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O que é a Crosta Terrestre?

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Crosta  da Terra

Parte sólida do globo terrestre também chamada de litosfera (esfera de pedra). A sua espessura é calculada em cerca de 60 a 100 quilômetros. Até agora, porém, o homem só conseguiu penetrar cerca de três quilômetros. As sondagens em busca de petróleo já ultrapassam os seis quilômetros.

Não se deve confundir a definição dada acima, restringindo-se apenas às terras emersas, mas também às submersas, pois as águas enchem depressões de tamanhos e grandezas variáveis, repousando, porém, sobre a crosta. A rigor a crosta terrestre compreende as zonas de sial e parte do sima. A primeira constitui as terras emersas, e a segunda o fundo da maioria das bacias oceânicas.

Em 1796, Laplace, matemático francês, em “Exposition du système du monde”, emitiu a hipótese da existência da imensa nebulosa que constituiria o sistema planetário. A Terra, à semelhança dos outros planetas, fazia parte desse sistema constituído de matéria ígnea que se foi gradualmente consolidando, formando a crosta terrestre, sólida na superfície e, guardando no seu interior, matéria em fusão, o que se chama de fogo central.

A hipótese de Laplace pode ser confirmada pelo grau geotérmico — que é o gradiente necessário para que haja o aumento da temperatura à medida que se desce no sentido do centro da Terra —1 oc para 40 metros em média; junto aos oceanos é da ordem de 100 metros e na proximidade dos vulcões é de 10 a 15 metros. Na profundidade de 120 km, limite da litosfera com a pirosfera, a temperatura seria de 3.000 graus.

Na Terra, devemos destacar a zona de influência solar e a zona neutra, além da qual não podem penetrar as variações térmicas exteriores (sazonais).

Além desta camada que se encontra e 8 a 25 m abaixo da superfície topográfica, o aumento do calor só pode ser devido ao calor central.

As experiências revelaram que, em qualquer parte da Terra, quando atingimos 8 a 10 metros, desaparece a noção de estação. Vejamos alguns dados a propósito do grau geotérmico e a natureza das rochas:

a) terrenos cristalinos antigos: 40 a 120 m;

b) áreas de bacias carboníferas: 20 m;

c) região vulcânica: 10 a 15 m;

d) jazimentos de petróleo: 10 a 15 m. Princípio de Heinrich: “A partir da camada neutra, acompanhando um mesmo raio, verifica-se que a diferença de temperatura é diretamente proporcional à diferença de suas profundidades

O vulcanismo é tido igualmente como outra prova positiva da teoria de Laplace. As matérias em fusão do núcleo central escapariam por fraturas, constituindo os vulcões.

Há, porém, sérias objeções à hipótese de Laplace:

1 — é difícil de se aceitar que a matéria sólida da crosta possa ser suportada por matérias em fusão. A crosta mais pesada deveria cair no fundo da massa incandescente líquida;

2 —- se o interior do globo estivesse líquido, ele deveria sofrer marés análogas às dos oceanos. As marés da crosta são de pequena amplitude: 18 centímetros aproximadamente. E. Raguin, em sua Géologie Appliquée, diz: “As marés da crosta terrestre são deformações periódicas do globo sob a influência das atrações lunares e solares. Análogas marés oceânicas, elas provêm do fato de que o globo não é perfeitamente rígido”;

3 — A grande pressão reinante no interior da Terra, embora haja elevado grau de temperatura, poderia dar uma consistência fracamente elástica;

4 — A propagação das ondas sísmicas condenam por completo a hipótese do “fogo central” líquido.

De Launay construiu, em 1926, um verdadeiro sistema, cujo fim era explicar a distribuição da matéria no interior da Terra. Admitiu os seguintes fatos:

1 — Na fase inicial da formação da Terra, turbilhões parecidos com os que ocorrem nos nossos dias na fotosfera solar. Se não fosse assim, os elementos químicos ter-se-iam estratificado estritamente na ordem de suas densidades. Foram os turbilhões que trouxeram esses corpos de peso atômico maior para a periferia.

2 — No centro da Terra há uma concentração de átomos pesados cuja formação absorveu muito calor — reação fortemente endotérmica.

3 — Observações geológicas indicam ter havido perturbações na ordem estabelecida: os turbilhões durante o período de fluidez, refusões mais tarde, devidas ao movimento da crosta terrestre, quedas de meteoritos etc. Em consequência desses fatos, os elementos trazidos para um meio físico diferente daquele onde se operou a formação ficaram em equilíbrio instável. O fenômeno da radioatividade exotérmica não é mais do que a quebra desse equilíbrio, quando sensível aos nossos aparelhos de física, com restituição da energia acumulada. Nas vizinhanças da superfície, ao contrário, encontra-se uma verdadeira cinta de calor proveniente das destruições exotérmicas dos átomos radioativos.

Parece existir entre o núcleo, em estado sólido, e a superfície, uma zona em que a pressão e a temperatura sejam de molde a permitir que a matéria esteja em estado fluido viscoso (pirosfera). Este substratum da crosta, altamente viscoso, seria onde ocorreriam as correntes convectivas e a parte da Terra onde se originariam as manifestações orogenéticas. Atualmente toda essa dinâmica é bem explicada pela tectônica de placas (vide).

O estudo do núcleo realizado pelo sismologista Montessus de Balore o levou a considerá-lo como de grande rigidez e elástico.

Lord Kelvin, em suas medidas, chegou à conclusão de que o núcleo do planeta tem uma rigidez vizinha à do aço.

A crosta externa da zona granítica não é composta apenas de corpos leves devido à corrente convectiva intratelúrica de Dive ou aos turbilhões de De Launay.

A seguir, vamos dar algumas indicações fornecidas por vários autores a propósito das camadas do globo. A estrutura da Terra, segundo M. Codur em seu livro Géographie et Topologic, Cours de l’lnstitut Geographique National:

I) Sial

15 km — densidade 2,8 silicato aluminoso

25 km — camada viscosa de basalto. Esta camada seria o reservatório do magma que sairia por vezes pelas crateras dos vulcões

II) Sima

2.800 km — densidade de 3 a 5

III) Nife

3.500 km — densidade de 8 a 11

Segundo Adams, Willianson e Washington, temos:

Envoltório                     Espessura  (km)            Densidade

Núcleo central              3.400 (ferro-níquel)          10

Zona litospórica               700                                      8

Zona ferrospórica             700                                     5,8

Zona peridótica             1.540                                      4

Crosta Terrestre

1 –  Zona basáltica            40                                         3,2

2  – Zona granítica           20                                         2

 

          Segundo M. Derruau, o estudo da estrutura interna facilita a compreensão dos movimentos tectônicos; a estrutura interna só é conhecida graças à sismologia e à gravimetria.

Segundo os dados sismológicos temos:

I – Núcleo ou centro: 3.400 km

a) Centro do núcleo (grão c/ 1.300 km)

b) Núcleo 2.100 km

A natureza do núcleo é mal conhecida: “ignorância do estado do núcleo e do grão que constituem um meio especial”. A densidade cresce da periferia para o centro, de 8 a 12,3.

II – Manto: 2.900 km

-— composto de material ultrabásico como o peridotito

— Densidade 5

III – Crosta: + 60 km

1 — Zona basáltica (sima)

2 — Zona granítica (sial)

3 — Zona detrítica

Para M. Derruau “a espessura total das duas zonas da crosta terrestre varia de um ponto a outro” (Zona Granítica e Zona Basáltica). No conjunto elas são maiores sob as regiões montanhosas do que nas planícies ou nos oceanos. Quanto à espessura relativa da camada basáltica e da camada granítica, ela varia muito. A superfície interna que as separa é extremamente irregular.

O mesmo acontece com a superfície da zona granítica e da zona detrítica” (Precis de Geomorphologie, pág. 24). Segundo Djalma Guimarães, a estrutura da Terra pode ser expressa por três envoltórios:

a) Núcleo:

Constituído de uma liga de ferro, contendo elevado teor de níquel e pequena porcentagem de outros elementos (diâmetro do núcleo  6,942 km —- espessura 3.471 km — densidade está entre 10 e 11)

b) Envoltório médio (simático)

Constituído de rochas densas de composição basáltica — estado plástico — espessura 880 km — densidade 4.

O envoltório médio, ou melhor, a camada de plasticidade maior estaria, segundo cálculos do geofísico W. Schweydar, a 120 km abaixo da superfície.

Barrel chamou à parte inferior a litosfera de astenosfera

c) Crosta externa (envoltório granítico) (sial)

Constituída de rochas menos densas, tais como granitos, gnaisses e rochas sedimentares. Este envoltório está acima da descontinuidade de Mohorovicic

— espessura de 10 a 30km

— densidade 2,8

“O que se conhece a respeito do interior da Terra é dado por investigações geofísicas. O núcleo central, para alguns autores, tem composição dos meteoritos sidéricos, enquanto para outros seria análogo à massa interna do Sol” (Djalma Guimarães — Geologia Estratigráfica e Econômica do Brasil — pág. 31).

O estudo da estrutura da Terra, em função dos últimos dados da propagação das ondas sísmicas, demonstra:

a) descontinuidade de primeira ordem, que consiste em uma variação relativamente brusca da velocidade da propagação da onda sísmica — descontinuidade de Mohorovicic, à profundidade de 30 a 50 km.

b) a segunda descontinuidade consiste numa variação da aceleração — descontinuidade de Wiechert-Gutenberg a 2.900km; esta é a mais importante.

1 — Núcleo — desde o centro do globo até a descontinuidade de Wiechert-Gutenberg

2 — Envoltório médio — entre as duas descontinuidades

3 — Crosta da Terra — desde a descontinuidade de Mohorovicic (30 a 50km) até a superfície.

Fonte Novo dicionário geológico-geomorfológico/Antonio Teixeira Guerra, Antonio José Teixeira Guerra-Bertrand Brasil

 

Prof. Luciano Mannarino.

 

 

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