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  • Ucrânia pede ajuda à Otan contra a Rússia, que dá recado militar

    Ucrânia pede ajuda à Otan contra a Rússia, que dá recado militar

    Moscou diz que não quer conflito devido à crise no leste do vizinho, mas inspeciona tropas

    6.abr.2021 às 14h12

    Igor Gielow

    SÃO PAULO

    Em mais uma escalada na crise no leste da Ucrânia, o presidente do país disse que apenas sua admissão na aliança militar ocidental poderá encerrar a guerra que matou 13 mil pessoas desde 2014.

    Ao mesmo tempo, o ministro da Defesa da Rússia, país cuja movimentação de tropas na fronteira ucraniana gerou o atual alarme no Ocidente, determinou uma inspeção de preparo de combate das Forças Armadas de Vladimir Putin.

    Soldado ucraniano usa binóculos adaptados para observar linhas rebeldes perto de Donetsk
    Soldado ucraniano usa binóculos adaptados para observar linhas rebeldes perto de Donetsk – Serhii Takhmazov/Reuters

    São tambores de guerra usualmente rufados quando essas crises acontecem, mas dão a indicação do grau de tensão que registrou desde que a situação voltou a se deteriorar na região do Donbass.

    O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, ligou nesta terça (6) para o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg.

    Após o telefonema, ele publicou no Twitter que a Ucrânia espera ser convidada neste ano a se unir ao Plano de Ação de Filiação da Otan. “A Otan é o único meio de acabar com a guerra no Donbass. O plano para a Ucrânia seria um sinal real para a Rússia”, escreveu.

    Nos últimos anos, a aliança ocidental tem dito que as Forças Armadas e o Estado ucraniano precisam de reformas antes de entrar no clube. “Reformas sozinhas não vão parar a Rússia”, escreveu Zelenski.

    Na verdade, o Ocidente não trouxe a Ucrânia para a Otan, ou para a União Europeia, porque sabe que isso incitaria uma reação mais forte da Rússia.

    A barra foi elevada por Putin em 2014, quando ele respondeu à derrubada de um governo pró-Kremlin em Kiev com a anexação da Crimeia e o apoio aos separatistas que iniciaram a guerra no Donbass —hoje ainda congelado, o conflito gestou duas repúblicas autônomas em torno das cidades de Donetsk e Lugansk.

    Na retórica, Stoltenberg afirmou em comunicado que a “Otan apoia firmemente a integridade territorial e a soberania da Ucrânia”. “Nós permanecemos comprometidos com nossa parceria próxima”, disse. O silêncio da Casa Branca, ao ser questionada por repórteres sobre a ideia, é mais eloquente.

    O presidente Joe Biden tem se notabilizado por uma retórica dura contra os russos e cobrou explicações para o envio de soldados, tanques e blindados para a fronteira e também para a Crimeia. Mas daí a acelerar a absorção da Ucrânia há uma distância.

    Zelenski, um comediante que chegou de forma improvável ao poder em 2019, tentava uma saída negociada com Putin. Como vem perdendo popularidade (pesquisa recente diz que só 22% votariam nele de novo), cedeu à pressão do establishment local e aderiu ao discurso de confronto.

    A inspeção determinada pelo ministro Serguei Choigu, por sua vez, também vem na linha de mostrar os dentes. O Kremlin já afirmou que não há nada de anormal no movimento de tropas e negou querer atacar a Ucrânia.

    Por outro lado, sinalizou que deseja comprometimento do Ocidente com os Acordos de Minsk, que em sua última versão de 2015 estabeleceram condições nas quais as repúblicas rebeldes ficam com Kiev, mas com grande autonomia.

    Os acordos foram copatrocinados pela Rússia e pelo Ocidente, mas a liderança ucraniana não os aceita por considerar que inviabilizam a integridade territorial do país.

    “Nós duvidamos muito que isso entrar na Otan vá ajudar a Ucrânia a resolver o seu problema doméstico. Do nosso ponto de vista, só vai piorar a situação. Filiar-se à Otan é inaceitável para que mora nas repúblicas”, disse Dmitri Peskov, o porta-voz do Kremlin.

    Veterano da guerra da União Soviética com o Afeganistão, na qual perdeu a visão de um olho, Nicolai hoje só vê vultos pela casa em Zaitseve, na Ucrânia
    eterano da guerra da União Soviética com o Afeganistão, na qual perdeu a visão de um olho, Nicolai hoje só vê vultos pela casa em Zaitseve, na Ucrânia Yan Boechat/Folhapress

    Após relativa calmaria desde 2015, o conflito voltou a esquentar neste ano. Houve escaramuças nos 500 km de fronteiras entre ucranianos e rebeldes, matando 23 soldados de Kiev e um número incerto de separatistas. No ano passado todo, morreram cerca de 50 pessoas em embates.

    Moram na região estimadas 3,8 milhões de pessoas, a maioria russa étnica, entre os 44,3 milhões de habitantes de toda a Ucrânia.

    Na cartilha geopolítica de Putin, o Ocidente traiu a Rússia após o fim da Guerra Fria, em 1991, expandido suas estruturas a leste em vez de ajudar a reconstrução do país que liderava a União Soviética.

    Com efeito, 11 países ex-comunistas foram absorvidos pela União Europeia desde então, e 14 pela Otan.

    Desde a guerra na Geórgia (2008), Putin vem deixando claro que o movimento teria de parar. Em 2014, deixou o Ocidente atônito ao anexar a Crimeia e incitar a revolta no Donbass.

    Em comum a esses três lugares é a existência de áreas com maioria étnica russa. Quando Putin famosamente disse que o fim da União Soviética era o maior desastre geopolítico do século 20, falava da perda de um cinturão de defesa em sua periferia e, nominalmente, citava os russos que ficaram nos novos países livres.

    Isso gera a crível desconfiança sobre as intenções russas. Se poucos analistas acreditam em uma guerra, é bom lembrar que toda vez em que Putin estava questionado, apostou em ações externas, como na própria Crimeia ou na Síria (2015).

    E o líder russo, que acaba de regulamentar a possibilidade tentar ficar no cargo até 2036, está no pior nível de popularidade de suas duas décadas de poder (ainda que na casa de confortáveis 60%).

    Em frente a monumento a mortos na Segunda Guerra, noiva e sargento da Marinha Russa dançam ao som de uma banda militar, tradição local
    Em frente a monumento a mortos na Segunda Guerra, noiva e sargento da Marinha Russa dançam ao som de uma banda militar, tradição local

    Ucrânia e Belarus, ditadura que apoia, são os principais anteparos entre suas fronteiras e as hostis nações da Otan no Leste Europeu. “Putin representa o que a elite russa pensa. Querem ser ocidentais, mas com a devida distância”, diz Konstantin Frolov, analista independente russo.

    A anexação do Donbass não é desejada pelo Kremlin pelo alto custo econômico embutido —na Crimeia, foram mais de US$ 5 bilhões em obras desde 2014. O que interessa a Putin é deixar a Ucrânia fora da Europa.

    Há ainda outras questões que podem disparar um conflito. Os ucranianos vêm cortando o abastecimento de água da Crimeia, que recebe 85% do que consome do seu antigo país. Nesta terça, Zelenski ordenou um treinamento especial de reservistas na região de fronteira dos dois territórios.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/04/ucrania-pede-ajuda-a-otan-contra-a-russia-que-da-recado-militar.shtml

    Questões

    1 – De que forma essa tensão se liga ao desmembramento da exURSS?

    2 – Explique o componente étnico que envolve a posse da península da Crimeia

    3 – No texto jornalístico é citado a OTAN.

    • Quando ela foi criada?
    • Explique um dos motivos de sua atual manutenção.

    Prof Luciano Mannarino

  • China dobra aposta em tecnologia

    China dobra aposta em tecnologia

    País mobiliza grandes investimentos para projetos de tecnologia em estágios iniciais

    1º.abr.2021 às 23h15

    Volumes fabulosos de recursos já foram investidos no desenvolvimento de semicondutores e, apesar disso, a China segue altamente dependente da importação desses insumos.

    Anos de expectativas frustradas incomodam o governo chinês. Não apenas porque isso evidencia a dificuldade de transformar desejos em realidade, mas também porque coloca a China numa posição vulnerável do ponto de vista tecnológico.

    Do total de semicondutores que consome, a China produz apenas 30% e importa o restante, numa proporção que há anos insiste em não se alterar.

    A China depende de chips para produzir outros bens, para exportar e para inovar. Produtores de carros chineses, por exemplo, importam 90% dos semicondutores de que necessitam.

    Um funcionário trabalha em uma fábrica de semicondutores em Nantong, na província de Jiangsu, leste da China
    Um funcionário trabalha em uma fábrica de semicondutores em Nantong, na província de Jiangsu, leste da China – 17.mar.2021/AFP

    Os EUA enxergaram na fragilidade chinesa uma oportunidade. Adotaram medidas para restringir suas exportações de semicondutores para a China. Foram além e criaram dificuldades para que empresas estrangeiras mesmo fora dos EUA vendessem, para a China, equipamentos e software para a produção de chips.

    Ainda que em escala menor, histórias parecidas se repetem em outras tecnologias. É extensa a lista de empresas chinesas proibidas de fazer negócios com firmas americanas. Com isso, limita-se o acesso chinês a certos insumos estratégicos.

    Qual a consequência do outro lado do mundo? O Estado-investidor chinês aumenta seu apetite pelo risco. Pequim passa a atuar como um “venture capitalist” —como argumentou Arthur Kroeber num webinário organizado pelo Cebri e Conselho Empresarial Brasil-China nesta semana.

    Claro, investimentos em política industrial, em tecnologia e mesmo em autossuficiência não são novidade na China. No entanto, agora Pequim mais que dobrou a aposta.

    O que há de novo são a ousadia na maneira de investir, o volume de recursos envolvidos na empreitada e a coerência estratégica da intervenção do Estado, segundo Kroeber.

    Pequim passa a mobilizar grandes investimentos em setores intensivos em tecnologia, especialmente para vários projetos em estágios iniciais —arriscados, mas potencialmente promissores.

    Como é típico do modelo de “venture capitalism”, nem todas as apostas vão se revelar acertadas. Mas, claro, a ideia é de que haja vencedores suficientes para compensar os investimentos que inevitavelmente fracassarão.

    Sede do gigante do varejo Alibaba em Hangzhou, província de Zhejiang
    Sede do gigante do varejo Alibaba em Hangzhou, província de Zhejiang Aly Song/Reuters

    Apesar de tudo, o sucesso não é garantido. As dificuldades normalmente associadas a política industrial estão presentes também na China. Há espaço para desperdício, favorecimentos, distorções e corrupção.

    Quando, no ano passado, Pequim definiu novos incentivos para o desenvolvimento de semicondutores, empresas de todos os tipos se aprontaram para pleitear benesses. O governo precisou agir para evitar abusos. Definiu três “nãos”. Empresas sem experiência, sem tecnologia e sem capital humano na área não deveriam se aventurar aí —não com recursos públicos.

    Se o intervencionismo estatal tem seus riscos, a lógica do relacionamento entre Estado e mercado na China, no entanto, sempre foi diferente. O setor público é visto sobretudo como parte de solução e não como o problema na economia.

    Ronaldo Lemos na Torre Pérola em Nanjing, China
    Ronaldo Lemos na Torre Pérola em Nanjing, China Bruno Prada

    Expressões como China Inc. e capitalismo de Estado, por exemplo, representam o esforço de capturar a essência deste modelo híbrido —e que também se transforma. Mas enquanto o resto do mundo aponta para as contradições, os chineses enxergam as sinergias da relação.

    Nas atuais circunstâncias, a dependência tecnológica da China e o ambiente internacional difícil para o país contribuem para a ousadia do Estado-investidor. Não por acaso o recém-adotado plano quinquenal prioriza autossuficiência tecnológica.

    Se fosse um investidor privado, a China de hoje teria perfil arrojado. O risco é alto, mas o retorno também pode ser. Em jogo, estão os rumos da competição tecnológica, econômica e geopolítica. Com bolsos mais fundos que no passado, Pequim está disposta a pagar para ver.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tatiana-prazeres/2021/04/china-dobra-aposta-em-tecnologia.shtml

    Questões.

    O que seria o “Capitalismo de Estado” implementado na China?

    Aponte contradições entre esse modelo e o modelo neoliberal.

    Num mundo cada vez mais competitivo, qual a importância da autossuficiência tecnológica?

    Quais são as medidas que os EUA vem adotando para dificultar o avanço da China nessa área?

    Prof Luciano Mannarino

  • Níger vive tentativa de golpe às vésperas de transição presidencial

    Níger vive tentativa de golpe às vésperas de transição presidencial

    Unidade militar tentou tomar palácio presidencial; nova gestão assume na sexta

    31.mar.2021 às 22h19

    NIAMEI (NÍGER) | REUTERS

    Uma unidade militar tentou tomar o palácio presidencial em Niamei, capital do Níger, em uma tentativa de golpe, mas a ordem foi restaurada, disse o governo nesta quarta-feira (31), dias antes da primeira transferência de poder democrática no país.

    Os golpistas, de uma base aérea próxima, fugiram depois que a guarda presidencial revidou com forte bombardeio e tiros de fuzis, segundo três fontes da segurança, que pediram anonimato.

    O porta-voz do governo, Abdourahamane Zakaria, disse que várias pessoas foram presas enquanto outras ainda estão sendo procuradas, mas que a situação estava sob controle.

    O presidente Mahamadou Issoufou fala com a imprensa após votar nas eleições presidenciais
    O presidente Mahamadou Issoufou fala com a imprensa após votar nas eleições presidenciais – Souleymane Ag Anara – 13.dez.20/AFP

    “O governo condena esse ato covarde e retrógrado que visa pôr em perigo nossa democracia e o Estado de Direito com que nosso país está decididamente comprometido”, afirmou ele em entrevista coletiva.

    O presidente Mahamadou Issoufou está deixando o governo depois de dois mandatos de cinco anos cada um, e o presidente eleito, Mohamed Bazoum, candidato do partido governante, deverá tomar posse na sexta-feira (2) depois de uma vitória disputada com Mahamane Ousmane.

    O ex-enviado dos EUA ao Sahel J. Peter Pham escreveu em redes sociais que tanto o atual presidente quanto o eleito estão em segurança, e o gabinete postou fotos no Twitter de Issoufou presidindo a cerimônia de juramento de dois juízes graduados. A localização de Ousmane não foi informada.

    Houve ataques crescentes promovidos por extremistas islâmicos, assim como protestos no país depois da vitória de Bazoum no segundo turno da eleição em fevereiro. Ousmane, um ex-presidente que perdeu a disputa, rejeitou os resultados e disse que houve fraude no pleito.

    Seguranças em frente ao Instituto Francês, em Uagadugu
    Seguranças em frente ao Instituto Francês, em Uagadugu Ahmed Ouoba/AFP

    Em algumas áreas da capital, apoiadores de Ousmane foram às ruas nesta quarta para protestar e entraram em confronto com a polícia, que disparou gás lacrimogêneo para dispersá-los. Segundo testemunhas, as estradas próximas à cidade foram fechadas.

    A eleição de Bazoum é a primeira transição de poder democrática num país que presenciou quatro golpes militares desde sua independência da França, em 1960, incluindo um em 1996 que derrubou Ousmane.

    O ataque começou por volta das 3h locais (23h de terça em Brasília) e durou cerca de 30 minutos, segundo uma testemunha à Reuters. Às 10h, o tráfego já havia sido retomado na área, e a situação parecia normal. A embaixada dos EUA em Niamei ficou fechada durante o dia devido aos tiros ouvidos no bairro e advertiu que a situação de segurança continua incerta no período pós-eleitoral.

    ​O aumento da insegurança na região causado por jihadistas ligados à Al Qaeda e ao Estado Islâmico intensificam os desafios econômicos do Níger, que incluem a seca, a pandemia de Covid-19 e os baixos preços do urânio, sua principal exportação. Um golpe no vizinho Mali em agosto do ano passado derrubou o presidente Boubacar Keita. Sob pressão de países da região, a junta cedeu o poder a um governo transitório que dirigirá o Mali até as eleições do próximo ano.

    Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/03/niger-vive-tentativa-de-golpe-as-vesperas-de-transicao-presidencial.shtml

    Questão.

    1 Segundo o texto jornalístico, quais são os elementos que contribuem para instabilidade institucional da jovem não Africana?

    Prof. Luciano Mannarino

  • Portugal precisa confrontar seu passado colonial, diz Conselho da Europa

    Portugal precisa confrontar seu passado colonial, diz Conselho da Europa

    Queixas de discriminação racial aumentaram 50% no país, que vai inaugurar memorial às vítimas da escravidão

    REUTERS

    24.mar.2021 às 16h58

    O Conselho da Europa, principal grupo de direitos humanos da União Europeia, afirmou nesta quarta-feira (24) que Portugal deve fazer mais para enfrentar seu passado colonial e seu papel no comércio de escravos e, assim, combater o racismo e a discriminação.

    O relatório surge num momento de acirramento do debate sobre o legado colonial no país —no começo do mês, a remoção dos brasões das ex-colônias de Portugal da chamada praça do Império, pretendida pela Câmara Municipal de Lisboa, gerou uma acalorada discussão e dividiu portugueses.

    Agora, o país também se prepara para inaugurar seu primeiro memorial às vítimas da escravidão, em Lisboa. O monumento —uma fileira de palmeiras pintadas de preto— foi desenhado pelo artista angolano Kiluanji Kia Henda, financiado pela Câmara e ficará no centro da capital.

    Monumento aos Descobrimentos, na região do Belém, é um dos principais cartões-postais de Lisboa
    Monumento aos Descobrimentos, na região de Belém, é um dos principais cartões-postais de Lisboa – Lalo de Almeida – 7.nov.2017/Folhapress

    O texto, assinado pela comissária para os Direitos Humanos, Dunja Mijatović, manifesta preocupação diante do aumento do número de crimes motivados por ódio racial, visando particularmente ciganos, afrodescendentes e estrangeiros no país.

    Do século 15 ao 19, as embarcações portuguesas transportaram cerca de 6 milhões de africanos escravizados através do Atlântico, cifra maior que a de qualquer outra nação. A era colonial, que viu países como Angola, Moçambique, Brasil, Cabo Verde e Timor Leste sujeitos ao domínio português, é frequentemente citada como motivo de orgulho. Atualmente, no entanto, a forma como a escravidão costuma ser abordada nas escolas tem sido questionada.

    “São necessários mais esforços para Portugal reconhecer as violações de direitos humanos no passado para combater os preconceitos racistas contra afrodescendentes, herdados de um passado colonial e do comércio de escravos”, disse o Conselho da Europa em seu relatório.

    Dia da Revolução dos Cravos na pandemia

    Homem dá um cravo a moradora de Benfica
    Homem dá um cravo a moradora de Benfica Patricia de Melo Moreira/AFP

    Em 2020, as queixas de discriminação racial aumentaram 50% no país, atingindo a marca de 655 denúncias. Segundo a secretária de Estado para a Igualdade, Rosa Monteiro, entretanto, esse número provavelmente está abaixo da taxa real de incidentes, uma vez que muitos casos não são registrados.

    “Nossa narrativa histórica é como uma ferida muito séria que não foi tratada adequadamente. E, para curá-la, temos que conversar sobre o que aconteceu”, disse Monteiro à agência de notícias Reuters, acrescentando que o governo está preparando um plano nacional de combate ao racismo.

    Episódios crescentes de racismo incluem uma passeata com referências ao movimento racista Ku Klux Klan, com máscara e tochas, em frente à sede da ONG SOS Racismo, em Lisboa, organizada pelo Resistência Nacional, grupo de extrema direita nacionalista. Esse mesmo grupo enviou emails com ameaças de morte a dirigentes de ONGs e a três deputadas de partidos de esquerda.

    Portugal planeja realizar, ainda neste ano, seu primeiro censo sobre origem étnica. Segundo dados do serviço de fronteira, havia, em 2019, cerca de 103 mil africanos oficialmente residentes no país. Os brasileiros lideram o ranking de maior comunidade de imigrantes, com 151 mil pessoas.

    Edgard Marcondes, 32, com a esposa Geisa, 32, e o filho Bento, 2, na Praia da Marinha, no Algarve, em Portugal. "Se eu fosse o Super-Homem, o racismo no Brasil seria minha kriptonita", diz
    Edgard Marcondes, 32, com a esposa Geisa, 32, e o filho Bento, 2, na Praia da Marinha, no Algarve, em Portugal. “Se eu fosse o Super-Homem, o racismo no Brasil seria minha kriptonita”, diz Arquivo pessoal

    O Conselho da Europa também expressou preocupação com o crescimento da direita populista no país, destacando o partido Chega, liderado pelo deputado André Ventura

    Amparando propostas como a castração química de pedófilos e a pena de morte, além da defesa de que não existe racismo em Portugal, o Chega conquistou não apenas o voto antissistema, mas também o de eleitores descontentes com o restante da direita no país.

    Ventura também fez comentários públicos contra Mamadou Ba, um dos principais ativistas do movimento antirracismo no país, que no mês passado foi alvo de uma petição pela sua deportação após chamar um oficial colonical, morto recentemente vítima de Covid-19, de sanguinário. Marcelino da Mata era o mais condecorado militar do exército português.

    “Não estamos tentando reescrever a história, estamos dizendo que a história que contamos hoje não é suficiente”, disse Ba em um protesto no domingo (22). “Queremos uma história que represente todos os portugueses.”​

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/03/portugal-precisa-confrontar-seu-passado-colonial-diz-conselho-da-europa.shtml

    Questões

    Aponte no texto reflexos das grandes navegações portuguesas na atualidade.

    Prof. Luciano Mannarino

  • Navio de 400 metros de comprimento encalha e provoca ‘congestionamento’ no Canal de Suez

    Navio de 400 metros de comprimento encalha e provoca ‘congestionamento’ no Canal de Suez

    Segundo autoridades portuárias, embarcação foi atingida por ventos fortes; ao menos 30 navios ficaram bloqueados

    CAIRO | REUTERS

    24.mar.2021 às 9h08

    Atualizado: 24.mar.2021 às 9h58

    Um navio cargueiro de 400 metros de comprimento e 224 mil toneladas encalhou nesta terça-feira (23), bloqueando a passagem de outras embarcações no Canal de Suez, uma das vias navegáveis mais importantes do mundo.

    De acordo com a Autoridade do Canal de Suez (SCA), o navio Ever Given, um dos maiores navios porta-contêineres do mundo, ficou preso depois de perder a capacidade de direção ao ser atingido por ventos fortes e por uma tempestade de areia.

    Oito navios rebocadores tentavam recolocar o Ever Given em sua rota para liberar a passagem no canal. Segundo o GAC, agência portuária que monitora o trafego naval, o local deve ser liberado ainda nesta quarta-feira (24).

    Navio Ever Given encalhado no Canal de Suez depois de ser atingido por ventos fortes – Marina Passos/Autoridade do Canal de Suez – 24.mar.21/AFP

    Cerca de 12% do volume do comércio mundial passa pelo Canal de Suez, que conecta a Europa e a Ásia e está localizado no Egito. Ao menos 30 navios que vinham atrás do Ever Given e três no sentido oposto ficaram bloqueados, enquanto outras 15 embarcações tiveram suas rotas interrompidas e ficaram paradas em outros ancoradouros para esperar a liberação da passagem.

    Segundo a empresa BSM, responsável pelo Ever Given, o navio saiu da China em direção à Holanda e encalhou no canal por volta das 2h40 de terça-feira (horário de Brasília). Uma investigação sobre os fatores que levaram ao incidente está em andamento, informou a empresa, acrescentando que toda a tripulação está em segurança.

    Mapas de rastreamento mostravam o navio preso no trecho mais ao sul do canal, próximo ao porto de Suez no Mar Vermelho. A SAC emitiu um comunicado tranquilizando as empresas responsáveis por outras embarcações e disse que não está poupando esforços em relação ao “movimento de navegação pelo canal e seu retorno à regularidade”.

    Navio encalhado tem 400 metros de comprimento, 69 metros de largura e capacidade para 20 mil contêineres – Marina Passos/Autoridade do Canal de Suez – 24.mar.21/AFP

    Além dos 400 metros de comprimento —tamanho superior à altura do Empire State Building, um dos maiores arranha-céus do mundo—, o Ever Given tem 59 metros de largura e capacidade para transportar até 20 mil contêineres.

    Durante o ano de 2020, quase 19 mil navios passaram pelo Canal de Suez, estabelecendo uma média de 51,5 navios por dia e um total de 1,17 bilhão de toneladas em cargas, de acordo com dados da SCA.

    Analistas ouvidos pela agência de notícias Reuters alertam que o incidente com o Ever Given pode gerar congestionamentos nos portos europeus na próxima semana. O impacto nos transportes de petróleo—que já começou a registrar alta nos preços— e gás dependerá de quanto tempo levará até o retorno à normalidade no canal.

    Uma usuária do Instagram que estava em uma embarcação que vinha atrás do Ever Given publicou uma foto que mostra o navio atravessado no Canal de Suez. Segundo ela, o cargueiro está “superpreso” e o trabalho dos rebocadores “está levando a lugar nenhum”

    Se as autoridades no Egito conseguirem desencalhar o Ever Given e movê-lo para a lateral do canal em dois ou três dias, o episódio será um pequeno inconveniente para a indústria. As empresas de transporte geralmente incluem dias extras em suas programações para compensar os atrasos no trajeto.

    Mas se a extração do navio se revelar mais complexa, deixando o Suez bloqueado por mais tempo, isso pode representar um risco substancial para uma indústria que já está sobrecarregada. O comércio marítimo global sofreu um abalo no ano passado por causa da pandemia. No caso do Egito, a receita proveniente do Canal de Suez foi de US$ 5,61 bilhões (R$ 31 bilhões) em 2020, o que representa uma queda de 3% em relação ao ano anterior, de acordo com um levantamento do jornal New York Times.

    O episódio com o Ever Given, contudo, não é inédito. Nos últimos incidentes, o mesmo navio cargueiro japonês ficou preso duas vezes enquanto passava pelo canal, em outubro de 2017 e junho de 2018. Nas duas ocasiões, porém, os rebocadores conseguiram normalizar a situação em poucas horas.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/03/navio-de-400-metros-de-comprimento-encalha-e-provoca-congestionamento-no-canal-de-suez.shtml

    Questão

    1. Qual a importância do Canal de Suez para o comércio Global?

    2 Aponte outro importante Canal muito usado pelo comércio mundial.

    3.Por que essa região apresenta há uma forte incidência de ventos e tempestades de areia?

    4. Além da presença do Canal de Suez cite um outro elemento que transforma o Oriente Médio numa área estratégica para a economia mundial?

    Prof Luciano Mannarino