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  • JURANDYR ROSS: OS TRÊS BRASIS

    JURANDYR ROSS: OS TRÊS BRASIS

    Geógrafo paulista propõe uma síntese das três realidades ambientais, sociais e econômicas do país. (foto – Léo Ramos Chaves)

    Jurandyr Ross

    Idade 73 anos
    Especialidade Geomorfologia
    Instituição Universidade de São Paulo (USP)
    Formação Graduação em Geografia (1972), mestrado (1982) e doutorado (1987) pela USP
    Produção 45 artigos e 8 livros

    Por Carlos Fioravanti

    No escritório de seu apartamento, entre paredes cobertas de mapas, o geógrafo Jurandyr Luciano Sanches Ross redescobriu o Brasil à medida que examinava dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com colegas de outros estados. O que emergiu foram na verdade três Brasis: o que denominaram o Brasil da natureza, com grandes áreas verdes; o do semiárido, no sertão nordestino; e o de maior atividade econômica, ligada principalmente à agropecuária. “Provavelmente esse é meu último grande trabalho”, diz ele, aos 73 anos.

    Especialista em geomorfologia, estudo das formas de relevo e suas origens, Ross lançou na década de 1980 um mapa do relevo brasileiro. Elaborado com base nas informações do Projeto RadamBrasil, que ele integrou, seu trabalho sucedeu as versões dos geógrafos Aroldo de Azevedo (1910-1974), de 1949, e Aziz Ab’Saber (1924-2012), da década de 1960.

    Nascido em Promissão, noroeste paulista, e crescido em Rolândia, no Paraná, mudou-se para São Paulo na década de 1960. Viúvo, duas filhas (uma engenheira eletrônica e outra dentista), três netos, ele concedeu a entrevista a seguir por videoconferência em fevereiro.

    Mapas resultantes do projeto de pesquisa sobre ordenamento territorial no Brasil coordenado por Ross

    Em que você está trabalhando?
    Coordeno um projeto de três anos para estudar o ordenamento territorial do Brasil, o modo pelo qual o território do país está organizado. Esse trabalho, com financiamento do CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico], envolve minha equipe do Laboratório de Geomorfologia da USP, colegas da Universidade Estadual de Londrina, das universidades federais da Paraíba e de Uberlândia e um sociólogo do Ministério da Economia. Já produzimos muitos dados e adquirimos uma noção mais clara de quem somos nós, sob a perspectiva de uso do território nacional.

    O Brasil tem plano de ordenamento territorial?
    Tivemos a partir de 1993, em consequência da Rio-92, que levou a uma política de Estado e à criação do Ministério do Meio Ambiente, de unidades de conservação, principalmente na Amazônia, dos zoneamentos ecológico-econômicos em alguns estados e regiões, dos planos de gestão de recursos hídricos e dos planos diretores municipais, até 2002. Então começou outra política territorial e o Ministério do Meio Ambiente se tornou periférico. O ordenamento deixou de ser algo importante.

    E por que é importante?
    Porque ajuda a não serem feitas coisas erradas no uso e ocupação das terras. A primeira tarefa de um plano de ordenamento territorial é entender as áreas mais ou menos favoráveis para agricultura ou pecuária e as que não devem ser mexidas ou convertidas em agricultura ou pecuária. Dizem que o Brasil não precisa desmatar, e não precisa mesmo, porque tem muita terra subaproveitada. Mas que terras são essas, onde estão, com que tipo de relevo e de solo? Tem de saber se é favorável a algum uso econômico ou não. A ocupação do território brasileiro é espontânea, feita por quem compra e incorpora as terras. Andei por Parauapebas, no leste do Pará. Só se vê pastagem e nada de árvore. Quase ninguém deixou os 50% da área com vegetação nativa e as matas ciliares, obrigatórias por lei; agora a reserva legal é 80% da área. Participei da finalização do plano de zoneamento ecológico de Rondônia, que terminou em 2000. Ficaram definidas em torno de 10 áreas para diferentes tipos de ocupação ou preservação, mas o plano se perdeu ou não foi aplicado adequadamente. Hoje resta muito pouco de floresta, só mesmo em unidade de conservação. A maior parte do estado foi ocupada com café, banana, cacau e principalmente pasto.

    O que estão vendo agora?
    Focamos no Brasil rural e examinamos a agricultura, silvicultura, pecuária e mineração. Pensamos em fazer um levantamento das condições atuais do uso e da ocupação da terra, com base nos dados estatísticos do IBGE na escala municipal e os mapas do MapaBiomas Brasil [organização não governamental que acompanha as mudanças da cobertura da vegetação nativa e do uso do solo no país] sobre desmatamento e outras questões ambientais. Os mapas representam os 5.570 municípios brasileiros. Por exemplo, conseguimos ver por onde a soja caminha, desde que começou a ser cultivada no Rio Grande do Sul e em São Paulo nas primeiras décadas do século XX. Agora já está no Maranhão e no Piauí, quase chegando ao mar. A cana-de-açúcar está em São Paulo, mas também no Triângulo Mineiro, em Goiás e no noroeste do Paraná.

    E no Nordeste?
    A cana não está mais tão forte em Pernambuco, mas em Alagoas. Os tabuleiros de Pernambuco não são planos e grandes como os de Alagoas. A mecanização do plantio e corte da cana precisa de relevo plano. O relevo é fundamental na agricultura tanto quanto o solo e o clima, por conta da mecanização. Em outro mapa, ao examinar o PIB dos municípios por atividade econômica predominante, vimos que na Amazônia e sobretudo no semiárido a principal renda é o dinheiro público enviado às prefeituras e a pessoas, por meio das aposentadorias, do Bolsa Família e de outros benefícios sociais. Há dois anos estive no sertão do Ceará e fiquei assustado. Porque os jovens em grande parte saíram e continuam saindo do campo, ficando na zona rural principalmente os mais velhos, que recebem aposentadoria rural ou Bolsa Família, cuidam dos animais e fazem pequenas roças de feijão, milho e mandioca. Já o PIB per capita é mais alto na região Sudeste, sem o norte de Minas, como resultado do agronegócio, da atividade industrial e dos serviços. Estou mostrando esses mapas, originais, para falar do que chamamos de três Brasis, ou unidades de ordenamento territorial, que nossas análises revelaram.

    Quais são os três Brasis que vocês propõem?
    Um é o da natureza, outro do semiárido e o terceiro, o economicamente produtivo. O primeiro tem extensa área de terras preservadas e grande biodiversidade, mas é permanentemente ameaçado por causa da expansão, principalmente da pecuária. A área cobre a Amazônia, o Pantanal, o rio Araguaia e a faixa costeira, com a serra do Mar. Em situação oposta está o semiárido. Não é o Nordeste todo, mas uma área de restrição climática muito forte. Enquanto a ocupação na Amazônia é de baixa densidade e receptora de migrantes, o semiárido é o resultado de 500 anos de ocupação com êxodo de população. Quando a cana ocupou o litoral, o semiárido foi tomado com a pecuária. Existe hoje lá um esvaziamento ou estagnação demográfica. O terceiro Brasil é essencialmente o da produção agropecuária e atividades industriais com destaque para agroindústrias e indústrias sucroenergéticas, concentrada no Centro-Oeste, oeste da Bahia, do Maranhão, do Piauí, do sul e leste da região Norte, toda a região Sudeste e Sul e a faixa costeira brasileira, desde o Nordeste oriental até o Rio Grande do Sul. É o Brasil que gera mais empregos e renda nos três segmentos da economia: indústria, agropecuária e serviços.

    O que chamamos de três Brasis são realidades muito diferentes, que exigem abordagens distintas

    O que você pensou vendo essas diferenças?
    São realidades completamente diferentes, em biodiversidade, geodiversidade, que revelam problemas estruturais e exigem abordagens distintas. No semiárido, uma área de esvaziamento ou estagnação demográfica, temos de questionar: “Vamos deixar todo mundo ir embora e pronto?”. O ideal é que se comece a gerar mais renda e emprego, com uma economia mais dinâmica.

    E a Amazônia?
    Em 2019, fui dar um curso em Parintins, a leste de Manaus. Depois saímos de barco. Em um dos pontos em que paramos vivia uma família com a casa no terraço do rio. Perguntei para o homem da casa, devia ter uns 60 anos, do que ele vivia. Ele respondeu: “Ainda tenho algumas vacas, que comem o capim da várzea. Tiro leite, faço queijo e vendo o bezerro”. Ele tinha reduzido o número de vacas porque estava dando mais atenção a uma roça de guaraná na floresta, em sistema agroflorestal. Ele vendia a R$ 15 o quilograma da semente de guaraná, um valor três vezes mais alto que o do quilograma do bezerro. “E eu trabalho muito menos que com as vacas”, ele falou. “Porque praticamente é só manter a área limpa e colher as sementes.” A floresta tem solução, que não pode ser derrubar árvore para plantar pasto.

    O que vocês pretendem fazer com esses mapas?
    Vamos terminar o relatório, que já está com 900 páginas de mapas e textos. Queremos discutir essas informações com colegas da universidade, com gente do governo, com políticos, com o máximo de pessoas, de qualquer área. Queremos que essas informações sejam úteis para o país.

    Mapas resultantes do projeto de pesquisa sobre ordenamento territorial no Brasil coordenado por Ross

    Esse é o grande trabalho da sua carreira?
    Provavelmente é o meu último grande trabalho. Os outros foram o mapa de relevo do Brasil, na década de 1980, o mapa geomorfológico do estado de São Paulo, no final dos anos 1990 [ver Pesquisa FAPESP n° 35], com financiamento da FAPESP, e o mapa geomorfológico da América do Sul, concluído em 2019 [ver Pesquisa FAPESP n° 246]. Fiz muitas orientações tecnocientíficas em projetos de zoneamento ecológico-econômico, que determinam as áreas a serem ocupadas com atividades econômicas e as que devem ser preservadas, no litoral do Paraná e nos estados do Paraná e de Mato Grosso, na bacia do Alto Paraguai e no Tocantins.

    Por que resolveu fazer o mapa de relevo do Brasil?
    Quando estava no curso de geografia, dei aula em escolas e ficava agoniado quando tinha de ensinar coisas ultrapassadas sobre o relevo brasileiro. Eu já conhecia uma parte do Brasil. Nas férias de janeiro, saía com algum amigo e viajávamos de carona em caminhão. Fomos até a Argentina, Uruguai, sul do Brasil, Goiás e Mato Grosso, para o Pantanal, depois para o Nordeste. Terminei a graduação e resolvi fazer mestrado em geomorfologia. Na metade do mestrado, surgiu a possibilidade de fazer geomorfologia para o RadamBrasil. Foi onde eu me firmei profissionalmente como geógrafo.

    O que era o projeto Radam?
    O Radam foi um grande levantamento dos recursos naturais, entre os quais o do relevo brasileiro, que começou em 1970. Fui trabalhar para o Ministério de Minas e Energia, que administrava o projeto através do DNPM [Departamento Nacional de Produção Mineral]. Enquanto o Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais] usava imagens de satélites, o Radam produzia os mapeamentos temáticos de geologia, geomorfologia, solos, vegetação e clima usando imagens de radar, mais fáceis de trabalhar porque as micro-ondas do radar atravessam as nuvens, que assim não atrapalham o levantamento. O trabalho começou pela Amazônia e por isso se chamava projeto Radam, de Radar da Amazônia, depois é que virou RadamBrasil. Nessa época o governo era muito cobrado porque não se conhecia direito o território e precisava mapear os recursos naturais. Eu morava com minha família em Goiânia e trabalhei no Radam de 1977 até 1983, na região centro-oeste e sul da Amazônia.

    Dei aula em escolas e ficava agoniado quando tinha de ensinar coisas ultrapassadas sobre o relevo

    Como era o trabalho de campo?
    Tínhamos as imagens de radar, com um pouco menos de 1 metro de comprimento, feitas por sobrevoos de avião, que mostravam basicamente as rugosidades do relevo. Íamos a campo para identificar as formas de relevo, a geologia, os tipos de solo e de vegetação. Viajávamos por terra, com uma Ford Willys, ou com avião bimotor em voo baixo, a 200 metros de altitude, fazendo ziguezague sobre a área objeto do mapeamento. As saídas eram longas, de 25 a 30 dias, tínhamos de dormir em rede, em barraca ou em hotelzinho de beira de estrada. Acampar ou amarrar a rede, era uma delícia, eu adorava. Fotografávamos tanto em terra como no ar, com helicóptero e avião, usávamos aqueles gravadores grandões, depois transcrevíamos e detalhávamos os mapas. Trabalhei em três grandes áreas em Goiás e no atual Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Triângulo Mineiro. Cada área era coberta com 16 folhas de imagens de radar. Cada folha, no corte internacional ao milionésimo, na escala de 1 para 1 milhão, tinha 16 mapas na escala 1 para 250 mil, portanto 48 mapas nessas três áreas, para cada tema de pesquisa.

    Por que você resolveu sair do Radam e entrar na USP?
    Meu orientador do mestrado e doutorado, Adilson Avansi de Abreu, me alertou para o fato de que o Radam acabaria um dia e que eu deveria terminar o mestrado e buscar outro trabalho. Segui o conselho dele e terminei. Depois ele me avisou de um concurso na USP, para preencher a vaga do Ab’Saber, que tinha se aposentado. Comecei na USP em janeiro de 1983 e aos poucos vi o que poderia fazer. Refiz meu projeto de doutorado para aproveitar o material do Radam e examinar uma província serrana interessante, próxima a Cuiabá. Ao mesmo tempo comecei a dar aulas para a graduação. Montei uma disciplina extracurricular para os alunos interessados em imagem de radar. O laboratório de geomorfologia do Departamento de Geografia da USP tinha o acervo completo das imagens do Radam, que o Ab’Saber havia pedido antes de se aposentar. Essas aulas viraram uma disciplina optativa e me estimularam a fazer duas coisas, que me tomaram os 10 anos seguintes. A primeira foi a síntese do relevo brasileiro e a segunda o mapa geomorfológico do estado de São Paulo, os dois com base em imagens de radar e nos relatórios do RadamBrasil. Ambos foram praticamente uma continuidade do que se fazia no Radam, agora no Laboratório de Geomorfologia do Departamento de Geografia da USP.

    Em seu mapa de relevo do Brasil, quais as inovações em relação ao que Aroldo de Azevedo e Ab’Saber tinham feito?
    Eram enfoques diferentes. Aroldo de Azevedo valorizou as diferenças de altitudes do relevo e fez um mapa apenas com planaltos e planícies, foi um desenho, uma figura de ilustração. Ab’Saber fez o mapa dos chamados domínios morfoclimáticos, unindo vegetação e relevo. Eu explorei as macroformas. Uma das inovações foi a incorporação das depressões, os corredores rebaixados entre os planaltos, já conhecidas desde a década de 1930, só não haviam sido ainda mapeadas. O RadamBrasil identificou as depressões, de Norte a Sul. Trabalhei nisso por três anos e o mapa saiu em 1989, publicado na Revista do Departamento de Geografia, aqui da USP, em 1990.

    Ross entre gêiseres nos Andes 2015 (Acervo pessoal)

    Quando o apresentou aos seus colegas?
    Um ano antes no simpósio de geografia física no Rio de Janeiro, em 1989. Estavam lá ex-colegas do Radam, que havia sido extinto quatro anos antes. Havia umas 300 pessoas assistindo, os congressos ainda eram pequenos e todos viam tudo. Depois da apresentação, meu ex-chefe perguntou: “Mas de onde você tirou esses conceitos de morfoestrutura e morfoescultura?”. Falei que vinha do meu aprendizado do doutorado, seguindo um conceito de alemães e russos que trabalham o relevo com duas perspectivas, a estrutural, que vem de dentro para fora, como os movimentos tectônicos, e a escultural, de fora para dentro, como o desgaste erosivo. E ele: “Legal, gostei”. O mapa chegou ao público não especializado por meio de reportagens nas revistas Nova Escola e Veja. Depois saiu no livro Geografia do Brasil (Edusp, 1996), que coordenei, e as editoras começaram a incorporá-lo em livros didáticos.

    Você também foi consultor para a construção de hidrelétricas nos rios Xingu, Madeira, Iguaçu e Uruguai. Como foi essa experiência?
    Foi no final da década de 1980, quando começou a aplicação dos EIA-Rimas [estudos e relatórios de impacto ambiental] e havia um plano nacional da Eletrobras para implantar hidrelétricas, até 2010, em todos os rios da Amazônia oriental, porque os do lado ocidental não têm caimento suficiente. O Projeto Radam já tinha indicado algumas possibilidades. Fui chamado para ensinar ex-alunos e estagiários que trabalhavam nas empresas contratadas a usar imagens de radar para fazer mapeamento e análise geomorfológica. Eu ajudava nos mapas e relatórios.

    As saídas do Radam eram longas, de 25 a 30 dias, tínhamos de dormir em rede. Uma delícia, eu adorava

    Se você pudesse entrar agora em um helicóptero e o piloto perguntasse “vamos para onde?”, que lugares escolheria para revisitar ou conhecer?
    Vou ser pragmático, estou precisando fazer um sobrevoo na Chapada Diamantina, na Bahia. Nunca estive lá e estou orientando um doutorado sobre essa região. É um lugar muito interessante porque entre os relevos montanhosos há superfícies baixas e planas, com um clima de transição do Cerrado para a Caatinga, solo fértil e uma intensa agricultura irrigada. Tenho muita curiosidade de conhecer esse lugar.

    Você conhece todos os estados brasileiros?
    Sim, embora não conheça todos inteiros. Já fui de Macapá até Oiapoque por estrada; de Boa Vista, Roraima, até Pacaraima, na divisa da Venezuela. Em maio de 2019 quase morri subindo a serra do Caparaó, na divisa de Minas Gerais com Espírito Santo. Durante a pandemia só tenho ido a uma casa que tenho em Boituva. Espero recomeçar a viajar assim que tiver tomado a vacina contra a Covid-19.

    https://revistapesquisa.fapesp.br/autor/fioravanti/

    Questões

    Aqui estão algumas questões bem elaboradas sobre o texto:

    Sobre a trajetória de Jurandyr Luciano Sanches Ross:

      Como a experiência de Ross no Projeto RadamBrasil influenciou sua carreira como geógrafo? Cite exemplos específicos de como esse projeto contribuiu para seu desenvolvimento profissional.

      Divisão do território brasileiro:

        O conceito dos “três Brasis” é central no trabalho de Ross. Explique como ele define essas três divisões e discuta a importância de cada uma para o entendimento do ordenamento territorial do Brasil.

        Planejamento territorial e sustentabilidade:

          Por que, segundo Ross, o planejamento territorial é importante para o Brasil? Quais são os principais desafios enfrentados na implementação de um ordenamento territorial adequado?

          Impactos da agricultura e pecuária no Brasil:

            Como a expansão da agricultura, particularmente a soja e a cana-de-açúcar, afeta diferentes regiões do Brasil, de acordo com o relato de Ross? Analise a importância do relevo na mecanização da agricultura.

            Mudanças sociais e econômicas no semiárido nordestino:

              O que Ross identificou como principais mudanças demográficas e econômicas no semiárido? Como essas transformações afetam a população e a estrutura econômica da região?

              Amazônia e sustentabilidade:

                Ross menciona uma experiência pessoal em Parintins, onde um agricultor passou a focar no cultivo de guaraná em vez da criação de gado. Como essa mudança reflete o potencial da Amazônia para uma economia sustentável? Quais são as principais lições que podem ser extraídas dessa história?

                Contribuições científicas de Ross:

                  Além do mapa de relevo do Brasil, Ross menciona outros projetos importantes que marcaram sua carreira. Escolha um desses projetos e explique sua relevância para o estudo da geomorfologia no Brasil.

                  Geografia física e relevância das macroformas:

                    Qual foi a principal inovação introduzida por Ross em seu mapa de relevo do Brasil em comparação aos trabalhos anteriores de Aroldo de Azevedo e Aziz Ab’Saber? Como a inclusão das depressões no mapa contribui para um melhor entendimento do relevo brasileiro?

                    Relação entre geografia e políticas públicas:

                      Como o trabalho de Ross pode influenciar políticas públicas no Brasil, especialmente em relação à ocupação do solo e à preservação ambiental? Dê exemplos de como mapas e zoneamentos ecológico-econômicos podem ser utilizados em decisões governamentais.

                      A importância dos dados do IBGE e MapaBiomas:

                      Ross utiliza dados do IBGE e do MapaBiomas em seu trabalho. Qual é a importância desses dados para a análise e compreensão do uso e ocupação do território brasileiro?

                        Essas questões abordam tanto os aspectos técnicos da carreira de Ross quanto as implicações de suas pesquisas no contexto social e ambiental do Brasil.

                        Prof Luciano Mannarino

                        A formação do Território Brasileiro (EM13CHS204)

                      1. Brasil eleva participação mundial no agro nesta década

                        Brasil eleva participação mundial no agro nesta década

                        Projeção americana vê brasileiros mais bem posicionados em carnes e em grãos

                        17.fev.2021 às 23h15

                        Esta vai ser mais uma década favorável ao Brasil. O Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) fez as projeções agropecuárias para os próximos dez anos, e os dados mostram uma certa acomodação dos americanos no cenário mundial, mas um bom avanço dos brasileiros.

                        Após a pandemia, haverá uma retomada do crescimento mundial, abrindo espaço ainda maior para a agropecuária. O bom crescimento das exportações agrícolas será capitaneado pelos países em desenvolvimento, que serão responsáveis por 80% da nova demanda por alimentos.

                        Esses países terão uma população mais urbanizada e com renda maior. Já os países ricos buscam uma dieta mais controlada e terão participação menor no comércio mundial.

                        Colheita de milho na zona rural de Planaltina, região administrativa do DF

                        Puxado principalmente pelo crescimento da demanda na Ásia, o comercio mundial de carnes deverá crescer 17%, o de milho, 23%, e o de soja, 27% nesta década. Brasil, como grande fornecedor, e China, como grande compradora, terão presenças importantes nesse setor.

                        Soja e milho continuam sendo dois dos principais produtos comercializados no mundo. O comércio mundial de soja, em 2030, será de 219 milhões de toneladas, 31% mais do que o atual. O Brasil participará com 55% desse mercado, segundo o Usda.

                        Os americanos, com participação de 34% nas exportações mundiais de soja atualmente, fornecerão apenas 29% em 2030. O Usda prevê uma exportação brasileira de 122 milhões de toneladas no final desta década. No caso do milho, o Brasil deverá atingir 60 milhões de toneladas em exportações. Com isso, a participação do país sobe, dos atuais 22%, para 26% no mercado mundial. Os americanos, que exportarão 70 milhões de toneladas, terão participação reduzida para 30,5%.

                        Colheita de algodão cresce no Brasil e faz país ser grande vendedor do produto

                        O Brasil vem se tornando um dos principais produtores mundiais de algodão. Na safra 2019/2020, o país deverá atingir o volume de 2,7 milhões de toneladas de pluma. Na imagem: colheita em fazenda no município de Cristalina, interior de Goiás
                        O Brasil vem se tornando um dos principais produtores mundiais de algodão. Na safra 2019/2020, o país deverá atingir o volume de 2,7 milhões de toneladas de pluma. Na imagem: colheita em fazenda no município de Cristalina, interior de Goiás Mauro Zafalon – 30.ago.18/Folhapress

                        O Brasil avança também no setor de algodão. As exportações deverão crescer 4,6% ao ano, asseguradas por aumentos de área e de produtividade. Os americanos continuarão líderes no comércio mundial, mas a participação deles cairá para 32% em 2030, abaixo dos 36% atuais.

                        O Brasil segue firme ainda na produção e na exportação de proteínas, segundo o Usda. A demanda chinesa elevará o comércio mundial de carne bovina para 13 milhões de toneladas, em 2030. O Brasil terá 29% de participação nessas exportações.

                        O mercado mundial de carne suína também será de 13 milhões de toneladas, com a participação brasileira subindo para 1,8 milhão de toneladas, 50% a mais do que atualmente. O país assumirá a terceira posição entre os exportadores, desbancando o Canadá.

                        Líder mundial em exportações de carne de frango, o Brasil deverá elevar ainda mais a sua presença no mercado externo. Fornecerá 5,8 milhões de toneladas no final desta década, volume que somará 34% das necessidades de importações mundiais. O comércio mundial de carne de frango atingirá 17 milhões de toneladas em 2030. Estados Unidos e União Europeia serão o segundo e o terceiro maiores exportadores.

                        Vaivém das Commodities

                        A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

                        https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2021/02/brasil-eleva-participacao-mundial-no-agro-nesta-decada.shtml

                        Questões

                        Quais setores agropecuários brasileiros são projetados para apresentar maior crescimento nas exportações até 2030, segundo o USDA? Explique os fatores que contribuem para esse aumento.

                        Como a urbanização e o aumento da renda nos países em desenvolvimento influenciam a demanda por produtos agropecuários brasileiros no mercado internacional?

                        Compare a participação do Brasil e dos Estados Unidos no mercado mundial de soja e milho conforme as projeções para 2030. Quais são as implicações dessas mudanças para a economia brasileira?

                        De que maneira as projeções apresentadas no texto refletem os processos de globalização e a interdependência econômica entre os países? Dê exemplos específicos mencionados no texto.

                        Considerando o aumento da produção e exportação de commodities como soja, milho e algodão, quais desafios ambientais o Brasil pode enfrentar? Sugira possíveis soluções para mitigar esses impactos.

                        Como a infraestrutura de transportes no Brasil contribui para a competitividade do país no mercado global de commodities agropecuárias, conforme mencionado no texto?

                        Por que a diversificação das exportações agropecuárias é importante para a economia brasileira? Quais são os benefícios e os riscos associados a essa diversificação?

                        Quais políticas públicas podem ser implementadas para apoiar o crescimento das exportações agropecuárias brasileiras, de acordo com as projeções apresentadas no texto?

                        O texto menciona que o Brasil deverá se tornar um dos principais produtores mundiais de algodão. Quais fatores podem influenciar a competitividade do Brasil nesse mercado em relação a outros países produtores?

                        Como o aumento das exportações agropecuárias pode afetar as comunidades rurais no Brasil? Considere aspectos como emprego, renda e desenvolvimento local em sua resposta.

                         

                        Descrição Detalhada dos Códigos Relacionados

                        Código BNCCDescrição da Habilidade/CompetênciaRelação com o Texto
                        EM13GEO5Analisar as dinâmicas econômicas globais e suas inter-relações com o território, compreendendo as transformações no espaço geográfico e as implicações para os sistemas produtivos.O texto discute as projeções agropecuárias do Brasil, destacando a participação no comércio mundial de soja, milho, algodão e carnes, e como essas dinâmicas afetam o território brasileiro.
                        EM13GEO6Compreender os processos de globalização e suas repercussões nas relações econômicas, políticas e culturais, bem como nas dinâmicas territoriais.A análise das exportações brasileiras e a posição do país no mercado global de commodities refletem as interações econômicas dentro do processo de globalização.
                        EM13GEO7Avaliar os impactos das políticas de desenvolvimento econômico sobre os territórios, considerando aspectos sociais, ambientais e culturais.O crescimento das exportações agrícolas brasileiras e o aumento da produtividade envolvem políticas de desenvolvimento que afetam o território, o meio ambiente e as comunidades locais.
                        EM13GEO8Compreender a relação entre infraestrutura de transportes e desenvolvimento econômico das regiões, analisando como a infraestrutura influencia a competitividade e a integração dos mercados.A capacidade de exportação e a participação no comércio global estão intrinsecamente ligadas à infraestrutura logística do Brasil, como portos e rodovias, mesmo que não detalhadas no texto.
                        EM13GEO10Identificar e analisar os impactos ambientais das atividades econômicas, especialmente no setor agropecuário, e propor soluções sustentáveis.O texto menciona o aumento da produção agrícola, que pode ter implicações ambientais como desmatamento, uso intensivo de recursos e sustentabilidade das práticas agrícolas.
                        EM13GEO12Avaliar as diferentes formas de organização socioespacial do território brasileiro, considerando aspectos econômicos, culturais e ambientais.A expansão da agropecuária brasileira e sua inserção no mercado global influenciam a organização socioespacial, afetando regiões produtoras e suas dinâmicas sociais e econômicas.

                        Prof Luciano Mannarino

                      2. Setores da Economia (fotos)

                        Setor Terciário da Economia

                        O setor terciário da economia, também conhecido como setor de serviços, engloba todas as atividades que não estão diretamente envolvidas na produção de bens ou na extração de recursos naturais. Em vez disso, esse setor se concentra na prestação de serviços à população e a outras empresas.

                        Alguns exemplos de atividades do setor terciário incluem:

                        Serviços financeiros: bancos, seguros e investimentos.

                        Educação: escolas, universidades e cursos de formação.

                        Saúde: hospitais, clínicas e consultórios médicos.

                        Comércio: lojas, supermercados e e-commerce.

                        Transporte e logística: empresas de transporte público, carga e logística.

                        Turismo e lazer: hotéis, agências de viagem e atrações turísticas.

                        Serviços profissionais: advogados, contadores e consultores.

                        Esse setor é fundamental para o funcionamento da economia moderna, pois facilita a distribuição de bens e a gestão de recursos, além de contribuir significativamente para o emprego e o desenvolvimento econômico.

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                        Setor Secundário da Economia

                        O setor secundário da economia é responsável pela transformação de matérias-primas em produtos acabados ou semiacabados. Ele engloba todas as atividades industriais e de manufatura que convertem recursos naturais e produtos básicos em bens mais complexos. Esse setor inclui:

                        – Indústria de transformação: fábricas que produzem bens como automóveis, roupas e eletrodomésticos.
                        – Construção: atividades relacionadas à construção de edifícios, estradas e infraestrutura.
                        – Produção de energia: geração de eletricidade e energia a partir de fontes como petróleo, gás e carvão.
                        – Indústria química: fabricação de produtos químicos, medicamentos e plásticos.
                        – Indústria metalúrgica: produção e processamento de metais.

                        O setor secundário é crucial para o desenvolvimento econômico, pois agrega valor às matérias-primas e cria produtos que são utilizados tanto pelo consumidor final quanto por outros setores da economia. Ele também desempenha um papel importante na geração de empregos e no crescimento industrial.

                        Setor Primário

                        O setor primário da economia envolve a extração e produção de recursos naturais diretamente da Terra. Esse setor é a base sobre a qual os outros setores da economia são construídos, fornecendo as matérias-primas essenciais para a manufatura e os serviços. As principais atividades do setor primário incluem:

                        Agricultura: cultivo de plantas e grãos para alimentação e matérias-primas.

                        Pecuária: criação de animais para produção de carne, leite, ovos e outros produtos.

                        Pesca: captura de peixes e outros organismos aquáticos para consumo e comércio.

                        Silvicultura: manejo e extração de madeira e produtos florestais.

                        Mineração: extração de minerais e recursos naturais como carvão, petróleo e metais preciosos.

                        O setor primário é fundamental para a economia, pois fornece os recursos básicos necessários para a produção de bens e serviços nos setores secundário e terciário. Ele também desempenha um papel crucial na segurança alimentar e na provisão de matérias-primas para diversas indústrias.

                         

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