Vivemos um tempo curioso. Nunca se escreveu tanto. Nunca se produziu tanto conteúdo, tantas palavras moldadas com esmero para tocar a sensibilidade de quem lê.
E, por instantes, essas palavras tocam mesmo. Há um lampejo. Um silêncio breve se instala. Uma pausa no ruído da rotina, e o leitor se encanta.

Mas logo passa.
O texto, por mais lúcido e provocador, não perfura a couraça da inércia. Ele encanta — mas não transforma. Produz emoção — mas não ação. Alimenta um tipo novo de consciência:
Uma consciência satisfeita por se sentir tocada, mas que não se move.
É como acender uma vela no escuro e, ao perceber sua chama, elogiar sua luz — mas não usá-la para enxergar o caminho.
A vela arde, queima… e se apaga. E nada se desloca.
Palavras se tornam alívio. Um antídoto breve para um incômodo existencial que logo volta. Um narcótico leve: faz o leitor sentir-se desperto… mas só dentro do texto.
Fora dele, tudo continua igual.
Talvez o maior desafio do nosso tempo não seja escrever mais. Nem escrever melhor. Mas sim romper o ciclo dos encantamentos estéreis.
Que a palavra não seja apenas bela, mas também fecunda. Que ela não apenas toque — mas arranhe. Que provoque a tal ponto que não se consiga mais viver como antes.
Até que a consciência encantada… desperte. E desperta, se mova
Prof Luciano Mannarino e A.I