Blog

  • Fabricantes americanos enfrentam escassez de aço, alta dos preços

    Fabricantes americanos enfrentam escassez de aço, alta dos preços

    EM13CHS202     Analisar e avaliar os impactos das tecnologias na estruturação e nas dinâmicas de grupos, povos e sociedades contemporâneos (fluxos populacionais, financeiros, de mercadorias, de informações, de valores éticos e culturais etc.), bem como suas interferências nas decisões políticas, sociais, ambientais, econômicas e culturais.

    Por Rajesh Kumar Singh

    6 MIN DE LEITURA

    CHICAGO (Reuters) – Uma fabricante de peças aeroespaciais da Califórnia está lutando para adquirir aço laminado a frio, enquanto uma fabricante de peças automotivas e de eletrodomésticos em Indiana não consegue garantir suprimentos adicionais de aço laminado a quente das usinas.

    Ambas as empresas e muitas outras estão sendo atingidas por uma nova rodada de interrupções na indústria siderúrgica dos EUA. O fornecimento de aço está escasso nos Estados Unidos e os preços estão subindo. Os pedidos não atendidos de aço no último trimestre estavam no nível mais alto em cinco anos, enquanto os estoques estavam perto de uma baixa de 3-1 / 2 anos, de acordo com dados do Census Bureau. O preço de referência para o aço laminado a quente atingiu US $ 1.176 / t este mês, seu nível mais alto em pelo menos 13 anos.

    Os preços em alta estão elevando os custos e reduzindo os lucros dos fabricantes consumidores de aço, provocando uma nova rodada de pedidos para acabar com as tarifas do ex-presidente Donald Trump.

    “Nossos membros têm relatado que nunca viram tamanho caos no mercado de aço”, disse Paul Nathanson, diretor executivo da Coalition of American Metal Manufacturers and Users.

    O grupo, que representa mais de 30.000 empresas no setor de manufatura e cadeias de abastecimento downstream, este mês pediu ao presidente Joe Biden para encerrar as tarifas de metais de Trump.

    As siderúrgicas domésticas que paralisaram fornos no ano passado em meio a temores de uma prolongada desaceleração econômica induzida por uma pandemia têm demorado a aumentar a produção, apesar da recuperação na demanda por carros e caminhões, eletrodomésticos e outros produtos de aço. As taxas de utilização da capacidade nas siderúrgicas – uma medida de quão totalmente a capacidade de produção está sendo usada – subiu para 75% depois de cair para 56% no segundo trimestre de 2020, mas ainda está bem abaixo de 82% em fevereiro passado.

    Os embarques de aço estão crescendo, mas ainda abaixo dos níveis do ano passado.

    UM MERCADO DE AÇO JUSTO

    A produtora de aço Steel Dynamics disse no mês passado que não pode obter chapas laminadas suficientes nem mesmo para suas próprias operações internas.

    “É muito frustrante”, disse Hale Foote, presidente da Scandic Springs, fabricante de peças aeroespaciais com sede na Califórnia. “Estou procurando um ótimo negócio … mas não tenho nenhum suprimento de material.”

    A Scandic Springs enfrenta o risco de perder um contrato anual de US $ 1 milhão, pois não consegue encontrar um fornecedor doméstico pronto para fornecer 240.000 libras de aço laminado a frio.

    A Stone City Products, sediada em Indiana, que fornece componentes para empresas automotivas e de eletrodomésticos, também sofre forte pressão para adquirir 2 milhões de toneladas de aço laminado a quente por ano para um novo projeto.

    A empresa teve uma reviravolta dramática nos negócios após a queda da pandemia no segundo trimestre de 2020, quando os pedidos despencaram 50%. Sua carteira de pedidos está agora 25% acima dos níveis pré-pandêmicos. Apresentação de slides (4 imagens)

    Para acompanhar, ela está operando suas fábricas sete dias por semana e aumentou o número de funcionários em 40%. Mas o aço que costumava ser entregue em oito semanas no ano passado agora leva de 12 a 16 semanas. As fábricas não estão aceitando solicitações de compras adicionais.

    “Temos estado a braços com muitas exigências do cliente”, disse Stewart Rariden, o presidente da empresa.

    Os preços domésticos do aço subiram mais de 160% desde agosto passado, deixando os consumidores de aço em um dilema – absorver ou repassar o aumento no custo.

    “Teremos sorte se atingirmos esse preço”, disse Stuart Speyer, presidente da Tennsco, com sede no Tennessee. Os custos do aço para fabricantes de armários, estantes e armários aumentaram 98% nos últimos seis meses.

    A Whirlpool disse no mês passado que o aumento nos custos do aço reduziria 150 pontos-base de seu lucro este ano. A fabricante de equipamentos agrícolas AGCO e a fabricante de guindastes Terex anunciaram aumentos de preços para compensar os custos de material.

    Em sua pesquisa “instantânea” com gerentes de compras de fevereiro, o índice de preços pagos da IHS Markit pelas fábricas foi o mais alto desde 2011 e seu indicador de preços recebidos por produtos acabados foi o mais alto desde 2008.

    A alta nos preços do aço ocorre em um momento em que a expectativa de estímulo fiscal adicional e uma implementação mais rápida da vacina alimenta o temor de uma pressão inflacionária generalizada.

    No entanto, legisladores como o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e a secretária do Tesouro, Janet Yellen, não prevêem um aumento prolongado e generalizado nos preços em breve, com o desemprego nos EUA ainda bem acima dos níveis pré-pandêmicos e mais de 18 milhões de americanos recebendo algum tipo de auxílio-desemprego do governo.

    AÇO AMERICANO VERSUS IMPORTADO

    Os preços recordes, entretanto, estão se tornando uma bonança para os produtores de aço. As ações das siderúrgicas americanas subiram 65% desde agosto passado. Uma análise da agência de classificação Fitch mostra que as siderúrgicas americanas tiveram uma margem de lucro de 45% em janeiro. A Nucor espera registrar o maior lucro de todos os tempos no primeiro trimestre.

    A indústria do aço e grupos sindicais no mês passado instaram Biden a manter as tarifas do aço em vigor, chamando-as de “essenciais” para a indústria doméstica. As produtoras de aço estão enfrentando seus próprios custos mais altos após o aumento nos preços da sucata e do minério de ferro.

    Os preços do aço nos EUA estão 68% mais altos do que o preço do mercado global e quase o dobro dos da China, mesmo com os preços na China e na Europa acima de 80% em relação às baixas induzidas pela pandemia.

    A diferença de preço é tão grande que, mesmo com uma tarifa de 25%, seria mais barato importar do que comprar das usinas domésticas. Os Estados Unidos importaram 18% de suas necessidades de aço no ano passado.

    Desafios logísticos, como escassez de contêineres e escasso fornecimento no exterior, estão mantendo as importações sob controle. Mas alguns distribuidores esperam que as importações aumentem até junho, se o mercado doméstico continuar apertado.

    A incerteza sobre as perspectivas tarifárias é um fator que mantém o controle sobre a produção doméstica de aço.

    Angela Reed, executiva da distribuidora de aço Reibus International, de Atlanta, disse que uma revisão esperada das restrições de importação está atrasando um aumento na produção e um aumento nos estoques, já que a redução das restrições provavelmente reduzirá os preços domésticos.

    “(As pessoas) estão tentando se certificar de que não se preocupem com nenhuma das coisas mais caras”, disse Reed.

    Reportagem de Rajesh Kumar Singh; Edição de Andrea Ricci

    https://www.reuters.com/article/us-usa-economy-steel-insight/u-s-manufacturers-grapple-with-steel-shortages-soaring-prices-idUSKBN2AN0YQ

    Questão

    A reportagem descortina uma grande tensão existente no comércio global que acaba se tornando um grande debate no âmbito da OMC. Analise.

    INDÚSTRIA E SEUS FATORES LOCACIONAIS (vídeo e atividades)

    Prof. Luciano Mannarino.

  • Brasil eleva participação mundial no agro nesta década

    Brasil eleva participação mundial no agro nesta década

    Projeção americana vê brasileiros mais bem posicionados em carnes e em grãos

    17.fev.2021 às 23h15

    Esta vai ser mais uma década favorável ao Brasil. O Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) fez as projeções agropecuárias para os próximos dez anos, e os dados mostram uma certa acomodação dos americanos no cenário mundial, mas um bom avanço dos brasileiros.

    Após a pandemia, haverá uma retomada do crescimento mundial, abrindo espaço ainda maior para a agropecuária. O bom crescimento das exportações agrícolas será capitaneado pelos países em desenvolvimento, que serão responsáveis por 80% da nova demanda por alimentos.

    Esses países terão uma população mais urbanizada e com renda maior. Já os países ricos buscam uma dieta mais controlada e terão participação menor no comércio mundial.

    Colheita de milho na zona rural de Planaltina, região administrativa do DF

    Puxado principalmente pelo crescimento da demanda na Ásia, o comercio mundial de carnes deverá crescer 17%, o de milho, 23%, e o de soja, 27% nesta década. Brasil, como grande fornecedor, e China, como grande compradora, terão presenças importantes nesse setor.

    Soja e milho continuam sendo dois dos principais produtos comercializados no mundo. O comércio mundial de soja, em 2030, será de 219 milhões de toneladas, 31% mais do que o atual. O Brasil participará com 55% desse mercado, segundo o Usda.

    Os americanos, com participação de 34% nas exportações mundiais de soja atualmente, fornecerão apenas 29% em 2030. O Usda prevê uma exportação brasileira de 122 milhões de toneladas no final desta década. No caso do milho, o Brasil deverá atingir 60 milhões de toneladas em exportações. Com isso, a participação do país sobe, dos atuais 22%, para 26% no mercado mundial. Os americanos, que exportarão 70 milhões de toneladas, terão participação reduzida para 30,5%.

    Colheita de algodão cresce no Brasil e faz país ser grande vendedor do produto

    O Brasil vem se tornando um dos principais produtores mundiais de algodão. Na safra 2019/2020, o país deverá atingir o volume de 2,7 milhões de toneladas de pluma. Na imagem: colheita em fazenda no município de Cristalina, interior de Goiás
    O Brasil vem se tornando um dos principais produtores mundiais de algodão. Na safra 2019/2020, o país deverá atingir o volume de 2,7 milhões de toneladas de pluma. Na imagem: colheita em fazenda no município de Cristalina, interior de Goiás Mauro Zafalon – 30.ago.18/Folhapress

    O Brasil avança também no setor de algodão. As exportações deverão crescer 4,6% ao ano, asseguradas por aumentos de área e de produtividade. Os americanos continuarão líderes no comércio mundial, mas a participação deles cairá para 32% em 2030, abaixo dos 36% atuais.

    O Brasil segue firme ainda na produção e na exportação de proteínas, segundo o Usda. A demanda chinesa elevará o comércio mundial de carne bovina para 13 milhões de toneladas, em 2030. O Brasil terá 29% de participação nessas exportações.

    O mercado mundial de carne suína também será de 13 milhões de toneladas, com a participação brasileira subindo para 1,8 milhão de toneladas, 50% a mais do que atualmente. O país assumirá a terceira posição entre os exportadores, desbancando o Canadá.

    Líder mundial em exportações de carne de frango, o Brasil deverá elevar ainda mais a sua presença no mercado externo. Fornecerá 5,8 milhões de toneladas no final desta década, volume que somará 34% das necessidades de importações mundiais. O comércio mundial de carne de frango atingirá 17 milhões de toneladas em 2030. Estados Unidos e União Europeia serão o segundo e o terceiro maiores exportadores.

    Vaivém das Commodities

    A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2021/02/brasil-eleva-participacao-mundial-no-agro-nesta-decada.shtml

    Questões

    Quais setores agropecuários brasileiros são projetados para apresentar maior crescimento nas exportações até 2030, segundo o USDA? Explique os fatores que contribuem para esse aumento.

    Como a urbanização e o aumento da renda nos países em desenvolvimento influenciam a demanda por produtos agropecuários brasileiros no mercado internacional?

    Compare a participação do Brasil e dos Estados Unidos no mercado mundial de soja e milho conforme as projeções para 2030. Quais são as implicações dessas mudanças para a economia brasileira?

    De que maneira as projeções apresentadas no texto refletem os processos de globalização e a interdependência econômica entre os países? Dê exemplos específicos mencionados no texto.

    Considerando o aumento da produção e exportação de commodities como soja, milho e algodão, quais desafios ambientais o Brasil pode enfrentar? Sugira possíveis soluções para mitigar esses impactos.

    Como a infraestrutura de transportes no Brasil contribui para a competitividade do país no mercado global de commodities agropecuárias, conforme mencionado no texto?

    Por que a diversificação das exportações agropecuárias é importante para a economia brasileira? Quais são os benefícios e os riscos associados a essa diversificação?

    Quais políticas públicas podem ser implementadas para apoiar o crescimento das exportações agropecuárias brasileiras, de acordo com as projeções apresentadas no texto?

    O texto menciona que o Brasil deverá se tornar um dos principais produtores mundiais de algodão. Quais fatores podem influenciar a competitividade do Brasil nesse mercado em relação a outros países produtores?

    Como o aumento das exportações agropecuárias pode afetar as comunidades rurais no Brasil? Considere aspectos como emprego, renda e desenvolvimento local em sua resposta.

     

    Descrição Detalhada dos Códigos Relacionados

    Código BNCCDescrição da Habilidade/CompetênciaRelação com o Texto
    EM13GEO5Analisar as dinâmicas econômicas globais e suas inter-relações com o território, compreendendo as transformações no espaço geográfico e as implicações para os sistemas produtivos.O texto discute as projeções agropecuárias do Brasil, destacando a participação no comércio mundial de soja, milho, algodão e carnes, e como essas dinâmicas afetam o território brasileiro.
    EM13GEO6Compreender os processos de globalização e suas repercussões nas relações econômicas, políticas e culturais, bem como nas dinâmicas territoriais.A análise das exportações brasileiras e a posição do país no mercado global de commodities refletem as interações econômicas dentro do processo de globalização.
    EM13GEO7Avaliar os impactos das políticas de desenvolvimento econômico sobre os territórios, considerando aspectos sociais, ambientais e culturais.O crescimento das exportações agrícolas brasileiras e o aumento da produtividade envolvem políticas de desenvolvimento que afetam o território, o meio ambiente e as comunidades locais.
    EM13GEO8Compreender a relação entre infraestrutura de transportes e desenvolvimento econômico das regiões, analisando como a infraestrutura influencia a competitividade e a integração dos mercados.A capacidade de exportação e a participação no comércio global estão intrinsecamente ligadas à infraestrutura logística do Brasil, como portos e rodovias, mesmo que não detalhadas no texto.
    EM13GEO10Identificar e analisar os impactos ambientais das atividades econômicas, especialmente no setor agropecuário, e propor soluções sustentáveis.O texto menciona o aumento da produção agrícola, que pode ter implicações ambientais como desmatamento, uso intensivo de recursos e sustentabilidade das práticas agrícolas.
    EM13GEO12Avaliar as diferentes formas de organização socioespacial do território brasileiro, considerando aspectos econômicos, culturais e ambientais.A expansão da agropecuária brasileira e sua inserção no mercado global influenciam a organização socioespacial, afetando regiões produtoras e suas dinâmicas sociais e econômicas.

    Prof Luciano Mannarino

  • Onda de frio mantém 3 milhões sem energia no Texas e afeta produção de petróleo

    Onda de frio mantém 3 milhões sem energia no Texas e afeta produção de petróleo

    Autoridades emitem alertas para tempestade, que deve afetar até 100 milhões de pessoas na área central do país

    17.fev.2021 às 17h21

    HOUSTON e AUSTIN | REUTERS e AFP

    O sul dos Estados Unidos segue enfrentando problemas por conta de uma forte onda de frio, que gerou uma ampla falta de energia. Nesta quarta (17), cerca de 3 milhões de residências e empresas estavam no escuro, segundo o site PowerOutage. No dia anterior, eram cerca de 4 milhões. A maioria dos atingidos, 2,9 milhões de pontos de consumo, está no Texas, que tem 29 milhões de habitantes.

    O NWS (Serviço Nacional de Meteorologia) disse que a queda de neve deveria parar por volta do meio-dia no norte do Texas, mas que as baixas temperaturas, entre -6º e 1ºC, devem seguir por mais alguns dias em toda a região.

    Boneco de neve decorado com colar e garrafa em referência à festa de carnaval Mardi Gras, em Forth Worth, no Texas – Ron Jenkins – 16.fev.21/AFP

    A entidade emitiu alertas, pois a tempestade deve seguir na direção da Virgínia e da Carolina do Norte na noite desta quarta e afetar, ao todo, até 100 milhões de pessoas na área central do país. Além do Texas, estados como Louisiana, Arkansas e Mississippi deverão ter grandes acúmulos de gelo, o que dificulta a circulação nas ruas e estradas.

    Até agora, ao menos 21 pessoas morreram no país por conta desta onda de frio —a maioria por acidentes nas vias ou em tentativas de se aquecer. Em Houston, uma mulher e uma criança morreram por intoxicação por monóxido de carbono. Elas entraram em um carro, com motor ligado, dentro de uma garagem, em busca de calor.

    Laura Nowell, 45, tem quatro filhos, mora em Waco, no interior do Texas, e está sem eletricidade desde segunda (15). Para se manter aquecida, tem buscado correr dentro de casa e ficar dentro do carro, por curtos períodos. “Nós nunca tivemos tanto frio. Há gelo em todo lugar”, disse ela, à agência Reuters.

    Nem o governo local nem as empresas dão previsões claras sobre a volta da energia. Há a expectativa de que os sistemas voltem a funcionar até o fim da semana. A companhia Ercot, que opera no Texas, disse que está fazendo rodízios controlados para dar conta da alta demanda.

    Tempestades de neve são raras no Texas. Por conta disso, suas companhias não estavam preparadas para lidar com frio extremo, e a produção energética acabou prejudicada em um momento de alta demanda, pelo uso de aquecedores domésticos.

    Em Austin, uma das áreas mais atingidas pela falta de energia, foram criados “centros de aquecimento” em escolas, para que as pessoas pudessem buscar abrigo caso suas casas estejam frias demais.

    A falta de energia afeta a produção de petróleo e derivados, setor forte no sul do país. Cerca de um quinto de todas as refinarias dos EUA está fora de operação. Houve queda também na extração de petróleo —de 1 milhão de barris por dia— e de gás natural. O gás responde por 50% da geração de energia elétrica do Texas.

    Especialistas apontam que levará alguns dias para que os equipamentos do setor de energia possam ser religados, pois será preciso fazer avaliações e eventuais reparos. O mau tempo também levou ao fechamento de portos, incluindo Houston e Galveston, o que trava as cadeias de suprimentos.

    Estrada fechada pela neve em Madison, no estado americano do Mississipi
    Estrada fechada pela neve em Madison, no estado americano do Mississipi Barbara Gauntt/Clarion-Ledger/Reuters

    O Texas é o único estado continental dos Estados Unidos que tem uma rede de energia própria, desconectada dos vizinhos, o que impede manobras para enviar rapidamente energia de outros estados.

    A crise gerada pelo frio fez o presidente Joe Biden declarar emergência na segunda-feira e liberar assistência federal para o Texas e outros estados que enfrentem problemas por conta da nevasca.

    A temperatura abaixo da média também gera problemas em campos de imigrantes no México, perto da fronteira. Estrangeiros que esperam a resposta para pedidos de asilo nos EUA relatam que estão sofrendo com as baixas temperaturas, porque as tendas não são aquecidas e a maioria deles não possui roupas adequadas.

    “Tudo congelou. A água com que cozinhamos, até as roupas ficaram duras de gelo”, conta Roberto Manuel, 43, que veio da Nicarágua e está em um campo em Matamoros, ao lado da fronteira, com outros cerca de mil estrangeiros. No México, ao menos seis pessoas já morreram por conta do frio, sendo quatro delas em Monterrey.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/02/falta-de-energia-por-conta-do-frio-continua-e-afeta-producao-de-petroleo-no-texas.shtml

    Questão

    O uso dos combustíveis fósseis e suas consequências sobre comportamento climático permite uma interessante observação na notícia. Analise.

    Explique a ocorrência de bacias petrolíferas do Estado do Texas.

    Prof Luciano Mannarino

  • Indústria de chips dos EUA pede que administração Biden financie fábricas

    Indústria de chips dos EUA pede que administração Biden financie fábricas

    Pandemia levou a distorção na cadeia produtiva, que paralisou produções da Ford Motor e General Motors

    11.fev.2021 às 15h13

    REUTERS

    Um grupo de empresas de chips dos EUA enviou nesta quinta-feira (11) uma carta ao presidente Joe Biden pedindo “financiamento substancial para incentivos à fabricação de semicondutores” como parte de seus planos de recuperação econômica e infraestrutura.

    Os presidentes-executivos das principais empresas americanas, entre elas Intel, Qualcomm, Micron Technology e Advanced Micro Devices, assinaram a carta.

    Isso ocorre no momento em que uma escassez global de chips paralisou as linhas de fábrica da Ford Motor e General Motors, com executivos das montadoras prevendo perda de bilhões de lucros. O estoque apertado de chips tornou ainda mais difícil para os consumidores comprar consoles de jogos populares, como o Xbox, da Microsoft, e o Playstation, da Sony.

    Linha de produção da montadora de caminhões Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, grande São Paulo – Bruno Santos – 18.mai.2020/Folhapress

    Os chips que faltam são fabricados principalmente em países como Taiwan e Coreia do Sul, que passaram a dominar o setor. A carta, enviada pela Semiconductor Industry Association, dizia que a participação dos Estados Unidos na fabricação de semicondutores caiu de 37% em 1990 para 12% hoje.

    “Isso ocorre principalmente porque os governos de nossos concorrentes globais oferecem incentivos e subsídios significativos para atrair novas instalações de fabricação de semicondutores, enquanto os Estados Unidos não”, disse o grupo.

    O Congresso autorizou no ano passado subsídios para fabricação de chips e pesquisa de semicondutores, mas os parlamentares ainda precisam decidir quanto financiamento fornecer. O grupo de chips dos EUA instou Biden a fornecer esse financiamento na forma de doações ou créditos fiscais.

    “Trabalhando com o Congresso, sua administração agora tem uma oportunidade histórica de financiar essas iniciativas para torná-las realidade”, escreveu o grupo. “Acreditamos que uma ação ousada é necessária para enfrentar os desafios que enfrentamos. Os custos da inação são altos.

    https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/02/industria-de-chips-dos-eua-pede-que-administracao-biden-financie-fabricas.shtml

    INDÚSTRIA E SEUS FATORES LOCACIONAIS (vídeo e atividades)

  • Antes da avalanche no Himalaia, Índia ignorou alertas sobre riscos

    Antes da avalanche no Himalaia, Índia ignorou alertas sobre riscos

    Cientistas avisaram que ecossistema estava fragilizado demais para suportar grandes projetos de desenvolvimento

    9.fev.2021 às 23h15

    NOVA DÉLI | THE NEW YORK TIMES

    Muito antes de as inundações chegarem, arrastando centenas de pessoas e destruindo pontes e barragens recém-construídas, os sinais de perigo já estavam claros.

    A cordilheira do Himalaia vem esquentando em velocidade alarmante há anos, derretendo gelo contido por milênios em geleiras, no solo e nas rochas e elevando o risco de enchentes e deslizamentos de terra devastadores.

    Cientistas avisaram que os moradores das proximidades corriam risco e que o ecossistema da região estava fragilizado demais para suportar grandes projetos de desenvolvimento.

    O governo indiano, porém, passou por cima das objeções de especialistas e dos protestos da população local, explodindo rochas e construindo hidrelétricas em áreas voláteis como aquela onde ocorreu a avalanche no domingo (7), no estado de Uttarakhand, no norte do país.

    Enchente no vilarejo de Chamoli, em Uttarakhand, na Índia – Reuters

    Autoridades informaram na segunda (8) que foram recuperados os corpos de 26 vítimas, enquanto as buscas por quase 200 desaparecidos continuam. Uma enxurrada de água e destroços desceu pelos vales montanhosos íngremes do rio Rishiganga, aniquilando tudo em seu caminho. As vítimas eram, em sua maioria, operários nas obras de hidrelétricas.

    Moradores de vilarejos disseram que as autoridades responsáveis pelos projetos de desenvolvimento da região não os prepararam para o que estava por vir, difundindo um falso senso de confiança de que não aconteceria nada.

    “O governo não ofereceu ao vilarejo nenhum programa ou treinamento para administrar um desastre”, disse Bhawan Singh Rana, chefe do vilarejo de Raini, um dos mais que sofreu os maiores impactos. “Nosso vilarejo está em cima de rochas. Nosso medo é que elas possam deslizar a qualquer momento.”

    As forças de segurança direcionaram seus esforços para um túnel onde 30 pessoas estariam presas, e alimentos foram lançados pelo ar para 13 vilarejos cujas estradas de acesso foram bloqueadas e onde há 2.500 pessoas isoladas.

    Vista do local onde membros da Força Nacional conduziram a operação de resgate, depois que a geleira se rompeu
    Vista do local onde membros da Força Nacional conduziram a operação de resgate, depois que a geleira se rompeu – Anushree Fadnavis/Reuters

    A devastação das inundações em Uttarakhand voltou a chamar a atenção para o frágil ecossistema do Himalaia, onde milhões de pessoas estão sentindo o impacto do aquecimento global.

    O Banco Mundial avisou que a mudança climática pode prejudicar gravemente as condições de vida de até 800 milhões de pessoas no sul da Ásia. Mas os efeitos já estão sendo sentidos, frequentemente de modo letal, em grandes extensões na cordilheira do Himalaia, do Butão ao Afeganistão.

    A região tem cerca de 15 mil geleiras, e elas estão recuando entre 30 e 60 metros por década. O gelo derretido expande ou cria milhares de lagos glaciais que podem romper repentinamente a barreira de gelo e os escombros rochosos que as contêm, provocando inundações catastróficas.

    Grande número de lagos glaciais no Nepal, Butão, Índia e Paquistão já foi classificado como um perigo iminente pela entidade intergovernamental Centro Internacional de Desenvolvimento Montanhoso Integrado.

    O Nepal é especialmente vulnerável ao problema; a mudança climática vem forçando vilarejos inteiros no país a migrar para terras mais baixas para poderem sobreviver à crise hídrica crescente. Inundações imprevistas e mortíferas vêm ocorrendo com mais frequência, algumas delas causadas pelo rompimento de barreiras de lagos glaciais.

    Cientistas já lançaram avisos reiterados de que a construção de projetos de desenvolvimento na região é uma aposta de alto risco, com potencial para agravar a situação.

    Ravi Chopra, diretor do Instituto de Ciência Popular, em Uttarakhand, disse que um grupo de especialistas criado pelo governo em 2012 recomendou que não fossem construídas barragens na bacia de Alaknanda-Bhagirathi, que abrange o rio Rishiganga.

    Chopra fez parte de um comitê de cientistas nomeados pela Suprema Corte da Índia em 2014 e que também desaconselhou a construção de barragens na chamada “zona paraglacial”, que ele descreveu como uma área em que o chão do vale fica a mais de 2.100 metros acima do nível do mar.

    “Mas o governo optou por construir as barragens mesmo assim”, ele disse. As duas hidrelétricas atingidas pela inundação do domingo foram construídas nessa zona. Uma delas foi completamente destruída e a outra, gravemente danificada.

    O Everest, no Nepal, é a montanha mais alta do mundo e já foi escalado por mais de 2.000 pessoas
    Everest recebe uma maratona em 29 de maio de 2014
    Everest recebe uma maratona em 29 de maio de 2014 Himex – 29.mai.2014

    O cientista D.P. Dobhal, ex-funcionário do Instituto Wadia de Geologia do Himalaia, pertencente ao governo, disse: “Quando construímos projetos no Himalaia como hidrelétricas, estradas ou ferrovias, os dados de estudos das geleiras nunca são incluídos ou levados em conta nos relatórios detalhados dos projetos”.

    O governo está construindo mais de 800 km de rodovias em Uttarkhand para melhorar o acesso a vários importantes templos hindus, apesar das objeções de ambientalistas ao desmatamento maciço necessário, que pode acelerar a erosão e aumentar a possibilidade de deslizamentos de terra.

    Um comitê nomeado pela Suprema Corte da Índia e chefiado por Chopra concluiu no ano passado que, ao construir a rodovia com largura de 10 metros, o governo contrariou a recomendação de seus próprios especialistas do ministério dos Transportes.

    O governo argumentou que uma rodovia mais larga garante mais dividendos econômicos e é necessária para o potencial envio de equipamentos militares de grande porte para a fronteira disputada com a China.

    Quando a Suprema Corte decidiu que a rodovia não poderia passar de 5,5 metros de largura, centenas de hectares de floresta e dezenas de milhares de árvores já haviam sido derrubadas, segundo reportagem do site de notícias indiano The Scroll.

    “Quando você tem especialistas de seu próprio ministério lhe dizendo que as estradas na região do Himalaia não podem ter uma superfície asfaltada de mais de 5,5 metros de largura, e então você passa por cima das recomendações deles, é um problema sério”, disse Chopra. “A não ser que os tribunais estudem a possibilidade de punir e responsabilizar autoridades pessoalmente, acho que a situação não vai mudar.”

    Trivendra Singh Ranwat, ministro chefe de Uttarakhand, disse que as inundações não devem ser vistas como “razão para construir uma narrativa antidesenvolvimentista”.

    Bandeiras budistas de oração no acampamento-base de Annapurna, no Nepal; o guia de montanha e fotógrafo Edson Vandeira, 29, visitou o país pela primeira vez entre abril e maio desse ano
    Bandeiras budistas de oração no acampamento-base de Annapurna, no Nepal; o guia de montanha e fotógrafo Edson Vandeira, 29, visitou o país pela primeira vez entre abril e maio desse ano Edson Vandeira

    “Reitero o compromisso de nosso governo em desenvolver as montanhas de Uttarakhand de maneira sustentável”, disse Rawat no Twitter. “Faremos tudo e passaremos por cima de todos os obstáculos para garantir que essa meta seja alcançada.”

    O vilarejo de Reini ficava em uma das áreas mais atingidas no domingo, quando a hidrelétrica de Rishiganga, de 13 megawatts, foi totalmente destruída. Depois da enxurrada, cem dos 150 moradores do povoado passaram a noite ao relento.

    “Não dormimos nas nossas casas, temendo que venha mais água, que as rochas sejam deslocadas, que alguma coisa mais perigosa aconteça”, disse Rana, o chefe do vilarejo. “Levamos nossas cobertas para a floresta, fizemos algumas fogueiras e passamos a noite assim.”

    Nos anos 1970 a área foi palco de um protesto ambientalista contra o desmatamento, algo que estampou as manchetes dos noticiários. Manifestantes, muitas delas mulheres, abraçavam árvores para impedir que fossem derrubadas. O movimento ficou conhecido como “chipko”, ou abraço.

    Rana disse que os moradores da vila também fizeram protestos contra a construção da hidrelétrica de Rishiganga, que começou a gerar eletricidade no ano passado. Chegaram a mover ações judiciais, mas isso não surtiu efeito. Eles temiam que a explosão de rochas provocasse deslizamentos de terra com efeitos fatais.

    “Ouvíamos explosões e víamos as rochas se movendo”, disse. “Quando esta hidrelétrica estava sendo construída, metade de nosso vilarejo foi levado num deslizamento. Pedimos para ser transferidos para outro local. O governo disse que faria isso, mas não aconteceu nada.”

    Tradução de Clara Allain

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/02/antes-da-avalanche-no-himalaia-india-ignorou-alertas-sobre-riscos.shtml

    Prof Luciano Mannarino

    O que é uma Cadeia de Montanha?

    TEORIA DA DERIVA CONTINENTAL (VÍDEO)

    Terremotos!

    ACORDO DE PARIS É SINAL DOS TEMPOS

    China e Índia se acusam de violar cessar-fogo em fronteira no Himalaia