mais altas.
Para fugir da água, furam o piso para fixar através deles novos pilares que sustentam as casas com pedaços de madeira mais compridos. Fincam o novo suporte do barraco no meio de pneus velhos de caminhões que jogam sobre o lodo na maré baixa e enchem com entulho, areia e brita, na tentativa de estabilizá-los. Uma engenharia “digna da Nasa”, diz Jane.
“A gente quer um lugar bom pra não se preocupar com ressaca, maré alta, vento, incêndio. Tem gente que olha com pena, acham que a gente está aqui porque quer. Mas são muitos desempregados que não têm como pagar aluguel.”
É o caso de Antônio Roberto da Silva, 65, o Seu Toninho, e também de Bruno da Silva Araújo, 28. Vizinhos, estão sem emprego e ganham a vida fazendo bicos. As duas casas, no fim da ruela, já à beira de um largo, chamam a atenção. A de Seu Toninho está inclinada, com a parte de trás afundada. A de Bruno, muito mais baixa que as outras, quase encosta na água.
“Já subi um metro e meio, depois mais uns 90 centímetros, mas vou ter de subir de novo. Quando der ressaca a água vai entrar com tudo”, diz Bruno.
Antônio Silva, conhecido como Seu Toninho, aponta para a água do mar da janela de sua palafita que está inclinada na favela do Mangue Seco, em Santos – Lalo de Almeida/Folhapress
A temporada de ressacas vai de abril a setembro. É nesse período que os ciclones extratropicais formados entre a Argentina e o Rio Grande do Sul avançam para o Sudeste do Brasil, gerando ondas de muita energia e grande elevação do nível do mar.
Ressacas são um fenômeno natural, ressalta o físico e meteorologista José Marengo, coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Mas, com o aquecimento global, elas ficam mais frequentes e intensas. O calor da água do mar aumenta a força dos ventos que, por sua vez, geram ondas maiores que batem mais alto na infraestrutura da cidade. Essas ondas também chegam mais longe com o aumento do nível do mar, causado pelo derretimento de geleiras e a expansão de volume de águas aquecidas.
No mundo todo, o nível do mar subiu 1,7 mm ao ano no século passado, segundo o IPCC (painel de mudanças climáticas da ONU). Em Santos, dados do marégrafo do porto apontam uma alta de 1,2 mm ao ano nas últimas três décadas, totalizando 3,6 cm, com tendência de alta na última década. Fatores como padrões de circulação oceânica e a subsidência do solo, ou seja, o quanto ele afunda, influenciam na medição do nível do mar e ajudam a explicar a taxa menor que a média mundial.
No futuro, porém, esse aumento pode ser de 18 a 23 centímetros até 2050 e de 36 a 45 centímetros até 2100, como concluiu o Projeto Metrópole.
Coordenado por Marengo e apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o projeto avaliou, de 2013 a 2017, a capacidade de adaptação às mudanças climáticas de três cidades costeiras: Broward, na Flórida (EUA), Selsey, no Reino Unido, e Santos.
Na cidade brasileira, os alvos dos estudos foram a turística Ponta da Praia, a última para quem vai do centro da cidade ao porto, e a empobrecida zona noroeste, onde fica o Mangue Seco. Os dois bairros, apesar das realidades sociais contrastantes, são fisicamente vulneráveis ao aumento de nível do mar e a eventos extremos, como ressacas fortes, e já sofrem os impactos da mudança climática, diz Marengo.
De frente para o mar, o edifício Enseada, obra do arquiteto João Artacho Jurado (1907-1983), é um dos alvos preferidos das ressacas na Ponta da Praia. Na pior já registrada na cidade, em 2005, o carro da microempresária Patricia Castaldino Amado, 41, ficou totalmente debaixo d’água no estacionamento subterrâneo, junto com outros oito veículos.
Depois do episódio, o prédio instalou um alarme antirressaca, que é acionado pelo porteiro de serviço. Todas as sextas-feiras, às 11h, o aviso sonoro, altíssimo, passa por um teste.
Numa madrugada de abril de 2016, veio uma ressaca brava e o alarme funcionou como esperado. Patricia, porém, não acordou de imediato. Foi uma das últimas a tirar o carro da garagem. Com a água já alta na avenida, o motor pifou.
“Agora não tenho mais carro, só ando de Uber. Quem mora na beira do mar tem que se adaptar, né?”
Morador pesca em barreira de pedras na Ponta da Praia, em Santos, em frente ao edifício Enseada, projeto do arquiteto Artacho Jurado – Lalo de Almeida/Folhapress
Celia Regina de Gouveia Souza, pesquisadora do Instituto Geológico do Estado de São Paulo e participante do Projeto Metrópole, mantém um banco de dados de ressacas em Santos e observou um salto a partir do final da década de 1990.
“As décadas de 2000 e 2010 já tiveram mais ressacas do que o último século todo”, diz ela. Em 2010, foram registrados 15 eventos do tipo, contra um máximo de 4 por ano entre 1960 e início dos anos de 1990.
Adaptar a Ponta da Praia e a zona noroeste de Santos às mudanças climáticas custaria, no mínimo, R$ 300 milhões, segundo o Projeto Metrópole. O valor inclui obras sugeridas pela população, como recuperação do manguezal da zona noroeste, construção de muros antirressaca na Ponta da Praia e melhorias no sistema de comportas e estações de bombeamento.
Não fazer nada, porém, pode consumir pelo menos R$ 1,2 bilhão. A cifra é conservadora porque leva em conta, no cálculo de perdas, apenas o valor venal de imóveis valorizados, de frente para o mar.
“Uma parte importante do projeto é a percepção de que há um problema e o que pode ser feito para resolvê-lo. A pesquisa não descobriu a pólvora, mas deu o chute inicial para a população pensar em adaptação”, diz Marengo.
“O pior que poderia ter acontecido era aparecer alguém dizendo que mudança climática era mentira, coisa de cientista louco, ou a prefeitura dizer que não tinha nada a ver com isso. Pelo contrário, tivemos total apoio e não teríamos conseguido fazer os estudos de outra forma. Agora é com eles.”
Acima, barcos de mergulhadores próximos de barreira submersa com sacos de areia em Santos, para conter a erosão marinha; abaixo, profissional trabalha no local – Lalo de Almeida/Folhapress
A instalação de uma fileira de 49 sacos gigantescos de areia dentro do mar na Ponta da Praia, como forma de minimizar a força das ressacas e conter a erosão costeira grave na região, já é uma resposta, diz Marengo.
Esse trecho está desaparecendo e perdendo faixa de areia. Trampolins, campos de futebol e postes de luz de décadas atrás já não existem mais.
Com menos areia, as ondas atingem a praia e a avenida com mais violência. As ressacas, por sua vez, levam embora a pouca areia que sobrou na orla já fragilizada.
As causas da erosão da Ponta da Praia também resultam de obras humanas. Segundo Celia Souza, do Instituto Geológico, o problema se agrava desde a década de 1930, quando a avenida à beira-mar foi construída em cima da praia. O emissário submarino de esgotos e as estruturas de apoio náutico também tiveram impacto.
À esquerda, embarcação auxilia construção de barreira submersa em Santos para evitar a erosão marinha; à direita, caminhão descarrega areia para a obra – Lalo de Almeida/Folhapress
A Ponta da Praia só não sumiu de vez por algumas razões. Em primeiro lugar, há décadas a prefeitura a recompõe com areia que as correntes marítimas levam, no sentido oeste, para os canais 1, 2 e 3, onde a praia é mais larga. Além disso, a cidade é uma espécie de armadilha de areia que vem de Praia Grande, Peruíbe e Itanhaém e acaba parando na baía de Santos. A água que sai do emissário submarino e do canal de drenagem número 6 também atrapalha a ação das correntes que levam a areia da praia para alto mar. E, por fim, destroços de um navio que encalhou há décadas na Ponta da Praia também ajudam a fixar a areia por ali.
Desde 2010, a erosão piorou ainda mais por causa do alargamento e aprofundamento do canal de navegação do porto. A dragagem teria contribuído para o aumento da energia das ondas, segundo admitiu a Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo) em acordo assinado com o Ministério Público Federal em dezembro de 2017.
A Codesp se comprometeu a adotar medidas para recuperação, mitigação e prevenção dos efeitos da erosão costeira nas praias da baía de Santos. O acordo explicita que a obra não poderia ser rígida, permitindo fácil reversão ou adaptação em caso de falha, e cita os grandes sacos de areia, chamados de “geobags”, como opção.
A estrutura, inédita no país, já tinha sido testada na Austrália, no México e na Coreia do Sul. Foi sugerida por Tiago Zanker Girelli, professor da Unicamp que trabalha com engenharia costeira, e seus colegas, como contraproposta a uma ideia da prefeitura de construir um quebra-mar com pelo menos 4 m ou 5 m acima do mar, do canal do porto ao canal 4.
“Achamos o paredão muito impactante. Poderia acabar com o problema de ressacas, mas ia acabar também com a praia como o santista a conhece.”
A implantação desse recife artificial construído com “geobags” terminou em abril, bem a tempo da temporada de ressacas. Custou cerca de R$ 3 milhões, dinheiro todo do acordo entre Codesp e Procuradoria. “Se der certo, a gente amplia. Se der errado, é só rasgar os bags e devolver a areia que está neles para a praia”, diz Girelli.
Já há indícios de que não será preciso. A intervenção está acumulando areia, um ótimo sinal, segundo Girelli. Mas ainda não é hora de comemorar: “Precisamos ver se a estrutura vai sobreviver à temporada de ressacas. Pode ser que venha uma grande como a de 2016 e leve tudo”.
Os pesquisadores Tiago Girelli (à esq.) e Ricardo Campos fazem medições para estudar impactos da construção de uma barreira cujo objetivo é conter a erosão marinha em Santos – Lalo de Almeida/Folhapress
Só em fevereiro do ano que vem será possível responder às seguintes questões: os bags conseguirão reter a areia e engordar a praia, especialmente quando houver ressacas? Ou as ressacas vão seguir roubando areia para o canal do porto sem nunca mais voltar?
A equipe de Girelli segue monitorando não só a Ponta da Praia, mas também as faixas de areia vizinhas. “Não adianta cobrir um santo e descobrir o outro”, diz. Eles também tentam projetar como se dará o uso dos bags no futuro, diante da tendência de alta nas ressacas. “Será que continuarão funcionando com ondas mais altas? Precisaremos enchê-los com mais areia?”
A microempresária Patricia Amado, que mora em frente à obra, conta que já ouviu muita gente dizer que até 2020 o mar já teria tomado toda a praia. “Até agora não tomou, mas a praia aonde eu levava o meu filho para brincar há 15 anos já não existe mais. Não sei se daqui a 40 anos ainda vai ter praia em Santos.”
Entulhos de construções que foram destruídas pelo mar e parcialmente cobertos pela areia em Ilha Comprida, no litoral sul de São Paulo; abaixo, morador caminha no local – Lalo de Almeida/Folhapress
Desde 1992, a geóloga Celia Souza monitora a erosão das praias do litoral de São Paulo. A cada cinco anos, atualiza um mapa dinâmico de risco.
As praias urbanas com risco muito alto de erosão têm grande chance de sumir, diz ela. Ainda mais com elevação de nível do mar, com mais eventos extremos e com obras de urbanização inadequadas que invadem as praias e roubam areia.
“Cada vez que visito essas áreas vejo uma imagem diferente. Sempre uma imagem de destruição, mas sempre diferente”, diz. Em cada uma delas, busca as causas da erosão crônica para poder avaliar as melhores medidas de recuperação.
Em Ilha Comprida e na Praia do Leste, em Iguape, no litoral sul de São Paulo, restos de casas estão espalhadas por grande parte das orlas, como se por ali tivesse passado um furacão. Foram construídas a quilômetros de distância da água, mas o mar as alcançou.
Pescadores recolhem barco ao lado de árvore que fazia parte de um jardim de uma casa que foi engolida pelo mar em Ilha Comprida (SP) – Lalo de Almeida/Folhapress
O processo na região, diz Souza, é diferente do de Santos. O cenário é natural, pouco modificado pelo homem. “Há um jogo de empurra-empurra de dinâmicas costeiras instáveis e imprevisíveis, com muita coisa em jogo. É mar, rio, laguna, chuva, onda, eventos extremos”, diz. “Quando cresce areia, todo mundo cresce os olhos e faz casa. Quando erode, vai tudo embora.”
O contador aposentado Albino Souza, 70, comprou uma casa na Praia do Leste em 1998. “Fiquei uns anos sem vir. Quando cheguei em 2010, ela estava ali, dentro do mar”, diz ele, apontando para um ponto 50 metros adiante, ao redor de destroços de casas na areia.
Em dezembro, comprou outra casa na Praia do Leste e se mudou de vez, a contragosto dos filhos. “Dizem que sou louco, mas aqui não vem ninguém e eu gosto do silêncio. Pra mim, foi um desastre bom.”
Sonia Santos caminha por escombros de sua casa que foi destruída pelo mar em Ilha Comprida (SP) – Lalo de Almeida/Folhapress
A caseira Sonia Maria Santos Carvalho, 57, também perdeu moradia para a erosão. Foram duas casas à beira do mar, das quais ainda se veem os restos.
Na primeira, viveu 12 anos. “Não era segura, era só de telha. Quando dava o vento sul, trepidava e a gente sentia um medinho. Já tinha histórico [de outras casas arrasadas], mas a minha estava muito longe do mar quando eu vim. Precisei ver pra crer. E aí aconteceu.”
Na segunda, morou por quatro anos. “Essa deu dó de ver cair. Três quartos bons, tudo de laje, uma casa maravilhosa. Quando o mar bateu e estourou os canos, não tinha mais o que fazer.”
Ficou três meses morando de ajuda na casa de conhecidos. Depois foi sorteada para ganhar uma casa popular, dessa vez bem longe do mar.
“Acho que estou protegida por um bom tempo. Dizem que o mar está fechando, que a Ilha Comprida vai sair do mapa. Acho que dá tempo de eu subir [aponta pro céu] antes que isso aconteça. Espero que dê.”
Homem caminha em meio a ruínas de uma casa engolida pelo mar na Praia do Leste, em Iguape – Lalo de Almeida/Folhapress