Categoria: ATIVIDADES

Modelos de atividades para a Sala de Aula (Geografia)

  • China dobra aposta em tecnologia

    China dobra aposta em tecnologia

    País mobiliza grandes investimentos para projetos de tecnologia em estágios iniciais

    1º.abr.2021 às 23h15

    Volumes fabulosos de recursos já foram investidos no desenvolvimento de semicondutores e, apesar disso, a China segue altamente dependente da importação desses insumos.

    Anos de expectativas frustradas incomodam o governo chinês. Não apenas porque isso evidencia a dificuldade de transformar desejos em realidade, mas também porque coloca a China numa posição vulnerável do ponto de vista tecnológico.

    Do total de semicondutores que consome, a China produz apenas 30% e importa o restante, numa proporção que há anos insiste em não se alterar.

    A China depende de chips para produzir outros bens, para exportar e para inovar. Produtores de carros chineses, por exemplo, importam 90% dos semicondutores de que necessitam.

    Um funcionário trabalha em uma fábrica de semicondutores em Nantong, na província de Jiangsu, leste da China
    Um funcionário trabalha em uma fábrica de semicondutores em Nantong, na província de Jiangsu, leste da China – 17.mar.2021/AFP

    Os EUA enxergaram na fragilidade chinesa uma oportunidade. Adotaram medidas para restringir suas exportações de semicondutores para a China. Foram além e criaram dificuldades para que empresas estrangeiras mesmo fora dos EUA vendessem, para a China, equipamentos e software para a produção de chips.

    Ainda que em escala menor, histórias parecidas se repetem em outras tecnologias. É extensa a lista de empresas chinesas proibidas de fazer negócios com firmas americanas. Com isso, limita-se o acesso chinês a certos insumos estratégicos.

    Qual a consequência do outro lado do mundo? O Estado-investidor chinês aumenta seu apetite pelo risco. Pequim passa a atuar como um “venture capitalist” —como argumentou Arthur Kroeber num webinário organizado pelo Cebri e Conselho Empresarial Brasil-China nesta semana.

    Claro, investimentos em política industrial, em tecnologia e mesmo em autossuficiência não são novidade na China. No entanto, agora Pequim mais que dobrou a aposta.

    O que há de novo são a ousadia na maneira de investir, o volume de recursos envolvidos na empreitada e a coerência estratégica da intervenção do Estado, segundo Kroeber.

    Pequim passa a mobilizar grandes investimentos em setores intensivos em tecnologia, especialmente para vários projetos em estágios iniciais —arriscados, mas potencialmente promissores.

    Como é típico do modelo de “venture capitalism”, nem todas as apostas vão se revelar acertadas. Mas, claro, a ideia é de que haja vencedores suficientes para compensar os investimentos que inevitavelmente fracassarão.

    Sede do gigante do varejo Alibaba em Hangzhou, província de Zhejiang
    Sede do gigante do varejo Alibaba em Hangzhou, província de Zhejiang Aly Song/Reuters

    Apesar de tudo, o sucesso não é garantido. As dificuldades normalmente associadas a política industrial estão presentes também na China. Há espaço para desperdício, favorecimentos, distorções e corrupção.

    Quando, no ano passado, Pequim definiu novos incentivos para o desenvolvimento de semicondutores, empresas de todos os tipos se aprontaram para pleitear benesses. O governo precisou agir para evitar abusos. Definiu três “nãos”. Empresas sem experiência, sem tecnologia e sem capital humano na área não deveriam se aventurar aí —não com recursos públicos.

    Se o intervencionismo estatal tem seus riscos, a lógica do relacionamento entre Estado e mercado na China, no entanto, sempre foi diferente. O setor público é visto sobretudo como parte de solução e não como o problema na economia.

    Ronaldo Lemos na Torre Pérola em Nanjing, China
    Ronaldo Lemos na Torre Pérola em Nanjing, China Bruno Prada

    Expressões como China Inc. e capitalismo de Estado, por exemplo, representam o esforço de capturar a essência deste modelo híbrido —e que também se transforma. Mas enquanto o resto do mundo aponta para as contradições, os chineses enxergam as sinergias da relação.

    Nas atuais circunstâncias, a dependência tecnológica da China e o ambiente internacional difícil para o país contribuem para a ousadia do Estado-investidor. Não por acaso o recém-adotado plano quinquenal prioriza autossuficiência tecnológica.

    Se fosse um investidor privado, a China de hoje teria perfil arrojado. O risco é alto, mas o retorno também pode ser. Em jogo, estão os rumos da competição tecnológica, econômica e geopolítica. Com bolsos mais fundos que no passado, Pequim está disposta a pagar para ver.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tatiana-prazeres/2021/04/china-dobra-aposta-em-tecnologia.shtml

    Questões.

    O que seria o “Capitalismo de Estado” implementado na China?

    Aponte contradições entre esse modelo e o modelo neoliberal.

    Num mundo cada vez mais competitivo, qual a importância da autossuficiência tecnológica?

    Quais são as medidas que os EUA vem adotando para dificultar o avanço da China nessa área?

    Prof Luciano Mannarino

  • Níger vive tentativa de golpe às vésperas de transição presidencial

    Níger vive tentativa de golpe às vésperas de transição presidencial

    Unidade militar tentou tomar palácio presidencial; nova gestão assume na sexta

    31.mar.2021 às 22h19

    NIAMEI (NÍGER) | REUTERS

    Uma unidade militar tentou tomar o palácio presidencial em Niamei, capital do Níger, em uma tentativa de golpe, mas a ordem foi restaurada, disse o governo nesta quarta-feira (31), dias antes da primeira transferência de poder democrática no país.

    Os golpistas, de uma base aérea próxima, fugiram depois que a guarda presidencial revidou com forte bombardeio e tiros de fuzis, segundo três fontes da segurança, que pediram anonimato.

    O porta-voz do governo, Abdourahamane Zakaria, disse que várias pessoas foram presas enquanto outras ainda estão sendo procuradas, mas que a situação estava sob controle.

    O presidente Mahamadou Issoufou fala com a imprensa após votar nas eleições presidenciais
    O presidente Mahamadou Issoufou fala com a imprensa após votar nas eleições presidenciais – Souleymane Ag Anara – 13.dez.20/AFP

    “O governo condena esse ato covarde e retrógrado que visa pôr em perigo nossa democracia e o Estado de Direito com que nosso país está decididamente comprometido”, afirmou ele em entrevista coletiva.

    O presidente Mahamadou Issoufou está deixando o governo depois de dois mandatos de cinco anos cada um, e o presidente eleito, Mohamed Bazoum, candidato do partido governante, deverá tomar posse na sexta-feira (2) depois de uma vitória disputada com Mahamane Ousmane.

    O ex-enviado dos EUA ao Sahel J. Peter Pham escreveu em redes sociais que tanto o atual presidente quanto o eleito estão em segurança, e o gabinete postou fotos no Twitter de Issoufou presidindo a cerimônia de juramento de dois juízes graduados. A localização de Ousmane não foi informada.

    Houve ataques crescentes promovidos por extremistas islâmicos, assim como protestos no país depois da vitória de Bazoum no segundo turno da eleição em fevereiro. Ousmane, um ex-presidente que perdeu a disputa, rejeitou os resultados e disse que houve fraude no pleito.

    Seguranças em frente ao Instituto Francês, em Uagadugu
    Seguranças em frente ao Instituto Francês, em Uagadugu Ahmed Ouoba/AFP

    Em algumas áreas da capital, apoiadores de Ousmane foram às ruas nesta quarta para protestar e entraram em confronto com a polícia, que disparou gás lacrimogêneo para dispersá-los. Segundo testemunhas, as estradas próximas à cidade foram fechadas.

    A eleição de Bazoum é a primeira transição de poder democrática num país que presenciou quatro golpes militares desde sua independência da França, em 1960, incluindo um em 1996 que derrubou Ousmane.

    O ataque começou por volta das 3h locais (23h de terça em Brasília) e durou cerca de 30 minutos, segundo uma testemunha à Reuters. Às 10h, o tráfego já havia sido retomado na área, e a situação parecia normal. A embaixada dos EUA em Niamei ficou fechada durante o dia devido aos tiros ouvidos no bairro e advertiu que a situação de segurança continua incerta no período pós-eleitoral.

    ​O aumento da insegurança na região causado por jihadistas ligados à Al Qaeda e ao Estado Islâmico intensificam os desafios econômicos do Níger, que incluem a seca, a pandemia de Covid-19 e os baixos preços do urânio, sua principal exportação. Um golpe no vizinho Mali em agosto do ano passado derrubou o presidente Boubacar Keita. Sob pressão de países da região, a junta cedeu o poder a um governo transitório que dirigirá o Mali até as eleições do próximo ano.

    Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/03/niger-vive-tentativa-de-golpe-as-vesperas-de-transicao-presidencial.shtml

    Questão.

    1 Segundo o texto jornalístico, quais são os elementos que contribuem para instabilidade institucional da jovem não Africana?

    Prof. Luciano Mannarino

  • Portugal precisa confrontar seu passado colonial, diz Conselho da Europa

    Portugal precisa confrontar seu passado colonial, diz Conselho da Europa

    Queixas de discriminação racial aumentaram 50% no país, que vai inaugurar memorial às vítimas da escravidão

    REUTERS

    24.mar.2021 às 16h58

    O Conselho da Europa, principal grupo de direitos humanos da União Europeia, afirmou nesta quarta-feira (24) que Portugal deve fazer mais para enfrentar seu passado colonial e seu papel no comércio de escravos e, assim, combater o racismo e a discriminação.

    O relatório surge num momento de acirramento do debate sobre o legado colonial no país —no começo do mês, a remoção dos brasões das ex-colônias de Portugal da chamada praça do Império, pretendida pela Câmara Municipal de Lisboa, gerou uma acalorada discussão e dividiu portugueses.

    Agora, o país também se prepara para inaugurar seu primeiro memorial às vítimas da escravidão, em Lisboa. O monumento —uma fileira de palmeiras pintadas de preto— foi desenhado pelo artista angolano Kiluanji Kia Henda, financiado pela Câmara e ficará no centro da capital.

    Monumento aos Descobrimentos, na região do Belém, é um dos principais cartões-postais de Lisboa
    Monumento aos Descobrimentos, na região de Belém, é um dos principais cartões-postais de Lisboa – Lalo de Almeida – 7.nov.2017/Folhapress

    O texto, assinado pela comissária para os Direitos Humanos, Dunja Mijatović, manifesta preocupação diante do aumento do número de crimes motivados por ódio racial, visando particularmente ciganos, afrodescendentes e estrangeiros no país.

    Do século 15 ao 19, as embarcações portuguesas transportaram cerca de 6 milhões de africanos escravizados através do Atlântico, cifra maior que a de qualquer outra nação. A era colonial, que viu países como Angola, Moçambique, Brasil, Cabo Verde e Timor Leste sujeitos ao domínio português, é frequentemente citada como motivo de orgulho. Atualmente, no entanto, a forma como a escravidão costuma ser abordada nas escolas tem sido questionada.

    “São necessários mais esforços para Portugal reconhecer as violações de direitos humanos no passado para combater os preconceitos racistas contra afrodescendentes, herdados de um passado colonial e do comércio de escravos”, disse o Conselho da Europa em seu relatório.

    Dia da Revolução dos Cravos na pandemia

    Homem dá um cravo a moradora de Benfica
    Homem dá um cravo a moradora de Benfica Patricia de Melo Moreira/AFP

    Em 2020, as queixas de discriminação racial aumentaram 50% no país, atingindo a marca de 655 denúncias. Segundo a secretária de Estado para a Igualdade, Rosa Monteiro, entretanto, esse número provavelmente está abaixo da taxa real de incidentes, uma vez que muitos casos não são registrados.

    “Nossa narrativa histórica é como uma ferida muito séria que não foi tratada adequadamente. E, para curá-la, temos que conversar sobre o que aconteceu”, disse Monteiro à agência de notícias Reuters, acrescentando que o governo está preparando um plano nacional de combate ao racismo.

    Episódios crescentes de racismo incluem uma passeata com referências ao movimento racista Ku Klux Klan, com máscara e tochas, em frente à sede da ONG SOS Racismo, em Lisboa, organizada pelo Resistência Nacional, grupo de extrema direita nacionalista. Esse mesmo grupo enviou emails com ameaças de morte a dirigentes de ONGs e a três deputadas de partidos de esquerda.

    Portugal planeja realizar, ainda neste ano, seu primeiro censo sobre origem étnica. Segundo dados do serviço de fronteira, havia, em 2019, cerca de 103 mil africanos oficialmente residentes no país. Os brasileiros lideram o ranking de maior comunidade de imigrantes, com 151 mil pessoas.

    Edgard Marcondes, 32, com a esposa Geisa, 32, e o filho Bento, 2, na Praia da Marinha, no Algarve, em Portugal. "Se eu fosse o Super-Homem, o racismo no Brasil seria minha kriptonita", diz
    Edgard Marcondes, 32, com a esposa Geisa, 32, e o filho Bento, 2, na Praia da Marinha, no Algarve, em Portugal. “Se eu fosse o Super-Homem, o racismo no Brasil seria minha kriptonita”, diz Arquivo pessoal

    O Conselho da Europa também expressou preocupação com o crescimento da direita populista no país, destacando o partido Chega, liderado pelo deputado André Ventura

    Amparando propostas como a castração química de pedófilos e a pena de morte, além da defesa de que não existe racismo em Portugal, o Chega conquistou não apenas o voto antissistema, mas também o de eleitores descontentes com o restante da direita no país.

    Ventura também fez comentários públicos contra Mamadou Ba, um dos principais ativistas do movimento antirracismo no país, que no mês passado foi alvo de uma petição pela sua deportação após chamar um oficial colonical, morto recentemente vítima de Covid-19, de sanguinário. Marcelino da Mata era o mais condecorado militar do exército português.

    “Não estamos tentando reescrever a história, estamos dizendo que a história que contamos hoje não é suficiente”, disse Ba em um protesto no domingo (22). “Queremos uma história que represente todos os portugueses.”​

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/03/portugal-precisa-confrontar-seu-passado-colonial-diz-conselho-da-europa.shtml

    Questões

    Aponte no texto reflexos das grandes navegações portuguesas na atualidade.

    Prof. Luciano Mannarino

  • Navio de 400 metros de comprimento encalha e provoca ‘congestionamento’ no Canal de Suez

    Navio de 400 metros de comprimento encalha e provoca ‘congestionamento’ no Canal de Suez

    Segundo autoridades portuárias, embarcação foi atingida por ventos fortes; ao menos 30 navios ficaram bloqueados

    CAIRO | REUTERS

    24.mar.2021 às 9h08

    Atualizado: 24.mar.2021 às 9h58

    Um navio cargueiro de 400 metros de comprimento e 224 mil toneladas encalhou nesta terça-feira (23), bloqueando a passagem de outras embarcações no Canal de Suez, uma das vias navegáveis mais importantes do mundo.

    De acordo com a Autoridade do Canal de Suez (SCA), o navio Ever Given, um dos maiores navios porta-contêineres do mundo, ficou preso depois de perder a capacidade de direção ao ser atingido por ventos fortes e por uma tempestade de areia.

    Oito navios rebocadores tentavam recolocar o Ever Given em sua rota para liberar a passagem no canal. Segundo o GAC, agência portuária que monitora o trafego naval, o local deve ser liberado ainda nesta quarta-feira (24).

    Navio Ever Given encalhado no Canal de Suez depois de ser atingido por ventos fortes – Marina Passos/Autoridade do Canal de Suez – 24.mar.21/AFP

    Cerca de 12% do volume do comércio mundial passa pelo Canal de Suez, que conecta a Europa e a Ásia e está localizado no Egito. Ao menos 30 navios que vinham atrás do Ever Given e três no sentido oposto ficaram bloqueados, enquanto outras 15 embarcações tiveram suas rotas interrompidas e ficaram paradas em outros ancoradouros para esperar a liberação da passagem.

    Segundo a empresa BSM, responsável pelo Ever Given, o navio saiu da China em direção à Holanda e encalhou no canal por volta das 2h40 de terça-feira (horário de Brasília). Uma investigação sobre os fatores que levaram ao incidente está em andamento, informou a empresa, acrescentando que toda a tripulação está em segurança.

    Mapas de rastreamento mostravam o navio preso no trecho mais ao sul do canal, próximo ao porto de Suez no Mar Vermelho. A SAC emitiu um comunicado tranquilizando as empresas responsáveis por outras embarcações e disse que não está poupando esforços em relação ao “movimento de navegação pelo canal e seu retorno à regularidade”.

    Navio encalhado tem 400 metros de comprimento, 69 metros de largura e capacidade para 20 mil contêineres – Marina Passos/Autoridade do Canal de Suez – 24.mar.21/AFP

    Além dos 400 metros de comprimento —tamanho superior à altura do Empire State Building, um dos maiores arranha-céus do mundo—, o Ever Given tem 59 metros de largura e capacidade para transportar até 20 mil contêineres.

    Durante o ano de 2020, quase 19 mil navios passaram pelo Canal de Suez, estabelecendo uma média de 51,5 navios por dia e um total de 1,17 bilhão de toneladas em cargas, de acordo com dados da SCA.

    Analistas ouvidos pela agência de notícias Reuters alertam que o incidente com o Ever Given pode gerar congestionamentos nos portos europeus na próxima semana. O impacto nos transportes de petróleo—que já começou a registrar alta nos preços— e gás dependerá de quanto tempo levará até o retorno à normalidade no canal.

    Uma usuária do Instagram que estava em uma embarcação que vinha atrás do Ever Given publicou uma foto que mostra o navio atravessado no Canal de Suez. Segundo ela, o cargueiro está “superpreso” e o trabalho dos rebocadores “está levando a lugar nenhum”

    Se as autoridades no Egito conseguirem desencalhar o Ever Given e movê-lo para a lateral do canal em dois ou três dias, o episódio será um pequeno inconveniente para a indústria. As empresas de transporte geralmente incluem dias extras em suas programações para compensar os atrasos no trajeto.

    Mas se a extração do navio se revelar mais complexa, deixando o Suez bloqueado por mais tempo, isso pode representar um risco substancial para uma indústria que já está sobrecarregada. O comércio marítimo global sofreu um abalo no ano passado por causa da pandemia. No caso do Egito, a receita proveniente do Canal de Suez foi de US$ 5,61 bilhões (R$ 31 bilhões) em 2020, o que representa uma queda de 3% em relação ao ano anterior, de acordo com um levantamento do jornal New York Times.

    O episódio com o Ever Given, contudo, não é inédito. Nos últimos incidentes, o mesmo navio cargueiro japonês ficou preso duas vezes enquanto passava pelo canal, em outubro de 2017 e junho de 2018. Nas duas ocasiões, porém, os rebocadores conseguiram normalizar a situação em poucas horas.

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/03/navio-de-400-metros-de-comprimento-encalha-e-provoca-congestionamento-no-canal-de-suez.shtml

    Questão

    1. Qual a importância do Canal de Suez para o comércio Global?

    2 Aponte outro importante Canal muito usado pelo comércio mundial.

    3.Por que essa região apresenta há uma forte incidência de ventos e tempestades de areia?

    4. Além da presença do Canal de Suez cite um outro elemento que transforma o Oriente Médio numa área estratégica para a economia mundial?

    Prof Luciano Mannarino

  • América do Sul: um espaço migratório regional ‘quase perfeito

    América do Sul: um espaço migratório regional ‘quase perfeito

    Os seus migrantes são, em sua esmagadora maioria, naturais da mesma região

    20.mar.2021 às 8h00

    Mohammed ElHajji

    Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Integrante dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação e em Psicologia Social. Também é professor e coordenador local do Master Erasmus Mundus em Migrações Transnacionais. Especialista em Migrações Transnacionais e Comunicação Intercultural.

    América do Sul constitui, segundo os especialistas, um espaço migratório regional “quase perfeito”, na medida que seus migrantes são, em sua esmagadora maioria, naturais da mesma região. O subcontinente é conhecido por sua diversidade cultural, étnica e linguística, graças tanto à plurimilenar herança indígena como aos progressivos aportes migratórios vindos de todos os cantos do planeta. Neste contexto, a mobilidade humana em geral e as migrações transnacionais em particular constituem uma verdadeira máquina de diversificação / integração das populações e culturas do mundo.

    O crescimento das migrações intrarregionais

    A diversificação acontece na perspectiva local, da sociedade receptora. E a integração tem lugar no plano regional, em função do aumento e consolidação das trocas materiais e simbólicas entre sociedades e países vizinhos ou próximos. Fato de grande relevância quando se considera que uma das principais mudanças ocorridas na paisagem migratória transnacional contemporânea é a reorientação regional de seus fluxos.

    Segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM), hoje, o volume das migrações Sul-Sul já é superior ao das migrações Sul-Norte. Dos 258 milhões de migrantes registrados no mundo em 2017, cerca de 100 milhões (ou quase 40% desse total) migraram de um país do Sul para outro país também do Sul, contra apenas 86 milhões (ou um pouco mais de 30%) de pessoas que migraram do Sul para o Norte. Neste cenário, o exemplo sul-americano é um dos mais emblemáticos.

    O legado dos processos de integração regional

    América do Sul tem uma população de quase 430 milhões de indivíduos; o que representa 65% da população latino-americana e 42% dos habitantes das Américas. Segundo a ONU, no plano social e político, a América do Sul continua enfrentando os desafios da desigualdade social e a falta de coordenação política e econômica regional.

    Estes desafios ficam evidentes sobretudo, se considerarmos a crise generalizada pela qual passam as principais organizações regionais: a União das Nações Sul-americanas (Unasul) em processo avançado de desagregação; a Comunidade Andina (CAN) praticamente paralisada; e o Mercado Comum do Sul (Mercosul) lutando por sua sobrevivência.

    Bandeiras de países da América do Sul aparecem penduradas. À direita, está o ex-presidente Lula
    Bandeiras de países da América do Sul durante reunião da cúpula do Mercosul, em Belo Horizonte – Antonio Scorza – 24.nov.2010/AFP

    Todavia, há de se reconhecer que as três instituições tiveram o mérito de esboçar políticas migratórias impregnadas pelos princípios universais de direitos humanos e os ideais de igualdade e justiça social.

    Segundo o estudo “Hacia el Sur. La construcción de la ciudadanía suramericana y la movilidad intrarregional” estas políticas delinearam as bases de uma gradativa integração regional que garantisse aos cidadãos do subcontinente o direito ao livre trânsito, à residência em qualquer um dos países membros dessas organizações, à direitos sociais e trabalhistas iguais aos nacionais do país receptor, à simplificação e uniformização dos documentos, trâmites e procedimentos jurídicos e administrativos.

    Na prática, o passado escravagista e colonial da região, a rigidez de suas hierarquias sociais, classistas e étnicas, o nacionalismo, a xenofobia, o racismo institucional, acabam dificultando a implementação e efetivação do ideal de uma cidadania sul-americana.

    Isto também acontece como resultado do desconhecimento dos acordos e os direitos deles decorrentes tanto por parte dos cidadãos como, às vezes, pelos próprios funcionários do Estado.

    Um espaço migratório regional “quase perfeito”

    As migrações intrarregionais constituem uma experiência bastante nova para a América do Sul. Até meados do século XX, o subcontinente era conhecido mais como destino de imigrantes internacionais— em sua maioria europeus. Num segundo momento, a tendência se inverte e América do Sul vira uma região de emigração principalmente rumo à América do Norte e Europa.

    Todavia, se a emigração continua sendo uma realidade estruturante da paisagem social de todos os países sul-americanos, a partir do final do século passado, essas migrações vão se tornando cada vez mais intrarregionais, beneficiando inicialmente Argentina, Chile e Venezuela, antes que os fluxos comecem a se diversificar para abranger o Brasil e outros países da região.

    Estas populações procuram melhores condições de vida, como no caso dos bolivianos que migram até Argentina e Brasil para trabalhar em setores como a indústria têxtil, ou os colombianos que procuram proteção internacional como consequência da violência e do conflito armado que afeta o país há mais de meio século.

    Segundo a OIM, em 2015, a região contava cerca de 5 milhões de imigrantes contra uma dezena de milhões de emigrantes. Entre 2010 e 2015, além de registrar um aumento progressivo e considerável das migrações que supera os 10%, cabe destacar que 70% do contingente de imigrantes presentes no subcontinente era composto de nacionais da mesma região.

    No entanto, para melhor avaliar esse crescimento espetacular, não se pode ignorar o atual número de cidadãos venezuelanos que deixam sua terra de origem em decorrência da crise social e política que assola o país. Volume que, segundo as projeções do ACNUR e da OIM deve ter já chegado, em 2020, a 6,4 milhões de migrantes e refugiados venezuelanos.

    Assim, se numa projeção bastante conservadora, calculamos que, ao menos 2/3 da população venezuelana migrada vão permanecer na região, podemos deduzir que as migrações intrarregionais na América do Sul devem, a termo, alcançar um volume que se aproxima de 8 milhões de indivíduos.

    E, mesmo se considerarmos que, até 2015, Venezuela acolhia mais de 1 milhão e meio de migrantes, majoritariamente intrarregionais, dos quais uma parte pode ter deixado o país, ainda continua aceitável manter a estimativa superior a 7 milhões de migrantes intrarregionais no subcontinente. O que representa cerca de 90% do conjunto das migrações que acontecem na América do Sul.

    Em todo caso, não são os números em si que nos interessam, mas sim o fato observado por estudos como “Radiographie des flux” (2020), de que a América do Sul seria um espaço migratório regional “quase perfeito”. Assim, mais do que a quantidade e densidade dos fluxos, vale a pena destacar a sua significância humana e cultural.

    Numa região relativamente jovem e ainda em processo de formação social e cultural, é necessário observar com atenção o fenômeno migratório intrarregional enquanto fator de produção de uma identidade sul-americana e um vetor de integração regional de “baixo para cima”

    Se, como vimos, as principais instituições interestatais da região não têm demonstrado força suficiente para acelerar esse processo de integração, não se pode negar que um de seus principais legados: o Acordo de Residência e Livre Trânsito (instituído pelo Mercosul), prova que não apenas há uma real demanda em mobilidade humana na região, mas que à medida que o Acordo se enraíza no imaginário social da região, mais essa integração se dará de maneira natural.

    LINK PRESENTE: Gostou desta coluna? Assinante pode liberar cinco acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/latinoamerica21/2021/03/america-do-sul-um-espaco-migratorio-regional-quase-perfeito.shtml