Aproximação perigosa

Aproximação perigosa

As democracias liberais, pressionadas por um sistema econômico global que exige agilidade e alta performance, caminham, muitas vezes, rumo a uma contradição silenciosa: ao buscar competitividade, começam a desmontar seus próprios freios constitucionais.

Não se trata de copiar a China — não há uma admiração declarada por seu regime de partido único ou por sua ausência de liberdade de imprensa. Mas, ao reduzir o poder dos parlamentos, enfraquecer o papel das cortes constitucionais e acelerar reformas por medidas provisórias e decretos, os paises acabam se aproximando, na prática, de um modo de governar que concentra poder.

É nesse ponto que o paradoxo se revela: quanto mais uma economia tenta se tornar eficiente e competitiva, mais ela se afasta dos princípios democráticos. A lógica do mercado exige decisões rápidas, previsibilidade e centralização. Um regime baseado na soberania do povo exige debate, lentidão e o tempo próprio da escuta.

São dinâmicas opostas.

A força econômica da China nasce justamente daquilo que a democracia não pode — e não deve — oferecer.

Prof Luciano Mannarino.

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