Cada pessoa, em algum momento, age protegida por um papel institucional.
Um piloto de caça cumpre uma missão, aperta um botão, destrói um alvo. Haverá vítimas. Ele sabe disso. Mesmo assim, faz. Não por ódio pessoal, mas porque essa é a função que lhe foi dada.
A instituição então entra em cena para tornar o gesto suportável.
Ela chama de dever, chama de estratégia, chama de necessidade.
A medalha no peito tem uma utilidade clara:
não é para lembrar o que foi feito,
é para impedir que o que foi feito seja visto como perversidade.
Com ela, o ato deixa de ser matar e passa a ser servir.
Deixa de ser destruição e passa a ser mérito.
A consciência aceita melhor quando o crime vem acompanhado de honra oficial.
Talvez nenhuma sociedade funcione sem esse mecanismo.
Se cada um tivesse que responder sozinho pelos atos que comete em nome dela, quase ninguém suportaria.
No entanto, algum plano — moral, filosófico ou espiritual — a função desaparecerá.
Será o momento em que não seremos mais o cargo que ocupamos, mas apenas aquilo que fizemos.
Prof Luciano Mannarino