Tag: #HistóriaDoBrasil

  • A formação do território brasileiro

    A formação do território brasileiro

    Circunstâncias e Fronteiras: A Construção do Território Brasileiro ao Longo da História

    A formação do território brasileiro é uma história cheia de surpresas, decisões inesperadas e respostas a desafios que surgiram ao longo dos séculos. Ao invés de seguir um plano organizado desde o início, o Brasil foi se moldando conforme as circunstâncias, resultando no país de dimensões continentais que conhecemos hoje.

    Ambição portuguesa

    O mercantilismo português foi fundamental na incorporação de terras na América do Sul, impulsionando a busca por riquezas como ouro, prata e outros recursos naturais. Esse sistema econômico, baseado na acumulação de riquezas e no controle do comércio, incentivou a expansão territorial e a exploração de novas áreas. A necessidade de fortalecer a economia da Coroa Portuguesa levou à ocupação de terras a oeste de Tordesilhas, especialmente com o uso de bacias hidrográficas navegáveis para acessar o interior. A extração de recursos e o monopólio comercial foram fundamentais para consolidar o domínio português na região, ampliando sua influência na América do Sul.

    E se Portugal não percebesse a colônia brasileira como solução para seu mercantilismo?

    A expansão silenciosa do Brasil na União Ibérica
    Um dos momentos mais importantes e circunstanciais na história do Brasil foi a União Ibérica (1580-1640), quando Portugal e Espanha ficaram sob o mesmo rei. Durante esse período, as fronteiras entre as colônias espanholas e portuguesas na América ficaram menos rígidas, permitindo que os portugueses avançassem ainda mais para o oeste, em terras que antes eram oficialmente espanholas. Essa expansão ajudou a formar o que viria a ser o território brasileiro, aproveitando a situação política favorável de uma união temporária entre os dois países.

    E se não tivéssemos fusão entre os interesses portugueses e espanhóis?

    Estradas naturais

    As bacias hidrográficas navegáveis foram cruciais para a expansão portuguesa além dos limites do Tratado de Tordesilhas. Ao usar os rios como vias de penetração no território, Portugal conseguiu explorar e ocupar áreas a oeste. Isso facilitou a integração de novas terras, ultrapassando os limites acordados com a Espanha. Assim, os rios serviram como rotas estratégicas para a consolidação do Brasil.

    E se a oeste de Tordeilhas tivéssemos um imenso deserto?

    Redefinindo as fronteiras
    Em 1750, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Madri, que substituiu o Tratado de Tordesilhas e reconheceu as terras já ocupadas pelos portugueses. O novo acordo se baseava no princípio do uti possidetis, (“quem possui, continua possuindo”), o que permitiu a Portugal manter o controle sobre vastas áreas que seus colonos já haviam ocupado, como a Amazônia e o Mato Grosso. Esse tratado foi uma resposta às circunstâncias da época, consolidando as fronteiras do Brasil conforme a realidade da ocupação.

    E se a amazônia tivesse sido colonizada por espanhóis?

    Independência e manutenção do território
    O período imperial foi crucial para enfrentar revoltas regionais que ameaçavam a unidade territorial do Brasil. Levantes como a Cabanagem, Balaiada, Sabinada e, especialmente, a Revolução Farroupilha desafiaram o poder central. A monarquia respondeu com repressão militar e, em alguns casos, negociações, evitando a fragmentação do país. A centralização do poder foi essencial para garantir a integridade territorial e impedir que o Brasil se fragmentasse como as colônias espanholas. Assim, o Império assegurou a coesão nacional ao longo do século XIX.

    E se nossa morarquia fosse débil e indiferente aos levantes por emancipação?

    “Pai da diplomacia brasileira”
    O Barão do Rio Branco foi fundamental no fechamento das fronteiras finais do Brasil, utilizando a diplomacia para resolver disputas territoriais no início do século XX. Ele negociou com países como Bolívia e Peru, usando o princípio do “uti possidetis”, que defendia a posse de áreas ocupadas. O Tratado de Petrópolis (1903), por exemplo, garantiu o Acre ao Brasil em troca de compensações à Bolívia. Rio Branco evitou conflitos militares e consolidou o território nacional, garantindo o acesso a áreas estratégicas e fortalecendo a soberania do Brasil.

    E se o Barão do Rio Branco fosse boliviano ou frances, ou até mesmo argentino?

    Começa a surgir o Acre

    Um Processo Circunstancial
    Em resumo, a formação do território brasileiro foi um processo cheio de imprevistos e adaptações. As fronteiras que temos hoje não foram planejadas de uma só vez, mas se desenvolveram ao longo dos séculos, como resposta a diferentes desafios e oportunidades. Desde a União Ibérica até as expedições dos bandeirantes, passando pelos tratados internacionais e pela exploração da Amazônia, cada parte do Brasil foi incorporada ao país de forma circunstancial, resultando no território vasto e diverso que conhecemos hoje.

    A sociedade brasileira atual ainda carrega diversas marcas do passado colonial, refletidas em diferentes aspectos culturais, econômicos e sociais. Aqui estão alguns exemplos claros:


    1. Língua Portuguesa como Única Língua Oficial

    Herança colonial: Durante a colonização, o português foi imposto como língua oficial, suprimindo línguas indígenas e africanas.

    Atualidade: O Brasil é o único país da América do Sul que fala português. Poucas línguas indígenas sobreviveram, e o conhecimento sobre elas é marginalizado.


    2. Cristianismo e Influência Religiosa

    Herança colonial: O catolicismo foi trazido pelos portugueses e imposto pela Igreja e pelo Estado. Os jesuítas foram responsáveis por catequizar indígenas, enquanto os africanos escravizados adaptaram suas crenças por meio do sincretismo religioso.

    Atualidade: O Brasil continua sendo um país majoritariamente cristão (católicos e evangélicos), e a influência da religião ainda se reflete em feriados religiosos, nomes de cidades e resistência a pautas progressistas, como o aborto e os direitos LGBTQIA+.


    3. Concentração Fundiária e Desigualdade Social

    Herança colonial: O sistema de sesmarias favoreceu grandes latifundiários e excluiu a maior parte da população do acesso à terra. Isso continuou após a Independência com a Lei de Terras (1850), que dificultou o acesso à propriedade para ex-escravizados e camponeses.

    Atualidade: A estrutura agrária do Brasil ainda é extremamente desigual, com uma pequena elite controlando vastas propriedades rurais, enquanto milhões de pessoas vivem em condições precárias nas cidades e no campo.


    4. Racismo Estrutural e Exclusão de Povos Indígenas e Negros

    Herança colonial: Durante séculos, indígenas foram expulsos de suas terras e escravizados, enquanto milhões de africanos foram trazidos à força para trabalhar em plantações e minas. Após a abolição, o Estado não deu suporte à população negra, e o racismo se enraizou nas estruturas sociais.

    Atualidade: O Brasil tem desigualdades raciais evidentes, com negros e indígenas tendo menos acesso a educação, saúde e empregos de alta renda. Movimentos como as cotas raciais e as políticas de demarcação de terras indígenas tentam corrigir parte desse legado.


    5. Desigualdade Regional e a Prioridade do Litoral

    Herança colonial: Os portugueses concentraram suas atividades no litoral, onde estavam os portos e a produção agrícola de exportação. O interior do país foi ocupado lentamente, sem grande investimento em infraestrutura.

    Atualidade: O litoral, especialmente o Sudeste, ainda concentra a maior parte da população, infraestrutura e oportunidades de trabalho, enquanto regiões como o Norte e o Nordeste enfrentam desafios econômicos e menor acesso a serviços básicos.


    6. Economia Baseada na Exportação de Matérias-Primas

    Herança colonial: A economia colonial brasileira foi estruturada para produzir e exportar produtos agrícolas e minerais para Portugal (pau-brasil, açúcar, ouro, café). Isso criou uma dependência externa.


    7. Nomes de Cidades e Estados

    Herança colonial: Muitos lugares no Brasil têm nomes de santos ou referências religiosas trazidas pelos portugueses, como São Paulo, São Luís, Salvador e Espírito Santo.

    Atualidade: A influência católica na toponímia ainda é muito forte, e muitos desses nomes permanecem inalterados, refletindo a colonização cristã do território.


    Conclusão

    O Brasil de hoje não pode ser compreendido sem entender seu passado colonial. A língua, a religião, a economia, a estrutura fundiária e as desigualdades sociais e regionais são heranças diretas desse período. Muitas dessas marcas ainda limitam o desenvolvimento do país e afetam grupos marginalizados, tornando essencial o debate sobre políticas de reparação e valorização das culturas indígenas e africanas que foram apagadas ao longo da história.

    Exercícios Objetivos


    O Tratado de Tordesilhas (1494) estabeleceu uma linha imaginária que dividia as terras do Novo Mundo entre quais dois países?

    a) Portugal e Inglaterra
    b) Espanha e França
    c) Portugal e Espanha
    d) França e Inglaterra
    e) Espanha e Holanda


    Durante o período da União Ibérica (1580-1640), Portugal e Espanha estiveram sob o mesmo rei. Qual foi uma das consequências desse período para o território brasileiro?

    a) Redução das terras controladas por Portugal na América
    b) Aumento das fronteiras do Brasil além dos limites do Tratado de Tordesilhas
    c) Estagnação da colonização portuguesa no Brasil
    d) Aliança entre indígenas e portugueses contra os espanhóis
    e) Criação do Tratado de Tordesilhas

    O princípio do uti possidetis foi fundamental para a definição das fronteiras brasileiras no Tratado de Madri (1750). Esse princípio pode ser definido como:

    a) Quem explora, possui
    b) Quem primeiro chegar, possui
    c) Quem já ocupa, continua possuindo
    d) Quem tem o maior exército, possui
    e) Quem melhor desenvolve a terra, possui


    Qual dos seguintes fatores foi mais determinante para a ocupação da região amazônica no final do século XIX?

    a) O ciclo da borracha
    b) A descoberta de ouro
    c) A produção de café
    d) O interesse francês na região
    e) O ciclo do açúcar


    Qual dos tratados abaixo substituiu o Tratado de Tordesilhas e redefiniu as fronteiras do Brasil?

    a) Tratado de Utrecht
    b) Tratado de Paris
    c) Tratado de Madri
    d) Tratado de Badajoz
    e) Tratado de Lisboa


    Exercícios Discursivos

    Avaliação

    1 Como o mercantilismo influenciou a concentração das atividades econômicas nas regiões litorâneas do Brasil durante os primeiros séculos de colonização?

    2 Quais foram os principais fatores que levaram à expansão das fronteiras brasileiras no século XVIII, como resultado do Tratado de Madri de 1750?

    3 Explique a importância do Barão do Rio Branco na questão do Acre e como sua atuação influenciou a configuração territorial do Brasil.

    4 Explique o papel das bandeiras e das entradas na expansão do território brasileiro durante o período colonial.

    5 Analise o impacto da exploração de ouro e diamantes no interior do Brasil durante o século XVIII para a configuração territorial do país.

    6 Explique a importância da Amazônia e das fronteiras ao norte do Brasil nas disputas territoriais entre portugueses e espanhóis até o século XIX.

    7 Explique os principais levantes que o periodo imperial enfrentou.

    8 Como a política de imigração europeia, iniciada no século XIX, influenciou a ocupação de novas áreas do território brasileiro, especialmente no sul do país?

    9 Quais foram os impactos da União Ibérica (1580-1640) na consolidação do território brasileiro?

    10 Como o ciclo da borracha no final do século XIX influenciou a integração da Amazônia ao Brasil e quais foram seus impactos ambientais e sociais?

    .

    Tabela de Códigos da BNCC Relacionados ao Texto

    Código BNCCDescrição da HabilidadeRelação com o Texto
    EM13HIS3Analisar processos históricos que influenciaram a formação do território brasileiro.Aborda o Tratado de Tordesilhas, a União Ibérica, os bandeirantes e o Tratado de Madri.
    EM13GEO3Compreender a formação socioespacial do território brasileiro.Expansão dos bandeirantes, construção de fortalezas e exploração da Amazônia.
    EM13HIS4Avaliar a influência de tratados internacionais nas fronteiras nacionais.Tratado de Tordesilhas e Tratado de Madri definiram as fronteiras do Brasil.
    EM13GEO4Analisar processos de ocupação e exploração do território brasileiro.Atuação dos bandeirantes na expansão territorial em busca de recursos e indígenas.
    EM13HIS5Compreender impactos de invasões estrangeiras e estratégias de defesa territorial.Invasões francesas e holandesas levaram à construção de fortalezas no Nordeste.
    EM13GEO5Analisar dinâmicas econômicas e suas relações com o território brasileiro.Ciclo da borracha na Amazônia impulsionou a ocupação e consolidou as fronteiras ao norte do

    Prof Luciano Mannarino

  • ESTADO DA GUANABARA: UMA BREVE HISTÓRIA

    ESTADO DA GUANABARA: UMA BREVE HISTÓRIA

    O Estado da Guanabara foi uma unidade federativa do Brasil que existiu entre 1960 e 1975, ocupando exclusivamente o território da cidade do Rio de Janeiro. Sua criação e existência representam um capítulo único na história política e administrativa do país, vinculado diretamente à transferência da capital federal para Brasília.

    Antecedentes e Criação (1960)

    Antes da criação do Estado da Guanabara, o Rio de Janeiro tinha sido a capital do Brasil desde 1763, quando substituiu Salvador. A cidade tornou-se um centro político, econômico e cultural, crescendo em importância ao longo dos séculos. Com a inauguração de Brasília em 1960, a capital foi oficialmente transferida para o interior, como parte do projeto de desenvolvimento e integração nacional idealizado pelo presidente Juscelino Kubitschek.

    A mudança da capital deixou a cidade do Rio de Janeiro sem o status de Distrito Federal. Para reorganizar essa situação, foi criado o Estado da Guanabara, que abrangia o território do antigo Distrito Federal, ou seja, a área da cidade do Rio de Janeiro. A denominação “Guanabara” foi escolhida em referência à Baía de Guanabara, um marco geográfico de grande significado histórico, que também evocava o antigo nome indígena da região.

    Estrutura e Características do Estado

    O Estado da Guanabara era a menor unidade federativa do Brasil em termos de extensão territorial, cobrindo apenas a área urbana da cidade do Rio de Janeiro. Contudo, era um dos estados mais populosos e economicamente significativos do país. A Guanabara manteve uma estrutura administrativa similar à de outros estados, com seu próprio governador, Assembleia Legislativa e órgãos de administração pública.

    Durante esse período, a cidade do Rio de Janeiro continuou a desempenhar um papel fundamental na vida nacional, mesmo sem o título de capital federal. O Estado da Guanabara enfrentou desafios únicos, como a administração de uma metrópole em expansão, o crescimento populacional acelerado, a necessidade de modernização da infraestrutura urbana, e problemas sociais como a pobreza e a violência.

    Antiga estrela Alfa Hidra na Bandeira do Brasil.

    O primeiro governador eleito do Estado da Guanabara foi Carlos Lacerda, um dos políticos mais influentes do Brasil na época. Seu governo foi marcado por grandes obras de infraestrutura e urbanização que visavam modernizar a cidade e melhorar as condições de vida dos seus habitantes. Lacerda também foi responsável por uma reforma administrativa que buscou tornar o governo mais eficiente e transparente.

    Cultura e Sociedade

    Mesmo como estado, a cidade do Rio de Janeiro continuou a ser um dos principais centros culturais do Brasil. Foi o berço de importantes movimentos culturais e artísticos, como a Bossa Nova, o Cinema Novo e o surgimento das escolas de samba como grandes expressões populares.

    A vida social e cultural era vibrante, com teatros, cinemas, museus e eventos culturais de grande impacto. A cidade manteve seu status como referência no campo das artes, da música e da literatura, atraindo intelectuais e artistas de todo o Brasil e do mundo.

    Fusão com o Estado do Rio de Janeiro (1975)

    A existência do Estado da Guanabara foi breve. Em 1975, durante o regime militar, o governo decidiu fundir a Guanabara com o Estado do Rio de Janeiro. Essa fusão foi impulsionada por motivos administrativos e econômicos, com o objetivo de unificar a administração da cidade do Rio de Janeiro e da antiga capital do estado, Niterói.

    O novo Estado do Rio de Janeiro foi criado, com a cidade do Rio de Janeiro se tornando a capital estadual. A fusão marcou o fim do Estado da Guanabara como unidade federativa.

    Legado e Memória

    Embora o Estado da Guanabara tenha durado apenas 15 anos, seu impacto na história do Brasil e na própria cidade do Rio de Janeiro foi significativo. A gestão singular de uma metrópole como unidade federativa trouxe desafios e inovações que moldaram a urbanização e a administração pública na região.

    A antiga bandeira e o brasão de armas da Guanabara, por exemplo, continuam a ser símbolos importantes na história da cidade. Além disso, a fusão e as políticas implementadas durante o período guanabarino ainda influenciam a estrutura urbana e a administração da cidade do Rio de Janeiro, que continua a ser uma das metrópoles mais importantes do Brasil.


    Oportunidade Perdida em Substituição à Fusão

    Turismo como motor econômico

    Em vez de dissolver o Estado da Guanabara, o governo poderia ter investido em um plano de longo prazo para fazer da cidade um centro de turismo tropical de referência mundial. Com as belezas naturais e o forte apelo cultural, o Rio já possuía os ativos para se tornar um polo turístico de excelência. A modernização da infraestrutura, a promoção da segurança e a valorização de seus patrimônios culturais poderiam ter ampliado significativamente as receitas vindas do turismo e impulsionado o setor de serviços de forma sustentável.

    Fortalecimento da identidade autônoma

    Em vez de integrar a cidade ao Estado do Rio de Janeiro, a Guanabara poderia ter se consolidado como um estado autônomo focado no turismo. A cidade tinha o potencial de seguir uma trajetória similar a outras cidades globais, que conseguem capitalizar suas identidades específicas e atrair investimento estrangeiro, como Barcelona ou Miami. Isso teria reforçado a vocação do Rio como uma meca tropical, cultural e urbana, sem os desafios administrativos de uma fusão.

    Cultura

    A cultura carioca sempre foi uma das principais forças do Rio, e poderia ter sido mais valorizada como pilar central do turismo e da economia local. A fusão foi uma oportunidade perdida de investir ainda mais em movimentos culturais como o samba, a Bossa Nova, o Cinema Novo e o Carnaval, que poderiam ter impulsionado a imagem da cidade em nível global.

    Descentralização de recursos e foco no futuro

    Mantendo-se como um estado independente, a cidade poderia ter controlado melhor seus recursos, reinvestindo diretamente em projetos locais. O desenvolvimento de projetos específicos para o Rio, sem a necessidade de dividir atenção e recursos com o resto do estado, teria permitido uma gestão mais eficiente e ágil. Assim, a Guanabara teria podido se tornar uma espécie de “cidade-estado tropical”, concentrando suas energias no fortalecimento do turismo e dos serviços, ao invés de perder tempo e recursos com a integração ao Estado do Rio de Janeiro.

    Centro Político e Cultural do Brasil

    Como ex-capital do Brasil até 1960, o Rio de Janeiro não só abrigou os principais órgãos do poder executivo, legislativo e judiciário, como também foi o centro cultural e intelectual do país. Ao longo dos séculos, a cidade desempenhou um papel fundamental na construção da identidade nacional, reunindo influências europeias, africanas e indígenas que moldaram sua rica cultura. Manter a Guanabara como um estado autônomo poderia ter preservado essa relevância histórica, aproveitando seu status de ex-capital para promover o turismo histórico-cultural.

    Conclusão

    A fusão do Estado da Guanabara com o Estado do Rio de Janeiro pode ter sido uma solução administrativa viável na época, mas a alternativa de transformar a Guanabara em um polo turístico e de serviços de nível internacional poderia ter sido mais promissora e benéfica a longo prazo. O fortalecimento da cidade como um ícone tropical, com políticas focadas em cultura, infraestrutura, segurança e preservação ambiental, teria permitido ao Rio de Janeiro se consolidar como um destino global de excelência, além de melhorar a qualidade de vida para seus cidadãos.


    Atividades

    Redação Argumentativa: Alternativas à Fusão

    Exercício: Peça aos alunos que escrevam uma redação argumentativa respondendo à pergunta: “A fusão do Estado da Guanabara com o Estado do Rio de Janeiro foi a melhor solução, ou teria sido mais eficaz fortalecer a cidade como um ícone tropical e cultural?”. Eles devem apresentar argumentos que defendam ou critiquem a fusão, considerando os aspectos culturais e turísticos que foram abordados no texto.
    Objetivo: Desenvolver habilidades de argumentação e pensamento crítico, conectando a história política com o impacto cultural e turístico.

    Debate: Fusão vs. Fortalecimento Cultural

    Exercício: Divida a turma em dois grupos. Um grupo deve defender a fusão como uma solução eficaz para os problemas da época, enquanto o outro grupo deve argumentar que fortalecer a cidade como um polo cultural e turístico seria uma alternativa melhor. Eles podem utilizar exemplos de cidades globais que seguiram caminhos semelhantes para fortalecer sua identidade.
    Objetivo: Promover o desenvolvimento de habilidades de debate e o uso de fontes históricas e culturais para embasar argumentos.

    Criação de Projeto de Valorização Cultural

    Exercício: Proponha que os alunos criem um projeto hipotético de valorização cultural para o Rio de Janeiro em 1975, no contexto da não-fusão com o Estado do Rio de Janeiro. Eles devem detalhar como pretendem promover o samba, a Bossa Nova, o Carnaval e o Cinema Novo como formas de fortalecer o turismo e os serviços. Podem incluir propostas para festivais, eventos internacionais, roteiros turísticos e preservação ambiental.
    Objetivo: Estimular a criatividade e a capacidade de planejar projetos culturais, além de mostrar como a cultura pode ser uma ferramenta econômica.

    Análise Crítica: O Papel da Cultura no Desenvolvimento Urbano

    Exercício: Peça aos alunos que analisem a seguinte questão: “Como o samba, a Bossa Nova, o Carnaval e o Cinema Novo poderiam ter sido usados para transformar o Rio de Janeiro em um ícone tropical global?”. Eles devem escrever um ensaio analisando o papel dessas manifestações culturais no desenvolvimento urbano e econômico da cidade.
    Objetivo: Desenvolver habilidades de análise crítica e compreensão da interseção entre cultura, economia e urbanismo.

    Elaboração de Linha do Tempo: Cultura e Política no Rio de Janeiro

    Exercício: Os alunos devem criar uma linha do tempo que conecte eventos políticos e culturais na história do Rio de Janeiro, incluindo a criação do Estado da Guanabara, a fusão, o surgimento do samba, da Bossa Nova, do Cinema Novo e a consolidação do Carnaval como evento global. Eles devem destacar as oportunidades perdidas de valorização cultural e como isso poderia ter mudado o curso da cidade.
    Objetivo: Desenvolver a capacidade de organizar eventos históricos de forma cronológica e fazer conexões entre política e cultura.

    Simulação de Decisão Política

    Exercício: Proponha uma simulação em que os alunos assumam papéis de políticos, empresários do setor de turismo e líderes culturais do Estado da Guanabara em 1975. Eles devem discutir e chegar a uma decisão sobre qual seria o melhor caminho para o futuro da cidade: a fusão com o Estado do Rio de Janeiro ou um plano de fortalecimento do turismo e cultura.
    Objetivo: Trabalhar habilidades de tomada de decisão, negociação e pensamento estratégico.

    Prof Luciano Mannarino

    VEJA….TAMBÉM…

    Rio de Janeiro: hospitalidade e futebol

  • De 1964 a 1985, veja linha do tempo da ditadura militar.

    De 1964 a 1985, veja linha do tempo da ditadura militar.

    1967

    15/mar – Costa e Silva toma posse

    Neste ano, as denúncias de torturas chegaram a 50

    1968

    28/mar – Polícia Militar mata o estudante Edson Luís de Lima Souto, no Rio, provocando protestos de rua

    26/jun – Passeata dos 100 mil reúne opositores e artistas no Rio de Janeiro

    18/jul – Teatro onde se encenava a peça Roda Viva em São Paulo é depredado e os atores, espancados

    12/out – Cerca de mil estudantes são presos em Ibiúna (SP), onde acontecia o Congresso da UNE

    13/dez – É baixado o AI-5. A imprensa é censurada e centenas de pessoas são presas

    Iniciam-se os “anos de chumbo”

    Denúncias de tortura chegaram a 85

    1969

    Ago – Costa e Silva adoece

    31/ago – Uma junta militar formada pelos comandantes do Exército, Lira Tavares, Marinha, Augusto Rademaker, e Aeronáutica, Márcio de Souza Melo, assume a Presidência

    4/set – Grupos de esquerda sequestram o embaixador americano, Charles Elbrick, e o libertam três dias depois, em troca da soltura de prisioneiros políticos

    17/out – Uma nova Constituição é promulgada, endurecendo o regime

    30/out – Congresso reaberto elege general Emílio Garrastazu Médici presidente

    4/nov – Líder da ALN (Ação Libertadora Nacional), Carlos Marighella, é morto em uma emboscada em São Paulo

    As denúncias de torturas chegaram a 1.027

    1970

    Início do “milagre econômico”, que duraria até o meio da década e registraria taxas de crescimento do PIB de dois dígitos

    21/jun – Brasil é tricampeão mundial de futebol, e regime tira proveito do clima de ufanismo vigente

    Set – São criados os DOIs (Destacamento de Operações de Informação), com o objetivo de controlar as informações e reprimir os opositores do regime militar

    Cerca de 1.200 denúncias de tortura e 30 mortes foram registradas no ano

    1971

    20/jan – ex-deputado Rubem Paiva é preso em casa; seu corpo nunca foi encontrado

    17/set – Carlos Lamarca, militar desertor e um dos líderes da luta armada contra a ditadura, é morto por forças do regime na Bahia

    Chegam a 778 as denúncias de tortura, com 30 foram mortos

    1972

    Jan – Exército descobre base de treinamento de guerrilha do PC do B no Araguaia

    Ago – Anistia Internacional divulga relatório de 91 páginas com 472 nomes de torturadores e 1.081 torturados

    1973

    18/jun – Médici informa ao general Ernesto Geisel que ele será seu sucessor na Presidência

    Jul – O jornal Estado de S. Paulo começa a publicar poemas nos espaços censurados

    Out – Regime inicia sua maior nova ofensiva no Araguaia

    1974

    15/mar – Ernesto Geisel toma posse

    29/ago – Geisel anuncia a abertura política lenta, gradual e segura

    Set – Ocorrem prisões no Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento)

    Out – Exército mata última guerrilheira do Araguaia, a estudante Walkiria Afonso Costa, de 27 anos

    1975

    25/out – Jornalista Vladimir Herzog, simpatizante comunista, comparece ao DOI-Codi para prestar depoimento; horas depois, é encontrado morto

    27/out – Herzog é sepultado; no dia 31, é realizado um culto ecumênico na Catedral da Sé pela sua memória

    O ano termina com 585 denúncias de tortura

    1976

    16/jan – Operário Manoel Fiel Filho é preso e levado às dependências do Doi-CODI, onde é morto pela ditadura no dia seguinte

    19/ago – Bombas são jogadas na ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)

    22/set – Bispo dom Adriano Hipólito é sequestrado, e uma bomba explode na casa do jornalista Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo

    156 denúncias de tortura foram registradas no ano

    1977

    30/mar – Estudantes de São Paulo desafiam proibição do regime e vão às ruas protestar

    13/abr – Geisel lança o Pacote de Abril, que cria a figura do “senador biônico”

    Mai – Cerca de 80 mil estudantes entram em greve em todo o país

    6/jun – Polícia militar invade a Universidade de Brasília

    22/set – PUC-SP é invadida e 1.700 estudantes são detidos

    15/set – O jornalista Lourenço Diaferia é preso após escrever uma coluna na Folha que foi considerada ofensiva à memória do Duque de Caxias

    12/out – Geisel exonera o ministro do Exército, Sílvio Frota, representante da linha dura

    Dez – Geisel comunica o general João Baptista Figueiredo que ele será seu sucessor

    No fim do ano, havia cerca de 214 denúncias de tortura registradas

    1978

    Ao menos 26 bombas explodem ao longo do ano em diversas cidades

    Jun – Chega ao fim a censura à Tribuna da Imprensa, e o Jornal do Brasil publica todos os textos proibidos desde 1969

    Out – Justiça responsabiliza a União pela morte de Vladimir Herzog

    Dez – Na última edição do ano, o Jornal do Brasil traz na manchete: “Regime do AI-5 acaba à meia noite de hoje”

    1979

    Ao menos três bombas explodem ao longo do ano

    Tem início uma série de atentados a bancas de jornal

    13/mar – Metalúrgicos do ABC decretam greve geral. Sindicato, comandado por Luiz Inácio Lula da Silva, é colocado sob intervenção

    28/ago – É sancionada por Figueiredo a Lei da Anistia. Exilados podem retornar ao país

    Nov – Congresso põe fim ao bipartidarismo. Tancredo Neves cria o Partido Popular e Leonel Brizola, o PDT. Arena vira PDS e MDB, o PMDB

    1980

    10/fev – Partido dos Trabalhadores é fundado

    1º/abr – Metalúrgicos do ABC entram em greve; em 17.abr, governo decreta intervenção no sindicato, e dois dias depois, Lula é preso

    1981

    30/abr – Bomba explode por acidente no estacionamento do Riocentro, no Rio de Janeiro, frustrando atentado contra evento do Dia do Trabalhador; incidente, que matou um militar e feriu outro, mostra ação da linha dura do regime

    1982

    15/nov – É realizada a primeira eleição direta para governador desde que se instaurou o regime militar, e cerca de 48 milhões de eleitores vão às urnas; PMDB vence em São Paulo, Minas Gerais e Paraná; Brizola é eleito no Rio

    1983

    2/mar – Deputado Dante de Oliveira (PMDB) apresenta projeto de emenda constitucional que pede o restabelecimento da eleição direta para presidente

    15/mar – Governadores eleitos são empossados

    15/jun – Cerca de 5.000 pessoas participam de comício pelas Diretas, em Goiânia

    Nov – PT realiza comício em São Paulo. Folha inicia campanha pelas Diretas

    1984

    25/jan – Cerca de 200 mil pessoas participam de comício pró-Diretas na praça da Sé, em São Paulo

    Fev. a Abr – mobilização das Diretas se espalha pelo país

    25/abr – Emenda de Dante de Oliveira é derrotada na Câmara; faltaram 22 votos

    1985

    15/jan – Tancredo Neves é eleito presidente pelo colégio eleitoral

    14/mar – Na véspera da posse, Tancredo é hospitalizado em estado grave

    15/mar – José Sarney assume a Presidência da República pondo fim ao regime militar

    21/abr – No dia de Tiradentes, Tancredo morre aos 75 anos

    https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/06/de-1964-a-1985-veja-linha-do-tempo-da-ditadura-militar.shtml

    Aqui estão algumas questões discursivas sobre o texto:

    Analise a evolução da repressão durante o período da ditadura militar no Brasil entre 1967 e 1985.

    • Considere os mecanismos de controle, como o AI-5, e os eventos que marcaram a resistência ao regime.

    Discuta o impacto do Ato Institucional Número 5 (AI-5) na sociedade brasileira e na liberdade de expressão.

    • Como esse ato mudou a dinâmica política e social do país?

    Avalie a importância das manifestações estudantis e da oposição artística durante a ditadura militar.

    Qual foi o papel desses grupos na resistência ao regime?

    Comente sobre o ‘milagre econômico’ do início da década de 1970 e sua relação com a repressão política.

    Como o crescimento econômico foi usado pelo regime militar para se legitimar?

    Explique a importância da Lei da Anistia de 1979 no processo de transição para a democracia.

    Quais foram os efeitos positivos e negativos dessa lei para a sociedade brasileira?

    Analise como a repressão militar afetou as liberdades individuais e os direitos humanos no Brasil durante a ditadura.

    Inclua em sua resposta referências aos casos de tortura e perseguição política.

    Descreva a trajetória da imprensa durante o regime militar e a forma como ela lidou com a censura.

    Como os jornais e meios de comunicação contribuíram para informar a população e resistir ao regime?

    Discuta o papel dos movimentos de redemocratização, como as ‘Diretas Já’, na queda da ditadura militar.

    Quais foram os principais fatores que contribuíram para o fim do regime militar?

    Como os eventos da ditadura militar impactaram a construção da memória histórica e a identidade nacional no Brasil?

    Considere o legado deixado pelo regime militar e como ele é percebido na sociedade atual.

    Examine a influência da Guerra Fria e da política externa dos Estados Unidos na consolidação da ditadura militar no Brasil.

    Como o contexto internacional afetou as ações e decisões do regime militar brasileiro?

       
       

      Prof Luciano Mannarino