Passageiros e Condutores”

Vivemos tempos em que muitos se tornaram apenas passageiros da própria vida.
Como quem viaja de ônibus, com os olhos perdidos na janela, observando o mundo passar…
Beleza, movimento, paisagem.
Mas sem tocar nada.
Sem escolher os caminhos.
Sem sentir o peso de uma curva mal feita.
O celular, sempre nas mãos, virou essa janela moderna:
mostra tudo, mas não nos deixa viver nada.
E assim, seguimos contemplando — mas não conduzindo.
Espectadores do que poderia ser nosso.
Só que há algo que o passageiro nunca vive:
a experiência de quem segura o volante.
O motorista conhece o caminho não só pelo que vê…
mas pelo que sente.
Aprendeu com a estrada, com o cansaço, com os desvios.
Errou o trajeto, enfrentou tempestades, precisou decidir sem mapa.
E foi ali, entre o medo e a coragem, que se tornou quem é.
Isso, o passageiro não sente.
Não aprende.
O grande desafio da vida é não ser apenas um ou outro.
É ser ambos.
Ter os olhos do passageiro, que vê poesia na paisagem.
E o coração do condutor, que sabe por onde pisa.
Porque a vida…
não é só o que se vê pela janela.
É, sobretudo, o que se aprende ao dirigir.
Prof Luciano Mannarino e A.I