Categoria: ATIVIDADES

Modelos de atividades para a Sala de Aula (Geografia)

  • Onde fica o Afeganistão e por que geograficamente ele é estratégico para as principais potências mundiais?

    Onde fica o Afeganistão e por que geograficamente ele é estratégico para as principais potências mundiais?

    País na Ásia Central e está no foco de China e Rússia, além de outros países vizinhos. Fronteiras foram definidas por influência britânica no século 19 durante ação para barrar avanço da Rússia czarista.

    Por Felipe Gutierrez e Fábio Manzano, G1

    18/08/2021 05h01  Atualizado há 21 horas


    O Afeganistão fica na Ásia Central, encravado em uma porção de terras montanhosas geograficamente estratégica e com potencial econômico que atrai vizinhos e potências com as quais nem mesmo tem fronteiras.

    No passado, a disputa entre países do Ocidente e a Rússia forjou o desenho do mapa afegão e também marcou a trajetória de guerras envolvendo o país. Agora, o futuro do Afeganistão mobiliza as atenções sobretudo da China, da Rússia e dos EUA, mas vizinhos menos influentes globalmente, como o Irã, a Índia e o Paquistão, também disputam a influência sobre o país e seu território.

    Abaixo, em cinco tópicos, entenda a localização do Afeganistão e quais os interesses das potências mundiais:

     — Foto: G1/Arte

    1 – Localização do país e origem

    O Afeganistão é um país montanhoso, sem acesso ao mar e com um território de 652 mil km², pouco maior que o estado de Minas Gerais. Historicamente, na Antiguidade, o território que hoje forma o país já foi ocupado por diferentes povos e impérios, como a Babilônia e o macedônio de Alexandre, o Grande.

    Na história mais recente, no século 19, o Império Britânico ocupou a região e foi responsável por levar ao trono o rei Shah Shujah (1838-1842). Depois de as tropas britânicas terem sido expulsas, retornaram entre 1878 e 1880, sendo que a independência da influência britânica só ocorreu definitivamente em 1919.

    “O Afeganistão nasceu como um Estado tampão para impedir o avanço da Rússia czarista no século 19, que estava se expandindo em direção ao sul do continente asiático. Os ingleses viram isso como uma ameaça e criaram o Reino do Afeganistão como um Estado”, diz o professor Samuel Feldberg, doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP).

    2 – Independência, invasão soviética e atual interesse russo

    Atualmente, o Afeganistão faz fronteira com seis países, a metade deles aliados diretos da Rússia e ex-repúblicas soviéticas: Tajiquistão, Uzbequistão e Turcomenistão. A estabilidade dessa área, portanto, é do interesse russo.

    Desde a independência declarada, os arranjos de poder no Afeganistão sempre foram considerados instáveis. Por conta da proximidade com a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em diferentes momentos o país teve assistência militar e econômica do bloco, até que em 1979 foi invadido pelo exército soviético, em um período que já havia apoio dos Estados Unidos a grupos locais contrários aos russos. A presença soviética seguiu no país até um acordo de paz em 1988.

    Como lembra a colunista do G1 Sandra Cohen, “os EUA se envolveram no país há quatro décadas, durante a Guerra Fria, apoiando combatentes armados – os mujahedin – contra os soviéticos. O impacto do conflito desgastou a economia soviética até que o então presidente Mikhail Gorbachev anunciou a retirada total das tropas”.

    Apesar da derrota, os soviéticos continuaram a sustentar o governo afegão, liderado por Mohammad Najibullah, para conter o avanço dos rebeldes. Mas o império soviético desmoronou, a fonte secou e, em 1992, Najibullah foi destituído do poder.

    No cenário atual, a Rússia se interessa em fazer contraponto ao poder dos EUA em áreas que ela avaliar estar dentro de seu círculo de influência, sobretudo o sul da Ásia, Oriente Médio e Leste Europeu. Além disso, também tem interesse no fortalecimento do Talibã contra o Estado Islâmico (EI), já que o país sofre com terrorismo jihadista no Cáucaso. Por isso, manter o EI longe do norte do Afeganistão é importante para a Rússia.

    3 – China: interesse em minerais, contraponto aos EUA e aos jihadistas uigures

    Ainda na segunda-feira (16), a China afirmou que deseja manter “relações amistosas” com o grupo extremista Talibã, que tinha tomado o poder no Afeganistão apenas um dia antes.

    A China e o Afeganistão são países vizinhos e têm 76 quilômetros de fronteiras comum.

    Pequim incluiu, ainda em 2016, o Afeganistão em seu grande projeto de infraestrutura, as “Novas Rotas da Seda”. Mas, por falta de segurança, os investimentos chineses foram modestos no país: 4,4 milhões de dólares em 2020, segundo o ministério do Comércio.

    A China tem também interesse nos minérios do país, entre eles o cobre na região de Mes Aynak. Mas outro dos possíveis focos são as reservas de “terras raras”, que são insumos importantes nas cadeias de fabricação de produtos de altas tecnologias.

    Além do forte interesse econômico, a fronteira com o Afeganistão na província de Xinjiang é palco de atividades de grupos extremistas uigures. O receio é que jihadistas uigures presentes também no Afeganistão se fortaleçam na região, justamente porque a China vem sendo acusada de genocídio contra o povo uigur.

    E assim como a Rússia, a China também busca fazer oposição aos EUA e a retirada das tropas do Afeganistão é uma nova oportunidade para se contrapor à influência americana.

    4 – EUA: das ações contra os soviéticos à luta contra o terror

    Os EUA iniciaram sua relação com o Afeganistão há 40 anos, durante a Guerra Fria, com o apoio aos mujahedin, grupo de guerrilheiros que atuavam contra as investidas soviéticas no país. O cenário de conflito e os investimentos em armas e treinamento militar formaram um terreno fértil para a criação e ascensão do grupo extremista Talibã, que tomou o poder do país nos anos 1990.

    A interferência americana voltou a aumentar durante a chamada Guerra ao Terror, em resposta aos atentados do 11 de setembro, quando o governo talibã do Afeganistão se recusou a entregar o chefe da al-Qaeda, responsável pelos ataques, Osama Bin Laden.

    Duas décadas depois, com o retorno do grupo ao poder, os americanos temem que o país se torne um “santuário para grupos extremistas”, no entanto, outra grande preocupação é a perda de influência no território que poderá favorecer seus maiores adversários: China, Rússia e Irã.

    5 – Índia, Irã e Paquistão: o interesse de vizinhos

    Saída dos EUA do Afeganistão abre espaço para países ganharem poder no cenário geopolítico.

    Além das potências globais, vizinhos com forte expressão regional também buscam marcar posição na relação com o Afeganistão:

    • ÍNDIA: o país vê no Afeganistão um de seus principais aliados regionais, e sua localização – com uma longa fronteira com o Paquistão, com quem a Índia não tem boas relações – é vital para a segurança nacional.

    • IRÃ: Com laços estreitos com o grupo extremista, o governo iraniano foi acusado de fornecer apoio financeiro e militar ao Talibã. Além disso, especialistas alertam para a expansão da presença clandestina das Forças Quds – unidade especial da Guarda Revolucionária – no país para promover os interesses iranianos.

    “Cerca de 20% da população do país é xiita, e o principal país xiita da região, o Irã, “está preocupado com a possibilidade de associação, no Afeganistão, de grupos salafistas que atacam os xiitas”, explica Arlene Clemesha, professora de História Árabe da Universidade de São Paulo (USP).

    • PAQUISTÃO: Entre a Índia – com quem não tem boas relações – e o Afeganistão, o Paquistão vê no apoio afegão uma expansão de sua influência regional e apoio em conflitos. O país foi um dos únicos, ao lado da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, a reconhecer o Talibã quando assumiu o poder na década de 1990.

    Há uma identidade étnica de uma parte dos afegãos com o Paquistão. “A fronteira entre os dois é praticamente inexiste”, comenta Samuel Feldberg, doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP). O Paquistão usa essa proximidade étnica nos conflitos que tem com a Índia, segundo o professor.

    Quando o Afeganistão foi invadido em 2001, muitos dos membros de grupos terroristas que estavam no país acabaram encontrando refúgio no Paquistão —o próprio Osama Bin Laden foi capturado em uma cidade próxima a Islamabad, no Paquistão.

    Há mais de dez etnias no país, que falam línguas diferentes e que têm uma organização parecida com a de tribos. “Como o Estado do Afeganistão atual nasceu de um projeto colonialista, as rivalidades internas foram exacerbadas. Os grupos étnicos do Afeganistão não consideram as fronteiras entre o país e os vizinhos legítimas”, diz a professora Clemesha.

    https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/08/18/onde-fica-o-afeganistao-e-por-que-geograficamente-ele-e-estrategico-para-as-principais-potencias-mundiais.ghtml

    Questões

    1 – A intervenção dos EUA no Afeganistão se deu em dois momentos. Caracterize-os.

    2 – Analise o atual interesse da Rússia na estabilidade política do Afeganistão.

    3 – O Reino do Afeganistão foi uma “criação” dos ingleses? Justifique.

    4. A aproximação da China com o Afeganistão guarda interesses geopolíticos e econômicos?Justifique.

    Prof Luciano Mannarino

  • Islândia pode ser um continente, não uma ilha: conheça a nova teoria geológica

    Islândia pode ser um continente, não uma ilha: conheça a nova teoria geológica

    Por João Lara Mesquita 

    4 de agosto de 2021

    Uma nova teoria geológica defende que a Islândia pode ser o último remanescente exposto de um continente que afundou no Oceano Atlântico Norte há cerca de 10 milhões de anos. Gillian Foulger, geofísica da Universidade de Durham, que criou juntamente com os seus colegas a teoria, disse que “há um continente oculto debaixo do mar”. Para estes cientistas, a Islândia pode ser apenas a ponta de um continente submerso.

    Ilustração da Islândia continente
    O continente da “Islândia” pode ter se estendido entre a Groenlândia e a Escandinávia. Ilustração https://www.sciencealert.com/.

    Islândia pode ser um continente, não uma ilha

    A comunidade acadêmica foi pega de surpresa. A nova teoria patrocinada pela Universidade de Durham é contrária a tudo que se sabia sobre a formação da Islândia e do Atlântico Norte.

    A imprensa mundial deu amplo destaque à tese revolucionária que, se provada, significa que o supercontinente, Pangeia, não foi totalmente dividido.

    Especialistas liderados pela Durham University acreditam que o continente oculto poderia cobrir cerca de 231.000 milhas quadradas da Groenlândia até a Europa. Quando áreas adjacentes a oeste da Grã-Bretanha são incluídas em uma ‘Grande Islândia’, no entanto, essa área pode se expandir para cerca de 386.000 milhas quadradas.

    O dailymail.com diz que ‘a teoria desafia ideias antigas tanto sobre a composição da crosta subjacente ao Atlântico Norte quanto sobre como as ilhas vulcânicas como a Islândia se formaram’.

    Pangeia para a comunidade acadêmica

    Os geólogos ensinam há muito tempo que a bacia do Oceano Atlântico Norte se formou quando Pangeia começou a se fragmentar há 200 milhões de anos. E que a Islândia se formou há cerca de 60 milhões de anos acima de uma pluma vulcânica perto do centro do oceano.

    Ilustração do super continente Pangéia
    Pangeia antes e depois de se fragmentar. Ilustração, estudopratico.com.br.

    Pangeia para Gillian Foulger

    Foulger e seus coautores sugerem uma teoria diferente: que os oceanos começaram a se formar aproximadamente ao sul e ao norte – mas não a oeste e leste – da Islândia quando Pangeia se separou.

    Em vez disso, escreveram os geólogos, as áreas a oeste e leste permaneceram conectadas ao que hoje são a Groenlândia e a Escandinávia.

    De acordo com a nova teoria, Pangeia não se dividiu de forma limpa e o continente perdido da Islândia permaneceu como uma faixa ininterrupta de terra seca de pelo menos 200 milhas (300 quilômetros) de largura que permaneceu acima das ondas até cerca de 10 milhões de anos atrás, disse Foulger.

    Eventualmente, as extremidades leste e oeste da Islândia também afundaram, e apenas a Islândia permaneceu, disse ela.

    A teoria explicaria por que as rochas da crosta terrestre sob a Islândia moderna têm cerca de 40 km de espessura em vez de cerca de 8 km de espessura, o que seria esperado se a Islândia tivesse se formado a partir de uma pluma vulcânica (conforme reza a tese tradicional), disseram os geólogos.

    “Quando consideramos a possibilidade de que essa crosta espessa seja continental, nossos dados de repente fizeram sentido”, disse Foulger em um comunicado.

    “Isso nos levou imediatamente a perceber que a região continental era muito maior do que a própria Islândia – há um continente escondido bem embaixo do mar.”

    A professora Foulger e seus colegas estão agora procurando colaborar com outros especialistas de todo o mundo para testar sua teoria, assim que o COVID-19 permitir.

    Fontes:

    https://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-9736939/Geology-Sunken-continent-Icelandia-stretch-231-000-square-miles-Greenland-Europe.html

    https://www.sciencealert.com/controversial-new-claim-suggests-iceland-is-the-tip-of-a-sunken-continent.

    Questões

    1) Que tipo de encontro de placa tectônica ser relaciona com a formação do território da Islândia? Justifique.

    2) Como se formou o Oceano Atlântico?

    3) Aponte evidências que justificam a Teoria da Deriva Continental.

    4) O texto jornalístico menciona eventos que aconteceram ao longo de quais Eras Geológicas? Justifique.

    O que é a Crosta Terrestre?

    Terremotos!

    VÍDEO – TEORIA DA DERIVA CONTINENTAL

    Prof Luciano Mannarino

  • NATURE: Analisando a Terra: a ciência por trás do próximo relatório climático do IPCC

    A primeira avaliação do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas em oito anos soará o alarme sobre as temperaturas elevadas, o aumento dos mares e o clima extremo.

    A woman carrying a child and belongings on her back wades through floodwaters in a city in China
    Fortes chuvas causaram inundações sem precedentes em Zhengzhou, província de Henan, China, em julho.Crédito: Aly Song/Reuters/Alamy

    As Nações Unidas estão prontas para divulgar a avaliação mais confiante e abrangente ainda do aquecimento global, incluindo estimativas detalhadas de como as emissões contínuas de gases de efeito estufa aumentarão o nível do mar da Terra e impulsionarão o clima extremo nos próximos anos. Compilado por mais de 200 cientistas e aprovado por representantes do governo de 195 países, o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) deixará poucas dúvidas de que os seres humanos estão alterando a forma como o planeta funciona — e que as coisas ficarão muito piores se os governos não tomarem medidas drásticas, dizem pesquisadores climáticos entrevistados pela Nature.

    Muitos esperam que o relatório, que abrange os últimos avanços da ciência climática, galvanize a ação na cúpula climática da ONU em Glasgow, Reino Unido, em novembro, onde os líderes mundiais assumirão novos compromissos para conter as emissões de gases de efeito estufa. Os cientistas dizem que, com base nas políticas atuais, os governos não cumprirão as metas estabelecidas no acordo climático de Paris de 2015 para limitar o aquecimento global a 1,5-2 °C acima dos níveis pré-industriais.

    As duras verdades das mudanças climáticas — pelos números

    “Este relatório deixará absolutamente claro qual é o estado da ciência e jogará a bola de volta no campo dos governos para agir”, diz Corinne Le Quéré, cientista climática da Universidade de East Anglia, em Norwich, Reino Unido.

    É o primeiro de um trio de relatórios que comporá a sexta grande avaliação climática do IPCC desde 1990: um segundo relatório, sobre impactos climáticos e adaptação, e um terceiro, sobre os esforços de mitigação, seguirá no próximo ano. Antecipando a divulgação do primeiro relatório na próxima semana, a Nature  antecipa o que os pesquisadores dizem ser alguns dos avanços mais significativos na ciência climática realizados desde a última avaliação do IPCC, há oito anos.

    Alta confiança, modelos quentes

    Após várias décadas de pesquisa, os cientistas climáticos não têm dúvidas de que as emissões de gases de efeito estufa fazem com que as temperaturas globais aumentem. As concentrações desses gases aumentaram cerca de 50% desde os tempos pré-industriais, e o planeta aqueceu mais de 1 °C (ver ‘Mundos mais quentes’). Segundo algumas estimativas, o mundo está no caminho certo para quase 3 °C de aquecimento, a menos que os governos façam mais para conter essas emissões.

    Pesquisadores ficaram mais confiantes em projeções como a ciência climática avançou — um ponto que o relatório do IPCC enfatizará. Uma maneira pela qual os cientistas avaliaram suas projeções climáticas é através de uma métrica conhecida como sensibilidade climática. Esta é uma medida do aquecimento projetado a longo prazo que ocorreria se os níveis de dióxido de carbono atmosférico (CO2)do planeta dobrassem em comparação com osníveis pré-industriais. Apesar dos avanços na compreensão e no poder computacional, as estimativas de sensibilidade climática estão em torno de 1,5-4,5 °C desde a década de 1970. Os esforços recentes para diminuir esse alcance aumentaram significativamente a confiança dos cientistas em projeções de quão rapidamente o mundo pode aquecer nas próximas décadas.

    Warmer worlds: Chart showing range of projected changes in global temperature up to the year 2100.

    Fonte: Zeke Hausfather/Modelo Acoplado Intercomparison Projeto Fase 6

    Em um estudo publicado em julho de 20201, por exemplo, uma equipe de pesquisadores desafiou modelos climáticos com múltiplas linhas de evidência, incluindo registros climáticos contemporâneos e evidências de climas antigos. Eles determinaram uma provável sensibilidade climática de 2,6-3,9 °C.

    “Parece um pouco esotérico, mas seria realmente um grande negócio se o IPCC reduzisse a amplitude da sensibilidade climática”, diz Zeke Hausfather, coautor do estudo e cientista climático do Instituto Breakthrough em Oakland, Califórnia. Estreitar o alcance ajudaria a restringir modelos e melhorar as projeções futuras.

    Mas Hausfather é rápido em notar que muitos dos modelos climáticos mais recentes – incluindo os de grandes centros de modelagem nos Estados Unidos e no Reino Unido – estão projetando um aquecimento bem acima até mesmo das estimativas anteriores de sensibilidade climática. Cerca de um terço dos cerca de 40 modelos que executaram testes de sensibilidade climática prevêem mais de 4,5 °C de aquecimento se os níveis de CO2  dobrarem, intrigantes cientistas que consideram tais níveis extremos de aquecimento implausíveis dadas outras linhas de evidência.

    IPCC diz que limitar o aquecimento global a 1,5 °C exigirá medidas drásticas

    Os cientistas ainda estão descobrindo precisamente por que os modelos estão quentes, mas algumas pesquisas sugerem que parte da resposta pode ser o uso de novas representações sofisticadas de microfísica de nuvens e partículas minúsculas na atmosfera chamadas aerossóis. Por exemplo, modelos anteriores apresentavam nuvens irrealistas que consistiam em muito gelo, que se transformaria em água à medida que o globo se aquecia. Isso produziu um efeito de resfriamento porque as nuvens à base de água refletem mais energia solar de volta ao espaço. Os modelos mais recentes começam com nuvens mais realistas que têm mais água, o que reduz o efeito de resfriamento ao longo do tempo.

    Mas isso é apenas uma parte de uma equação maior que os cientistas climáticos ainda estão trabalhando, diz Gavin Schmidt, que lidera a equipe de modelagem do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA em Nova York. Alguns modelos que correm quente podem precisar ser menos ponderados ao calcular métricas como a sensibilidade climática, diz Schmidt. Mas eles ainda poderiam fornecer previsões úteis para variáveis climáticas, como padrões de precipitação, acrescenta.

    Ao interpretar as últimas projeções climáticas, o IPCC deve reconhecer que os cientistas estão apenas começando a se aprofundar nessas questões, diz Schmidt.

    Marés altas

    O mundo teve uma prévia de como o nível do mar da Terra pode subir quando o IPCC divulgou um relatório especial em 2019. A ciência que apresentou, que sem dúvida será incluída na liberação da próxima semana, dizem especialistas, apontou para o aumento médio do nível médio do mar global entre 0,3 metros e 1,1 metro até 2100, dependendo das emissões de gases de efeito estufa. Isso é apenas um pouco maior do que as projeções anteriores, mas o relatório também citou estudos recentes que analisam as opiniões de especialistas da área, que declararam que um aumento de 2 metros não pode ser descartado. Tal mudança extrema poderia deslocar dezenas de milhões de pessoas de suas casas em regiões baixas.

    A elevação do nível do mar é difícil porque depende de questões complexas sobre se as camadas de gelo na Groenlândia e na Antártida entrarão em colapso — e, se for o caso, quão rápido. Os cientistas fizeram progressos notáveis, no entanto, em entender como as marés crescentes poderiam afetar as comunidades em uma escala local e regional, em vez de apenas uma escala global desde a última grande avaliação climática do IPCC em 2013. Isso é importante porque diferentes cidades, países e regiões experimentarão o aumento do nível do mar de maneiras muito diferentes, diz Michael Oppenheimer, cientista climático da Universidade de Princeton, em Nova Jersey, autor do relatório especial do IPCC.

    Por exemplo, as camadas de gelo na Groenlândia e na Antártida são tão grandes que exercem um efeito gravitacional que faz com que os oceanos inchem ao seu redor. Quando parte do gelo derrete, o inchaço local diminui e a água se redistribui em outros lugares, como no nordeste dos Estados Unidos — levando ao aumento do nível do mar lá.

    “É a primeira vez que o IPCC faz uma análise abrangente de todos esses efeitos locais e regionais”, diz Oppenheimer. A informação é importante, diz ele, porque mesmo aumentos aparentemente pequenos no nível do mar local podem ter impactos significativos — particularmente nas inundações durante tempestades. Em muitas áreas ao redor do mundo, Oppenheimer acrescenta que inundações únicas em um século se tornarão eventos anuais até o final do século, mesmo sob os cenários climáticos mais otimistas.

    A atribuição dos extremos

    O relatório do IPCC da próxima semana vem na esteira de inundações épicas na Alemanha, em julho, e uma onda de calor de junho que assou o Noroeste dos EUA e o oeste do Canadá, onde a cidade de Lytton registrou uma temperatura recorde de 49,6 °C antes que um incêndio quase o arrasou. Pouco depois, os cientistas climáticos avaliaram  a onda de calor e concluíram que o aquecimento global era quase certamente um motor, e aumentaram a probabilidade de tal evento em um fator de 150 desde o final do século XIX.

    A firefighting aeroplane tanker flies over a forest fire in Oregon, dropping a cloud of red powder fire retardant
    Incêndios florestais estão se tornando mais frequentes em Oregon e outras partes do Noroeste do Pacífico.Crédito: Departamento de Florestas de Oregon/AP/Shutterstock

    Há pouco mais de uma década, os cientistas tendiam a demur quando perguntados sobre a ligação entre o aquecimento global e qualquer evento climático extremo, exceto para dizer que deveríamos esperar mais deles à medida que o clima esquenta. Mas a ciência da atribuição climática avançou consideravelmente nos últimos anos, diz Sonia Seneviratne, cientista climática do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique. Assim, embora a análise recente de ondas de calor não seja incluída no novo relatório do IPCC porque não foi publicada a tempo, existe um conjunto substancial de pesquisas sobre clima extremo para o IPCC avaliar, diz Seneviratne.

    Duas coisas aconteceram para impulsionar essa mudança. A primeira é que os cientistas climáticos desenvolveram modelos e métodos estatísticos aprimorados  para determinar a probabilidade de que qualquer evento climático possa ocorrer, com ou sem mudanças climáticas induzidas pelo homem. Mas, assim como importante, diz Seneviratne, a mudança climática em si está avançando, e estudos recentes mostram que eventos climáticos cada vez mais extremos estão agora emergindo acima do ruído da variabilidade natural.

    Ou, nas palavras de Le Quéré, agora podemos ver os impactos do aquecimento global “com nossos próprios olhos”.

    https://www.nature.com/articles/d41586-021-02150-0

    Outro artigo da renomada Nature.

    Prof Luciano Mannarino

  • Mais desmatamento, menos chuva e menor produção agrícola

    Mais desmatamento, menos chuva e menor produção agrícola

    ECOLOGIA

    7:00
    31 Maio 2021


    Atualizado em
    4 jun 2021


    Carlos Fioravanti

    A quantidade anual de chuva caiu à metade ao longo dos últimos 20 anos em regiões de Rondônia, norte de Mato Grosso e sul do Pará onde a agropecuária ocupou até 60% de áreas antes florestadas, de acordo com análises da equipe do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Publicado em 10 de maio na revista científica Nature Communications, esse trabalho indicou que as áreas mais atingidas pela redução da precipitação são grandes produtoras de soja.

    “Financeiramente não compensa desmatar para produzir, porque em poucos anos a perda causada com a redução de chuvas será maior que o ganho de produção decorrente do aumento da área plantada”, conclui o engenheiro florestal Argemiro Teixeira Leite-Filho, da UFMG, principal autor do trabalho. “O desmatamento de um ano faz a produtividade cair já no ano seguinte.”

    Em 20 anos, precipitação caiu à metade em áreas que perderam 60% da vegetação nativa, com prejuízo anual estimado em R$ 5,7 bilhõesÁrea desmatada de Rondonópolis, leste do estado de Mato Grosso, preparada para o plantio de soja: perda de vegetação nativa reduz a quantidade de chuva e a produtividade agrícola

    James Martins/Wikimedia

    Causada pelo aumento do albedo (capacidade de refletir a luz solar) e pela queda na umidade liberada pela vegetação nas áreas desmatadas em comparação com a das florestas, a redução de chuva pode causar uma perda de produtividade estimada em US$ 1 bilhão (R$ 5,7 bilhões) por ano na produção de soja e carne na região amazônica, de acordo com esse estudo.

    “Neste ano ainda está chovendo bastante no sul da Amazônia, por causa do La Niña [esfriamento das águas da região equatorial do oceano Pacífico], mas em anos de El Niño [aquecimento do Pacífico equatorial] a diminuição da chuva pode intensificar a seca”, diz Leite-Filho.

    As análises da equipe da UFMG, coordenadas pelo geólogo Britaldo Soares-Filho, se apoiaram em informações do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Brasileira por Satélite (Prodes) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do satélite Tropical Rainfall Measuring Mission (TRMM) da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, de 1999 a 2019.

    Os pesquisadores avaliaram a perda de vegetação nativa e a redução da precipitação em células de 28, 56, 112 e 224 quilômetros quadrados (km2) em uma área total de 1,9 milhão de km2, do sul da região amazônica, do Acre ao Tocantins (ver mapa). O trabalho contou com apoio do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (CNPq), Banco Mundial e Fundação de Pesquisa da Alemanha (DFG).

    “A ciência já alerta para a possibilidade há mais de 10 anos, mas esse trabalho é o primeiro a quantificar o prejuízo econômico decorrente da diminuição da chuva”, diz o físico Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP), que não participou do estudo. Especialista na pesquisa sobre aerossóis e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), ele foi um dos autores do trabalho que em 2016 mostrou como partículas de aerossóis influenciam a formação e o desenvolvimento de nuvens na Amazônia.

    De imediato, em escala local, o desmatamento pode aumentar a quantidade de chuva, de acordo com um estudo publicado em junho de 2003 na Remote Sensing of Environment. “As áreas desmatadas ficam mais quentes, o albedo muda e surgem circulações de correntes de ar que favorecem o aumento da chuva”, diz um dos autores do trabalho, o meteorologista Luiz Augusto Machado, filiado ao Instituto Max Planck da Alemanha e ao IF-USP, após se aposentar no Inpe.

    Esse efeito desaparece, porém, quando a área sem vegetação nativa se amplia. “Quando o desmatamento alcança grandes proporções, com a perda da vegetação nativa em centenas de hectares, o efeito da circulação atmosférica local torna-se muito limitado e ocorre claramente uma redução da precipitação”, acrescenta Machado. Ele alerta: “O prejuízo é muito maior se considerarmos que o desmatamento na Amazônia reduz drasticamente a chuva nas regiões Sul e Sudeste”.

    Estação chuvosa mais curta
    Leite-Filho observou outro efeito do desmatamento: o adiamento do início e o encurtamento em cerca de 30 dias da estação chuvosa no sul da Amazônia, de acordo com um trabalho que publicou em setembro de 2019 na International Journal of Climatology. As chuvas, que nessa região normalmente começam em setembro e seguem até abril, indicam o que e quando plantar.

    Em dezembro de 2020, o jornal O Estado de S. Paulo noticiou que as chuvas irregulares e em uma quantidade 50% menor que a média desde agosto já haviam causado uma perda de 7,3 milhões de toneladas de grãos, principalmente soja, milho e arroz, em todo o país na safra 2020/21.

    “O desmatamento também tem aumentado a frequência e a duração dos veranicos”, diz o pesquisador. Veranicos são períodos secos em meio à estação chuvosa que prejudicam o desenvolvimento das culturas agrícolas.

    Artaxo ressalta: “Se o desenvolvimento brasileiro depender da venda de carne, soja e outras commodities agrícolas a serem produzidas no Brasil Central, é melhor preservar a Amazônia para continuar a ter chuva abundante na região”.

    1. De que forma o La nina afeta o regime de chuvas no sul da Amazônia?

    2. O que é Albedo e por que muda quando ocorre desmatamento na Amazônia?

    3. Explique a importância das commodities agrícolas na economia do Brasil.

    4. O que são veranicos e porque ele vem aumentando sua frequência em porções da Amazônia?

    5. De que forma a perda da vegetação nativa afeta a produtividade da produção agrícola ao longo do tempo?

    Prof Luciano Mannarino

  • Investimentos na matriz eólica superam R$ 187,1 bi na última década

    Investimentos na matriz eólica superam R$ 187,1 bi na última década

    Fonte de energia ganha competitividade no país com preocupação ambiental

    17.jul.2021 às 23h15

    Luis Henrique Gomes

    NATAL

    Quando o primeiro leilão de energia eólica foi feito no Brasil, em 2009, só 0,5% da capacidade de geração de eletricidade do país tinha essa origem. Passados 12 anos, esse percentual cresceu para 10,6%, com investimentos no país que somam US$ 35,8 bilhões entre 2011 e 2019, segundo os cálculos da Bloomberg New Energy Finance. A quantia corresponde a R$ 187,1 bilhões em valores atuais.

    Com esse crescimento, numa década em que o mundo se comprometeu em reduzir a emissão de carbono, a matriz eólica se tornou uma fonte de energia competitiva no Brasil e tem a seu favor o financiamento de bancos internacionais que buscam cumprir as metas do Acordo de Paris, realizado em 2015.

    Somente no Rio Grande do Norte, o estado que mais produz esse tipo de energia no Brasil hoje, mais de R$ 15 bilhões foram investidos em parques eólicos.

    Parque eólico da Neoenergia, localizado em Rio do Fogo, no litoral do Rio Grande do Norte, estado com maior produção de energia eólica no Brasil
    Parque eólico da Neoenergia, localizado em Rio do Fogo, no litoral do Rio Grande do Norte, estado com maior produção de energia eólica no Brasil Alex Régis/Folhapress

    O primeiro foi instalado pela Neoenergia em 2006, no município de Rio do Fogo, distante 80 quilômetros de Natal, com capacidade de 28 MW (megawatts). Hoje, o estado possui uma capacidade de 5.266 MW instalados, em mais de 180 parques.

    Além dos investimentos, empresas têm buscado cada vez mais adquirir energia gerada em parques eólicos, de acordo com a presidente da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), Elbia Gannoum. Em 2020, cerca de 3 GW (gigawatts) foram comprados por companhias.

    Dois fatores contribuem para isso: a perspectiva de uma energia mais limpa, com menos passivos ambientais, e o preço competitivo.

    “Hoje a energia eólica é a mais barata do país. Por isso, a perspectiva é que os investimentos aumentem nos próximos anos”, diz Gannoum.

    Segundo a presidente da Abeeólica, o Brasil já está entre os países com as matrizes energéticas mais limpas do mundo, mas o setor eólico continuará em expansão. Os investimentos até 2029 devem chegar a R$ 72,3 bilhões.

    “O Brasil tem a melhor posição do mundo em energia porque é o país mais rico em recursos renováveis”, diz ela.

    https://www1.folha.uol.com.br/mpme/2021/07/investimentos-na-matriz-eolica-superam-r-1871-bi-na-ultima-decada.shtml

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    Explique as condições climáticas que torna o nordeste um grande produtor de energia elétrica a partir de fontes renováveis.

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