Categoria: Clima

  • Crise do Clima “Nordeste”

    Nordeste

    Seca histórica já dura seis anos e ameaça tornar-se regra no semiárido

    Paisagem desértica ao longo da rodovia RN-118, no Rio Grande do Norte – Avener Prado/Folhapress

    Fabiano Maisonnave/Avener Prado

    24.abr.2018 – 02h00

    PARAÍBA E RIO GRANDE DO NORTE . 

    Na estaca zero. É como o agricultor Inácio Manuel da Silva, 73, se sente após a seca ter dizimado o coqueiral no lote onde trabalha há 44 anos. Morador de Sousa (440 km de João Pessoa), ele colhia 21 mil frutos a cada 45 dias, num espaço de 4 hectares (o equivalente a cerca de cinco campos de futebol). “Hoje, se eu tivesse um coco bom aqui, vocês estariam tomando a água dele.”

    Na memória de Silva e de outros sertanejos, a aridez atual, iniciada em 2012, é a mais prolongada pela qual o Nordeste já passou. Já nos discos rígidos de pesquisadores, simulações preveem que o déficit hídrico dos últimos tempos deve tornar-se o “novo normal” da região, a reboque das mudanças no clima global.

    As previsões para o semiárido do PBMC (Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas), uma iniciativa governamental, são sombrias. Até 2040, projeta-se a diminuição de 10% a 20% das chuvas e aumento da temperatura entre 0,5°C a 1°C. Para 2070, a elevação será de 1,5°C a 2,5°C, enquanto a precipitação encolherá entre 25% e 35%.

    Esse cenário eleva o risco de aumento da desertificação, desatada sobretudo pelo uso inadequado do solo, como o desmatamento da caatinga para a produção de lenha.

    Coqueiral seco na cidade de Sousa (440 km de João Pessoa), na Paraíba; estima-se que apenas 5% dos coqueirais de 82 propriedades da região tenham sobrevivido à estiagem – Avener Prado/Folhapress

    Além de mais seco, o semiárido está se expandindo. Em novembro de 2017, a Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) incluiu 73 municípios na região, que passou a ter 1.130.446 km² (13,3% do território brasileiro). Os 1.262 municípios estão espalhados pelos nove estados do Nordeste, além de parte de Minas Gerais.

    Para o município ser considerado parte do semiárido –o que assegura acesso a vários programas, como linhas de financiamento–, é preciso responder ao menos um de três critérios. O mais usado é a precipitação pluviométrica média anual igual ou inferior a 800 mm. Para comparação, na cidade de São Paulo, chove 1.500 mm/ano.

    A vinculação dos seis anos contínuos de chuvas abaixo da média no Nordeste às mudanças climáticas divide os pesquisadores. Uns já estabelecem a causalidade, enquanto outros consideram ser muito cedo para essa conclusão.

    No entanto, há praticamente consenso quando se trata das próximas décadas. Um exemplo é o estudo recente da FGV (Fundação Getúlio Vargas) sobre a bacia do rio Piancó-Piranhas-Açu, nos sertões da Paraíba e do Rio Grande do Norte, uma das regiões mais áridas do país.

    Até 2065, o déficit hídrico acumulado na bacia de 43,6 mil km², área do tamanho do estado do Rio de Janeiro, deverá ser até 133% maior em comparação ao cenário que não considera mudança no clima.

    Para entender o semiárido nordestino cada vez mais seco, a Folha percorreu, em janeiro, cerca de 500 km ao longo dessa bacia, que reúne mais de 1,4 milhão de habitantes e está localizada no Nordeste setentrional, bastante castigado pela seca atual.

    Nas cidades e na zona rural mapeadas pela pesquisa da FGV, a reportagem encontrou açudes e torneiras quase vazios, caatinga acinzentada, agricultores acumulando prejuízos, gado morto e uma grande ansiedade pela iminente chegada das águas da transposição do rio São Francisco.

    Reza a lenda que, durante viagem ao Brasil, a cantora norte-americana Madonna gostou tanto da água de coco do Perímetro Irrigado de São Gonçalo, em Sousa (PB), que passou a importá-la em grandes quantidades. Outros contam que a fama de ser a água de coco mais doce do país provocou uma onda de falsificações do rótulo de origem.

    Tudo isso ficou no passado. Antes abastecidos pelo açude São Gonçalo, que represa o rio Piranhas, os canais de irrigação estão secos e inutilizados pela falta de manutenção. Construídos nos anos 1970 pelo Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), até o início da seca sustentavam a agricultura em uma área de 4.000 hectares.

    Hoje, os poucos coqueiros verdes –que bebem, cada um, 200 litros de água/dia– sobrevivem em torno dos poucos poços artesianos ainda viáveis. São oásis em meio a campos abandonados, onde predominam fantasmagóricos pés secos ou troncos tombados no chão.

    “Algumas pessoas migraram pra Brasília, outras pra São Paulo. Umas estão em empregos temporários e outras sobrevivem do apoio dos pais, que têm aposentadoria rural”, afirma o presidente de uma cooperativa local, Isaías Raimundo, 33.

    Ele estima que só 5% dos coqueirais dos 82 sócios tenham sobrevivido. No lote de 3 hectares da família, não sobrou nenhum dos 600 pés. “Há pouco, plantei meio hectare de banana e também está quase a óbito”, lamenta o líder comunitário.

    Segundo a FGV, em toda a bacia Piancó-Piranhas-Açu os prejuízos com a seca na bacia em cinco anos somam R$ 3 bilhões, ou 3,1% do PIB da região.

    Trechos da obra do Eixo Norte da transposição do rio São Francisco perto de São José de Piranhas, Paraíba

    Trechos da obra do Eixo Norte da transposição do rio São Francisco perto de São José de Piranhas, Paraíba – Avener Prado/Folhapress

     

    Mais perto da foz, no Rio Grande do Norte, agricultores do assentamento Novo Pingos, em Assu (214 km de Natal), perderam todos os cajueiros em uma área de 500 hectares. O prejuízo só não foi maior porque as árvores foram cortadas e vendidas como lenha.

    A boa notícia é que, em breve, a segurança hídrica da região deve melhorar. Após seis anos de atraso, o Ministério da Integação Nacional promete entregar, no segundo semestre de 2018, os 260 km do Eixo Norte da transposição do rio São Francisco, que alimentará a bacia Piancó-Piranhas-Açu. Em São Gonçalo, isso significa mais água para o açude e a perenização do rio Piranhas, que corta o perímetro.

    No Eixo Leste, inaugurado em março de 2017, o reforço do Velho Chico normalizou o abastecimento de dezenas de cidades de Pernambuco e Paraíba, incluindo Campina Grande (PB), que se encontrava à beira do colapso.

    O estudo da FGV avalia, porém, que a transposição, orçada em R$ 9,6 bilhões, tampouco será a panaceia para a bacia Piancó-Piranhas-Açu: na vazão prevista, as águas do São Francisco têm o potencial de reduzir, no máximo, 40% do seu déficit hídrico.

    “Em caráter emergencial, a transposição pode ser uma boa alternativa se bem gerenciada. Mas, a longo prazo, não há medida que ofereça a redenção. A redução dos danos da seca só será possível por meio de ações coordenadas que confiram resiliência aos sistemas hídricos locais”, afirma a engenheira ambiental Layla Lambiasi, coautora do estudo.

    Para iniciar um novo plantio, agricultor queima o que sobrou de coqueiral devastado pela seca em Sousa (PB) – Avener Prado/Folhapress
     

    Com mais de quatro décadas de experiência no local, o agricultor aposentado Inácio da Silva acredita que, mesmo com mais água, os produtores não terão dinheiro para investir no replantio de coco, que leva em média 3,5 anos para produzir.

    “Nós voltamos à estaca zero. Os terrenos estão descobertos, ninguém tem uma produção”, diz Silva. “Emprego não tem. Os velhos são aposentados, e os filhos ficam encostados na gente, porque a panela tem de ferver pra todo mundo.”

    Um dos sete filhos de Silva, Francisco, 49, passou 15 anos transportando o coco de Sousa para Recife e até Brasília. Quebrado, vendeu o caminhão e agora sonha migrar para o Guarujá, no litoral paulista. “Essa aí é a minha profissão agora”, diz, com um sorriso amargo, apontando para algumas galinhas no quintal.

    Acima, “carroça-pipa” puxada por burro em Brejo do Cruz (PB); no meio, fila para obter água em São José de Piranhas; no alto, o motorista de caminhão pipa Antonio Ferreira no reservatório Boa Vista – Avener Prado/Folhapress
     

    A 140 km de Sousa, São José de Piranhas (480 km de João Pessoa) é outra cidade sedenta à espera do socorro do rio São Francisco.

    Nos últimos meses, as bombas de água vinham funcionando apenas três dias por semana. Em 12 de fevereiro, o açude municipal entrou em colapso pela segunda vez desde o início da seca, deixando seus 20 mil habitantes dependentes dos carros-pipa. O sistema só foi religado no início de março, após chover forte na região.

    No futuro próximo, a cidade deve ser abastecida pelo reservatório Boa Vista, a 14 km do centro, que receberá água do São Francisco. Para isso acontecer, porém, ainda será preciso construir um aqueduto.

    Morador do Rabo da Gata, o bairro mais alto de Piranhas, o agricultor José Justino da Silva, 37, ficou sem água encanada desde setembro de 2017, quando a Cagepa (Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba) suspendeu o racionamento por três dias para não prejudicar a Micaranhas, a micareta de São José de Piranhas.

    “Tinha água sobrando. São muitos anos que eu moro aqui, e eu nunca tinha tomado banho de chuveiro”, lembra Silva, da porta da sua casa de teto baixo, após ter buscado água de balde no carro-pipa.

    Terminada a folia, o racionamento voltou mais severo, e os canos secaram em definitivo no Rabo da Gata. A água agora só chega por meio de caminhões-pipa da prefeitura e do Exército ou por vendedores particulares, que cobram R$ 30 por mil litros (um metro cúbico).

    Mas, mesmo sem água, a conta continua chegando. Em janeiro, Silva teve de desembolsar R$ 40,84 em troca de vento encanado. Ele disse que prefere pagar a se arriscar ser cortado da rede –o religamento custa cerca de R$ 90.

    No entorno do reservatório Boa Vista, a expectativa também é grande. O agricultor piranhense Cicero Fernandes, 39, está com a vida paralisada há dois anos, desde que trocou o sítio, que será submergido quando o açude receber água da transposição, por uma das quatro vilas produtivas construídas para os reassentados.

    Fernandes e outros agricultores têm direito a lotes de 7 hectares, dos quais apenas 1 hectare será irrigado. Os demais são de “sequeiro”, termo usado para áreas agrícolas que dependem da chuva.

    Enquanto o projeto de irrigação não é implementado, as famílias reassentadas recebem uma ajuda mensal de 1,5 salário mínimo. Fernandes diz que o benefício é suficiente para se manter, mas vê as famílias fora dos assentamentos em situação pior.

    Muitos recorrem a temporadas de corte de cana em São Paulo ou à “furadinha” –venda ambulante de roupas em cidades do Maranhão e do Pará. O nome tem origem numa tabuleta de papel usada para fazer sorteio de produtos. Aos poucos, os vendedores trocaram a rifa pela confecção, mas o nome permaneceu.

    “A dificuldade aumentou. A cada ano que passa, a gente vê sofrimento das pessoas para sobrevivência humana e animal”, diz Fernandes. “Mas o sertanejo é forte, criativo, persistente. Tem sobressaído nessa teimosia dele e vai dando certo.”

    Principal açude do município de São José de Piranhas, seco; em fevereiro, local entrou em colapso por causa da estiagem – Avener Prado/Folhapress

     

    Coordenador local da Cagepa, Rondynelli Dias diz que o açude municipal “sangrou” (transbordou) pela última vez em 2011. Desde então, foi se esvaziando. No início de janeiro, quando a reportagem esteve na cidade, estava com apenas 1,6% da capacidade. No início de março, com as chuvas, subiu para pouco acima de 20%.

    Já acostumado a cobranças quando circula pelas ruas, Dias afirma que a Cagepa fará um levantamento sobre as contas indevidas de água.

    A seca prolongada é apenas um dos problemas do rio Piranhas, o principal da bacia. De tão debilitado, não consegue mais chegar ao mar.

    Em São Bento (390 km de João Pessoa), parte do esgoto corre a céu aberto em direção ao leito fluvial. A cidade, a maior às margens do rio, tem só 57% de esgotos recolhidos.

    “Não adianta [o rio] receber a água limpa do São Francisco e ela se contaminar com esgoto”, afirma o ex-vereador Josué Diniz de Araújo, 69, membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piancó-Piranhas-Açu.

    Cenários desérticos na rodovia RN-118, no Rio Grande do Norte; abaixo, criação de camarão afetada pela seca na região da foz do rio Piranhas

    Cenários desérticos na rodovia RN-118, no Rio Grande do Norte; abaixo, criação de camarão afetada pela seca na região da foz do rio Piranhas – Avener Prado/Folhapress

     

    Há ainda a disputa pela água. O caso mais notório está perto do litoral, na região de Pendências (194 km de Natal), envolvendo moradores e a criação de camarões.

    Ex-pescadora do rio, Ana Lucia de Souza, 45, diz que há reclamação contra as empresas de camarão, acusadas de sobreuso da água. Por outro lado, é a principal fonte de emprego do município. “Não fossem essas empresas, não sei nem como a gente viveria por aqui. É uma coisa pela outra.”

    Nascida na região, ela diz que, antes, o rio era diferente, com água e peixe: “Uma coisa linda. Dá tristeza hoje, só vê mato”.

    Responsável pela gestão da bacia por ela ser interestadual, a ANA (Agência Nacional de Águas) não pode interferir para resolver o problema do esgoto urbano. Carlos Perdigão, coordenador da Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos, afirma que a prioridade da agência é melhorar a distribuição da água no semiárido.

    Além da conclusão da transposição, ele aponta como obras essenciais o término da barragem de Oiticica, em Jucurutu (RN), e a construção de um ramal para levar a água dali para a região do Seridó (PB/RN), que enfrenta processo de desertificação.

    Em linha semelhante, a FGV avalia que é preciso ir além da transposição para evitar um prejuízo econômico na bacia que, em 50 anos, pode alcançar R$ 7,8 bilhões: “Quanto mais diversificado for o conjunto de intervenções, a região estará menos exposta a eventos climáticos”, afirma Lambiasi.

    O estudo defende a “gestão da incerteza” como diretriz para minimizar os prováveis impactos da mudança do clima. As medidas sugeridas incluem a redução das perdas no trânsito da água entre reservatórios e a busca de atividades econômicas e práticas mais alinhadas com o semiárido.

    Os pesquisadores calcularam que, caso o poder público adote o conjunto de medidas recomendadas, a redução do déficit hídrico poderá chegar a 73%, e até 93% das potenciais perdas econômicas serão evitadas.

    Paraibano de Sousa e há pouco mais de dois anos à frente do Insa (Instituto Nacional do Semiárido), Salomão Medeiros afirma que um dos grandes desafios é levar a informação gerada pelos estudos até os gestores municipais. Os obstáculos vão desde a linguagem técnica difícil até a necessidade das prefeituras de atender a demandas urgentes do curto prazo.

    “Existe também uma questão cultural nossa: a esperança de que vai chover”, diz o engenheiro agrícola.

    Família se protege da chuva na cidade de São Bento (390 km de João Pessoa), na Paraíba – Avener Prado/Folhapress

    https://arte.folha.uol.com.br/ciencia/2018/crise-do-clima/nordeste/seca-historica-ja-dura-seis-anos-e-ameaca-tornar-se-regra-no-semiarido/

     

    Prof Luciano Mannarino

  • Crise no Clima “Cerrado”.

    Cerrado

    Agronegócio banca palestras de cético sobre mudança climática para ruralistas no Matopiba

    Trabalhadores rurais capinam terreno em Correntina, na Bahia, em meio a fumaça de queimada feita para “limpar” o campo – Avener Prado/Folhapress

     

    Patrícia Campos Mello/Avener Prado

    22.mai.2018 – 02h00

    OESTE DA BAHIA

    Uma plateia de mais de 400 produtores de soja, no coração do agronegócio brasileiro, aplaudiu longamente a apresentação do meteorologista Luiz Carlos Molion.

    “O aquecimento global é um mito: a temperatura mundial não está aumentando, nós vivemos ciclos de aquecimento e resfriamento que sempre existiram”, dizia Molion, conhecido cético sobre a noção de mudanças climáticas, em outubro do ano passado. Sua palestra havia sido patrocinada pela Agrosul, concessionária da multinacional de máquinas agrícolas John Deere, pela fabricante de adubos Fertilaqua e pela Fundação Bahia, entidade de pesquisa bancada por produtores baianos.

    “O CO2 não causa efeito estufa e a ação do homem é insignificante para causar efeitos sobre o clima”, afirmava Molion em um auditório decorado com tratores na cidade de Luís Eduardo Magalhães, onde se concentra a produção de soja no oeste da Bahia.

    Estrada rural corta cerrado em Correntina, no oeste baiano – Avener Prado/Folhapress

    Luís Eduardo Magalhães faz parte da região conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a mais nova fronteira agrícola do Brasil. Abriga a maior parte das terras ainda não exploradas no país. Aqui, as ideias de Molion são repetidas como mantra pelos produtores rurais.

    O pesquisador aposentado dá cerca de 50 palestras por ano em diversos estados brasileiros, contratado por empresas como a Syngenta e a Casa do Adubo, além de associações de produtores, prefeituras e governos estaduais. Na quarta-feira (16), ele foi o principal palestrante da convenção internacional da soja Soy Sur, patrocinada pela Bolsa de Chicago (CME Group), em Ciudad del Este, no Paraguai.

    Em suas apresentações, ele fala sobre a tendência do clima para a safra seguinte, os próximos dez anos, e denuncia “a inverdade científica chamada aquecimento global”. “Mostro para os agricultores que eles não são culpados, que o CO2 e o metano não têm nada a ver com variabilidade climática e que o desmatamento não tem nenhuma influência sobre o regime de chuvas”, disse Molion à Folha.

    Físico e pesquisador aposentado do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), Molion goza de pouca credibilidade no mundo acadêmico. “Alguém dizer que a molécula de gás carbônico não exerce efeito estufa atmosférico, isto é, que não absorve e reemite radiação térmica, é uma asneira anticientífica equivalente a dizer que a Terra é plana”, afirma o meteorologista Carlos Nobre, presidente do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas e ex-pesquisador do Inpe.

    “É irônico ver empresas que dependem tanto de ciência para desenvolvimento de seus produtos patrocinarem de forma irresponsável e antiética a pseudociência, pensando somente no lucro que a expansão da fronteira agrícola vai lhes trazer.”

    A presidente do Sindicato de Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães, Carminha Maria Missio, representa mais de 1.400 produtores rurais e cerca de 2 milhões de hectares de área plantada, equivalente ao estado de Sergipe. Ela afirma não existir prova de que a Terra está se aquecendo nem de que o homem tem alguma coisa a ver com isso.

    “Ninguém sabe o que é fato e o que é opinião. O que acabou com os dinossauros? Foi o desmatamento?”, indaga. Ela diz que sua região teve quatro anos de seca, de 2012 a 2016, e agora está voltando à “normalidade”.

    Pesquisas, no entanto, indicam o contrário.

    Segundo levantamento de Ludmila Rattis, das ONGs de pesquisa Woods Hole Research Center (WHRC, dos EUA) e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), a temperatura média da região de Luís Eduardo Magalhães e Barreiras aumentou de 0,7ºC a 0,8ºC entre 1901 e 2015.

    A pesquisadora usou dados da Climate Research Unit da Universidade de East Anglia (Reino Unido). Constatou que houve aumento de até 2ºC em setores do cerrado, como o sul de Goiás. Ela ressalva que o estudo apenas aponta que houve, sim, aumento na temperatura –mas não analisa se isso já pode ser atribuído à ação do homem.

    O regime de chuvas também sofreu alterações. Dissertação de mestrado da bióloga Juliana Oliveira Campos, da Universidade de Brasília (UnB), aponta que houve queda de 8,4% na precipitação no cerrado entre 1977 e 2010. No sul desse bioma, em Goiás, a redução de chuvas chegou a 10,6%, enquanto ao norte, no Matopiba, foi de 4,7%.

    “Acreditamos que a redução das chuvas foi menor no Matopiba porque lá o desmatamento foi menor e teve início mais tardio”, diz Juliana. A retirada das árvores do cerrado e sua substituição por pastagens e lavouras teria levado a uma redução da evapotranspiração (perda de água do solo por evaporação e, nas plantas, por transpiração), que diminui a formação de chuvas.

    Marcos Heil Costa, professor de climatologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e coordenador de um estudo de avaliação do potencial hídrico do oeste da Bahia, considera que a seca dos últimos anos não faz parte de um ciclo natural.

     

    “A seca é bem mais longa do que o normal, está entrando no sexto ano. E em 2017, apesar de ter voltado a chover em algumas áreas, as chuvas começaram muito tarde. O IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, órgão criado pelas Nações Unidas e pela Organização Meteorológica Mundial] prevê que haverá expansão da área de semiárido para o cerrado”, diz.

    A agropecuária é o principal emissor no Brasil dos gases que agravam o efeito estufa e resultam na elevação da temperatura média da atmosfera terrestre.

    Segundo o Sistema Nacional de Registro de Emissões, 33% delas vêm do setor de energia, a maioria da queima de combustíveis fósseis. Em segundo lugar estão as emissões diretas da agropecuária, com 31%, por meio do uso de fertilizantes (que leva à emissão de óxido nitroso), do metano expelido pelo gado e da queima de combustível por máquinas agrícolas e de transporte.

    Em terceiro lugar, no cômputo oficial, aparece o desmatamento, com 24%. Como a derrubada de florestas se faz para aumentar a área de pasto e agricultura, a agropecuária responde em realidade por 55% das emissões brasileiras.

    Hoje, o Matopiba concentra a maior área agricultável ainda disponível do país, em grande parte porque sua conversão foi tardia. O Sudeste começou a ser convertido para agropecuária séculos atrás, e a Amazônia, em grande escala, nos anos 1970.

    Acima, vista aérea de campo de soja em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia; abaixo, pivô usado para irrigar o campo – Avener Prado/Folhapress

    Já o cerrado começou a ser explorado apenas 30 anos atrás, com a chegada de imigrantes do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Vinham atrás das terras que eram muito baratas, por causa do desafio de fazer o solo ácido começar a produzir.

    Os produtores, no entanto, estão expandindo a atividade agropecuária para locais onde não há viabilidade econômica, por exigir uso excessivo de produtos químicos para corrigir solo e de irrigação, adverte André Guimarães, diretor-executivo do Ipam.

    “Não somos contra a produção agropecuária, mas é preciso ordenar a ocupação do Matopiba. Em vez de ficar expandindo a agropecuária para áreas onde não há viabilidade econômica, precisamos preservar essas áreas”, diz Guimarães.

    Muitos produtores, mesmo sem acreditar que a mudança climática veio para ficar, já se adaptam a uma realidade mais seca e quente. Pedro Cappellesso, 30, e sua família têm uma fazenda de mil hectares onde produzem 70 mil sacas de soja –suficientes para encher mais de cem carretas de três eixos.

    Como grande parte dos produtores da região, ele faz rotação de culturas e plantio direto, duas técnicas agronômicas para preservar o solo. No sistema de plantio direto, a terra não fica nua, sujeita a erosão e enxurradas, mas coberta com a “palhada”, restos de cultura como sorgo, milho, capim braquiária e milheto. Antes de semear, o solo não é revolvido por arado.

    A prática reduz a perda no solo por erosão e os gastos com combustível, sementes e adubo –e também as emissões. Cappellesso agora usa o sorgo para rotação de culturas. “Não plantamos mais o milho, porque consome muito mais água e nós entendemos que o rio está dando problema”, diz.

    O proprietário de fazenda Pedro Cappellesso em plantação de sorgo em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia; ele se prepara para uma realidade mais seca e quente – Avener Prado/Folhapress

    As seguidas secas que afetaram a região mais a concessão desorganizada de outorgas para retirada de água para irrigação vêm diminuindo a vazão de alguns rios. A água faz diferença na produtividade: a soja sem irrigação, ou de sequeiro, rende 60 sacas por hectare. Com ela, o rendimento sobe para 80 a 85 sacas.

    “O norte do cerrado vive uma situação crítica –se a seca persistir, a atividade agrícola na região se tornará antieconômica”, diz Mercedes Bustamante, do Departamento de Ecologia da UnB.

    O aumento da temperatura, aliado à redução da vazão dos rios e ao avanço das grandes propriedades, tem acirrado os conflitos fundiários e também por água.

    A região de Correntina (BA) foi palco de uma invasão em novembro de 2017. Cerca de mil pequenos agricultores ocuparam a Fazenda Igarashi e destruíram as instalações. Eles culpam a fazenda pela baixa na vazão do rio Arrojado, que está inviabilizando a agricultura dos ribeirinhos.

    Os pequenos produtores usam sistemas de irrigação tradicionais, como o rego e a roda d’água, que não funcionam quando a vazão do rio cai muito. A Igarashi voltou a funcionar recentemente e líderes locais afirmam que vão invadi-la de novo se os rios voltarem a baixar.

    “No ano passado, a água que vinha pelo rego [sulco construído pelos produtores para irrigação] sumiu, a gente tinha que ficar acordado a noite inteira e se revezar para empoçar um pouco de água e conseguir molhar a terra [irrigar]. Foi uma tristeza, morreu o milho, o feijão, tudo”, diz Adolfo Batista de Oliveira, 55, que planta um hectare de milho, batata e feijão para sustentar a família de seis.

    “A crise hídrica é óbvia, a redução da vazão dos rios é percebida por toda a população”, diz Luciana Khoury, promotora de Justiça Ambiental na região. Segundo ela, o problema é que não existe um plano de bacia estabelecendo o que pode ser retirado dos rios e do aquífero Urucuia, que abastece a região, sem ameaça à segurança hídrica.

    Ela pediu em dezembro de 2015 que fosse suspensa a concessão de outorgas para captação dos rios até que o plano de bacias ficasse pronto, mas sua recomendação não foi acatada pelo governo estadual.

    Homem atravessa ponte sobre riacho seco em Correntina (BA) – Avener Prado/Folhapress

    Segundo Marcos Costa, da UFV, os dados apontam uma diminuição média da vazão dos rios na região. Mas, para ele, o fenômeno se deve mais à seca prolongada do que ao aumento de retirada de água para irrigação.

    Ele diz que, hoje em dia, as outorgas para retirada de água são concedidas com base em informações que estão defasadas. “Não se analisa, por exemplo, qual é o impacto da multiplicação dos poços sobre as águas subterrâneas, como as do aquífero Urucuia.”

    Mercedes Bustamante ressalva que o agronegócio não constitui um bloco homogêneo. “Há uma parcela de grandes produtores agrícolas muito conscientes, que praticam uma agricultura sustentável inovadora, usando alta tecnologia”, diz.

    “Eles estão usando métodos de conservação do solo, reduzindo uso de fertilizantes, porque, além de ser ecologicamente positivo, reduz o risco econômico.”

    Para o climatologista Carlos Nobre, a agricultura cometerá “suicídio se não se adaptar às mudanças climáticas que já ocorrem e que continuarão a ocorrer por muito tempo no futuro, como, por exemplo, o aumento dos extremos climático como secas e ondas de calor que tantos prejuízos trazem.”

    Procuradas pela reportagem, as empresas que bancam as palestras do professor cético dizem não compactuar com suas ideias e afirmaram estar comprometidas com ações de mitigação para mudanças climáticas. A Fertilaqua informou que contrata Molion porque ele tem boa credibilidade para previsão do tempo e é demandado por clientes, não por causa de sua campanha contra a ideia de aquecimento global.

    Segundo a Syngenta, a contratação se deu devido ao amplo conhecimento de Molion sobre o cultivo do café e seu sistema de previsibilidade climática. “Essa visão [ceticismo climático] não se alinha com a da Syngenta”, disse a empresa em nota.

    A John Deere afirma que as declarações feitas por qualquer palestrante em eventos afiliados à John Deere são opiniões pessoais e não representam o posicionamento da empresa. A multinacional disse também reconhecer a mudança climática e estar comprometida com agricultura sustentável.

    Homens trabalham na colheita de bananas em Barreiras, na Bahia – Avener Prado/Folhapress

    Já a Casa do Adubo, rede de lojas de insumos agropecuários, afirmou que contrata o palestrante porque ele acerta nas previsões do tempo, mas também por suas críticas à tese do aquecimento global.

    Molion afirma que as empresas o contratam como chamariz, porque sabem que suas palestras são populares.

    “Ele acerta na previsão de secas, mostra que não existe aquecimento global e que não é tudo culpa do agricultor”, diz Alexandre Moreira Maciel, 41, que produz banana e mamão na região de Barreiras (BA).

    “Gostamos muito das avaliações científicas dele, e em 2010 ele previu a seca pesada que tivemos em 2012”, diz Nílson Vicente, diretor-executivo da Fundação Bahia. “Se existisse mesmo esse aquecimento global, o café já ia ter sentido, porque é muito sensível à temperatura.”

    Há outros cientistas na região que compartilham da opinião de Molion, como Ricardo Reis Alves, professor de geografia da Universidade Federal do Oeste da Bahia, constantemente consultado pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

    “O filme do [ex-vice-presidente dos EUA] Al Gore deveria chamar ‘Uma mentira conveniente’, não “Uma verdade inconveniente”, diz o agrônomo Valmor dos Santos, 59, vice-presidente do Programa de Agronomia Sustentável em LEM. “São interesses estrangeiros tentando prejudicar nossa agricultura, a mais produtiva do mundo.”

     

     

    https://arte.folha.uol.com.br/ciencia/2018/crise-do-clima/cerrado/agronegocio-banca-palestras-de-cetico-sobre-mudanca-climatica-para-ruralistas-no-matopiba/

     

     

    Prof Luciano Mannarino

  • Rio Jordão, Colinas de Golã, Israel e a Síria. (Atividade)

    Rio Jordão, Colinas de Golã, Israel e a Síria. (Atividade)

    A Bacia Hidrográfica do Rio Jordão.

    Uma bacia hidrográfica, como a do Rio Jordão, pode ser motivo de tensão devido à disputa pelo acesso e controle de seus recursos hídricos, especialmente em regiões áridas como o Oriente Médio. No caso do Jordão, suas nascentes nas Colinas de Golã, uma área antes pertencente à Síria e agora sob controle israelense, são um exemplo de como o controle da água pode se tornar um ponto central em conflitos territoriais e políticos.

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    As Colinas de Golã abrigam as nascentes do Rio Jordão. 

    O acesso a fontes de água potável é vital para a agricultura, abastecimento urbano e estabilidade econômica, tornando-se uma questão estratégica e, muitas vezes, fonte de disputa entre países e comunidades

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    Mar da Galiléia

    Questões

    Como a ocupação das nascentes do Rio Jordão nas Colinas de Golã pela Síria e depois por Israel influenciou as tensões geopolíticas na região?

    Avalie o papel estratégico dessas nascentes no controle dos recursos hídricos.

    Por que uma bacia hidrográfica, como a do Rio Jordão, pode ser motivo de tensão entre diferentes países e comunidades?

    Considere os aspectos de escassez de água e a necessidade de compartilhamento de recursos.

    De que forma o significado religioso e histórico do Rio Jordão acrescenta camadas de complexidade aos conflitos em torno de seu controle?

    Explore como as crenças religiosas e a história impactam as reivindicações territoriais.

    Como o controle dos recursos hídricos pode ser utilizado como ferramenta de poder nas disputas entre países no Oriente Médio?

    Analise como a água é uma fonte de influência e pressão política na região.

    Quais são os principais desafios que a bacia hidrográfica do Rio Jordão enfrenta em termos de sustentabilidade e gestão compartilhada?

    Discuta as implicações de gestão transfronteiriça de um recurso natural tão vital.

    Prof . Luciano Mannarino.

    UM MUNDO DE MUROS (CISJORDÂNIA E ISRAEL)

    ONU pede que Israel mude plano ‘ilegal e perigoso’ de anexar terras da Cisjordânia (atividade)

    @geoverdade

  • Os Climas no Brasil (atividade)

    Os Climas no Brasil (atividade)

    Os climas no Brasil

    O Brasil apresenta uma considerável tipologia climática, decorrente diretamente de sua extensão geográfica e da conjugação entre os elementos atmosféricos e os fatores geográficos particulares da América do Sul e do próprio País. Entre os principais fatores que determinam os tipos climáticos brasileiros, destacam-se:

    • configuração geográfica, manifestada na disposição triangular do território, cuja maior extensão dispõe-se nas proximidades da Linha do Equador, afunilando-se em direção sul. Isso explica a grande extensão do Clima Equatorial em relação as demais.
    • maritimidade, pois o litoral tem uma considerável extensão e é banhado por águas quentes — particularmente a corrente sul equatorial e a corrente do Brasil – e frias – corrente das Malvinas (ou Falklands). Isso explica a elevada umidade dos climas litorâneos na faixa nordeste e sudeste.
    • continentalidade, A disposição geográfica do “continente Brasil” apresenta uma expressiva disposição continental interiorana, ou seja, uma expressiva extensão de terras que se encontra consideravelmente afastada da superfície marítima, formando um amplo interior. Isso explica a existência de nuances do Tropical influenciado pela continentalidade: O Tropical Semi úmido.
    • modestas altitudes do relevo, expressas em cotas relativamente baixas e cujos pontos extremos atingem somente cerca de 3.000 m, isso explica a existência de variação climáticas influenciada pela altitude no Brasil. Na serra do mar, o Tropical de Altitude e nas serras do sul (catarinense e gaúcha) um Subtropical com médias mais baixas.
    • extensão territorial, que compreende uma área de cerca de 8.511 milhões, disposta em sua grande maioria no hemisfério Sul — o hemisfério das águas. Isso explica a existência de vários climas em nosso país. Estudos aponta para cerca de 14 padrões climáticos.
    • posição geográfica, o país se encontra, em sua maior parte na faixa tropical. Isso explica a existência de climas Tropicais e o Equatorial. No Sul, após a linha do trópico de capricórnio, aparece o Subtropical
    • disposição do relevo, a distribuição dos grandes compartimentos de serras, planaltos e planícies, formam verdadeiros corredores naturais para o desenvolvimento dos sistemas atmosféricos em grandes extensões, principalmente de movimentação norte-sul. Isso explica a facilidade que a massa polar atlântica tem de atingir porções do centro oeste e até o norte do país.
    • dinâmica das massas de ar, das quais as que mais interferem no Brasil são a equatorial (continental e atlântica), a tropical (continental e atlântica) e a polar atlântica. O predomínio de massas úmidas e quentes explica a tropicalidade do nosso clima.
    • vegetação, a considerável evapotranspiração das áreas com vegetação exuberante, como a Amazónia e a serra do Mar contribuem para existência de climas úmidos.
    • atividades humanas, a alteração provocada na atmosfera pelas extensas regiões de agricultura/pecuária de localidades de expressiva espacialização urbano-industrial, como as áreas metropolitanas na porção litorânea e centro-sul, deve ser mencionada ao se arrolar os fatores geográficos na composição dos grandes climas brasileiros e de climas locais (microclimas urbanos).

    Pelas características da atmosfera e, de maneira especial, pelas condições estáticas e dinâmicas particulares ao território brasileiro, pode-se constatar a existência de cinco grandes compartimentos climáticos.

    Essa divisão, baseada principalmente na distribuição da temperatura e da pluviosidade registradas no conjunto da Nação, associada às características geográficas e à dinâmica das massas de ar, é acrescida aqui de outras características e de climogramas que realçam os subtipos de cada um dos grandes tipos climáticos brasileiros.

    Os cinco principais tipos climáticos do País detêm um elevado grau de generalização dos elementos climáticos, notadamente de suas médias, em relação à considerável extensão dos territórios aos quais são atribuídos. Esses grandes domínios abarcam uma infinidade de subtipos climáticos particulares que, uma vez analisados, permitem conhecer a diferenciação interna de cada um dos grandes tipos aqui apresentados.

    https://www.kuadro.com.br/gabarito/unesp/2013/geografia/unesp-2013-2a-fase-questo-8-analise-os-climogramas/35710

    Assim, ao se fazer a caracterização genérica dos cinco grandes domínios climáticos brasileiros, detalhando-os em vários subtipos, faz-se uma aproximação à realidade climática do Brasil a evidência de alguns de seus detalhes é apresentada em climogramas e nos controles atmosféricos relativos a cada subtipo.

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    Fonte: Climatologia Noções básicas e Climas do Brasil – Francisco Mendonça/Inês Moresco Danni-Oliveira. Oficina de Textos.
    Reflexões sobre a Geografia Física no Brasil – Antonio Carlos Vitte/Antonio José Teixeira Guerra – Bertrand Brasil

    Questões

    1. O texto menciona as “condições estáticas e dinâmicas particulares ao território brasileiro” para definir cinco grandes padrões climáticos. O que são condições dinâmicas? Exemplifique.
    2. Analise o papel da massa polar atlântica no clima brasileiro apontando os meses em que ela é mais atuante.
    3. Por que a ação antrópica vem sendo cada vez mais evidenciada nas condições climáticas ao longo mundo?
    4. Por que há um predomínio de climas quentes e úmidos na faixa tropical do planeta?
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    Prof Luciano Mannarino.

    CLIMAS DO MUNDO – TROPICAL

  • Rios voadores (atividade)

    Rios voadores (atividade)

    Antonio Donato Nobre – Rios Voadores (Pesquisa FAPESP)

    Os “rios voadores” têm um papel fundamental na dinâmica climática do Brasil. Eles são correntes de vapor d’água que se originam na floresta amazônica através do processo de evapotranspiração, onde as árvores liberam grandes quantidades de vapor na atmosfera. Este vapor é transportado pelos ventos para outras regiões do país, contribuindo significativamente para a formação de chuvas.

    No Brasil, essas correntes de vapor afetam diretamente o clima das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Quando o vapor se encontra com massas de ar mais frias e se condensa, resulta em precipitação, trazendo chuvas essenciais para manter os níveis de água nos rios, reservatórios e para a agricultura. Esse processo é especialmente importante durante o período seco, ajudando a regular o ciclo da água e garantindo a umidade necessária para as plantações e o abastecimento urbano.

    Sem eles, essas regiões seriam muito mais secas, enfrentando maiores riscos de estiagens e impactos severos na agricultura e no fornecimento de água. A floresta amazônica, ao liberar esse vapor, atua como um regulador climático natural, influenciando a temperatura e a umidade do ar. Dessa forma, os “rios voadores” destacam a importância da Amazônia para o equilíbrio climático do Brasil, mostrando como a conservação da floresta é vital para a sustentabilidade e a manutenção das condições de vida em diversas partes do país.

    Questões

    O que são os “rios voadores” e como eles se formam?

    Qual é o papel da floresta amazônica na formação dos “rios voadores”?Como os “rios voadores” influenciam o clima em diferentes regiões do Brasil?

    Por que a conservação da floresta amazônica é essencial para a manutenção dos “rios voadores”?

    Como a ausência dos “rios voadores” poderia impactar a agricultura e o abastecimento de água no Brasil?

    Explique como os ventos alísios contribuem para o movimento dos “rios voadores”.

    De que maneira os “rios voadores” ajudam a regular as temperaturas e a umidade do ar nas regiões que eles atingem?

    Qual é o impacto da expansão agrícola e do desmatamento na dinâmica dos “rios voadores”?

    Como o conhecimento sobre os “rios voadores” pode contribuir para a conscientização ambiental e a preservação da Amazônia?

    Prof. Luciano Mannarino