Categoria: ATIVIDADES

Modelos de atividades para a Sala de Aula (Geografia)

  • Como o desmatamento na Amazônia levou Cantareira a nível pré-crise hídrica.

    Bruno Kelly/Reuters Lucas Borges Teixeira

    São Paulo 04/01/2021 04h00

    O Sistema Cantareira, principal rede de abastecimento da Grande São Paulo, está com um índice de armazenamento de água em 35,6% —o menor volume registrado no período desde dezembro 2013, mês que antecedeu a crise hídrica. Índices abaixo dos 40% acionam estado de alerta segundo a ANA (Agência Nacional das Águas). O sistema está assim desde outubro. A causa? Tem chovido menos do que a média histórica na região na região durante todo o ano. Para um geólogo ouvido pelo UOL, não há perigo imediato de desabastecimento, mas é preciso economizar e focar no problema estrutural: o principal culpado da baixa umidade é o crescente desmatamento na Amazônia.

    Agentes do Ibama checam tora de madeira, durante apreensão realizada pela "Operação Onda Verde", em Apuí (AM) - Bruno Kelly/Reuters
    Agentes do Ibama checam tora de madeira, durante apreensão realizada pela ‘Operação Onda Verde’, em Apuí (AM)Imagem: Bruno Kelly/Reuters

    Segundo dados da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), só em três dos 12 meses de 2020 choveu mais do que a média histórica e, em dezembro, a quantidade está próxima. A maioria deles teve situação crítica. Em abril, início da estiagem, choveu apenas 2,2 mm dos 86,6 mm esperados para o período. “Não tem chovido o suficiente, e de onde vem a chuva que abastece a região? Da Amazônia. Não só o Cantareira está com esse déficit, como outros reservatórios importantes no país. Não é uma questão esporádica”, afirma o geólogo Pedro Côrtes, professor da USP (Universidade de São Paulo)

    Essa relação de causa e efeito é apontada no relatório “O futuro climático da Amazônia”, publicado em 2014 pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Segundo o texto, o desmatamento na região altera os padrões de pressão em todo o interior do Brasil e pode causar o declínio dos ventos carregados de umidade que vem do oceano para o continente. Sem a floresta, a chuva na região poderia cessar por completo. Isso se dá porque a floresta funciona como uma bomba d’água que “puxa” a umidade dos oceanos. Cada árvore amazônica de grande porte pode evaporar mais de mil litros de água por dia —o que leva, ao todo, a cerca de 20 bilhões de toneladas de água por dia (20 trilhões de litros)

    “Você tira árvores de raízes longas e troca por capim, de raízes curtas, que não tem a capacidade de drenagem para atingir os aquíferos profundos da região [amazônica]”, explica Côrtes. “Isso reduz a umidade da atmosfera e os ventos continuam soprando [para o sul], mas cada vez mais secos.” Em um estudo publicado na revista “Nature” em 1989, pesquisadores britânicos fizeram esta simulação e trocavam a mata nativa da Amazônia por pastagem. “A resposta simulada do clima local foi dominada por um ciclo hidrológico enfraquecido, com menos precipitações e evaporações e um aumento na temperatura da superfície”, diz o texto. Outro alerta foi dado em 2006, em um e aumento na temperatura da superfície”, diz o texto. Outro alerta foi dado em 2006, em um estudo do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) sobre o desmatamento na região. “As cidades principais do Brasil já estão no limite de abastecimento de água, e qualquer redução significativa de transporte de vapor de água da Amazônia teria sérias consequências sociais”, diz o texto do biólogo Philip Fearnside. Isso impacta em especial o interior do Brasil, regiões de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, entre outras, que não recebem as frentes frias vindas do Oceano Atlântico por causa das serras Neste ano, teve a seca sem precedentes no Pantanal. De onde vem a água do Pantanal? Da Amazônia”, aponta Côrtes. “No Sul, não conseguem perceber tanto este efeito porque as principais fontes de abastecimento de água vêm das frentes frias do sul do continente.”

    Desmatamento bate recordes em 2020

    De acordo com o Inpe, 2020 tornou-se o ano com maior taxa de desmatamento na Amazônia Legal desde 2008, com a derrubada de mais de 11,1 mil km² de área verde entre agosto de 2019 e julho deste ano – um aumento de 9,5% em relação ao mesmo período anterior. Na série histórica, o acompanhamento via satélite mostra que o desmatamento passou a cair em 2004, quando desceu de 27,8 mil km² para 19 mil km² no ano. A partir de 2019, no governo Jair Bolsonaro (sem partido), voltou a passar dos 10 mil km².

    O ritmo só aumenta. Mês passado foi o novembro com maior desmatamento nos últimos dez anos na região, com a derrubada de 484 km² de área verde, aumento de 23% em comparação com o ano passado, segundo o SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento), do Imazon. “Esse modelo de desmatamento na Amazônia está completando 50 anos, começou na década de 70, com a [rodovia] Transamazônica, e já não há mais justificativa para sua manutenção. Há trabalhos científicos do final dos anos 1980 que já alertavam que poderia gerar impactos ambientais, inclusive com redução do volume de chuvas. Hoje, estamos colhendo as consequências.”

    Reserva da represa Jaguari/Jacareí, do Sistema Cantareira, durante a crise hídrica, em setembro de 2015 - Luis Moura/Estadão Conteúdo - Luis Moura/Estadão Conteúdo
    Reserva da represa Jaguari/Jacareí, do Sistema Cantareira, durante a crise hídrica, em setembro de 201…

    Situação é preocupante, mas risco não é imediato

    O Sistema Cantareira abastece aproximadamente 46% da população da Região Metropolitana de São Paulo (cerca de 9,8 milhões de pessoas), segundo a ANA. Ele atende as zonas norte e central e parte das zonas leste e oeste da capital e mais dez cidades da Grande São Paulo. Côrtes afirma que a situação é “preocupante”, mas o risco de desabastecimento não é imediato. Neste mês, com a retomada das chuvas, o sistema vem aumentando a capacidade desde o dia 6 de dezembro, quando chegou a 31,3%. Abaixo dos 30%, já é considerada reserva técnica.

    “Uma nova crise hídrica vai depender do comportamento do clima a partir do outono [de 2021]. Agora é esperado que chova mais, como tem chovido, mas não vai ser suficiente para reverter essa situação para que chegue a níveis confortáveis”, afirma o geólogo. Ao UOL, a Sabesp informou que o Cantareira hoje faz parte de um sistema integrado com seis reservatórios que abastece a região metropolitana, com ligações que não existiam na crise hídrica de 2014. Até terça (29), o sistema operava com 46,2% de sua capacidade total.

    https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2021/01/04/desmatamento-amazonia-sistema-cantareira-chuvas.htm

    Trabalho em grupo!!!

    1) De que forma a reportagem demostra a importância dos “Rios Voadores”?

    Prof Luciano Mannarino.

  • ACORDO DE PARIS É SINAL DOS TEMPOS

    ACORDO DE PARIS É SINAL DOS TEMPOS

    EM13CHS305     Analisar e discutir o papel e as competências legais dos organismos nacionais e internacionais de regulação, controle e fiscalização ambiental e dos acordos internacionais para a promoção e a garantia de práticas ambientais sustentáveis.

    Se todas as políticas nacionais forem cumpridas, aquecimento pode ser freado

    15.dez.2020 às 17h33

    Assinado há 5 anos na Conferência do Clima, o Acordo de Paris é um fator decisivo para que o aquecimento global seja freado nas próximas décadas. Na prática, ele obriga os países signatários a seguirem metas de redução de emissões. Mas o que deve ser feito na próxima década precisa ser definido de forma voluntária, dentro de cada uma das nações. Não há exigência externa nenhuma sobre os planos internos que cada país escolheu seguir.

    À época da assinatura, o então secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, classificou o acordo de histórico. Já na semana passada, diante dos poucos avanços, o atual secretário, António Guterres, pressionou os países a decretarem estado de emergência climática.

    No Brasil, as metas viraram obrigatórias porque foram aprovadas pelo Congresso Nacional em setembro de 2016. Até 2025, o país deve reduzir em 37% as emissões de gases de efeito estufa em comparação com os valores de 2005. A segunda parte da exigência diz que a redução, em relação ao mesmo patamar de 2005, precisa ser de 43% em 2030.

    O texto legal também indica caminhos para que os objetivos climáticos sejam atingidos. Por exemplo, aumento do uso de biocombustíveis, desmatamento ilegal zero, restauração e reflorestamento de 12 milhões de hectares, participação de 45% de energias renováveis na matriz energética, aumento da participação de fonte eólica, solar e biomassa, alcance de 10% de eficiência energética e fortalecimento da agricultura de baixa emissão. Todas essas políticas públicas precisam atingir os objetivos traçados até 2030.

    Depois de o Acordo de Paris ter sido construído na gestão da presidente Dilma Rousseff e ratificado durante o governo de Michel Temer, o atual governo do presidente Jair Bolsonaro seguiu uma linha diferente. Antes de tomar posse, ainda na fase de transição, Bolsonaro ameaçou sair do Acordo. Não o fez. Nos EUA, o presidente Donald Trump retirou o país do protocolo, mas o democrata Joe Biden, que assume a Casa Branca em janeiro, anunciou que voltará ao Acordo de Paris.

    Com o governo federal brasileiro pouco interessado na questão climática, especialistas apontam que, mesmo assim, existem avanços sendo feitos em setores privados da economia. Com pressão do comércio internacional e dos consumidores, a preocupação com o meio ambiente tem sido fundamental no mundo dos negócios.

    De acordo com o CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), no fundo, a redução das emissões de gases de efeito estufa é também um bom negócio. A implementação do Acordo de Paris, pelas contas do conselho empresarial, pode desbloquear ao menos US$ 13,5 trilhões em investimentos nos próximos 15 anos. Apenas as soluções do projeto Low Carbon Technologies Partnership Initiative podem gerar de 25 milhões a 45 milhões de empregos por ano, respondendo por 65% das reduções de emissões necessárias em todo o mundo, segundo os estudos do setor empresarial.

    Independentemente do governo, o mundo do agronegócio vem desenvolvendo técnicas para produzir com baixa emissão de carbono, por meio de estratégias que envolvem a integração de floresta, lavoura e pecuária. O potencial dessa proposta em reduzir emissões é gigantesco dizem os pesquisadores. Outro segmento importante, onde o Brasil tem uma posição até confortável em termos internacionais, é o energético. A realidade imposta pelas mudanças climáticas aponta que gerar energia a partir do sol e do vento, em detrimento do uso de combustíveis fósseis, será crucial.

    Outros caminhos positivos a favor da redução das emissões são fruto de uma simbiose entre o setor sucroalcooleiro e a indústria automobilística, afirma Pedro Cortes, professor do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP. “Esses segmentos estão trabalhando em conjunto, por exemplo, para incentivar a produção de carros híbridos, que sejam elétricos mas também movidos a etanol.” Na prática, o carro movido a etanol, por causa do ciclo de produção do combustível, acaba sendo menos poluente do que o próprio carro elétrico. “Se o elétrico estiver associado a uma energia produzida por uma termoelétrica, o ciclo de produção tende a ser mais poluente”, afirma.

    Tanto especialistas da academia como membros do terceiro setor concordam que o Brasil tem totais condições de cumprir suas metas do Acordo de Paris, principalmente se o desmatamento da Amazônia, que bateu recordes em 2018 e 2019, voltar a ser contido. Sem isso, a tarefa será árdua. “O problema maior, tanto na questão ambiental quanto na retomada econômica, que envolve inclusive os setores do agronegócio e o industrial, é que o país não tem um plano”, diz Cortes.

    O MAPA DO CAMINHO

    Ainda que todos os países que assinaram o Acordo de Paris no âmbito da ONU sigam à risca seus planos nacionais, o problema do aquecimento global não estará totalmente resolvido, longe disso, mas pode ser atenuado em níveis mais aceitáveis, indica um estudo publicado no início do mês pela ONG internacional CAT (Climate Action Tracker).

    A recente onda de emissões líquidas zero anunciadas por vários países pode colocar a meta de 1,5°C [média de aumento da temperatura até 2100] do Acordo de Paris mais próxima de ser alcançada, indica o estudo.

    Em 2015, a previsão era que o mundo deveria sofrer a elevação da temperatura média de 3,6°C. Nas projeções atuais da CAT, está em 2,9°C. E novos cálculos apontam que, se todas as promessas pós-acordo forem cumpridas, o aquecimento global em 2100 pode ser da ordem de 2,1°C.

    Essas novas estimativas englobam, por exemplo, o anúncio do governo chinês de que o gigante asiático será neutro em carbono até 2060 e os planos já anunciados de Joe Biden para os Estados Unidos.

    Segundo o próximo presidente americano, o país vai zerar suas emissões até 2050.

    “A implementação de novas políticas públicas, o aumento do uso de energia renovável, a redução no uso do carvão e as premissas de menor crescimento econômico (tanto antes quanto por causa da pandemia) são responsáveis pela maior parte da queda registrada nos últimos anos, segundo os técnicos do grupo europeu. Em termos gerais, o Acordo de Paris, afirmam os cientistas, é a grande força motriz desse processo. Mas sempre existe o risco de as promessas feitas para as próximas décadas por parte dos governos nacionais não serem totalmente efetivadas.

  • NO AGRONEGÓCIO, PRESERVAÇÃO E PRODUÇÃO DEVEM ANDAR JUNTAS

    NO AGRONEGÓCIO, PRESERVAÇÃO E PRODUÇÃO DEVEM ANDAR JUNTAS

    Também no setor energético cresce a percepção de que sustentabilidade é um bom negócio

    15.dez.2020 às 18h0

    No Brasil, independentemente de políticas governamentais, vários setores da economia privada estão buscando suas próprias soluções para descarbonizar a economia. No agronegócio, o principal motor da economia brasileira e que depende muito da exportação, o caminho de práticas ambientalmente mais comprometidas, onde o fim do desmatamento e o aumento da eficiência produtiva andam juntos, é algo consolidado.

    Muitos produtores perceberam que mercados se fecham quando não há comprovação de que estão sendo respeitadas regras de proteção do meio ambiente.

    Muito da pecuária extensiva, por exemplo, tem sido trocada pela intensiva, com gado semiconfinado. Facilita o controle de alimentação, de questões de saúde animal e da qualidade da carne. Além disso, o abate ocorre em menos tempo, e tudo contribui para a criação de mais animais em menor espaço.

    Muitas fazendas também estão integrando lavoura, pecuária e floresta, em que a produção não exige desmatamento.

    Apesar de avanços, os números do sistema SEEG –Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, uma iniciativa da ONG Observatório do Clima–, mostram que as maiores fontes de emissão de gases de efeito estufa no Brasil ainda são o desmatamento (45% em 2019) e a agropecuária (28%). Por isso, a mitigação nesses dois casos é mais urgente.

    “No primeiro caso, precisamos empreender esforços de fiscalização para impedir desmatamentos ilegais e pagar pela manutenção da floresta em pé em áreas onde a derrubada de árvores seria ainda permitida, remunerando o agricultor pelo valor que ele obteria com o desmatamento legal”, afirma Carolina Dubeux, pesquisadora da COPPE.

    Segundo ela, o Brasil ainda tem condições de aumentar as áreas de conservação florestal e terras indígenas, de reflorestar o que for possível (há 100 milhões de hectares de pastos degradados) e fomentar a bioeconomia como forma de prover renda alternativa à população.

    “No caso da agropecuária, é urgente ampliar a produtividade do rebanho nacional, aumentando a taxa de lotação do gado (cabeça/hectare) e reduzindo a idade de abate. As medidas previstas no Plano ABC (política pública federal que visa estimular o uso de práticas de produção sustentáveis no campo) precisam se tornar a norma e não uma opção”, diz.

    ENERGIA

    Outro setor que avança é o de geração de energia renovável, como a eólica e a solar. Com o barateamento dos equipamentos, têm surgido vários parques de geração pelo país.

    No caso da energia solar, contam a favor do Brasil a extensão territorial e a posição no globo, que garante a incidência de raios solares o ano todo.

    Com relação à energia eólica, especialistas afirmam que a qualidade dos ventos (velocidade e constância), principalmente no Nordeste, fazem do Brasil uma espécie de Arábia Saudita desse tipo de energia.

    https://estudio.folha.uol.com.br/hora-de-esfriar-o-planeta/2020/12/no-agronegocio-preservacao-e-producao-devem-andar-juntas.shtml

    Prof Luciano Mannarino

  • Clima urbano merece atenção redobrada

    Clima urbano merece atenção redobrada

    Novo padrão vai mudar a vida nas cidades, que precisam se adaptar

    Ressaca intensa na Ponta da Praia, em Santos (SP) Guilherme Dionizio/Folhapress

    15.dez.2020 às 18h0

    Março de 2019. Na grande São Paulo, principalmente entre a zona sul da capital e a região dos municípios de São Bernardo, Diadema e São Caetano, ao menos 12 pessoas perderam a vida por causa de um forte temporal. No bairro do Jabaquara choveu exatos 109,5 mm. O que significa dizer que a chuva encheria quase 11 centímetros da altura de um cubo de 1 metro quadrado em menos de uma hora.

    A equação é simples: os grandes temporais vão ser cada vez mais frequentes neste século por causa do aquecimento global; mas, como isso parece ser obra divina para os governantes, as cidades, caso não se prepararem adequadamente, vão acumular tragédias.

    Termômetro de rua mostra o calor na cidade de São Paulo no primeiro dia de outubro de 2020 – Roberto Casimiro /Fotoarena/Folhapress

    A ciência mostra que as tempestades com mais de 100 mm em poucas horas estão aumentando em São Paulo. A memória de quem vive na Grande São Paulo há mais de 50 anos indica que antes as chuvas torrenciais não eram tão comuns assim. E ela está correta. Não se trata de nostalgia dos tempos da infância ou adolescência. Números analisados pelo IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP (Universidade de São Paulo) reforçam a percepção dos moradores de meia idade e dos idosos.

    Para os cientistas, chuvas superiores a 40 mm já são fortes o suficiente para causar algum tipo de transtorno para a cidade, como alagamentos. Entre 1970 e 1979, mostram os dados, São Paulo teve o registro de 50 eventos com essas características.

    Entre 2000 e 2009 foram 70 chuvas fortes anotadas pela estação meteorológica da USP, que fica perto do zoológico da cidade. Mesmo com o aumento da nota de corte, a tendência de eventos mais frequentes continua. No mesmo período, ocorreram cinco tempestades com mais de 80 mm nos anos 1970 contra nove chuvas tropicais no início do século.

    Temporal provoca alagamentos em Contagem (MG), no dia 5 de dezembro de 2020 – Willian Augusto/Futura Press/Folhapress

    O novo cenário urbano que surge, mesmo nas pequenas e médias cidades, ainda não vem sendo tratado como prioridade, apesar de alguns avanços terem também ocorrido, afirma Gabriela Di Giulio, pesquisadora da Escola de Saúde Pública da USP. “Mesmo com uma agenda adaptativa, entendendo a adaptação como processos de ajustamentos para antever impactos adversos das mudanças climáticas, os avanços no país têm sido lentos. Nossos estudos sobre adaptação nos municípios paulistas e em algumas capitais brasileiras, incluindo São Paulo, mostram que há importantes entraves que dificultam o processo de respostas adaptativas às alterações climáticas”, afirma a pesquisadora em saúde pública e meio ambiente da USP.

    Segundo Gabriela, o que mais chama a atenção, em nível local, é a dificuldade que as gestões públicas apresentam de atrelar políticas urbanas às estratégias adaptativas. “Essas dificuldades estão presentes tanto nos municípios de pequeno e médio porte como também nas grandes cidades, ainda que estas reúnam condições que poderiam, teoricamente, facilitar o avanço nas ações climáticas, como instituições de pesquisa que produzem conhecimento técnico-científico sobre as mudanças climáticas, os impactos e as possibilidades de respostas.

    VONTADE POLÍTICA

    No âmbito do Projeto CiAdapta, o grupo de pesquisa da USP em conjunto com outras instituições do país, investigou a realidade de seis grandes capitais: São Paulo, Natal, Porto Alegre, Vitória, Manaus e Curitiba. O diagnóstico é que a falta de vontade política ou comprometimento dos governantes com a adaptação das cidades a um novo cenário global não são os únicos problemas. “Práticas administrativas, descompasso entre a escala das questões urbanas e a extensão da autoridade do governo local, pressões do setor privado e fiscalização inadequada também são aspectos com os maiores níveis de impacto sobre a adaptação nas cidades brasileiras estudadas”, diz Gabriela.

    Segundo ela, embora estes gargalos encontrados pelos pesquisadores não sejam barreiras específicas das mudanças climáticas, quando combinados, eles produzem e pioram os entraves para o avanço da adaptação urbana em nível local. “Eles tendem a causar atrasos e dificultar a implementação de importantes ações atreladas às questões climáticas, como ampliação de infraestrutura verde, ponderação entre o adensamento necessário e a expansão urbana, mobilidade e questões de eficiência energética nos padrões construtivos”, afirma.

    A solução do problema, diz a cientista da USP, passa por enquadrar a mudança climática como um problema local, que afeta a todos, e também por compreender as cidades enquanto arenas estratégicas para ação. “É necessário ter a integração dos diferentes setores para lidar com a transversalidade das questões climáticas e, sobretudo, ter comprometimento político, inclusive, para lidar com as pressões exercidas por grupos que ainda resistem às ações públicas e coletivas em detrimento de seus interesses privados.”

    https://estudio.folha.uol.com.br/hora-de-esfriar-o-planeta/2020/12/clima-urbano-merece-atencao-redobrada.shtml

    Prof. Luciano Mannarino

  • O perfil demográfico do Brasil até 2100 e os desafios da covid-19

    O perfil demográfico do Brasil até 2100 e os desafios da covid-19

    José Eustáquio Diniz Alves

     “A transição demográfica é o fenômeno de comportamento de massa mais importante da história da humanidade” (ALVES, 1994)

    A pandemia da covid-19 vai ter um impacto profundo no mundo, tanto em termos de morbimortalidade, quanto em termos econômicos. Contudo, por maior que seja o impacto em número de vítimas fatais, o surto pandêmico será incapaz de alterar a transição demográfica brasileira de longo prazo. Ou seja, a queda nas taxas brutas de natalidade e mortalidade vão continuar e a estrutura etária vai manter o ritmo de envelhecimento.

    Todavia, a pandemia pode jogar a pá de cal na possibilidade de aproveitamento do bônus demográfico e, desta forma, pode inviabilizar a decolagem do desenvolvimento humano do país e o Brasil pode ter que abandonar o sonho de se tornar uma nação próspera e feliz.

    O Brasil passou pelo fenômeno da transição demográfica (queda das altas taxas de mortalidade e natalidade), fundamentalmente, no século XX, e, em consequência, vai ter uma grande transição da estrutura etária no século XXI. A configuração demográfica do país no atual século será totalmente diferente dos primeiros 500 anos de história do país.

    A Divisão de População da ONU divulgou, em junho de 2019, as novas projeções populacionais para todos os países, para as regiões e para o total mundial. E no final do ano divulgou os novos gráficos sobre o perfil demográfico dos países. As figuras abaixo mostram as pirâmides populacionais do Brasil em três momentos.

    Em 1950, a população brasileira era de 53,9 milhões de habitantes, sendo 26,7 milhões de homens e 27,2 milhões de mulheres (meio milhão a mais de mulheres). A estrutura etária era jovem (alta proporção de crianças e adolescentes e baixíssima proporção de idosos) e a idade mediana era de apenas 19,2 anos (metade da população estava abaixo de 19,2 anos). Este tipo de pirâmide refletia a realidade dos primeiros 450 anos da demografia brasileira.

    Em 1985 foi o último ano em que a pirâmide brasileira teve um “formato egípcio” (cada grupo etário mais jovem era maior do que o grupo imediatamente anterior). A população brasileira era de 135,3 milhões de habitantes, sendo 67,3 milhões de homens e 68 milhões de mulheres (700 mil mulheres a mais). A idade mediana subiu ligeiramente para 21,4 anos, marcando o começo muito inicial do processo de envelhecimento.

    Em 2020 a pirâmide brasileira já apresentou uma redução da base e um encorpamento do meio da estrutura etária. A população brasileira foi estimada em 212,6 milhões de habitantes, sendo 104,4 milhões de homens e 108,2 milhões de mulheres (3,8 milhões de mulheres a mais). A idade mediana subiu para 33,5 anos, mostrando a rapidez do processo de envelhecimento do Brasil.

    Normalmente, a ONU apresenta para o restante do século três cenários de projeções, conforme mostra o gráfico abaixo para o caso do Brasil. No cenário de projeção alta, a estimativa indica uma população de 272,7 milhões de brasileiros em 2100. No cenário de projeção média, a população brasileira seria de 180,7 milhões de habitantes em 2100. E no cenário de projeção baixa, o número ficaria em 114,4 milhões de habitantes em 2100. Nos três cenários o número de mulheres continua superando o número de homens e o processo de envelhecimento é acentuado. A idade media na projeção alta em 2100 está estimada em 42,3 anos. Na projeção baixa a idade mediana ficaria em impressionantes 62,6 anos. E na projeção média (a mais provável) a idade mediana ficaria em 51,4 anos (ou seja, metade da população ficaria abaixo de 51,4 anos e a outra metade acima desta idade). O século XXI vai ser o século do envelhecimento demográfico do Brasil.

    Os gráficos abaixo detalham o perfil demográfico do Brasil entre 1950 e 2100. Nota-se que a população que era de 53,9 milhões em 1950 deve atingiu um pico de 229,6 milhões de habitantes em 2045 e depois iniciar uma trajetória de queda (a depender das taxas de fecundidade a queda pode ser menor ou maior). A população de 0-14 anos já está caindo desde o final do século XX. A população de 15-24 anos (idade de segundo grau e de universidade) já começou a cair desde o início do atual século. A população de 25-64 anos (potencialmente em idade de trabalhar) vai continuar crescendo até meados do atual século, mas vai cair na segunda metade do século. E a população idosa vai aumentar constantemente sua proporção na população total.

    As taxas brutas de mortalidade (TBM) e de natalidade (TBN) vão se encontrar em 2045 e a partir desta data o crescimento vegetativo se torna negativo. A taxa de fecundidade total (TFT) ficou ao nível de reposição (2,1 filhos por mulher) em 2005 e deve ficar abaixo do nível de reposição no restante do século. As taxas de mortalidade caíram significativamente e a esperança de vida ao nascer aumentou expressivamente, sendo que as mulheres mantém uma vantagem sobre os homens em termos de anos médios de vida.

    Todos os dados acima mostram que o Brasil terá uma mudança completa no seu perfil demográfico entre 1950 e 2100. Em meados do século XX, o Brasil tinha altas taxas de mortalidade e natalidade, uma estrutura etária muito rejuvenescida e altas taxas de crescimento natural. No final do século XXI, o Brasil terá baixas taxas de mortalidade e natalidade, uma estrutura etária muito envelhecida e decrescimento populacional.

    Atualmente, em 2020, o Brasil tem a melhor configuração demográfica de sua estrutura etária, pois tem as razões de dependência mais baixas da história (passada e futura). Ou seja, a proporção de pessoas dependentes (crianças e idosos) é menor dos 520 anos da história brasileira e será menor em relação ao futuro, pois ela já começou a subir e vai se elevar bastante com o processo de envelhecimento. Isto quer dizer que o Brasil está no melhor momento do bônus demográfico.

    Esta nova configuração demográfica exigiria que as políticas econômicas e sociais se adaptem à nova realidade populacional, fortalecendo as políticas de educação e emprego. Infelizmente a crise econômica que começou em 2014 já estava fazendo o Brasil desperdiçar este momento histórico e que é fundamental para qualquer nação que queira dar um salto de qualidade de vida para a sua população. Só é possível um país enriquecer (ter alto IDH) antes de envelhecer.

    Mas com toda a crise econômica e no mercado de trabalho que acontece depois da eclosão do coronavírus, o desafio de aproveitar os momentos favoráveis da estrutura etária parece um sonho cada vez mais distante. O FMI, no relatório divulgado em abril, estimou que o mundo vai ter a maior depressão econômica da história do capitalismo e o Brasil vai ter a sua pior recessão anual da história em 2020.

    Assim, neste quadro econômico que já era muito complexo, a covid-19 chegou ao país em um momento de muita instabilidade política e, tudo indica, terá um impacto mortal sobre a economia brasileira, fazendo com que o Brasil desperdice de vez a sua chance de aproveitar o bônus demográfico e de dar um salto na qualidade de vida da população brasileira.

    Questões para as turmas da primeira série

    1. O texto aborda características populacionais do Brasil. Indo nessa direção, pesquise as cinco maiores populações absolutas do mundo e as descreva abaixo.

    2. Faça uma diferenciação entre os conceitos de taxa bruta de mortalidade e taxa bruta de natalidade.

    3. O que é uma pirâmide etária? Por quais transformações a pirâmide etária brasileira foi atravessando desde 1950 até os dias de hoje?

    4. Qual grupo de países apresenta a pirâmide etária em “formato egípcio” até os dias de hoje?

    5. Explique a afirmativa: “o século XXI vai ser o ser o século do envelhecimento demográfico do Brasil”.

    Questões para as turmas da segunda série

    1.O texto aborda a dinâmica demográfica brasileira. Indo na direção conceitual, diferencie o crescimento vegetativo (abordado no texto) do crescimento populacional mais amplo.

    2. Qual é a taxa de fecundidade considerada ideal para um crescimento equilibrado de uma população, ou seja, com a manutenção da reposição populacional? A população brasileira está acima ou abaixo dessa taxa de fecundidade? Por qual motivo?

    3. O que é a transição demográfica? Faça uma pesquisa e compare a transição demográfica dos países europeus com a transição demográfica brasileira.

    4. Explique o que é o bônus demográfico trazido no texto e de que forma ele pode ser importante para o desenvolvimento econômico do país.

    5. Explique a afirmativa: “só é possível um país enriquecer (ter alto IDH) antes de envelhecer”.

    Questões para as turmas da terceira série

    1. O aumento da expectativa de vida é motivo de orgulho e preocupação para um país. Explique essa contradição.
    2. Estabeleça diferenças entre as atuais pirâmides etárias do Brasil e da Alemanha.
    3. O processo de urbanização vem afetando as taxas de natalidade do Brasil? Justifique.
    4. Explique as mudanças observadas na forma das pirâmides etárias do Brasil nas ultimas décadas.
    5. Qual a importância do Censo para um país?

    https://www.ecodebate.com.br/2020/04/29/o-perfil-demografico-do-brasil-ate-2100-e-os-desafios-da-covid-19-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/