Bandeira tarifária para o mês será verde, anuncia Aneel
31.mai.2019 às 17h07
REUTERS
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) anunciou nesta sexta-feira que a bandeira tarifária na conta de luz para junho será verde, ou seja, sem imposição de custos adicionais aos consumidores. Segundo nota do órgão, a previsão hidrológica além do esperado gera tendência de vazões acima da média histórica para o período, geralmente marcado como estação de seca nas bacias hidrográficas do Sistema Interligado Nacional. De acordo com a Aneel, as chuvas possibilitarão manutenção dos níveis dos principais reservatórios das hidrelétricas próximos à referência atual.
No Peru, espécie de origem africana dizimou fauna de lagoa; MT e TO autorizam criação em lagos de hidrelétricas
28.mai.2019 às 18h19
Fabiano MaisonnaveSAUCE (PERU)
No ceviche, nas águas da turística Lagoa Azul, no mercado ou em tanques escavados, a tilápia faz parte da vida de Sauce, povoado amazônico ao pé dos Andes peruanos, já há três décadas. Mas a introdução da espécie africana diminuiu a diversidade da fauna aquática e tem servido de argumento aos que se opõem à criação de peixes exóticos na Amazônia, um debate que divide estados no Brasil.
“Quando era criança, havia tanto acará na lagoa que eles pulavam dentro da canoa, mas parece que a tilápia comeu tudo”, diz a dona de restaurante Dalia Rengijo, 64. Apesar isso, ela defende a criação do peixe exótico, o único oferecido no seu cardápio: “É um alimento para o povo e para o comércio também.”
Introduzido sem licença na região, a tilápia é vendida a cerca de R$ 16/quilo, um preço acessível. No mercado, as outras espécies à venda são trazidas de longe depois terem praticamente sumido do lago. O peixe exótico é também o único oferecido no luxuoso resort local, onde o pirarucu aparece apenas em um quadro do restaurante.
Moradoras de Sauce (Peru) conversam diante de tilápia à venda. – Fabiano Maisonnave/Folhapress
Assim como no Peru, onde a criação de tilápia está proibida na maior parte da Amazônia, o tema é motivo de controvérsia no lado brasileiro da floresta. No Amazonas e no Pará, iniciativas para liberar foram barradas, mas, no ano passado, Tocantins e Mato Grosso, tornaram-se os primeiros estados da Amazônia a autorizar a criação da espécie em tanques-rede dentro de lagos de usinas hidrelétricas.
Em Rondônia, o maior produtor de peixe nativo do país, a produção de peixes exóticos está proibida, mas uma pesquisa em andamento da Universidade Federal de Rondônia (Unir) tem encontrado tilápia em ambientes naturais.
No Amazonas, mesmo proibida, a tilápia também foi introduzida ilegalmente na região de Manaus e em outros ambientes naturais, adverte Guillermo Estupiñán, especialista em recursos pesqueiros da ONG WCS Brasil. “Mas não temos informações da sua situação atual e dos seus impactos na escala que se encontram. Precisamos gerar conhecimento sobre o tema, urgentemente.”
Introduzir tilápia na Amazônia é má ideia, adverte o governador da região (estado) de San Martín, Pedro Bogarín. “É impossível controlar. A tilápia é tão maldita que não sei se voa ou vai por debaixo da terra, mas é encontrada fora dos tanques. Encontramos tilápias grandes nos rios e, para chegar a esse tamanho, comeram ovas de outros peixes. É um erro gravíssimo que estão cometendo”, disse à Folha.
Entre os impactos da lagoa, uma das principais atrações turísticas da região, Bogarín cita o desaparecimento de uma concha rosada, antes usada para artesanato, e uma grande mortandade de tilápias no ano passado, provocada por um vírus até então inédito na região.
“Vou escrever ao governador [do Amazonas] para que não caia na tentação. São tantos peixes amazônicos para criar”, diz Bogarín, que também é piscicultor, especializado em pirarucu. Para este ano, diz, ele pretende soltar alevinos de peixes amazônicos em cursos d’água onde a presença de tilápia é maior para tentar mitigar o impacto.
A preocupação é compartilhada pelo biólogo Hernán Ortega, da Universidad de San Marcos e um dos principais especialistas peruanos sobre o assunto. Ele afirma que medidas como o uso de tanques de rede e a reversão sexual (para impedir a reprodução) são insuficientes e adverte contra planos do governo peruano para incentivar a tilápia em outras áreas da Amazônia do país.
“Seria a mais séria ameaça para a diversidade de peixes, porque a tilápia do Nilo estaria livre para dominar as lagoas e rios de corrente fraca”, afirma Ortega, responsável por uma coleção de peixes de água doce peruanos com 650 mil exemplares de 1.100 espécies.
A entrevista com Bogarín foi realizada durante a Conferência do Bom Crescimento, organizada pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), que reuniu cerca de 300 representantes de governo nacionais e regiomais, de organismos multilaterais e de ONGs para discutir práticas agrícolas conciliadas à preservação ambiental.
Um dos presentes, o presidente da Naturatins (Instituto Natureza do Tocantins), Marcelo Soares, participou do processo de licenciamento da tilápia em tanques-rede, que, conta, levou nove anos até ser aprovado pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema).
Soares afirma as exigências são rígidas e incluem reversão sexual, um formato específico de tanque-rede e um estudo prévio sobre o local onde será montado o empreendimento. “A licença ambiental só será emitida quando estiver comprovado de que não há risco”, diz o presidente do órgão responsável por esse trabalho.
Segundo ele, o processo ocorreu por causa da pressão de empresas estrangeiras em produzir tilápia, principalmente no lago formado após a construçao de usina hidrelétrica Luiz Eduardo Magalhães. A ideia é de que boa parte produção seja para exportação. Até agora, nenhum empreedimento está em funcionamento.
Peixe de retorno rápido e de fácil reprodução, a tilápia é, de longe, o principal produto da piscicultura brasileira. No ano passado, chegou a 400,2 mil toneladas, um crescimento de 11,9% em relação a 2017. O volume representa 55,4% dos peixes de cultivo produzidos no Brasil _o principal estado produtor é o Paraná.
Por outro lado, a produção de peixes nativos caiu 4,8% no ano passado, com 287,9 mil toneladas. Todos os cinco maiores produtores estão na Amazônia Legal (RR, MT, MA, PA e RR). Os dados são do Anuário 2019 da Associação Brasileira da Pisicultura (Peixe BR).
EMBRAPA
Apesar de conduzir várias pesquisas sobre piscicultura na Amazônia, a Embrapa ainda não tem uma posição sobre a tilápia, na região, explica a Eric Routledge, chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da unidade de Palmas, especializada em Pesca e Aquicultura.
O pesquisador lembra que o tambaqui, de origem amazônica, ó peixe nativo mais produzido no Brasil, mas ressalva que “os produtores de peixes nativos ainda não dispõem de tecnologias que possam tornar a atividade competitiva frente a outras espécies de peixes. A Embrapa tem, em sua carteira de projetos, ações que pretendem em médio prazo superar esses desafios.”
Na avaliação de Estupiñan, mesmo que o ambiente aquático sofra com ameaças maiores, a tilápia não pode ser ignorada: “Os principais impactos para a pesca são a degradação de paisagens aquáticas, projetos de infraestrutura e da indústria extrativa, mas a introdução de espécies exóticas, não apenas de peixes, agrega poder a uma degradação lenta e talvez invisível da Amazônia”.
O repórter Fabiano Maisonnave viajou à Amazônia peruana a convite do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).
Baseado na reportagem, responda!
A tilápia e considerada uma “espécie exótica” na Bacia Amazônica. Justifique.
Segundo o texto, qual a relação entre a nossa matriz energética e a piscicultura?
É possível perceber a contradição entre interesses econômicos e proteção ambiental? Justifique.
Parque Nacional do Itatiaia registra -5,2 ºC, novo recorde de frio no Brasil em 2019
26/05/2019 16h57 Atualizado há 15 horas
O Parque Nacional do Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro, registrou a temperatura mais baixa de 2019 de todo o Brasil, durante o início da manhã deste domingo (26). Por volta de 7h, os termômetros marcaram -5,2 ºC na estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que fica dentro da reserva a 2.452 metros de altitude.
O recorde anterior desse ano também tinha sido no parque, no dia 20 de abril, quando os termômetros marcaram -4,1ºC. A estação no parque é monitorada pelo pesquisador em climatologia Carlos Dias, que verifica a temperatura nos pontos mais frios do Brasil. A expectativa é que esse recorde seja superado na madrugada ou na manhã desta segunda-feira (27).
Veja as menores temperaturas de 2019 (Inmet/Epagri)
-5.2 – Parque Nacional do Itatiaia (RJ) – 26/05
-0.2 – Urupema (SC) – 09/04
0.3 – Bom Jardim da Serra (SC) – 30/04
0.4 – Urubici (SC) – 09/04
2.3 – Curitibanos (SC) – 26/05
2.6 – São Joaquim (SC) – 26/05
3.0 – Bom Jesus (RS) – 26/05
3.2 – Frei Rogério (SC) – 26/05
3.4 – Ponte Alta do Norte (SC) – 26/05
3.4 – Lebon Régis (SC) – 26/05
3.8 – Quaraí (RS) – 25/05
3.8 – Vacaria (RS) – 26/05
Parque Nacional do Itatiaia registra -5,2 ºC, novo recorde de frio no Brasil em 2019 — Foto: Divulgação/Parque Nacional do Itatiaia
Primeiro parque do Brasil
O Parque Nacional do Itatiaia foi criado em junho de 1937 e foi o primeiro parque nacional do país, de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra o local. Ele fica na Serra da Mantiqueira — entre os estados Minas Gerais, Rio de Janeiro, e próximo à divisa com São Paulo. Os limites alcançam os municípios de Itatiaia (RJ), Resende (RJ), Itamonte (MG) e Bocaina de Minas (MG). Inicialmente abrangendo uma área de aproximadamente 12 mil hectares, ele foi ampliado para 28 mil hectares em de setembro de 1982.
Com altitude de 2.791,5m, o Pico das Agulhas Negras é o quinto ponto mais elevado do Brasil e o maior do Estado do Rio de Janeiro. As “Agulhas Negras” são ranhuras talhadas pela ação da água da chuva, carregada de gás carbônico, por milhares de anos. O maior do país é o Pico da Neblina com 2.993,8m, o segundo é o Pico 31 de Março com 2.972,7m, o terceiro é o Pico da Bandeira com 2.892m e o quarto é a Pedra da Mina com 2.798m. Entre os dez maiores, ainda está outro ponto do PNI, em nono lugar, a Pedra do Sino de Itatiaia com 2.670m de altitude.
Pelo aniversário de 80 anos da reserva, o local recebeu Medalha Tiradentes, a mais alta condecoração concedida pela Alerj. E também uma cadeira de rodas especial para que deficientes físicos possam ter acesso à parte alta do parque.
Pico das Agulhas Negras, em Itatiaia, no sul do RJ, ponto mais alto do estado. — Foto: Adriana Mattoso/PNI
Questões
Aponte a região brasileira onde há o predomínio de cidades com aas menores temperaturas do Brasil?
Por que o Parque Nacional do Itatiaia se encontra na Região Sudeste, no entando, apresenta uma das menores de temperaturas do Brasil?
Explique o contexto histórico da criação do Parque Nacional do Itatiaia.
Como são formadas as “Agulhas Negras” que dão nome ao quinto ponto mais elevado do Brasil?
Segundo o quadro de temperaturas baixas registradas na reportagem, é possível perceber que elas ocorreram, sua maior parte, nos dias 25/26 de Maio de 2019. Por que isso ocorreu?