Categoria: ATIVIDADES

Modelos de atividades para a Sala de Aula (Geografia)

  • Planícies associadas às florestas de mangue retiram carbono da atmosfera

    Ambiente estuarino descampado armazena nutrientes e ajuda no combate ao efeito estufa

    Léo Ramos Chaves

    Gilberto Stam

    Quem observa a floresta de mangue em um passeio de barco talvez saiba que o ecossistema é um berçário da vida aquática. Menos conhecida é a paisagem que às vezes se segue, dezenas de metros adiante, onde a floresta vicejante dá lugar a um campo aberto de chão rachado, como o do sertão, em períodos mais secos. Entre poucas plantas rasteiras, ainda mais esparsos são arbustos resistentes à alta salinidade da água do solo ‒ até cinco vezes maior que a do mar, excessivo até para as árvores do manguezal. Mesmo adaptadas ao sal, ali elas não vingam ou desenvolvem porte anão. Chamada de planície hipersalina pelos ecólogos e salgado ou apicum (brejo de água salgada, em tupi-guarani) pelos moradores locais, essa face pouco conhecida do manguezal absorve no solo quantidade significativa de gás carbônico da atmosfera e o estoca sob a forma de biomassa, segundo estudo publicado na revista Biogeosciences em abril.

    Quando não está alagado, o solo do apicum, impregnado de sal, frequentemente aparece rachado como em zonas áridas

    “O solo não é morto, mas revestido por um tapete vivo denominado microfitobentos, composto de algas, fungos, bactérias, pequenos insetos e crustáceos”, diz o ecólogo Humberto Marotta, da Universidade Federal Fluminense (UFF), coordenador do Laboratório de Ecossistemas e Mudanças Globais (LEMG-UFF) e da Unidade Multiusuário de Gases de Efeito Estufa e Combustíveis Voláteis (GAS-UFF), em Niterói, Rio de Janeiro, um dos autores do artigo. São as cianobactérias, também chamadas de algas azuis, as responsáveis pela maior parte da absorção de carbono. Trata-se de microrganismos fotossintetizantes que, como as plantas, produzem seu próprio alimento a partir do gás carbônico que absorvem e da energia do sol.

    “Parte do microfitobentos que morre permanece no solo, preservado pelo sal”, explica o oceanógrafo Christian Sanders, da Universidade de Southern Cross, na Austrália, e coordenador do trabalho que contou com pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos. Conforme as marés trazem mais sedimentos, o solo cresce em camadas, por volta de 1 ou 2 milímetros ao ano, enterrando microrganismos repletos de carbono que podem ficar lá por séculos

    Estudando as camadas do solo, os pesquisadores verificaram que nos últimos 100 anos o apicum da Reserva Biológica Estadual de Guaratiba, às margens da baía de Sepetiba, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, absorveu cerca de 21 gramas de carbono por ano, ou 1 quilograma de carbono a cada 50 anos, por metro quadrado. Usando aparelhos que medem a quantidade de carbono que entra e sai do solo, eles verificaram que o elemento químico era mais absorvido do que eliminado nos sedimentos, confirmando que o solo salgado absorve o principal gás do efeito estufa como uma esponja.


    “As planícies hipersalinas não absorveram tanto carbono quanto as florestas do mangue, recordistas nessa modalidade, mas podem ser até mais extensas em determinadas áreas, o que torna relevante a absorção total”, diz Sanders. Os pesquisadores defendem que essas planícies sejam consideradas um componente do sistema de carbono azul, ou seja, um dos ecossistemas costeiros capazes de sequestrar carbono e atenuar as mudanças climáticas.

    “O manguezal como um todo, incluindo o apicum, guarda carbono nos troncos, nas folhas, nas raízes e no solo. O total pode chegar a quatro vezes mais do que nas florestas terrestres, como a amazônica, por unidade de área”, calcula o oceanógrafo Mário Soares, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e coordenador do Núcleo de Estudos em Manguezais (Nema), outro coautor do artigo da Biogeosciences. Nas florestas terrestres, quando os seres vivos morrem e são decompostos, a maior parte do carbono na base de suas moléculas orgânicas volta ao ar na forma de gás carbônico.

    Os apicuns ocorrem em locais onde há um desnível do terreno nas regiões tropicais e subtropicais de todo o globo. Ao contrário do solo lodoso da floresta, submerso todos os dias, a maré só chega até a planície hipersalina duas vezes por mês – quando a lua cheia ou minguante e o sol, alinhados à Terra, somam suas forças gravitacionais para produzir a chamada maré viva, mais alta que as demais. A água empoça no terreno plano e evapora, acumulando sal. “Variações frequentes entre condições submersas ou expostas do apicum devido aos regimes de chuva e à maré podem representar mudanças pronunciadas na apreensão de carbono pela atividade fotossintetizante do microfitobentos ao longo do ano”, comenta a ecóloga Roberta Peixoto, pesquisadora em estágio de pós-doutorado no grupo de Marotta.

    No Brasil, os apicuns ocorrem principalmente desde o Rio de Janeiro até o Oiapoque, no Amapá, extremo norte do país, sendo mais comuns e amplos no Nordeste, onde a estação seca bem demarcada faz a água da maré evaporar mais rapidamente e o terreno plano é extenso. Em São Paulo não há apicuns, porque a serra do Mar deixa pouco espaço para essas formações e o clima mais chuvoso não favorece sua existência.

    Avicennia schaueriana, a mais tolerante à salinidade entre as espécies de mangue, mantém estatura anã na planície hipersalina, e a rasteira Sarcocornia ambigua é comum nesse ambienteLéo Ramos Chaves

    Múltiplas funções
    Além de ser uma máquina de enterrar carbono, a planície hipersalina também absorve nutrientes importantes para as plantas, como nitrogênio e fósforo. Quando a maré lava as planícies salgadas, borbulha do solo uma espuma de cianobactérias mortas, rica em nutrientes, que escorre para a floresta e enriquece o solo lodoso do manguezal.

    Por ficar normalmente entre a floresta de mangue e o sistema terrestre, o apicum serve de passagem para animais, como a onça. “Por ali passam também aves migratórias, que se alimentam de microcrustáceos, moluscos e peixes jovens que vivem nas poças d’agua. Há, ainda, caranguejos e mamíferos, como guaxinins, gatos e cachorros-do-mato”, relata Soares. O pesquisador encontrou pegadas de onça no apicum de Guaratiba e prepara, com outros pesquisadores, um artigo sobre a ocorrência do animal no local.

    Quando começou a estudar os manguezais de Guaratiba, no início da década de 1990, Soares e sua equipe se intrigaram com a paisagem aparentemente inóspita, em uma época na qual a criação de camarão, ou carcinicultura, começava a florescer nas planícies hipersalinas do Nordeste, perfeitas por serem planas e próximas da água salgada. “Precisamos entender esse ambiente antes que seja destruído”, ponderaram na época.

    Cianobactérias que vivem no solo são importantes no armazenamento de carbonoLuiz Bento / Unicamp

    Conflitos salgados
    Ao contrário da floresta de mangue, o apicum não foi considerado uma área de proteção ambiental pelo Código Florestal de 2012, o que facilitou a sua exploração. Embora a carcinicultura seja uma indústria lucrativa, um estudo do zoólogo Andrew Balmford, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, publicado na revista Science em 2002, estimou que o manguezal preservado gera 70% mais recursos do que o camarão, que polui o ambiente e prejudica as florestas. “Os recursos do manguezal são distribuídos em diversas atividades, como extrativismo, pesca e turismo, enquanto na carcinicultura o dono do negócio ganha e o ambiente sofre”, diz Soares.

    “Para as populações locais, o ecossistema manguezal é uma fonte de renda e de segurança alimentar contra a fome e a miséria em tempos de crise, uma verdadeira previdência social da natureza”, observa a antropóloga Cecília Mello, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “É também uma fonte de moradia, pois até as casas são construídas com tijolos de barro do mangue e erguidas nas suas proximidades.”

    Mello fez uma etnografia dos conflitos entre populações locais da cidade de Caravelas, na Bahia, e empreendedores interessados em desenvolver a carcinicultura na região, publicada em 2016 na Revista de Antropologia. Os pescadores locais resistiram e lideraram a formação da Reserva Extrativista do Cassurubá, implementada em junho de 2009, com o apoio de universidades públicas e organizações não governamentais (ONGs). “Os aquicultores procuram seduzir os moradores locais oferecendo emprego, mas eles só são necessários na construção das piscinas; a criação de camarão é pouco intensiva em mão de obra”, conta a antropóloga.

    Criação de camarão em Canguaretama, no Rio Grande do NorteClemente Coelho Junior / UPE

    A pesquisadora relata que em Curral Velho, comunidade pesqueira em Acaraú, no Ceará, a comunidade local adaptou todo o calendário escolar de acordo com as atividades de pesca. “Os filhos podiam aprender a pescar com os pais e quando a família estava toda no mangue não tinham aula. Em outros períodos as aulas eram mais intensivas”, conta Mello. Além da pesca, a captura de crustáceos, como caranguejos, e moluscos reforça a renda das marisqueiras, via de regra mulheres que aportam com seu trabalho a renda principal da unidade familiar.

    Embora o artigo da Biogeosciences se apoie no mercado de carbono para mostrar a importância do apicum, os pesquisadores ressaltam que o estoque do elemento é apenas uma entre muitas funções daquele ambiente. “A função social é tão ou mais importante. Precisamos mudar o paradigma mercantil, que é a causa da degradação ambiental, e reduzir as emissões”, argumenta Soares. Mello concorda: “A importância do ecossistema é incomensurável e não entra nos dados do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], nem nas estimativas do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas]. O manguezal não é apenas um ativo que presta serviços ambientais: ele é a casa, a feira, o emprego e a previdência de pescadores e marisqueiras de toda a costa brasileira”.

    Fonte: revistapesquisa.fapesp.br

    Prof Luciano Mannarino

  • Camisa da Ucrânia para a Eurocopa causa irritação na Rússia

    Camisa da Ucrânia para a Eurocopa causa irritação na Rússia

    Luís Curro

    Duas repúblicas que pertenciam à finada URSS (1922-1991), Ucrânia e Rússia ampliaram as tensões geopolíticas entre elas por uma razão futebolística.

    Às vésperas da Eurocopa, mais importante competição da Europa entre seleções, que começa nesta sexta (11) –com um ano de atraso devido à pandemia de Covid–, a Ucrânia apresentou o uniforme com que irá a campo.

    O atacante Roman Yarenchuk usa camisa que tem o mapa da Ucrânia incluindo a península da Crimeia, na parte inferior à direita (Gleb Garanich – 7.jun.2021/Reuters)

    Na cor da camisa, nenhuma novidade: o tradicional amarelo, que lembra na tonalidade mais a vestimenta da Suécia do que a do Brasil.

    Porém um detalhe no design deixou os russos indignados e/ou irritados. No centro da parte da frente da camisa, em torno do escudo da federação do país, há o mapa da Ucrânia.

    E esse mapa inclui a Crimeia, província no território ucraniano, na parte meridional, que foi anexada em 2014 pela Rússia, cujas tropas militares ocupavam a região.

    Origem
A Crimeia sediava colônias gregas. Em 988, o príncipe Vladimir converteu-se ao cristianismo onde hoje fica Sebastopol. Ele liderava o Rus de Kiev, primeira terra dos rus, povo nórdico que deu origem a russos e a ucranianos. No século 13, mongóis da Horda de Ouro dominaram a costa do mar Negro, estabelecendo o canato da Crimeia –lar dos tártaros muçulmanos. Com o tempo, tornaram-se vassalos do Império Otomano

    Origem A Crimeia sediava colônias gregas. Em 988, o príncipe Vladimir converteu-se ao cristianismo onde hoje fica Sebastopol. Ele liderava o Rus de Kiev, primeira terra dos rus, povo nórdico que deu origem a russos e a ucranianos. No século 13, mongóis da Horda de Ouro dominaram a costa do mar Negro, estabelecendo o canato da Crimeia –lar dos tártaros muçulmanos. Com o tempo, tornaram-se vassalos do Império Otomano

    https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1628128405358288-fronteiras-da-crimeia#foto-1697229316953433

    O governo ucraniano, entretanto, jamais concordou com o ocorrido, e a ONU (Organização das Nações Unidas) concorda, pois considera o referendo legal por ter descumprido resolução constante da Assembleia Geral da entidade.

    Desse modo, a maior parte da comunidade internacional considera a Crimeia um território ucraniano sob ocupação do regime de Vladimir Putin.

    Nesse contexto, o lançamento da camisa da seleção da Ucrânia contendo a Crimeia gerou enorme animosidade com o Kremlin.

    Quem a apresentou, no domingo (6), foi o presidente da Federação Ucraniana de Futebol, Andrii Pavelko.

    Em rede social, o presidente da Federação Ucraniana de Futebol publicou mapa da Ucrânia ilustrado com jogadores da seleção e contendo o espaço reservado à Crimeia (Andrii Pavelko no Facebook)

    “Acreditamos que o mapa da Ucrânia dará força aos jogadores, que irão lutar por toda a Ucrânia”, disse o dirigente em rede social. “Toda a Ucrânia, de Sebastopol e Simferopol a Kiev [capital do país], de Donetsk e Luhansk a Uzhhorod, os apoiará.”

    Das seis cidades citadas por Pavelko, duas localizam-se na Crimeia: Sebastopol e Simferopol, que é a capital da península.

    O deputado russo Dmitri Svishchev considerou, segundo a agência russa de notícias Ria, o desenho na camisa uma “provocação política”, acrescentando ser ilegal mostrar um mapa da Ucrânia “que inclui o território russo”.

    Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, indo além do descontentamento com o mapa, mencionou, nas redes sociais, os dois slogans que constam no uniforme (“Glória à Ucrânia!” e “Glória aos heróis!”). De acordo com ela, eles ecoam grito de guerra da Alemanha nazista.

    Submarinos da Frota do Mar Negro da Marinha russa em docas na baía de Sebastopol, na Crimeia
    Submarinos da Frota do Mar Negro da Marinha russa em docas na baía de Sebastopol, na Crimeia Igor Gielow – 15.abr.2019 /Folhapress

    Nesse cenário de tensão, menos mal que os rivais não se encontrarão tão logo na Euro. Caso avancem em suas chaves, a primeira chance de duelo é nas quartas de final.

    A Rússia está no Grupo B, ao lado de Bélgica, Dinamarca e Finlândia, e a Ucrânia, no C, junto com Áustria, Holanda e Macedônia do Norte.

    Os russos estreiam no sábado (12), contra os belgas, em São Petersburgo. Os ucranianos jogam um dia depois, em Amsterdã, diante dos holandeses

    Questões

    1 Por que a camisa da Seleção de Futebol da Ucrânia contribui para o aumento da tensão entre russos e ucranianos?

    2 Quando começou a animosidades entre esses dois Países?

    3.Qual a importância geopolítica que a região em disputa tem para a Rússia?

    4.As fronteiras de um Estado não são exatamente as fronteiras de uma nação? Justifique.

    Prof Luciano Mannarino

  • Bacia do Paraná já sente efeitos da seca sobre agronegócio e geração de energia

    Bacia do Paraná já sente efeitos da seca sobre agronegócio e geração de energia

    Disputa com setor elétrico pode parar hidrovia e acentuar conflitos com usuários da água para produção de alimentos

    6.jun.2021 às 23h15Atualizado: 7.jun.2021 às 9h26

    Nicola Pamplona Eduardo Anizelli

    TURAMA (MG), APARECIDA DO TABOADO (MS) e ILHA SOLTEIRA (SP)

    De pé sobre a terra avermelhada que um dia foi o lago da hidrelétrica Água Vermelha, na divisa de São Paulo com Minas Gerais, o aposentado José Carlos Jesus, 57, dá a dimensão da crise: “Aqui onde nós estamos nem dá pé quando o reservatório está cheio”.

    Cerca de cem metros o separam de seu rancho, onde ele vive hoje “escondido da pandemia”. A casa simples foi construída à beira da represa, mas o lago agora começa bem mais abaixo, o que o obrigou a esticar uma mangueira de 250 metros para captar água.

    Com apenas 7,7% de sua capacidade de armazenamento de energia, o reservatório da usina de Água Vermelha é um retrato da crise hídrica que assusta o país e vem levando o governo a anunciar medidas emergenciais para tentar evitar o racionamento de energia.

    Baixo nível do reservatório deixa à mostra antiga estrada submersa pela hidrelétrica Água Vermelha, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. Folhapress

    Em um de seus braços, o ribeirão Pádua Diniz, em Indiaporã (SP), a água desceu tanto que deixou à mostra a velha estrada de terra alagada há mais de 40 anos, quando o reservatório foi criado. Resta apenas uma pequena lagoa, formada pelas poucas chuvas do verão, embaixo da ponte da estrada nova.

    “Já vim aqui de barco e, só ali embaixo da ponte, pegamos mais de 100 corvinas”, relembra a funcionária pública Aparecida Batista dos Reis, 53, enquanto tentava pescar no que restou do ribeirão na tarde de quarta (2).

    A situação é mais preocupante pela manutenção dos baixos níveis mesmo após o fim do chamado período chuvoso, quando os reservatórios deveriam estar cheios de água para garantir a travessia do inverno mais seco.

    E traz de volta o fantasma de 2015, quando a seca foi tão severa que o tráfego na hidrovia Tietê-Paraná teve que ser interrompido por falta de calado para a passagem dos comboios que levam grãos do Centro-Oeste para São Paulo.

    “Nem em 2015 o rio esteve assim”, reclama o empresário Jonzelito Luiz Pereira, 59, dono de uma fazenda e de uma pousada ao lado da barragem, em Iturama (MG). “Os poços [de água subterrânea] já estão secando. Era para começar a secar em outubro.”

    Água Vermelha é a última das 12 hidrelétricas do rio Grande, que nasce na serra da Mantiqueira e forma o rio Paraná após se juntar com o rio Paranaíba, na divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul.

    Juntos, os três rios são responsáveis por dois terços da capacidade de armazenamento de energia do subsistema energético Sudeste/Centro-Oeste, considerado a principal caixa-d’água do setor elétrico brasileiro por concentrar represas de usinas importantes.

    Assim, a região está no foco do esforço do governo para tentar evitar o racionamento. Na semana passada, a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento) declarou emergência hídrica na bacia, abrindo a porta para medidas mais drásticas, como limitar a captação de água nos rios.

    A abundância de água faz da região um importante polo do agronegócio, com fazendas de gado e cana-de-açúcar se estendendo até onde a vista alcança, e uma forte produção piscicultora, apontada como segunda maior criadoura de tilápias do Brasil.

    A seca já vem produzindo estragos na atividade local, com o atraso na colheita de cana e a piora nas condições dos pastos. Os produtores temem que a disputa com o setor elétrico inviabilize os negócios, o que deve acirrar conflitos pelo uso da água nos próximos meses.

    “Se eu tiver que parar de irrigar, perco toda a produção”, diz Edvaldo Costa Mello, proprietário da Fazenda Costa Mello, produtora de cítricos que tem uma área de plantio de limões logo abaixo da barragem de Água Vermelha.

    A sua propriedade fica às margens do rio Grande, mas já no reservatório da hidrelétrica Ilha Solteira, no rio Paraná. É a maior hidrelétrica da caixa-d’água, com capacidade para produzir 3.444 MW, e seu lago se estende para os dois rios que formam o Paraná.

    O reservatório é usado pela hidrovia Tietê-Paraná. Por isso, há um esforço contínuo para manter um volume de água suficiente para permitir a passagem dos comboios, que dependem de uma cota mínima de 325 metros acima do nível do mar, volume observado hoje.

    Mesmo assim, o gigantesco lago de 1.200 quilômetros quadrados (quase o tamanho da cidade de São Paulo) está agora com menos da metade de sua capacidade de armazenamento. Já é possível encontrar grandes áreas secas em alguns de seus braços, como o córrego do Cigano, em Três Fronteiras (SP).

    O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Paranaíba, Breno Esteves Lasmar, defende que a importância da região para a economia e a possibilidade de paralisação da hidrovia devem ser consideradas na gestão dos reservatórios. “[A redução do nível] vai ter impacto muito grande sobre toda a economia nacional.”

    O impacto local sobre a geração de emprego e renda também pode ser considerável, diz Fernando Carmo, assistente agropecuário da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável da Secretaria de Agricultura de São Paulo.

    O governo estadual calcula que a piscicultura no entorno do lago de Ilha Solteira gere cerca de 5.000 empregos diretos e indiretos. A hidrovia seria responsável por outros três mil empregos, que ficaram suspensos durante a paralisação de 2015.

    A crise hídrica pega os produtores locais já enfrentando aumento de custos pela escalada nas cotações internacionais das commodities, já que rações são baseadas em soja e milho. Pereira, de Iturama, decidiu vender metade das 120 cabeças de gado que tinha para economizar na ração.

    “Há um complicador na manutenção dos pastos para o gado”, diz o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Aparecida do Taboado (MS), Eduardo Sanchez. “A planta sofre estresse hídrico, tem que fazer um trabalho mais custoso, de tratar o gado no coxo.”

    Na piscicultura, que chegou a fechar 40% das unidades na crise de 2015, os custos elevados podem inviabilizar investimentos para adaptação a níveis mais baixos do lago, diz Carmo. “O custo da ração está altíssimo, e muita gente pode parar de produzir por não ter como investir para deslocar os tanques.”

    “Se baixar mais, vai dar problema”, confirma Akemi More, da Piscicultura More, uma pequena empresa familiar que produz em espelho-d’água cedido pela União no rio Paranaíba. “O rio já está como se fosse na seca”, reforça seu irmão e sócio Sandro More. Com a crise, venderam na semana passada 15 dos 93 tanques que tinham.

    Nível de água baixo no lago da hidrelétrica Água Vermelha, em Iturama, interior do estado de Minas Gerais.
    Nível de água baixo no lago da hidrelétrica Água Vermelha, em Iturama, interior do estado de Minas Gerais. Eduardo Anizelli/Folhapress

    Os produtores locais confiam na manutenção da cota mínima para garantir o tráfego na hidrovia, mas na semana passada o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) divulgou relatório considerando a flexibilização para 319 metros em junho para reforçar a recuperação dos reservatórios.

    O operador quer reduzir as vazões obrigatórias nas hidrelétricas das partes altas dos rios Grande e Paranaíba para segurar água nos reservatórios de cabeceira. A energia gerada pelas vazões mínimas pode ser substituída agora por usinas eólicas no Nordeste, que está em plena estação de ventos.

    Em 2014, a redução da cota do reservatório de Ilha Solteira se transformou em uma guerra judicial, que culminou com a suspensão da geração de energia na hidrelétrica após liminar concedida a associações de piscicultores da região.

    Hoje, os produtores confiam que a proximidade do setor com o governo federal pode ajudar a evitar maiores impactos, diz Assis Henrique, diretor administrativo da Global Peixes, que produz tilápias e tem uma unidade de reprodução em tanques em diferentes pontos do lago.

    Especialistas no setor elétrico dizem entender a preocupação com a economia local, mas afirmam que os bilionários custos da crise energética que encarecem a conta de todos os brasileiros são relevantes no debate sobre a gestão das águas.

    A expectativa é que o brasileiro passe 2021 pagando taxa extra para bancar as usinas térmicas, que pressionarão também os reajustes das tarifas das distribuidoras ao longo dos próximos anos. Um racionamento de energia, no momento, é considerado improvável.

    É consenso entre os especialistas que a crise é estrutural e precisa de soluções de longo prazo. “São questões como mudança da ocupação do solo, mudança climática, aspectos de desenvolvimento econômico que levam à supressão de vegetação”, diz Lasmar. “Onde não há floresta, não há água.”

    Segundo o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), a bacia do rio Paraná vem enfrentando chuvas abaixo da média há 22 anos e a situação se agravou a partir de fevereiro de 2019, quando recebeu os piores volumes desde o início dos anos 1980.

    “Em termos de vazão, pode-se concluir que a porção alta da bacia do rio Paraná enfrenta uma situação que pode ser classificada como severa e excepcional desde 2014” diz.

    Roberto Kishinami, coordenador sênior do Instituto Clima e Sociedade, defende que o agronegócio da região deve buscar tecnologias mais eficientes de irrigação, como o gotejamento usado no Centro-Oeste. “Aqui [em São Paulo] se usa muito pivô central, que é como jogar água de mangueira.”

    No Brasil, em média, 50% da água captada nos rios brasileiros é usada para irrigação, diz a ANA. Um aumento na tarifa de captação de água, que é regulada pelos estados, poderia levar à busca por maior eficiência, considera Kishinami.

    O ex-presidente do ONS Luiz Eduardo Barata lembra que, a cada crise hídrica, autoridades falam em recuperação de mananciais e matas ciliares, as florestas às margens dos rios, mas as propostas raramente vão adiante.

    Ele defende mudanças no modelo do setor elétrico para permitir a contratação de mais energias renováveis, como solar e eólica, para garantir a recuperação dos reservatórios a seus níveis máximos, o que não ocorre há muito tempo —a última vez em que eles superaram os 80% de capacidade foi em abril de 2011.

    “Hoje, estamos enchendo o tanque até a metade e rodando até cair na reserva”, compara. “Mas seria melhor andar de tanque cheio e abastecer quando chega na metade. O custo é o mesmo e o risco, menor.”

    https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/06/bacia-do-parana-ja-sente-efeitos-da-seca-sobre-agronegocio-e-geracao-de-energia.shtml

    Questões

    1 Em que contexto político foi criado a ANA e quais são suas funções?

    2 Qual a importância das matas ciliares para a manutenção da vazão de um rio?

    3 Aponte os diversos usos de um rio presentes no texto jornalístico.

    4 Por que a Bacia do Rio Paraná apresenta um grande potencial instalado na produção de energia hidrelétrica?

    5 Explique como se obtém energia elétrica a partir de um rio.

    6 Quais são os impactos socio-ambientais ligados a produção de energia hidrelétrica.

    7 O que é uma Bacia Hidrográfica?

    Prof Luciano Mannarino

  • ‘Sovietistão’ equilibra história e relato de viagem em ex-nações soviéticas

    ‘Sovietistão’ equilibra história e relato de viagem em ex-nações soviéticas

    4.jun.2021 às 20h00

    Carlos Graieb SÃO PAULO

    Rota da seda. Gás e petróleo. Herança soviética. O Mar de Aral que está secando. Ditadores malucos. Rapto de esposas. Estepe. Montanhas. Para mim (e acredito que para um imenso número de pessoas), a Ásia Central era isso até a semana passada: informação fragmentada e sem ordem. A leitura de “Sovietistão”, da escritora e antropóloga norueguesa Erika Fatland, pôs fim a essa bagunça.

    O livro é produto de oito meses de estadia nos cinco Estados centro-asiáticos que foram parte da União Soviética até 1991 e hoje existem de forma independente: Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Quirguistão e Tadjiquistão.

    Mulher segura bandeira da antiga União Soviética durante manifestação para comemorar o 151º aniversário denascimento do líder comunista Vladmir Lenin no Quirguistão
    Mulher segura bandeira da antiga União Soviética durante manifestação para comemorar o 151º aniversário de nascimento do líder comunista Vladmir Lenin no Quirguistão – Viacheslav Oseledko – 22.abr.2021/AFP

    Como as melhores narrativas de viagem, esta consegue equilibrar perspectiva histórica e testemunho pessoal com grande habilidade. Assim, cada um dos cinco países se separa da massa indistinta dos “istãos”, que tiveram as diferenças aplainadas pelo regime soviético, e emerge com seu passado, suas etnias, suas paisagens e suas peculiaridades sociais e políticas delineados de maneira clara.

    As distinções são necessárias, pois, como observa Fatland, os cinco países são “notavelmente dissimilares”. Enquanto mais de 80% do Turcomenistão é tomado pelo deserto, o Tadjiquistão é 90% montanhas. Enquanto o Cazaquistão nada em dinheiro, graças às suas reservas de gás, o Quirguistão depende em boa parte dos recursos enviados do exterior por gente que emigrou.

    Se o Turcomenistão é uma ditadura tão fechada quanto a Coreia do Norte (os dois países, aliás, insistem que não tiveram nenhum caso de Covid-19 graças à sabedoria de seus governantes) e talvez ainda mais bizarra, o Quirguistão tem votações democráticas e já depôs dois presidentes.

    As páginas em que Fatland expõe acontecimentos já distantes no tempo nunca são áridas. É assim, por exemplo, com sua explanação do “Grande Jogo”, a disputa entre os impérios britânico e russo que desenhou e redesenhou várias vezes o mapa da Ásia Central no século 19.

    É assim também com sua análise histórica das empreitadas soviéticas que provocaram devastação ambiental. A autora visitou a região de Semipalatinsk, no Cazaquistão, onde o regime de Moscou realizou a maioria de seus testes nucleares no século 20. Esteve, igualmente, nos extremos norte e sul do antigo Mar de Aral, que teve sua água roubada por grandes obras de irrigação na era soviética.

    Se a pesquisa dá estrutura ao livro, as experiências de Fatland lhe dão cor. A sorte a ajudou no Turcomenistão: depois de esperar horas debaixo do sol por uma corrida de cavalos que, todo mundo já sabia, teria o ditador Gurbanguly Berdymukhamedov como vencedor, ela o viu se estatelar no chão na linha de chegada.

    Depois da igreja, 1975
    Depois da igreja, 1975 Antanas Sutkus

    No Tadjiquistão, ela participa de um casamento em uma aldeia remota e dedica belas páginas descritivas à cerimônia e à paisagem. E atenção, fãs de Borat: no Quirguistão, e não no Cazaquistão do intrépido jornalista do cinema, ela explora a prática do rapto de esposas entrevistando mulheres que se resignaram a ela —e uma que se rebelou.

    Aquilo que Fatland não oferece é uma análise geopolítica mais ampla, que ponha os cinco países da Ásia Central em relação às potências econômicas e militares vizinhas, ou de outros continentes. A região está ensanduichada entre Rússia e China, mas apenas a ligação com a primeira recebe alguma atenção.

    A maneira como o Sovietistão se encaixa nos planos econômicos e políticos da China nem é arranhada, embora seja o fator mais importante para o seu futuro. Para quem quiser acrescentar essa peça ao quebra-cabeças, sugiro a leitura de “As Novas Rotas da Seda”, de Peter Frankopan, que tem edição portuguesa.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/06/sovietistao-equilibra-historia-e-relato-de-viagem-em-ex-nacoes-sovieticas.shtm

    Questões

    De que forma os ventos da “perestroika” e da “glasnost” se ligam ao título do texto jornalístico?

    Caracterizes cada um dos países da Ásia Central.

    O texto cita um grande impacto ambiental nessa região. Explique por que isso vem ocorrendo.

    Por que, no penúltimo parágrafo, o autor recorreu a uma palavra pouco usada para demostrar a situação geopolítica da região?

    Prof Luciano Mannarino

  • Para conter crise demográfica, China autorizará 3 filhos por família

    Para conter crise demográfica, China autorizará 3 filhos por família

    Decisão é resposta a envelhecimento rápido da população mostrado por censo

    31.mai.2021 às 7h27

    PEQUIM | AFP e REUTERS

    A China anunciou nesta segunda (31) que vai autorizar a cada casal ter até três filhos, acabando com o limite de dois ainda em vigor. A decisão foi tomada poucas semanas após a divulgação dos resultados do último censo, que apontou expressiva queda da taxa de natalidade no país mais populoso do mundo.

    “Em resposta ao envelhecimento da população (…) os casais serão autorizados a ter três filhos”, informou a agência estatal Xinhua, ao relatar as conclusões de uma reunião do gabinete político do Partido Comunista comandada pelo líder Xi Jinping.

    Médico examina recém-nascido em maternidade da China
    Médico examina recém-nascido em maternidade da China – 25.abr.21/ AFP

    Xi disse que a mudança será acompanhada por “medidas de apoio conduzidas para melhorar a estrutura populacional do país, alcançando a estratégia de lidar ativamente com uma população em envelhecimento”. Entre as medidas, citou a redução dos custos de educação, o aumento do financiamento habitacional, a garantia dos interesses legais de mulheres que trabalham e a repressão aos dotes “estratosféricos”. Afirmou ainda que o país vai educar os jovens “para o casamento e o amor”.

    ​Até o ano passado, quem tinha um terceiro filho precisava pagar uma multa de 130 mil yuans (R$ 106,5 mil), de acordo com uma advertência governamental na cidade de Weihai.

    No dia 11 de maio, os resultados do censo realizado em 2020 revelaram um envelhecimento mais rápido que o esperado da população chinesa e o menor crescimento populacional em décadas. A China continental tinha 1,411 bilhão de habitantes em 2020, 72 milhões a mais do que em 2010. O crescimento anual médio entre 2011 e 2020, entretanto, foi de 0,53%, o menor ao menos desde a década de 1950. Na década anterior (2001-2010), essa taxa havia sido de 0,57%. ​

    Os dados mostraram uma taxa de fecundidade de 1,3 filho por mulher em 2020, em sintonia com sociedades em processo de envelhecimento, como Japão e Itália. No ano passado, marcado pela pandemia de Covid, o número de nascimentos no país caiu a 12 milhões, contra 14,65 milhões em 2019.

    A taxa de natalidade em 2019 (10,48 por 1.000) já estava no menor nível desde a fundação da China comunista, em 1949. Assim, em 2016, depois de mais de três décadas da “política do filho único”, a China flexibilizou as regras e permitiu o segundo filho.

    Mas a nova política não foi suficiente para estimular a taxa de natalidade, em queda livre devido a vários motivos, incluindo a redução no número de casamentos, o aumento do custo da moradia e da educação e, também, a decisão das mulheres de adiar os planos de gravidez para privilegiar a carreira profissional.

    Estudo publicado neste ano por cientistas da Universidade de Hangzhou mostrou que a política de dois filhos encorajou casais ricos e foi “menos sensível à carga financeira de criar uma criança”, levando a um aumento nos custos com educação e cuidados infantis e desencorajando pais de primeira viagem.

    A Xinhua fez uma enquete na rede social Weibo, questionando se a população estava pronta para a política dos três filhos. Cerca de 29 mil dos 31 mil que responderam afirmaram que “nunca pensariam nisso”. O restante escolheu as opções “estou pronto e querendo muito isso”, “está nos meus planos” ou “estou na dúvida e há muito a considerar”. A pesquisa foi posteriormente removida. “Estou pronto para ter três filhos se você me der 5 milhões de yuans [o equivalente a R$ 4 milhões]”, postou um usuário.

    ​No outro extremo da pirâmide, o censo mostrou que a China tinha mais de 264 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2020. O grupo de pessoas com mais de 60 anos constitui agora 18,7% do total da população, um aumento de 5,44 pontos percentuais na comparação com o levantamento de 2010.

    Do outro lado, a população em idade ativa (15 a 59 anos) representa 63,35% do total, uma queda de 6,79 pontos na comparação com a década anterior. Demógrafos advertiram que o país pode registrar o mesmo fenômeno de Japão e Coreia do Sul, com excesso de idosos em comparação à população jovem e ativa no mercado de trabalho, uma preocupação que levou o Parlamento chinês, em março, a aprovar um plano para aumentar progressivamente a idade de aposentadoria durante os próximos cinco anos.

    ​POLÍTICA DO FILHO ÚNICO IMPEDIU NASCIMENTO DE 400 MILHÕES

    No começo dos anos 1950, a China tinha cerca de 540 milhões de habitantes e, em menos de 30 anos, dobrou a população, atingindo 1 bilhão no começo da década de 1980.

    Em seguida, com uma política rígida de controle de natalidade, que permitia apenas um filho por casal em muitos casos, o crescimento populacional foi contido. Estima-se que a medida tenha impedido o nascimento de cerca de 400 milhões de pessoas desde sua aplicação, a partir de 1979.

    Casais que descumpriam as restrições estavam sujeitos a penas como pagamento de multas e perda de emprego, e havia denúncias de medidas mais duras, como esterilizações e abortos forçados.

    Em 2015, o regime suspendeu a política do filho único e passou a estimular que cada família tenha dois filhos. A decisão, porém, não aumentou a taxa de natalidade, o que levou a pedidos do fim do limite de duas crianças por família. A meta estabelecida em 2016 era superar 1,42 bilhão de habitantes em 2020.

    Pelos dados do último censo, a China conseguiu atenuar o desequilíbrio entre sexos induzido pela preferência tradicional por meninos e que, às vezes, leva à eliminação de fetos do sexo feminino. Assim, o país registrou o nascimento de 111,3 meninos para cada 100 meninas, uma proporção em queda de 6,8 pontos percentuais na comparação com 2010.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/05/china-anuncia-que-vai-autorizar-até-tres-filhos-por-familia.shtml

    Questões

    1 Por que a China implementou um rígido controle da natalidade no final da década de 1970?

    2 Explique a importância do Censo Populacional para um país.

    3 De que forma o controle da natalidade na China causou um desequilíbrio de gênero em sua população?

    4 Por que o envelhecimento da população é motivo de preocupação nos países?

    5 Os custos na criação de filhos são motivos para queda da natalidade no Brasil? Justifique.

    Veja também…

    DEMOGRAFIA E TEORIA DA TRANSIÇÃO DEMOGRÁFICA.

    População da China tem menor crescimento em décadas e atinge 1,41 bilhão

    Prof Luciano Mannarino