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Modelos de atividades para a Sala de Aula (Geografia)
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Projetos ferroviários de R$ 40 bilhões disputam grãos de Mato Grosso
Competição por pioneirismo é foco de embates entre empreendedores e governo
17.mai.2021 às 23h15
RIO DE JANEIRO
Com perspectiva de dobrar a produção de grãos nos próximos anos, o agronegócio de Mato Grosso é hoje disputado por três bilionários projetos ferroviários que, para o governo, podem revolucionar a logística de transportes da produção agrícola do país.
Juntos, os projetos demandariam ao menos R$ 40 bilhões em investimentos, para adicionar quase 2.000 quilômetros à malha ferroviária do país. O mais adiantado é o menor deles, a Fico (Ferrovia de Integração do Centro-Oeste), que será construída pela Vale.
O governo aposta suas fichas no mais complexo, a Ferrogrão, que liga Sinop (MT) aos portos de Miritituba e Santarém, no Pará, que enfrenta resistências no Ministério Público e críticas de especialistas que temem o risco de despejo de dinheiro público nas obras.

Trem da ALL, atual Rumo Logística, passando pela malha da MRS, próximo da Estação Evangelista de Souza, no bairro Emburá, extremo sul da cidade de São Paulo – Eduardo Anizelli/Folhapress A expectativa é licitar a ferrovia ainda este ano, mas a meta depende de derrubada de liminar do STF (Supremo Tribunal Federal) que suspendeu a alteração de limites da Floresta Nacional do Jamanxim (PA) para a passagem dos trilhos.
Em outra frente, a Rumo Logística tenta convencer o governo que tem direito a construir um ramal expandindo sua malha de Rondonópolis (MT), onde já atua, até Lucas do Rio Verde (MT) para transportar a produção do estado até o porto de Santos.
Atualmente, a Rumo já opera no transporte de grãos de Mato Grosso por meio de seu terminal em Rondonópolis, mas a maior parte da produção agrícola local é transportada ainda por caminhões, modal ineficiente para esse tipo de carga e as longas distâncias que percorre.

Com a pavimentação do trecho norte da BR-163, que tem traçado parecido ao da Ferrogrão, os produtores locais já comemoram redução de 20% no custo de transporte, mas são entusiastas da perspectiva de maior economia com os projetos ferroviários
“Se não tivermos concorrência entre os modais de transporte, o frete sempre será caro”, diz o presidente da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja), Antônio Galvan. “O modal rodoviário hoje está superado, só utilizamos porque é o único que temos.”
Galvan diz ver demanda para os três projetos, mas o temor de que a competição inviabilize investimentos bilionários é foco de embates entre empreendedores e o governo, tornados públicos no fim de abril pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.
Em evento com empresários do setor de construção do Maranhão, o ministro disse que questionamentos ambientais sobre a Ferrogrão são “cortina de fumaça” patrocinada por interesses econômicos contra o projeto.
“Eu vou lá, patrocino uma ONG, pego um indígena, boto debaixo do braço, vou lá na Redação do jornal para dar o pau, dizer que a ferrovia é ruim”, afirmou, acusando operadores de ferrovias que cobrariam hoje frete equivalente ao ferroviário para transportar os grãos.
Freitas não citou nomes, mas a crítica foi dirigida à Rumo, única empresa que presta o serviço atualmente e apontada como a principal concorrente da Ferrogrão. A companhia, de fato, tem atuado nos bastidores para viabilizar seu projeto antes.
A empresa não dá entrevista sobre o assunto. Junto ao governo, defende que o contrato de concessão da malha que opera permite a expansão rumo ao norte de Mato Grosso. O governo alega que essa cláusula foi extinta e tenta empurrar o projeto para viabilizar a ferrovia para o Pará.
A Rumo dependeria, portanto, de aprovação de projeto de lei que altera o marco legal do setor ferroviário e permite a construção de ferrovias por autorização e não pelo modelo de concessão, que prevê concorrência pública.
O Ministério da Infraestrutura deixa claro que a Ferrogrão é sua prioridade na área de transporte e, nos bastidores, a Rumo acusa o governo de atrasar seu projeto para viabilizar o projeto concorrente.

Presidente da República, Jair Bolsonaro, ao lado do ex-presidente Fernando Collor de Melo e de Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, durante cerimonia, em Maceió/AL, para a entrega de 500 unidades habitacionais Alan Santos/Alan Santos – 13.mai.21/PR O modelo de concessão da Ferrogrão prevê, inclusive, a criação de um fundo com recursos de concessões de outras ferrovias para bancar imprevistos, entre eles a entrada em operação do ramal da Rumo antes de 2045. Isto é, se a empresa acelerar seu projeto, o fundo teria que bancar parte da receita da outra ferrovia.
Para críticos da obra, como o economista Cláudio Frischtak, da consultoria Inter.B, essa possibilidade é um sinal de que o projeto tem riscos de não parar de pé sem aporte de dinheiro público — o que o Ministério da Infraestrutura afirma que não ocorrerá.
Como é uma ferrovia ponta a ponta, sem terminais intermediários, a Ferrogrão só poderá entrar em operação quando estiver totalmente concluída, o que está previsto para 2030. Para garantir o pagamento do financiamento, precisa de ao menos 20 milhões de toneladas nos primeiros anos.
A Rumo alega que seu projeto corre menos risco porque começa a gerar receita assim que o primeiro trecho do novo ramal for concluído, uma vez que a ligação restante com o porto de Santos já é operacional.
A terceira ferrovia projetada para chegar a Mato Grosso, a Fico, foi incluída como contrapartida à renovação de concessões ferroviárias da Vale. A mineradora ficará responsável pelas obras e, quando concluído, o trecho deve ser concedido em leilão.
A princípio, ela ligará Mato Grosso à Ferrovia Norte-Sul, abrindo uma nova alternativa logística para escoamento da produção do Centro-Oeste pelo Maranhão. Caso o governo consiga concluir também a Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), a Fico ganha conexão com o porto de Ilhéus (BA).

Marcassa diz que as projeções de crescimento da produção de grãos no Centro-Oeste permitem a coexistência dos três projetos. A Ferrogrão prevê 40 milhões de toneladas e a expansão da Rumo, outras 40 milhões. A Fico terá capacidade inicial de 10 milhões.
O Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) projeta já para 2030 uma produção de cerca de 120 milhões de toneladas de soja e milho. Incluindo o arroz, Galvan fala em 150 milhões, dobrando a capacidade de produção atual.
“Ainda tem a carga de retorno”, acrescenta a secretária de Fomento, Planejamento e Parcerias do Ministério da Infraestrutura, Natália Marcassa. “A Malha Norte sobe com Coca-Cola e fralda descartável para o MT, tem carga de fertilizante para Ferrogrão… Hoje todo esse centro é alimentado por caminhão em carga geral.”
“E tem todo o restante, algodão, pecuária, congelados… Depois vai aparecer minério e outras coisas”, afirma Galvan. “Com certeza essas três ferrovias vão ter que ser ampliadas no futuro.”
Questões
1.Aponte a importância do modal ferroviário no aumento da nossa competitividade no setor agropecuário.
2.Caracterize cada um dos grandes biomas brasileiros que a malha ferroviária ferrogrão atravessará.
3 Por que o Centro Oeste se tornou um celeiro agrícola nas últimas décadas?
4 Aponte uma vantagem dos portos do norte em relação aos portos do sudeste na exportação de grãos.
Prof. Luciano Mannarino
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Brasil deveria entrar na ‘nova rota da seda’ da China? Talvez já esteja
Brasil deveria entrar na ‘nova rota da seda’ da China? Talvez já esteja
15.maio.2021 às 14h57

Vista aérea de barragem financiada pela China no Equador. Federico Rios Escobar/The New York Times
Igor Patrick
Os números alardeados pela propaganda oficial impressionam: 70 países participantes, US$ 690 bilhões em investimentos e um longo cinturão conectando o leste asiático à Europa, África e, mais recentemente, à América Latina.
Sob vários ângulos, a “nova rota da seda da China” —oficialmente “Iniciativa do Cinturão e Rota”— tinha tudo para se tornar o projeto do século, o ponto de virada que tornaria Pequim um grande centro do comércio internacional.
O cancelamento de acordos assinados pela Austrália com a iniciativa e as dúvidas quanto à capacidade de economias de menor porte honrarem débitos contraídos com os bancos chineses, porém, acenderam o alerta amarelo: faz sentido para o Brasil se juntar ao pacote bilionário de infraestrutura?
Anunciado em um discurso do líder chinês Xi Jinping no Cazaquistão, o projeto surgiu com menos coesão do que faz parecer o governo. Falando a estudantes da Universidade Nazarbayev, Xi pregou o “estreitamento dos laços econômicos, o aprofundamento da cooperação e a expansão do espaço de desenvolvimento na região da Eurásia. Devemos adotar uma abordagem inovadora e construir em conjunto um cinturão econômico ao longo da Rota da Seda”, disse ele, em referência ao lendário trajeto que ligava a Ásia à Europa por volta de 200 a.C.
Membro sênior do John L. Thornton China Center do Brookings Institution, David Dollar era emissário do Tesouro americano na embaixada dos EUA em Pequim à época do discurso. Em entrevista à Folha, ele conta que a criação da marca “nova rota da seda” foi menos um projeto novo e mais uma forma de dar coesão a uma série de iniciativas que a China já vinha desenvolvendo desde que começou a internacionalização de empresas nacionais e o fortalecimento de laços diplomáticos estratégicos.
“Eles já estavam desenvolvendo vários projetos no exterior desde 2008, e Xi Jinping criou uma marca para algo que já existia. Surpreendentemente, a reação da imprensa ocidental a esse discurso e o destaque que os jornais deram ao termo [nova rota da seda] foram os prováveis fatores a consolidar a iniciativa para os chineses. Já naquela época era, sem dúvidas, um importante pacote de incentivos econômicos voltados ao desenvolvimento, mas o slogan político ajudou a dar credibilidade”, opina o economista.

Chineses visitam exposição sobre Iniciativa do Cinturão e Rota durante conferência organizada pelo Ministério dos Recursos Humanos. OIT/Divulgação A impressão de que a Iniciativa do Cinturão e Rota surgiu mais como uma campanha publicitária do que um projeto bem delineado talvez ajude a explicar as evidências coletadas por Dollar nos anos seguintes ao anúncio de Xi.
Acompanhando o desenvolvimento do projeto, o economista conta que, a despeito dos anúncios grandiosos, os países que resolveram aderir ao projeto não receberam maiores investimentos chineses — em comparação com as economias que decidiram não se juntar à rota.
“Se você pegar os discursos oficiais de Xi e os documentos chineses, é sempre possível encontrar referências ao Cinturão e Rota como o coração de uma grande estratégia conectando a Ásia Central à Europa e à África, seja por terra ou pelo mar. Porém, a maior parte dos investimentos chineses em infraestrutura não está concentrada neste corredor. O Brasil e vários países africanos, por exemplo, receberam muito mais dinheiro, mesmo que nem todos estejam oficialmente ligados ao projeto chinês.”
Diplomacia flexível
Pesquisadores dos investimentos estrangeiros no Brasil, os professores Fábio Morosini da UFRGS e Michelle Ratton Sanchez, da FGV-SP, acompanham há anos o linguajar jurídico dos contratos assinados por empresas chinesas. Conduzindo um levantamento sobre a participação da China no setor de energia elétrica brasileiro, eles avaliam que a indiferença quanto a aderir ou não a Iniciativa do Cinturão e Rota se dá pelo dinamismo dos acordos selados pelos chineses.
“Existe uma discussão grande sobre o que é o modelo de cooperação dos Estados Unidos, ou como funcionam os marcos regulatórios da União Europeia. Percebemos que parece não haver um modelo chinês. Há flexibilidade para adaptar negócios, o que possibilita entrar em mercados diferentes, avaliando as ferramentas regulatórias e sensibilizando as estratégias de acordo com o ambiente jurídico local”, afirma Sanchez.
Além disso, segundo Morosini, comparações preliminares entre os acordos da Iniciativa assinados com países asiáticos ou europeus e os memorandos em vigor no Brasil parecem não trazer grandes diferenças.
O professor afirma que o Brasil já consolidou a posição de principal destino de investimentos chineses na América Latina e maior parceiro comercial de Pequim na região, dinâmica que uma negativa à Iniciativa do Cinturão e Rota dificilmente mudaria.
“Estudamos acordos bilaterais assinados entre 2005 e 2018, o que nos permitiu concluir que o tipo de linguagem e as áreas estratégicas previstas nas relações sino-brasileiras são quase iguais [aos da Iniciativa do Cinturão e Rota]”, diz Morosini. “A provocação que fazemos é: será que ainda faz sentido debater se vale se juntar ou não à Iniciativa quando a China já conseguiu entrar no Brasil, digamos assim, utilizando de instrumentos jurídicos tão parecidos?”
Iniciativa avança pela América Latina
Se para o Brasil o debate não parece mais fazer sentido, outros países latino-americanos enxergam o projeto chinês como um farol de possíveis investimentos na região.
Nos memorandos de entendimento, promessas para a construção de grandiosos projetos de infraestrutura ajudam a seduzir economias menos robustas, com menores ofertas de investimento estrangeiro direto disponíveis. A realidade, contudo, mostra que a diplomacia chinesa tem encontrado dificuldade em viabilizar esses projetos e ainda não conseguiu “encher os olhos” dos países mais representativos na região.

Países na América Latina signatários da ‘nova rota da seda’ chinesa Pesquisador associado ao Instituto Internacional de Estudos Asiáticos da Universidade de Leiden, Rafael Abrão conta que, originalmente, a América Latina não seria incluída no projeto chinês, mas se tornou integrante por uma demanda dos países locais, ávidos por dinheiro chinês.
Sem grande planejamento de antemão, os chineses anunciaram a chegada do projeto à região trazendo poucos investimentos novos e renomeando iniciativas antigas —e algumas até já concluídas— como parte do Cinturão e Rota.
“Os chineses vêm ampliando a relevância na região há muito tempo e a América Latina é essencial ao desenvolvimento deles, à medida em que se consolida como a principal fonte de commodities. Tem um pouco de propaganda [na Iniciativa], mas parece haver também um desejo genuíno de impulsionar uma infraestrutura que facilite o escoamento e a exportação dessas mercadorias para a China”, afirma Abrão.
O pesquisador destaca que todos os países latinos possuem déficits de infraestrutura e podem se beneficiar de possíveis parcerias com os chineses, embora seja necessário avaliar os riscos. Recentemente, a construção mal planejada de hidrelétricas no Equador usando dinheiro chinês deixou Quito em débito com o país, que agora quer ser ressarcido com petróleo, como previa o contrato inicial.
O fracasso do investimento prejudicou a imagem da China entre equatorianos e fez ressurgir o temor da “armadilha da dívida”, usada por países europeus e pelos EUA para acusar Pequim de coagir economias frágeis a assumirem grandes empréstimos, exigindo concessões quando não conseguem receber de volta o dinheiro.
“Esse risco não é recente e não se restringe à China. A própria Argentina está em uma situação bem delicada com o dinheiro que pegou do FMI. Mesmo assim, é importante que os países sejam responsáveis ao assumir compromissos de longo prazo com bancos chineses”, aconselha Abrão.
Dollar segue o mesmo entendimento. “Não gosto desse conceito de ‘armadilha da dívida’ porque não acredito nem por um segundo que chineses emprestam dinheiro já na expectativa de levar um calote. Se estes exemplos nos dizem algo, é que bancos chineses têm feito um trabalho ruim na análise de risco e que os países precisam escolher levantar projetos sustentáveis”.
Prof Luciano Mannarino
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Israel concentra tropas na fronteira com Gaza em meio a foguetes do Hamas e conflitos internos
Forças israelenses e grupo islâmico ignoram apelos internacionais e mantêm piores confrontos em anos
13.mai.2021 às 9h32
Atualizado: 13.mai.2021 às 12h01
GAZA e JERUSALÉM | AFP e REUTERS
Tropas israelenses se concentraram na fronteira de Gaza nesta quinta-feira (13), e militantes do grupo islâmico Hamas mantiveram disparos de foguetes contra Israel, em conflitos que causam preocupação internacional e acirram hostilidades entre judeus e a minoria árabe em várias cidades do país.
No total, ao menos 90 pessoas morreram desde segunda-feira (10) —83 em Gaza, incluindo 17 crianças, segundo o Ministério da Saúde local, e 7 em Israel, de acordo com autoridades médicas israelenses— e mais de 500 ficaram feridas.
“Estamos em uma situação de emergência, e agora é necessário reforçar massivamente as forças no terreno”, afirmou o ministro da Defesa israelense, Benny Gantz, ao anunciar a convocação de oficiais militares da reserva para reforçar a segurança e o deslocamento de tropas que normalmente estão locadas na fronteira com a Cisjordânia para a região de Gaza.
O porta-voz do braço armado do Hamas, Abu Ubaida, respondeu ao agrupamento das tropas em tom de desafio, pedindo aos palestinos que se levantassem.”Juntem-se como quiserem, do mar, da terra e do céu. Nós nos preparamos para tipos de mortes que fariam vocês amaldiçoarem a si mesmos”, disse.

Soldados israelenses assumem posição em região próxima à fronteira com a Faixa de Gaza – Menahem Kahana – 13.mai.21/AFP De acordo com as Forças Armadas de Israel, as operações militares do país estão focadas em atingir membros do alto escalão do Hamas. Nesta quarta, a ofensiva matou ao menos 16 líderes de inteligência e membros da ala militar da facção. As baixas, no entanto, foram consideradas pelo Hamas como martírios e servirão de “combustível para nosso projeto de libertar nossa terra”.
Diversas lideranças mundiais pediram o fim da escalada de violência, temendo uma guerra aberta entre os dois lados. Os pedidos desacompanhados de ações práticas, porém, não surtiram efeito sobre o maior pico de hostilidades desde 2014.
Em novos ataques aéreos contra Gaza, Israel atingiu um prédio residencial de seis andares que, segundo os militares israelenses, pertence ao Hamas. O grupo islâmico, que comanda a Faixa de Gaza desde 2007, é considerado uma facção terrorista por EUA, União Europeia e, claro, Israel.
“Estamos enfrentando Israel e a Covid-19. Estamos entre dois inimigos”, disse Asad Karam, 20, um trabalhador da construção civil à agência de notícias Reuters, referindo-se à sobrecarga dos hospitais em Gaza devido às centenas de feridos que agora dividem espaço com os contaminados pelo coronavírus.
Autoridades de saúde de Gaza disseram ainda que estão analisando amostras para investigar a morte de várias pessoas durante a noite desta quarta-feira (12) devido a uma suposta inalação de gás venenoso, mas que não chegaram a uma conclusão.
O Hamas já lançou cerca de 1.600 foguetes contra cidades israelenses, de acordo com os militares de Israel, que dizem ter bombardeado Gaza em mais de 600 ocasiões desde segunda-feira. A maior parte dos foguetes do Hamas tem sido interceptada pelos sistemas de defesas antimísseis, que forçam a detonação dos projéteis inimigos a quilômetros de altitude, muitas vezes ainda em território palestino. Um foguete, entretanto, atingiu um prédio perto de Tel Aviv, segunda maior cidade e capital econômica de Israel, e feriu cinco pessoas.
Principalmente na região sul do país, os moradores tiveram que voltar a conviver com as sirenes que alertam sobre os perigos dos disparos inimigos e iniciam uma corrida para os abrigos antiaéreos públicos e os espaços de paredes reforçadas mantidos por grande parte da população para situações como essa.
Cidades israelenses como Haifa, Jafa e Lod —que ordenou, nesta quinta, toque de recolher das 20h às 3h— também têm sido palco de manifestações da população árabe em apoio à causa palestina. Sinagogas foram atacadas e conflitos eclodiram nas ruas de algumas comunidades, levando prefeitos locais e até o presidente de Israel a alertar sobre o perigo de uma guerra civil.
“Há uma ruptura entre árabes e judeus, e há um preço a pagar”, disse o renomado pesquisador e professor israelense Elie Rekhess, da Universidade Northwestern, no estado americano de Illinois, em entrevista à Folha. “Talvez seja um alerta para que os políticos de ambos os lados lidem com esse problema. Mas não teremos uma guerra civil.”
Grupos judeus e árabes atacaram pessoas e danificaram lojas, hotéis e carros durante a noite desta quarta. Na cidade de Bat Yam, ao sul de Tel Aviv, extremistas judeus realizaram uma marcha em que, de acordo com imagens da TV israelense, uma multidão atacou um motorista palestino —não há informações sobre o estado de saúde dele.
“A violência dentro de Israel atingiu um nível inédito em décadas”, disse o porta-voz da polícia israelense, Micky Rosenfeld, à agência de notícias AFP. Segundo ele, mais de 400 pessoas foram presas e quase mil agentes da guarda de fronteira foram mobilizados para conter a violência em cidades que antes eram vistas como símbolos da convivência entre árabes e judeus.
“O que está acontecendo nos últimos dias nas cidades de Israel é insuportável. Nada justifica este linchamento de árabes pelos judeus e nada justifica o linchamento de judeus pelos árabes “, disse o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, acrescentando que o país vive um “combate em duas frentes”.
Sem conseguir, até agora, frear a escalada de violência, o Conselho de Segurança da ONU fará, nesta sexta-feira (14), a terceira reunião da semana para discutir o cenário atual. Durante as duas primeiras videoconferências, representantes dos EUA se opuseram a declaração conjunta que pedia o fim dos confrontos, por considerá-la “contraproducente” e “inoportuna” neste momento.
A proposta de resolução pedia, entre outros pontos, que Israel respeitasse a lei internacional, interrompesse a construção de assentamentos em territórios ocupados e se comprometesse a não realizar despejos de palestinos que vivem em Jerusalém Oriental —tema que está no centro da atual onda de violência.
O embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan, enviou nesta quinta uma carta à entidade em que culpa o Hamas pelo conflito, mas diz que “Israel tem o direito e o dever de defender seu povo e sua soberania e continuará a fazê-lo vigorosamente”.
“O Hamas está se apresentando como o ‘defensor de Jerusalém e dos locais sagrados’. Isso é, obviamente, uma mentira. É claro que o Hamas premeditou esta escalada de violência e terrorismo e está feliz em pagar o preço das baixas de ambos os lados para se fortalecer politicamente”, afirma Erdan, no documento.

Míssil lançado por Israel atinge prédio na cidade de Gaza Mohammed Abed – 11.mai.21 /AFP Nesta quinta, Hua Chunying, porta-voz da diplomacia da China, país que neste mês chefia o Conselho de Segurança da ONU, lamentou que “alguns países” —sem citar quais— estejam obstruindo o texto. Ela reiterou a preocupação da China com a crise na região e a posição de Pequim na defesa da solução de dois Estados, um israelense e um palestino, para encerrar o conflito.
O presidente russo, Vladimir Putin, e o secretário-geral da ONU, António Guterres, também reforçaram seus pedidos por paz. “Dada a escalada do conflito israelense-palestino, [ambos os líderes] determinaram que a principal tarefa é o fim da violência entre as duas partes e a garantia da segurança da população civil”, anunciou o Kremlin após uma videoconferência entre as duas lideranças.
Em uma das poucas medidas concretas anunciadas pela comunidade internacional, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, enviou seu principal diplomata para a região, Hady Amr, para negociar com os dois lados uma solução que ponha fim à violência. A declaração aconteceu depois de as principais companhias aéreas americanas cancelarem todos os voos para Tel Aviv devido aos confrontos, movimento que foi seguido nesta quinta por empresas de aviação europeias.
Militantes do Hamas disseram ter lançado foguetes sobre o aeroporto internacional de Ramon, um dos principais de Israel, mas as autoridades portuárias do país disseram que o local, que recebe cerca de dois milhões de pessoas por ano, não foi atingido e segue operando normalmente.
Blinken também falou por telefone com o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas —que atualmente controla a Cisjordânia, mas não tem ingerência sobre o Hamas e a Faixa de Gaza. Na ligação, ele condenou os ataques aéreos e enfatizou a necessidade de diminuir a tensão.
Durante o início da noite, o presidente Joe Biden conversou por telefone com Netanyahu. O americano apoiou o direito de Israel de se defender dos foguetes do Hamas, mas pediu calma para que a situação fosse resolvida rapidamente, de acordo com comunicado da Casa Branca. O governo israelense respondeu em nota que vai manter seus ataques contra alvos do Hamas.
A nova fase de hostilidades, que inclui os bombardeios mais significativos desde a guerra de 2014 no enclave, foi desencadeada por confrontos entre palestinos e forças de segurança israelenses na mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém.
A cidade, sagrada para judeus, palestinos, cristãos e muçulmanos, vive um estado de tensão desde o início do ramadã, mês mais importante para a tradição religiosa islâmica. Em circunstâncias normais, as ruas de Gaza estariam cheias de palestinos, nesta quinta-feira, celebrando o feriado do Eid al-Fitr, que marca o fim do ramadã. Mas o medo tomou o lugar da festa.
“Este Eid é diferente. Vem com bombardeios, medo e horror”, disse Fahd Ramadan, 44, morador de um campo de refugiados em Gaza, à Reuters. As celebrações também foram ofuscadas em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, além de em outras cidades de Israel, já que parte dos muçulmanos que vivem no país também preferiram não sair de casa para se proteger dos foguetes.
O Hamas, grupo radical islâmico que comanda desde 2007 a região da Faixa de Gaza, rivaliza com o Fatah, que controla a Cisjordânia e a ANP —tradicionalmente reconhecida internacionalmente como representante oficial dos palestinos. Entre a década de 1960 e o início dos anos 1990, o Fatah era considerado o principal grupo palestino e entrou diversas vezes em confrontos contra Israel. Nos últimos 30 anos, porém, a correlação de forças mudou, e o Hamas passou a liderar as ofensivas contra o país vizinho, com a ANP diminuindo a participação em ações violentas.
No centro dos atuais conflitos estão a liberdade de culto em pontos da região de Jerusalém conhecida como Cidade Antiga —que os palestinos dizem estar sendo tolhida— e uma decisão judicial que prevê o despejo de famílias palestinas do bairro de Sheikh Jarrah que, por veredito de um tribunal regional, devem devolver os terrenos a judeus.
COMO FORAM OS ÚLTIMOS CONFRONTOS ENTRE ISRAEL E GRUPOS PALESTINOS
23 e 24.fev.20 Soldados israelenses acusaram um grupo de palestinos de tentar instalar um explosivo na cerca que separa Israel da Faixa de Gaza, o que gerou um conflito entre os dois lados. Em resposta, o grupo radical Jihad Islâmica disparou em um intervalo de 48 horas cerca de cem foguetes contra a região sul de Israel —que respondeu com bombardeios que deixaram quatro palestinos feridos.
3 a 6.mai.19 Depois de dois soldados israelenses que estavam próximos da divisa ficarem feridos por tiros disparados de Gaza, Israel fez um ataque contra alvos do Hamas na região. Em resposta, foram disparados 690 foguetes de Gaza contra Israel, sendo que 240 foram interceptados pelo sistema de defesa antiaérea. O confronto terminou com 25 mortos do lado palestino —incluindo duas mulheres grávidas e duas crianças— e 4 do lado israelense.
25 a 27.mar.19 Um foguete disparado da Faixa de Gaza destruiu uma casa na vila de Mishmeret, que fica ao norte de Tel Aviv, deixando sete israelenses feridos. O premiê Binyamin Netanyahu ordenou, então, o bombardeio de áreas do Hamas, que disparou foguetes contra a cidade de Ashkelon, no sul de Israel. A violência acabou depois de quase uma semana de confronto.
11 a 13.nov.18 Um homem de 40 anos morreu depois que um foguete atingiu sua casa em Ashkelon. Em resposta, equipes das Forças Especiais de Israel realizaram ações na Faixa de Gaza —sete palestinos e um agente israelense foram mortos. Na sequência, grupos de Gaza dispararam foguetes contra Israel que deixaram 53 feridos. As Forças Armadas israelenses, então, bombardearam Gaza, causando três mortos.
8 e 9.ago.18 O governo israelense chegou a cogitar uma ação terrestre em Gaza depois que o lançamento de quase 180 foguetes da região deixou mais de uma dezena de feridos. No fim, porém, Israel optou por um bombardeio contra 150 alvos, que deixou três palestinos mortos, incluindo um bebê.
jul. e ago.14 Integrantes do Hamas sequestraram e mataram três adolescentes israelenses em junho, em ação que deu início ao maior conflito dos últimos sete anos. Em resposta, Israel lançou uma ação contra alvos do grupo na Cisjordânia. Na sequência, tropas do Exército israelense entraram na Faixa de Gaza, em uma escalada do conflito, que se estendeu por sete semanas. Durante esse período, o Hamas e outros grupos lançaram 4.562 foguetes contra Israel, que revidou com ataques contra 5.262 alvos palestinos. Quando enfim os dois lados chegaram a um cessar-fogo, no fim de agosto, mais de 70 israelenses e 2.100 palestinos tinham morrido.
REGIONALIZAÇÃO: ORIENTE MÉDIO (vídeo e atividades)
ONU pede que Israel mude plano ‘ilegal e perigoso’ de anexar terras da Cisjordânia (atividade)R
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População da China tem menor crescimento em décadas e atinge 1,41 bilhão
Censo revela aumento do número de idosos e queda na proporção de homens
10.mai.2021 às 23h40 – Atualizado: 11.mai.2021 às 12h14
SÃO PAULO | REUTERS e AFP
Após seguidos adiamentos, a China revelou, enfim, os dados de seu último censo. De acordo com o levantamento, divulgado na manhã desta terça (11) —noite de segunda (10) no Brasil—, a parte continental do país asiático tinha 1,411 bilhão de habitantes em 2020, 72 milhões a mais do que em 2010.
Trata-se da menor taxa de crescimento populacional no país asiático ao menos desde a década de 1960.
Os dados mostram uma taxa de fecundidade de 1,3 filho por mulher em 2020, em sintonia com sociedades em processo de envelhecimento, como Japão e Itália.
O censo é feito a cada dez anos pelo Departamento Nacional de Estatísticas e, nesta edição, envolveu o trabalho de mais de 7 milhões de funcionários entre novembro e dezembro de 2020. Parte dos dados foi coletada online: moradores puderam escanear QR codes e preencher os formulários usando celulares.

Chineses caminham em distrito financeiro de Pudong, em Xangai – Aly Song – 10.mai.2021/Reuters No último levantamento, de 2010, o país tinha 1,339 bilhão de habitantes. Assim, o crescimento anual médio entre 2011 e 2020 foi de 0,53%. Na década anterior (2001-2010), essa taxa havia sido de 0,57%.
Com esse ritmo, o país pode perder o título de maior população do mundo mais rapidamente que o previsto. A Índia deve registrar em 2020, de acordo com estimativa da ONU, 1,38 bilhão de habitantes —e a população indiana cresce, em média, 1% ao ano, segundo estudo divulgado no ano passado por Nova Déli.
A China havia previsto que a curva de crescimento populacional atingiria o pico em 2027, quando seria superada pela Índia. A população chinesa começaria, então, a diminuir, até chegar a 1,32 bilhão em 2050. O porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas, Ning Jizhe, confirmou que o país se aproxima do pico, mas não antecipou uma data. A população deve ser superior a 1,4 bilhão “durante um certo tempo”, disse.
A queda da taxa de natalidade tem várias razões: diminuição do número de casamentos, custo de habitação e educação e gravidez mais tardia das mulheres que priorizam a carreira, por exemplo.
No ano passado, marcado pela pandemia de Covid-19, o número de nascimentos caiu a 12 milhões, contra 14,65 milhões em 2019, ano em que a taxa de natalidade (10,48 por 1.000) já estava no menor nível desde a fundação da China comunista, em 1949. A pandemia de coronavírus “aumentou a incerteza da vida cotidiana e a preocupação com o nascimento de um filho”, explicou Ning.
No começo dos anos 1950, o país tinha cerca de 540 milhões de habitantes e, em menos de 30 anos, dobrou a população, atingindo 1 bilhão no começo da década de 1980.
Em seguida, com uma política rígida de controle de natalidade, que permitia apenas um filho por casal em muitos casos, o crescimento populacional foi contido. Estima-se que a medida tenha impedido o nascimento de cerca de 400 milhões de pessoas desde sua aplicação, a partir de 1979.
Casais que descumpriam as restrições estavam sujeitos a penas como pagamento de multas e perda de emprego, e havia denúncias de medidas mais duras, como esterilizações e abortos forçados.
Em 2015, o regime suspendeu a política do filho único e passou a estimular que cada família tenha dois filhos. A decisão, porém, não aumentou a taxa de natalidade, o que leva a pedidos do fim do limite de duas crianças por família. A meta estabelecida em 2016 era superar 1,42 bilhão de habitantes em 2020.
Pelos dados do último censo, a China conseguiu atenuar o desequilíbrio entre sexos induzido pela preferência tradicional por meninos e que, às vezes, leva à eliminação de fetos do sexo feminino. Assim, o país registrou o nascimento de 111,3 meninos para cada 100 meninas, uma proporção em queda de 6,8 pontos percentuais na comparação com 2010.
Em fevereiro deste ano, o Ministério da Segurança Pública chinês já havia divulgado números que apontavam queda no número de recém-nascidos. Segundo os dados, houve 11,79 milhões de nascimentos em 2019 —em 2020, esse número caiu para 10,035 milhões.

Foto aérea de um bairro cultural de Beicang, localizado no distrito de Jiangbei, em Chongqing, que foi reformado a partir de um antigo armazém têxtil; cidade possui topografia montanhosa Liu Chan – 23.abr.2021/Xinhua O regime chinês havia contestado, no fim de abril, uma reportagem do jornal britânico Financial Times que apontava encolhimento no número de habitantes na China pela primeira vez em décadas.
POPULAÇÃO MAIS VELHA E MAIS URBANA
O total de maiores de 60 anos na China subiu 5,4 pontos percentuais na última década, enquanto o de crianças e adolescentes de até 14 anos aumentou 1,3 ponto percentual. Agora, a população se divide em 18,7% de idosos, 17,95% com até 14 anos de idade e 63,35% com idades entre 15 e 59 anos.
Por isso, os demógrafos advertem que o país pode registrar o mesmo fenômeno de Japão e Coreia do Sul, com excesso de idosos em comparação à população jovem e ativa no mercado de trabalho, uma preocupação que levou o Parlamento chinês, em março, a aprovar um plano para aumentar progressivamente a idade de aposentadoria durante os próximos cinco anos.
Em relação à distribuição dos habitantes pelo país, as cidades ganharam 236 milhões de habitantes, e o total da população que vive em áreas urbanas aumentou 14 pontos percentuais, atingindo 63,89%. Ao mesmo tempo, a população “flutuante” de migrantes internos —pessoas de zonas rurais que trabalham em cidades com pouca proteção social— chegou a 376 milhões, aumento de quase 70% em uma década.
Na educação, o país elevou a taxa de adultos que foram à universidade: o índice passou de 8,9 para 15,4 a cada 100 habitantes. Na mesma toada, o analfabetismo caiu de 4% para 2% do total.
Questões
1 Aponte algumas razões para a queda da taxa de natalidade na China.
2 Explique a diferença de gênero na população jovem da China.
3 Por que China tem buscado aumentar progressivamente a idade da aposentadoria de sua população ativa?
4 Por que a China vai perder o posto de maior população absoluta do mundo na próxima década?
DEMOGRAFIA E TEORIA DA TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA.
O perfil demográfico do Brasil até 2100 e os desafios da covid-19
Risco de mais desastres naturais
Prof Luciano Mannarino
