Categoria: ATIVIDADES

Modelos de atividades para a Sala de Aula (Geografia)

  • Amazônia: soberania e direito amazônico

    Amazônia: soberania e direito amazônico

    Cooperação entre Estados amazônicos deve servir para facilitar o cumprimento da responsabilidade sobre o território

    13.jul.2021 às 9h30

    Oito países soberanos estão reunidos em torno da bacia amazônica, do Amazonas, o coração da América do Sul. Esses oito Estados, todos vizinhos da imensa floresta comum, atravessados por rios que correm de todas as partes para o grande rio mãe –e que constitui a avenida do interior da América do Sul para o Oceano Atlântico–, são os administradores do que para muitos são os pulmões do mundo.

    Junto a eles, num canto da Amazônia, existe também um “território ultramarino” sob a soberania francesa. A riqueza da diversidade natural da Amazônia não foi totalmente quantificada, nem foi avaliado o seu potencial para o desenvolvimento dos Estados vizinhos. É um território tão grande –mais de sete milhões e meio de quilômetros quadrados– e tão difícil acesso em muitas partes que ainda se pode falar de “pontos brancos” no mapa da Amazônia e de populações que o ocupam e que provavelmente ainda não tiveram contato com a “civilização ocidental”. Populações localizadas em regiões que, na sua maioria, não foram capazes de se incorporar nos processos socioeconômicos dos respectivos países da zona e cujo potencial turístico ainda não foi descoberto.

    Há quarenta anos, muito antes do debate de posições em torno da Amazônia, o desenvolvimento sustentável, as alterações climáticas e o futuro do planeta e da humanidade se tornassem tão públicos e globais, e muito antes dos terríveis incêndios de centenas de milhares de hectares no lado brasileiro durante 2018, os oito países soberanos da Amazônia assinaram (em 3 de julho de 1978, Brasília) o Tratado de Cooperação Amazônica (TCA).

    O POTENCIAL DE DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA

    Os países ribeirinhos perceberam que o verdadeiro potencial para o desenvolvimento racional da Amazônia e a conservação da ecologia da área eram dois fatores que estavam do mesmo lado da equação, e que não era possível alcançá-los sem um esforço conjunto e coordenado no exercício da soberania territorial e sem uma gestão alinhada das políticas de todos os Estados envolvidos. Havia, na altura, um sentimento de responsabilidade partilhada inerente à soberania de cada um dos Estados da Amazônia. A cooperação entre os Estados amazônicos deve servir para facilitar o cumprimento dessa responsabilidade, tal como se afirma no próprio TCA

    Morador rural do município de Claudia no estado de Mato Grosso acompanha a operação de combate ao fogo, queima ilegal em uma área de Reserva Ambiental, durante expedição da Rainforest Foundation para monitorar a produção de soja no Brasil e sua relação com o desmatamento.
    Morador rural do município de Claudia no estado de Mato Grosso acompanha a operação de combate ao fogo, queima ilegal em uma área de Reserva Ambiental, durante expedição da Rainforest Foundation para monitorar a produção de soja no Brasil e sua relação com o desmatamento. Victor Moriyama/Rainforest Foundation Norway

    O desenvolvimento econômico e social da Amazônia, porém, tem sido desordenado, por vezes caótico, criminoso e predatório nessa área de floresta tropical, que é também o gerador de milhões de litros de água doce todos os dias. Não há apenas o caso brasileiro já mencionado, mas também o caso dantesco do Arco Mineiro na parte venezuelana, ou os grandes derrames de petróleo na área que corresponde ao Equador, para não falar da quantidade de descargas poluentes nos rios afluentes do Amazonas e deste último. Aqui os mais diretamente afetados são as populações locais, mais de 420 povos e comunidades indígenas, com os respectivos danos nas riquezas etnológicas da área amazônica. O dano é irreparável e a única coisa que pode ser feita é evitá-lo.

    Os países signatários do TCA perceberam que os melhores desejos de cooperação indispensável para a proteção e desenvolvimento equilibrado da região são meras ilusões se os compromissos entre eles não forem reforçados. É por isso que, vinte anos após a assinatura do TCA, foi assinada uma emenda ao tratado. O Protocolo de Caracas de 1998 criou a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), com personalidade jurídica própria, a fim de reforçar os compromissos de cooperação assumidos. Foi um passo importante para a supranacionalidade da Amazônia, como salientado por estudiosos contemporâneos, e desde 2003 a secretraria-geral da OTCA opera em Brasília.

    A “LEI DA AMAZÔNIA”

    Apesar deste progresso, no entanto, faltou o que os autores mais conceituados chamaram de uma verdadeira “lei amazônica”. Trata-se de um regulamento que estabelece com maior clareza e precisão os direitos das populações locais e de cada um dos países da região em relação à Amazônia, incluindo a proteção e conservação do ambiente, bem como os respectivos deveres dos Estados partes no TCA.

    Por outras palavras, são necessários regulamentos amazônicos. Mas ao mesmo tempo, e com igual urgência, é necessário que os próprios Estados partes no TCA criem, no seio da OTCA, os órgãos de controle do TCA e da lei amazônica. Ou seja, órgãos de investigação e fiscalização, uma polícia amazônica coordenada, e um ou mais órgãos de justiça amazônica para ouvir queixas por violação da lei amazônica –incluindo danos ao ambiente e às populações locais– e perante os quais não só os Estados são responsáveis pelo seu incumprimento, mas também indivíduos pelos seus crimes ambientais.

    A soberania nacional individual não deve ser um obstáculo, como não foi no passado, para alcançar esse resultado. É a justiça ambiental amazônica necessária que é imposta e que também constituiria um exemplo para o mundo. É um dever de solidariedade soberana dos países da Amazônia com os seus povos e com os habitantes do planeta Terra. Isso seria, pelo menos, um passo significativo no desenvolvimento do difícil processo de cooperação universal na conservação dos espaços mais delicados e úteis para o presente e, sobretudo, para o futuro de toda a humanidade.

    Eugenio Hernández-Bretón

    É reitor da Faculdade de Ciências Jurídicas e Políticas da Universidade de Monteávila (Caracas). Professor da Universidade Central da Venezuela e da Universidade Católica Andrés Bello.

    Tradução do espanhol por Dâmaris Burity.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/latinoamerica21/2021/07/amazonia-soberania-e-direito-amazonico.shtml

    Prof LUCIANO MANNARINO

  • País em transformação (Censo)

    País em transformação (Censo)

    IBGE

    Christina Queiroz

    Edição 305
    jul. 2021

    Enquanto o Censo pioneiro, realizado em 1872, desenvolveu-se a partir de 14 quesitos, a última edição apresentou 111 perguntas – questões envolvendo mobilidade urbana, migrações internacionais, cor e raça da população foram as mais ampliadas nos últimos 30 anos. As transformações metodológicas têm sido acompanhadas por tecnologias de georreferenciamento, que aprimoram a organização do trabalho de campo, desempenhado pelos recenseadores, e tornam mais ágil o processamento dos resultados.

    Inovações metodológicas incorporadas ao Censo permitem captar complexidade da realidade brasileiraDesenvolvimento tecnológico tem facilitado a coleta e o processamento de dados do Censo

    “Ao abranger, a partir da década de 1960, questões habitacionais, educacionais e de renda sobre a base produtiva dos municípios e o mercado de trabalho, o Censo deixou de ser apenas um levantamento demográfico”, observa o economista Eduardo Pereira Nunes, presidente do IBGE entre 2003 e 2011. “O Brasil se tornou mais complexo e essa complexidade foi incorporada aos questionários.” Nunes recorda, ainda, que na década de 1970 os dados do censo passaram a funcionar como base para a realização de pesquisas de amostragem, entre elas a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), ambas do IBGE. “O Censo permite calibrar as estatísticas que serão feitas no país no decorrer de toda uma década”, diz. Além disso, também é fundamental para a iniciativa privada, sendo utilizado, por exemplo, para análises de mercado.

    Paulo de Martino Jannuzzi, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), do IBGE, informa que, no início, o Censo utilizava fichas de planilha para registrar os dados obtidos. A primeira inovação tecnológica ocorreu em 1920, com a utilização de cartões perfurados, que agilizaram o processamento das respostas. “Em 1960, com a adoção do questionário da amostra, dirigido a cerca de 25% da população, foi possível incorporar um número maior de quesitos. Além disso, o uso de computadores de alto desempenho facilitou a assimilação dos dados nos anos subsequentes”, informa Jannuzzi. Até o ano 2000, os questionários eram de papel, mas já podiam ser processados por leitores ópticos.

    No último Censo, dispositivos móveis utilizados para a coleta das informações viabilizaram a transmissão diária dos dados para a sede do IBGE, no Rio de Janeiro. “Na próxima edição, o levantamento georreferenciado de todos os endereços e do percurso do recenseador também servirá para acompanhar a qualidade da coleta de dados simultaneamente à realização do Censo”, informa o sociólogo Vando da Paz Nascimento, coordenador técnico no estado de São Paulo do Censo Demográfico 2020. Iniciada em agosto, a edição de 2010 teve seus resultados preliminares divulgados em dezembro.

    Desde 2018 o IBGE se prepara para a realização do próximo levantamento, com atividades que incluem a participação de cientistas, caso das consultas para definição de novos quesitos. “O Censo é feito em três meses, mas levamos três anos para prepará-lo e pelo menos outros dois para divulgar os dados”, detalha Nascimento. O Censo de 2022 permitirá que seja medido o impacto da implantação das cotas raciais, adotadas no final da década de 1990, no nível de instrução. Poderá, ainda, fornecer elementos para analisar aspectos relativos à empregabilidade da população negra. “Entre outros aspectos, a ideia é analisar se o regime de cotas deve ser expandido para o mercado de trabalho”, pontua Nunes, ex-presidente do IBGE, destacando, por fim, que a próxima edição do Censo também dará continuidade ao mapeamento de comunidades quilombolas, iniciado na edição de 2010.

    1. Por que o Censo deixou de ser apenas um levantamento demográfico?
    2. Explique a importância da realização periódica do Censo.
    3. Aponte uma política pública que depende dos dados do Censo para seu pleno sucesso.
    4. O que são comunidades quilombolas?
    5. Faça um pequeno histórico da evolução tecnológica na coleta dos dados do Censo.

    Prof Luciano Mannarino

    População da China tem menor crescimento em décadas e atinge 1,41 bilhão

  • A encruzilhada da América Latina para alçancar as emissões zero de carbono

    A encruzilhada da América Latina para alçancar as emissões zero de carbono

    É urgente repensar quais são os setores que poderiam gerar divisas e como reinserir a região no mundo

    5.jul.2021 às 9h00

    Leonardo E. Stanley

    Economista e pesquisador no Centro de Estudios de Estado y Sociedad (Cedes), na Argentina

    A comunidade científica levantou a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e evitar o acúmulo adicional de gases na atmosfera. Como resolver a situação? Quem deve liderar o processo de transição?

    Inicialmente a maioria das iniciativas se concentrou em mercados com o desenho de mecanismos de incentivo, precificando as emissões de carbono, a fim de estimular a busca de fontes renováveis. Independentemente das intenções e dos mecanismos implementados, as emissões continuaram a crescer. A indústria petroleira continuou a se expandir, aproximando o planeta de uma situação limite.

    Algo deve ser feito, e imediatamente. A comunidade científica propôs uma mudança de abordagem, e a ideia de manter reservas no subsolo está começando a se tornar popular. Isto supõe limitar a prospecção e a exploração de petróleo e associá-las a um “orçamento do carbono” – ou seja, uma certa quantidade que um país, setor ou cidade ainda tem para emitir GEE durante um período de tempo sem comprometer o objetivo de manter um aumento de temperatura inferior a 1,5°C ou 2°C.

    Em nível global, falamos de um estoque de carbono de 460 gtC02, o remanente do “orçamento do carbono” se o objetivo é manter o aumento da temperatura abaixo de 1,5°C. Ao ritmo atual das emissões anuais (fluxo: 41,5 gtC02) este orçamento estará esgotado em cerca de 11 anos. Por isso, a urgência. Caso contrário, as consequências seriam irreversíveis. Isto levanta a necessidade de um Estado que preveja os limites e estimule a transição.

    Manifestantes se fantasiam de ursos polares em ato convocado por diversas ONGs perto da Torre Eiffel, em Paris
    Manifestantes se fantasiam de ursos polares em ato convocado por diversas ONGs perto da Torre Eiffel, em Paris Francois Guillot – 12.dez.15/AFP

    Durante muito tempo, os líderes globais ignoraram o chamado da comunidade científica e foram surdos ao chamado dos jovens para a ação. Mas os riscos colocados pelo aquecimento global são palpáveis. Isto explica o comportamento das companhias de seguros, que rapidamente estão decidindo abandonar o “barco do carbono”.

    Os investidores também reagem pressionando as petroleiras a implementar planos de conversão para que seus ativos (estoques) não sejam afetados pela “bolha do carbono”. Esta bolha está associada à ideia de ativos estancados (stranded assets), que é o lado financeiro do risco descrito acima. Quanto mais nos aproximamos do limite do orçamento do carbono, mais acionistas estão interessados em sair de sua posição no setor, o que se reflete em uma venda acelerada de ações.

    Poucos acreditavam no peso do ativismo em 2011, quando o apelo ao desinvestimento foi ouvido pela primeira vez nos campi universitários dos EUA. A ideia de “deixar reservas no subsolo” era vista como utópica, impossível. A equação econômica também não era auspiciosa para os recursos renováveis, o que obrigava ao Estado a fornecer subsídios generosos ao setor a fim de torná-lo competitivo com os combustíveis fósseis. E as petroleiras foram legalmente “blindadas”, independentemente da origem da demanda, já que a justiça sempre decidiu a seu favor.

    UMA MUDANÇA ACELERADA

    Tudo está mudando rapidamente. O ativismo se espalhou entre os investidores e as energias renováveis estão se tornando muito mais baratas, enquanto as empresas petroleiras estão começando a se sentar no banco dos réus. Isto só acelera a transição, aproximando a indústria do abismo financeiro e os investidores vendo seus ativos desvalorizados.

    Em maio passado, a Agência Internacional de Energia (AIE) publicou um relatório destacando a necessidade de abandonar todos os projetos a fim de cumprir com os compromissos assumidos. Para alcançar uma queda acentuada nas emissões, a prospecção e a exploração devem ser abandonadas imediatamente. A publicação veio como um choque, um “tapa na cara” para a indústria petroleira.

    Para avançar com a transformação e garantir o cumprimento das metas (zero emissões líquidas até 2050), Carbon Tracker destaca a necessidade de tornar as ações das empresas transparentes.

    Mas isto não é tudo. Em 26 de maio, um tribunal holandês decidiu que a Royal Dutch Shell estava sujeita a condenação porque suas operações tradicionais (produção, distribuição, comercialização) haviam agravado o problema da mudança climática. O tribunal considerou que os atores não estatais, como as petroleiras, também são agentes responsáveis. A condenação obriga à empresa petrolífera a elaborar um plano de transição mais ambicioso e aumentar os cortes de emissões originalmente prometidos. Esta condena poderia desencadear uma reação em cadeia de grandes proporções.

    Manifestantes se reuniram no Masp, na Avenida Paulista, para pressionar autoridades a tomarem ações contra as mudanças climáticas
    Manifestantes se reuniram no Masp, na Avenida Paulista, para pressionar autoridades a tomarem ações contra as mudanças climáticas Matheus Moreira/Folhapress
    AS PETROLEIRAS ESTÃO COMEÇANDO A SE READAPTAR?

    O impulso de mudança também chega aos conselhos de administração das grandes petroleiras, como demonstrado pela recente reunião de acionistas da Exxon Mobil, onde um grupo acabou impondo um plano mais ambicioso de adaptação à empresa. Enquanto alguns investidores estão assumindo uma postura ativa, outros estão se abstendo de participar, e cada vez mais fundos de investimento estão decidindo parar de financiar a indústria petrolífera.

    Recentemente também foi divulgado um relatório das Nações Unidas, que destaca os efeitos nocivos da emissão de gás metano para a atmosfera. Ao contrário do dióxido de carbono que permanece por centenas de anos, o metano dura pouco tempo, cerca de uma década, embora seja muito mais perigoso. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), o efeito do metano sobre o aquecimento global é 86 vezes mais forte do que o gerado pelo CO2, portanto, o metano é considerado um “carbono com esteroides”. Portanto, a fim de reduzir rapidamente o aquecimento global, um número crescente de especialistas sugere também o abandono de projetos de gasíferos.

    Passo a passo, o lobby climático está ganhando força. Não apenas nas ruas, mas também nas salas de reunião e nos escritórios de justiça. Tudo isso deve soar como alarme e preocupar aqueles que continuam a apostar na exploração do petróleo na América Latina. Isto implica um tremendo desafio econômico, mas também um risco financeiro. É urgente repensar quais são os setores que poderiam gerar divisas e como reinserir esta região no mundo.

    Ignorar o problema e continuar a investindo em um setor destinado a desaparecer só agravaria a crise que temos de enfrentar inexoravelmente.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/latinoamerica21/2021/07/a-encruzilhada-da-america-latina-para-alcancar-as-emissoes-zero-de-carbono.shtml?origin=uol

    Prof Luciano Mannarino

    Questões

    1 O que você entende como “lobby climático”?

    2 Analise o papel do metano e do CO2 no aquecimento global.

    3 “Deixar reservas no subsolo” ainda pode ser considerado uma solução utópica para questão do aumento do efeito estufa?

    4 Explique o interesse das companhias de seguro no debate de mudanças climáticas mundiais.

    Prof Luciano Mannarino

  • Domínio Caatinga

    Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro. Está localizada nos estados do Nordeste do Brasil e no extremo norte de Minas Gerais. A sua área de abrangência corresponde a cerca de 10% do território brasileiro. A vegetação da Caatinga tem como característica principal a adaptação aos períodos de estiagem. Sendo assim, as suas plantas possuem troncos grossos e raízes profundas; já os seus animais possuem estratégias para sobreviver ao calor.

    O clima da Caatinga é o Semiárido, marcado por temperaturas elevadas e por pouca chuva. O solo da Caatinga é extremamente fértil, porém muito raso e pedregoso. A rede hidrográfica da Caatinga é pequena e formada, no geral, por rios intermitentes.

    A Caatinga possui um alto grau de vulnerabilidade ambiental, em razão de suas características físicas, muito específicas das suas áreas de abrangência. Nos últimos anos, o bioma vem apresentando altas taxas de desmatamento. O impacto ambiental é verificado em razão do desenvolvimento de atividades produtivas, como a produção de lenha e a pecuária extensiva.

    Características da Caatinga

    Desse maneira, o predomínio desse tipo vegetativo é maior no Nordeste do Brasil, em especial na zona central. No caso de Minas Gerais, na região Sudeste, a vegetação de Caatinga ocorre no extremo norte do estado. Trata-se do único bioma exclusivamente brasileiro, ocupando pouco mais de 10% do território nacional. A sua área de ocorrência corresponde ao predomínio do clima Tropical Semiárido, caracterizado pelas altas temperaturas e pela irregularidade das chuvas.

    • Vegetação

    A vegetação da Caatinga tem como principal característica a adaptabilidade aos períodos de estiagem. Desse maneira, é um tipo vegetacional extremamente resistente ao clima Semiárido, marcado pela escassez de chuvas na maior parte do ano.

    O extrato vegetacional da Caatinga é formado, especialmente, por espécies arbustivas e herbáceas. A presença de espécies arbóreas é maior em zonas pontuais, no geral de microclima mais úmido, como nas proximidades de fontes de água. A vegetação da Caatinga apresenta uma elevada biodiversidade, com uma grande quantidade de espécies endêmicas.

    As características da vegetação da Caatinga são explicadas pela alta adaptação das espécies locais ao clima Semiárido.
    As características da vegetação da Caatinga são explicadas pela alta adaptação das espécies locais ao clima Semiárido.

    São elementos característicos da vegetação de Caatinga:

    • pequena quantidade de folhas;
    • galhos tortuosos;
    • troncos retorcidos e muitos resistentes;
    • grande quantidade de espinhos;
    • caules grossos;
    • raízes profundas.

    Esses elementos garantem uma maior resistência física das espécies vegetais, já que contribuem para a diminuição do processo de evapotranspiração e também possibilitam o armazenamento de água das chuvas. O processo natural de perdas das folhas das espécies da Caatinga durante a estiagem, por exemplo, reduz a quantidade de água evaporada pelas plantas e permite o maior armazenamento interno de água pela planta.

    • Flora

    A flora da Caatinga é muito rica e diversa, sendo uma das principais zonas de concentração de espécies endêmicas do Brasil. A principal característica das plantas locais é a alta capacidade de adaptação ao regime pluviométrico desse bioma, caracterizado pelo diminuto volume de chuvas. Desse modo, a maioria das plantas locais possui estruturas físicas que diminuem a perda de água para o ambiente.

    A maior parte das espécies florísticas da Caatinga é de arbustos e árvores de menor porte. Contudo, também ocorre nesse bioma árvores de maior porte, no geral, localizadas em zonas pontuais, que ofertam grande quantidade de frutos para as espécies animais locais.

    Na Caatinga há uma grande predominância de espécies de cactáceas, bromélias e orquídeas. No caso dos cactos, por exemplo, eles possuem a capacidade armazenar a água da chuva no seu caule, uma reserva hídrica capaz de manter essas espécies vivas durante o período de estiagem.

    O xique-xique é uma das espécies de cactos muito comuns na Caatinga. O seu caule guarda reservas de água para a planta durante o período de estiagem.
    O xique-xique é uma das espécies de cactos muito comuns na Caatinga. O seu caule guarda reservas de água para a planta durante o período de estiagem.
    • Fauna

    A Caatinga possui uma grande quantidade de espécies animais, como aves, anfíbios, répteis, mamíferos e peixesÉ um dos biomas mais diversos em termos de animais do Brasil, com alto número de espécies endêmicas e com alta capacidade evolutiva e de adaptação. Os animais que habitam a Caatinga também possuem estratégias para sobreviverem nas condições climáticas locais, sendo altamente adaptados ao clima quente e seco.

    No caso das aves, por exemplo, ocorre um processo de migração durante o período de estiagem, uma vez que essas aves migram para regiões mais úmidas como estratégia para sobreviver ao período mais seco da Caatinga. Já as espécies de mamíferos e répteis, por exemplo, buscam regiões mais úmidas da Caatinga, no geral, áreas próximas das fontes de água, e também, zonas de maior altitude, em razão do microclima desses locais, mais ameno e úmido.

    • Solo

    O solo da Caatinga é extremamente raso e pedregoso, em razão da pouca capacidade de retenção da água das chuvas assim como pela pequena quantidade de matéria orgânica gerada pelas espécies vegetais locais. O intemperismo, principal mecanismo de formação dos solos, ocorre de maneira muito lenta na Caatinga, em razão da pequena quantidade de chuvas e de matéria orgânica.

    Entretanto, os solos da Caatinga são extremamente férteis, pois são compostos por muitos minerais. Além disso, o processo de erosão química, chamado lixiviação, é quase inexistente, devido à baixa pluviosidade. Essas características conferem ao solo da Caatinga uma elevada fertilidade.

    O solo da Caatinga é muito árido em razão do clima local, marcado pela baixa pluviosidade.
    O solo da Caatinga é muito árido em razão do clima local, marcado pela baixa pluviosidade.
    • Clima 

    A Caatinga possui um clima Semiárido. Esse tipo climático é caraterizado pelas altas temperaturas e pelas irregularidades das chuvas. No geral, é um tipo climático muito seco, típico de zonas de alta pressão, com baixa nebulosidade. A umidade ao ar é muito baixa, assim como a amplitude térmica, uma vez que as temperaturas se mantêm constantemente altas e as chuvas são muito escassas.

    O período chuvoso na Caatinga dura de três a cinco meses, no geral, entre os meses de janeiro a maio. Sendo assim, a distribuição de chuvas anual é extremamente concentrada, sendo que o período de estiagem pode durar até nove meses. Dessa forma, a Caatinga é considerada uma das regiões mais secas do mundo.

    • Hidrografia

    A maior parte dos rios da Caatinga é intermitente, ou seja, trata-se de cursos de água que secam durante o período de estiagem. Essa característica é resultante do clima Semiárido da região, em especial, pela pequena ocorrência e distribuição concentrada de chuvas ao longo do ano. Dessa maneira, a rede hidrográfica da Caatinga é pequena e altamente influenciada pelas condições climáticas.

    Nesse bioma, destacam-se dois rios perenes, o São Francisco e o Parnaíba, cujos cursos de água são permanentes ao longo de todo o ano. O rio São Francisco, o principal da região, é muito utilizado para a irrigação, sendo que a umidade advinda do rio resulta em um microclima local ao longo do seu percurso, com maior umidade e maior possibilidade de práticas agrícolas. Já o rio Parnaíba é muito importante para o consumo humano de água, em especial no norte da Caatinga.

    Degradação e conservação da Caatinga

    De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, cerca de 42% da cobertura original da Caatinga já sofreram algum tipo de alteração antrópica. Esse dado indica que o bioma apresenta graves problemas de degradação ambiental. A principal causa da destruição da Caatinga está ligada ao desmatamento, em especial à derrubada de árvores e arbustos para produção de lenha e carvão vegetal. No mais, a pecuária extensiva, a prática de queimadas e a expansão das atividades produtivas humanas são outros fatores que contribuem diretamente para a degradação da Caatinga.

    O desmatamento advindo dessas práticas resulta em uma elevada degradação do ambiente natural, uma vez que a Caatinga é um bioma com caraterísticas muito específicas e que dependem da cobertura vegetal para a proteção direta dos solos e das espécies biológicas locais. A remoção da vegetação, por exemplo, intensifica o processo de desertificação do bioma, já que, sem a cobertura vegetal, o solo da Caatinga fica muito mais suscetível à ocorrência de eventos naturais, como a erosão e a lixiviação.

    Dessa maneira, torna-se fundamental a adoção de medidas que promovem o combate ao desmatamento da região, em conjunto com o fomento de políticas de desenvolvimento sustentável. A prática extrativista, por exemplo, pode ser acompanhada de técnicas de manejo do solo e conservação da flora, como a agroecologia. No mais, a extração de bens naturais deve ser acompanhada de políticas de preservação ambiental e desenvolvimento social.

    A região da Caatinga é considerada uma das menos desenvolvidas do Brasil, sendo necessário que a conservação do meio ambiente seja acompanhada de projetos de crescimento econômico e diminuição da desigualdade social. Mesmo sendo um bioma tão rico e diverso, menos de 10% da Caatinga são de áreas de conservação ambiental. As principais áreas de conservação do bioma são:

    • Parque Nacional Cavernas do Peruaçu;
    • Parque Nacional da Serra da Capivara;
    • Parque Nacional da Serra das Confusões;
    • Parque Nacional da Chapada Diamantina;
    • Parque Nacional do Catimbau.
    Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, no norte de Minas Gerais, é uma importante unidade de conservação da Caatinga.
    Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, no norte de Minas Gerais, é uma importante unidade de conservação da Caatinga.

    Resumo sobre a Caatinga

    • Localiza-se nos estados de Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Minas Gerais.
    • É um dos biomas mais ricos e diversos do Brasil, com grande quantidade de espécies endêmicas, sendo o único bioma exclusivamente brasileiro.
    • Sua vegetação tem como principal característica a adaptação aos períodos de estiagem.
    • Suas plantas possuem poucas folhas, galhos tortuosos, troncos grossos e raízes profundas para sobreviverem aos meses de estiagem.
    • Seus animais são resistentes ao ambiente seco e, muitas vezes, migram para outras regiões nos períodos mais quentes do ano.
    • Seu solo é extremamente raso e pedregoso, porém possui uma elevada fertilidade, em razão da grande quantidade de minerais na sua composição.
    • Seu clima é o Semiárido, marcado pelas altas temperaturas e pelas irregularidades das chuvas.
    • A maior parte dos seus rios é intermitente, ou seja, seca durante a seca. Os dois principais rios perenes do bioma são o São Francisco e o Parnaíba.
    • As principais causas da sua degradação são o desmatamento, a pecuária extensiva, a prática de queimadas e a produção de lenha.
    • O bioma carece de políticas de conservação ambiental, sendo, na atualidade, um dos mais ameaçados do Brasil.
    • São exemplos de unidades de conservação o Parque Nacional da Chapada Diamantina (BA) e o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (MG).

    https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/caatinga.htm

  • A corrosão da Caatinga

    A corrosão da Caatinga

    Extração de madeira e uso da terra para roças e pastagens reduzem biodiversidade e transformam a paisagem do sertão

    Carlos Fioravanti

    Edição 266
    abr. 2018

    Durante três dias de sol forte, na segunda semana de março de 2018, uma equipe da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) cavou crateras na terra seca de roças abandonadas no Parque Nacional do Catimbau, na região central de Pernambuco, para examinar o interior de ninhos de saúva. Os pesquisadores viram que, em áreas de solo raso como as que escavavam, as formigas guardavam matéria orgânica a até 3 metros (m) de profundidade, dificultando o acesso das plantas a nutrientes e retardando a regeneração da vegetação original. Em outras expedições, já tinham observado que a densidade das colônias de saúva aumentava de duas por hectare (ha) nas áreas de vegetação nativa para 15 por ha (1 ha corresponde a 10 mil metros quadrados) nos trechos usados para cultivo agrícola ou pastagem. As saúvas  sobrepõem-se a outras espécies de formigas à medida que a vegetação nativa é retirada.

    Retirada de lenha no interior de PernambucoRicardo Azoury / olhar imagem

    A proliferação dos ninhos de saúva evidencia o empobrecimento da Caatinga causado pela retirada lenta e contínua de árvores e de animais das matas. Por consistir na extração de pequenas porções de recursos naturais, esse processo escapa das imagens de satélite, mas, em silêncio, transforma a paisagem do sertão nordestino e aumenta o risco de desertificação. Outro sinal visível da metamorfose é a proliferação de plantas invasoras como a algaroba (Prosopis juliflora), árvore nativa dos Andes usada para extração de madeira e alimentação do gado. As invasoras crescem com rapidez em ambientes mais abertos e tornam-se dominantes em roças ou pastos abandonados.

    Situado no município de Buíque, com 622 quilômetros quadrados (km2), o parque do Catimbau abriga cerca de 1.500 pessoas, que já viviam ali no momento de sua criação, em 2002. Os moradores usam as áreas de mata para plantar milho e feijão, criar cabras, retirar madeira para fazer cerca ou cozinhar e caçar para se alimentar. Ali, concluíram os pesquisadores da UFPE, as intervenções dos pequenos produtores rurais causaram a perda de pelo menos um terço da biodiversidade, principalmente de plantas.

    “Não é um quadro isolado”, diz o ecólogo Marcelo Tabarelli, da UFPE, coordenador do grupo de pesquisa. “A trajetória da degradação, com a transformação da floresta em uma vegetação dominada por arbustos e depois por herbáceas, ocorre em toda a CaatingaQuanto maior a pressão humana sobre a vegetação nativa e quanto menos água, mais pobres serão o ambiente e as pessoas que vivem dele.”

    A ação humana sobre a vegetação nativa do interior do Nordeste é antiga. No século XVI, o sertão produzia carne e alimentos para os moradores do litoral, que priorizavam a produção de cana-de-açúcar. Como resultado de cinco séculos de exploração econômica, quase metade (45%) da área original da Caatinga – 826 mil km2, o equivalente a 11% do território nacional – já foi desmatada, como resultado principalmente da ação dos grandes produtores rurais.

    Na introdução ao livro Caatinga – The largest tropical dry forest region in South America, publicado em 2017, Tabarelli, os biólogos Inara Leal, também da UFPE, e José Maria Cardoso, da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, observaram que os moradores de comunidades rurais da Caatinga dependem da vegetação nativa para sobreviver, o que causa uma lenta e contínua alteração do ambiente. Segundo eles, somando a ação dos moradores do sertão com os grandes projetos de infraestrutura e a agricultura comercial, pelo menos 63% da Caatinga já deve ter sofrido os efeitos da ação humana.

    Mantidas em cercados, as cabras alimentam-se de plantas da Caatinga, dificultando a regeneração da vegetaçãoINARA LEAL/UFPE

    Das 89 famílias que vivem no parque do Catimbau, 85% dependem da extração da madeira para cozinhar, de acordo com um levantamento de 2012 da bióloga da UFPE Laís Rodrigues. O consumo médio de lenha foi de 606 quilogramas (kg) por ano por pessoa, o que equivale a 10 ha por ano, somente para abastecer os fogões a lenha. “Dentro do parque”, observa o biólogo Felipe Melo, professor da UFPE, “como o governo impõe restrições ao uso da terra, as famílias são mais pobres e mais dependentes dos recursos naturais que as de fora, mas também não conseguem sair de lá porque não têm para onde ir”.

    Fora das áreas de proteção ambiental, há também a extração de lenha para abastecer as empresas de produção de gesso, olarias, padarias e pizzarias. O consumo doméstico e comercial implica uma perda estimada em 30 milhões de metros cúbicos por ano de mata nativa, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

    A situação é similar na Mata Atlântica no Nordeste. Um estudo de 2015 na Global Ecology and Conservation, com base em 270 famílias de sete comunidades de Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba, registrou um consumo médio de 686 kg de lenha por ano por pessoa, o que implicaria a retirada de 2 mil ha de mata por ano nos 270 municípios da região com esse tipo de vegetação. “Quanto menor a renda das famílias, maior a dependência e a retirada de lenha”, diz Melo. Florestas de clima semiárido ou desértico da África e da Índia que abrigam comunidades humanas registram o mesmo fenômeno.

    Menos espécies nativas
    No Catimbau, espécies típicas como aroeira (Myracrodruon urundeuva) e angico-branco (Anadenanthera colubrina) são as mais extraídas para construção de cercas ou casas, de acordo com um estudo de fevereiro deste ano na Environmental Research Letters. Em Parnamirim, município pernambucano a 350 km a oeste do Catimbau, cujos 20 mil moradores vivem da extração de madeira e de plantas, os pesquisadores verificaram que as espécies de árvores típicas tendem a ser substituídas por outras, que crescem com rapidez e suportam as alterações provocadas pelas roças e pastos itinerantes, como marmeleiro-do-mato (Croton sonderianus) e jurema-preta (Mimosa tenuiflora). As cabras, por sua vez, comem os galhos de árvores com folhas mais macias, deixando de lado arbustos menores e plantas herbáceas com folhas mais duras, que se tornam as predominantes em áreas de pastagens.

    Além da proliferação de saúvas, a ação humana altera as interações de outros grupos de formigas e insetos com as plantas. “Vimos que se perdem dois tipos de serviço que as formigas prestam às plantas: a proteção contra insetos herbívoros e a dispersão de sementes”, diz Inara. No primeiro caso, segundo ela, por sofrerem mais estresse em áreas mais abertas, as plantas acumulam menos néctar em seus nectários extraflorais, que atraem formigas. Por sua vez, as formigas se alimentam de insetos herbívoros, que, sem elas, atacariam as plantas. Com menos néctar e menos formigas, as plantas tornam-se mais vulneráveis aos insetos herbívoros. No segundo caso, as ações humanas causam uma redução das populações e da atividade de espécies de formigas consideradas boas dispersoras de sementes, como a tocandira (Dinoponera quadriceps). “Em consequência”, diz Inara, “as sementes são dispersas em menor quantidade e por menores distâncias.”

    Vista geral do Parque Nacional do Catimbau (PE), com áreas de roças e pastos abandonados com solo exposto, em primeiro planoKATIA RITO/UNAM

    Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a bióloga Gislene Ganade pode ter encontrado uma solução para um antigo problema da recomposição da Caatinga: as árvores plantadas em campo dificilmente sobrevivem ao clima seco, apesar de adaptadas a ambientes inóspitos. Em seus experimentos, árvores de 16 espécies foram inicialmente cultivadas em tubos plásticos até as raízes atingirem 1 m de comprimento. Depois, foram plantadas em uma cova regada com 4 litros de água, na Floresta Nacional de Assu, no Rio Grande do Norte, em junho de 2016.

    “Com água para abastecer as raízes, as árvores mantiveram-se verdes por dois meses, mesmo na seca, e depois de oito meses, quando choveu, produziram folhas novas e frutos”, Gislene observou. Segundo ela, um ano após o plantio, 75% das árvores tinham sobrevivido. Com base nesse método, as equipes da UFRN e da UFPE pretendem recompor a vegetação do Catimbau. O plano é criar uma área experimental de 5 ha com árvores que possam servir para a produção de mel ou de alimento para os moradores do parque e para os animais de criação.

    A integração entre a criação de cabras, a agricultura e o plantio de espécies de árvores usadas como lenha é outra estratégia cogitada para evitar a degradação ambiental e favorecer a renda dos proprietários rurais. “Como não haveria recursos próprios para implementar os sistemas integrados do tipo lavoura-pecuária, a participação dos órgãos governamentais é essencial, por meio de linhas de crédito e do apoio a pesquisas”, diz o engenheiro-agrônomo Luiz Antonio Martinelli, professor da Universidade de São Paulo.

    Políticas públicas já em vigor têm ajudado a preservar a Caatinga, observa Tabarelli, que desde 2012 percorre com frequência o Catimbau. “Os programas de transferência de renda, principalmente a aposentadoria rural, desaceleraram a exploração da Caatinga e deixaram as famílias menos dependentes dos recursos naturais”, observa. “Em vez de caçar, os sertanejos podem comprar frango e, em vez de tirar lenha da mata, podem comprar gás para cozinhar.

    Questões

    1. Caracterize a Caatinga (clima, vegetação, solo e relevo)

    2. De acordo com o texto, por que a Caatinga sofre um processo de “desertificação”?

    3 Qual era a função do Sertão para o ciclo da cana durante o Brasil colônia?

    4 Por que programas de transferência de renda desaceleram a exploração da Caatinga?

    5 Analise a seguinte afirmação “o problema do sertão não é a seca, e sim a cerca”

    6 O que é o Projeto de transposição da Bacia do São Francisco?

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    Menos floresta, mais agropecuária

    Prof Luciano Mannarino.