Categoria: ATIVIDADES

Modelos de atividades para a Sala de Aula (Geografia)

  • Em visita à Califórnia, Trump minimiza preocupações com mudanças climáticas

    Em visita à Califórnia, Trump minimiza preocupações com mudanças climáticas

    Presidente culpa gestão florestal dos estados democratas da Costa Oeste americana

    14.set.2020 às 18h34

    WILMINGTON e MCLELLAN PARK | REUTERS

    As queimadas que se espalham pela Costa Oeste dos Estados Unidos entraram de vez na pauta das eleições presidenciais do país, cuja votação está marcada para dia 3 de novembro.

    Em visita à Califórnia, o presidente e candidato à reeleição, Donald Trump, minimizou o papel das mudanças climáticas nos maiores incêndios já registrados na história do estado e afirmou que a culpa é da ineficiência da gestão florestal, em uma tentativa de responsabilizar os governo democratas da Califórnia, do Oregon e de Washington.

    “Quando as árvores caem, após um curto período de tempo elas ficam muito secas, como um fósforo”, disse Trump, nesta segunda-feira (14), ao desembarcar no estado. Para o republicano, no entanto, muitos outros países não enfrentam problemas como esse.

    O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de reunião sobre as queimadas na Costa Oeste dos EUA, em McLellan Park, na Califórnia – Jonathan Ernst/Reuters

    Ele, que vinha sendo criticado por se calar sobre as queimadas, participou de uma entrevista coletiva ao lado do governador da Califórnia, Gavin Newson, na qual ouviu agradecimentos do democrata pela ajuda federal no combate ao fogo, ainda que tenha sido questionado sobre sua posição negacionista.

    “Nós viemos, humildemente, de uma perspectiva em que seguimos a ciência, e é evidente que a mudança climática é real e está exacerbando isto”, disse Newson em referência às queimadas na Costa Oeste.

    O governador afirmou que, de fato, o manejo florestal pode e deve ser melhorado, mas lembrou o presidente que 57% da área de floresta da Califórnia está sob controle do governo federal.

    Escorregador de playground ficou derretido após incêndios passarem por Fresno, na Califórnia
    Escorregador de playground ficou derretido após incêndios passarem por Fresno, na Califórnia Josh Edelson/AFP

    Durante sua gestão, Trump retirou os EUA do Acordo de Paris, a principal iniciativa global para frear as mudanças climáticas, enquanto seu adversário na corrida pela Casa Branca, Joe Biden, põe o assunto entre as maiores crises que o país enfrenta. Os incêndios, diz ele, ilustram sua posição.

    Nesta segunda, Biden —que tem sido atacado por republicanos por não ter visitado as áreas devastadas— chamou Trump de “incendiário climático” em um discurso em Delaware. “Se tivermos mais quatro anos do negacionismo climático de Trump, quantos subúrbios serão incendiados pelas queimadas?”, questionou.

    Os moradores dessas áreas têm sido explorados por Trump nas últimas semanas. Em oposição à proposta de habitação de Biden e às tensões causadas pelos protestos antirracismo, o presidente passou a dizer que fará de tudo para impedir a construção de moradias mais baratas próximas a subúrbios, regiões que concentram a classe média americana.

    O candidato democrata à Presidência dos EUA, Joe Biden, discursa em Delaware sobre as queimadas na Costa Oeste dos EUA – Drew Angerer/AFP

    Os incêndios florestais avançam sobre estados da Costa Oeste dos EUA em meio a uma intensa onda de calor. Focos de chamas na região são comuns nesta época do ano devido ao clima seco, mas o fogo registrado até agora parece não ter precedentes —e o pico da temporada de incêndios ainda não chegou.

    As queimadas mataram ao menos 24 pessoas, causaram a destruição de centenas de imóveis e forçaram centenas de milhares a deixarem suas casas. Uma seca crônica e ventos fortes alimentam o fogo que se espalha do estado de Washington, na fronteira com o Canadá, até a cidade californiana de San Diego, na divisa com o México. Ainda é impossível avaliar a verdadeira extensão da destruição.

    Cientistas acreditam que o aumento da intensidade dos incêndios está relacionado ao aquecimento global, que torna as temporadas de chuva e de seca mais extremas. No último final de semana, as temperaturas na parte oeste do vale de San Fernando, na Califórnia, chegaram a 49ºC.

    Na Califórnia, uma série de 37 incêndios tornou-se oficialmente a maior da história do estado ao destruir uma área de 190 mil hectares. Em Washington, o governador Jay Inslee, também do Partido Democrata, afirmou que as chamas consumiram 200 mil hectares.

    Caminhão de bombeiros queimado no Oregon, durante incêndios florestais na Costa Oeste dos EUA – Shannon Stapleton/Reuters

    Imagens de drones mostram centenas de casas reduzidas a cinzas em comunidades ao sul do Oregon. Em mais de 12 comunidades, equipes de busca e resgate vasculharam residências destruídas em busca de restos humanos.

    Após quatro dias de muito calor e ventania no estado, o fim de semana teve ventos mais leves e clima mais ameno, ajudando as equipes a avançar contra o fogo. Na sexta-feira (11), um homem foi preso acusado de iniciar as queimadas que destruíram cidades inteiras no Oregon.

    A polícia do estado também alerta a população contra posts em redes sociais com afirmações falsas, segundo as quais as queimadas foram iniciadas por antifascistas ou militantes de extrema direita.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/09/em-visita-a-california-trump-minimiza-preocupacoes-com-mudancas-climaticas.shtml

    Questões

    1. Há um componente político presente no combate aos incêndios na Califórnia? Justifique.

    2. Por que esses eventos sempre acontecem nessa época do ano (momento da reportagem)?

    3. O que é o “negacionismo climático” e de que forma ele se relaciona com a postura americana em relação ao Acordo de Paris.

    Professor Luciano Mannarino

  • La Niña – ELA CHEGOU!

    La Niña – ELA CHEGOU!


    10/09/2020 às 14:00

    Segundo relatório distribuído hoje pela NOAA, a La Niña já pode ser considerada ativa e, mesmo com fraca intensidade, tem influência em todo o planeta.

    Para ser considerada ativa, o Oceano Pacífico Equatorial precisa estar mais frio do que a média por algum tempo, e isso já vinha acontecendo. E os ventos também precisam reagir a esta mudança de temperatura do Oceano. E essa premissa também está cumprida, com o que os meteorologistas chamam de acoplamento do oceano com a atmosfera. Os Alísios estão soprando mais fortes por causa do resfriamento do Oceano.

    Segundo relatório distribuído hoje pela NOAA, a La Niña já pode ser considerada ativa e, mesmo com fraca intensidade, tem influência em todo o planeta.

    Para ser considerada ativa, o Oceano Pacífico Equatorial precisa estar mais frio do que a média por algum tempo, e isso já vinha acontecendo. E os ventos também precisam reagir a esta mudança de temperatura do Oceano. E essa premissa também está cumprida, com o que os meteorologistas chamam de acoplamento do oceano com a atmosfera. Os Alísios estão soprando mais fortes por causa do resfriamento do Oceano.

    No Brasil a principal característica do fenômeno é melhorar as condições para chuva no Nordeste e no Norte, mas tem o efeito de inibir as chuvas frequentes no Sul. No Sudeste e no Centro-Oeste a maior influência está na temperatura, que tende a ser mais amena nos anos de La Niña, em comparação com o seu irmão El Niño, que tem efeito oposto.

    Impactos da La Niña no Clima Global

    A Climatempo indica que seus impactos no clima global serão com fraca intensidade.
    Como possíveis impactos no Brasil, pode se citar a maior probabilidade de ocorrência de chuvas acima da média na faixa centro-norte do país, que abrange a maior parte da Região Nordeste, a maior parte da Região Norte, e a faixa mais a norte do Centro-Oeste e do Sudeste. Funcionando de maneira inversa, o impacto no Sul seria o inverso, de menos chuvas. Na Região Sudeste, os principais impactos são nas temperaturas, que ficam mais amenas.

    https://www.climatempo.com.br/noticia/2020/09/10/la-nina-ela-chegou–5683

  • Ameaçadas de extinção, 4.000 araucárias estão sendo derrubadas por obra no PR

    Ameaçadas de extinção, 4.000 araucárias estão sendo derrubadas por obra no PR

    Implantação de torres de energia vai desmatar área equivalente a 220 campos de futebol; empresa possui licença para derrubada

    Katna Baran

    CURITIBA

    Uma área equivalente a mais de 220 campos de futebol de vegetação nativa, incluindo 4.000 araucárias, árvore símbolo do Paraná e ameaçada de extinção, está sendo derrubada para a passagem de novas torres de transmissão de energia elétrica pelo estado.

    O projeto prevê 1.000 km de linhas cortando 24 municípios e ainda passa pela Escarpa Devoniana, formação protegida do território paranaense.

    A obra, em fase inicial, é conduzida pela Engie, multinacional francesa que venceu o leilão de 2017 da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para reforçar o sistema energético do país. Segundo a empresa, o projeto, intitulado Gralha Azul (ave símbolo do Paraná e uma das espécies dispersoras do pinhão), vai movimentar R$ 2 bilhões e gerar 4.000 empregos diretos.

    Porém entidades de proteção ambiental apontam supostas irregularidades nas licenças.

    Ameaçadas de extinção, 4.000 araucárias estão sendo derrubadas por obra no PR

    Em maio, quando as imagens foram gravadas por Schepiura, as araucárias estavam carregadas de pinhões; a espécie, símbolo do Paraná, é ameaçada de extinção Leandro Schepiura/Reprodução/Leandro Schepiura/Reprodução

    Há cerca de um mês, o Ibama chegou a suspender a derrubada das árvores depois que o Ministério Público do Paraná pediu esclarecimentos ao órgão, mas o projeto já foi retomado.

    A denúncia aos promotores foi feita pelo Observatório Justiça e Conservação (OJC), que aponta falta de transparência no processo de concessão e incoerências nos levantamentos apresentados pela Engie, descobertos numa análise feita pela Universidade Federal do Paraná.

    Para os especialistas, os pedidos da empresa junto aos órgãos responsáveis pelas autorizações, principalmente o IAT (Instituto Água e Terra), não levam em consideração vários impactos.

    “Nunca vi um trabalho tão fraco tecnicamente em dez anos de experiência. Foi para ‘cumprir tabela’, subestimando todas as especificidades da região”, resumiu Eduardo Vedor, doutor em geografia e um dos especialistas que assinam o estudo.

    A Engie nega as acusações e destaca que tem todas as licenças para continuar trabalhando. A previsão inicial é de que o projeto seja finalizado em cerca de um ano.

    Um dos principais questionamentos dos ambientalistas é sobre o traçado das linhas. O levantamento aponta que a empresa evitou passar por terrenos privados, o que demandaria indenização aos proprietários.

    O projeto atinge a área em que o engenheiro florestal Leandro Schepiura pratica o reflorestamento, em Campo Largo, região metropolitana de Curitiba. Em maio, ele gravou em vídeo sua indignação pela derrubada de araucárias centenárias, todas carregadas de pinhões.

    “Luto para reflorestar o planeta, para dar exemplo de que é possível transformar nossa comida, e ver a derrubada de uma espécie altamente ameaçada é impactante, dá o sentido contrário, de que o que resta é continuar depredando e derrubando tudo”, disse.

    No Paraná, resta menos de 0,8% de área contígua e bem conservada de araucárias, associadas ao bioma mata atlântica. A área ocupada pela espécie cobria originalmente 200 mil km². O estado abriga o Parque Nacional dos Campos Gerais, maior floresta de araucárias protegida no mundo.

    Outra área impactada é a do turismo. O estudo da UFPR aponta que o cenário paisagístico da região pode ficar comprometido.

    A obra acabou com os sonhos do contador Ronaldo Montalto, que queria construir um refúgio para montanhistas como ele. Há três anos, ele comprou um terreno de 14 hectares —que já tinha uma torre instalada— no “pé” da Escarpa Devoniana, também em Campo Largo, mas logo depois surgiu o novo projeto.

    “É triste ver um projeto como esse numa região ímpar, com nascente de rio e remanescente de araucárias, onde já há uma linha de transmissão. Será que é realmente necessário mais uma?”, lamentou.

    O andamento da obra também preocupa o ator Luis Melo. Curitibano, ele escolheu a paisagem da Escarpa Devoniana para montar em São Luiz do Purunã um espaço de educação ambiental e um complexo cultural para artistas. “Essa paisagem é uma identidade paranaense de extrema beleza e nossas florestas já estão acabando.”

    Os ambientalistas afirmam que, pela extensão de vegetação a ser derrubada, o Ibama deveria ser consultado, o que não teria ocorrido.

    Também dizem acreditar que entidades foram negligentes na análise de impactos em outras esferas, como a do patrimônio arqueológico e das comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, do local.

    Em nota, o IAT afirmou que, como a obra não ultrapassa os limites do Paraná, o licenciamento ambiental compete ao órgão. Destacou ainda que todos os estudos necessários foram apresentados pela empresa e receberam a anuência do instituto.

    “O empreendimento é essencialmente de utilidade pública e o traçado escolhido foi aprovado por apresentar o menor impacto aos meios físicos, biótico e socioeconômico”, completou.

    O Ibama não respondeu aos contatos da Folha até a conclusão desta reportagem.

    O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) apontou que os sítios arqueológicos sob impacto direto estão sendo resgatados e os atingidos indiretamente estão sendo cadastrados, sinalizados e protegidos, seguindo as normas técnicas. A entidade não deu mais detalhes sobre o plano de proteção.

    A Fundação Palmares informou que o processo de licenciamento das torres seguiu todos os trâmites legais e atendeu aos critérios do órgão. Segundo a fundação, os planos de mitigação apresentados pela empresa foram “colaborativamente elaborados pelas comunidades” quilombolas de “maneira claramente participativa com os comunitários”.

    Para o diretor-executivo do OJC, Giem Guimarães, falta ainda maior debate do projeto com a sociedade.

    “Batizar esse projeto de Gralha Azul é uma afronta ao povo do Paraná. Esse obscurantismo dos governos é o verdadeiro ‘passando a boiada’”, disse, citando a frase do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

    O MP afirmou que ainda está tentando esclarecer os pontos questionados junto à empresa, mas não exclui a hipótese de uma ação. “Temos que ter medidas compensatórias proporcionais, senão a sociedade vai ficar apenas com o ônus da obra”, justificou o promotor Alexandre Gaio.

    Gaio disse ainda que o próprio edital da Aneel não atentou para as particularidades da área atingida. “Parece que prevaleceu uma agenda econômica.” Procurada pela Folha, a agência informou que respondeu aos questionamentos do MP, mas não disponibilizou o conteúdo da informação.

    A Engie afirmou que o corte de árvores foi autorizado pelo órgão competente, mas não confirmou o número de espécies que serão derrubadas. A empresa comunicou apenas que 7% da área atingida é composta por araucárias, o que equivale a cerca de 15 campos de futebol.

    A multinacional disse ter se empenhado para reduzir o impacto ambiental por meio de técnicas de engenharia e afirmou ter buscado desviar áreas de preservação no traçado das torres. Também afirmou que todas as licenças foram obtidas de acordo com as leis.

    Além da derrubada de árvores, disse a Engie, todos os impactos previstos pelo projeto são alvos de compensações ambientais. A empresa afirmou ter apresentado ao IAT propostas para cada área e disse que aguarda manifestação para que elas sejam validadas.

    Há, segundo a Engie, 17 programas socioambientais acompanhando a implantação do projeto, com monitoramento de flora e fauna, resgate arqueológico, recuperação de áreas degradadas, educação ambiental e comunicação permanente e transparente com a sociedade.

    Marcio Neves, diretor de implantação do projeto Gralha Azul, destacou à Folha o valor investido na obra —em parte financiada pelo BNDES— e os empregos gerados, além do reforço na energia da região, que vai favorecer indústrias e o agronegócio na área.

    “Detratores de projetos ou antagonistas de qualquer tipo utilizam como primeira alegação a falta de transparência, o que de certa forma é uma acusação muito vazia. Não conheço processo tão democrático, transparente e até exigente como o processo de licenciamento de infraestrutura no Brasil”, finalizou Gil Maranhão, diretor do grupo Engie.

    Pesquisadores da Unicentro receberam uma autorização para cortar araucárias numa pesquisa em pequenas propriedades rurais
    No total, 48 araucárias foram cortadas, no período de um ano. A madeira foi vendida em leilões públicos, e a renda, revertida para o dono da área -no caso, a aposentada Iolinda Campestrini de Mattos, 71
    A licença para o corte e manejo das araucárias se fundamenta em trechos da lei da mata atlântica, que estabelece "o estímulo à pesquisa e à difusão de tecnologias de manejo sustentável".
    IRATI, PR, BRASIL, 15.12.16 13h Pesquisadores da Unicentro - Universidade do Centro do Paraná (em Irati) começaram a cortar árvores da espécie em pequenas propriedades rurais, com o objetivo de gerar renda aos agricultores. (Foto: Marcus Leoni / Folhapress, FOTO)
    Para os pesquisadores, que têm o apoio da Embrapa, o manejo "é a melhor forma de conservação da floresta" em pequenas propriedades.
    "A ilegalidade é evidente. Voltar ao normal cortando árvores em extinção certamente não é o caminho", diz o promotor Alexandre Gaio, que coordena o Centro de Apoio às Promotorias do Meio Ambiente no Paraná.
    Conservacionistas do Paraná se mobilizaram para parar a pesquisa com corte de araucárias. Para eles, as licenças concedidas ao projeto abrem uma pressão econômica sobre os poucos remanescentes da mata atlântica no país.
  • China e Índia se acusam de violar cessar-fogo em fronteira no Himalaia

    China e Índia se acusam de violar cessar-fogo em fronteira no Himalaia

    Incidente na noite de segunda tem versões conflitantes e mostra tensão entre os países

    8.set.2020 às 16h22

    Igor Gielow

    SÃO PAULO

    A China e Índia se acusaram mutuamente de violar um cessar-fogo válido desde 1996 na fronteira disputada entre os dois países na região de Ladakh, no Himalaia.

    O controle da região já foi alvo de uma guerra, vencida pelos chineses, em 1962, e de uma série de escaramuças desde então. As últimas mortes por armas de fogo ocorreram em 1975.

    Em junho deste ano, a situação voltou a escalar, com um grave confronto no qual morreram 20 soldados indianos e um número incerto de chineses. Só que eles se mataram com paus e pedras, respeitando tecnicamente o cessar-fogo que proíbe tiros a 2 km de cada lado da Linha de Controle, a fronteira presumida.

    “Foi uma violação militar muito séria”, afirmou em comunicado na manhã desta terça (8) Zhang Shuili, porta-voz do Comando do Teatro Ocidental das Forças Armadas chinesas.

    Segundo seu relato, tropas indianas atiraram ao cruzar a fronteira na região do lago Pangong na noite de segunda-feira. Ele afirmou que os militares chineses foram “forçados a uma resposta de emergência para estabilizar a situação”, sem detalhar.

    “A ação do lado indiano violou seriamente o acordo bilateral e escalou a tensão na região”, disse Zhang.

    Após passar a manhã em silêncio, o Ministério da Defesa indiano divulgou sua versão dos fatos, acusando a China de abrir fogo sobre posições que haviam sido ocupadas pelas forças de Nova Déli no fim de semana retrasado, de seu lado da fronteira.

    As tropas chinesas deram, segundo o comunicado, tiros para o ar para tentar intimidar os rivais com “manobras agressivas”.

    Após semanas de estabilidade, a situação começou a piorar na área disputada há duas semanas. Ambos os lados apontaram violações potenciais do adversário, mas uma conversa direta entre os ministros da Defesa na sexta passada (4) em Moscou parecia ter controlado a crise.

    O incidente da segunda mostra a fragilidade da situação. Ambos os países, desde junho, têm aumentado a presença militar na área e feito exercícios de combate. Nenhum deles, os mais populosos do mundo e com armas nucleares, tem contudo interesse numa guerra.

    Politicamente, contudo, ambos têm de mostrar forca para seu público interno, e as rusgas dos últimos meses demonstram que isso pode ter um preço em termos de escalada militar.

    A região toda, formada por passos de montanha com mais de 4.000 metros de altura e picos de quase 8.000 metros, é de difícil acesso e ainda mais complexo espaço para manobras militares. Helicópteros e aviões operam com dificuldade.

    Os indianos têm uma preocupação adicional, que é o fato de que a China é a principal parceira militar de seu rival existencial na região, o Paquistão. Tudo o que não precisam é de duas fronteiras instáveis, embora a relação com Islamabad esteja relativamente em ordem.

    Já os chineses olham para a Índia como mais uma peça também na disputa geoestratégica com os Estados Unidos, a Guerra Fria 2.0 de Donald Trump, que abarca quase todos os itens possíveis de disputa comercial e política.

    Para sinalizar apoio aos indianos, os americanos enviaram há duas semanas bombardeiros furtivos ao radar B-2 para sua base ao sul do subcontinente, no oceano Índico.

    Nova Déli, apesar de manter uma importante relação militar com Moscou, com quem faz exercícios navais no Índico esta semana, tem se aproximado bastante de Washington. Índia e China fazem parte do bloco Brics, com Rússia, Brasil e África do Sul.

    Questão

    1. O que seria a Guerra Fria 2.0?

    2. O que são os BRICS e por que o Brasil pode ser um protagonista na diminuição da tensão entre a China e a Índia?

    3. Explique a tensão entre a Índia e o Paquistão.

    Prof. Luciano Mannarino

  • China rejeita Guerra Fria 2.0 e diz que está pronta para negociar com os EUA

    China rejeita Guerra Fria 2.0 e diz que está pronta para negociar com os EUA

    Chanceler chinês afirma que país asiático não é ‘antiga União Soviética’

    7.ago.2020 à 0h32

    SÃO PAULO

    Em longa entrevista à agência de notícias Xinhua na quarta-feira (5), o ministro de Relações Exteriores da China, Wang Yi, rejeitou a ideia de uma Guerra Fria 2.0 com os EUA.

    “A China de hoje não é a antiga União Soviética e não tem intenção de se tornar outros EUA”, disse ele.

    Wang Yi, ministro de Relações Exteriores da China, durante entrevista à agência Xinhua, em Pequim
    Wang Yi, ministro de Relações Exteriores da China, durante entrevista à agência Xinhua, em Pequim – Zhai Jianlan – 5.ago.20/Xinhua

    A entrevista ao veículo chinês ocorre em um momento de tensão nas relações entre os dois países.

    Nos últimos meses, Washington subiu o tom em relação ao país oriental, culpando-o pela pandemia do novo coronavírus, criticando a repressão de Pequim aos protestos em Hong Kong e ameaçando impor restrições a companhias chinesas de tecnologia que operam no país.

    Segundo Wang, há políticos americanos que são tendenciosos e hostis em relação à China e estão usando seu poder para obstruir as relações entre os dois países.

    Na entrevista, o tom do chanceler foi o de estabelecer pontes, e ele se colocou à disposição para encontros com os EUA “em qualquer nível, sobre qualquer assunto”, para tentar evitar mais conflitos entre as duas principais economias do mundo.

    “Se a cooperação entre a China e os EUA fosse injusta e não recíproca, como poderia ter continuado por várias décadas? Como os laços entre a China e os EUA teriam percorrido esse longo caminho?”, questionou Wang.

    Descrevendo a conduta de Washington em relação ao país como impulsiva, o chanceler instou os EUA a “estabelecerem um diálogo de igual para igual”.

    “Nós exortamos os Estados Unidos a parar de agir com arrogância e preconceito”, disse.

    Uma das críticas de Wang foi à decisão do presidente americano, Donald Trump, de retirar o país da OMS (Organização Mundial da Saúde) durante a pandemia do coronavírus. “O governo atual deixou mais tratados internacionais do que qualquer um antes dele.”

    “O verdadeiro desafio para a ordem internacional é o fato de que os EUA, o país mais forte do mundo, colocam seus próprios interesses acima de todo o resto”, disse.

    Trump anunciou o rompimento com o órgão de saúde em maio. Os EUA são os maiores doadores da OMS —em 2019, o país desembolsou US$ 400 milhões (R$ 2,06 bilhões), equivalentes a cerca de 15% do orçamento da organização sediada em Genebra.

    À época, o americano disse que os pagamentos seriam direcionados a outras entidades de saúde pública.

    No capítulo mais recente da crise diplomática entre as duas potências, Pequim ordenou o fechamento do consulado americano em Chengdu, no sudoeste do país.

    Foi o cumprimento de uma promessa de retaliação anunciada assim que Washington mandou fechar o consulado chinês em Houston, no estado do Texas.

    “Todas as desculpas para o fechamento apresentadas pelos EUA não passam de invenções para difamar a China, e nenhuma delas é apoiada por qualquer evidência ou resiste a escrutínio”, disse Wang.

    “A China não tem intenção de lutar uma ‘guerra diplomática’ contra os Estados Unidos”, acrescentou.

    Washington tem acusado Pequim de ser responsável pela disseminação do novo coronavírus —o vírus foi detectado pela primeira vez na cidade de Wuhan. Também têm usado o cerco da China a Hong Kong para criticar o país asiático no campo dos direitos humanos.

    No mês passado, a Casa Branca determinou o encerramento da política de tratamento econômico especial dado à ex-colônia britânica em resposta à imposição chinesa de uma lei de segurança nacional que erodiu grande parte das liberdades do território semiautônomo.

    Os EUA também têm apoiado os manifestantes anti-Pequim —Hong Kong vive uma onda de protestos desde junho de 2019.

    Protestos em Hong Kong após aprovação de nova lei de segurança nacional

    Polícia detém manifestante com base na nova lei de segurança nacional em Hong Kong
    Polícia detém manifestante com base na nova lei de segurança nacional em Hong Kong Dale de la Rey – 1º.jul.20/AFP

    No início da entrevista à Xinhua, o chanceler relembrou a visita histórica de Richard Nixon à China em 1972, que marcou a retomada de relações diplomáticas entre os dois países, e disse que as diferenças sociais entre as potências não afetaram a coexistência pacífica no passado e não deveriam afetar relações no futuro.

    “Não é necessário nem possível que um país mude o outro. Deveríamos, em vez disso, respeitar a escolha feita de forma independente pelos povos de cada lado”, afirmou Wang. “O socialismo com características chinesas serve a China e tem o firme apoio da população.”

    O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, já afirmou que o Partido Comunista Chinês é uma “ameaça para a humanidade” e pediu que o povo chinês “mudasse o partido”, aumentando especulações de que uma estratégia de mudança de regime poderia ser aplicada ao país oriental.

    “A China continuará a promover o desenvolvimento e o progresso para atender as expectativas de seu povo e fazer novas e maiores contribuições à humanidade”, disse o chanceler.

    “Qualquer pessoa que tentar atrapalhar esse processo encontrará o fracasso.”

    Questões

    1 Explique o significado do título da notícia.

    2. Analise o contexto geopolítico da visita histórica de Richard Nixon à China em 1972.

    3. Por que Hong Kong vive um ambiente de protestos contra o governo Chinês desde junho de 2019?

    4. O que seria o “socialismo com características chinesas”? Exemplifique.

    Prof. Luciano Mannarino.