Categoria: ATIVIDADES

Modelos de atividades para a Sala de Aula (Geografia)

  • 0 caminho até lá.

    0 caminho até lá.

    Quando eu era mais jovem, o futuro parecia um lugar aberto, esperando meus planos. Eu imaginava a aposentadoria como uma segunda juventude: aventuras, desafios, sonhos adiados. Pensava em escalar montanhas, viver paixões antigas, tocar música como se ainda houvesse algo a provar.

    Eu não entendia que o futuro não chega sozinho. Ele traz todos os anos vividos.

    O tempo não apenas passa — ele se acumula. No corpo, que aprende limites. Na mente, que escolhe melhor onde gastar energia. No coração, que separa o que é ruído do que é sentido.

    E então algo muda.

    Não é que os sonhos desaparecem. Alguns apenas deixam de ser necessários. O que antes parecia prova de vida perde urgência. Não porque a vida ficou menor, mas porque talvez a gente tenha ficado mais inteiro.

    Chega um momento em que a vontade de viver tudo dá lugar à vontade de entender o que já foi vivido. A expansão vira profundidade.

    Talvez aquele futuro cheio de façanhas nunca tenha sido um destino. Talvez fosse apenas uma luz para garantir que continuássemos caminhando. E sem perceber, a gente chega — não onde imaginou, mas onde faz sentido.

    Um lugar menos urgente.
    Menos ruidoso.
    Mas mais verdadeiro.

    Porque chega uma fase em que a conquista não é fazer mais.
    É existir dentro da própria história, com consciência e presença.

    E talvez isso não seja abrir mão de quem fomos.
    Talvez seja aceitar quem nos tornamos.

    Luciano Mannarino é Prof de Geografia e achava que iria escalar o everest depois de aposentado.

  • Espaço Vital

    Espaço Vital

    Espaço Vital

    O conceito de espaço vital, associado a Ratzel, parte da ideia de que os Estados tendem a buscar expansão territorial e influência como forma de garantir recursos e segurança para sua sobrevivência.

    No século XX, essa noção foi  apropriada pela Alemanha nazista, convertendo-se em justificativa para conquista, dominação e extermínio — um exemplo extremo de como um argumento geográfico pode ser instrumentalizado por projetos políticos.

    No mundo contemporâneo, embora não se repita a mesma estrutura ideológica do nazismo, certos movimentos internacionais revelam ecos dessa lógica, agora expressos como disputa por áreas estratégicas e reposicionamento de poder.

    A retirada de Nicolás Maduro do poder na Venezuela, em meio a pressões externas e interesses regionais, e o desejo de anexar a Groenlândia, defendido por Donald Trump sob o argumento de segurança e controle do Ártico, indicam que a geopolítica continua operando pela busca de vantagem espacial. 

    Assim, o “espaço” permanece sendo um dos principais campos onde se decidem interesses econômicos, militares e diplomáticos — e compreender isso é essencial para interpretar o mundo atual com clareza.

    Luciano Mannarino é Prof de Geografia.

  • África está se partindo: estudo mostra pulsos da Terra abrindo novo oceano

    África está se partindo: estudo mostra pulsos da Terra abrindo novo oceano.


    Colaboração para o UOL
    14/10/2025 05h30
    Atualizada em
    14/10/2025 13h10

    Continente africano está se dividindo conforme ocorre o enfraquecimento da crosta terrestre na região da Etiópia

    Uma pesquisa revelou o que pode ser o nascimento de um novo oceano no coração da África. Segundo um estudo publicado na revista Nature Geoscience, pulsos rítmicos de rocha derretida estão subindo das profundezas da Terra, sob o leste do continente, e lentamente rasgando a crosta africana ao meio.

    O que aconteceu?
    A Região de Afar, na Etiópia, está situada sobre uma pluma de manto quente que se comporta como um coração pulsando. A pesquisa, liderada por cientistas das universidades de Southampton e Swansea, no Reino Unido, confirma que, a cada “batida”, envia ondas de calor e material fundido para cima, enfraquecendo a crosta terrestre.

    “Descobrimos que o manto sob Afar não é uniforme nem estacionário. Ele pulsa, e esses pulsos carregam assinaturas químicas distintas. Essas pulsações ascendentes de manto parcialmente derretido são canalizadas pelas placas em rifte acima delas. Isso é importante para entendermos como o interior da Terra interage com sua superfície”

    (Emma Watts, pesquisadora da Universidade de Swansea e autora principal do estudo)

    Um continente se partindo ao meio. A região de Afar é uma das mais instáveis do planeta. Ali, três grandes falhas tectônicas se encontram: o Rifte do Mar Vermelho, o Rifte do Golfo de Áden e o Grande Rifte Etíope. Essa junção tripla é o cenário perfeito para o rompimento continental que, segundo os cientistas, já começou.

    Um rifte é uma grande fenda ou depressão alongada que se forma na crosta terrestre quando ela começa a se esticar e se romper devido a forças internas do planeta. Esse processo ocorre em regiões onde as placas tectônicas estão se afastando, permitindo que o material quente do manto suba e provoque a abertura da crosta.

    Conforme as placas tectônicas se afastam, a crosta se estica e se torna mais fina até se romper. Esse processo marca o início de uma nova bacia oceânica, algo que pode levar milhões de anos para se concretizar.

    A equipe internacional envolveu especialistas de dez instituições, incluindo universidades do Reino Unido, Itália, Alemanha e Etiópia. Juntos, eles analisaram amostras e dados geofísicos que ajudaram a revelar o comportamento do manto sob a região.

    O coração do planeta bate sob a Etiópia

    Os pesquisadores coletaram mais de 130 amostras de rochas vulcânicas em toda a área de Afar. Ao analisar a composição química, descobriram padrões que se repetem, como se fossem códigos de barras geológicos. Esses padrões indicam que o manto pulsa de forma constante e organizada.

    “As faixas químicas sugerem que a pluma pulsa, como um batimento cardíaco. Esses pulsos se comportam de forma diferente dependendo da espessura da placa e de como ela se move. Em riftes que se expandem mais rapidamente, como o do Mar Vermelho, as pulsações se propagam de maneira mais eficiente e regular, como o sangue fluindo por uma artéria estreita”
    (Tom Gernon, professor da Universidade de Southampton, em nota da Universidade de Swansea)

    Esse movimento contínuo faz com que o manto aqueça e desgaste lentamente a crosta terrestre. O resultado é uma sequência de vulcões ativos e terremotos frequentes, sinais de que o continente está literalmente se partindo em dois.

    O futuro: um novo oceano nasce na África?

    Segundo os cientistas, o processo ainda está em estágio inicial, mas o resultado final é inevitável. Com o tempo, a água do mar deve invadir a fenda crescente, formando um novo oceano e separando o Chifre da África do restante do continente, de forma semelhante ao que ocorreu quando o Atlântico se abriu há milhões de anos.


    A evolução das elevações profundas do manto está intimamente ligada ao movimento das placas acima. Isso tem implicações profundas para como interpretamos o vulcanismo de superfície, a atividade sísmica e o processo de fragmentação continental
    Derek Keir, pesquisador da Universidade de Southamp e coautor do estudo.

    Essas correntes profundas podem fluir sob as bases das placas tectônicas e concentrar a atividade vulcânica onde a crosta é mais fina. O grupo agora pretende estudar a velocidade e a dinâmica desse fluxo subterrâneo.

    “Trabalhar com pesquisadores de diferentes áreas é essencial para desvendar os processos que acontecem sob a superfície da Terra e relacioná-los ao vulcanismo recente. Sem o uso de várias técnicas, é difícil enxergar o quadro completo, como montar um quebra-cabeça sem ter todas as peças”
    (Emma Watts, da Universidade de Swansea)


    Questões

    1 O principal fenômeno geológico abordado na reportagem é:
    a) A fusão de continentes africanos
    b) A formação de um novo oceano a partir da separação continental
    c) O aumento da temperatura atmosférica na África
    d) O surgimento de um novo deserto na Etiópia
    e) O avanço das placas tectônicas em direção ao norte


    2 A região de Afar, na Etiópia, é descrita como o ponto central do estudo porque:
    a) Está localizada sobre uma pluma de manto quente em constante pulsação
    b) Apresenta a maior concentração de geleiras da África
    c) É uma zona de impacto de meteoritos recentes
    d) É uma área de intensa exploração de petróleo
    e) Está situada no ponto mais elevado do continente


    3 De acordo com o texto, o que significa o termo rifte?
    a) Uma dobra formada pelo choque de placas tectônicas
    b) Uma depressão alongada causada pelo afastamento de placas
    c) Um tipo de vulcão adormecido
    d) Um movimento circular de magma no interior da Terra
    e) Uma falha causada por erosão eólica

    4 O estudo sugere que o movimento do manto terrestre sob a Etiópia se assemelha a um batimento cardíaco. Essa comparação serve para:
    a) Simplificar a compreensão do processo para o público
    b) Demonstrar a irregularidade e imprevisibilidade do fenômeno
    c) Mostrar que o manto terrestre tem vida própria
    d) Apontar que o movimento é causado por atividade humana
    e) Criticar o avanço da ciência sobre a natureza

    5 Segundo os cientistas, o que pode ocorrer com o continente africano em milhões de anos?
    a) Ele se expandirá em direção à Ásia
    b) Se fragmentará, criando um novo oceano
    c) Será coberto por desertos e vulcões
    d) Unir-se-á novamente à América do Sul
    e) Tornar-se-á um único bloco rochoso estável

    6 Qual das alternativas abaixo apresenta uma consequência atual desse processo de separação continental?
    a) Aumento de vulcões ativos e terremotos na região
    b) Desaparecimento dos lagos africanos
    c) Redução da atividade vulcânica no Chifre da África
    d) Criação de novas ilhas no Oceano Atlântico
    e) Migração em massa de animais terrestres


    7 Os cientistas afirmam que o processo que ocorre em Afar é semelhante ao que:
    a) Criou o Oceano Atlântico há milhões de anos
    b) Deu origem à Cordilheira dos Andes
    c) Causou a desertificação do Saara
    d) Formou o Mar Morto
    e) Gerou a Fossa das Marianas


    8 Por que o estudo do comportamento do manto terrestre é importante para a ciência geológica?
    a) Porque ajuda a prever fenômenos de superfície como vulcões e terremotos
    b) Porque permite explorar minerais raros com mais eficiência
    c) Porque revela como o clima influencia as rochas
    d) Porque explica o desaparecimento dos oceanos antigos


    9 Explique como esse processo está relacionado ao tectonismo divergente, destacando o papel das placas africana e somali na formação de um rifte.
    Mostre, em sua resposta, como esse fenômeno confirma os princípios da Teoria da Deriva Continental de Alfred Wegener.

    10 O texto jornalístico aborda o processo de abertura continental na região de Afar, na Etiópia, causado pelo afastamento das placas tectônicas africana e somali.
    Sabendo que fenômenos semelhantes também ocorrem nas dorsais oceânicas, explique as semelhanças e diferenças entre o tectonismo divergente que acontece no continente africano e aquele que ocorre no fundo dos oceanos.


    Prof. Luciano Mannarino

  • O peso da demografia na vida social e política do Brasil

    O peso da demografia na vida social e política do Brasil

    O que acontece no Brasil de hoje não pode ser entendido apenas pela lente da política ou da economia. Existe uma dimensão demográfica que pesa silenciosamente sobre nossas escolhas coletivas. O país que, até poucas décadas atrás, era marcado por sua juventude numerosa e impetuosa, está se transformando em uma sociedade que envelhece rapidamente.

    Durante muito tempo, a imagem do Brasil foi associada à vitalidade de sua juventude: nas ruas, nos movimentos sociais, na música e na cultura. Era o “espírito jovem da mudança” que impulsionava transformações e contestava ordens estabelecidas. Mas a transição demográfica mudou esse quadro. A queda acentuada da taxa de natalidade e o aumento da expectativa de vida fizeram surgir um país diferente: mais maduro, mais velho e, em muitos aspectos, mais conservador.

    Esse envelhecimento não é apenas biológico, mas também simbólico. Uma sociedade envelhecida tende a buscar mais estabilidade do que ruptura, mais segurança do que ousadia. Isso se reflete no imaginário coletivo: cresce o saudosismo de tempos passados, a idealização de épocas de “ordem”, mesmo que tenham sido marcadas por autoritarismo.

    O resultado é um certo clima de acomodação e resignação. O ímpeto jovem de transformar dá lugar ao desejo de preservar o pouco que se conquistou. Isso não significa que não haja rebeldia ou inconformismo — a juventude segue sendo força de contestação —, mas o peso numérico dos mais velhos influencia os rumos coletivos, desde o comportamento cultural até as escolhas nas urnas.

    Em suma, o Brasil de hoje não é apenas fruto de suas disputas ideológicas, mas também de sua transição demográfica. Entender isso ajuda a perceber que muitas posturas atuais não são apenas escolhas políticas, mas respostas sociais ao envelhecimento do corpo coletivo da nação.

    Questões

    1 De que forma o envelhecimento da população pode influenciar o comportamento político da sociedade brasileira?

    2 Você concorda que o “espírito jovem da mudança” está sendo substituído pela busca por estabilidade? Explique.

    3 Quais impactos o envelhecimento da população pode trazer para o futuro do Brasil em áreas como educação, saúde e economia?

    4 O texto menciona o “corpo coletivo da nação” que envelhece. Como você interpreta essa metáfora?

    5 Explique a teoria da transição demográfica.

    Prof Luciano Mannarino

  • Veja 40 anos de desmatamento no Brasil em gráficos e mapas

    Gustavo Queirolo

    Jéssica Maes

    São Paulo
    O Brasil mudou drasticamente nas últimas quatro décadas. Entre outros aspectos, o país deixou de ser uma ditadura militar e voltou à democracia. A população brasileira foi de 135 milhões para 212 milhões de habitantes. E o território nacional perdeu mais de 1 milhão de quilômetros quadrados de vegetação nativa.

    É o que mostram os registros de mudanças de uso do solo de 1985 a 2024 do Mapbiomas. Nesta sexta-feira (5), em que é celebrado o Dia da Amazônia, um levantamento feito pela Folha usando a base de dados da plataforma mostra em gráficos e mapas o que essa transformação representou para os biomas brasileiros.

    No total, foi destruído 1,17 milhão de km² de florestas, savanas e campos —área equivalente à soma dos territórios de França e Espanha ou dos estados de Goiás, Maranhão e Mato Grosso do Sul.

    Somente o Rio de Janeiro ganhou áreas naturais nesse período, enquanto todos os outros 25 estados e o Distrito Federal tiveram redução destes espaços.

    No Brasil, o desmatamento é a maior fonte de emissões de gases de efeito estufa, causadores da mudança climática.

    Em termos absolutos, a maior vítima foi a amazônia, respondendo por quase metade do total de vegetação nativa perdida. A extensão da floresta caiu de 90% para 78% da área do bioma no período, enquanto a agropecuária foi de 3% para 15% do total.

    As grandes lavouras e pastos passaram a ocupar o espaço que até então era coberto pela explosão de vida natural dos biomas brasileiros. No cerrado, por exemplo, que é a savana mais biodiversa do mundo, a agricultura e a pecuária, que tomavam 27% do bioma no início da série histórica, hoje respondem por 47% do território.

    Com a perda de vegetação, o país também perdeu água. Nas últimas quatro décadas, foi reduzida em 12% a extensão de florestas úmidas, rios, campos alagados e mangues do país. No pantanal, os ciclos de inundação diminuíram, culminando na seca extrema de 2024.


    Com a perda de vegetação, o país também perdeu água. Nas últimas quatro décadas, foi reduzida em 12% a extensão de florestas úmidas, rios, campos alagados e mangues do país. No pantanal, os ciclos de inundação diminuíram, culminando na seca extrema de 2024.

    https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/09/veja-40-anos-de-desmatamento-no-brasil-em-graficos-e-mapas.shtml

    Questões

    O texto fala que o Brasil mudou política e ambientalmente nas últimas quatro décadas. De que forma você percebe essas mudanças refletidas no seu dia a dia ou no lugar onde vive?

    Apenas o Rio de Janeiro ganhou áreas naturais no período analisado. Que hipóteses você levantaria para explicar esse caso específico, considerando aspectos históricos, sociais ou econômicos do estado?

    A perda de cobertura na Amazônia foi de 12 pontos percentuais. Em sua opinião, qual é a consequência mais grave dessa transformação: climática, social ou econômica? Justifique.

    O Cerrado perdeu quase metade de sua vegetação para a agropecuária. Se você fosse um(a) gestor(a) público(a) desse bioma, que decisão polêmica tomaria para equilibrar produção de alimentos e preservação?

    O texto compara a área desmatada com a soma da França e Espanha. Você acha que esse tipo de comparação ajuda ou atrapalha a compreensão do problema pelos leitores? Por quê?

    Houve redução de 12% das áreas de água no país. Como essa informação se conecta com a sua experiência pessoal de acesso à água (ex.: enchentes, secas, racionamentos)?

    O Pantanal sofre com a diminuição dos ciclos de inundação. Na sua visão, esse problema é apenas ambiental ou também cultural? Explique com base em exemplos da relação entre população local e o bioma.

    O texto aponta que o desmatamento é a principal fonte de gases de efeito estufa no Brasil. Você concorda que a responsabilidade é só do campo ambiental ou há outros setores da sociedade envolvidos? Argumente.

    Imagine que você é repórter da Folha. Que outro dado ou comparação incluiria no texto para torná-lo ainda mais impactante para o leitor comum?

    O levantamento foi divulgado no Dia da Amazônia. Você acha que datas comemorativas realmente têm efeito prático sobre a consciência ambiental das pessoas ou são apenas simbólicas? Explique sua posição.

    Prof Luciano Mannarino