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  • América do Sul: um espaço migratório regional ‘quase perfeito

    América do Sul: um espaço migratório regional ‘quase perfeito

    Os seus migrantes são, em sua esmagadora maioria, naturais da mesma região

    20.mar.2021 às 8h00

    Mohammed ElHajji

    Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Integrante dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação e em Psicologia Social. Também é professor e coordenador local do Master Erasmus Mundus em Migrações Transnacionais. Especialista em Migrações Transnacionais e Comunicação Intercultural.

    América do Sul constitui, segundo os especialistas, um espaço migratório regional “quase perfeito”, na medida que seus migrantes são, em sua esmagadora maioria, naturais da mesma região. O subcontinente é conhecido por sua diversidade cultural, étnica e linguística, graças tanto à plurimilenar herança indígena como aos progressivos aportes migratórios vindos de todos os cantos do planeta. Neste contexto, a mobilidade humana em geral e as migrações transnacionais em particular constituem uma verdadeira máquina de diversificação / integração das populações e culturas do mundo.

    O crescimento das migrações intrarregionais

    A diversificação acontece na perspectiva local, da sociedade receptora. E a integração tem lugar no plano regional, em função do aumento e consolidação das trocas materiais e simbólicas entre sociedades e países vizinhos ou próximos. Fato de grande relevância quando se considera que uma das principais mudanças ocorridas na paisagem migratória transnacional contemporânea é a reorientação regional de seus fluxos.

    Segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM), hoje, o volume das migrações Sul-Sul já é superior ao das migrações Sul-Norte. Dos 258 milhões de migrantes registrados no mundo em 2017, cerca de 100 milhões (ou quase 40% desse total) migraram de um país do Sul para outro país também do Sul, contra apenas 86 milhões (ou um pouco mais de 30%) de pessoas que migraram do Sul para o Norte. Neste cenário, o exemplo sul-americano é um dos mais emblemáticos.

    O legado dos processos de integração regional

    América do Sul tem uma população de quase 430 milhões de indivíduos; o que representa 65% da população latino-americana e 42% dos habitantes das Américas. Segundo a ONU, no plano social e político, a América do Sul continua enfrentando os desafios da desigualdade social e a falta de coordenação política e econômica regional.

    Estes desafios ficam evidentes sobretudo, se considerarmos a crise generalizada pela qual passam as principais organizações regionais: a União das Nações Sul-americanas (Unasul) em processo avançado de desagregação; a Comunidade Andina (CAN) praticamente paralisada; e o Mercado Comum do Sul (Mercosul) lutando por sua sobrevivência.

    Bandeiras de países da América do Sul aparecem penduradas. À direita, está o ex-presidente Lula
    Bandeiras de países da América do Sul durante reunião da cúpula do Mercosul, em Belo Horizonte – Antonio Scorza – 24.nov.2010/AFP

    Todavia, há de se reconhecer que as três instituições tiveram o mérito de esboçar políticas migratórias impregnadas pelos princípios universais de direitos humanos e os ideais de igualdade e justiça social.

    Segundo o estudo “Hacia el Sur. La construcción de la ciudadanía suramericana y la movilidad intrarregional” estas políticas delinearam as bases de uma gradativa integração regional que garantisse aos cidadãos do subcontinente o direito ao livre trânsito, à residência em qualquer um dos países membros dessas organizações, à direitos sociais e trabalhistas iguais aos nacionais do país receptor, à simplificação e uniformização dos documentos, trâmites e procedimentos jurídicos e administrativos.

    Na prática, o passado escravagista e colonial da região, a rigidez de suas hierarquias sociais, classistas e étnicas, o nacionalismo, a xenofobia, o racismo institucional, acabam dificultando a implementação e efetivação do ideal de uma cidadania sul-americana.

    Isto também acontece como resultado do desconhecimento dos acordos e os direitos deles decorrentes tanto por parte dos cidadãos como, às vezes, pelos próprios funcionários do Estado.

    Um espaço migratório regional “quase perfeito”

    As migrações intrarregionais constituem uma experiência bastante nova para a América do Sul. Até meados do século XX, o subcontinente era conhecido mais como destino de imigrantes internacionais— em sua maioria europeus. Num segundo momento, a tendência se inverte e América do Sul vira uma região de emigração principalmente rumo à América do Norte e Europa.

    Todavia, se a emigração continua sendo uma realidade estruturante da paisagem social de todos os países sul-americanos, a partir do final do século passado, essas migrações vão se tornando cada vez mais intrarregionais, beneficiando inicialmente Argentina, Chile e Venezuela, antes que os fluxos comecem a se diversificar para abranger o Brasil e outros países da região.

    Estas populações procuram melhores condições de vida, como no caso dos bolivianos que migram até Argentina e Brasil para trabalhar em setores como a indústria têxtil, ou os colombianos que procuram proteção internacional como consequência da violência e do conflito armado que afeta o país há mais de meio século.

    Segundo a OIM, em 2015, a região contava cerca de 5 milhões de imigrantes contra uma dezena de milhões de emigrantes. Entre 2010 e 2015, além de registrar um aumento progressivo e considerável das migrações que supera os 10%, cabe destacar que 70% do contingente de imigrantes presentes no subcontinente era composto de nacionais da mesma região.

    No entanto, para melhor avaliar esse crescimento espetacular, não se pode ignorar o atual número de cidadãos venezuelanos que deixam sua terra de origem em decorrência da crise social e política que assola o país. Volume que, segundo as projeções do ACNUR e da OIM deve ter já chegado, em 2020, a 6,4 milhões de migrantes e refugiados venezuelanos.

    Assim, se numa projeção bastante conservadora, calculamos que, ao menos 2/3 da população venezuelana migrada vão permanecer na região, podemos deduzir que as migrações intrarregionais na América do Sul devem, a termo, alcançar um volume que se aproxima de 8 milhões de indivíduos.

    E, mesmo se considerarmos que, até 2015, Venezuela acolhia mais de 1 milhão e meio de migrantes, majoritariamente intrarregionais, dos quais uma parte pode ter deixado o país, ainda continua aceitável manter a estimativa superior a 7 milhões de migrantes intrarregionais no subcontinente. O que representa cerca de 90% do conjunto das migrações que acontecem na América do Sul.

    Em todo caso, não são os números em si que nos interessam, mas sim o fato observado por estudos como “Radiographie des flux” (2020), de que a América do Sul seria um espaço migratório regional “quase perfeito”. Assim, mais do que a quantidade e densidade dos fluxos, vale a pena destacar a sua significância humana e cultural.

    Numa região relativamente jovem e ainda em processo de formação social e cultural, é necessário observar com atenção o fenômeno migratório intrarregional enquanto fator de produção de uma identidade sul-americana e um vetor de integração regional de “baixo para cima”

    Se, como vimos, as principais instituições interestatais da região não têm demonstrado força suficiente para acelerar esse processo de integração, não se pode negar que um de seus principais legados: o Acordo de Residência e Livre Trânsito (instituído pelo Mercosul), prova que não apenas há uma real demanda em mobilidade humana na região, mas que à medida que o Acordo se enraíza no imaginário social da região, mais essa integração se dará de maneira natural.

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    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/latinoamerica21/2021/03/america-do-sul-um-espaco-migratorio-regional-quase-perfeito.shtml

  • Mente de um Psicopata!

    Mente de um Psicopata!

    Destituído de compaixão ele
    passa a perceber a vida como um intervalo entre o nascimento e a morte.

    A obsessão pelo fim das coisas se torna evidente quando afirma.

    “todos vão morrer mesmo”

    Reflete sua mente doentia ao mesmo tempo em que se sente absolvido de suas responsabilidades.

    Luciano Mannarino é Professor de Geografia e dublê de psicólogo!

  • Escrito nas estrelas!

    Escrito nas estrelas!

    Diante das minhas angústias, a noite, insisto em olhar para o céu a procura de respostas e paz. Logo me dou conta que a Sonda da NASA que pousou em Marte, depois de viajar dezenas de milhões de quilômetros, chama-se PERSEVERANCE.

    Luciano Mannarino é Professor de Geografia e sempre vive no mundo da Lua!

  • Dez anos após Fukushima, energia nuclear cresce com China e crise climática

    Dez anos após Fukushima, energia nuclear cresce com China e crise climática

    Produção mundial voltou aos níveis anteriores ao desastre; ambientalistas defendem fontes renováveis

    11.mar.2021 às 8h00

    Igor Gielow

    SÃO PAULO

    Em março de 2011, quando o desastre da usina japonesa de Fukushima horrorizou o mundo, o futuro comercial da energia nuclear foi dado como no mínimo incerto.

    A Alemanha anunciou o fim de seu programa de usinas atômicas, o Japão desligou para revisão seus 33 reatores, 3 dos quais tiveram seus núcleos derretidos após o terremoto e tsunami devastadores, grupos ambientalistas se disseram enfim reconhecidos no seu pleito por um mundo sem energia nuclear.

    A usina nuclear japonesa de Fukushima Daiichi, que teve três reatores atingidos no tsunami de 2011
    A usina nuclear japonesa de Fukushima Daiichi, que teve três reatores atingidos no tsunami de 2011 – Kazuhiro Nogi/AFP

    Dez anos depois, após uma queda, a produção mundial de suas usinas nucleares voltou aos índices pré-Fukushima. São 2.750 TWh (terawatts-hora), ante 2.720 TWh em 2010.

    E a tendência é de crescimento, puxado pela necessidade do corte mundial de emissões de carbono e pelo ambicioso programa energético da China.

    Durante seu encontro legislativo anual, chamado de Duas Sessões, o governo de Xi Jinping estabeleceu uma meta de aumento de 27% de sua produção nuclear até 2025.

    Das 53 usinas em construção em todo mundo, segundo a Associação Nuclear Mundial, o maior contingente (11) é chinês. Em 2020, havia 441 reatores civis em operação no planeta.

    O plano é considerado central para a ambição chinesa de atingir o máximo de sua emissão de carbono em 2030 e ser um país neutro no quesito em 2060. O tombo da economia mundial com a pandemia é visto como uma oportunidade de rearranjar a casa no clima.

    É o país mais poluente do mundo, segundo dados da Agência Internacional de Energia em 2020, responsável por 28% do despejo mundial de CO₂ na atmosfera —os EUA vêm em segundo lugar, com 15%.

    É o preço de ter virado uma das fábricas do mundo: de 1990 para cá, a emissão de carbono cresceu 356% no país, a segunda maior economia do mundo, atrás dos EUA.

    Hoje, apenas 4,7% da eletricidade consumida na China têm origem nuclear, sendo que dois terços da energia do país vem do ultrapoluente carvão.

    A terra do presidente e ativista climático Joe Biden, por sua vez, tem 19,4% de sua eletricidade oriunda de 94 usinas nucleares, maior parque da Terra. A produção anual está estável desde 2010 e fechou 2019 em 830 THh.

    Nem todo mundo está feliz com o plano chinês. O grupo ambientalista Greenpeace advoga que o mundo deve focar energias renováveis, como a solar e a eólica, mas isso esbarra na intermitência natural delas e no custo ainda alto devido à baixa escala.

    Uma vez ligado e alimentado, um reator nuclear gera energia virtualmente eterna sem emitir CO₂. Claro, a extração e o processamento do urânio que usa como combustível entram na conta, mas é uma fração muito baixa em relação a outras fontes poluentes.

    Usando fontes abertas sobre mortalidade e acidentes relacionados a fontes poluentes, o site Our World in Data fez uma comparação acerca dos efeitos de matrizes energéticas sobre uma cidade europeia média, com cerca de 188 mil habitantes e com o perfil usual de consumo no continente.

    A cidade de Namie, na província de Fukushima (Japão), classificada como de difícil retorno devido à radiação após acidente nuclear causado por terremoto e tsunami
    A cidade de Namie, na província de Fukushima (Japão), classificada como de difícil retorno devido à radiação após acidente nuclear causado por terremoto e tsunami Rodrigo Sicuro/Folhapress

    Pelas contas, 25 pessoas morreriam prematuramente por ano devido ao carvão, 18 pelo petróleo, 3 por causa do gás. Demoraria 14 anos para alguém morrer devido à energia nuclear, 29 anos pela eólica, 42 pela hidroelétrica, e 53, pela solar.

    Ou seja, aplica-se às usinas nucleares e sua relação com o entorno basicamente a regra do avião: é um modo muito seguro de transporte, desde que você não esteja dentro de um quando ele cai.

    Em conversa com a Folha no ano passado, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, apontou para essa contradição daqueles que demandam ação efetiva contra a mudança climática associada ao CO₂ na atmosfera.

    Para ele, a vantagem do nuclear é óbvia. Hoje, cerca de 10% da eletricidade consumida no mundo vêm de reatores nucleares, enquanto 38% vêm de carvão, 23% de gás natural, e 16%, de hidroelétricas. Alternativas (biomassa, solar e eólica) somam 7%.

    Já como fonte de energia para a economia, o petróleo segue imbatível com 31%, o carvão responde por 25%, e o gás, por 23%. O átomo fica com 4% do bolo, atrás de biomassa (7%) e hidroelétricas (6%). Vento e sol originam 3%.

    O caso alemão é exemplar do desafio colocado pelo temor de uma nova Fukushima —isso para não falar no pior acidente da história, em 1986, na usina de Tchernóbil (União Soviética, hoje Ucrânia). Em 2010, Berlim era a quinta maior geradora mundial de energia nuclear, com 140 TWh.

    Higashimatsushima, Província de Miyagi - 12.mar.11 / 3.mar.12
    Higashimatsushima, Província de Miyagi – 12.mar.11 / 3.mar.12 Reuters

    Em 2011, o país já havia decidido reduzir sua emissão de carbono. O acidente acelerou o processo de retirada da matriz nuclear, sob pressão da bancada verde no Parlamento, e o plano é desligar as seis usinas remanescentes em 2022.

    O problema é que a emissão de carbono se manteve relativamente estável, de 731 milhões de toneladas de CO₂ em 2011 para 677 milhões de toneladas em 2018, segundo a Agência Internacional de Energia.

    Curiosamente, países em que o movimento ambientalista é forte, como França e Suécia, têm alta dependência de energia nuclear: 71%, a maior do mundo, e 39%, respectivamente.

    País onde a tragédia de Fukushima ocorreu, o Japão vem religando suas usinas paulatinamente. Era o terceiro país em produção de energia atômica em 2010, com 286 TWh e 33 usinas. Em 2015, produziu apenas 4 TWh, quase quatro vezes menos que o Brasil e suas duas unidades em Angra dos Reis.

    Em 2019, último dado disponível, já havia subido para 70 TWh, tendo acionado nove de suas plantas nucleares.

    É um processo complicado, porque o trauma dos acidentes é altíssimo. Radiação é um subproduto perigosíssimo para lidar, e anos de construções com falhas de desenho (caso de Tchernóbil) ou em locais inadequados (Fukushima) colocam uma sombra permanente sobre a matriz nuclear.

    Na esteira de Tchernóbil, a segurança primária de reatores na antiga União Soviética foi melhorada, mas há lacunas. Enquanto nove unidades RBMK, iguais à que explodiu em 1986, ainda subsistem na Rússia, modelos de primeira e segunda geração VVER seguem pelo mundo.

    Um dos mais temidos por especialistas é o que equipa a planta de Metsamor, na Armênia. Numa região suscetível a terremotos devastadores, junto à capital Ierevan, ela quase foi alvo de forças azeris no conflito entre os países em 2020. Como fornece um terço da energia do país, deverá seguir onde está.

    Mulher presta homenagem às vítimas em cemitério de Kiev, na Ucrânia
    Mulher presta homenagem às vítimas em cemitério de Kiev, na Ucrânia Sergei Supinsky

    A questão dos resíduos é central, estatisticamente mais complexa do que a de acidentes em si. Lixo atômico é o combustível gasto pelos reatores, reciclável até certo ponto.

    No 14º Plano Quinquenal da China, revelado na reunião desta semana em Pequim, está inclusive previsto um trabalho específico em tecnologias que facilitem o reprocessamento do lixo.

    Os resíduos mais nocivos, o combustível gasto e não reciclável, precisa ser enterrado a centenas de metros por milênios. São um problema ambiental real, embora 99% do lixo seja de mais fácil manejo, como filtros, peças e roupas de proteção usadas.

    Por fim, mais intangível, há o preconceito que pode ser associado às tragédias e também às armas nucleares, que ocupam faixa semelhante no imaginário popular. Já os benefícios das aplicações médicas de isótopos radioativos, um terceiro ramo da energia nuclear, não costumam assustar tanto —exceto quando algo dá errado, como na exposição do césio-137 em Goiânia, em 1987.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/03/dez-anos-apos-fukushima-energia-nuclear-cresce-com-china-e-crise-climatica.shtml

  • Não chora depois!!!

    Não chora depois!!!

    Se chamar o Inter de chorão agora, não chora depois’, diz presidente, que discorda da CBF sobre VAR

    (O globo)


    A fala do presidente do Internacional permite uma  reflexão.


    Sabemos que o VAR possui  pontos positivos e com um processo de amadurecimento tecnológico se tornará uma ferramenta fundamental para oferecer aos torcedores um jogo de futebol mais justo.


    Bom, até lá…os equívocos podem podem na análise de um lance capital de algumas   partida.

    Os lamentos se tornam  inevitáveis.


    O Inter pode ter sido injustiçado e se você ignorar isso, não deve esperar solidariedade  quando seu time for prejudicado  mais adiante. Esse é o alerta do presidente do Inter.


    O interessante é que temos a absoluta certeza de que nosso time será injustiçado.


    Por que você está dizendo isso agora?


    Experimente trocar a palavra INTER no início do texto pela palavra PRÓXIMO.

    Luciano Mannarino