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  • Em MS, ‘brasiguaios’ dominam o maior assentamento de sem-terra do país.

    Em MS, ‘brasiguaios’ dominam o maior assentamento de sem-terra do país.

    Rodrigo Bertolotto

    Do TAB, em Ponta Porã (MS)

    18/01/2022 04h01

    Sempre com belas jovens a tiracolo, Olacyr de Moraes descia do jatinho em Ponta Porã (MS) para vistoriar sua fazenda de 500 km², maior que o território de 17 países reconhecidos pela ONU. A pista particular de aterrissagem do chamado “rei da soja”, maior produtor individual do grão no mundo no final do século 20, é usada agora para secar o milho produzido no maior assentamento sem-terra do país.

    Após a derrocada empresarial de Moraes, a terra foi desapropriada e distribuída a mais de 3.000 famílias, a partir de 2003. O atual distrito de Nova Itamarati quer virar município e possui 17 mil habitantes atraídos por esse simbólico exemplo de reforma agrária no Brasil. O revelador é que 80% deles é de “brasiguaios”, população que migrou para o país vizinho e voltou nos últimos anos.

    O paranaense Djones Ambrust, conhecido como Tigrinho, viveu no Paraguai até os 18 anos. Justo acontecia a Copa do Mundo de 1998 quando ele atravessou a fronteira para se juntar a um acampamento de sem-terra em Naviraí (MS). “Minha família plantava na terra dos outros, e o dinheiro só dava pra pagar as contas. E ainda tinha que conviver com a perseguição e preconceito dos paraguaios. Por isso, vim embora”, conta

    Meses depois, ele se mudou para uma barraca feita de paus e lonas, como tantas outras, em uma fazenda ocupada em Itaquiraí (MS), à beira da BR-163. “Era numa ribanceira, as carretas passavam aceleradas, e o vento rasgava a lona. A gente acordava com o sereno da noite caindo na gente.” Atualmente, tem casa e lote no assentamento Itamarati.

    Em 2000, seus familiares que ficaram na colônia de brasileiros em Canindeyú (Paraguai) avisaram que um grande proprietário estava precisando de gente para a colheita, e Tigrinho atravessou a fronteira de volta — para sua tristeza. “Não gosto nem de lembrar. Era como se tivessem arrasado toda minha infância: eles derrubaram a casa, o pomar e a escola para fazer plantação. O lugar onde eu cresci foi todo empurrado e virou entulho no meio do mato.” Assim como a paisagem, a própria história dessa gente está sendo apagada.

    brasiguaios - José Medeiros/UOL - José Medeiros/UOL
    O paranaense Djones Ambrust, 41, saiu do Paraguai com 18 anos e hoje planta soja orgânica no maior assentamento sem-terra do Brasil.

    Quando as marchas se encontram

    A divisa entre os dois países ganhou o desenho atual há exatos 150 anos. Após dois anos do fim da Guerra do Paraguai (1864-1870), era assinado o tratado bilateral Loizaga-Cotegipe, que estabeleceu os limites entre as nações. Os vencedores ficaram com territórios que antes eram reivindicados pelos derrotados, e começou o avanço de empresas e populações brasileiras que nem sempre obedeceram aos marcos fronteiriços.

    O primeiro mega empreendimento da região foi a extração da erva-mate nativa dos dois países pela Companhia Matte Larangeira, propriedade de Thomaz Larangeira, empresário que fornecera insumos para as tropas imperiais. Com sucessivas concessões e explorando mão de obra indígena, a empresa vendeu chimarrão para os argentinos até os anos 1940.

    brasiguaios - José Medeiros/UOL - José Medeiros/UOL
    Grupo de agricultores brasiguaios presente em reunião no assentamento Itamarati, em Ponta Porã (MS).

    Foi quando começou a “Marcha para o Oeste”, promovida pelo Estado Novo de Getúlio Vargas (1937-1945). Arregimentou-se levas de sulistas para as áreas de fronteira, com desmatamento e lavoura. A partir da década de 1960, o avanço passou a alfândega: o ditador paraguaio Alfredo Stroessner fomentou por seu lado a “Marcha ao Leste”, incentivando a migração de agricultores vizinhos habituados à mecanização.

    Resultado: na década de 1980, 10% dos habitantes do Paraguai eram brasileiros e descendentes — hoje, a porcentagem é 3% (240 mil). Uma das razões dessa diminuição foram os conflitos agrários. Nessa briga, os mais desprotegidos são os pequenos lavradores e empregados rurais brasileiros. O agronegócio verde-amarelo, que chega a ser dono de mais de 50% das terras em áreas fronteiriças, segundo censos econômicos paraguaios, tem conexões políticas na capital, Assunção, e se protege bem mais dos vários movimentos campesinos.

    Brazilians, go home

    “Direto eu ouvia: ‘volta pro seu país’. Isso é também um resquício da guerra. Estudei na escola de lá, e, quando ensinam História, havia muito ódio aos brasileiros”, relembra Jacob Bamberg, 48. Ele nasceu em Cascavel (PR) e morou dos 11 aos 38 anos no país vizinho. Um grileiro brasileiro enganou seu pai, que comprou um terreno sem título oficial paraguaio — e a família acabou ganhando a vida como funcionários de outros conterrâneos.

    Bamberg foi tratorista, churrasqueiro e garçom e nunca teve terra própria no Paraguai. Ouvia falar das ocupações de latifúndios improdutivos no Brasil, mas não se arriscava a voltar. “Muita gente me convidou, mas se falava muito mal dos sem-terra, e eu não queria morar em acampamento. Acabei vindo por pura necessidade”, conta ele, que é uma das lideranças atuais do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no assentamento Itamarati.

    brasiguaios - José Medeiros/UOL - José Medeiros/UOL
    O agricultor brasiguaio Jacob Bamberg toma tereré em pausa do trabalho em seu lote no assentamento Itamarati, o maior do Brasil..

    Nessa condição, voltou ao Paraguai para verificar as ameaças que camponeses paraguaios faziam a carvoeiros brasileiros, confundidos com jagunços de grandes proprietários. “Eles não tinham nem uma espingarda velha para caçar passarinho e não sabiam do perigo que corriam. Quando contei para eles, choraram de tanto medo”, relata.

    Segundo Bamberg, o campesinato paraguaio é muito dividido. “Há muitos grupos pequenos que se voltam contra os colonos brasileiros porque é mais fácil, é o vizinho tão pobre quanto eles. Outros radicalizam e querem expulsar todos os estrangeiros. E ainda tem os que vão para as guerrilhas”, analisa. O país conta com os únicos grupos guerrilheiros em atividade da América do Sul, como o EPP (Ejército del Pueblo Paraguayo) e EML (Ejército del Mariscal López), com incursões em propriedades de brasileiros por lá.

    Guerrilheiros na fazenda

    “Eles queimaram o maquinário, os tratores e os galpões. Enquanto a situação for essa, não vou mais investir ali.” Assim o empresário gaúcho Iracy Antoniolli descreve a ação em 2018 do EPP, grupo armado de no máximo 80 integrantes, que entrou e destruiu sua fazenda no Departamento de Concepción, centro-norte do Paraguai.

    Antoniolli, 81, é uma exceção entre os brasiguaios: fez fortuna extraindo peroba nas matas vizinhas e hoje tem gado, madeireiras e plantações nos dois países. A ideia inicial era trocar a vidinha na serra gaúcha pelas oportunidades em Sinop (MT), mas sua mulher, quando percebeu que iria morar no meio da floresta, decidiu que não dariam mais nem um passo na direção norte. “A gente estava em Campo Grande, e pra distraí-la, disse para ir até a fronteira. Quando nos hospedamos no hotel de Ponta Porã, choveu corretor oferecendo terra no Paraguai”, recorda-se. Formado em contabilidade, fez os cálculos e viu que podia ficar milionário com o negócio.

    brasiguaios - José Medeiros/UOL - José Medeiros/UOL
    O empresário brasiguaio Iracy Antoniolli posa em seu escritório em Pedro Juan Caballero com chimarrão e bandeira paraguaia.

    Voltou para Nova Prata (RS), vendeu os três carros que tinha e pediu um empréstimo no banco. Foi ao país vizinho, comprou “um perobal maravilhoso”, botou abaixo e vendeu tudo para empreiteiras paulistanas, afinal, as perobas estavam cada vez mais escassas em território nacional. “Não tinha um balde de asfalto nas estradas do Paraguai, era ruim trazer as toras pro Brasil, mas o Stroessner dava muito incentivo fiscal e financiamento para quem colocava dinheiro no país”, afirma. Hoje, Antoniolli tem 35 funcionários no Paraguai e 50 no Brasil. Mora em Ponta Porã, mas seu escritório é em Pedro Juan Caballero, aproveitando a conurbação binacional. Ele é da direção tanto do CTG (Centro do de Tradições Gaúchas) do lado brasileiro quanto da Asociación Rural do Departamento de Amambay, do lado paraguaio.

    Ponte sem amizade

    O casal Rosane e Ivanildo Silva também tiveram sua terra no Departamento de Caaguazú invadidas. Pior: tomada por pessoas que eles consideravam amigos. “Um deles tinha sido meu colega de escola. Outro ajudava meu marido no trator e tomava tereré com a gente. No dia que íamos construir o casebre no terreno, eles barraram a gente na estrada com facões, machadinhas e galões de gasolina”, conta Rosane, que perdeu um dente e ficou com a boca inchada por tentar argumentar com o grupo, que era uma milícia rural e não tinha ligação com os chamados carperos da Via Campesina, maior agrupação paraguaia de sem-terra.

    Depois de três décadas de Paraguai, três filhos para cuidar e com todas as economias investidas no sítio ocupado, o casal decidiu se juntar ao movimento sem-terra em Mato Grosso do Sul.

    brasiguaios - José Medeiros/UOL - José Medeiros/UOL
    Braz Correia, 46, viveu metade da vida no Paraguai, mas agora cuida de seu rebanho e é motorista escolar no assentamento Itamarati (MS)

    Os brasiguaios são os únicos da diáspora brasileira com perfil rural. Além da vegetação e do solo similar ao Brasil, a concentração de terras no Paraguai é parecida também, e isso determinou as perambulações dessa população da região Sul para o Paraguai e depois em direção ao Centro-Oeste nas últimas décadas.

    O que tomaram de Rosane e Ivanildo no Paraguai eles tentam reconstruir do lado brasileiro, cuidando de seu lote familiar e ajudando nas terras coletivas do assentamento Itamarati. “É como diz o ditado: o bom filho à casa torna”, resume Rosane.

    brasiguaios - José Medeiros/UOL - José Medeiros/UOL
    O paranaense Altair Schlickmann viveu 31 anos no Paraguai, onde nasceu seu filho, mas hoje é assentado da reforma agrária em Ponta Porã (MS)

    https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2022/01/18/brasiguaios-dominam-o-maior-assentamento-de-sem-terra-do-pais.htm

    1) O que são “grilheiros” de terra?

    2) O que foi a “Marcha para o Oeste” brasileira e como ela se relaciona com um importante fluxo de migrantes no Brasil?

    3) O texto fala de “conurbação binacional”. O que significa essa expressão?

    4) Estabeleça semelhanças entre o MST e os “carperos” paraguaios.

    5) O que foi o Acordo Loizaga-Cotegipe e de que forma ele se relaciona com tensões entre brasileiros e paraguaios?

    6) O que são “brasiguaios”?

    Questão Agrária/Agrícola

    Brasil foca em soja e milho para exportação, e arroz e feijão perdem espaço…

    Menos floresta, mais agropecuária

    Prof Luciano Mannarino

  • Coreias do Norte e do Sul restabelecem comunicação encerrada há dois meses

    Coreias do Norte e do Sul restabelecem comunicação encerrada há dois meses

    Regime de Kim Jong-un havia cortado diálogo em agosto; reaproximação ocorre após escalada de corrida armamentista

    3.out.2021 às 22h26

    SEUL | REUTERS e AFP

    As Coreias do Norte e do Sul restabeleceram seus canais de comunicação na manhã desta segunda (4, noite de domingo no Brasil), dois meses após Pyongyang encerrar a interlocução completamente.

    O anúncio foi feito em um comunicado pelo ministério sul-coreano de Unificação, segundo o qual autoridades dos dois países fizeram sua primeira ligação telefônica desde agosto.

    O ditador norte-coreano, Kim Jong-un – 29.set.21/KCNA/Reuters

    “Com a restauração da linha de comunicação Sul-Norte, o governo [de Seul] considera que se criou uma base para a recuperação das relações intercoreanas”, afirmou a pasta. Mais cedo, ao anunciar que a comunicação seria restabelecida, a agência de notícias estatal norte-coreana KCNA disse que “as autoridades sul-coreanas devem fazer esforços para colocar as relações Norte-Sul no caminho certo”

    O regime do ditador Kim Jong-un interrompeu os canais de diálogo com Seul no início de agosto, em sinal de protesto contra exercícios militares entre as Forças Armadas da Coreia do Sul e dos EUA. O corte ocorreu poucos dias após as Coreias restabelecerem as comunicações depois de um ano de silêncio.

    Bandeira da Coreia do Norte sobre multidão que compareceu à celebração do aniversário do país, em Pyongyang
    Bandeira da Coreia do Norte sobre multidão que compareceu à celebração do aniversário do país, em Pyongyang KCNA – 9.set.21/AFPMAIS 

    O gesto de reaproximação desta segunda-feira se dá em um contexto de acirramento da corrida armamentista na península coreana ao longo dos últimos meses. Em setembro, Pyongyang e Seul realizaram disparos de mísseis balísticos, em uma demonstração de algumas das armas mais sofisticadas que os países têm desenvolvido.

    A diferença entre as ações militares das duas Coreias é que os sistemas de mísseis balísticos do Norte foram alvo de sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, entidade responsável por zelar pela paz em âmbito mundial.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/10/coreias-do-norte-e-do-sul-restabelecem-comunicacao-encerrada-ha-dois-meses.shtml

    Questões

    1 De que forma a trajetória desses países se relacionam como o Mundo Bipolar do pós 2 Guerra Mundial?

    2 Por que a Coreia do Sul se tornou um “Tigre Asiático”?

    3 Explique a criação do Conselho de Segurança da ONU destacando a sua atual formação. Quais são suas principais atribuições?

    4 Por que o que aconteceu com as “Alemanhas” não aconteceu com as “Coreias” após a Era Gorbatchev?

    A GEOPOLÍTICA DO PÓS GUERRA (vídeo e atividades)

    Coreia do Norte (Resumo)

    Inundações e deslizamentos de terra na Coreia do Sul matam ao menos 26 (atividade)

    Prof Luciano Mannarino.

  • Vulcão capaz de gerar tsunami no Brasil entra em alerta amarelo de erupção

    Vulcão capaz de gerar tsunami no Brasil entra em alerta amarelo de erupção

    Colaboração para o UOL, em Maceió

    16/09/2021 04h00

    Autoridades espanholas elevaram para o nível amarelo o alerta de erupção do vulcão Cumbre Vieja, localizado na ilha de La Palma, na costa do continente africano. Segundo pesquisadores, o vulcão poderia provocar um tsunami que atingiria todas as Américas, com maior impacto sobre os litorais das regiões Norte e Nordeste do Brasil. A informação da elevação de nível do vulcão foi dada pelo portal MetSul Meteorologia e confirmada pelo A informação da elevação de nível do vulcão foi dada pelo portal MetSul Meteorologia e confirmada pelo UOL.

    Vulcão em La Palma, na Espanha, fica a 4,4 mil km de São Luís - Reprodução Google
    Vulcão em La Palma, na Espanha, fica a 4,4 mil km de São Luís

    O vulcão está adormecido há décadas e começou a dar sinais de atividade moderada nos últimos dias. “Ele não estava dando sinais de erupção, mas agora ele chegou a um segundo nível. São quatro níveis de alerta. Ele pode vir a ter uma erupção, mas não significa que essa erupção vai gerar um tsunami, mas é uma possibilidade, mesmo que mínima”, explica o pesquisador do Instituto de Ciências do Mar da UFC (Universidade Federal do Ceará), Carlo Teixeira.

    A hipótese de que um tsunami poderia ser causado pela erupção do Cumbre Vieja já foi confirmada em várias pesquisas sobre o tema. “Existem diversos estudos já publicados sobre essa possibilidade de tsunami. É uma hipótese real, e ela aconteceria caso houvesse uma erupção explosiva”, conta Carlos Teixeira. Segundo análise feita em estudo produzido no Departamento de Geologia da UFPR (Universidade Federal do Paraná) a Ilha de La Palma fica a 4.462 km de São Luís. “Estima-se que a próxima erupção poderá desestabilizar a encosta da ilha devido a fatores como declividade do vulcão, volume de material mobilizado, fatores climáticos e principalmente, a uma zona de fraqueza existente que facilitará a ocorrência do movimento de massa”, afirma pesquisa feita na UFPR do geólogo Mauro Gustavo Resse Filho, que pesquisou o tema e publicou TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) em 2017.

    Este movimento por sua vez, poderá ser capaz de gerar um tsunami que percorrerá distâncias transatlânticas e que atingirá o praticamente todos os países banhados pelo oceano Atlântico. A partir da modelagem de tal evento, obteve-se a informação que toda a costa brasileira será afetada”

    Mauro Resse Filho

    Riscos

    Carlos Teixeira diz que não há motivo para preocupação no momento. “Se essa possibilidade de erupção ocorrer, não significa que vai ser explosiva; se for, não quer dizer que vai chegar aqui com ondas de oito, dez metros; pode chegar aqui bem menor”, explica.

    “A pergunta que a gente faz é: será que o Brasil —e não só o Brasil, porque ele pode chegar no Caribe e nos EUA— está preparado para um evento desses?”

    Segundo o site Metsul, a região de La Palma enfrenta um aumento significativo nos movimentos sísmicos desde sábado, “acompanhando a tendência de alta desde 2017 e ganhou maior força desde 2020”. “Nos últimos dias, além de aumentar o volume de movimentos sísmicos, sua intensidade aumentou com abalos que tiveram magnitude superior a 3. A profundidade dos epicentros também diminuiu, em média, de 30 para 12 quilômetros. Só ontem foram mais de 100 tremores e um teve profundidade de apenas 4 quilômetros”, informa.

    https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2021/09/16/vulcao-capaz-de-gerar-tsunami-no-brasil-vai-a-nivel-2-de-alerta-de-erupcao.htm

    Questões

    1 Aponte o tipo de encontro de placas tectônicas mais próximo desse vulcão.

    2 Explique a formação do oceano atlântico.

    3 Por que especialistas afirmam que os litorais das regiões norte e nordeste do Brasil podem ser os mais afetados por essas ondas?

    Terremotos!

    Os abalos sísmicos e os países (Atividade)

    VÍDEO – TEORIA DA DERIVA CONTINENTAL

    Formulário de Inscrição!!!!

    Prof Luciano Mannarino

  • NATURE – Controle do metano para desacelerar o aquecimento global

    NATURE – Controle do metano para desacelerar o aquecimento global

    As reduções de dióxido de carbono são fundamentais, mas o último relatório do IPCC destaca os benefícios de fazer cortes em outros gases de efeito estufa também.

    Hydraulic fracking pumps at sunset
    As operações de petróleo e gás – como o Campo de Petróleo de Inglewood, em Los Angeles, Califórnia – são uma fonte chave de metano. Crédito: Cidadãos do Planeta/Imagens de Educação/Universal Images Group/Getty

    Não há dúvida que é necessário eliminar combustíveis fósseis e parar a liberação de dióxido de carbono na atmosfera para evitar os efeitos dolorosos do aquecimento global. O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) não deixa dúvidas sobre isso. Mas o CO2  não é o único gás de efeito estufa. O painel climático também destaca o problema — e a oportunidade — representado pelo metano, que contribuiu com até 0,5 °C de aquecimento desde os tempos pré-industriais, perdendo apenas para o CO2.

    O metano é o principal componente do gás natural, cuja popularidade como fonte relativamente limpa de energia fóssil aumentou mais de 50% nas últimas duas décadas. Os combustíveis fósseis ajudaram a aumentar as concentrações atmosféricas de metano, que mais do que dobraram desde os tempos pré-industriais, de cerca de 700 partes por bilhão em volume para quase 1.900 p.p.b. em 2020.

    O metano é preocupante porque tem um impacto maior sobre o clima. O gás compõe uma pequena fração da nossa atmosfera — os níveis de CO2  são mais de 200 vezes maiores. O metano é cerca de 80 vezes mais poderoso que o CO2  na captura de calor na atmosfera terrestre. Ele também quebra muito mais rapidamente do que o CO2, com uma vida média de cerca de uma década, em comparação com séculos para CO2. Isso significa que a redução das emissões de metano poderia proporcionar um alívio a curto prazo, enquanto governos e empresas negociam a transição mais difícil dos combustíveis fósseis para a energia limpa.

    Relatório climático do IPCC: a Terra está mais quente do que está em 125.000 anos

    Em um esforço para reduzir as emissões de metano, os cientistas têm investigado duas questões ligadas. Primeiro, quais são as principais fontes de metano? Segundo, onde estão os piores infratores? A pecuária é a maior fonte, responsável por 31% do total global, segundo Ilissa Ocko, do Fundo de Defesa Ambiental (FED) sem fins lucrativos da cidade de Nova York e seus colegas. As operações de petróleo e gás ocupam o segundo lugar, com 26%. Outras fontes incluem aterros sanitários, minas de carvão, pastos de arroz e estações de tratamento de água.

    Reduzir o metano da pecuária representa um desafio particular. As pessoas poderiam comer menos carne, mas convencer as pessoas a mudar sua dieta raramente é simples. Além disso, o consumo de carne está aumentando em países de baixa e média renda — em linha com o aumento da renda. Deve ser mais fácil conter as emissões de outros setores. Em muitos casos, fazê-lo não custaria nada — e poderia até ser lucrativo.

    As emissões globais de metano podem ser reduzidas em 57% até 2030 usando tecnologias existentes, relatam Ocko e seus colegas. E quase um quarto do total global de metano poderia ser eliminado sem custo líquido. A indústria de petróleo e gás poderia fazer a maior diferença aqui, tendo tanto a infraestrutura quanto o incentivo para minimizar as perdas de metano: mais metano em seus oleodutos significa mais receita. Em outros setores, os operadores de aterros sanitários, minas de carvão e estações de tratamento de águas residuais poderiam capturar o gás e usá-lo para gerar eletricidade. E os produtores de arroz poderiam minimizar as emissões com melhores práticas de irrigação e manejo do solo. Se essas medidas forem implementadas em todo o mundo, os aumentos projetados do aquecimento global poderiam ser reduzidos em 0,25 °C até 2050 e 0,5 °C até 2100, segundo o estudo. Esses são números significativos considerando que o mundo já aqueceu 1,1 °C, e os líderes globais se comprometeram a limitar o total a 1,5-2 °C.

    As duras verdades das mudanças climáticas — pelos números

    O principal problema é identificar precisamente de onde vêm as emissões de metano. Há mais de uma década, pesquisadores monitoraram o metano a partir de pesquisas de aeronaves usando sensores infravermelhos que podem detectar gases na luz solar refletidos da Terra2. Hoje, os satélites fazem parte desse esforço de monitoramento. Pesquisas mostram que um número relativamente pequeno de “super-emissores” são responsáveis por uma parcela significativa das emissões de metano, particularmente na indústria de petróleo e gás.

    A capacidade de identificar grandes fontes de metano está pronta para avançar nos próximos dois anos. Em 2022, o FED lançará um satélite projetado para identificar emissões em grandes faixas de terra. A Carbon Mapper, uma parceria sem fins lucrativos que inclui o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e a empresa Planet, com sede em São Francisco, seguirá em 2023 com dois protótipos de satélites projetados para rastrear metano e CO2  na escala de instalações individuais.

    Em março, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e a Comissão Europeia lançaram o Observatório Internacional de Emissões de Metano para ajudar a coordenar esses esforços e ajudar os formuladores de políticas e empresas a agir. O observatório também terá acesso a estoques estimados de emissões de governos e indústrias. Cerca de 70 produtores de petróleo e gás, incluindo gigantes como Shell e BP, se comprometeram a estabelecer metas claras de redução de emissões e reportar emissões sob uma iniciativa liderada pela Climate & Clean Air Coalition, uma iniciativa internacional que envolve governos, organizações sem fins lucrativos, empresas e outros. Este trabalho também ajudará a informar novos compromissos de redução de metano que serão feitos na conferência climática da ONU em Glasgow, Reino Unido, em novembro.

    O mundo continuará aquecendo enquanto o CO2  estiver sendo bombeado para a atmosfera. Mas reduzir as emissões de metano e outros gases poderosos do efeito estufa pode reduzir a picada. É por isso que governos e empresas devem aproveitar a oportunidade, ganhando um pouco mais de tempo para a humanidade fazer o que precisa ser feito.

    Natureza 596, 461 (2021)

    https://doi.org/10.1038/d41586-021-02287-y

    (uso de tradutor)

    Questão

    1. Por que a redução da emissão de CO2 é fundamental para diminuir o efeito estufa?

    2. Estabeleça diferenças entre o metano e o CO2 no aquecimento global.

    3 Explique a relação entre a pecuária e o aumento da concentração de metano na atmosfera.

    4 O que é poluição atmosférica?

    Prof Luciano Mannarino

  • O aumento da migração extracontinental na América Latina

    O aumento da migração extracontinental na América Latina

    Não são poucos os que se instalam pelo esgotamento dos seus recursos ou como consequência de um processo de expulsão

    27.ago.2021 às 10h00

    Luisa Feline Freier

    A migração de pessoas de outros continentes –especialmente da África e da Ásia– mas também do Caribe é um fenômeno crescente na América Latina. E embora a maioria deles vá inicialmente para os Estados Unidos ou Canadá, não são poucos os que se instalam num país latino-americano, seja por opção, por necessidade devido ao esgotamento dos seus recursos, ou como consequência de um processo de expulsão.

    POR QUE E COMO CHEGAM OS MIGRANTES EXTRACONTINENTAIS À AMÉRICA LATINA?

    A migração extracontinental na América Latina é um fluxo misto, uma vez que migrantes com motivações diferentes convergem dentro do mesmo grupo. Em alguns casos, especialmente entre os migrantes subsaarianos e do Médio Oriente, as principais razões são a perseguição e a violência. Enquanto que aqueles que deixam os seus países por razões econômicas ou devido a catástrofes naturais vêm principalmente de países do Sul da Ásia e do Haiti. Mas existem outras razões para a migração extracontinental, tais como o reagrupamento familiar.

    A chegada à América Latina explica-se principalmente por fatores políticos, uma vez que, geograficamente, a Europa seria um destino mais próximo. Mas durante a primeira década do século 21, dois fenômenos notáveis ocorreram quase em paralelo: o aumento das restrições à entrada na Europa e a flexibilização dos requisitos de entrada na América Latina. Em particular, alguns países latino-americanos com governos de esquerda como a Argentina sob Néstor Kirchner (2003-2007), Equador sob Rafael Correa (2007-2017) e Brasil sob Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) relaxaram as suas políticas de migração, especialmente as políticas de vistos, e promoveram um discurso oficial centrado nos direitos humanos dos migrantes. Estas medidas de abertura, embora temporárias na maioria dos casos, revelaram-se atrativas para a população migrante extracontinental. Uma vez estabelecidos, os fluxos de pessoas de fora da região aumentaram de forma constante.

    As rotas de migração vão de sul à norte. Começam na América do Sul, onde migrantes extracontinentais entram através de países com requisitos de vistos menos exigentes, como o Equador ou o Brasil. Continuam para a América Central através da região de Darién, uma área florestal e de alto risco entre a Colômbia e o Panamá. Embora não existam estatísticas semelhantes às das mortes de migrantes no Mediterrâneo, estima-se que o Darién é uma das rotas migratórias mais perigosas do mundo, pois é uma selva espessa, com geografia hostil e a presença de grupos armados, o que também interrompe a rota da rodovia Pan-Americana. De acordo com a Unicef, o número de crianças que atravessam o Darién quintuplicou nos últimos cinco anos.

    Barraca com produtos da arte africana na feira do imigrante, ao lado da estação Santa Cruz da linha 5-lilás
    Barraca com produtos da arte africana na feira do imigrante, ao lado da estação Santa Cruz da linha 5-lilás li/Eduardo Anizelli/Folhapress

    Por fim, os migrantes fazem o seu percurso através da América Central e México para os Estados Unidos e Canadá. Esta longa e dispendiosa viagem é muitas vezes feita com a ajuda de contatos, sejam contrabandistas ou outros migrantes que conhecem a rota. É também comum alternar entre meios de transporte terrestres e aquáticos, tais como autocarros, carros particulares e barcos, ou viajar a pé. Toda a viagem pode demorar vários meses ou mesmo anos.

    QUE DESAFIOS ENFRENTAM OS MIGRANTES?

    Ao longo da viagem, os migrantes enfrentam uma série de desafios, tais como naufrágios, problemas de saúde causados pela exposição a condições meteorológicas extremas, e fraudes de contrabandistas durante o percurso. Além disso, a superlotação, a hostilidade das autoridades públicas e o colapso de alguns serviços nas zonas fronteiriças complicam ainda mais a situação dos migrantes.

    Como exemplo, entre fevereiro e março de 2021, centenas de migrantes africanos e haitianos que fugiam da crise sanitária e econômica no Brasil ficaram presos na Ponte de Integração na fronteira entre o Brasil e o Peru. Durante várias semanas, enfrentaram a fome, condições de higiene inadequadas, tratamento hostil por parte da polícia e a separação de algumas famílias.

    Entretanto, no final de Julho de 2021, mais de dez mil migrantes africanos, asiáticos e haitianos ficaram retidos na cidade de Necocli, no norte da Colômbia, à espera de transporte para o Panamá. Diante do colapso da cidade, sobrecarregada com alojamento, água e serviços de limpeza, o governo municipal declarou um estado de calamidade pública.

    A primeira barreira enfrentada pelos migrantes de fora do continente ao chegar aos países de trânsito ou de destino é frequentemente a regularização da sua estadia. O cruzamento irregular das fronteiras muitas vezes fecha as portas para uma posterior regularização. E quando decidem candidatar-se ao estatuto de refugiado, a taxa de respostas favoráveis aos seus pedidos é frequentemente baixa.

    Na Argentina, por exemplo, venezuelanos, senegaleses, cubanos, haitianos e dominicanos estão no topo da lista em termos do número de pedidos de refugiados. No entanto, entre 2016 e 2020, apenas 10 das 1.267 candidaturas de haitianos, 11 das 885 candidaturas de cubanos e nenhuma das 705 candidaturas de dominicanos foram aprovadas.

    As detenções e expulsões na América do Norte são a última grande preocupação dos migrantes em sua travessia. Camarões, a República Democrática do Congo e a Eritreia foram os três principais países africanos cujos nacionais foram detidos no México em 2018. E durante os últimos cinco anos, pessoas de mais de oitenta países africanos e asiáticos foram presas nos Estados Unidos depois de entrarem no país através do México.

    Além disso, as condições de vida nos centros de detenção do México são altamente questionáveis. As organizações de direitos humanos denunciaram a superlotação, os maus tratos e a falta de cuidados médicos. Um caso emblemático foi a morte do migrante haitiano Maxene Andre no Centro de Detenção de Migrantes Siglo 21; passaram-se dois anos desde então e o seu corpo ainda não foi entregue à sua família, nem as circunstâncias da sua morte foram totalmente esclarecidas.

    Ativistas da ONG SOS Mediterrâneo fazem protesto em Marselhas, na França
    Ativistas da ONG SOS Mediterrâneo fazem protesto em Marselhas, na França Clement Mahoudeau – 24.ago.2020/AFP

    Quando os migrantes chegam finalmente ao seu destino ou decidem instalar-se num país de trânsito, mesmo nos casos em que a regularização migratória é conquistada, enfrentam barreiras à sua inserção laboral e social. Muitos acabam em empregos informais e sazonais, tais como venda ambulante em tendas e praias na Argentina, ou com contratos temporários em fábricas no Brasil. Além disso, enfrentam dificuldades linguísticas no caso da população de língua não espanhola, e discriminação racial no caso da população afrodescendente.

    Em conclusão, é de salientar que este é um processo relativamente pouco estudado e de difícil mensuração, uma vez que representa frequentemente fluxos migratórios mistos e irregulares, especialmente durante a pandemia de Covid-19. Neste contexto, sob a perspectiva das políticas públicas, é necessário compreender não só os desafios que os migrantes extracontinentais enfrentam nos seus processos de trânsito, mas também no interior dos países de acolhimento.

    Professora do Departamento Acadêmico de Ciências Sociais e Políticas da Universidad del Pacífico do Peru e pesquisadora da CIUP. Doutora em ciência política pela London School of Economics and Political Science, LSE (Inglaterra).Soledad Castillo Jara

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/latinoamerica21/2021/08/o-aumento-da-migracao-extracontinental-na-america-latina.shtml

    Prof Luciano Mannarino