Categoria: Geopolítica

  • NATURE: Analisando a Terra: a ciência por trás do próximo relatório climático do IPCC

    A primeira avaliação do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas em oito anos soará o alarme sobre as temperaturas elevadas, o aumento dos mares e o clima extremo.

    A woman carrying a child and belongings on her back wades through floodwaters in a city in China
    Fortes chuvas causaram inundações sem precedentes em Zhengzhou, província de Henan, China, em julho.Crédito: Aly Song/Reuters/Alamy

    As Nações Unidas estão prontas para divulgar a avaliação mais confiante e abrangente ainda do aquecimento global, incluindo estimativas detalhadas de como as emissões contínuas de gases de efeito estufa aumentarão o nível do mar da Terra e impulsionarão o clima extremo nos próximos anos. Compilado por mais de 200 cientistas e aprovado por representantes do governo de 195 países, o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) deixará poucas dúvidas de que os seres humanos estão alterando a forma como o planeta funciona — e que as coisas ficarão muito piores se os governos não tomarem medidas drásticas, dizem pesquisadores climáticos entrevistados pela Nature.

    Muitos esperam que o relatório, que abrange os últimos avanços da ciência climática, galvanize a ação na cúpula climática da ONU em Glasgow, Reino Unido, em novembro, onde os líderes mundiais assumirão novos compromissos para conter as emissões de gases de efeito estufa. Os cientistas dizem que, com base nas políticas atuais, os governos não cumprirão as metas estabelecidas no acordo climático de Paris de 2015 para limitar o aquecimento global a 1,5-2 °C acima dos níveis pré-industriais.

    As duras verdades das mudanças climáticas — pelos números

    “Este relatório deixará absolutamente claro qual é o estado da ciência e jogará a bola de volta no campo dos governos para agir”, diz Corinne Le Quéré, cientista climática da Universidade de East Anglia, em Norwich, Reino Unido.

    É o primeiro de um trio de relatórios que comporá a sexta grande avaliação climática do IPCC desde 1990: um segundo relatório, sobre impactos climáticos e adaptação, e um terceiro, sobre os esforços de mitigação, seguirá no próximo ano. Antecipando a divulgação do primeiro relatório na próxima semana, a Nature  antecipa o que os pesquisadores dizem ser alguns dos avanços mais significativos na ciência climática realizados desde a última avaliação do IPCC, há oito anos.

    Alta confiança, modelos quentes

    Após várias décadas de pesquisa, os cientistas climáticos não têm dúvidas de que as emissões de gases de efeito estufa fazem com que as temperaturas globais aumentem. As concentrações desses gases aumentaram cerca de 50% desde os tempos pré-industriais, e o planeta aqueceu mais de 1 °C (ver ‘Mundos mais quentes’). Segundo algumas estimativas, o mundo está no caminho certo para quase 3 °C de aquecimento, a menos que os governos façam mais para conter essas emissões.

    Pesquisadores ficaram mais confiantes em projeções como a ciência climática avançou — um ponto que o relatório do IPCC enfatizará. Uma maneira pela qual os cientistas avaliaram suas projeções climáticas é através de uma métrica conhecida como sensibilidade climática. Esta é uma medida do aquecimento projetado a longo prazo que ocorreria se os níveis de dióxido de carbono atmosférico (CO2)do planeta dobrassem em comparação com osníveis pré-industriais. Apesar dos avanços na compreensão e no poder computacional, as estimativas de sensibilidade climática estão em torno de 1,5-4,5 °C desde a década de 1970. Os esforços recentes para diminuir esse alcance aumentaram significativamente a confiança dos cientistas em projeções de quão rapidamente o mundo pode aquecer nas próximas décadas.

    Warmer worlds: Chart showing range of projected changes in global temperature up to the year 2100.

    Fonte: Zeke Hausfather/Modelo Acoplado Intercomparison Projeto Fase 6

    Em um estudo publicado em julho de 20201, por exemplo, uma equipe de pesquisadores desafiou modelos climáticos com múltiplas linhas de evidência, incluindo registros climáticos contemporâneos e evidências de climas antigos. Eles determinaram uma provável sensibilidade climática de 2,6-3,9 °C.

    “Parece um pouco esotérico, mas seria realmente um grande negócio se o IPCC reduzisse a amplitude da sensibilidade climática”, diz Zeke Hausfather, coautor do estudo e cientista climático do Instituto Breakthrough em Oakland, Califórnia. Estreitar o alcance ajudaria a restringir modelos e melhorar as projeções futuras.

    Mas Hausfather é rápido em notar que muitos dos modelos climáticos mais recentes – incluindo os de grandes centros de modelagem nos Estados Unidos e no Reino Unido – estão projetando um aquecimento bem acima até mesmo das estimativas anteriores de sensibilidade climática. Cerca de um terço dos cerca de 40 modelos que executaram testes de sensibilidade climática prevêem mais de 4,5 °C de aquecimento se os níveis de CO2  dobrarem, intrigantes cientistas que consideram tais níveis extremos de aquecimento implausíveis dadas outras linhas de evidência.

    IPCC diz que limitar o aquecimento global a 1,5 °C exigirá medidas drásticas

    Os cientistas ainda estão descobrindo precisamente por que os modelos estão quentes, mas algumas pesquisas sugerem que parte da resposta pode ser o uso de novas representações sofisticadas de microfísica de nuvens e partículas minúsculas na atmosfera chamadas aerossóis. Por exemplo, modelos anteriores apresentavam nuvens irrealistas que consistiam em muito gelo, que se transformaria em água à medida que o globo se aquecia. Isso produziu um efeito de resfriamento porque as nuvens à base de água refletem mais energia solar de volta ao espaço. Os modelos mais recentes começam com nuvens mais realistas que têm mais água, o que reduz o efeito de resfriamento ao longo do tempo.

    Mas isso é apenas uma parte de uma equação maior que os cientistas climáticos ainda estão trabalhando, diz Gavin Schmidt, que lidera a equipe de modelagem do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA em Nova York. Alguns modelos que correm quente podem precisar ser menos ponderados ao calcular métricas como a sensibilidade climática, diz Schmidt. Mas eles ainda poderiam fornecer previsões úteis para variáveis climáticas, como padrões de precipitação, acrescenta.

    Ao interpretar as últimas projeções climáticas, o IPCC deve reconhecer que os cientistas estão apenas começando a se aprofundar nessas questões, diz Schmidt.

    Marés altas

    O mundo teve uma prévia de como o nível do mar da Terra pode subir quando o IPCC divulgou um relatório especial em 2019. A ciência que apresentou, que sem dúvida será incluída na liberação da próxima semana, dizem especialistas, apontou para o aumento médio do nível médio do mar global entre 0,3 metros e 1,1 metro até 2100, dependendo das emissões de gases de efeito estufa. Isso é apenas um pouco maior do que as projeções anteriores, mas o relatório também citou estudos recentes que analisam as opiniões de especialistas da área, que declararam que um aumento de 2 metros não pode ser descartado. Tal mudança extrema poderia deslocar dezenas de milhões de pessoas de suas casas em regiões baixas.

    A elevação do nível do mar é difícil porque depende de questões complexas sobre se as camadas de gelo na Groenlândia e na Antártida entrarão em colapso — e, se for o caso, quão rápido. Os cientistas fizeram progressos notáveis, no entanto, em entender como as marés crescentes poderiam afetar as comunidades em uma escala local e regional, em vez de apenas uma escala global desde a última grande avaliação climática do IPCC em 2013. Isso é importante porque diferentes cidades, países e regiões experimentarão o aumento do nível do mar de maneiras muito diferentes, diz Michael Oppenheimer, cientista climático da Universidade de Princeton, em Nova Jersey, autor do relatório especial do IPCC.

    Por exemplo, as camadas de gelo na Groenlândia e na Antártida são tão grandes que exercem um efeito gravitacional que faz com que os oceanos inchem ao seu redor. Quando parte do gelo derrete, o inchaço local diminui e a água se redistribui em outros lugares, como no nordeste dos Estados Unidos — levando ao aumento do nível do mar lá.

    “É a primeira vez que o IPCC faz uma análise abrangente de todos esses efeitos locais e regionais”, diz Oppenheimer. A informação é importante, diz ele, porque mesmo aumentos aparentemente pequenos no nível do mar local podem ter impactos significativos — particularmente nas inundações durante tempestades. Em muitas áreas ao redor do mundo, Oppenheimer acrescenta que inundações únicas em um século se tornarão eventos anuais até o final do século, mesmo sob os cenários climáticos mais otimistas.

    A atribuição dos extremos

    O relatório do IPCC da próxima semana vem na esteira de inundações épicas na Alemanha, em julho, e uma onda de calor de junho que assou o Noroeste dos EUA e o oeste do Canadá, onde a cidade de Lytton registrou uma temperatura recorde de 49,6 °C antes que um incêndio quase o arrasou. Pouco depois, os cientistas climáticos avaliaram  a onda de calor e concluíram que o aquecimento global era quase certamente um motor, e aumentaram a probabilidade de tal evento em um fator de 150 desde o final do século XIX.

    A firefighting aeroplane tanker flies over a forest fire in Oregon, dropping a cloud of red powder fire retardant
    Incêndios florestais estão se tornando mais frequentes em Oregon e outras partes do Noroeste do Pacífico.Crédito: Departamento de Florestas de Oregon/AP/Shutterstock

    Há pouco mais de uma década, os cientistas tendiam a demur quando perguntados sobre a ligação entre o aquecimento global e qualquer evento climático extremo, exceto para dizer que deveríamos esperar mais deles à medida que o clima esquenta. Mas a ciência da atribuição climática avançou consideravelmente nos últimos anos, diz Sonia Seneviratne, cientista climática do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique. Assim, embora a análise recente de ondas de calor não seja incluída no novo relatório do IPCC porque não foi publicada a tempo, existe um conjunto substancial de pesquisas sobre clima extremo para o IPCC avaliar, diz Seneviratne.

    Duas coisas aconteceram para impulsionar essa mudança. A primeira é que os cientistas climáticos desenvolveram modelos e métodos estatísticos aprimorados  para determinar a probabilidade de que qualquer evento climático possa ocorrer, com ou sem mudanças climáticas induzidas pelo homem. Mas, assim como importante, diz Seneviratne, a mudança climática em si está avançando, e estudos recentes mostram que eventos climáticos cada vez mais extremos estão agora emergindo acima do ruído da variabilidade natural.

    Ou, nas palavras de Le Quéré, agora podemos ver os impactos do aquecimento global “com nossos próprios olhos”.

    https://www.nature.com/articles/d41586-021-02150-0

    Outro artigo da renomada Nature.

    Prof Luciano Mannarino

  • A encruzilhada da América Latina para alçancar as emissões zero de carbono

    A encruzilhada da América Latina para alçancar as emissões zero de carbono

    É urgente repensar quais são os setores que poderiam gerar divisas e como reinserir a região no mundo

    5.jul.2021 às 9h00

    Leonardo E. Stanley

    Economista e pesquisador no Centro de Estudios de Estado y Sociedad (Cedes), na Argentina

    A comunidade científica levantou a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e evitar o acúmulo adicional de gases na atmosfera. Como resolver a situação? Quem deve liderar o processo de transição?

    Inicialmente a maioria das iniciativas se concentrou em mercados com o desenho de mecanismos de incentivo, precificando as emissões de carbono, a fim de estimular a busca de fontes renováveis. Independentemente das intenções e dos mecanismos implementados, as emissões continuaram a crescer. A indústria petroleira continuou a se expandir, aproximando o planeta de uma situação limite.

    Algo deve ser feito, e imediatamente. A comunidade científica propôs uma mudança de abordagem, e a ideia de manter reservas no subsolo está começando a se tornar popular. Isto supõe limitar a prospecção e a exploração de petróleo e associá-las a um “orçamento do carbono” – ou seja, uma certa quantidade que um país, setor ou cidade ainda tem para emitir GEE durante um período de tempo sem comprometer o objetivo de manter um aumento de temperatura inferior a 1,5°C ou 2°C.

    Em nível global, falamos de um estoque de carbono de 460 gtC02, o remanente do “orçamento do carbono” se o objetivo é manter o aumento da temperatura abaixo de 1,5°C. Ao ritmo atual das emissões anuais (fluxo: 41,5 gtC02) este orçamento estará esgotado em cerca de 11 anos. Por isso, a urgência. Caso contrário, as consequências seriam irreversíveis. Isto levanta a necessidade de um Estado que preveja os limites e estimule a transição.

    Manifestantes se fantasiam de ursos polares em ato convocado por diversas ONGs perto da Torre Eiffel, em Paris
    Manifestantes se fantasiam de ursos polares em ato convocado por diversas ONGs perto da Torre Eiffel, em Paris Francois Guillot – 12.dez.15/AFP

    Durante muito tempo, os líderes globais ignoraram o chamado da comunidade científica e foram surdos ao chamado dos jovens para a ação. Mas os riscos colocados pelo aquecimento global são palpáveis. Isto explica o comportamento das companhias de seguros, que rapidamente estão decidindo abandonar o “barco do carbono”.

    Os investidores também reagem pressionando as petroleiras a implementar planos de conversão para que seus ativos (estoques) não sejam afetados pela “bolha do carbono”. Esta bolha está associada à ideia de ativos estancados (stranded assets), que é o lado financeiro do risco descrito acima. Quanto mais nos aproximamos do limite do orçamento do carbono, mais acionistas estão interessados em sair de sua posição no setor, o que se reflete em uma venda acelerada de ações.

    Poucos acreditavam no peso do ativismo em 2011, quando o apelo ao desinvestimento foi ouvido pela primeira vez nos campi universitários dos EUA. A ideia de “deixar reservas no subsolo” era vista como utópica, impossível. A equação econômica também não era auspiciosa para os recursos renováveis, o que obrigava ao Estado a fornecer subsídios generosos ao setor a fim de torná-lo competitivo com os combustíveis fósseis. E as petroleiras foram legalmente “blindadas”, independentemente da origem da demanda, já que a justiça sempre decidiu a seu favor.

    UMA MUDANÇA ACELERADA

    Tudo está mudando rapidamente. O ativismo se espalhou entre os investidores e as energias renováveis estão se tornando muito mais baratas, enquanto as empresas petroleiras estão começando a se sentar no banco dos réus. Isto só acelera a transição, aproximando a indústria do abismo financeiro e os investidores vendo seus ativos desvalorizados.

    Em maio passado, a Agência Internacional de Energia (AIE) publicou um relatório destacando a necessidade de abandonar todos os projetos a fim de cumprir com os compromissos assumidos. Para alcançar uma queda acentuada nas emissões, a prospecção e a exploração devem ser abandonadas imediatamente. A publicação veio como um choque, um “tapa na cara” para a indústria petroleira.

    Para avançar com a transformação e garantir o cumprimento das metas (zero emissões líquidas até 2050), Carbon Tracker destaca a necessidade de tornar as ações das empresas transparentes.

    Mas isto não é tudo. Em 26 de maio, um tribunal holandês decidiu que a Royal Dutch Shell estava sujeita a condenação porque suas operações tradicionais (produção, distribuição, comercialização) haviam agravado o problema da mudança climática. O tribunal considerou que os atores não estatais, como as petroleiras, também são agentes responsáveis. A condenação obriga à empresa petrolífera a elaborar um plano de transição mais ambicioso e aumentar os cortes de emissões originalmente prometidos. Esta condena poderia desencadear uma reação em cadeia de grandes proporções.

    Manifestantes se reuniram no Masp, na Avenida Paulista, para pressionar autoridades a tomarem ações contra as mudanças climáticas
    Manifestantes se reuniram no Masp, na Avenida Paulista, para pressionar autoridades a tomarem ações contra as mudanças climáticas Matheus Moreira/Folhapress
    AS PETROLEIRAS ESTÃO COMEÇANDO A SE READAPTAR?

    O impulso de mudança também chega aos conselhos de administração das grandes petroleiras, como demonstrado pela recente reunião de acionistas da Exxon Mobil, onde um grupo acabou impondo um plano mais ambicioso de adaptação à empresa. Enquanto alguns investidores estão assumindo uma postura ativa, outros estão se abstendo de participar, e cada vez mais fundos de investimento estão decidindo parar de financiar a indústria petrolífera.

    Recentemente também foi divulgado um relatório das Nações Unidas, que destaca os efeitos nocivos da emissão de gás metano para a atmosfera. Ao contrário do dióxido de carbono que permanece por centenas de anos, o metano dura pouco tempo, cerca de uma década, embora seja muito mais perigoso. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), o efeito do metano sobre o aquecimento global é 86 vezes mais forte do que o gerado pelo CO2, portanto, o metano é considerado um “carbono com esteroides”. Portanto, a fim de reduzir rapidamente o aquecimento global, um número crescente de especialistas sugere também o abandono de projetos de gasíferos.

    Passo a passo, o lobby climático está ganhando força. Não apenas nas ruas, mas também nas salas de reunião e nos escritórios de justiça. Tudo isso deve soar como alarme e preocupar aqueles que continuam a apostar na exploração do petróleo na América Latina. Isto implica um tremendo desafio econômico, mas também um risco financeiro. É urgente repensar quais são os setores que poderiam gerar divisas e como reinserir esta região no mundo.

    Ignorar o problema e continuar a investindo em um setor destinado a desaparecer só agravaria a crise que temos de enfrentar inexoravelmente.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/latinoamerica21/2021/07/a-encruzilhada-da-america-latina-para-alcancar-as-emissoes-zero-de-carbono.shtml?origin=uol

    Prof Luciano Mannarino

    Questões

    1 O que você entende como “lobby climático”?

    2 Analise o papel do metano e do CO2 no aquecimento global.

    3 “Deixar reservas no subsolo” ainda pode ser considerado uma solução utópica para questão do aumento do efeito estufa?

    4 Explique o interesse das companhias de seguro no debate de mudanças climáticas mundiais.

    Prof Luciano Mannarino

  • Armas nucleares podem ser salvação da cúpula entre Biden e Putin

    Armas nucleares podem ser salvação da cúpula entre Biden e Putin

    Primeira reunião dos líderes ocorre sob forte pessimismo nesta quarta em Genebra

    Igor GielowSÃO PAULO

    Razão última pela qual reuniões de cúpula entre presidentes americanos e russos são objeto de atenção mundial, as armas nucleares podem ser a tábua de salvação do encontro de Joe Biden com Vladimir Putin nesta quarta (16).

    Os líderes farão em Genebra, na Suíça, a primeira reunião com Biden como presidente. Um cardápio indigesto de temas já foi adiantado por ambos em entrevistas, com o reforço de que ninguém vai mudar de posição e que avanços são altamente improváveis.

    Biden deixa o avião presidencial após aterrissar no aeroporto de Genebra, cidade onde irá se encontrar com Putin
    Biden deixa o avião presidencial após aterrissar no aeroporto de Genebra, cidade onde irá se encontrar com Putin – Denis Balibouse/Pool/Reuters

    Entram nessa lista a guerra civil na Ucrânia, o apoio russo à ditadura na Belarus e a opressão do Kremlin aos opositores domésticos como Alexei Navalni.

    Biden já disse que vai riscar “linhas vermelhas”, algo que seu ex-chefe Barack Obama tentou com Putin na Síria, só para ser humilhado. E o russo disse que as diferenças são claras.

    Sobram assuntos menores, como a retomada de atividades diplomáticas de lado a lado e talvez algum debate sobre o futuro da guerra civil no país árabe. E as armas nucleares.

    O primeiro gesto de política externa de Biden foi estender por cinco anos, como queria Putin, o último tratado vigente de limitação de armas nucleares. O antecessor do americano, Donald Trump, havia retirado os EUA de dois outros acordos e queria deixar o Novo Start caducar.

    Biden reverteu o último ponto e agora há espaço para negociar novos limites, regimes de inspeção e talvez até incluir armas mais sofisticadas, como os mísseis hipersônicos desenvolvidos pela Rússia.

    “Nós instamos os líderes a aproveitar a oportunidade e fazer progressos significativos para reduzir arsenais e rumar à adesão ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares”, afirmou Beatrice Fihn, diretora-executiva da Campanha Internacional pela Abolição de Armas Nucleares (Ican, na sigla inglesa).

    Ela e uma sobrevivente do ataque atômico a Hiroshima em 1945 receberam, em 2017, o Prêmio Nobel da Paz concedido à Ican. Mas sua visão é otimista, sendo confrontada pela realpolitik: não se espera que os donos de 90% das armas nucleares do planeta renunciem a seus arsenais. “O risco do uso de armas é maior hoje do que na Guerra Fria”, disse Fihn. “O único modo de eliminar o risco é eliminar as bombas.”

    O presidente dos EUA, Joe Biden, e sua esposa, a primeira-dama Jill Biden (esq.), posam com a rainha Elizabeth durante encontro no Castelo de Windsor, logo antes de irem tomar chá juntos
    O presidente dos EUA, Joe Biden, e sua esposa, a primeira-dama Jill Biden (esq.), posam com a rainha Elizabeth durante encontro no Castelo de Windsor, logo antes de irem tomar chá juntos Steve Parsons /AFPL

    Em relatório divulgado nesta semana, o Instituto Internacional da Paz de Estocolmo afirmou que tanto russos como americanos ampliaram em cerca de 50 ogivas seus arsenais em 2020. “No ano passado, EUA e Rússia gastaram juntos US$ 45,5 bilhões desenvolvendo e mantendo seus arsenais”, afirmou a ativista.

    Para ela, seria importante coibir as novas formas de emprego da bomba. “A expansão qualitativa é tão perigosa quanto o aumento dos números de ogivas, e nós vimos como essas tecnologias emergentes podem aumentar o risco de uso das armas”, disse Fihn.

    Seja como for, ambos os líderes pretendem capitalizar o embate suíço.

    Biden poderá aparecer como alguém firme, o que pega bem em casa e é notado pelos rivais em Pequim. Putin, por sua vez, fará o mesmo ante sua audiência doméstica —fora que a hostilidade de um americano que já o chamou de assassino pode ser usada para justificar a repressão à oposição apoiada pelos EUA.

    Tema/statusDo que se trataPosição de BidenPosição de Putin
    Ucrânia
    Sem acordo
    País perdeu a Crimeia e leste é ocupado por rebeldes pró-KremlinBusca pacificar a região e trazer a Ucrânia para a UE e para a OtanQuer manter áreas rebeldes autônomas e não aceita Kiev ocidental
    Belarus
    Sem acordo
    Repressão política pós-eleição isolou o país, que tem apoio de MoscouPrepara novas sanções contra a ditadura e quer mudança de regimeQuer manter o status quo e talvez promover a unificação dos países
    Alexei Navalni
    Sem acordo
    Opositor foi preso após ser envenenado e sua organização, fechadaQuer Navalni solto e pede melhoria nos direitos humanos na RússiaConsidera que são assuntos internos e vê interferência ocidental
    Otan
    Sem acordo
    Aliança militar tem missão anti-Rússia renovada sob BidenAmericano quer manter pressão e agradar os aliadosReforça sua posição militar na fronteira com a Europa
    Ciberataques
    Sem acordo
    EUA acusam Rússia por série de ataques em 2016 e 2020Vai fazer a acusação e ameaçar medidas retaliatóriasNega a acusação, que chama de paranoia ocidental
    Sanções
    Sem acordo
    Desde 2014 EUA e Europa aplicam sanções econômicasDesde que assumiu, manteve e ampliou as medidasCritica sanções como atos de agressão internacional
    Vacinação
    Sem avanço
    Países competem na geopolítica do imunizanteQuer distribuir de graça 500 mi de doses em um anoQuer ver a Sputnik V aprovada na Europa
    Energia
    Avanço difícil
    Putin está completando um novo gasoduto com a AlemanhaAplica sanções à obra, que amplia dependência europeiaVê obra como fato consumado e conta com pragmatismo
    Síria
    Pode haver avanço
    Guerra civil tem seu fim travado devido a impassesSem cartas, pode bancar paz nos termos do KremlinPode rifar ditador Assad em troca de seguir no país
    Armas nucleares
    Deve haver avanço
    Países precisam renegociar acordo de limitaçãoAceitou termos de Putin e deve seguir em frenteEstá satisfeito, mas não quer incluir novos mísseis
    Embaixadas
    Deve haver avanço
    Embaixadores foram retirados e há restrições de movimentoDeve aceitar uma retomada da normalidadeDeve aceitar uma retomada da normalidade

    Biden chegou nesta terça (15) a Genebra, onde se encontrou com autoridades suíças. Disse que “sempre estou pronto”, ao ser questionado sobre a beligerância previsível na reunião.

    Na véspera, ele havia dito que não buscava um conflito com a Rússia, mas que o país precisa ser responsabilizado por ações agressivas. Ele falava em Bruxelas, onde se encontrou com a cúpula da Otan, a aliança militar ocidental demonizada por Putin.

    O comunicado final do encontro, que incluiu pela primeira vez a China como uma preocupação estratégica do clube, manteve Moscou como a principal ameaça à segurança dos Estados-membros.

    Tanques ucranianos fazem manobras perto de Donetsk
    Tanques ucranianos fazem manobras perto de Donetsk Forças Armadas da Ucrânia – 14.abr.2021/Via Reuters

    Putin deverá chegar pela manhã, e o encontro começará às 13h (8h em Brasília) no histórico palacete Villa La Grange, no parque homônimo, quase em frente ao famoso jato d’água do lago Genebra e não muito distante da Villa Diodati, palco da famosa competição etílico-literária patrocinada pelo lorde Byron em 1818, da qual nasceu o “Frankenstein” de Mary Shelley.

    A segurança envolve quase 4.000 policiais e militares, e o formato da cúpula reflete o clima entre os dois presidentes, o pior desde a Guerra Fria entre Moscou e Washington.

    Não haverá almoço, e as conversas vão durar de quatro a cinco horas, presenciadas na maior parte do tempo pelo secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e pelo chanceler russo, Serguei Lavrov, assessorados pela tropa usual de intérpretes.

    Ambos os líderes serão recebidos pelo presidente suíço, Guy Parmelin, que irá deixá-los na biblioteca do palacete.

    Será a trigésima reunião entre ocupantes da Casa Branca e do Kremlin desde que os países tomaram rumos rivais ao fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, após terem lutado juntos contra o Eixo.

    O encontro mais recente foi em outro país com fama de neutro, a Finlândia, em 2018. Nele, Trump impressionou negativamente os EUA ao aceitar a negativa de Putin de que teria havido influência de hackers russos na eleição americana de 2016 —em favor do republicano.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/06/armas-nucleares-podem-ser-salvacao-da-cupula-entre-biden-e-putin.shtml

    Questões

    1 Por que a Cidade de Genebra é constantemente usada como palco para costurar acordos de limitação de armas nucleares?

    2 Por que Beatrice Fihn recebeu o Premio Nobel da Paz de 2017?

    3 Embora lutarem juntos na 2 Guerra Mundial, Russos e Americanos se tornaram rivais logo após o seu término. Por quê?

    4 Explique a posição de americanos e russo em relação a questão da Ucrânia.

    5 O que é o Novo Start?

    Prof Luciano Mannarino

  • Camisa da Ucrânia para a Eurocopa causa irritação na Rússia

    Camisa da Ucrânia para a Eurocopa causa irritação na Rússia

    Luís Curro

    Duas repúblicas que pertenciam à finada URSS (1922-1991), Ucrânia e Rússia ampliaram as tensões geopolíticas entre elas por uma razão futebolística.

    Às vésperas da Eurocopa, mais importante competição da Europa entre seleções, que começa nesta sexta (11) –com um ano de atraso devido à pandemia de Covid–, a Ucrânia apresentou o uniforme com que irá a campo.

    O atacante Roman Yarenchuk usa camisa que tem o mapa da Ucrânia incluindo a península da Crimeia, na parte inferior à direita (Gleb Garanich – 7.jun.2021/Reuters)

    Na cor da camisa, nenhuma novidade: o tradicional amarelo, que lembra na tonalidade mais a vestimenta da Suécia do que a do Brasil.

    Porém um detalhe no design deixou os russos indignados e/ou irritados. No centro da parte da frente da camisa, em torno do escudo da federação do país, há o mapa da Ucrânia.

    E esse mapa inclui a Crimeia, província no território ucraniano, na parte meridional, que foi anexada em 2014 pela Rússia, cujas tropas militares ocupavam a região.

    Origem
A Crimeia sediava colônias gregas. Em 988, o príncipe Vladimir converteu-se ao cristianismo onde hoje fica Sebastopol. Ele liderava o Rus de Kiev, primeira terra dos rus, povo nórdico que deu origem a russos e a ucranianos. No século 13, mongóis da Horda de Ouro dominaram a costa do mar Negro, estabelecendo o canato da Crimeia –lar dos tártaros muçulmanos. Com o tempo, tornaram-se vassalos do Império Otomano

    Origem A Crimeia sediava colônias gregas. Em 988, o príncipe Vladimir converteu-se ao cristianismo onde hoje fica Sebastopol. Ele liderava o Rus de Kiev, primeira terra dos rus, povo nórdico que deu origem a russos e a ucranianos. No século 13, mongóis da Horda de Ouro dominaram a costa do mar Negro, estabelecendo o canato da Crimeia –lar dos tártaros muçulmanos. Com o tempo, tornaram-se vassalos do Império Otomano

    https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1628128405358288-fronteiras-da-crimeia#foto-1697229316953433

    O governo ucraniano, entretanto, jamais concordou com o ocorrido, e a ONU (Organização das Nações Unidas) concorda, pois considera o referendo legal por ter descumprido resolução constante da Assembleia Geral da entidade.

    Desse modo, a maior parte da comunidade internacional considera a Crimeia um território ucraniano sob ocupação do regime de Vladimir Putin.

    Nesse contexto, o lançamento da camisa da seleção da Ucrânia contendo a Crimeia gerou enorme animosidade com o Kremlin.

    Quem a apresentou, no domingo (6), foi o presidente da Federação Ucraniana de Futebol, Andrii Pavelko.

    Em rede social, o presidente da Federação Ucraniana de Futebol publicou mapa da Ucrânia ilustrado com jogadores da seleção e contendo o espaço reservado à Crimeia (Andrii Pavelko no Facebook)

    “Acreditamos que o mapa da Ucrânia dará força aos jogadores, que irão lutar por toda a Ucrânia”, disse o dirigente em rede social. “Toda a Ucrânia, de Sebastopol e Simferopol a Kiev [capital do país], de Donetsk e Luhansk a Uzhhorod, os apoiará.”

    Das seis cidades citadas por Pavelko, duas localizam-se na Crimeia: Sebastopol e Simferopol, que é a capital da península.

    O deputado russo Dmitri Svishchev considerou, segundo a agência russa de notícias Ria, o desenho na camisa uma “provocação política”, acrescentando ser ilegal mostrar um mapa da Ucrânia “que inclui o território russo”.

    Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, indo além do descontentamento com o mapa, mencionou, nas redes sociais, os dois slogans que constam no uniforme (“Glória à Ucrânia!” e “Glória aos heróis!”). De acordo com ela, eles ecoam grito de guerra da Alemanha nazista.

    Submarinos da Frota do Mar Negro da Marinha russa em docas na baía de Sebastopol, na Crimeia
    Submarinos da Frota do Mar Negro da Marinha russa em docas na baía de Sebastopol, na Crimeia Igor Gielow – 15.abr.2019 /Folhapress

    Nesse cenário de tensão, menos mal que os rivais não se encontrarão tão logo na Euro. Caso avancem em suas chaves, a primeira chance de duelo é nas quartas de final.

    A Rússia está no Grupo B, ao lado de Bélgica, Dinamarca e Finlândia, e a Ucrânia, no C, junto com Áustria, Holanda e Macedônia do Norte.

    Os russos estreiam no sábado (12), contra os belgas, em São Petersburgo. Os ucranianos jogam um dia depois, em Amsterdã, diante dos holandeses

    Questões

    1 Por que a camisa da Seleção de Futebol da Ucrânia contribui para o aumento da tensão entre russos e ucranianos?

    2 Quando começou a animosidades entre esses dois Países?

    3.Qual a importância geopolítica que a região em disputa tem para a Rússia?

    4.As fronteiras de um Estado não são exatamente as fronteiras de uma nação? Justifique.

    Prof Luciano Mannarino

  • ‘Sovietistão’ equilibra história e relato de viagem em ex-nações soviéticas

    ‘Sovietistão’ equilibra história e relato de viagem em ex-nações soviéticas

    4.jun.2021 às 20h00

    Carlos Graieb SÃO PAULO

    Rota da seda. Gás e petróleo. Herança soviética. O Mar de Aral que está secando. Ditadores malucos. Rapto de esposas. Estepe. Montanhas. Para mim (e acredito que para um imenso número de pessoas), a Ásia Central era isso até a semana passada: informação fragmentada e sem ordem. A leitura de “Sovietistão”, da escritora e antropóloga norueguesa Erika Fatland, pôs fim a essa bagunça.

    O livro é produto de oito meses de estadia nos cinco Estados centro-asiáticos que foram parte da União Soviética até 1991 e hoje existem de forma independente: Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Quirguistão e Tadjiquistão.

    Mulher segura bandeira da antiga União Soviética durante manifestação para comemorar o 151º aniversário denascimento do líder comunista Vladmir Lenin no Quirguistão
    Mulher segura bandeira da antiga União Soviética durante manifestação para comemorar o 151º aniversário de nascimento do líder comunista Vladmir Lenin no Quirguistão – Viacheslav Oseledko – 22.abr.2021/AFP

    Como as melhores narrativas de viagem, esta consegue equilibrar perspectiva histórica e testemunho pessoal com grande habilidade. Assim, cada um dos cinco países se separa da massa indistinta dos “istãos”, que tiveram as diferenças aplainadas pelo regime soviético, e emerge com seu passado, suas etnias, suas paisagens e suas peculiaridades sociais e políticas delineados de maneira clara.

    As distinções são necessárias, pois, como observa Fatland, os cinco países são “notavelmente dissimilares”. Enquanto mais de 80% do Turcomenistão é tomado pelo deserto, o Tadjiquistão é 90% montanhas. Enquanto o Cazaquistão nada em dinheiro, graças às suas reservas de gás, o Quirguistão depende em boa parte dos recursos enviados do exterior por gente que emigrou.

    Se o Turcomenistão é uma ditadura tão fechada quanto a Coreia do Norte (os dois países, aliás, insistem que não tiveram nenhum caso de Covid-19 graças à sabedoria de seus governantes) e talvez ainda mais bizarra, o Quirguistão tem votações democráticas e já depôs dois presidentes.

    As páginas em que Fatland expõe acontecimentos já distantes no tempo nunca são áridas. É assim, por exemplo, com sua explanação do “Grande Jogo”, a disputa entre os impérios britânico e russo que desenhou e redesenhou várias vezes o mapa da Ásia Central no século 19.

    É assim também com sua análise histórica das empreitadas soviéticas que provocaram devastação ambiental. A autora visitou a região de Semipalatinsk, no Cazaquistão, onde o regime de Moscou realizou a maioria de seus testes nucleares no século 20. Esteve, igualmente, nos extremos norte e sul do antigo Mar de Aral, que teve sua água roubada por grandes obras de irrigação na era soviética.

    Se a pesquisa dá estrutura ao livro, as experiências de Fatland lhe dão cor. A sorte a ajudou no Turcomenistão: depois de esperar horas debaixo do sol por uma corrida de cavalos que, todo mundo já sabia, teria o ditador Gurbanguly Berdymukhamedov como vencedor, ela o viu se estatelar no chão na linha de chegada.

    Depois da igreja, 1975
    Depois da igreja, 1975 Antanas Sutkus

    No Tadjiquistão, ela participa de um casamento em uma aldeia remota e dedica belas páginas descritivas à cerimônia e à paisagem. E atenção, fãs de Borat: no Quirguistão, e não no Cazaquistão do intrépido jornalista do cinema, ela explora a prática do rapto de esposas entrevistando mulheres que se resignaram a ela —e uma que se rebelou.

    Aquilo que Fatland não oferece é uma análise geopolítica mais ampla, que ponha os cinco países da Ásia Central em relação às potências econômicas e militares vizinhas, ou de outros continentes. A região está ensanduichada entre Rússia e China, mas apenas a ligação com a primeira recebe alguma atenção.

    A maneira como o Sovietistão se encaixa nos planos econômicos e políticos da China nem é arranhada, embora seja o fator mais importante para o seu futuro. Para quem quiser acrescentar essa peça ao quebra-cabeças, sugiro a leitura de “As Novas Rotas da Seda”, de Peter Frankopan, que tem edição portuguesa.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/06/sovietistao-equilibra-historia-e-relato-de-viagem-em-ex-nacoes-sovieticas.shtm

    Questões

    De que forma os ventos da “perestroika” e da “glasnost” se ligam ao título do texto jornalístico?

    Caracterizes cada um dos países da Ásia Central.

    O texto cita um grande impacto ambiental nessa região. Explique por que isso vem ocorrendo.

    Por que, no penúltimo parágrafo, o autor recorreu a uma palavra pouco usada para demostrar a situação geopolítica da região?

    Prof Luciano Mannarino