Categoria: População

  • País em transformação (Censo)

    País em transformação (Censo)

    IBGE

    Christina Queiroz

    Edição 305
    jul. 2021

    Enquanto o Censo pioneiro, realizado em 1872, desenvolveu-se a partir de 14 quesitos, a última edição apresentou 111 perguntas – questões envolvendo mobilidade urbana, migrações internacionais, cor e raça da população foram as mais ampliadas nos últimos 30 anos. As transformações metodológicas têm sido acompanhadas por tecnologias de georreferenciamento, que aprimoram a organização do trabalho de campo, desempenhado pelos recenseadores, e tornam mais ágil o processamento dos resultados.

    Inovações metodológicas incorporadas ao Censo permitem captar complexidade da realidade brasileiraDesenvolvimento tecnológico tem facilitado a coleta e o processamento de dados do Censo

    “Ao abranger, a partir da década de 1960, questões habitacionais, educacionais e de renda sobre a base produtiva dos municípios e o mercado de trabalho, o Censo deixou de ser apenas um levantamento demográfico”, observa o economista Eduardo Pereira Nunes, presidente do IBGE entre 2003 e 2011. “O Brasil se tornou mais complexo e essa complexidade foi incorporada aos questionários.” Nunes recorda, ainda, que na década de 1970 os dados do censo passaram a funcionar como base para a realização de pesquisas de amostragem, entre elas a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), ambas do IBGE. “O Censo permite calibrar as estatísticas que serão feitas no país no decorrer de toda uma década”, diz. Além disso, também é fundamental para a iniciativa privada, sendo utilizado, por exemplo, para análises de mercado.

    Paulo de Martino Jannuzzi, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), do IBGE, informa que, no início, o Censo utilizava fichas de planilha para registrar os dados obtidos. A primeira inovação tecnológica ocorreu em 1920, com a utilização de cartões perfurados, que agilizaram o processamento das respostas. “Em 1960, com a adoção do questionário da amostra, dirigido a cerca de 25% da população, foi possível incorporar um número maior de quesitos. Além disso, o uso de computadores de alto desempenho facilitou a assimilação dos dados nos anos subsequentes”, informa Jannuzzi. Até o ano 2000, os questionários eram de papel, mas já podiam ser processados por leitores ópticos.

    No último Censo, dispositivos móveis utilizados para a coleta das informações viabilizaram a transmissão diária dos dados para a sede do IBGE, no Rio de Janeiro. “Na próxima edição, o levantamento georreferenciado de todos os endereços e do percurso do recenseador também servirá para acompanhar a qualidade da coleta de dados simultaneamente à realização do Censo”, informa o sociólogo Vando da Paz Nascimento, coordenador técnico no estado de São Paulo do Censo Demográfico 2020. Iniciada em agosto, a edição de 2010 teve seus resultados preliminares divulgados em dezembro.

    Desde 2018 o IBGE se prepara para a realização do próximo levantamento, com atividades que incluem a participação de cientistas, caso das consultas para definição de novos quesitos. “O Censo é feito em três meses, mas levamos três anos para prepará-lo e pelo menos outros dois para divulgar os dados”, detalha Nascimento. O Censo de 2022 permitirá que seja medido o impacto da implantação das cotas raciais, adotadas no final da década de 1990, no nível de instrução. Poderá, ainda, fornecer elementos para analisar aspectos relativos à empregabilidade da população negra. “Entre outros aspectos, a ideia é analisar se o regime de cotas deve ser expandido para o mercado de trabalho”, pontua Nunes, ex-presidente do IBGE, destacando, por fim, que a próxima edição do Censo também dará continuidade ao mapeamento de comunidades quilombolas, iniciado na edição de 2010.

    1. Por que o Censo deixou de ser apenas um levantamento demográfico?
    2. Explique a importância da realização periódica do Censo.
    3. Aponte uma política pública que depende dos dados do Censo para seu pleno sucesso.
    4. O que são comunidades quilombolas?
    5. Faça um pequeno histórico da evolução tecnológica na coleta dos dados do Censo.

    Prof Luciano Mannarino

    População da China tem menor crescimento em décadas e atinge 1,41 bilhão

  • Juventude e fronteiras no Mercosul

    Juventude e fronteiras no Mercosul

    A transição para a vida adulta para os que vivem nas áreas fronteriças é particularmente complexa

    24.jun.2021 às 9h30

    Nahuel Oddone – Doutor em estudos internacionais (UPV/EHU) e chefe de Promoção e Intercâmbio de Políticas Sociais no Instituto Social do Mercosul (ISM)

    Em 2019, mais de 60 milhões de adolescentes e jovens de 10 a 24 anos viviam nos Estados membros do Mercosul, de acordo com estatísticas da Divisão de População das Nações Unidas.

    Na Argentina representavam 23,5%; no Brasil, 23,2%; no Paraguai, 28,5%; no Uruguai, 21,6%.

    Entretanto, nas localidades fronteiriças mais povoadas, essa média é significativamente maior, devido a uma colonização tardia do território, como no caso de Ciudad del Este (Paraguai), ou devido à atração da migração interna ou internacional, como em Foz de Iguaçu.

    A América Latina e o Caribe estão passando por um processo de transição demográfica acelerado.

    E, apesar dos diferentes estágios demográficos que os países da região estão experimentando, a região ainda tem uma janela de oportunidade conhecida como o “bônus demográfico”.

    DESAFIOS E OPORTUNIDADES

    A dimensão da fronteira é sem dúvida uma variável chave que influencia as condições e oportunidades de desenvolvimento para adolescentes e jovens.

    A transição para a vida adulta para aqueles que vivem nessas áreas é particularmente complexa.

    Em algumas áreas, foi detectada uma série de problemas sociais decorrentes da reprodução precoce, do abandono escolar e da dificuldade de acesso ao emprego, que muitas vezes ocorre no contexto de uma economia informal e, às vezes, ilícita.

    Todos esses fatores contribuem para perpetuar a transmissão intergeracional da pobreza e limitar as oportunidades de desenvolvimento.

    A falta de acesso a serviços básicos como saúde, educação e trabalho tem um impacto no bem-estar pessoal e coletivo e afeta os processos decisórios individuais.

    Na medida em que adolescentes e jovens aumentam sua autonomia progressiva e conseguem plena integração social, eles terão melhores condições para alcançar seu pleno potencial.

    Vila Thomaz Albornoz, território brasileiro reivindicado pelo Uruguai
    Vila Thomaz Albornoz, território brasileiro reivindicado pelo Uruguai Fábio Zanini/Folhapress
    A NECESSIDADE DE POLÍTICAS PÚBLICAS FOCALIZADAS

    Nesse contexto, há quatro fatores que demonstram a necessidade do desenho de políticas focalizadas que levem em conta o território fronteiriço e o ciclo de vida das pessoas que ali vivem.

    Primeiro, a cobertura de saúde de adolescentes e jovens é menor, com maior precariedade em comparação com as crianças ou com as pessoas idosas.

    Da mesma forma, aqueles jovens que tiveram cobertura de saúde por meio de seus pais tendem a perdê-la após os 18 anos de idade.

    Em segundo lugar, o abandono escolar tende a ser maior nos últimos anos do ensino médio, porque os jovens começam a trabalhar ou a ajudar em novas tarefas. Aqueles que conseguem terminar o ensino médio enfrentam maiores desafios para entrar na universidade.

    Há poucos (ou nenhum) programas que acompanhem a transição do ensino médio para a universidade.

    Enquanto na faixa etária de 15 a19 anos nas cidades fronteiriças de Posadas (Argentina), Encarnación (Paraguai), Santana do Livramento, Rivera (Uruguai), Concordia (Argentina) e Ciudad del Este (Paraguai) mais de 70% frequentam um estabelecimento de ensino, na faixa etária de 20 a 24 anos em quase todos os casos fica abaixo de 50%.

    Em terceiro lugar, há uma maior informalidade econômica.

    Na América Latina, a informalidade é de 54%, em média, segundo a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) e a OIT (Organização Internacional do Trabalho), mas essa porcentagem tende a aumentar substancialmente à medida que nos aproximamos das fronteiras.

    A atração de uma parte importante da força de trabalho jovem para empregos precários tem duas consequências principais.

    Por um lado, as pessoas que entram na economia informal tendem a permanecer nela, afetando a solidariedade dos sistemas de proteção social.

    Por outro lado, os homens jovens tendem a migrar da informalidade para a ilegalidade.

    Como consequência, há uma alta exposição de jovens fronteiriços a fazer parte de redes de contrabando e tráfico.

    Em quarto lugar, a população de mulheres na faixa etária de 20 a 24 anos que não estudam nem trabalham nas maiores cidades fronteiriças do Mercosul é significativa, chegando a 38,6% em Rivera. Na faixa etária seguinte, 25 a 29 anos, porcentagens semelhantes são observadas.

    As pesquisas sobre o “uso do tempo” geralmente escondem a carga de cuidados que as mulheres assumem dentro do lar (trabalho não remunerado), seja o cuidado de irmãos mais novos ou crianças, ou tarefas de limpeza doméstica, entre outros, afetando o desenvolvimento de seus projetos pessoais.

    Indígena da etnia pemón foge em trilha de mata para o Brasil carregando os filhos gêmeos
    Indígena da etnia pemón foge em trilha de mata para o Brasil carregando os filhos gêmeos Fabiano Maisonnave/Folhapress
    OS EFEITOS DA PANDEMIA

    A pandemia de Covid-19 teve um forte impacto nas fronteiras. O fechamento truncou a dinâmica social e o uso de serviços transfronteiriços.

    Além do fato de que o impacto tem sido diferencial por cidade, a incerteza tem “congelado” projetos de natureza mais individual.

    Os desafios impostos pela pandemia aumentaram a necessidade de maior investimento social, coordenação das ações nas fronteiras e garantia de coesão social a fim de contribuir para superar a interseccionalidade das lacunas que afetam suas populações.

    Dentro dessa estrutura, é provável que as mulheres jovens enfrentem novos desafios para conseguir uma maior e melhor participação na reativação econômica pós-Covid-19.

    Por isso, são necessárias intervenções específicas para garantir sua participação em programas de treinamento profissional e empreendedorismo, bem como a criação de novos espaços de cuidados que permitirão que mais mulheres com crianças se juntem à força de trabalho formal.

    Além das dificuldades envolvidas em habitar esses espaços, a dimensão da fronteira é uma oportunidade.

    A identidade fronteiriça de adolescentes e jovens é um valor diferencial que permite gerar projetos de vida intercultural mais associativos e respeitosos da diversidade.

    É também uma oportunidade para implementar novas formas de participação e inovação social que fortalecem sua capacidade de influenciar a agenda pública.

    O desenvolvimento de uma cidadania no Mercosul que realce o papel da juventude fronteiriça é fundamental para a sustentabilidade da integração regional.

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    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/latinoamerica21/2021/06/juventude-e-fronteiras-no-mercosul.shtml

    Questões

    1 O que seria o “bônus demográfico”? Cite um aspecto positivo ligado a ele.

    2. O que são “cidades gêmeas” ? Baseado no texto, aponte um exemplo.

    3 Explique a criação do Mercosul.

    4. Quais seriam as políticas públicas focalizadas que atenderiam as demandas da população jovem que vivem no território fronteiriço do Mercosul?

    4. Faça uma pequeno resumo (cinco linhas) sobre os aspectos que o texto aborda.

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  • Para conter crise demográfica, China autorizará 3 filhos por família

    Para conter crise demográfica, China autorizará 3 filhos por família

    Decisão é resposta a envelhecimento rápido da população mostrado por censo

    31.mai.2021 às 7h27

    PEQUIM | AFP e REUTERS

    A China anunciou nesta segunda (31) que vai autorizar a cada casal ter até três filhos, acabando com o limite de dois ainda em vigor. A decisão foi tomada poucas semanas após a divulgação dos resultados do último censo, que apontou expressiva queda da taxa de natalidade no país mais populoso do mundo.

    “Em resposta ao envelhecimento da população (…) os casais serão autorizados a ter três filhos”, informou a agência estatal Xinhua, ao relatar as conclusões de uma reunião do gabinete político do Partido Comunista comandada pelo líder Xi Jinping.

    Médico examina recém-nascido em maternidade da China
    Médico examina recém-nascido em maternidade da China – 25.abr.21/ AFP

    Xi disse que a mudança será acompanhada por “medidas de apoio conduzidas para melhorar a estrutura populacional do país, alcançando a estratégia de lidar ativamente com uma população em envelhecimento”. Entre as medidas, citou a redução dos custos de educação, o aumento do financiamento habitacional, a garantia dos interesses legais de mulheres que trabalham e a repressão aos dotes “estratosféricos”. Afirmou ainda que o país vai educar os jovens “para o casamento e o amor”.

    ​Até o ano passado, quem tinha um terceiro filho precisava pagar uma multa de 130 mil yuans (R$ 106,5 mil), de acordo com uma advertência governamental na cidade de Weihai.

    No dia 11 de maio, os resultados do censo realizado em 2020 revelaram um envelhecimento mais rápido que o esperado da população chinesa e o menor crescimento populacional em décadas. A China continental tinha 1,411 bilhão de habitantes em 2020, 72 milhões a mais do que em 2010. O crescimento anual médio entre 2011 e 2020, entretanto, foi de 0,53%, o menor ao menos desde a década de 1950. Na década anterior (2001-2010), essa taxa havia sido de 0,57%. ​

    Os dados mostraram uma taxa de fecundidade de 1,3 filho por mulher em 2020, em sintonia com sociedades em processo de envelhecimento, como Japão e Itália. No ano passado, marcado pela pandemia de Covid, o número de nascimentos no país caiu a 12 milhões, contra 14,65 milhões em 2019.

    A taxa de natalidade em 2019 (10,48 por 1.000) já estava no menor nível desde a fundação da China comunista, em 1949. Assim, em 2016, depois de mais de três décadas da “política do filho único”, a China flexibilizou as regras e permitiu o segundo filho.

    Mas a nova política não foi suficiente para estimular a taxa de natalidade, em queda livre devido a vários motivos, incluindo a redução no número de casamentos, o aumento do custo da moradia e da educação e, também, a decisão das mulheres de adiar os planos de gravidez para privilegiar a carreira profissional.

    Estudo publicado neste ano por cientistas da Universidade de Hangzhou mostrou que a política de dois filhos encorajou casais ricos e foi “menos sensível à carga financeira de criar uma criança”, levando a um aumento nos custos com educação e cuidados infantis e desencorajando pais de primeira viagem.

    A Xinhua fez uma enquete na rede social Weibo, questionando se a população estava pronta para a política dos três filhos. Cerca de 29 mil dos 31 mil que responderam afirmaram que “nunca pensariam nisso”. O restante escolheu as opções “estou pronto e querendo muito isso”, “está nos meus planos” ou “estou na dúvida e há muito a considerar”. A pesquisa foi posteriormente removida. “Estou pronto para ter três filhos se você me der 5 milhões de yuans [o equivalente a R$ 4 milhões]”, postou um usuário.

    ​No outro extremo da pirâmide, o censo mostrou que a China tinha mais de 264 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2020. O grupo de pessoas com mais de 60 anos constitui agora 18,7% do total da população, um aumento de 5,44 pontos percentuais na comparação com o levantamento de 2010.

    Do outro lado, a população em idade ativa (15 a 59 anos) representa 63,35% do total, uma queda de 6,79 pontos na comparação com a década anterior. Demógrafos advertiram que o país pode registrar o mesmo fenômeno de Japão e Coreia do Sul, com excesso de idosos em comparação à população jovem e ativa no mercado de trabalho, uma preocupação que levou o Parlamento chinês, em março, a aprovar um plano para aumentar progressivamente a idade de aposentadoria durante os próximos cinco anos.

    ​POLÍTICA DO FILHO ÚNICO IMPEDIU NASCIMENTO DE 400 MILHÕES

    No começo dos anos 1950, a China tinha cerca de 540 milhões de habitantes e, em menos de 30 anos, dobrou a população, atingindo 1 bilhão no começo da década de 1980.

    Em seguida, com uma política rígida de controle de natalidade, que permitia apenas um filho por casal em muitos casos, o crescimento populacional foi contido. Estima-se que a medida tenha impedido o nascimento de cerca de 400 milhões de pessoas desde sua aplicação, a partir de 1979.

    Casais que descumpriam as restrições estavam sujeitos a penas como pagamento de multas e perda de emprego, e havia denúncias de medidas mais duras, como esterilizações e abortos forçados.

    Em 2015, o regime suspendeu a política do filho único e passou a estimular que cada família tenha dois filhos. A decisão, porém, não aumentou a taxa de natalidade, o que levou a pedidos do fim do limite de duas crianças por família. A meta estabelecida em 2016 era superar 1,42 bilhão de habitantes em 2020.

    Pelos dados do último censo, a China conseguiu atenuar o desequilíbrio entre sexos induzido pela preferência tradicional por meninos e que, às vezes, leva à eliminação de fetos do sexo feminino. Assim, o país registrou o nascimento de 111,3 meninos para cada 100 meninas, uma proporção em queda de 6,8 pontos percentuais na comparação com 2010.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/05/china-anuncia-que-vai-autorizar-até-tres-filhos-por-familia.shtml

    Questões

    1 Por que a China implementou um rígido controle da natalidade no final da década de 1970?

    2 Explique a importância do Censo Populacional para um país.

    3 De que forma o controle da natalidade na China causou um desequilíbrio de gênero em sua população?

    4 Por que o envelhecimento da população é motivo de preocupação nos países?

    5 Os custos na criação de filhos são motivos para queda da natalidade no Brasil? Justifique.

    Veja também…

    DEMOGRAFIA E TEORIA DA TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA.

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  • Alemanha se desculpa por genocídio na Namíbia e oferece 1 bilhão de euros

    Alemanha se desculpa por genocídio na Namíbia e oferece 1 bilhão de euros

    Repressão de colonizadores a rebeldes, no começo do século 20, dizimou dois povos da região africana

    28.mai.2021 às 13h24

    Ana Estela de Sousa Pinto

    BRUXELAS

    A Alemanha reconheceu oficialmente nesta sexta-feira (28) ter sido responsável por um genocídio na Namíbia durante a era colonial. O governo alemão pagará à nação africana 1,1 bilhão de euros (cerca de R$ 7 bilhões) para compensar danos infligidos.

    A matança aconteceu entre 1904 e 1907, quando soldados alemães assassinaram de 75 mil a 100 mil pessoas no então território da África do Sudoeste, atual Namíbia, após revolta dos povos herero e nama.

    Uma das últimas fronteiras africanas a despertar o interesse de colonizadores europeus, essas áreas semidesérticas foram ocupadas pela Alemanha em 1884. A expansão rumo ao interior levou aos conflitos com povos já estabelecidos, enraivecidos pela perda das poucas terras aráveis do território.

    Seis africanos em pé e três agachados ao lado de soldado, em foto em preto e branco
    Soldado alemão (dir.) e prisioneiros africanos durante repressão a povos herero e nama na região em que hoje fica a Namíbia; o massacre dos colonizadores durou de 1904 a 1907 – Arquivos Nacionais da Namíbia via AFP

    A revolta dos povos herero e dos nama foi contida com assassinatos em massa, internação em campos de concentração insalubres e expulsões para o deserto, onde milhares de homens, mulheres e crianças morreram de sede. O massacre alemão exterminou 80% dos herero e 50% dos nama, reduzindo-os a parcelas relativamente pequenas entre os 2,6 milhões de namibianos atuais. Os herero, por exemplo, passaram de 40% da população para apenas 7%.

    A Organização das Nações Unidas, que define genocídio como “uma série de atos, incluindo assassinato, cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”, considera desde 1985 o massacre como o primeiro genocídio do século 20, e a Alemanha já havia reconhecido “responsabilidade moral”.

    Museus alemães também devolveram em 2018 restos mortais de vítimas herero e nama que haviam sido trazidos para a Alemanha para pesquisas destinadas a “provar a superioridade da raça branca”. As negociações sobre o pagamento da indenização, porém, levaram seis meses, porque a Alemanha temia que o uso do termo “reparação” a deixasse suscetível a novas ações na Justiça.

    No anúncio desta sexta, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, disse oficialmente que os eventos, “da perspectiva de hoje”, foram “um genocídio”. “À luz da responsabilidade histórica e moral da Alemanha, pediremos perdão à Namíbia e aos descendentes das vítimas”, afirmou, antes de enfatizar que “reivindicações legais de compensação não podem ser derivadas disso”.

    O governo alemão quer desincentivar reclamações como a da Grécia, que pede cerca de € 289 bilhões (R$ 1,84 trilhão) por danos causados durante o período nazista. Por isso, os recursos foram anunciados como “um gesto de reconhecimento do imensurável sofrimento infligido às vítimas”.

    “Queremos apoiar a Namíbia e os descendentes das vítimas com um programa substancial de 1,1 bilhão de euros para reconstrução e desenvolvimento”, disse Maas.

    Namíbia ocupa o 130º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, entre 189 pesquisados e tem a segunda maior desigualdade do mundo, segundo o Banco Mundial, melhor apenas que a vizinha África do Sul nesse item. Seu índice de Gini é de 59,1, numa escala que vai de 0 a 100 (o do Brasil é 53,4), o desemprego passa de 30%, e a pobreza atinge mais de 20% da população.

    Apesar da promessa de participação das populações locais nos investimentos em infraestrutura, o acordo foi rejeitado por líderes dos herero e dos nama. Eles afirmaram considerar o valor insuficiente para compensar o sofrimento de seus ancestrais e a perda de suas terras.

    Caveira em meio a telas verdes
    Crânio que faz parte de restos mortais de guerreiros dos povos herero e nama, em museu de Berlim, em 2018; os ossos foram devolvidos pela Alemanha à Namíbia – Christian Mang – 29.ago.18/Reuters

    O anúncio alemão acompanha o movimento de vários outros países europeus para reconhecer crimes do período colonial e oferecer reparações. Desde o ano passado, estátuas foram derrubadas em vários países, e governos como o da França e da Holanda têm devolvido obras de arte trazidas de países africanos, discussão que ocorre também no Reino Unido.

    Nesta semana, o presidente francês, Emmanuel Macron, foi a Ruanda pedir desculpas pelo papel da França no genocídio que deixou 800 mil mortos da etnia tutsi, em 1994. Estudo encomendado pelo governo francês concluiu que o país europeu, embora não tenha sido cúmplice do genocídio, tinha “responsabilidades avassaladoras”, por se manter aliada ao governo “racista, corrupto e violento” dos hutus, que se preparavam para massacrar os tutsis.

    Museu das Civilizações Negras de Dacar, no Senegal
    Museu das Civilizações Negras de Dacar, no Senegal Divulgação

    “A França tem um papel, uma história e uma responsabilidade política. Tem o dever de confrontar a história e reconhecer sua parte no sofrimento que infligiu ao povo ruandês”, disse Macron nesta quinta (27), após visitar o Memorial do Genocídio de Kigali.

    Manter e ampliar sua influência na África é uma das prioridades de política internacional de Macron, que gosta de lembrar ser o primeiro presidente francês nascido depois que a maior parte do continente conquistou sua independência. Em 2019, ele visitou a África oriental e assinou acordos de parcerias e investimentos na Etiópia e no Quênia. Na viagem atual, ele visita ainda a África do Sul.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/05/alemanha-se-desculpa-por-genocidio-na-namibia-e-oferece-1-bilhao-de-euros.shtml

    Questão

    1 A ocupação alemã, no início do século XX, na região que hoje abriga a Namíbia é reflexo da “Partilha da África”? Justifique.

    2 Em que momento do texto é possível perceber que o processo de independência dos países africano é um processo relativamente recente?

    3 Explique a formação do Deserto da Namíbia.

    4 A ajuda dos países europeus em nações africanas abriga interesses geopolíticos? Justifique.

    O descendente do homem!

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    O que é um deserto?

    Prof Luciano Mannarino

  • População da China tem menor crescimento em décadas e atinge 1,41 bilhão

    População da China tem menor crescimento em décadas e atinge 1,41 bilhão

    Censo revela aumento do número de idosos e queda na proporção de homens

    10.mai.2021 às 23h40 – Atualizado: 11.mai.2021 às 12h14

    Rafael Balago

    SÃO PAULO | REUTERS e AFP

    Após seguidos adiamentos, a China revelou, enfim, os dados de seu último censo. De acordo com o levantamento, divulgado na manhã desta terça (11) —noite de segunda (10) no Brasil—, a parte continental do país asiático tinha 1,411 bilhão de habitantes em 2020, 72 milhões a mais do que em 2010.

    Trata-se da menor taxa de crescimento populacional no país asiático ao menos desde a década de 1960.

    Os dados mostram uma taxa de fecundidade de 1,3 filho por mulher em 2020, em sintonia com sociedades em processo de envelhecimento, como Japão e Itália.

    O censo é feito a cada dez anos pelo Departamento Nacional de Estatísticas e, nesta edição, envolveu o trabalho de mais de 7 milhões de funcionários entre novembro e dezembro de 2020. Parte dos dados foi coletada online: moradores puderam escanear QR codes e preencher os formulários usando celulares.

    Chineses caminham em distrito financeiro de Pudong, em Xangai – Aly Song – 10.mai.2021/Reuters

    No último levantamento, de 2010, o país tinha 1,339 bilhão de habitantes. Assim, o crescimento anual médio entre 2011 e 2020 foi de 0,53%. Na década anterior (2001-2010), essa taxa havia sido de 0,57%.

    Com esse ritmo, o país pode perder o título de maior população do mundo mais rapidamente que o previsto. A Índia deve registrar em 2020, de acordo com estimativa da ONU, 1,38 bilhão de habitantes —e a população indiana cresce, em média, 1% ao ano, segundo estudo divulgado no ano passado por Nova Déli.

    A China havia previsto que a curva de crescimento populacional atingiria o pico em 2027, quando seria superada pela Índia. A população chinesa começaria, então, a diminuir, até chegar a 1,32 bilhão em 2050. O porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas, Ning Jizhe, confirmou que o país se aproxima do pico, mas não antecipou uma data. A população deve ser superior a 1,4 bilhão “durante um certo tempo”, disse.

    A queda da taxa de natalidade tem várias razões: diminuição do número de casamentos, custo de habitação e educação e gravidez mais tardia das mulheres que priorizam a carreira, por exemplo.

    No ano passado, marcado pela pandemia de Covid-19, o número de nascimentos caiu a 12 milhões, contra 14,65 milhões em 2019, ano em que a taxa de natalidade (10,48 por 1.000) já estava no menor nível desde a fundação da China comunista, em 1949. A pandemia de coronavírus “aumentou a incerteza da vida cotidiana e a preocupação com o nascimento de um filho”, explicou Ning.

    No começo dos anos 1950, o país tinha cerca de 540 milhões de habitantes e, em menos de 30 anos, dobrou a população, atingindo 1 bilhão no começo da década de 1980.

    Em seguida, com uma política rígida de controle de natalidade, que permitia apenas um filho por casal em muitos casos, o crescimento populacional foi contido. Estima-se que a medida tenha impedido o nascimento de cerca de 400 milhões de pessoas desde sua aplicação, a partir de 1979.

    Casais que descumpriam as restrições estavam sujeitos a penas como pagamento de multas e perda de emprego, e havia denúncias de medidas mais duras, como esterilizações e abortos forçados.

    Em 2015, o regime suspendeu a política do filho único e passou a estimular que cada família tenha dois filhos. A decisão, porém, não aumentou a taxa de natalidade, o que leva a pedidos do fim do limite de duas crianças por família. A meta estabelecida em 2016 era superar 1,42 bilhão de habitantes em 2020.

    Pelos dados do último censo, a China conseguiu atenuar o desequilíbrio entre sexos induzido pela preferência tradicional por meninos e que, às vezes, leva à eliminação de fetos do sexo feminino. Assim, o país registrou o nascimento de 111,3 meninos para cada 100 meninas, uma proporção em queda de 6,8 pontos percentuais na comparação com 2010.

    Em fevereiro deste ano, o Ministério da Segurança Pública chinês já havia divulgado números que apontavam queda no número de recém-nascidos. Segundo os dados, houve 11,79 milhões de nascimentos em 2019 —em 2020, esse número caiu para 10,035 milhões.

    Foto aérea de um bairro cultural de Beicang, localizado no distrito de Jiangbei, em Chongqing, que foi reformado a partir de um antigo armazém têxtil; cidade possui topografia montanhosa
    Foto aérea de um bairro cultural de Beicang, localizado no distrito de Jiangbei, em Chongqing, que foi reformado a partir de um antigo armazém têxtil; cidade possui topografia montanhosa Liu Chan – 23.abr.2021/Xinhua

    O regime chinês havia contestado, no fim de abril, uma reportagem do jornal britânico Financial Times que apontava encolhimento no número de habitantes na China pela primeira vez em décadas.

    POPULAÇÃO MAIS VELHA E MAIS URBANA

    O total de maiores de 60 anos na China subiu 5,4 pontos percentuais na última década, enquanto o de crianças e adolescentes de até 14 anos aumentou 1,3 ponto percentual. Agora, a população se divide em 18,7% de idosos, 17,95% com até 14 anos de idade e 63,35% com idades entre 15 e 59 anos.

    Por isso, os demógrafos advertem que o país pode registrar o mesmo fenômeno de Japão e Coreia do Sul, com excesso de idosos em comparação à população jovem e ativa no mercado de trabalho, uma preocupação que levou o Parlamento chinês, em março, a aprovar um plano para aumentar progressivamente a idade de aposentadoria durante os próximos cinco anos.

    Em relação à distribuição dos habitantes pelo país, as cidades ganharam 236 milhões de habitantes, e o total da população que vive em áreas urbanas aumentou 14 pontos percentuais, atingindo 63,89%. Ao mesmo tempo, a população “flutuante” de migrantes internos —pessoas de zonas rurais que trabalham em cidades com pouca proteção social— chegou a 376 milhões, aumento de quase 70% em uma década.

    Na educação, o país elevou a taxa de adultos que foram à universidade: o índice passou de 8,9 para 15,4 a cada 100 habitantes. Na mesma toada, o analfabetismo caiu de 4% para 2% do total.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/05/populacao-da-china-cresce-mais-devagar-e-atinge-141-bilhao-de-pessoas-em-2020.shtml

    Questões

    1 Aponte algumas razões para a queda da taxa de natalidade na China.

    2 Explique a diferença de gênero na população jovem da China.

    3 Por que China tem buscado aumentar progressivamente a idade da aposentadoria de sua população ativa?

    4 Por que a China vai perder o posto de maior população absoluta do mundo na próxima década?

    DEMOGRAFIA E TEORIA DA TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA.

    O perfil demográfico do Brasil até 2100 e os desafios da covid-19

    População

    Risco de mais desastres naturais

    Prof Luciano Mannarino