AULA

UNESP – Apostila de Geografia.

Cadernos dos Cursinhos Pré-Universitários da Unesp - Geografia.

capa geo

2  Geografia

 

2.1 Base estrutural da Geografia

Quando eu era jovem o meu sonho era tornar-se geógrafo. Entretanto, antes de ingressar no curso superior, quando trabalhei num escritório, numa atividade que envolvia consumidores de diversas partes, comecei a pensar mais profundamente sobre essa questão e concluí que essa disciplina deve ser extremamente complexa e difícil. Após alguma relutância, acabei optando pelo estudo da Física.

Albert Einstein

“O homem mora na Geografia, e nela, é o gerador dos tributos na nação. Ignorar a Geografia é ignorar o próprio homem e suas necessidades vitais.”  

Ulisses Guimarães

“Ignorar a geografia é uma atitude irresponsável. Ela é tão importante para os negócios e a política doméstica quanto para as decisões militares e de política exterior.”

Gilbert Grasvenor

“A política de um Estado está em sua geografia.”

Napoleão Bonaparte

Muitos ainda pensam que a geografia não passa de uma disciplina descritiva, que fornece descrições ‘neutras’ ou ‘desinteressadas’ sobre o mundo: o clima do sul da Ásia, o relevo da Europa, os fusos horários da Rússia etc. Contudo, a despeito das aparências, a geografia não é um saber sem utilidade […] Na verdade, ela é útil para a vida prática e interessa bastante a todos os cidadãos. Pois a geografia serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. Isso não significa que ela só sirva para conduzir operações militares. Ela serve também para organizar territórios, para o exercício do poder (do Estado, por exemplo) sobre o espaço, para que as pessoas aprendam a se organizar no espaço para nela atuar.

Yves Lacoste

A Geografia é a ciência que estuda a organização do espaço pelo Homem, se preocupando com este e suas relações entre si e com a natureza. Nessas relações, cria cultura e cria também um espaço diferenciado que chamamos de espaço geográfico ou segunda natureza.

Ruy Moreira

O espaço surge na história da organização territorial dada pelo homem à relação ao seu meio. Dois acontecimentos balizam o início dessa história. Atuando desde então como as determinantes da relação estável do homem com seu espaço. A descoberta do fogo é a primeira. A da agricultura é o segundo. O fogo é o dado seminal. O uso do fogo leva o homem a tornar-se um ser ubíquo na superfície terrestre. Com o fogo ele aprende a controlar o meio (o fogo serve para o preparo dos alimentos e para a fabricação de armas e utensílios) e a dominar os territórios (serve para o ataque e a defesa, para iluminar o acampamento e para renovar a vegetação através da queimada). A da agricultura é o dado integrador. Com a agricultura, o homem dá outra arrumação espacial à natureza (através da domesticação das plantas e dos animais) e assim cria os territórios (através da guarda organizada das provisões em silos e celeiros, da apropriação intencional dos solos e da água, do ordenamento dos caminhos e das localizações).

Da combinação do fogo e da agricultura vem a instalação dos primeiros núcleos de povoamento. Os polos germinativos de que emergem as civilizações.

A complexa teia de relações entre os homens, entre estes e a natureza e entre os elementos que a compõem constitui-se o objeto de estudo da Geografia, isto é, tudo aquilo que podemos visualizar, sentir a textura, fotografar, mapear, enfim, as manifestações concretas da natureza e da sociedade.

Os conceitos que formam a base estrutural da ciência geográfica são:

Quadro 1: Espaço Geográfico

CONCEPÇÃO NORTEADORA
ELEMENTOS DE APROFUNDAMENTO
Conjunto indissociável de sistemas de objetivos (redes técnicas, prédios, ruas) e de sistemas de ações (organização do trabalho, produção, circulação, consumo de mercadorias, relações familiares e cotidianas) que procura revelar as práticas sociais dos diferentes grupos que nele produzem, lutam, sonham, vivem e fazem a vida caminhar. (Milton Santos)
O espaço é perceptível, sensível, porém, extremamente difícil de ser limitado, quer por dinâmica, quer pela vivência de elementos novos e elementos de permanência. Apesar de sua complexidade, ele apresenta elementos da unicidade. Interferem nos mesmos valores, que são atribuídos pelo próprio ser humano e que resultam numa distinção entre o espaço absoluto – cartesiano – uma coisa em si mesmo, independente; e um espaço relacional que apresenta sentido (valor), quando confrontado a outros espaços e outros objetos.

Quadro 2: Paisagem

CONCEPÇÃO NORTEADORA
ELEMENTOS DE APROFUNDAMENTO
Unidade visível do arranjo espacial, alcançado por nossa visão.
Contém elementos impostos pelo homem, por meio de seu trabalho, de sua cultura e de sua emoção. Nela se desenvolve a vida social e, dessa forma, ela pode ser identificada informalmente apenas, mediante a percepção, mas também pode ser identificada e analisada de maneira formal, de modo seletivo e organizado; e é neste último sentido que a paisagem se compõe como um elemento conceitual de interesse da Geografia.

 

 

Quadro 3: Território

CONCEPÇÃO NORTEADORA
ELEMENTOS DE APROFUNDAMENTO
Porção do espaço definida pelas relações de poder, passando, assim, da delimitação natural e econômica para a de divisa social.
O grupo que se apropria de um território ou se organiza sobre ele cria relação de territorialidade, que se constitui em outro importante conceito da Geografia. Ela se define como a relação entre os agentes sociais políticos e econômicos, interferindo na gestão do espaço.
A delimitação do território é a delimitação das relações de poder, domínio e apropriação nele instaladas. É, portanto uma porção concreta. O território pode, assim, transcender uma unidade política, o mesmo acontecendo com o processo de territorialidade, sendo que este não se traduz por uma simples expressão cartográfica, mas se manifesta sob as relações variadas, desde as mais simples até as mais complexas.

 

 

Quadro 4: Escala

CONCEPÇÃO NORTEADORA
ELEMENTOS DE APROFUNDAMENTO
Distinguem-se dois tipos ou duas visões básicas: a escala cartográfica e a escala geográfica. A primeira delas é, a priori, uma relação matemática que implica uma relação numérica entre a realidade concreta e a realidade representada cartograficamente. No caso da escala geográfica, trata-se de uma visão relativa a elementos componentes do espaço geográfico, tomada a partir de um direcionamento do olhar científico: uma escala de análise que procura responder aos problemas referentes à distribuição dos fenômenos.
Para a escala geográfica, é essencial estabelecer os valores numéricos entre o fato representado e a dimensão real do fato ocorrente. No entanto, essa relação pode pressupor a escolha de um grau de detalhamento que implique a inclusão de fatos mais ou menos visíveis, dentro de um processo seletivo que considere graus de importância para o processo de representação.
No caso da escala geográfica, o que comanda a seleção dos fatos é a ordem de sua importância, no contexto do tema que está sendo trabalhado. Há, nesse caso, uma seleção efetiva dos fatos, a partir dos diversos níveis de análise, que já se tentou agrupar em unidades, o que pode ser discutível.

Quadro 5: Lugar

CONCEPÇÃO NORTEADORA
ELEMENTOS DE APROFUNDAMENTO
Porção do espaço apropriável para a vida, que é vivido, reconhecido e cria identidade.
Guarda em si mesmo as noções de densidade técnica, comunicacional, informacional e normativa. Guarda em si a dimensão da vida, como tempo passado e presente. É nele que ocorrem as relações de consenso, conflito, dominação e resistência. É nele que se dá a recuperação da vida. É o espaço com o qual o indivíduo se indentifica mais diretamente

 

 

Quadro 6: Globalização, Técnicas e Redes

CONCEPÇÃO NORTEADORA
ELEMENTOS DE APROFUNDAMENTO
O fato gerador é o processo de globalização, que corresponde a uma etapa do processo de implementação de novas tecnologias, as quais acabaram por criar a intercomunicação entre os lugares em tempo simultâneo. Para sua ocorrência, torna-se fundamental a apreensão das técnicas pelo ser humano e a expressão das redes, que não se restringem à comunicação, mas englobam todos os sistemas de conexão entre os lugares.
A

A – Rede

É toda infraestrutura, permitindo o transporte de matéria, de energia ou informação, que se inscreve sobre um território caracterizado pela topologia dos seus pontos de acesso ou pontos terminais, seus arcos de transmissão, seus nós de bifurcação ou de comunicação. Mas a rede é também social e política, pelas pessoas, mensagens e valores que a frequentam.

A organização do espaço geográfico, através das redes, eliminou a necessidade de fixar as atividades políticas, econômicas e até terroristas, em determinados lugares. Isso vale para o grande número de atividades que podem ser executadas a partir de qualquer parte do mundo, bastando que esses locais estejam conectados. O espaço geográfico hoje tende a se tornar um meio técnico-científico-informacional, impregnado pela tríade ciência, técnica e informação, o que resulta em uma nova dinâmica territorial (SANTOS, 1994). Até há pouco tempo, a superfície do planeta era utilizada de acordo com divisões produzidas pela natureza ou pela história, chamadas de regiões. Essas regiões correspondiam à base da vida econômica, cultural e política. Atualmente, devido ao processo das técnicas e das comunicações, a esse território se sobrepõe um território das redes que, em primeira análise, fornece a impressão de ser uma realidade virtual. Porém, ao contrário do que se possa imaginar, não se trata de um espaço virtual. Para o sociólogo espanhol Manuel Castells (2002, p. 565), “redes constituem a nova morfologia social de nossas sociedades e a difusão da lógica de redes modifica de forma substancial a operação e os resultados dos processos produtivos e de experiência, poder e cultura”.

Assim, as redes são realidades concretas, formadas por pontos interligados, que tendem se a espalhar por toda a superfície mundial, ainda que com desigual densidade, conforme os continentes e países. Milton Santos (1996, p. 215) afirma que “a existência das redes é inseparável da questão do poder”. Essas redes se constituem na base da modernidade e na condição necessária para a plena realização da economia global.

Elas formam o veículo que possibilita o fluxo das informações, que é hoje o mecanismo vital da globalização. Ruy Moreira (2006) salienta que a organização em rede vai mudando a forma de conteúdo dos espaços, deixando-os simultaneamente mais fluidos, de maneira que as distâncias perdem seu sentido físico diante do novo conteúdo social do espaço. Antes de mais nada, é preciso se estar inserido num lugar, para se estar inserido na geopolítica da rede. Uma vez localizado na rede, pode-se daí puxar a informação, disputar-se primazias e então integrar-se ao jogo do poder.

B – Natureza

São múltiplos elementos criados por uma dinâmica própria e que interagem entre si (exemplos: rios, oceanos, florestas, vulcões, montanhas, animais, homens etc.).

C – Sociedade

Conjunto de pessoas interagindo entre si, buscando seus meios de sobrevivência e construindo suas culturas.

D – Cultura

Conjunto de técnicas, normas, crenças, ideias, formas de organização social, manifestações artísticas, costumes, línguas etc., que surgem e se desenvolvem por intermédio das experiências de grupos humanos em determinado meio ambiente.

E – Trabalho

Ação desencadeada pelo homem para produzir os seus objetos, construir sua morada, atender às suas mais variadas necessidades.

 

A Periodização do espaço

Milton Santos (1996) explica que a história do meio geográfico pode ser dividida em três etapas: o meio natural, o meio técnico (período de emergência do espaço mecanizado) e o meio técnico-científico-informacional.

 Meio natural

Quando tudo era meio natural, o homem escolhia da natureza aquelas suas partes ou aspectos considerados fundamentais ao exercício da vida, valorizando, diferentemente, segundo os lugares e as culturas, essas condições naturais que constituíam a base material da existência do grupo. Esse meio natural generalizado era utilizado pelo homem sem grandes transformações. As técnicas e o trabalho se casavam com as dádivas da natureza, com a qual se relacionavam sem outra mediação. Nesse período, os sistemas técnicos não tinham existência autônoma.

Meio técnico

O período técnico vê a emergência do espaço mecanizado. Os objetos quef ormam o meio não são, apenas, objetos culturais; eles são culturais e técnicos, ao mesmo tempo. Quanto ao espaço, o componente material é crescentemente formado do “natural” e do “artificial”. Contudo, o número e a qualidade de artefatos variam. As áreas, os espaços, as regiões, os países passam a se distinguir em função da extensão e da densidade da substituição, neles, dos objetos naturais e dos objetos culturais por objetos técnicos.

Com o advento da ciência, criaram-se as condições para a invenção de máquinas que modificaram, radicalmente e com muita rapidez, o modo de vida no planeta. A tecnologia adquiriu um papel cada vez mais importante. O conjunto das tecnologias envolvidas no processo de fabricação de mercadorias, produção de energia e circulação de pessoas foi resultado da aplicação prática dos conhecimentos científicos.

Meio técnico-científico-informacional

É um meio geográfico onde o território inclui obrigatoriamente ciência, tecnologia e informação. É a nova face do espaço e do tempo. É onde se instalam as atividades hegemônicas, aquelas que têm relações mais longínquas e participam do comércio internacional, fazendo com que determinados lugares se tornem mundiais. Caracteriza o meio geográfico da globalização capitalista, o qual se distingue dos períodos anteriores, em virtude da crescente interação entre a ciência e a técnica.

 

Mudanças tecnológicas ao longo do tempo
Período
Comunicação
Energia
Meios
Pré-agrícola
Linguagem oral e pictórica
•     Fogo
•     Animais
•     Instrumentos primitivos
Agrícola
• •
Escrita Imprensa
•          Tração animal
•          Pólvora
•           Charrua (arado grande def erro)
Industrial
Telégrafo
Telefone
Fonógrafo
Rádio
Cinema
•          Máquina a vapor
•          Eletricidade
•          Aço
•          Máquinas avançadas
•          Estradas de ferro
•          Veículos motorizados
Atual
Televisão
Satélite
Computador
Sistemas multimídias
Fissão atômica Baterias elétricas Laser
Transporte supersônico e interplanetário Materiais sintéticos
Microeletrônica
Informática
Robótica
Biotecnologia

Quadro 7: Mudanças tecnológicas ao longo do tempo

Fonte: Adaptado de SANTOS, 1996, p. 140 e de LUCCI et al., 2005, p.7.

 

texto:   Espaço Geográfico e Paisagem

Numa paisagem podem ser observados edifícios, áreas cultivadas, ruas, ferrovias, igrejas, aeroportos, veículos, enfim, vários objetos construídos e modificados pela sociedade humana ao longo da História, além das formas naturais (animais e plantas em geral) e as próprias pessoas. A paisagem geográfica é aquilo que se vê (o conjunto dos elementos materiais) e se percebe (sons, cheiros, movimentos) num determinado momento, num certo trecho do espaço.

O geógrafo Milton Santos definiu paisagem como “o domínio do visível, aquilo que a vista abarca. Não é formada apenas de volumes, mas também de cores, movimentos, odores, sons, etc. […] A dimensão da paisagem é a dimensão da percepção, o que chega aos sentidos”. (Metamorfose do espaço habitado. 4. ed. São Paulo: Hucitec, 1996, p. 61 e 62).

A simples observação da paisagem não nos traz explicações sobre as funções de cada uma das edificações, a organização do sistema de produção, as tecnologias empregadas, as relações comerciais, as relações de trabalho, a organização política e social, etc.

Ao considerarmos os elementos materiais, as funções das edificações, as sociedades, as relações e as estruturas econômicas sociais e políticas, estamos tratando do espaço geográfico e não apenas da paisagem. O espaço geográfico é, portanto, o conjunto de elementos materiais (naturais e construídos) sob permanente ação da sociedade, que o modifica e o organiza por meio do trabalho e das diversas relações econômicas, sociais e políticas.

A estrutura (paisagem) e o uso do espaço, além dos impactos nele produzidos, são temas interligados da Geografia. A análise desses elementos permite entender como os grupos sociais operam na paisagem, desenvolvem relações de trabalho e interagem entre si, com outros grupos e com o ambiente.

Fonte: LUCCI, Elian Alabi et al. Território e sociedade no mundo globalizado: geografia geral e do Brasil. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 12.

Produção espacial e estruturas de relação

Se observarmos uma quadra de futebol de salão, notamos que o arranjo do terreno reproduz as regras desse esporte. Basta aproveitarmos a mesma quadra e nela sobrepormos o arranjo espacial do futebol de salão, do vôlei, do basquete ou do handebol uns sobre os outros, cada qual com “leis” próprias, para notarmos que o arranjo espacial de um diferirá do outro no terreno. Diferirá porque o arranjo espacial ao se confundir com as regras do jogo, segue as regras de cada um dos esportes citados. Se fossem as mesmas as “leis” para todos eles, o arranjo seria um só.

Naturalmente que a transposição do exemplo da quadra de esportes para o que ocorre com a formação espacial implica alguns cuidados, como de resto deve acontecer com as analogias. Não se trata de uma diferença de escalas, apenas, mas de natureza qualitativamente distinta entre a quadra e a formação espacial, embora possamos falar da quadra como de uma formação espacial. Mas as regras do esporte são regras simples e quase mecânicas, com intuitos de repetições de jogadas de reduzidas margens de variações. As leis de uma formação econômico-social são de uma ordem de grande complexidade, porque se referem a movimentos determinados historicamente. Confundindo-se com estruturas complexas enquadradas no tempo histórico, e não no tempo sideral como o da quadra, a formação espacial tem uma estrutura complexa e submetida ao tempo histórico.

Fonte: MOREIRA, Ruy. Pensar e ser em geografia: ensaios de história, epistemologia e ontologia do espaço geográfico. São Paulo: Ed. Contexto, 2007. p. 70.

 

Importância de cada Escala Geográfica

Até por volta dos anos 1980, considerava-se a escala dos Estados nacionais como a mais importante, pois nela existem as fronteiras entre os territórios nacionais, nos quais prevalece a soberania do poder público, isto é, do Estado. Geralmente a maior parte da política e a economia são determinadas por esta escala nacional: é aí que se definem a moeda e o sistema financeiro do país, as políticas de desenvolvimento, de educação, de saúde, de previdência, etc.

Com o avanço da globalização ou interdependência cada vez maior entre todos os povos e economias, ocorreu uma intensa valorização da escala global em virtude da expansão dos acordos, dos problemas comuns da humanidade (comércio mundial, tecnologias de informação, meio ambiente, máfias, narcotráfico, terrorismo etc.) e, principalmente, de uma crescente importância do mercado e do sistema financeiro internacionais e das instituições supranacionais, como a ONU, a União Europeia e outras.

Também a escala local vem sendo cada vez mais valorizada, na medida em que vem ocorrendo um relativo enfraquecimento das fronteiras nacionais, com a crescente abertura comercial e um lento avanço da democracia em várias partes do globo. O enfraquecimento das fronteiras é um fato que permite que as localidades tenham maior autonomia em comparação com o passado. O avanço da democracia é algo que favorece a descentralização das decisões, e estas, em alguns casos, deixam de ser tomadas na escala nacional, pelo governo do país, e passam a ser definidas na escala local, pela comunidade ou pelo governo do município.

Fonte: VESENTINI, José Willian. Sociedade & espaço: geografia geral e do Brasil. São Paulo: Ática, 2005. p. 14.

Sugestões de vídeos

NÃO por acaso. Brasil, 2007. Direção: Phillipe Barcinski. Brasil, 2007. Duração: 90 min

DIÁRIO de motocicleta. Direção: Walter Salles. Estados Unidos, 2004. Duração: 126 min.

DENISE está chamando. Direção: Hal Salwen. Canadá, 1995. Duração: 80 min.

NOAM Chomsky e a mídia: o consenso fabricado. Direção: Marck Achbar e Peters Wintonick. Austrália, 1992. Duração: 170 min.

Exercícios

(UFU) A Geografia se expressou e se expressa a partir de um conjunto de conceitos que, por vezes, são considerados erroneamente como equivalentes, a exemplo do uso do conceito de espaço geográfico como equivalente ao de paisagem, entre outros.

Considerando os conceitos de espaço geográfico, paisagem, território e lugar, assinale a alternativa INCORRETA.

  1. A paisagem geográfica é a parte visível do espaço e pode ser descrita a partir dos elementos ou dos objetos que a compõem. A paisagem é formada apenas por elementos naturais; quando os elementos humanos e sociais passam a integrar a paisagem, ela se torna sinônimo de espaço geográfico.
  2. O espaço geográfico é (re)construído pelas sociedades humanas ao longo do tempo, através do trabalho. Para tanto, as sociedades utilizam técnicas de que dispõem segundo o momento histórico que vivem, suas crenças e valores, normas e interesses econômicos. Assim, pode-se afirmar que o espaço geográfico é um produto social e histórico.
  3. O lugar é concebido como uma forma de tratamento geográfico do mundo vivido, pois é a parte do espaço onde vivemos, ou seja, é o espaço onde moramos, trabalhamos e estudamos, onde estabelecemos vínculos afetivos.
  4. Historicamente, a concepção de território associa-se à ideia de natureza e sociedade configuradas por um limite de extensão do poder. A categoria território possui uma relação estreita com a de paisagem e pode ser considerada como um conjunto de paisagens contido pelos limites políticos e administrativos de uma cidade, estado ou país.

(UEPB) De acordo com a composição “Triste Partida” de Patativa do Assaré, nas estrofes que dizem No topo da serra

Oiando pra terra

Seu berço, seu lar

[…]

Aquele nortista

Partido de pena De longe acena

Adeus meu lugar…

A categoria geográfica “lugar” que aparece no fragmento do texto está empregada

  1. com o sentido de paisagem, pois é do topo da serra que o retirante delimita visualmente o que ele denomina como o seu lugar.
  2. erroneamente porque ninguém pode ter o sentimento de identidade e de pertencimento a uma terra inóspita que só lhe causa sofrimento. O lugar é para cada pessoa o espaço onde consegue se reproduzir economicamente.
  3. com o sentido de território, pois trata-se de um espaço apropriado pelo fazendeiro, o qual exerce sobre o mesmo uma relação de poder.
  4. corretamente porque está impregnada de emoções e de afetividade. Há uma identidade de pertencimento para com esta parcela d espaço.
  5. com conotação de região natural, pois trata-se do Sertão nordestino de abrangência do clima semiárido de chuvas escassas e irregulares e da presença da vegetação de caatinga.

3 – (Unics) A que categoria geográfica se refere Milton Santos neste fragmento de texto?

“Formado por um conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá.”  (SANTOS, M., 2004:63).

Assinale a alternativa correta:

  1. Paisagem
  2. Espaço geográfico
  3. Território
  4. Lugar
  5. Região

4 – (ESPM) O patrimônio cultural brasileiro é dos mais variados e apresenta íntima relação com o espaço geográfico. Ao lado e abaixo temos dois momentos da arquitetura brasileira que remetem a esta reflexão. Sobre isso, podemos afirmar:

(www.vitruvius.com.br – 05/08)

  1. A paisagem é um conceito geográfico caracterizado pela combinação do território com a cultura, como comprova a arte gótica exposta nas duas imagens.
  2. A produção do espaço é uma ação exclusivamente antrópica em que o meio físico não apresenta relevância em sua construção.
  3. O espaço é uma acumulação desigual de tempos, como pode ser observado nas arquiteturas barroca e moderna, expostas nas imagens.
  4. O espaço é estático, a cultura, dinâmica e o papel da geografia é fazer a descrição do momento presente, como ocorrem nas imagens do século XX, expostas acima. e) A globalização impôs tal padronização cultural aos lugares que extinguiu a preservação da arquitetura histórica, legando ao território, uma convivência exclusiva com a arte contemporânea.

Respostas

  • A
  • D
  • B
  • C

 

2.2  Características Climáticas do território brasileiro:  A relação entre Clima e extensão territorial

A extensão territorial de um país, no sentido geográfico norte-sul, é determinante para as diversas ocorrências climáticas e variadas temperaturas espalhadas pelas mais diversas regiões. Assim, quanto maior for a extensão geográfica norte-sul de um país, maior será a sua diversidade de climas.

.O Brasil possui 92% de seu território localizado na Zona Intertropical do planeta e 8% na Zona Temperada do Sul, além de grande extensão no sentido norte-sul. Essas características conferem ao país a predominância de climas quentes e úmidos, ocorrendo maior variação térmica e estações do ano mais definidas apenas nas áreas concentradas ao sul do Trópico de Capricórnio.

Tipos e Características dos Climas brasileiros

Grosso modo, o Brasil possui dois macroclimas: Equatorial e Tropical. Este segundo recebe denominações regionais de acordo com sua atuação e dinâmicas regionais.

Os climas brasileiros e suas principais características estão assim divididos:

Clima equatorial

É predominante na Região Norte do Brasil, abrangendo, também, o Mato Grosso (Região Centro-Oeste) e Maranhão (Região Nordeste).

Caracteriza-se por ser quente (temperaturas acima de 24ºC) e úmido (totais anuais acima de 2.500mm), possuir baixa amplitude térmica, elevada umidade do ar, sendo brandos ou inexistentes os períodos de estiagem. No Brasil, o Clima Equatorial é fortemente influenciado pelas Massas de Ar Equatorial Continental e Equatorial Atlântica, ambas quentes e úmidas. A ocorrência de baixas temperaturas (fenômeno da friagem), embora rara, se dá quando, no inverno, a Massa Polar Atlântica atravessa as terras baixas do interior do país, canalizando nessa região o ar frio oriundo das porções sul do território.

A vegetação que desabrocha no Clima Equatorial destaca-se por possuir grande biodiversidade, ser latifoliada, e predominar árvores de médio e grande porte, como é o caso da Floresta Amazônica, no Brasil.

Clima tropical

Também denominado Tropical Continental ou Tropical Semiúmido, é característico da Região Centro-Oeste, com ocorrência em porções das Regiões Sudeste e Nordeste.

Trata-se de um tipo climático quente, com duas estações distintas: verão úmido e inverno seco. As temperaturas são altas (média anual em torno de 20°C), com presença de umidade e índice de chuvas de médio a elevado.

O cerrado e o complexo do Pantanal são as vegetações predominantes nesse tipo climático.

Clima tropical semiárido

Conhecido também apenas como “Semiárido”, é o tipo climático brasileiro com menor umidade, sendo predominante na Região Nordeste, em especial em seu sertão, abrangendo o norte de Minas Gerais.

É tipo climático quente (média anual de 28ºC) e seco, onde a pluviosidade anual oscila entre 300 a 800mm. Inexistem massas de ar úmidas atuando na região, o que auxilia na compreensão do baixo índice pluviométrico. O desequilíbrio hídrico presente na região leva à formação de rios intermitentes. A escassez de chuvas, somada a práticas políticas, fazem da seca um instrumento de flagelo à população, a qual, muitas vezes, tem que caminhar quilômetros para conseguir água, nas raras fontes espalhadas pela região semiárida.

O sertão nordestino configura-se em uma das regiões semiáridas mais povoadas do mundo, sendo a caatinga o ecossistema de destaque desse clima.

Tropical litorâneo

Identificado também como Tropical Atlântico, esse tipo climático geograficamente se estende, na costa atlântica, entre os Estados de São Paulo e Rio Grande do Norte.

Possui médias térmicas elevadas, durante todo o ano, podendo ter quedas de temperaturas no inverno, na Região Sudeste, devido à atuação da Massa Polar Atlântica.

Duas formações são representativas desse clima: mata atlântica e os mangues.

Tropical de altitude

Abrange as regiões mais altas do Planalto Atlântico do Sudeste. Geograficamente, atravessa trechos dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Norte do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul. A temperatura apresenta valores entre 18ºC e 22ºC. Por sofrer influência da Massa Tropical Atlântica, há chuvas no verão. No inverno, as geadas são frequentes, devido à presença da Massa Polar Atlântica.

Subtropical

Variação climática típica da Região Sul, ocorrendo ainda nas porções meridionais dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, o Clima Subtropical apresenta as menores temperaturas do país. A alta latitude, somada à intensa atuação da Massa de Ar Polar, são os fatores determinantes para a baixa temperatura.

Durante o inverno, as temperaturas se apresentam muito baixas, chegando a ser negativas em alguns pontos. No verão, as temperaturas são elevadas. Essa combinação de fatores faz com que o Clima Subtropical revele grandes amplitudes térmicas. Outra característica desse clima é a regularidade na distribuição de chuvas anuais.

Campos e Florestas são as Formações vegetais Predominantes.

Figura 1: Mapa – Climas Brasileiros

Fonte: Disponível em: <www.geografiaparatodos.com.br>. Acesso em: 2 jul. 2015

texto:  o Clima e a vida das Pessoas

O clima influencia de diversas maneiras a vida das pessoas, por exemplo,  o tipo de moradia, vestuário, as atividades econômicas e os processos migratórios. O Brasil, com sua grande extensão territorial, engloba uma série de fatores climáticos diferentes que devem ser considerados na arquitetura e na engenharia civil. O formato das moradias, sua posição em relação ao movimento do Sol e a direção dos ventos, o tipo de telhado considerando o regime de chuvas, a permeabilidade do solo, tudo isso, entre outros aspectos, deve ser reconhecido na execução de projetos arquitetônico.

É importante destacar que as atividades humanas podem sofrer adaptações paras as diferentes condições climáticas. Na prática da agricultura, por exemplo, um sistema de irrigação torna possível produzir diversas culturas em áreas de clima árido e semiárido.

Entretanto, existem regiões em que os habitantes são mais afetados pelas condições climáticas durante um maior espaço de tempo. Regiões nessa situação e seus habitantes necessitam de ações públicas no sentido de minimizar impactos negativos. No Brasil, a seca prolongada na região de clima semiárido do Sertão nordestino é um fenômeno natural que tem registro desde a colonização, mas ainda é motivo para agravar a fome e para provocar o êxodo rural de grupos que ainda ali vivem; várias pessoas migram para as cidades em busca de melhores condições de vida, especialmente o que dependem da agricultura de subsistência e da criação de animais, proprietários ou não de terras.

No entanto, é importante afirmar que a seca não é responsável pela miséria no Sertão nordestino, embora possa agravá-la. A miséria nessa região decorre de muitos problemas associados, como concentração de terras, distribuição desigual de renda, pouco acesso à infraestrutura de serviços entre outros.

Fonte: JOIA, Antonio L.; GOETTEMS, Arno G. Geografia: leituras e interpretações. São Paulo: Leya, 1993. p. 176-177.

Exercícios

1- (UFRR) Observe atentamente o mapa a seguir:

Com base no mapa acima, assinale a opção que indica corretamente a classificação de climas (que leva em consideração as massas de ar) de cada região numerada: a) I- Tropical; II – Equatorial úmido; III – Subtropical úmido; IV – Tropical semiárido;

V – Litorâneo úmido.

  1. I – Equatorial úmido; II – Tropical semiárido; III – Tropical; IV – Subtropical úmido; V- Litorâneo úmido.
  2. I – Tropical úmido; II – Tropical seco; III – Tropical semiárido; IV – Tropical lito-râneo; V – Subtropical frio.
  3. I – Tropical; II – Equatorial úmido; III – Tropical seco; IV – Tropical litorâneo; V – Subtropical frio.
  4. I – Equatorial úmido; II – Tropical; III – Tropical semiárido; IV – Litorâneo

úmido;

V – Subtropical úmido.

2 – (UESPI) O Brasil, em face de sua enorme dimensão e da influência de outros fatores estáticos e dinâmicos, possui uma grande variedade de tipos climáticos. Assinale o tipo climático que domina na Região Sul do país. a) Frio Oceânico

  1. Tropical de Altitude
  2. Subtropical
  3. Temperado Continental
  4. Subequatorial

3 – (FURG-RS) O Clima subtropical úmido, no sul do país, é caracterizado por invernos relativamente rigorosos, com a ocorrência esporádica de precipitação de neve em determinadas áreas.

Assinale a alternativa que apresenta os fatores climáticos que influenciam a precipitação de neve em determinadas áreas do sul do país. a) Latitude, altitude e massa de ar.

  1. Altitude, maritimidade e continentalidade.
  2. Latitude, altitude e maritimidade.
  3. Maritimidade, relevo e massas de ar.
  4. Depressões, altitude e massas de ar.

4 – (UFRGS)

 O sistema de alerta baseado em satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) detectou 498 Km2 de desmatamentos na Amazônia Legal por corte raso ou degradação progressiva, em agosto de 2009. Desse total, 301 Km2 foram registrados no Pará.

A cada quinzena, os dados são enviados ao IBAMA, responsável pela fiscalização das áreas. O sistema indica tanto áreas de corte raso – quando os satélites detectam a completa retirada da floresta nativa – quanto áreas classificadas como degradação progressiva, que revelam o processo de desmatamento na região.

Adaptado de: http://www.inpe.br.

O texto faz referência a uma região em que predomina o clima a) tropical úmido.

  1. tropical semiárido.
  2. tropical semiúmido.
  3. subtropical úmido.

Respostas

  • E
  • C
  • A
  • E

 

2.3 As questões ambientais Contemporâneas: Mudança Climática, ilhas de Calor, efeito estufa, Chuva ácida e a destruição da Camada de ozônio

Revolução industrial: um marco da questão ambiental Contemporânea

Desde que surgiu no planeta, o homem modifica o espaço, transformando a natureza para sua melhor subsistência. Contudo, é a partir da Revolução Industrial, inaugurada no século XVIII, em terras inglesas, que as atividades antrópicas começaram a causar maior impacto na natureza. A produção e o estímulo do consumo em massa, a urbanização e a substituição das fontes de energia por combustíveis fósseis ditaram um novo ritmo socioambiental ao mundo.

Ilhas de Calor

Caracterizando-se por ser uma das mais notáveis demonstrações da ação antrópica sobre o espaço, as Ilhas de Calor são fenômenos que ocorrem nos grandes centros urbanos e são caracterizados pela elevação de temperatura em alguns pontos da cidade, sendo mais comuns nas áreas centrais do que na periferia. Em média, os centros urbanos ficam em torno de 7ºC mais quentes, quando comparados às periferias.

As Ilhas de Calor se originam devido à poluição atmosférica, alta densidade demográfica, pavimentação, remoção da cobertura vegetal, construção de prédios barrando a passagem do vento, grande quantidade de veículos e outros fatores que contribuem para o aumento da retenção de calor na superfície.

Efeito estufa

É importante ressaltar que o Efeito Estufa é um fenômeno natural e de suma importância para a manutenção da vida na Terra. Acredita-se que, sem a existência do Efeito Estufa, as temperaturas no planeta ficariam em torno de 15ºC negativos, impossibilitando as formas de vida como hoje as conhecemos.

O grande problema reside na intensificação desse fenômeno, causada pela permanente queima de combustíveis fósseis e impulsionada pelo período pós-Revolução Industrial, o que ocasionou desequilíbrio na composição atmosférica.

Os raios solares, quando atingem a Terra, têm parte de seu calor absorvido pela superfície, enquanto o restante é “devolvido” para a atmosfera. Contudo, com presença cada vez mais constante de poluentes atmosféricos, forma-se uma camada impedindo que o calor se dissipe por completo, fazendo o papel de estufa e aumentando a temperatura interna do planeta.

Chuva ácida

Toda chuva, naturalmente, possui certo grau de acidez, independentemente da poluição atmosférica. Esse grau de acidez não é prejudicial ao meio ambiente. Todavia, a acidez aumenta e se torna danosa, quando reage com outros elementos, como o dióxido de enxofre (SO2) e o dióxido de nitrogênio (NO2), gases oriundos da queima de combustíveis fósseis. Esses ácidos são dissolvidos pelas gotas de chuva e se precipitam como chuva ácida. A circulação atmosférica faz com que essas precipitações ácidas se materializem a quilômetros de distância de sua origem.

Entre os principais problemas ambientais proporcionados pela chuva ácida, estão:

  • Prejuízos à vegetação natural e às plantações;
  • Destruição da vida vegetal e animal em lagos e rios;
  • Efeitos insalubres, uma vez que a corrosão do solo libera metais pesados;
  •  Corrosão de monumentos, paredes de edifícios, veículos e estátuas;
  • Contaminação de lençóis freáticos.

As manchas industriais da Europa, Estados Unidos, Japão e China são as regiões do planeta onde a chuva ácida mais se faz presente. No Brasil, a chuva ácida é mais comum nas áreas dos grandes centros industriais, como  Cubatão (SP), as zonas metalúrgicas de Minas Gerais e as regiões carboníferas no litoral de Santa Catarina.

Destruição da camada de ozônio

A Camada de Ozônio tem grande importância para a vida na Terra, por pro-

teger o planeta dos raios ultravioletas emitidos pelo sol. Porém, com a emissão de certos tipos de gases como, por exemplo, o clorofluorcaboneto (CFC), quando associada aos raios ultravioletas, causam a sua destruição.

A sua diminuição provoca sérios problemas de saúde, como catarata e câncer de pele, além de danos aos ecossistemas. A rarefação da Camada de Ozônio acontece mais intensamente em regiões temperadas do Hemisfério Norte, região do Ártico e Antártida.

texto :   Derretimento de Geleiras na antártida é ‘irrefreável’, dizeM Cientistas

Dois novos estudos mostram que a água morna dos oceanos está corroendo a base da camada de gelo, em um processo que não pode mais ser interrompido

O derretimento das geleiras da Antártida Ocidental está avançando de forma gradual e “irrefreável”, afirmaram dois novos estudos científicos. De acordo com os levantamentos, o derretimento que já começou não deve ter efeitos imediatos nos oceanos, mas poderá adicionar até 3,6 metros ao nível do mar nos próximos séculos, um ritmo de elevação mais rápido do que o previsto anteriormente.

Os resultados dos estudos foram divulgados em uma entrevista coletiva convocada pela Nasa nesta segunda-feira. Os pesquisadores afirmaram que é provável que o derretimento ocorra por causa do aquecimento global provocado pelo homem e pelo buraco na camada de ozônio, que mudaram os ventos da Antártida e aqueceram a água que corrói as bases do gelo. Fatores naturais, no entanto, também podem estar entre as causas, acrescentaram os cientistas.

Em um dos estudos, a agência espacial americana analisou 40 anos de dados de solo, aviões e de satélite sobre o que os pesquisadores chamam de “o ponto fraco da Antártida Ocidental” que mostram que o colapso das geleiras da região está sendo provocado pela água morna do oceano que se infiltra por baixo da camada de gelo, acelerando o seu derretimento. “Parece estar acontecendo rapidamente”, disse o glaciologista da Universidade de Washington, Ian Joughin, autor de um dos levantamentos.

 ‘Reação em Cadeia’

Outro cientista envolvido nas pesquisas classificou o processo como “irrefreável” e explicou que nenhuma ação humana ou mudança climática poderá deter o derretimento, embora ele possa ser reduzido. “O sistema está em uma espécie de reação em cadeia que é irrefreável”, disse o glaciologista da Nasa, Eric Rignot, principal autor de um dos estudos. “Cada processo nesta reação está alimentando o próximo.” Segundo ele, limitar as emissões de combustíveis fósseis para reduzir a mudança climática provavelmente não irá parar o derretimento, mas pode diminuir a velocidade do problema.

Fonte: Veja.com/Ciência, 13 maio 2014. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/derretimento-de-geleiras-na-antartida-e-irrefreavel-dizem-cientistas/&gt;. Acesso em: 7 jul. 2015.

sugestões de leituras

ANGELO, Cláudio. O aquecimento global. São Paulo: Publifolha, 2008.

PEARCE, Fred. O aquecimento global: causas e efeitos de um mundo mais quente. São Paulo: Publifolha, 2002. (Série Mais Ciência).

sugestões de vídeos

A ÚLTIMA hora. Direção de Leila Conners Peterson, Nádia Conners. EUA, 2007. Duração: 95 min.

O DIA depois de amanhã. Direção de Roland Emmerich. EUA, 2004. Duração: 124 min.

exercícios

1 – (UCS) O efeito estufa é um processo em que o calor proveniente do Sol é absorvido pela Terra e posteriormente é irradiado para a atmosfera, onde parte desse calor fica retido devido à presença de gases, como o vapor d’água, o gás carbônico e o metano.

Analise a veracidade (V) ou a falsidade (F) das afirmações a seguir, relacionadas ao efeito estufa.

(    ) O efeito estufa é um processo natural que, se não existisse, tornaria a Terra um planeta gelado e inabitável para a maioria dos seres vivos.

(    ) O aumento da emissão de gases, como o gás carbônico e o metano, pode gerar um aumento na retenção de calor na atmosfera, aquecendo nosso planeta.

(    ) Uma fonte emissora de metano é o rebanho de gado bovino, pois tais animais eliminam grandes quantidades desse gás, proveniente do metabolismo dos seus tratos digestórios.

(    ) A quantidade de gás carbônico na atmosfera vem aumentando desde a Revolução Industrial.

Assinale a alternativa que preenche corretamente os parênteses, de cima para baixo. a) V – F – F – V

  1. F – V – V – F
  2. F – F – V – F
  3. V – V – F – V
  4. V – V – V – V

2 – (PUCPR) Monumentos históricos e outras construções são atingidos pela _______________________, fenômeno que ocorre especialmente nas grandes cidades, nas quais existe grande concentração de indústrias e veículos automotores ou ainda onde se localizam usinas termoelétricas.

 A lacuna acima é CORRETAMENTE preenchida com: a) Inversão térmica.

  1. Aurora boreal.
  2. Chuva ácida.
  3. Cinzas vulcânicas.
  4. Enchentes de outono.

3 – (UFVJM) A queima de combustíveis fósseis condiciona diversos fenômenos atmosféricos nocivos ao meio ambiente.

ASSINALE a alternativa que apresenta um fenômeno atmosférico que NÃO se origina da queima de combustíveis fósseis. a) Chuva ácida.

  1. Ilhas de calor.
  2. Efeito estufa.
  3. Camada de ozônio.

4 – (UNESP) O efeito estufa é um fenômeno natural e consiste na retenção de calor irradiado pela superfície terrestre, pelas partículas de gases e água em suspensão na atmosfera que garante a manutenção do equilíbrio térmico do planeta e da vida. O efeito estufa, de que tanto se fala ultimamente, resulta de um desequilíbrio na composição atmosférica, provocado pela crescente elevação da concentração de certos gases que têm a capacidade de absorver calor.

Qual das ações a seguir seria mais viável para minimizar o efeito acelerado do aquecimento global provocado pelas atividades do homem moderno?

  1. Redução dos investimentos no uso de tecnologias voltada para a captura e seques-tro de carbono.
  • Aumento da produção de energia derivada de fontes alternativas, como o xisto pirobetuminoso e os micro-organismos manipulados geneticamente.
  1. Reduzir o crescimento populacional e aumentar a construção de usinas termelétricas.
  • Reflorestamento maciço em áreas devastadas e o consumo de produtos que não contenham CFCs (clorofluorcarbonetos).
  1. Criação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) pelo Brasil e do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) pelos EUA.

Respostas

  • E
  • C
  • D
  • D

 

2.4   Estrutura interna da terra

Conhecer a estrutura interna da Terra é de fundamental importância para o entendimento dos fenômenos que despontam em sua superfície, como vulcanismo, terremoto e atividade mineradora.

A estrutura interna do planeta é formada por três tipos de camadas.

Camadas internas da terra núcleo

Constituído por ferro misturado com outros elementos (níquel, silício e carbono). Possui altas temperaturas e está dividido em núcleo externo (líquido) e núcleo interno (sólido).

Manto

Camada intermediária, o manto é composto de material de maior densidade, possuindo em sua composição ferro, magnésio e silício. É nessa região que se encontra um material pastoso denominado magma.

Crosta terrestre

Das três camadas que compõem a estrutura interna da Terra, a crosta terrestre é a mais superficial e menos densa de todas. Trata-se de uma camada descontínua, formada por fragmentos que flutuam sobre o manto, gerando incessante atividade geológica na superfície terrestre (tectonismo).

texto:   A Crosta em movimento

Em 1912, o cientista alemão Alfred Wegener (1880-1930) elaborou a Teoria da Deriva dos Continentes. Observando semelhanças entre os contornos da América, da Europa e da Ásia, e também entre as rochas que os formam, Wegener propôs que, há cerca de 200 milhões de anos, os continentes estariam todos unidos, formando um único bloco, a Pangeia. Esta teria se partido, separando-se em dois grandes blocos continentais: Gondwana e Laurásia. Posteriormente, outras fragmentações deram origem aos atuais continentes, em tempos geológicos mais recentes.

A teoria foi contestada pela maior parte da comunidade científica da época. Um dos poucos que a apoiaram, o geólogo britânico Arthur Holmes (1860-1965), elaborou, em 1928, a hipótese da expansão dos fundos oceânicos, baseando-se no movimento de convecção do magma na astenosfera. Para Holmes, esse movimento teria empurrado os continentes.

Em 1967, o geofísico estadunidense William Jason Morgan (1935 -) confirmou a hipótese de Holmes: os fundos oceânicos se deslocam e se expandem a partir das dorsais, as cordilheiras situadas na porção central dos oceanos, chamadas meso-oceânicas. Constatou-se também que a idade das rochas dos fundos dos oceânicos aumenta à medida que elas se distanciam das dorsais, ou seja, quanto mais próximas dos continentes, mais antigas são as rochas.

A partir dessas constatações, chegou-se à conclusão de que o envoltório da Terra (a crosta terrestre) é descontínuo e fragmentado em vários blocos, os quais são formados por partes continentais e oceânicas (o fundo ou assoalho dos oceanos). Cada bloco corresponde a uma placa tectônica que se desloca pelos movimentos de convecção do magma. A deriva dos continentes, a formação das cordilheiras montanhosas e de outras formas de relevo, os terremotos, os tsunamis passaram a ser compreendidos melhor pela Teoria da Tectônica de Placas.

Fonte: LUCCI, Elian Alabi et al. Território e sociedade no mundo globalizado. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 63-64.

sugestões de leituras

TEIXEIRA, Wilson et al. (Org.). Decifrando a terra. 2. ed. São Paulo: Companhia

Editora Nacional, 2009.

VERNE, Júlio. Viagem ao centro da Terra. São Paulo: FTD, 2007.

sugestão de vídeo

TERRA: um planeta fascinante. EUA, Discovery Channel, 2002. Duração: 100 min.

exercícios

1 – (UPE) As lavas mais antigas estão justamente nas ilhas mais afastadas da Cadeia Médio-Atlântica; por outro lado, as mais jovens são encontradas nas ilhas adjacentes à referida Cadeia. Esta ocupa posição mediana no Atlântico, acompanhando paralelamente as sinuosidades da costa da África e da América do Sul. Portanto, o assoalho submarino está em processo de expansão.

Esses dados mencionados apoiam a ideia de um importante modelo teórico empregado pela Geografia Física e pela Geologia. Qual alternativa contém esse modelo? a) Uniformitarismo das cadeias oceânicas

  1. Teoria da Tectônica Global
  2. Modelo da Litosfera Quebradiça
  3. Teoria do Quietismo Crustal
  4. Migração dos Polos Geográficos

2 – (UECE) A parte sólida e a parte com material em estado de fusão da Terra correspondem, respectivamente, à a) criosfera e à litosfera.

  1. litosfera e ao magma.
  2. hidrosfera e ao magma.
  3. troposfera e à criosfera.

3 – (UDESC) A Teoria da Deriva dos Continentes foi enunciada pelo cientista alemão Alfred Lothar Wegener, em 1912. Segundo este autor a Terra teria sido formada inicialmente por um único e enorme supercontinente que foi se fragmentando e se deslocando continuamente desde o período Mesozoico, como se fosse uma espécie de nata flutuando sobre um magma semilíquido e passeando em diferentes direções. Assinale a alternativa que contém o nome com o qual foi batizado este supercontinente inicial. a) Gaia

  1. Placas Tectônicas
  2. Folhelhos de Wegener
  3. Riftis
  4. Pangeia

Respostas

  • B
  • B
  • E

 

2.5 estruturas do solo e do relevoagentes internos e externos Modeladores do relevo

Agentes Modeladores do relevo Agentes internos

Também denominados forças endógenas, os agentes internos são responsáveis por dar forma ao relevo.

Tectonismo ou Movimentos Tectônicos

Deslocamentos lentos das placas tectônicas. Podem ser verticais (epirogênese) ou horizontais (orogênese).

Para se medir a intensidade e a magnitude dos terremotos, usa-se a Escala Richter.

Escala Richter
2,4 ou menos Praticamente não é sentido, mas pode ser gravado em sismógrafo.
2,5 a 5,4 É eventualmente percebido e provoca danos menores, como a quebra de vidros e de objetos.
5,5 a 6,0 Ligeiros danos, como rachaduras em edifícios e outras estruturas. Apenas edificações precárias podem desabar.
6,1 a 6,9 Pode causar uma série de danos em áreas muito povoadas. Derruba várias edificações, causa o transbordamento de rios, danos nas estradas, entre outros.
7,0 a 7,9 Grande terremoto. A destruição é de grande proporção no local do epicentro.
8,0 ou maior Grande terremoto. Pode destruir totalmente comunidades perto do epicentro e se propaga para locais mais distantes

Quadro 8: Escala Richter

Fonte: U.S. GEOLOGICAL SURVEY. Disponível em: <www.usgs.gov>. Acesso em: dez. 2002. (Apud LUCCI et al., 2013, p. 69).

vulcanismo

Fendas na crosta terrestre por meio das quais o magma é expelido à superfície, os vulcões se constituem em dois tipos: explosivo e não explosivo.

Os explosivos surgem nos pontos de encontro das placas tectônicas como, por exemplo, os que integram o Círculo do Fogo do Pacífico.

Por sua vez, os não explosivos, como os localizados no Havaí, acontecem no meio de uma placa tectônica, distante do atrito entre elas.

abalos sísmicos

Os abalos sísmicos são tremores causados pela movimentação das placas tectônicas. Propagam-se a partir do hipocentro (área de contato entre as placas), atingindo regiões distantes do epicentro (ponto de contato na superfície).

Quando ocorrem em áreas continentais, são chamados de terremotos; maremoto é o nome dado quando esse fenômeno acontece em águas oceânicas.

agentes externos

Também chamados de forças exógenas, os agentes externos são responsáveis por modelar o relevo.

erosão e intemperismo

Composta por desgaste, transporte e acúmulo de sedimentos, a erosão é um processo natural que provoca desgastes nas rochas e nos solos.

Intemperismo é o conjunto de processos que gera a degradação das rochas. O intemperismo pode ser físico (mecânico), pela variação de temperaturas entre o dia e a noite e, no decorrer das estações do ano; químico, efetuado pela atuação hídrica; e biológico, quando há a transformação das rochas a partir da ação de seres vivos, como bactérias ou até mesmo animais.

ventos

Os ventos são os responsáveis pelo processo de erosão e deposição de sedimentos. Os desertos, por exemplo, são formados em grande parte pela atuação da erosão eólica.

ação antrópica

O ser humano tem cada vez mais atuado na transformação dos espaços naturais, resultando na modificação do relevo. Ao construir cidades, desviar cursos de rios, derrubando florestas, a ação humana altera e acelera o ciclo natural.

solos

O solo é a camada superficial da litosfera, arável e possuidora de vida microbiana. Quanto a sua gênese, os solos classificam-se em eluviais (desagregação e decomposição das rochas existentes no próprio local de formação) e aluviais (originados do acúmulo de material transportado pela ação da água e do vento).

texto. solo: um Complexo quarto reino

O solo é o único ambiente onde se encontram reunidos em associação íntima os quatros elementos: domínio das rochas ou pedras – litosfera; domínio das águas – hidrosfera; domínio do ar – atmosfera; domínio da vida – biosfera. É um complexo vivo elaborado na superfície de contato da crosta terrestre, com seus invólucros: atmosfera, hidrosfera e formado de organismos vegetais e animais que lhes dão a matéria orgânica.

O solo, no dizer de Dokoutchaiev, é um corpo natural completamente diferente do mundo mineral, vegetal e animal, sendo, no entanto, um mundo vivo, pois um solo pode ser jovem (incompleto na sua formação), adulto (bem formado), velho e morto (fóssil). Por causa de sua gênese, sua evolução e suas propriedades, o solo difere dos três reinos da natureza, devendo ser considerado como um quarto reino.

Fonte: GUERRA, Antônio T. Dicionário geológico-geomorfológico. Rio de Janeiro: IBGE, 1980. p. 398.

sugestões de leituras

BRANCO, Samuel Borges; BRANCO, Fábio Cardinale. A deriva dos continentes. São Paulo: Moderna, 2014.

FRANÇOIS, Michel. A geologia em pequenos passos. São Paulo: IBEP, Nacional, 2006.

sugestão de vídeo

10.5 – O dia em que a Terra não aguentou. EUA: NBC, 2004. Duração: 153 min.

exercícios

1 – (UFP) A dinâmica interna e a externa da Terra provocam modificações no relevo terrestre. São considerados, respectivamente, agentes modeladores internos (endógenos) e externos (exógenos) da Terra: a) Erosão e intemperismo.

  1. Águas correntes e vulcanismo.
  2. Geleiras e vento.
  3. Vulcanismo e tectonismo.
  4. Tectonismo e intemperismo.

2 – (PUCMG)

No contato entre placas litosféricas ocorre a maioria dos fenômenos relacionados ao tectonismo e vulcanismo do globo. Essas áreas de contato podem exibir as seguintes feições morfológicas, EXCETO: a) Tsunamis

  1. Cadeias de montanhas
  2. Vulcões
  3. Fossas tectônicas

3- (UFLA)

 Mortos Por Causa de terremoto no Chile são Mais de 300, diz Governo tremor de MaGnitude 8,8 afetou 2 Milhões de Pessoas, diz Presidente

O terremoto de magnitude 8,8 que sacudiu o Chile neste sábado (27/2) causou a morte de mais de 300 pessoas, informou durante a noite a diretora do Escritório Nacional de Emergência (Onemi, na sigla em espanhol), Carmen Fernández.

Segundo Bachelet, que sobrevoou de helicóptero as áreas atingidas neste sábado (27/2), o terremoto afetou 80% do país, e há pelo menos 1 milhão de casas danificadas. A presidente mandou condolência e solidariedade às vítimas e pediu “força” aos cidadãos.

O terremoto, de cerca de um minuto de duração, ocorreu às 3h34 (horário local de verão, o mesmo de Brasília) e atingiu a região central do Chile, perto da cidade de Concepción, 400 km ao sul de Santiago. Na capital chilena, a 325 km de distância, o terremoto estremeceu diversos prédios, e várias regiões da cidade ficaram sem energia. Com medo, muitos chilenos saíram às ruas.

O tremor foi sentido nos países vizinhos, inclusive no Brasil. O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil de São Paulo informaram que receberam chamados para verificar pequenos tremores em vários bairros da capital paulista.

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,MUL1508896-5602,00.html

As alternativas abaixo apresentam trechos selecionados do texto acima, assim como explicações para os mesmos. Assinale a alternativa INCORRETA:

  1. “O terremoto de magnitude 8,8…”: refere-se à Escala Richter, utilizada para medir terremotos.
  2. “… o terremoto afetou 80% do país…”: esse tipo de fenômeno natural deve ser classificado como agente endógeno.
  3. “… atingiu a região central do Chile…”: nesse país, terremotos são relativamente frequentes, pois o país se localiza em uma região de instabilidade geológica.
  4. “O tremor foi sentido nos países vizinhos, inclusive no Brasil.”: o fato de o Brasil fazer fronteira com o Chile possibilitou essa situação.

4 – (UNESP) As quatro afirmações que se seguem serão correlacionadas aos seguintes termos:

(1) vulcanismo – (2) terremoto – (3) epicentro – (4) hipocentro.

  1. Os movimentos das placas tectônicas geram vibrações, que podem ocorrer no contato entre duas placas (caso mais frequente) ou no interior de uma delas. O ponto onde se inicia a ruptura e a liberação das tensões acumuladas é chamado de foco do tremor.
  2. Com o lento movimento das placas litosféricas, da ordem de alguns centímetros por ano, tensões vão se acumulando em vários pontos, principalmente perto de suas bordas. As tensões, que se acumulam lentamente, deformam as rochas; quando o limite de resistência das rochas é atingido, ocorre uma ruptura, com um deslocamento abrupto, gerando vibrações que se propagam em todas as direções.
  3. A partir do ponto onde se inicia a ruptura, há a liberação das tensões acumuladas, que se projetam na superfície das placas tectônicas.
  4. É a liberação espetacular do calor interno terrestre, acumulado através dos tempos, sendo considerado fonte de observação científica das entranhas da Terra, uma vez que as lavas, os gases e as cinzas fornecem novos conhecimentos de como os minerais são formados. Esse fluxo de calor, por sua vez, é o componente essencial na dinâmica de criação e destruição da crosta, tendo papel essencial, desde os primórdios da evolução geológica.

(Wilson Teixeira, et al. Decifrando a Terra, 2003. Adaptado.) Os termos e as afirmações estão corretamente associados em a) 1d, 2b, 3a, 4c.

  1. 1b, 2a, 3c, 4d.
  2. 1c, 2d, 3b, 4a.
  3. 1a, 2c, 3d, 4b.
  4. 1d, 2b, 3c, 4a.

Respostas

  • E
  • A
  • D
  • E

 

2.6 Formação territorial brasileira. as regiões brasileiras. Políticas de

reordenamento territorial

O Brasil é um país de dimensões continentais, possuindo 8.514.876 km². Assim, torna-se importante regionalizar o território, para melhor planejamento e administração.

Entende-se a regionalização como o estabelecimento de determinadas regiões com critérios que podem ser naturais, culturais, históricos ou socioeconômicos

.Em sua formação como país, o Brasil passou por diversas modificações de reordenamento territorial. Contudo, é no século XX que surgem as primeiras iniciativas de regionalização, sobretudo com a criação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As Macrorregiões do IBGE

A divisão territorial brasileira mais conhecida e difundida é a elaborada pelo IBGE. O Instituto propôs diversas divisões regionais do território brasileiro. Atualmente, está em vigor a divisão estabelecida no ano de 1970, que é composta por cinco macrorregiões: Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sul e Sudeste. Essas macrorregiões são formadas por 27 unidades político-administrativas.

Figura 2: Divisões regionais do território brasileiro

Fonte: Disponível em: <http://www.cartanaescola.com.br/single/show/43&gt;. Acesso em:  11 jul. 2015.

Pedro Geiger e os Complexos regionais

Há outra regionalização do espaço brasileiro que se caracteriza por captar a situação socioeconômica do território, destacando as relações entre o espaço natural e a sociedade. Trata-se da regionalização geoeconômica que divide o país em três grandes complexos: Centro-Sul, Nordeste e Amazônia.

Elaborados pelo geógrafo Pedro Pinchas Geiger, na década de 1960, e diferentemente da proposta elaborada pelo IBGE, os Complexos Regionais não se limitam entre as divisas dos Estados. A sua metodologia de análise considera o processo histórico de formação do território brasileiro, em especial a industrialização, associado aos aspectos naturais.

Assim, o Norte de Minas Gerais encontra-se no Nordeste, enquanto o restante do território mineiro pertence ao Centro-Sul. O leste do Maranhão fica no Nordeste, enquanto o oeste se encontra na Amazônia. O sul de Tocantins e do Mato Grosso integra o Centro-Sul, mas a maior parte desses Estados pertence ao complexo da Amazônia

.

Figura 3: Os três complexos regionais brasileiros

Fonte: http://conceitosetemas.blogspot.com.br/2011/04/os-complexos-regionais-brasileiros.html

Acesso em 15 jul. 2015

Os “brasis” de Milton santos

O geógrafo Milton Santos (1926-2001) e sua equipe apresentam outra proposta de regionalização brasileira, com base no desenvolvimento tecnológico e na constituição histórica do espaço.

Dentro dessa proposta, o Brasil fica assim dividido:

Região Concentrada: formada pelas atuais regiões Sudeste e Sul, é composta por intenso sistema de fluxos, elevado índice de urbanização, atividade comercial intensa, além de alto padrão de consumo. É nessa região que ocorre a maior difusão do meio técnico-científico-informacional.

Região Centro-Oeste: composta pela atual região Centro-Oeste e mais o Estado de Tocantins. Apresenta grande modernização, devido à alta tecnologia empregada no setor agropecuário. O desenvolvimento da agronegócio e a transferência da Capital Federal para essa região possibilitou o surgimento de uma rede urbana integrada por sistemas de transportes e comunicação.

Região Nordeste: formada pela atual região Nordeste. As atividades econômicas modernas e o uso de recursos tecnológicos avançados ainda são restritos apenas às grandes metrópoles.

Região da Amazônia: formada pela atual região Norte, com exceção de Tocantins, é caracterizada pela baixa densidade demográfica. A Zona Franca de Manaus somada à indústria de extração e metalurgia configuram-se em polos econômicos.

Figura 4: Brasil – Divisão Regional segundo Milton Santos

Fonte: <http://pt.slideshare.net/ThiagoSilva33/diviso-regional-do-brasil-13555166&gt;. Acesso em: 15 jul. 2015.

textos Complementar a região Concentrada

Região concentrada é a área onde os acréscimos de ciência e tecnologia ao território se verificam de modo contínuo. Expressão mais intensa do meio técnico-científico-informacional, essa região abrange os estados do Sudeste (Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo), os estados do Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e dois estados do Centro-oeste (Mato Grosso do Sul e Goiás), tendo como polo as metrópoles de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Nessa região, a modernização generalizada e a intensa circulação interna e com outras regiões e países correspondem a uma marcada divisão territorial do trabalho. Sede da agricultura mais moderna do Brasil e do mais expansivo desenvolvimento industrial e financeiro, essa área concentra, também, os níveis superiores dos sistemas de saúde, educação, lazer e serviços modernos, como a publicidade, cujas demandas são garantidas pelo consumo dessa grande concentração produtiva e populacional.

As metrópoles de São Paulo e do Rio de Janeiro sediam os escritórios das mais poderosas firmas nacionais e das filiais das empresas globais, que têm um papel de controle do mercado nacional e de comando do respectivo território. É em São Paulo que se elabora e concentra a maior parcela das informações sobre a economia, a sociedade e o território.

A acumulação de atividades intelectuais assegura a essa metrópole o predomínio das atividades produtivas de ponta, a função de suporte aos segmentos modernos da economia do país e, em decorrência, um caráter de encruzilhada na expansão do meio técnico-científico-informacional. Como o território deve ser usado, hoje, com o conhecimento simultâneo das ações empreendidas em lugares distantes, a sua função de centro informacional lhe concede uma nova hierarquia no sistema urbano brasileiro.

Fonte: Disponível em: <http://aparenciadoespaco.blogspot.com.br/2012_09_01_archive.html&gt;. Acesso em: ago. 2015

sugestões de leituras

ANDRADE, Manuel Correia; ANDRADE, Sandra Maria Correia. A federação brasileira: uma análise geopolítica e geossocial. São Paulo: Contexto, 1999.

SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. 6. ed. Rio de Janeiro: Record, 2006.

sugestão de vídeo

BYE Bye Brasil. Direção de Cacá Diegues. Brasil, 1979. Duração: 105 min.

exercícios 1 – (CEDERJ) os quatro brasis

Poderíamos, grosseiramente, reconhecer a existência de quatro Brasis, ou seja, regiões específicas dentro do país. Num desses Brasis, verifica-se a implantação mais consolidada dos dados da ciência, da técnica e da informação, além de uma urbanização importante, com um padrão de consumo das empresas e das famílias mais intenso. Nele se produzem novíssimas formas específicas de terciário superior, um quaternário e um quinquenário ligados à finança, à assistência técnica e política e à informação em suas diferentes modalidades.

 SANTOS, M.; SILVEIRA, M. O Brasil. Território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001. p. 268-269. Adaptado.

 A descrição dos aspectos geográficos mencionados individualiza o complexo regional denominado:

  1. Centro-Sul.
  2. Meio Norte.
  3. Amazônia.

2 – (PUC-SP) Leia com atenção:

“[…] todo espaço regional é fruto de uma história geológica, geomorfológica, pedológica e hidrológica, modificado por sucessivas formas de atividades antrópicas, às vezes bastante perturbadoras.”

(Aziz Ab’Sáber. Escritos ecológicos. São Paulo: Lazuli Editora, 2006. p. 34)

Segundo o autor, vários são os processos que formam o espaço regional. A partir do que ele diz, pode-se perceber, nas realidades regionais, que

  1. numa região tropical, as ações humanas juntamente com os fenômenos geológicos são os principais elementos na constituição do perfil da região.
  2. ações humanas como a urbanização e a modificação do curso dos rios, por exemplo, somente são importantes na forma de uma região, se forem perturbadoras.
  3. por serem perturbadoras, especialmente quando mal planejadas, as ações humanas terminam dando o tom principal das características de uma região.
  4. uma região condensa em suas características a complexidade tanto dos fenômenos naturais, como da produção social do espaço.
  5. a história dos processos naturais, embora marcada pelos tempos longos da natureza, tem menor importância na determinação dos quadros regionais.

3 – (FACASPER) No final da década de 1990, foi proposta uma nova regionalização para o país, conforme se pode observar abaixo.

(Santos, Milton & Silveira, Maria Laura. O Brasil: Território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001. p. 308)

Essa divisão regional foi realizada a partir de critérios

  1. moro estruturais e climáticos, sendo que 1 corresponde à região de grandes rios e terras baixas florestadas que ainda permanecem com grandes espaços praticamente intocados.
  2. de planejamento estratégico, sendo que 2 corresponde à região com maior número de estudos e políticas de intervenção, a exemplo do recente projeto de transposição das águas do rio São Francisco.
  3. de concentração de meios técnico-científicos e de difusão de informações, sendo que 3 corresponde à região que concentra maior número de atividades associadas ao processo de globalização.
  4. relacionados à biodiversidade, sendo que 1 e 4 são regiões que se destacam pela grande variedade de animais e formações vegetais, a exemplo da floresta Amazônica, do Cerrado e do Pantanal.
  5. político-administrativos, sendo que 2 e 3 são regiões que englobam mais da metade dos eleitores do país e, portanto, usufruem de maior representatividade popular no Congresso Nacional.

4 – (UNIFENAS) O mapa a seguir apresenta a proposta de regionalização do Brasil baseada em três grandes complexos regionais ou regiões geoeconômicas.

A regionalização proposta no mapa

  1. adota exclusivamente o critério político-administrativo, e suas fronteiras coincidem com as fronteiras dos estados.
  2. utiliza critérios abrangentes como o processo de formação histórico e econômico do Brasil, associado à modernização brasileira, através de suas atividades produtivas; III) desconsidera os limites entre os estados como estratégia de valorização da organização político-administrativa proposta pelo IBGE, em 1969, para a criação da chamada região concentrada.
  3. IV) engloba uma porção do norte de Minas Gerais no complexo nordestino, tendo em vista suas características semiáridas e o seu baixo dinamismo econômico regional. V) inclui o estado do Maranhão, em sua totalidade, no Complexo Amazônico. Estão corretas apenas a) I e II.
  4. II e IV.
  5. III, IV e V.
  6. IV e V.
  7. I, II, III e IV.

Respostas

  • A
  • D
  • C
  • B

 

2.7 Origem e evolução do Conceito de sustentabilidade

“A Terra provê o suficiente para as necessidades de todos os homens, mas não para a voracidade de todos.”

Mahatma Gandhi (1869-1948), líder político indiano.

O conceito de sustentabilidade está intimamente direcionado à maneira pela qual a humanidade produz bens materiais para a melhora de sua qualidade de vida. Não raro, tais modos de produção estão alicerçados em uma ideologia consumista, o que acarreta sérios prejuízos aos sistemas naturais.

É com o advento da Revolução Industrial que as atividades humanas começam a imprimir novo ritmo e significado à natureza. Nascia um “novo mundo”, imerso no binômio industrialização-urbanização, em que a sociedade passou a consumir produtos industrializados, aumentando consideravelmente a extração de recursos naturais para atender à demanda de produção. Contudo, é somente na segunda metade do século XX que o despertar da consciência ecológica se faz perceber, ganhando corpo científico.

Em 1987, foi publicado, pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU), o estudo Nosso Futuro Comum. Nesse estudo, aparece o conceito de “Desenvolvimento Sustentável”, sendo “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades.” Para tanto, exige-se o estabelecimento de políticas governamentais, ações empresariais e da sociedade civil, irmanados em um objetivo comum.

Esse objetivo se viabilizaria com a inserção de novos hábitos de consumo, somados à redução das desigualdades sociais. É nesse cenário que emerge o conceito de “Consumo Sustentável”. Ou seja, há a necessidade de se modificar os hábitos de consumo, para evitar o desperdício. Os produtos consumidos devem satisfazer as necessidades reais, além da certificação de que, em seu processo de produção, não houve severos danos ao meio ambiente.

Os desequilíbrios ambientais impostos pela ação antrópica, conjugados com as situações de injustiças sociais a que substancial parcela da humanidade está condicionada, apontam para a necessidade de novas relações entre as sociedades e, destas, com a natureza.

textos:  O que Compõe a Pegada?

A Pegada Ecológica de um país, de uma cidade ou de uma pessoa, corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e de mar, necessárias para gerar produtos, bens e serviços que sustentam determinados estilos de vida. Em outras palavras, a Pegada Ecológica é uma forma de traduzir, em hectares (ha), a extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade “utiliza”, em média, para se sustentar.

Para calcular as pegadas foi preciso estudar os vários tipos de territórios produtivos (agrícola, pastagens, oceanos, florestas, áreas construídas) e as diversas formas de consumo (alimentação, habitação, energia, bens e serviços, transporte e outros). As tecnologias usadas, os tamanhos das populações e outros dados, também entraram na conta.

Cada tipo de consumo é convertido, por meio de tabelas específicas, em uma área medida em hectares. Além disso, é preciso incluir as áreas usadas para receber os detritos e resíduos gerados e reservar uma quantidade de terra e água para a própria natureza, ou seja, para os animais, as plantas e os ecossistemas onde vivem, garantindo a manutenção da biodiversidade.

Os Componentes da Pegada ecológica Carbono

Representa a extensão de áreas florestais capaz de sequestrar emissões de CO2 derivadas da queima de combustíveis fósseis, excluindo-se a parcela absorvida pelos oceanos que provoca a acidificação.

Áreas de Cultivo

Representa a extensão de áreas de cultivo usadas para a produção de alimentos e fibras para consumo humano, bem como para a produção de ração para o gado, oleaginosas e borracha.

Pastagens

Representa a extensão de áreas de pastagem utilizadas para a criação de gado de corte e leiteiro e para a produção de couro e produtos de lã.

Florestas

Representa a extensão de áreas florestais necessárias para o fornecimento de produtos madeireiros, celulose e lenha.

Áreas Construídas

Representa a extensão de áreas cobertas por infraestrutura humana, inclusive transportes, habitação, estruturas industriais e reservatórios para a geração de energia hidrelétrica.

Estoques Pesqueiros

Calculada a partir da estimativa de produção primária necessária para sustentar os peixes e mariscos capturados, com base em dados de captura relativos a espécies marinhas e de água doce.

De modo geral, sociedades altamente industrializadas, ou seus cidadãos, “usam” mais espaços do que os membros de culturas ou sociedades menos industrializadas.

Suas pegadas são maiores pois, ao utilizarem recursos de todas as partes do mundo, afetam locais cada vez mais distantes, explorando essas áreas ou causando impactos por conta  da geração de resíduos. Como a produção de bens e consumo tem aumentado significativamente, o espaço físico terrestre disponível já não é suficiente para nos sustentar no elevado padrão atual.

Para assegurar a existência das condições favoráveis à vida precisamos viver de acordo com a “capacidade” do planeta, ou seja, de acordo com o que a Terra pode fornecer e não com o que gostaríamos que ela fornecesse. Avaliar até que ponto o nosso impacto já ultrapassou o limite é essencial, pois só assim poderemos saber se vivemos de forma sustentável.

Fonte: Disponível em: <http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/o_ que_compoe_a_pegada/>. Acesso em: 20 jul. 2015.

sugestões de leituras

DIAS, Genebaldo Freire. 40 contribuições pessoais para a sustentabilidade. São Paulo: Gaia, 2005.

GIANSANTI, Roberto. O desafio do desenvolvimento sustentável. São Paulo: Atual, 1998.

sugestão de vídeo

SURPLUS. Direção de Erik Gandini. Suécia, 2003. Duração: 54 min.

exercícios

1 – (UPE) Ao fazer o estudo bibliográfico sobre um determinado assunto do conteúdo programático do vestibular da Universidade de Pernambuco (UPE), um vestibulando encontrou e anotou a seguinte definição: “É aquele que satisfaz as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.

Trata-se da definição correta de

  1. Crescimento neomalthusiano ambiental.
  2. Desenvolvimento sustentável.
  3. Eco desenvolvimento neoliberal.
  4. Desenvolvimento ambiental.
  5. Eco desenvolvimento darwinista.

2 – (UDESC) A definição de desenvolvimento sustentável mais usualmente utilizada é a que procura atender às necessidades atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras. Isso significa optar pelo consumo de bens produzidos com tecnologia e materiais menos ofensivos ao meio ambiente, utilização racional dos bens de consumo, evitando-se o desperdício e o excesso e ainda, após o consumo, cuidar para que os eventuais resíduos não provoquem degradação ao meio ambiente. Principalmente: ações no sentido de rever padrões insustentáveis de consumo e minorar as desigualdades sociais. O Brasil está em uma posição privilegiada para enfrentar os enormes desafios que se acumulam. Abriga elementos fundamentais para o desenvolvimento: parte significativa da biodiversidade e da água doce existente no planeta; grande extensão de terras cultiváveis.

De acordo com esta definição, o desenvolvimento sustentável pressupõe:

  1. traçar um novo modelo de desenvolvimento econômico para nossa sociedade com ouso racional dos recursos naturais disponíveis e indisponíveis.
  2. a redução do consumo das reservas naturais com a consequente estagnação do desenvolvimento econômico e tecnológico;
  3. a preservação do equilíbrio global e do valor das reservas de capital natural, o que não justifica a desaceleração do desenvolvimento econômico e político de uma sociedade;
  4. a distribuição homogênea das reservas naturais entre as nações e as regiões em nível global e regional.
  5. definir os critérios e instrumentos de avaliação do custo-benefício e os efeitos socioeconômicos e os valores reais do consumo e da preservação.

3 – (UERJ)

3ª do plural (Engenheiros do Hawaii)

Corrida pra vender cigarro                                    (…)

Cigarro pra vender remédio

Remédio pra curar a tosse                                     Corrida contra o relógio

Tossir, cuspir, jogar pra fora                                  Silicone contra a gravidade

Corrida pra vender os carros                                 Dedo no gatilho, velocidade

Pneu, cerveja e gasolina                                         Quem mente antes diz a verdade

Cabeça pra usar boné                                            Satisfação garantida

E professar a fé de quem patrocina                       Obsolescência programada

Querem te matar a sede, eles querem te sedar       Eles ganham a corrida antes mesmo da largada

Eles querem te vender, eles querem te comprar    (…)

letras.terra.com.br

Os diferentes modelos produtivos de cada momento do sistema capitalista sempre foram o resultado da busca por caminhos para manter o crescimento da produção e do consumo. A crítica ao sistema econômico presente na letra da canção está relacionada à seguinte estratégia própria do atual modelo produtivo loyolista: a) aceleração do ciclo de renovação dos produtos

  1. imposição do tempo de realização das tarefas fabris
  2. restrição do crédito rápido para o consumo de mercadorias
  3. padronização da produção dos bens industriais de alta tecnologia

4 – (IFBA)

O avanço técnico e científico dos séculos XVIII, XIX e XX possibilitado pelo capitalismo e o crescente processo de industrialização, seja nos países ricos, seja nos países pobres, nos capitalistas ou nos socialistas, vêm progressivamente interferindo, agredindo e alterando a natureza, em benefício dos interesses imediatos dos homens. Assim, para produzir mercadorias e equipamentos, foi necessário instalar extensos complexos industriais, e para alimentá-los foi exigida a extração de matérias-primas e a exploração de fontes energéticas do mundo todo. É em torno das áreas de concentração industrial que a economia gravita e, para alimentar esse complexo sistema, o homem destrói a natureza.

 ROSS, Jurandyr L. S. A Sociedade Industrial e o Ambiente. In: Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 2008.

Nessa perspectiva analítica, é incorreto afirmar que

  1. o agravamento dos problemas ambientais industriais está diretamente relacionado à intensificação da urbanização, em especial a partir do século XX, sendo produzida uma volumosa quantidade de resíduos que a natureza, por si só, não consegue absorver.
  2. nas regiões que, em curto espaço de tempo, se transformaram em áreas industrializadas através da importação de tecnologias e capital e da instalação maciça de multinacionais, como ocorreu na América Latina, na Ásia e na África, os problemas ambientais urbanos são agravados pelos problemas sociais.
  3. o depósito do lixo doméstico em aterros sanitários produz o gás metano – que contribui para o aquecimento global – e, grande quantidade de material líquido rico em nitrogênio – o chorume – que contamina as águas superficiais e subterrâneas.
  4. a produção dos efluentes líquidos industriais está associada principalmente às indústrias químicas e petroquímicas, sendo que em geral são depositados em lagoas de decantação dada a deficiência de tecnologia e inviabilidade econômica do reaproveitamento desses resíduos.
  5. o desenvolvimento de programas e ações sustentáveis, pautadas na criação de usinas de compostagem para a coleta seletiva e a fabricação de adubo orgânico, vem favorecendo a diminuição da produção de resíduos sólidos nas metrópoles.

Respostas

1) B 2) E 3) A 4) E

 

 

2.8 Os Grandes domínios de vegetação no brasil e no Mundo

A vegetação sempre está condicionada ao clima. Ou seja, é em função das condições climáticas que a vegetação irá se desenvolver, atingindo portes e folhagens diferenciados. Assim, há diversas formações vegetais no planeta, tanto quanto a diversidade de climas e solos permite.

Grau de umidade

Quanto ao grau de umidade, as formações vegetais se classificam em quatro grandes grupos:

Halófitas: adaptadas a ambientes salgados.

Xerófitas: comuns em climas áridos e semiáridos.

Higrófitas: típicas de ambientes úmidos.

Hidrófitas: quando sua ocorrência acontece dentro d’água.

Formação

Em relação à formação vegetal, temos as seguintes características:

Arbórea: árvores de grande porte.

Herbácea: vegetação de campos.

Litorânea: submetida à ação do mar.

Arbustiva: árvores de pequeno e médio porte. Desértica: vegetação descontínua.

Folhas

As folhagens assim se apresentam:

Caducifólias: quando as folhas caem em determinada estação do ano.

Perenifólias: perenes, sempre com folhas.

Aciculifoliada: folhas em formas de pontas. Latifoliada: folhas largas.

variedade

Divide-se em dois grupos principais:

Homogênea: predomínio de uma espécie.

Heterogênea: várias espécies no mesmo ambiente.

as Grandes Formações vegetais do Planeta

Em decorrência de chuvas abundantes, altas temperaturas e a intensa luminosidade que favorecem o surgimento e desenvolvimento de inúmeras espécies, a maior diversidade de formações vegetais ocorre em regiões de baixa latitude. Ao passo que se avança para as altas latitudes, em direção aos polos, onde a luz é escassa e as temperaturas são baixas, a diversidade de formações vegetais diminui.

As principais formações vegetais do planeta estão assim divididas:

Tundra

Vegetação rasteira constituída por musgo, liquens e gramíneas. Por localizar-se em regiões de climas subpolares, desenvolve-se somente durante os três meses em que ocorre o verão, onde há degelo.

Floresta boreal (taiga)

Bioma típico da zona climática temperada. Formação florestal homogênea com predomínio de coníferas. Foi largamente explorada para a retirada de madeira. Atualmente, a extração de madeira é obtida através de árvores cultivadas (silvicultura).

Floresta subtropical e temperada

Formação florestal caducifólia comum em climas temperados e subtropical-

cais. Em virtude da exploração agrícola e da urbanização, atualmente, restam poucas áreas com a cobertura original.

Vegetação Mediterrânea

Ocorre em regiões de climas mediterrâneos. Caracteriza-se originalmente por bosques que se distribuem de forma espaçada. O cultivo da oliveira para fins comerciais substituiu as formações originais. Predominam espécies arbustivas, como maquis e garrigues, além de árvores de pequeno e médio porte.

Pradaria

Vegetação encontrada em clima temperado continental, composta por gramíneas, muito utilizada como pastagem. Um dos solos mais férteis do mundo, o tchernozion (terras negras), pode ser encontrado nas pradarias da Rússia e Ucrânia.

Estepe

Possui vegetação herbácea. Desenvolve-se em uma faixa de transição en-

tre os climas tropicais e desérticos (Sahel, África) e temperados e desérticos (Ásia Central). deserto

Apresenta vegetação xerófita, com raízes profundas para retirar água do lençol freático. Os cactos estão entre as espécies mais representativas do bioma. Bioma presente principalmente nas regiões entre os trópicos.

Savana

Vegetação complexa que apresenta estrato arbóreo, arbustivo e herbáceo. Como característica marcante dessa formação vegetal, tem-se a ocorrência de uma estação seca (inverno) e outra chuvosa (verão). Sua área tem sido muito usada para a prática da agropecuária.

Floresta equatorial e tropical

Formação florestal situada em regiões quentes e úmidas da zona intertropical-

cal. Possui temperaturas e pluviosidade elevadas, o que origina espécies heterogêneas e latifoliadas, além de comportar a maior biodiversidade do planeta.

Vegetação de altitude (Montanha)

As diferenças de altitude ocasionam variações de temperatura e pluviosi-

dade. Assim, na medida em que a altitude se eleva, diminui a temperatura, os solos ficam mais rasos e a vegetação mais esparsa. Dessa dinâmica surgem áreas florestais nas regiões mais baixas e, nas mais elevadas, campos de altitude.

Características da vegetação brasileira: os domínios Morfoclimáticos

Domínios Morfoclimáticos ou Morfoclimatobotânicos correspondem a

uma classificação criada pelo geógrafo Aziz Nacib Ab´Saber, a qual nos permite conhecer as características das formações vegetais de maneira integrada com os demais aspectos naturais, tais como relevo, estrutura geológica, clima, hidrografia e solo.

Ao todo, o Brasil possui seis domínios morfoclimáticos: Amazônico, Cerrado, Mares de Morros, Araucárias, Caatinga e Pradarias. No encontro desses domínios, situam-se as chamadas “Faixas de Transição”, que possuem características naturais heterogêneas.

Domínio amazônico

O Domínio Amazônico abrange extensas áreas da Região Norte do Brasil, além de penetrar em outros países da América do Sul, como Venezuela, Peru, Colômbia, Suriname, Bolívia, Equador e o território da Guiana Francesa.

Caracterizado como terras baixas florestadas equatoriais, é constituído por uma pluralidade vegetal, típica de climas equatoriais úmidos, com três tipos de florestas interdependentes: igapó, várzea e terra firme.

A própria vegetação amazônica recicla os nutrientes necessários a sua existência (floresta autotrófica), por meio das folhagens que, sobre o solo, se transformam em material orgânico. Em virtude disso, a devastação desse domínio morfoclimático representa danos irreparáveis ao ecossistema.

Sua diversidade biológica torna-a cada vez mais preciosa para os diversos setores industriais e biopirataria.

Domínio do Cerrado

O domínio dos chapadões tropicais, com cerrados e florestas-galerias, geograficamente ocupa grandes extensões do Brasil Central, sendo marcado por verões chuvosos e invernos secos. Os solos desse domínio possuem baixa fertilidade natural, sendo a acidez corrigida pelo processo de calagem. Nesse domínio, encontram-se desde formações campestres até florestas densas. Devido à carência de nutrientes no solo, os arbustos presentes no cerrado apresentam troncos e galhos retorcidos, cascas grossas e raízes profundas.

Sua importância socioambiental e riqueza vêm sendo destaques nas últimas décadas, em decorrência de uma rápida e cada vez maior ocupação agropecuária. O Complexo do Pantanal, maior planície de inundação contínua do mundo, situa-se nesse domínio

.

Domínio dos Mares de Morro

Destacando-se pelos processos de erosão e intemperismo sobre a sua estrutura cristalina, o domínio das áreas mamelonares tropical-atlânticas florestadas estende-se no sentido norte-sul, margeando a costa atlântica. A denominação “Mares de Morros” se dá em decorrência das formas arredondadas dos topos mais elevados dos planaltos e serras do Atlântico leste-sudeste

.A vegetação desse domínio é plural, genericamente denominada Mata Atlântica, altamente devastada devido aos ciclos econômicos que modificaram o seu espaço natural.

Domínio das araucárias

O domínio dos Planaltos Subtropicais com Araucárias abrange as áreas dos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Região Sul do Brasil).

A temperatura e a pluviosidade oscilam, de acordo com a altitude, pela influência da massa de ar Polar Atlântica. Dessa combinação surgem formações vegetais, como as araucárias, campos de gramíneas. Em sua porção norte, encontram-se manchas de cerrados.

A intensa extração vegetal, pelas indústrias madeireiras, e práticas ligadas à agropecuária modificaram a paisagem desse ecossistema.

Domínio da Caatinga

Estendendo-se pela faia semiárida nordestina, nas depressões intermontanas e interplanálticas semiáridas, esse domínio é caracterizado pela escassez e irregularidade pluviométricas. As condições climáticas acarretam longos períodos de estiagem e rios intermitentes

.Suas espécies vegetais são adaptadas às elevadas temperaturas e aridez. Em regiões de maior umidade, aparecem trechos de matas úmidas, conhecidos como brejos.

O Rio São Francisco atravessa esse domínio, possibilitando aproveitamento hidrelétrico e projetos de irrigação.

Domínio das Pradarias

As Coxilhas Subtropicais, com Pradarias Mistas, é o domínio de menor extensão. Destaca-se pelo predomínio de vegetação rasteira, composta por gramíneas (pampas gaúchos).

A pecuária e a produção monocultura têm provocado perda da fertilidade dos solos e aumento de processos erosivos na região.

texto: A internacionalização do Mundo

Cristovam Buarque

Fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia, durante um debate, nos Estados Unidos. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia é para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da humanidade.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.

Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, possa ser manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada.

Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defen-

dido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola.

Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas,

enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.

Fonte: JORNAL O GLOBO, 10 out. 2000. Disponível em: <cristovam.org>. Acesso em: 22 jul. 2015.

sugestão de leitura

AB’SABER, Aziz Nacib. Os domínios de natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.

LEITE, Marcelo. Brasil: paisagens naturais. São Paulo: Ática, 2007.

sugestão de vídeo

AMAZÔNIA em chamas. Direção de John Frakenheimer. EUA, 1994. Duração: 123 min.

NEGRO carvão. Direção de Joanatha Moreira, Francila Calica e Luiz Felipe Fernandes. Brasil, 2004. Duração: 20 min.

exercícios

1 – (FATEC) Analise a seguinte descrição geral de um tipo de vegetação.

Ocorre em climas estacionais com períodos frios e quentes bem marcados. As temperaturas de inverno podem chegar abaixo do ponto de congelamento. As plantas são úmidas, com estrutura e composição distintas conforme a área de ocorrência. A queda das folhas nas estações secas equilibra as plantas para que elas, transpirando menos, consigam atravessar os períodos de escassez de água. As árvores têm em geral 40-50 m de altura e possuem folhas delgadas e largas, como os plátanos. É vegetação das mais destruídas do mundo.

 (CONTI, J. B. e FURLAN, S.A. Geoecologia: o clima, os solos e a biota. São Paulo: Edusp, 1996. Adaptado).

Assinale o nome do tipo de vegetação correspondente à descrição. a) Floresta tropical semiúmida.

  1. Vegetação mediterrânea.
  2. Floresta temperada.
  3. Savana tropical.
  4. Floresta boreal.

2 – (UCPEL) Um dos biomas terrestres caracteriza-se por clima muito frio, ambiente seco e precipitação baixa, geralmente, em forma de neve. O solo permanece congelado durante a maior parte do ano, degelando só na camada superficial nos 3 meses de verão. É habitado por plantas herbáceas, como o capim e o junco, e por animais, como as renas, raposas, lebres e lobos, que, no inverno, migram para regiões mais quentes ou se refugiam em túneis e tocas. Esse tipo de bioma recebe o nome de a) deserto.

  1. floresta tropical.

3 – (FGV-eco) A questão está relacionada ao mapa e ao texto apresentados a seguir.

 … é um complexo de vegetação heterogênea, um mosaico de cerrados, florestas e até mesmo caatinga. […] Inúmeros programas nacionais e internacionais de proteção ao ambiente foram instaurados para defender esse ecossistema único, frágil e ameaçado, ao mesmo tempo pela pecuária extensiva, pela dispersão de mercúrio e pelos resíduos de pesticidas (utilizados pelos agricultores) carreados do planalto que o domina, e pela exploração de suas matas galeria, o que aumenta a erosão e a sedimentação.

(Hervé Théry & Neli Aparecida de Mello. Atlas do Brasil. São Paulo: Edusp, 2005. p. 67-68. Adaptado)

O texto refere-se à área do mapa indicada com o número a) 1.

4 – (UNAMA) Impactos ambientais sobre os domínios morfoclimáticos do

Brasil.

 Impacto ambiental deve ser entendido como resultados de ações que modifiquem o ambiente, podendo produzir danos, muitas vezes irreversíveis.

Ao longo da história, a ocupação humana dos domínios morfoclimáticos brasileiros provocou impactos ambientais de diversos tipos.

Adas, Melhem; Adas, Sergio. Expedições Geográficas, 7o ano. São Paulo: Moderna, 2011.

A partir do texto acima e dos seus conhecimentos geográficos sobre os impactos ambientais que resultaram da ação antrópica nos domínios morfoclimáticos brasileiros, é correto afirmar que no (as)

  1. domínio amazônico e no domínio do cerrado o avanço dos projetos agropecuários, grandes projetos minero-metalúrgicos, garimpos e hidrelétricas, causam desmatamento e queimadas, com graves consequências para a flora e a fauna, além de erosão do solo, inundações, assoreamento, contaminação de rios, que afetam diretamente as comunidades locais e os povos que sobrevivem da floresta.
  2. faixas de transição e no domínio das pradarias, o avanço da cultura da soja e a pecuária intensiva causam desmatamento e lixiviação do solo, pois utilizam imensas áreas para desenvolver o processo produtivo, fato que deixa o solo desprotegido e sujeito às intempéries da natureza.
  3. domínio das araucárias e no domínio dos mares de morro, é visível a expansão urbana e industrial, inclusive na faixa litorânea, fato que acarreta a contaminação do solo e das vertentes de rios, trazendo como consequência a lixiviação do solo, o assoreamento e a eutrofização.
  4. domínio da caatinga, ocorre intenso desmatamento praticado por grandes grupos econômicos e a exploração de lenha para uso doméstico e produção de carvão, fatos que têm causado a perda da biodiversidade, a erosão do solo bem como sua “arenização”.

Respostas

  • C
  • C
  • E
  • A

 

2.9 Situação Geral da atmosfera e Classificação Climática

os Movimentos da terra e os seus reflexos na radiação solar rotação

Rotação é o movimento que a Terra realiza em torno do seu próprio eixo. Esse movimento dura aproximadamente 24 horas, tendo como consequência direta a alternância entre dias e noites. O lado do planeta que fica voltado para o sol é mais aquecido e claro: é dia. O outro lado se torna escuro, pela ausência de raios solares: é noite.

translação

Translação é o movimento que a Terra realiza em torno da órbita solar. Com duração de 365 dias e 6 horas, esse movimento, somado à inclinação do eixo de rotação da Terra, é responsável pelas diferentes estações do ano.

tempo e Clima

Embora muitas vezes tratados como sinônimos, tempo e clima são conceitos distintos.

Tempo: corresponde a um estado momentâneo da atmosfera, em uma determinada área na superfície do planeta. É dinâmico, podendo se modificar várias vezes durante o dia.

Clima: refere-se ao comportamento do tempo em uma determinada área, durante um longo período (ao menos 30 anos).

Já é comum nos noticiários televisivos o quadro sobre previsão do tempo. Gradualmente, as expressões “tempo bom” e “tempo ruim” foram abolidas, sendo substituídas por explicações que descrevem os aspectos atmosféricos. Popularmente, “tempo bom” corresponde a dia ensolarado, enquanto “tempo ruim”, a dias chuvosos. Contudo, as expressões não encerram um sentido em si. Para quem pretende ir à praia, por exemplo, realmente “tempo bom” é a presença de sol. No entanto, para o agricultor que necessita de água para a sua produção, em regiões que sofrem com o flagelo da seca, “tempo bom” é o chuvoso.

Fatores Climáticos e Elementos Climáticos

Os diversos tipos climáticos são resultado de uma combinação de fatores e elementos presentes na atmosfera, embora cada vez mais a ação humana tenha propiciado mudanças nessa dinâmica.

Fatores Climáticos

Latitude: quanto maior a latitude, menor a temperatura. Ou seja, quanto mais nos afastamos da região equatorial do planeta, menor será a temperatura registrada.

Altitude: quanto maior for a altura, menor a temperatura média do ar. Assim, no alto de uma montanha, por exemplo, a temperatura será menor do que a encontrada no nível do mar.

Massas de ar: grandes porções da atmosfera com características comuns de temperatura, umidade e pressão. À medida que se deslocam, transformam-se com a interação de outras massas de ar.

Continentalidade: quanto maior for a distância das áreas continentais em relação ao litoral, maior será a amplitude térmica. Isso se deve ao fato de os continentes se aquecerem mais rapidamente que as regiões hídricas. Aquecendo-se mais rapidamente, também liberam mais calor rapidamente.

Maritimidade: quanto mais próxima for a distância das áreas litorâneas, maior será a temperatura. Explica-se pelo fato de a água reter calor por mais tempo, o que, consequentemente, faz com que ela perca esse calor de maneira mais lenta.

Correntes marítimas: imensos volumes hídricos que se movimentam sobre os oceanos. Ao alterarem a temperatura atmosférica, causam grande influência no clima.

Vegetação: as diferentes formações vegetais apresentam variação de densidade, incidindo diretamente na irradiação e absorção de calor. Em áreas desmatadas, ocorre acentuada redução da umidade e elevação das temperaturas.

Relevo: além da influência já vista no item “Altitude”, o relevo implica a temperatura e umidade, ao facilitar ou dificultar a circulação de massas de ar.

Elementos do Clima

Temperatura: intensidade de calor existente na atmosfera.

Umidade: quantidade de vapor de água presente na atmosfera, em determinado momento.

Pressão atmosférica: medida de força aplicada pelo peso da coluna de ar em relação a uma área da superfície terrestre. Quanto mais elevada a temperatura, maior a movimentação das moléculas de ar.

tipos de Climas

Os diversos tipos de climas existentes no mundo resultam da combinação dos fatores e elementos climáticos presentes na atmosfera já expostos.

A seguir, são focalizados os principais tipos climáticos existentes no planeta.

Polar

Clima em que ocorrem as menores temperaturas do planeta (sempre inferiores a 0ºC), sendo predominante em altas latitudes.

temperado

Dividido em Temperado Oceânico e Temperado Continental. Ambos são

encontrados em regiões de médias latitudes. Apesar de existirem na mesma zona climática, diferenciam-se pelos fatores maritimidade e continentalidade (vide “fatores climáticos”). As regiões atingidas por esse tipo climático se caracterizam por apresentar quatros estações do ano bem definidas.

Mediterrâneo

As regiões com esse tipo climático têm verões secos e quentes e invernos amenos e chuvosos. Ocorre no sul da Europa, oeste do Chile e Estados Unidos, entre outras áreas distribuídas pelo mundo.

desértico

Caracteriza-se pela falta de umidade e elevada amplitude térmica. A pluviosidade anual é inferior a 250mm.

tropical

Clima que apresenta duas estações bem definidas: inverno ameno e seco e verão quente e chuvoso. Ocorre nas áreas entre os trópicos de Câncer e Capricórnio. No Sudeste Asiático, por exemplo, destacam-se tempestades torrenciais de inverno e verão, conhecidas como chuvas de monções.

equatorial

Quente e úmido, durante todo o ano. Característico de regiões de baixa latitude, como as localizadas na Linha do Equador. Devido às altas temperaturas, o Clima Equatorial apresenta baixas amplitudes térmicas.

subtropical

Característico de regiões situadas em médias latitudes. As chuvas são abundantes e bem distribuídas. Os verões são quentes e os invernos frios. Há ampla amplitude térmica anual.

semiárido

Clima de transição encontrado tanto em regiões tropicais como em regiões temperadas. Caracterizado por chuvas escassas e mal distribuídas, durante o ano.

textos Complementares vitamina d

Drauzio Varella

Esse menino precisa apanhar sol, recomendava minha avó diante da criança pálida. Na época, a exposição ao sol nas montanhas era o único tratamento para a tuberculose.

Em 1822, um médico polonês observou que o raquitismo era mais comum nas crianças que haviam migrado para as cidades. Dois anos depois, os alemães sugeriram que a doença fosse tratada com o insuportável óleo de fígado de bacalhau. No fim do século 20, os dermatologistas concluíram que a exposição ao sol deveria ser evitada por causa do câncer de pele. Entramos na era dos filtros protetores, sem os quais alguns não põem o pé fora de casa.

O conselho dado por minha avó encontra-se hoje nas páginas das revistas médicas mais influentes: sem sol, a pele não produz vitamina D. Sem ela, surgem enfermidades que vão do raquitismo à osteoporose; do câncer às infecções, ao diabetes e às complicações cardiovasculares.

Seres humanos conseguem obter vitamina D a partir da exposição à luz solar, da dieta e de suplementos vitamínicos.

Ao incidir sobre a pele, a banda B da radiação ultravioleta converte um precursor em pré-vitamina D, que é rapidamente transformada em vitamina D. Como qualquer excesso da pré-vitamina é destruído pela luz, o excesso de sol não leva à hipervitaminose.

As fontes alimentares são pobres. A maior concentração é no óleo de fígado de bacalhau: 1.360 unidades em cada colher de sopa. Em quantidades menores, a vitamina pode ser obtida pela ingestão de peixes oleosos (salmão, atum, sardinha), cogumelos, gema de ovo, sucos e cereais enriquecidos artificialmente.

As descobertas de que a maioria das células do organismo possui receptores para vitamina D (e de que muitas são dotadas de enzimas capazes de convertê-la em sua forma ativa) permitiram elucidar seu papel na prevenção de doenças crônicas.

Vivemos em plena epidemia de hipovitaminose D, deficiência que atinge 1 bilhão de pessoas, especialmente nos países com dias frios e escuros durante meses consecutivos. Inquéritos epidemiológicos demonstram que, nos EUA, acham-se nessa condição de 40% a 100% das pessoas com mais de 70 anos; 52% das crianças negras e 32% dos médicos de um hospital de Boston.

Habitantes das regiões equatoriais expostos ao sol com roupas leves, ao contrário, apresentam altos níveis da vitamina. Mas nos países árabes, na Austrália e na Índia, em que a população vive com o corpo coberto apesar do calor, de 30% a 50% dos adultos são deficientes.

Osteoporose e fraturas ósseas, fatos dramáticos na vida dos mais velhos, guardam relação íntima com a hipovitaminose D. Assim como os ossos, os músculos possuem receptores para vitamina D, da qual requerem quantidades mínimas para adquirir potência máxima.

Células de cérebro, fígado, próstata, mama, cólon e sistema imunológico também apresentam tais receptores e se ressentem da falta dela.

Direta ou indiretamente, a vitamina D controla mais de 200 genes, responsáveis pela integridade da resposta imunológica. A deficiência desse micronutriente aumenta o risco de tuberculose. Os negros, cuja pele tem mais dificuldade para sintetizá-lo, são mais suscetíveis à doença e a contraí-la em suas formas mais graves.

Viver em latitudes mais altas aumenta a probabilidade de câncer de cólon, próstata, ovário e outros. Um estudo conduzido entre 32 mil mulheres mostrou que, quanto mais baixos os níveis de vitamina D, mais alto o risco de câncer de intestino. Outro estudo demonstrou que o câncer de próstata surge três a cinco anos mais tarde em homens que trabalham ao ar livre.

Nessas regiões, são maiores os riscos de se manifestar o diabetes do tipo 1, doenças inflamatórias do intestino, esclerose múltipla, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, esquizofrenia e depressão.

O que fazer? Voltaremos a queimar o corpo sob o sol?

Não podemos esquecer que as radiações solares provocam manchas e apressam o envelhecimento cutâneo, além de constituir a principal causa do câncer de pele.

Quanto sol precisamos tomar?

Depende da cor da pele: quanto mais escura, mais resistente a ele, e menos eficiente na produção de vitamina D.

Exposição dos braços e pernas ao sol num período de 5 a 30 minutos (segundo a pigmentação cutânea), duas vezes por semana, produz níveis adequados de vitamina D.

Quem foge do sol deve fazer reposição com suplementos que ofereçam 800

unidades por dia.

Fonte: Folha de São Paulo, 5 jan. 2008.

Fenômeno dos rios voadores

Os rios voadores são “cursos de água atmosféricos”, formados por massas de ar carregadas de vapor de água, muitas vezes acompanhados por nuvens, e são propelidos pelos ventos. Essas correntes de ar invisíveis passam em cima das nossas cabeças carregando umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Essa umidade, nas condições meteorológicas propícias como uma frente fria vinda do sul, por exemplo, se transforma em chuva. É essa ação de transporte de enormes quantidades de vapor de água pelas correntes aéreas que recebe o nome de rios voadores – um termo que descreve perfeitamente, mas em termos poéticos, um fenômeno real que tem um impacto significante em nossas vidas.

A floresta amazônica funciona como uma bomba d’água. Ela puxa para dentro do continente a umidade evaporada pelo oceano Atlântico e carregada pelos ventos alísios. Ao seguir terra adentro, a umidade cai como chuva sobre a floresta. Pela ação da evapotranspiração das árvores sob o sol tropical, a floresta devolve a água da chuva para a atmosfera na forma de vapor de água. Dessa forma, o ar é sempre recarregado com mais umidade, que continua sendo transportada rumo ao oeste para cair novamente como chuva mais adiante.

Propelidos em direção ao oeste, os rios voadores (massas de ar) recarregados de umidade – boa parte dela proveniente da evapotranspiração da floresta – encontram a barreira natural formada pela Cordilheira dos Andes. Eles se precipitam parcialmente nas encostas leste da cadeia de montanhas, formando as cabeceiras dos rios amazônicos.

Porém, barrados pelo paredão de 4.000 metros de altura, os rios voadores, ainda transportando vapor de água, fazem a curva e partem em direção ao sul, rumo às regiões do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e aos países vizinhos.

É assim que o regime de chuva e o clima do Brasil se deve muito a um acidente geográfico localizado fora do país! A chuva, claro, é de suma importância para nossa vida, nosso bem-estar e para a economia do país. Ela irriga as lavouras, enche os rios terrestres e as represas que fornecem nossa energia

.

Por incrível que pareça, a quantidade de vapor de água evaporada pelas árvores da floresta amazônica pode ter a mesma ordem de grandeza, ou mais, que a vazão do rio Amazonas (200.000 m3/s), tudo isso graças aos serviços prestados da floresta.

Estudos promovidos pelo INPA já mostraram que uma árvore com copa de 10 metros de diâmetro é capaz de bombear para a atmosfera mais de 300 litros de água, em forma de vapor, em um único dia – ou seja, mais que o dobro da água que um brasileiro usa diariamente! Uma árvore maior, com copa de 20 metros de diâmetro, por exemplo, pode evapotranspirar bem mais de 1.000 litros por dia. Estima-se que haja 600 bilhões de árvores na Amazônia: imagine então quanta água a floresta toda está bombeando a cada 24 horas!

Todas as previsões indicam alterações importantes no clima da América do Sul em decorrência da substituição de florestas por agricultura ou pastos. Ao avançar cada vez mais por dentro da floresta, o agronegócio pode dar um tiro no próprio pé com a eventual perda de chuva imprescindível para as plantações.

O Brasil tem uma posição privilegiada no que diz respeito aos recursos hídricos. Porém, com o aquecimento global e as mudanças climáticas que ameaçam alterar regimes de chuva em escala mundial, é hora de analisarmos melhor os serviços ambientais prestados pela floresta amazônica antes que seja tarde demais.

Fonte: Disponível em: <http://riosvoadores.com.br/o-projeto/fenomeno-dos-rios-voadores/&gt;. Acesso em: 28 jul. 2015

Fonte: Disponível em: <http://riosvoadores.com.br/o-projeto/fenomeno-dos-rios-voadores/&gt;. Acesso em: 28 jul. 2015

sugestões de leitura

CONTI, José Bueno. Clima e meio ambiente. São Paulo: Atual, 2011.

TOLENTINO, Mario et al. A atmosfera terrestre. São Paulo: Moderna, 2004. (Coleção Polêmica).

exercícios

1 – (URCA) Marque a única assertiva que traz somente fatores climáticos, isto é, aqueles que contribuem para determinar as condições climáticas de uma região do globo.

  1. Correntes marítimas, temperatura do ar, umidade relativa do ar e amplitude térmica.
  2. Latitude, pressão altitude, hidrografia e massas de ar.
  3. Altitude, massas de ar, maritimidade e latitude.
  4. Hidrografia, correntes marítimas, latitude e pressão.
  5. Temperatura do ar, umidade relativa do ar, insolação e média térmica.

2 – (UCPEL) A temperatura atmosférica varia de um lugar para outro, mas também pode apresentar variações no decorrer do tempo, pois vários fatores estão relacionados à sua distribuição ou variação.

 Sobre os fatores que interferem na variação e distribuição da temperatura atmosférica, é correto afirmar que

  1. as variações de temperaturas no continente são menos acentuadas que nos oceanos devido à diferença do comportamento térmico no meio sólido e no líquido.
  2. a influência da altitude ocorre, porque o calor é irradiado da superfície da Terra para o alto e a atmosfera se aquece por irradiação. Assim, quanto maior a altitude, maior a temperatura.
  3. o relevo pode facilitar ou dificultar a passagem de massas de ar, por isso a presença de altas cadeias de montanhas no litoral evitam a formação de desertos.
  4. a variação da temperatura com a latitude deve-se, fundamentalmente, à forma esférica da Terra e, em função disso, a insolação diminui a partir do Equador em direção aos polos.
  5. o fenômeno da continentalidade térmica explica por que, quanto mais distante estiver uma área do continente, menores são suas oscilações térmicas.

3- (PUC-RJ)

Levando-se em consideração a paisagem selecionada, a única característica climática correta para a região destacada é: a) alta amplitude térmica.

  1. elevada evapotranspiração.
  2. reduzida taxa de insolação.
  3. inexistência de pluviosidade.
  4. intensa umidade relativa do ar.

4 – (URCA) A continentalidade, as correntes marítimas, as massas de ar, a vegetação e o relevo podem ser considerados, dentre outros, como fatores do clima de uma determinada região.

Assinale a opção que apresenta a descrição incorreta de um destes fatores do clima.

  1. Do ponto de vista climático, a principal consequência das correntes marítimas é a redistribuição da energia térmica fornecida pela radiação solar, o que regulariza os contrastes térmicos numa perspectiva geográfica.
  2. As características meteorológicas de uma massa de ar dependem de suas características térmicas e hídricas, sendo essas massas muito importantes no estudo do tempo e do clima porque os influenciam diretamente na área na qual predominam.
  3. O efeito da continentalidade, decorrente das diferenças térmicas das superfícies continentais e hídricas, tem como consequência o fato de a amplitude anual da temperatura ser maior nas localidades costeiras do que nas localidades interiores.
  4. A vegetação auxilia o aumento da umidade do ar, pois retira umidade do solo através das raízes e a envia para a troposfera, pela evapotranspiração.
  5. O relevo influencia a organização climática a partir do momento em que interfere na circulação das massas de ar.

(UNESP) Leia.

 o Fenômeno dos “rios voadores”

“Rios voadores” são cursos de água atmosféricos, invisíveis, que passam por cima de nossas cabeças transportando umidade e vapor de água da bacia Amazônica para outras regiões do Brasil. A floresta Amazônica funciona como uma bomba d’água. Ela “puxa” para dentro do continente umidade evaporada do oceano Atlântico que, ao seguir terra adentro, cai como chuva sobre a floresta. Pela ação da evapotranspiração da floresta, as árvores e o solo devolvem a água da chuva para a atmosfera na forma de vapor de água, que volta a cair novamente como chuva mais adiante. O Projeto Rios Voadores busca entender mais sobre a evapotranspiração da floresta Amazônica e a importante contribuição da umidade gerada por ela no regime de chuvas do Brasil.

A partir da leitura do texto e da observação do mapa, é correto afirmar que, no Brasil,

  1. cada vez mais, a floresta é substituída por agricultura ou pastagem, procedimento que promove o desenvolvimento econômico, sem influenciar, significativamente, o clima na América do Sul.
  2. os recursos hídricos são abundantes e os regimes fluviais não serão alterados, ape-sar das mudanças climáticas que ameaçam modificar o regime de chuvas na América do Sul.
  3. o atual desenvolvimento da Amazônia não afeta o sistema hidrológico, devido à aplicação de medidas rigorosas contra o desmatamento e danos à biodiversidade da floresta.
  4. os mecanismos climatológicos devem ser considerados na avaliação dos riscos decorrentes de ações como o desmatamento, as queimadas, a abertura de novas fronteiras agrícolas e a liberação dos gases do efeito estufa.
  5. a circulação atmosférica é dominada por massas de ar carregadas de umidade que, encontrando a barreira natural formada pelos Andes, precipitam-se na encosta leste, alimentando as bacias hidrográficas do país.

Respostas 1) C

  • D
  • A
  • C5) D

referências

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 6. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002. (A era da informação: economia, sociedade e cultura, v. 1).

GUERRA, Antônio T. Dicionário geológico-geomorfológico. Rio de Janeiro: IBGE, 1980.

JOIA, Antonio L.; GOETTEMS, Arno G. Geografia: leituras e interpretações. São Paulo: Leya, 1993.

LUCCI, Elian Alabi et al. Território e sociedade no mundo globalizado: geografia geral e do Brasil. São Paulo: Saraiva, 2005.

MOREIRA, Ruy. Para onde vai o pensamento geográfico? Por uma epistemologia crítica. São Paulo: Contexto, 2006.

______. Pensar e ser em geografia: ensaios de história, epistemologia e ontologia do espaço geográfico. São Paulo: Ed. Contexto, 2007.

SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo: globalização e meio técnico-científico informacional. São Paulo: Hucitec, 1994.

______. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 1996.

VESENTINI, José William. Sociedade & espaço: geografia geral e do Brasil. São Paulo: Ática, 2005.

bibliografia Consultada

BRASIL. Ministério da Educação. PCN +: ensino médio. Brasília, DF, 2002. LACOSTE, Yves. A geografia: isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. Campinas: Papirus, 1997.

MORANDI, Sonia. Espaço e técnica. São Paulo: Copidart, 2001.

MOREIRA, Ruy. A geografia serve para desvendar máscaras sociais. In: MOREIRA Ruy (Org.). Geografia: teoria e crítica – o saber posto em questão. Rio de Janeiro: Vozes, 1982. p. 33-63.

______. O que é geografia. São Paulo: Brasiliense, 1994.

 

2.10 demografia

Os seres humanos estão no centro das preocupações do desenvolvimento sustentável. Eles têm direito a uma vida saudável e produtiva, em harmonia com a natureza.” (ONU, Declaração do Rio, Princípio 1, 1992).

a importância dos estudos sobre a População

Os estudos sobre a população são de fundamental importância para a compreensão das dinâmicas que regem as sociedades. Assim, a dinâmica populacional não pode ser vista divorciada dos componentes sociais que a envolvem, sob o risco de se constituir em uma abstração.

Para alguns, o crescimento populacional é o grande responsável pela deterioração do meio ambiente e, consequentemente, da qualidade de vida.

Outras questões ligadas à dinâmica populacional referem-se às migrações, aos refugiados e à distribuição desigual de recursos.

De acordo com estudos da Organização das Nações Unidas (ONU), a

população do planeta, hoje calculada em 7,2 bilhões de habitantes, saltará para 9,6 bilhões, em 2050, podendo chegar no fim deste século a 10,9 bilhões. Estima-se que, desse montante, 88% estejam concentrados nos países em desenvolvimento.

Conceitos básicos

População: Conjunto de pessoas que habitam uma determinada região (cidade, Estado, país, continente…).

População Absoluta: Número total de habitantes de uma determinada área.

População Relativa: Relação entre o número total de habitantes e a área territorial que residem. Também é chamada de Densidade Populacional ou Densidade Demográfica.

Dessa forma, Densidade Demográfica = População Absoluta ÷ Área (Km2)

País Populoso: Aquele que possui uma grande população absoluta (total de habitantes).

País Povoado: Aquele que possui grande densidade demográfica (habitantes por Km2).

Taxa de Natalidade: Número de nascidos vivos (excluindo os natimortos) em um ano, tendo como base de cálculo mil habitantes.

Taxa de Mortalidade: Número de óbitos ocorridos no período de um ano a cada mil habitantes.

Taxa de Mortalidade Infantil: Número de óbitos de crianças com menos de doze meses de idade ocorridos em um ano, a cada mil habitantes.

Crescimento Vegetativo: Diferença existente entre a Taxa de Natalidade e a Taxa de Mortalidade. Também é chamado de Crescimento Natural.

Crescimento Demográfico: Trata-se do Crescimento Vegetativo somado à migração, calculada entre a entrada e a saída de pessoas de um território. Também é conhecido como Crescimento Populacional.

Taxa de Fecundidade: Número médio de filhos por mulher em idade de procriação (15 aos 49 anos).

População Flutuante: Conjunto de indivíduos presentes no território por um período de curta duração, por motivos recreativos, de turismo, visita a familiares ou de negócios.

População Economicamente Ativa: Corresponde aos habitantes que representam capacidade produtiva para o país, ou seja, aqueles que têm potencial de mão de obra.

Migrante: Todo aquele que muda de região ou país.

Emigrante: Todo aquele que deixa o local de nascimento.

Imigrante: Toda aquele que entra em uma nova região ou país.

Refugiado: Pessoa que está fora de seu país natal e que não pode retornar por perseguição baseada em motivos raciais, religiosos, de nacionalidade…

Deslocado Interno: Aquele que, em função de conflito armado, violência generalizada, violações a direitos humanos ou desastres naturais, é obrigado a deixar o local de residência, porém, permanece em seu país.

Solicitante de Asilo: Aquele que pede proteção internacional e aguarda a concessão de condição de refugiado.

teorias demográficas

Com o crescimento populacional, ao longo dos séculos, a questão começou a ser refletida de maneira mais sistematiza.

O advento da Revolução Industrial, no século XVIII, representou não apenas uma transformação no modo de produção, mas também na organização socioespacial.

Assim, a Inglaterra, protagonista dessa nova forma de produção e organiza-

ção espacial, foi berço da primeira teoria reflexiva sobre o crescimento populacional: a Teoria Malthusiana.

 

teoria Malthusiana

O pastor anglicano Thomas Robert Malthus publicou, em 1798, o li-

vro Ensaio sobre o princípio da população.

Para Malthus, a população, ao contrário da natureza, tinha potencial de crescimento ilimitado. Ou seja, a população mundial cresceria em um ritmo rápido, comparado por ele a uma progressão geométrica (1, 2, 4, 8, 16, 32, 64…), e a produção de alimentos cresceria em um ritmo lento, comparado a uma progressão aritmética (1, 2, 3, 4, 5, 6…).

Segundo o pensamento de Malthus, projetava-se uma tenebrosa sombra para o futuro da humanidade. Subnutrição, fome, doenças, infanticídios e guerras por disputas de territórios para ampliar a produção de alimentos seriam inevitáveis.

O antídoto para tal mal estaria naquilo que Malthus classificou como “con-

trole moral”. Devido a sua formação religiosa, descartava os métodos contraceptivos e advogava pela abstinência sexual e o adiamento dos casamentos (estes só deveriam acontecer mediante a capacidade de sustentar a família).

À época, a obra fez muito sucesso, todavia, hoje suas ideias são consideradas ultrapassadas. Para os críticos de Malthus, não se elimina a falta de alimentos diminuindo o número de nascimentos entre a população mundial, mas com a redistribuição da riqueza produzida no mundo.

teoria neomalthusiano

Essa teoria começou a se desenvolver no início do século XX. Porém, ela só ganha musculatura após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em razão da explosão demográfica ocorrida nos países subdesenvolvidos.

Os defensores dessa teoria justificavam-na, argumentando que os países com elevadas taxas de crescimento populacional eram obrigados a investir grande parte de seus recursos em educação e saúde, em virtude da grande concentração de jovens.

Também afirmavam que o crescimento acelerado da população gerava a diminuição da sua renda per capita, impactando no desenvolvimento econômico, no desemprego e na pobreza. Com esse raciocínio, para aumentar a renda média dos habitantes, era necessário controlar o crescimento populacional.

Ao contrário da teoria original, os neomalthusianos eram favoráveis aos métodos anticoncepcionais, defendendo a sua utilização em massa, nos países subdesenvolvidos.

teoria eco Malthusiana

Essa variante da teoria de Thomas Robert Malthus questiona a relação de desequilíbrio entre o crescimento populacional e a disponibilidade de recursos naturais, além da capacidade da natureza em resistir à crescente intervenção humana, em função do aumento gradativo das populações.

Nesse sentido, o número crescente de pessoas na Terra demanda uma maior utilização de recursos naturais e, consequentemente, uma maior exploração dos elementos disponíveis na natureza. Logo, a tendência é que se chegue a um ponto em que haverá tantas pessoas no mundo que o meio ambiente não será capaz de suprir a necessidade de todos.

Outra linha de defesa do eco malthusianismo é a de que a maior quantidade de habitantes na Terra também gera mais impactos ambientais, podendo prejudicar o clima, os solos e os recursos renováveis, de um modo geral. Até mesmo a ideia de sustentabilidade ficaria em xeque, uma vez que a sua definição trabalha com a ideia de garantir a natureza e os recursos naturais para as gerações futuras.

teoria reformista

A Teoria Reformista choca-se frontalmente com a Teoria Malthusiana. Os reformistas invertem a equação: a elevada taxa de natalidade não é causa, mas uma consequência direta do subdesenvolvimento. Isto é, se não houvesse pobreza, as pessoas teriam acesso à educação, saúde, higiene etc., o que regularia, de maneira natural, o crescimento populacional. Portanto, é exatamente a falta dessas condições que acarreta o crescimento desenfreado da população.

Os reformistas atribuem a desigualdade social à má divisão de renda na sociedade, ocasionada, sobretudo, pela exploração a que os países desenvolvidos submetem os países subdesenvolvidos.

Outra crítica dos estudiosos reformistas aos malthusianos diz respeito ao crescimento da produção. Para Malthus, esta crescia em ritmo inferior ao da população. Para os reformistas, contudo, isso também não é verdadeiro, pois, com o início da Revolução Industrial e a consequente revolução tecnológica, tanto a agricultura quanto a indústria aumentaram sua capacidade produtiva, resolvendo, dessa forma, o problema da produção

.

Fluxos Migratórios na atualidade

Atualmente, os fluxos migratórios mundiais destinam-se com mais força para os países em desenvolvimento. Entre os fatores que explicam isso estão a crise econômica mundial, que atingiu de forma mais dura os países desenvolvidos, e o fato de que esses países dificultam cada vez mais a entrada de imigrantes. A xenofobia (aversão aos estrangeiros) cresce como bandeira de partidos políticos, em particular na União Europeia.

Afere-se que o mundo possui, na atualidade, 65,3 milhões de pessoas vivendo em situação de refúgio ou deslocamento. Esse número, informou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), é o maior já visto desde que os registros se iniciaram.

A principal motivação que leva as pessoas a se deslocarem é econômica: a busca por melhores condições de vida e trabalho. Entretanto, existem situações de migração nas quais as pessoas são obrigadas a ir para longe de seus lares contra a vontade, para escapar de uma perseguição religiosa ou política, de uma guerra, de violações a seus direitos humanos ou de calamidades naturais, como terremotos e secas severas.

O Brasil, nos últimos anos, tornou-se uma rota de imigrantes de países subdesenvolvidos da América Latina, Ásia e África.

textos Complementares a Perpetuação da Pobreza Dráuzio Varella

As periferias das cidades brasileiras parecem umas com as outras: casas sem reboco, grades de segurança, fios elétricos emaranhados, vira-latas e criançada na rua. Há 13 anos faço programas de saúde para a televisão. Procuro gravá-los nos bairros mais distantes, por uma razão óbvia: lá vivem os que mais precisam de informações médicas.

Esta semana, como parte de uma série sobre primeiros socorros, gravamos a história de um menino de 2 anos que abriu sozinho a porta do forno, subiu nela e puxou do fogo o cabo de uma panela cheia de água fervente. A queimadura foi grave, passou duas semanas internado no hospital do Tatuapé, em São Paulo. Situada na periferia de Itaquera, a casa ocupava a parte superior de uma construção de dois andares. Subi por uma escada metálica inclinada e com degraus tão estreitos, que precisei fazê-lo com os pés virados de lado.

A porta de entrada dava numa cozinha com o fogão, a geladeira, as prateleiras com as panelas e uma pequena mesa. Um batente sem porta separava-a do único quarto, em que havia dois beliches, um guarda-roupa e uma divisória de compensado que não chegava até o teto, atrás da qual ficava a cama em que dormiam o pai e a mãe.

Nesse espaço exíguo viviam dez pessoas: o casal, seis filhos e dois netos. Os filhos formavam uma escadinha de 2 a 17 anos; os netos eram filhos das duas mais velhas, que engravidaram solteiras. O único salário vinha do pai, pedreiro. Por falta de pagamento, a luz tinha sido cortada há dois meses, os 300 reais da dívida a família não sabia de onde tirar.

No fim da gravação perguntei à mãe, uma mulher de 38 anos que pareciam 60, por que tantas crianças. Disse que o marido não gostava de camisinha, e que a existência dos netos não fora planejada, porque “essas meninas de hoje não têm juízo”.

Na periferia do Recife, de Manaus, de Cuiabá ou Porto Alegre a realidade é a mesma: a menina engravida em idade de brincar com boneca, para de estudar para cuidar do bebê que já nasce com o futuro comprometido pelo despreparo da mãe, pelas dificuldades financeiras dos avós que o acolherão e pelos recursos que terá de dividir com os irmãos.

Na penitenciária feminina, quando encontro uma presa de 25 anos sem filhos, tenho certeza de que é infértil ou gay. Não são raras as que chegam aos 30 anos com seis ou sete. Não fosse o tráfico, que alternativa teriam para sustentar as crianças?

Já escrevi mais de uma vez que a falta de acesso aos métodos de controle da fertilidade é uma das raízes da violência urbana, enfermidade que atinge todas as classes, mas que se torna epidêmica quando se dissemina entre os mais desfavorecidos. Essa afirmação causa desagrado profundo em alguns sociólogos e demógrafos, que a acusam de forma leviana por não se basear em estudos científicos. Afirmam que a taxa de natalidade brasileira já está abaixo dos níveis de reposição populacional.

É verdade, mas não é preciso pós-graduação em Harvard para saber que as médias podem ser enganosas. Enquanto uma mulher com nível universitário tem em média 1,1 filho, a analfabeta tem mais de 4. Enquanto 11% dos bebês nascem nas classes A e B, quase 50% vêm da classe E, com renda per capita mensal inferior a 75 reais.

De minha parte, acho que faz muita falta aos teóricos o contato com a realidade. Há necessidade de inquéritos epidemiológicos para demonstrar que os cinco filhos que uma mulher de 25 anos teve com vários companheiros pobres como ela, correm mais risco de envolvimento com os bandidos da vizinhança do que o filho único de pais que cursaram a universidade? Convido-os a sair do ar condicionado para visitar um bairro periférico de qualquer capital num dia de semana, para ver quantos adolescentes sem ocupação perambulam pelas ruas. Que futuro terão?

A falta de acesso ao planejamento familiar é a mais odiosa de todas as violências que a sociedade brasileira comete contra a mulher pobre.

Fonte: <http://www.cartacapital.com.br/saude/a-perpetuacao-da-pobreza&gt;. Acesso em: 27 jul. 2016.

legislativo Chinês aprova Fim da Política doFilho único

A Assembleia Nacional Popular da China (Legislativo) aprovou (…) o fim da política do “filho único”, ao permitir a todos os casais do país ter dois descendentes, uma decisão que entrará em vigor a partir do dia 1º de janeiro de 2016

.

Os legisladores chineses deram o sinal verde a uma emenda à Lei de População e Planejamento Familiar que encerra mais de três décadas de uma estrita e controvertida política demográfica no país mais povoado do mundo.

O principal órgão legislativo chinês ratificou no fechamento de sua sessão bimestral a decisão adotada pelo Partido Comunista da China (PCCh) no dia 29 de outubro, quando se anunciou a histórica medida.

histórico

As autoridades consideram que esta política evitou 400 milhões de nascimentos e constitui uma das chaves do forte crescimento econômico do país, que continua sendo, apesar de tudo, o mais populoso do mundo, com 1,37 bilhão de habitantes.

O controle de natalidade foi menos rígido entre as minorias étnicas e foi se flexibilizando em zonas rurais, onde os casais eram autorizados a ter um segundo filho se o primeiro fosse uma mulher.

Os funcionários a cargo do controle de natalidade autorizavam os nascimentos e impunham multas aos que ignorassem as normas, recorrendo em muitos casos a medidas controversas, como a esterilização forçada e os abortos em meses avançados de gestação.

Os abortos seletivos e os infanticídios em uma cultura tradicional com forte predileção pelos homens também provocaram um grave desequilíbrio demográfico: em 2014 foram registrados 116 nascimentos de homens para cada 100 mulheres (a relação no conjunto da população é de 105 homens para cada 100 mulheres).

A política do filho único também provocou um desequilíbrio de faixas etárias, com um processo de envelhecimento da população que gera enormes desafios futuros.

Em 2013, o governo autorizou os casais nos quais um dos membros fosse filho único a ter dois filhos. No entanto, a medida não fez a natalidade aumentar, como era esperado.

A nova legislação também permitirá legalizar a situação de milhões de cidadãos sem documentos oficiais, cobertura médica ou direito à educação pública por serem filhos de pais que não respeitaram a política do filho único.

Calcula-se que 13 milhões de chineses, cerca de 1% da população, não têm um visto de residência em ordem (o chamado “hukou”), indispensável para o pleno reconhecimento da cidadania, o acesso à escola ou a busca de emprego.

A nova lei parece insuficiente para defensores dos direitos humanos. Chen Guangcheng, um dos mais famosos ativistas chineses no exílio, pediu às autoridades a abolição completa do controle governamental sobre os nascimentos.

Fonte: <http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/12/legislativo-chines-aprova-fim-da-politica-do-filho-unico.html&gt;. Acesso em: 27 jul. 2016.

suGestões de vídeos

STRANGE Days On Planet Earth. [S.l.]: PBS e National Geographic, 2005ano. Duração: 47 min.

ENVELHESCÊNCIA. Direção: Gabriel Martinez. Brasil: [s.n.], 2015. Duração: 84 min.

FILHOS da Esperança. Direção:  Alfonso Cuarón. Estados Unidos: [s.n.], 2006. Duração: 110 min.

SURPLUS. Direção: Erick Gandini. Suécia: [s.n.], 2003. Duração: 50 min.

exercícios

1 – (ESPM) Observe a afirmação:

Há somente um homem excedente na Terra: Malthus.

  1. J. Proudhon

Com essa frase, o líder anarquista procurava criticar:

  1. a tese de que a diminuição gradual da população, a partir das mudanças implementadas pela Revolução Industrial e urbanização, comprometeria o chamado “exército de reserva”.
  2. a tese do crescimento geométrico da produção alimentar em contraposição ao crescimento aritmético da população.
  3. os marxistas que faziam a apologia do crescimento demo- gráfico do proletariado como estratégia revolucionária.
  4. a tese reformista em não reconhecer que o crescimento demográfico descontrolado supera e compromete a produção alimentar que cresce em ritmo aritmético.
  5. a tese demográfica proposta por Thomas Malthus em atribuir ao crescimento demográfico a responsabilidade pelas mazelas sociais.

2 – (UFU) O crescimento demográfico está ligado a dois fatores: crescimento natural ou vegetativo, que corresponde à diferença entre nascimento e óbitos verificada numa população, e a taxa de migração, que é a diferença entre a entrada e a saída de pessoas de um território.

Em relação ao crescimento demográfico, analise as afirmativas abaixo.

  • – Pelo princípio malthusiano, a população tenderia sempre a crescer mais do que os meios de subsistência, tornando a fome e a miséria uma realidade inevitável (PG x PA). Uma alternativa lógica para se evitar o desastre populacional seria o controle da natalidade por meio do uso de métodos contraceptivos, aborto, abstinência sexual no casamento etc.
  • – Os avanços da medicina, as medidas de avanço da higiene pública e a melhoria do padrão de vida da população possibilitaram uma forte redução da taxa bruta de mortalidade em todo o mundo. Para os neomalthusianos, a queda da mortalidade não tem efeito se não for seguida da redução da taxa de fecundidade, pois impediria o crescimento econômico do país. Por isso, a solução seria o controle da fecundidade, por meio de métodos contraceptivos e esterilização em massa.
  • – Uma das consequências da queda da fecundidade brasileira são taxas de crescimento diferenciadas dos vários grupos etários, com taxas menores para os grupos mais jovens. Isto tem resultado numa diminuição do peso da população jovem no país e num aumento da importância do segmento idoso. Esta tendência é chamada de envelhecimento populacional, pois se dá em detrimento da diminuição do peso da população jovem no total, o que acarreta também um aumento da idade média e mediana da população.

Assinale a alternativa correta. a) Apenas I é verdadeira.

  1. I e III são verdadeiras.
  2. I e II são verdadeiras
  3. II e III são verdadeiras.

3 – (PUCRJ)

Fonte: Adaptado de IBGE: Censo Demográfico, Contagem da População, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), estimativas e projeções demográficas, 2005.

Há diversas interpretações sobre as melhorias das condições de vida frente a alguns dados populacionais. Todavia, a conclusão adequada para o indicador demográfico apresentado na charge é a de que ele:

  1. atrapalha as políticas sociais de Estado por ser um dado estatístico.
  2. desconsidera as condições ambientais em que as pessoas vivem.
  3. sugere, apenas, melhorias nas condições de vida devido à imprecisão dos dados.
  4. oculta os interesses particulares de agentes econômicos internacionais.
  5. reduz a mobilização social contra os problemas de saúde dos mais pobres. 4 – (FUVEST) As previsões catastrofistas dos “neomalthusianos” sobre o crescimento demográfico e sua pressão sobre os recursos naturais não se confirmaram, notadamente, porque
  6. o processo de globalização permitiu o acesso voluntário e universal a meios contraceptivos eficazes, impactando, sobretudo, os países em desenvolvimento.
  7. a nova onda de “revolução verde”, propiciada pela introdução dos transgênicos, afastou a ameaça de fome epidêmica nos países mais pobres.
  8. as ações governamentais e a urbanização implicaram forte queda nas taxas de natalidade, exceto em países muçulmanos e da África Subsaariana, entre outros.
  9. o estilo de vida consumista, maior responsável pela degradação dos recursos naturais, vem sendo superado desde a Conferência Rio-92.
  10. os fluxos migratórios de países pobres para aqueles ricos que têm crescimento vegetativo negativo compensaram a pressão sobre os recursos naturais.

5 – (UPE)

Tendências globais em fecundidade

A população mundial ultrapassou os 7 bilhões e está projetada para alcançar 9 bilhões até 2050. Em termos gerais, o crescimento populacional é maior nos países mais pobres, onde as preferências de fecundidade são mais altas, onde os governos carecem de recursos para atender à crescente demanda por serviços e infraestrutura, onde o crescimento dos empregos não está acompanhando o número de pessoas que entram para a força de trabalho e onde muitos grupos populacionais enfrentam grandes dificuldades no acesso à informação e aos serviços de planejamento familiar. Fonte: Population Reference Bureau, 2011.

Com base no texto, é CORRETO afirmar que

  1. as taxas de nascimento da população mundial têm declinado vagarosamente, contudo há grandes disparidades entre as regiões mais e menos desenvolvidas, como na África Subsaariana, onde as mulheres têm três vezes mais filhos, em média, que as das regiões mais desenvolvidas do mundo.
  2. a pobreza, a desigualdade de gênero e as pressões sociais revelam acesso desigual aos meios de prevenção à gravidez, mas não são consideradas nos índices demográficos como indicadores da persistente alta da taxa de fecundidade no mundo em desenvolvimento.
  3. o aumento do uso de contraceptivos é consideravelmente responsável pelo aumento das taxas de fecundidade nos países desenvolvidos. Globalmente, cerca de quatro mulheres escolarizadas, sexualmente ativas e na idade reprodutiva não adotam o planejamento familiar.
  4. a taxa de fecundidade total é uma medida mais direta do nível de longevidade que a taxa bruta de natalidade, uma vez que se refere ao envelhecimento da população feminina. Esse indicador mostra o potencial das mudanças de gênero nos países.
  5. uma média de cinco filhos por mulher é considerada a taxa de substituição de uma população, provocando uma relativa instabilidade em termos de números absolutos. Taxas acima de cinco filhos indicam população crescendo em tamanho cuja idade média está em ascensão.

6 – (UEA)

Especialista propõe redefinir conceito de idoso

Condições de vida e de saúde mudaram desde a criação do Estatuto do Idoso, que completa 10 anos em outubro.

 “A definição de população idosa ficou velha?” Quem levanta a questão é a demógrafa Ana Amélia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ela propõe redefinir o conceito na Lei n. 10.741/2003, o Estatuto do Idoso, que completa 10 anos em outubro e, há uma década, estipulou como população idosa, para diversos fins, quem tem 60 anos de idade ou mais. “Em 1994, a esperança de vida ao nascer da população brasileira foi estimada em 68,1 anos. Entre 1994 e 2011, este indicador aumentou 6 anos, alcançando 74,1. Isso tem sido acompanhado por uma melhoria das condições de saúde física, cognitiva e mental da população idosa, bem como de sua participação social. Em 2011, 57,2% dos homens de 60 a 64 anos participavam das atividades econômicas”, destaca a pesquisadora.

Fonte: <www.ipea.gov.br>. Adaptado.

A redefinição do conceito de idoso é uma proposta que responde às mudanças encontradas nos setores público e privado, diretamente associados com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros. É característica que contribui para este cenário:

  1. o exercício pleno da manipulação genética, selecionando desde a metade do século XX apenas os indivíduos portadores dos genes da longevidade.
  2. a mudança no padrão de consumo do brasileiro, que a partir de 1994 eliminou o consumo de alimentos industrializados e incentivou a compra de artigos esportivos.
  3. o estabelecimento de benefícios públicos, como a instituição de meia-entrada e o transporte público gratuito para a população idosa.
  4. a dificuldade de uma aposentadoria segura, obrigando as pessoas a participarem das atividades econômicas até os 64 anos.
  5. o acesso crescente a serviços de educação e saúde, condição que amplia as informações sobre o bem-estar da população e evita mortes precoces pela falta de tratamento.

7 – (FUVEST) Tendo em vista a dinâmica mundial dos movimentos migratórios na atualidade, qual das afirmações a seguir pode ser considerada correta?

  1. As graves crises econômicas e políticas que estão ocorrendo na África, têm feito com que as fronteiras de alguns países sejam palco de afluxo de milhares de refugiados, produzindo o que podemos chamar de “fronteiras em caos”.
  2. A fronteira que separa a Europa do Noroeste da África mantém a abertura da década de 50 e essa situação é de suma importância para o fluxo migratório em direção à Europa.
  3. Na África, as migrações entre países pobres não encontram impedimentos por parte dos Estados, fato que provoca uma grande mobilidade da população em todo o território africano.
  4. As migrações oriundas da região do Caribe, em direção à América do Norte, não conhecem nenhum tipo de obstáculo, fato que tem contribuído para o aumento dos fluxos migratórios.
  5. As “fronteiras abertas” dos países da Europa Ocidental têm permitido o livre fluxo de imigrantes oriundos, principalmente, dos países do Caribe e da África que apresentam graves problemas econômicos.

8 – (UFMT) O Brasil tem recebido um elevado número de migrantes haitianos, que entram no Brasil pelo Acre e acabam chegando à cidade de São Paulo. Sobre esse fluxo migrante, é correto afirmar que

  1. a destruição de parte do Haiti, observada principalmente em Porto Príncipe, a capital, devido a um intenso terremoto ocorrido em 2010, permitiu grande ajuda internacional, que incluiu estímulo à migração.
  2. o Brasil é o país com maior comércio externo com o Haiti, com protocolos de troca de mão de obra entre esses países.
  3. a crise econômica que assola o Haiti gera uma elevada taxa de migração, apoiada pelo programa Minustah, do NAFTA.
  4. as forças de ocupação, lideradas pelos EUA, exercem forte ação repressiva sobre a população, que tem emigrado em massa.
  5. o crescimento econômico do Brasil é um fator favorável à entrada de um grande número desses haitianos, atraídos pela possibilidade de melhores empregos e salários.

Respostas

  • E
  • D
  • C
  • C
  • A
  • E
  • A8) E

Proposta de redação Fuvest 2014.

A DISCRIMINAÇÃO CONTRA IDOSOS

Leia o seguinte extrato de uma reportagem do jornal inglês The Guardian, de 22 de janeiro de 2013, para em seguida atender ao que se pede:

O ministro de finanças do Japão, Taro Aso, disse na segunda-feira (dia 21) que os velhos deveriam “apressar-se a morrer”, para aliviar a pressão que suas despesas médicas exercem sobre o Estado 

“Deus nos livre de uma situação em que você é forçado a viver quando você quer morrer. Eu acordaria me sentindo cada vez pior se soubesse que o tratamento é todo pago pelo governo”, disse ele durante uma reunião do conselho nacional a respeito das reformas na seguridade social. “O problema não será resolvido, a menos que você permita que eles se apressem a morrer”.

Os comentários de Aso são suscetíveis de causar ofensa no Japão, onde quase um quarto da população de 128 milhões tem mais de 60 anos. A proporção deve atingir 40% nos próximos 50 anos.

Aso, de 72 anos de idade, que tem funções de vice-primeiro-ministro, disse que iria recusar os cuidados de fim de vida. “Eu não preciso desse tipo de atendimento”, declarou ele em comentários citados pela imprensa local, acrescentando que havia redigido uma nota instruindo sua família a negar-lhe tratamento médico para prolongar a vida.

Para maior agravo, ele chamou de “pessoas tubo” os pacientes idosos que já não conseguem se alimentar sozinhos. O ministério da saúde e do bem-estar, acrescentou, está “bem consciente de que custa várias dezenas de milhões de ienes” por mês o tratamento de um único doente em fase final de vida.

Mais tarde, Aso tentou explicar seus comentários. Ele reconheceu que sua linguagem fora “inapropriada” em um fórum público e insistiu que expressara apenas sua preferência pessoal.

“Eu disse o que eu, pessoalmente, penso, não o que o sistema de assistência médica a idosos deve ser”, declarou ele a jornalistas.

Não foi a primeira vez que Aso, um dos mais ricos políticos do Japão, questionou o dever do Estado para com sua grande população idosa. Anteriormente, em um encontro de economistas, ele já dissera: “Por que eu deveria pagar por pessoas que apenas comem e bebem e não fazem nenhum esforço? Eu faço caminhadas todos os dias, além de muitas outras coisas, e estou pagando mais impostos”.

Fonte: <theguardian.com>. Tuesday, 22 January 2013. Traduzido e adaptado.

Considere as opiniões atribuídas ao referido político japonês, tendo em conta que elas possuem implicações éticas, culturais, sociais e econômicas capazes de suscitar questões de várias ordens: essas opiniões são tão raras ou isoladas quanto podem parecer? O que as motiva? O que elas dizem sobre as sociedades contemporâneas? Opiniões desse teor seriam possíveis no contexto brasileiro? Como as jovens gerações encaram os idosos?

Escolhendo, entre os diversos aspectos do tema, os que você considerar mais relevantes, redija um texto em prosa, no qual você avalie as posições do citado ministro, supondo que esse texto se destine à publicação — seja em um jornal, uma revista ou em um site da internet.

instruções:

A Redação dever ser uma dissertação, escrita de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.

Escreva, no mínimo, 20 linhas, com letra legível. Não ultrapasse o espaço de 34 linhas da folha de redação.

Dê um título a sua redação.

 

 

Professor Luciano Mannarino

geoverdade.com

2 comentários em “UNESP – Apostila de Geografia.

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