Categoria: Questão Ambiental

  • Dados do Censo revelam lugares onde ninguém mora no Brasil

    Informações inéditas localizam a população de forma mais precisa e ajudam a embasar políticas públicas, diz IBGE

    2.fev.2024 às 10h00Atualizado: 2.fev.2024 às 13h10

    Lucas LacerdaDiana YukariGustavo Queirolo

    SÃO PAULO

    Para contar os 203,1 milhões de habitantes do Brasil, as equipes do Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) percorreram todas as regiões do país e fizeram entrevistas em 111,1 milhões de endereços. Enquanto o Sudeste é a região mais povoada, o mapa também revela áreas onde não há ocupação, concentradas no Norte, especialmente no oeste de Roraima e em grande parte do Amazonas.

    É o que revelam as coordenadas geográficas do Censo, divulgadas nesta sexta-feira (2). As informações partem de microdados coletados em cada endereço visitado pelos recenseadores.

    agentes do censo estão de costas, paradas em frente a um portão, usam equipamentos e coletes onde é possível ver a sigla IBGE escrita
    Agentes do Censo, do IBGE, durante visita – Helena Pontes – 5.jan.2023/Agência IBGE Notícias

    Esta é a primeira vez que o Censo tem seu cadastro de endereços totalmente referenciado geograficamente. A imensa maioria das localidades foi verificada, enquanto 747 mil endereços (0,7% do total) tiveram suas coordenadas estimadas a partir de correções de dados e informações de levantamentos anteriores.

    Essas informações, segundo os técnicos do IBGE, servem para responder a questionamentos sobre onde está a população brasileira, agora de forma mais precisa, e para embasar políticas públicas.

    As coordenadas geográficas proporcionaram um avanço no detalhamento do local em relação às grades estatísticas, por exemplo. Introduzidas no Censo Demográfico de 2010, as grades chegavam a células com 200 metros na área urbana e 1 km na área rural e permitiam a visualização de grupos de domicílios e estabelecimentos. As coordenadas, por sua vez, conseguem diferenciar cada endereço de uma rua.

    Cada coordenada geográfica corresponde a um endereço visitado pelos agentes responsáveis pelo recenseamento, que pode ser um domicílio ou estabelecimento —comercial, religioso, de saúde ou de educação, por exemplo.

    Partes da Serra da Cantareira, em São Paulo, por exemplo, não têm nenhum morador, já que são cobertas por floresta ou água.

    Essas informações, quando cruzadas ao levantamento de população, revelam curiosidades como as 18 cidades que tinham, em 2022, mais domicílios do que habitantes, como Matinhos (PR) e Mangaratiba (RJ), que ficam muito mais cheios aos fins de semana e durante as férias. O município que encabeça essa lista é Arroio do Sal, no litoral norte do Rio Grande do Sul, com 11,1 mil habitantes e 18,9 mil domicílios.

    Os dados também permitem traçar a relação entre o número de estabelecimentos e o número de moradores de determinada cidade. São José do Ribamar (a 30 km de São Luís), no Maranhão, tinha no ano passado a menor presença de estabelecimentos de saúde do país: 1 endereço do tipo para cada grupo de 3.176 habitantes.

    Embu das Artes, na Grande São Paulo, vem logo em seguida, com 1 estabelecimento de saúde para cada 3.020 pessoas. Em relação a estabelecimentos religiosos, o destaque fica com cidades da região metropolitana do Rio de Janeiro, como Itaboraí (a 52 km da capital fluminense), onde os dados Censo 2022 indicam que há 1 endereço religioso para cada grupo de 157 pessoas —é a maior presença desse tipo de estabelecimento entre os municípios com mais de 200 mil habitantes.

    CRITÉRIOS PRÓPRIOS DO IBGE

    É importante ressaltar que esses dados não têm relação com os cadastros dos ministérios da Saúde ou da Educação. Os critérios de classificação do IBGE são próprios —estabelecimentos de saúde, por exemplo, incluem hospitais, postos de saúde e outras unidades de atendimento, públicas ou privadas. Consultórios médicos, diz o IBGE, não entram nessa categoria –são registrados em outras finalidades na pesquisa

    “Por ser um microdado, permite a análise a um nível muito detalhado”, disse Eduardo Luís Teixeira Baptista, gerente do Cadastro de Endereços do IBGE, durante a apresentação do material à imprensa.

    Um exemplo é a sobreposição dos dados coletados por recenseadores em cada domicílio da Vila Sahy, a área mais atingida pelo temporal que deixou 64 mortos em São Sebastião (SP) no ano passado, com as informações de um mapeamento da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

    Esse cruzamento de dados, segundo o IBGE, indica 144 domicílios localizados na área de médio risco e 199 domicílios na área de risco alto. O mesmo uso vale para identificar a distância de domicílios de estações de metrô e equipamentos e serviços públicos diversos, dizem os técnicos.

  • Andes fizeram da Amazônia um refúgio e berçário de novas espécies

    Carlos Fioravanti

    REVISTA PESQUISA FAPESP

    Em 2017, o geólogo Roberto Ventura Santos, da Universidade de Brasília (UnB), e sua equipe passaram quatro dias em uma piscina de plástico, montada em um hotel em Puerto Maldonado, cidade com 40 mil moradores a leste do Peru.

    Com a ajuda dos funcionários do hotel, eles esvaziavam na piscina os sacos de terra coletada de até 80 metros de profundidade às margens do rio Huallaga, um dos formadores do Amazonas. Em seguida, enchiam grandes peneiras com os sedimentos que flutuavam e separavam os que pudessem conter um mineral marrom e muito resistente, o zircão. Nas semanas seguintes, nos equipamentos dos laboratórios da UnB, registraram a proporção entre os elementos químicos (principalmente urânio e chumbo) e definiram a idade e a origem das 46 amostras do também chamado silicato de zircônio.

    Desse modo, eles ampliaram para 65 milhões de anos o conhecimento sobre a história geológica e ambiental da Amazônia –até então os estudos minuciosos como esse chegavam a até 20 milhões de anos atrás– e contribuíram para detalhar os mecanismos de geração da riqueza biológica da Amazônia, estimada em 40 mil espécies de plantas, 2.500 de peixes e 425 de mamíferos.

    Em um artigo publicado em abril na Journal of South American Earth Sciences, o grupo de Santos reforçou a importância da cordilheira dos Andes na formação das estruturas geológicas da Amazônia, que por sua vez determinaram sua riqueza biológica, e acrescentou uma variável nova: a água do mar, com os organismos que carrega, pode ter vindo também do sul e não apenas do norte, como já se sabia, e deve ter ocorrido milhões de anos depois.

    Os botos-cor-de-rosa indicam que a água do mar já ocupou o interior da Amazônia
    Os botos-cor-de-rosa indicam que a água do mar já ocupou o interior da Amazônia Hoorn, C. et al. Annual Review of Earth and Planetary Sciences (2023)MAIS 

    A datação do zircão indicou que, há cerca de 60 milhões de anos, quando a cordilheira dos Andes apenas começava a subir, água e organismos do Atlântico Sul, por meio do rio da Prata, podem ter chegado a terras hoje cobertas por floresta na região de Madre de Dios, no Peru, próxima à divisa com Rondônia.

    Segundo Santos, polens encontrados em meio aos sedimentos desenterrados no Peru reforçam a origem comum da Amazônia e do Pantanal, que também teria se formado como resultado da elevação dos Andes. Uma das espécies identificadas por meio do pólen é da família das araucárias, plantas hoje típicas do clima frio do Sul do país.

    Formados por 104 montanhas com 4.000 metros de altitude média e 8.000 quilômetros de extensão, do norte da Colômbia ao sul da Argentina, os Andes ainda regem o funcionamento e a biodiversidade da maior parte da bacia amazônica de dois modos distintos.

    As nascentes na cordilheira e sua contínua erosão fornecem água e sedimentos (terra e areia) que alimentam os rios a oeste da Amazônia. O menor volume de água que chega das montanhas pode ter contribuído para a intensa seca deste ano na região, geralmente atribuída apenas à redução de chuvas decorrente do El Niño.

    De acordo com um estudo de pesquisadores do Peru e do Brasil publicado em abril de 2022 na Remote Sensing, em resposta ao aquecimento global, a área das geleiras do norte dos Andes sofreu uma redução de 2.429 km² para 1.409 km² (42%) de 1990 a 2020, assim fornecendo menos água para os rios.

    “Ainda hoje cerca de 80% dos sedimentos levados pelos rios da Amazônia até o mar vêm dos Andes”, diz o geólogo Maurício Parra, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc-USP), também autor de estudos nessa área. “Ao longo de 60 milhões de anos, os sedimentos que vieram dos Andes formaram camadas com espessuras decrescentes, de 2 km de profundidade a oeste da Amazônia e 800 m na ilha de Marajó, a leste.”

    Além disso, os Andes influenciam o clima na região ao barrar a umidade que vem do Atlântico e volta sobre a floresta, aumentando a quantidade de chuva. “O clima em Lima, no Peru, é muito seco, porque a massa de ar úmido não chega até lá”, comenta Santos.

    UM IMENSO PANTANAL

    “O soerguimento dos Andes não foi contínuo, mas por pulsos”, observa a geóloga Michele Andriolli Custódio, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

    Segundo a pesquisadora, as montanhas reorganizavam a paisagem à medida que cresciam. Ao levantarem um dos lados dos terrenos inundados pela água que vinha do mar do Caribe, forçaram os rios que ainda desaguavam aos pés dos Andes a correrem para leste, na direção do Atlântico. A inversão do sentido dos rios, por sua vez, uniu áreas e populações que antes viviam isoladas ou, inversamente, separou as que viviam juntas, criando-se assim condições para a formação de novas espécies de plantas e animais.

    “Como a rede de drenagem atual só foi estabelecida entre 10 milhões e 9 milhões de anos, a maior parte do tempo os rios corriam para oeste, o sentido inverso do que conhecemos hoje”, comenta o biólogo Carlos D’Apolito, da Universidade Federal do Acre (Ufac), coautor de um estudo sobre as antigas redes de drenagens na região publicado em julho na Sedimentary Geology.

    “Os Andes geraram um grande espaço rebaixado a oeste da Amazônia, que virou um pantanal de dimensões continentais, provavelmente com lagos gigantes”, diz ele. “Ali viviam jacarés, tartarugas e peixes, todos enormes. Entre as plantas, os buritizais eram certamente os mais comuns, porque crescem em áreas alagadas, o que não faltava entre cerca de 20 milhões e 7 milhões de anos.” Fósseis de conchas marinhas ainda hoje encontrados às margens do rio Solimões e de seus afluentes testemunham a ocupação do mar, que recuou e hoje está a mais de mil km dali.

    “Grande parte das espécies de plantas e animais que vivem na Amazônia hoje surgiu nos últimos 5 milhões de anos, apesar de estarem inseridas em famílias muito antigas, que já estavam na Amazônia há cerca de 60 milhões de anos”

    Lúcia Lohmann (botânica)

    Os botos-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), os peixes-boi (Tricherchus inunguis) e as arraias (Potamotrygon spp.), que ainda vivem nos rios da região, reforçam a ideia de que o interior da floresta já foi coberto por água salgada. Antigas populações dessas espécies podem ter sido aprisionadas com o fechamento das conexões com o mar. Ao longo de gerações, adaptaram-se ao novo ambiente e se diferenciaram dos parentes marinhos.

    “Grande parte das espécies de plantas e animais que vivem na Amazônia hoje surgiu nos últimos 5 milhões de anos, apesar de estarem inseridas em famílias muito antigas, que já estavam na Amazônia há cerca de 60 milhões de anos”, comenta a botânica Lúcia Lohmann, da USP e da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos. Segundo a pesquisadora, as respostas das plantas às mudanças ambientais indicam que a Amazônia é tanto um refúgio quanto um berçário de biodiversidade.

    Em 2016, Lohmann coordenou a coleta de 10 espécies de plantas que cresciam às margens dos rios Negro e Branco, ao norte de Manaus. As análises genéticas mostraram que os rios podem ter efeitos diferentes sobre a formação de novas espécies, a chamada especiação: o Negro, por ser mais antigo e largo, favoreceu a diferenciação genética de espécies que cresciam em suas margens, enquanto o Branco, mais jovem e estreito, não apresentou um impacto relevante na diferenciação das espécies de plantas examinadas, embora possa ter favorecido a diversificação de populações de aves e primatas.

    Não há regras simples. Os rios como barreiras e a variação de altitude ou de temperatura podem favorecer a formação de novas espécies para alguns grupos de plantas e animais, mas não para outros. “Os mesmos fatores podem desencadear processos evolutivos diferentes, impactando a história biogeográfica e de diversificação de organismos amazônicos de formas variadas”, diz ela.

    Uma análise de polens e de genes de plantas mostrou as relações profundas entre geologia e biodiversidade, refletida nas formas da floresta, que se apresentava ora mais fechada, ora mais aberta, ao longo dos últimos 23 milhões de anos. “Os períodos de maior soerguimento dos Andes corresponderam aos de maior diversificação para vários grupos de plantas”, comenta Lohmann, uma das coordenadoras de uma síntese sobre a história de formação da vegetação amazônica ao longo desse período, publicada em maio na Annual Review of Earth and Planetary Sciences.

    De acordo com esse trabalho, uma floresta contínua que ocupava quase toda a América do Sul foi dividida há cerca de 30 milhões de anos por uma área de clima seco, formando a oeste o que seria a Amazônia e a leste a mata atlântica. Em seguida ocorreram mudanças na estrutura e composição da floresta. Por exemplo: entre 23 milhões e 16 milhões de anos atrás a Amazônia abrigava uma ampla diversidade de formas de vegetação, desde manguezais até florestas de terra firme, em um ambiente estuarino, no qual a água do mar e a dos rios se misturavam.

    Os polens encontrados nos sedimentos às margens dos rios indicam que pelo menos 48 famílias de plantas já viviam na Amazônia nesse momento. O número de famílias cresceu para 79 entre 16 milhões e 12 milhões de anos atrás; depois caiu para 25 entre 12 milhões e 6 milhões, resultando em uma floresta aberta, que voltou a expandir-se entre 5 milhões e 2 milhões de anos atrás, levando a 117 famílias.

    “Ao longo de milhares de anos, a vegetação da Amazônia se adaptou a mudanças geoclimáticas muito maiores do que imaginávamos. Talvez seja por isso que tantas espécies de lá que chegaram ao cerrado, à mata atlântica e às florestas da América Central conseguiram sobreviver em ambientes tão diversos”, diz ela. “A história da vegetação amazônica nos ensina como espécies se adaptaram a mudanças climáticas numa escala de milhões de anos, uma informação crucial nos dias de hoje.”

    Mas nem tudo está bem. Em um artigo de janeiro de 2023 na Science, Lohmann e outros pesquisadores do Brasil, dos Estados Unidos e de outros países examinaram o impacto de 11 tipos de mudanças de origem humana, como a expansão urbana e agrícola, e 21 naturais, como a elevação dos Andes e o afastamento da América do Sul e da África.

    De acordo com essa análise, as mudanças de origem humana estão ocorrendo mais rapidamente do que a capacidade de as plantas se adaptarem aos novos ambientes. Se não for detida, essa desproporção pode levar, entre outros efeitos, à redução da quantidade de chuva que abastece as áreas agrícolas do Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.

    https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2024/01/andes-fizeram-da-amazonia-um-refugio-e-bercario-de-novas-especies.shtml

    Questões

    1) Retire do texto o elemento que contribui para fundamentar o famoso estudo de Charles Darwin.

    2 Como se deu o “soerguimento dos Andes”?

    3 De que forma o estudo faz uma alerta ao agronegócio brasileiro?

    4) Explique a aridez do clima da capital do Peru.

    Prof Luciano Mannarino

  • TEMIDO FENÔMENO EL NIÑO PODERIA RETORNAR EM 2023

    Crescentes indicativos de modelos de clima de aquecimento do Pacífico no próximo ano que poderia levar a um evento de El Niño

    Autor: METSUL.COM 13/11/2022 – 11:36 Compartilhar: Anúncios

    Modelos de clima indicam aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial em 2023 com possibilidade de caracterização de um episódio do fenômeno El Niño que impactaria profundamente o clima no Brasil e no resto do mundo | NOAA

    O ano de 2022 vai terminar com o fenômeno La Niña no Pacífico, mas 2023 pode ter a volta do temido El Niño. São crescentes os indicativos entre os modelos computadorizados de clima que a fase fria (Niña) do Pacífico Equatorial pode chegar ao fim depois de três anos e que no próximo ano pode se instalar uma fase quente (Niño), o que traria impactos no clima não só do Brasil como do resto do mundo.

    De acordo com o último boletim da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar era de -1,1ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, que é usada para definir se há El Niño ou La Niña. O valor está na faixa de moderada intensidade de -1,0ºC a -1,4ºC.

    Por outro lado, a região Niño 1+2, perto das costas do Equador e do Peru, que costuma impactar as precipitações mais no verão e a temperatura no Sul do Brasil em qualquer época do ano, que chegou a ter uma anomalia de -2,0ºC em outubro, está com -1,8ºC, valor na faixa de forte intensidade, indicando uma forte La Niña costeira.

    Tal área do Pacífico tem grande correlação com a chuva no Sul do Brasil durante os meses do final do final da primavera e do verão com maior probabilidade de estiagem se estiver em território negativo e maior chance de chuva perto ou acima da média se estiver em terreno positivo. Se negativa, tende a favorecer mais incursões frias no Sul do país e tardias na primavera.

    A forte anomalia negativa no Pacífico Leste explica que a primavera até o momento tenha sido de calor escasso no Sul do Brasil com temperatura abaixo da média em muitas áreas. Nevou no primeiro dia da estação, o que não ocorria há muitos anos, e novembro começou com uma massa de ar frio de incomum intensidade para esta época do ano que trouxe geada em um grande número de municípios, além de um histórico episódio de neve sem precedente conhecido no mês de novembro.

    LA NIÑA AINDA VAI SEGUIR POR UM TEMPO

    O atual episódio de La Niña ainda está longe de terminar no Pacífico Equatorial. O fenômeno seguirá atuando durante todo o restante da primavera e vai se estender até meados do verão de 2023. Os modelos de clima estão em razoável acordo com as condições de La Niña devem seguir até o fim deste ano de 2022. Divergem sim quanto ao momento da transição para um estado de neutralidade (sem El Niño ou La Niña) no primeiro trimestre de 2023.

    A grande questão, portanto, é quando o Pacífico vai passar de La Niña para a neutralidade. Analisando-se as projeções de mais de vinte modelos dinâmicos e estatísticos para o Pacífico se observa que para a maioria esmagadora se daria no decorrer do verão. Para alguns modelos, mais cedo no verão e para outros em meados da estação quente.

    São vários fatores determinando que a La Niña segue nos próximos meses. Um, as anomalias de temperatura da superfície do mar excedendo com folga o patamar de La Niña. Além disso, a resposta atmosférica do La Niña está totalmente instalada com o padrão de vento e chuva na faixa equatorial típico do fenômeno. Setembro de 2022 teve o quarto maior valor médio da SOI (Índice de Oscilação Sul) desde 1950, em claro sinal de La Niña. E, por fim, observa-se ainda uma quantidade substancial de água mais fria do que a média sob a superfície, nas profundezas do Pacífico, e que ainda vai emergir na superfície.

    SINAIS DE EL NIÑO ENTRE O OUTONO E O INVERNO DE 2023

    Conforme a última projeção da Universidade de Colúmbia, em parceria com a NOAA, para o trimestre de outubro a dezembro, as probabilidades são de 93% de La Niña e 7% de neutro. E entre novembro e janeiro, no período crítico para a safra de milho, 84% de La Niña e 16% de neutralidade.

    Já no trimestre de verão, de dezembro de 2022 a fevereiro de 2023, as probabilidades são de 72% de La Niña e 28% de neutralidade, o que é pouco conforto para o produtor rural que teme uma nova estiagem. No trimestre de janeiro a março, importante para a cultura de soja, as probabilidades são de 55% de La Niña e 44% de neutralidade.

    Por sua vez, no trimestre de fevereiro a abril, quando do começo da colheita da safra de verão, a estimativa atual é de 36% de probabilidade de La Niña e 61% de neutralidade. No trimestre de março a maio, o de outono, que marca o auge da colheita, 21% de La Niña, 74% de neutralidade e 5% de El Niño. No trimestre de abril a junho, quando ainda há colheita, 13% de probabilidade de La Niña, 74% de neutralidade e 13% de El Niño.

    No trimestre de maio a julho que encaminha o inverno de 2023, 12% de chance de La Niña, 62% de neutro e 26% de El Niño. E, por fim, no trimestre de junho a agosto, o de inverno em 2023, 12% de probabilidade de La Niña, 52% de neutralidade e 36% de El Niño.

    O que chama atenção são os indicativos nos mapas espaciais de formação de uma “língua” de águas mais quentes típica de El Niño em setores mais a Leste do Pacífico Equatorial durante o outono com maior aquecimento próximo da América do Sul, das costas do Peru e do Equador. É o que está mostrando o modelo de clima do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF) com uma rápida troca de águas mais frias para mais quentes entre o primeiro e o segundo trimestre de 2023.

    Cenário semelhante é apontado pelo North America Ensemble Model, um conjunto de modelos de clima dos Estados Unidos e do Canadá, operado pela NOAA, que da mesma forma sinaliza a formação de uma “língua” de águas superficiais mais quentes do que a média no primeiro semestre de 2023.

    O modelo de clima europeu, conforme a sua mais recente projeção mensal, atualizada em 1º de novembro, projeta um aquecimento sustentado das águas do Oceano Pacífico Equatorial ao longo de 2023 com uma provável caracterização do fenômeno El Niño ao longo do próximo ano.

    Como há classificação se há ou não El Niño ou La Niña atuando se dá com base na condição de temperatura do oceano no Pacífico Equatorial Central e não mais a Leste perto da América do Sul, um cenário possível a partir do que os modelos indicam é que primeiro se instale um El Niño costeiro, nas costas do Peru e do Equador, no começo do outono.

    O QUE É EL NIÑO?

    Um evento de El Niño ocorre quando as águas da superfície do Pacífico Equatorial se tornam mais quente do que a média e os ventos de Leste sopram mais fracos do que o normal na região. A condição oposta é chamada de La Niña. Durante esta fase, a água está mais fria que o normal e os ventos de Leste são mais fortes. Os episódios de El Niño, normalmente, ocorrem a cada 3 a 5 anos.

    El Niño, La Niña e neutralidade trazem consequências para pessoas e ecossistemas em todo o mundo. As interações entre o oceano e a atmosfera alteram o clima em todo o planeta e podem resultar em tempestades severas ou clima ameno, seca ou inundações. Tais alterações no clima podem produzir resultados secundários que influenciam a oferta e os preços de alimentos, incêndios florestais e ainda criam consequências econômicas e políticas adicionais. Fomes e conflitos políticos podem resultar dessas condições ambientais mais extremas.

    Ecossistemas e comunidades humanas podem ser afetados positiva ou negativamente. No Sul do Brasil, La Niña aumenta o risco de estiagem enquanto El Niño agrava a ameaça de chuva excessiva com enchentes. Historicamente, as melhores safras no Sul do país se dão com El Niño, embora nem sempre, e as perdas de produtividade tendem a ser maiores sob La Niña. O El Niño agrava o risco de seca no Nordeste do Brasil enquanto La Niña traz mais chuva para a região.

    A origem do nome “El Niño” data de 1800, quando pescadores na costa do Pacífico da América do Sul notavam que uma corrente oceânica quente aparecia a cada poucos anos. A captura de peixes caía drasticamente na região, afetando negativamente o abastecimento de alimentos e a subsistência das comunidades costeiras do Peru. A água mais quente no litoral coincidia com a época do Natal.

    Referindo-se ao nascimento de Cristo, os pescadores peruanos, então, chamaram as águas quentes do oceano de El Niño, que significa “o menino” em espanhol. A pesca nesta região é melhor durante os anos de La Niña, quando a ressurgência da água fria do oceano traz nutrientes ricos vindos do oceano profundo, resultando em um aumento no número de peixes capturados. O último episódio de El Niño se deu entre 2015 e 2016 e foi de muito forte intensidade, o que rendeu a expressão Super El Niño e o apelido de “El Niño Godzilla”. Este evento foi responsável por grandes enchentes no Sul do Brasil e os maiores picos de cheia do Lago Guaíba, em Porto Alegre, desde as enchentes históricas de 1941 e 1967. Anúncios

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    Questões

    1. O que foi o “El nino Godzilla?

    2 De que forma a tecnologia vem ajudando a monitorar o El nino? Exemplifique.

    3 Quais são os impactos do El nino no agronegócio brasileiro?

    4 O que é o “La nina” e quais são seus efeitos nas condições atmosféricas do Brasil?

    https://metsul.com/temido-fenomeno-el-nino-poderia-retornar-em-2023/ .

    Prof Luciano Mannarino

  • Mudanças climáticas: um guia rápido para entender o aquecimento global (EM13CHS304)

    Mudanças climáticas: um guia rápido para entender o aquecimento global (EM13CHS304)

    EM13CHS304    
    Analisar os impactos socioambientais decorrentes de práticas de instituições governamentais, de empresas e de indivíduos, discutindo as origens dessas práticas, selecionando, incorporando e promovendo aquelas que favoreçam a consciência e a ética socioambiental e o consumo responsável.

    Temperatura do planeta está aumentando em decorrência das atividades humanas

    22.abr.2022 às 12h45

    BBC NEWS BRASIL

    As temperaturas mundiais estão subindo por causa da atividade humana, e as mudanças climáticas agora ameaçam todos os aspectos da vida humana.

    Se a situação não for controlada, os humanos e a natureza passarão por um aquecimento catastrófico, com o agravamento das secas, maior aumento do nível do mar e extinção em massa de espécies.

    Enfrentamos um grande desafio, mas existem soluções potenciais.

    Clima é o conjunto de condições médias de temperatura e ambiente num lugar, ao longo de muitos anos. A mudança climática é uma mudança nessas condições médias.

    BBC News Brasil - Mudanças climáticas: um guia rápido para entender o aquecimento global.
    A temperatura do planeta está aumentando em decorrência das atividades humanas, e as mudanças climáticas ameaçam todos os aspectos da nossa vida na Terra – Getty Images

    A rápida mudança climática que estamos vendo agora é causada pelo uso humano de petróleo, gás e carvão para casas, fábricas e transporte.

    Quando esses combustíveis fósseis queimam, eles liberam gases de efeito estufa – principalmente dióxido de carbono (CO2). Esses gases retêm o calor do Sol e fazem com que a temperatura do planeta aumente.

    O planeta está agora cerca de 1,2°C mais quente do que no século 19 – e a quantidade de CO2 na atmosfera aumentou em 50%.

    O ritmo de aumento da temperatura precisa diminuir se quisermos evitar as piores consequências das mudanças climáticas, dizem os cientistas. Eles afirmam que o aquecimento global precisa ser mantido em 1,5°C até o ano 2100.

    BBC

    No entanto, a menos que outras ações sejam tomadas, o planeta ainda pode aquecer mais de 2°C até o final deste século.

    Se nada for feito, os cientistas acreditam que o aquecimento global pode ultrapassar os 4ºC, levando a ondas de calor devastadoras, milhões perdendo suas casas devido à elevação do nível do mar e perda irreversível de espécies vegetais e animais.

    QUAL O IMPACTO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS?

    Eventos climáticos extremos já estão mais intensos, ameaçando vidas e meios de subsistência.

    Com o aquecimento adicional, algumas regiões podem se tornar inabitáveis, à medida que as terras agrícolas se transformam em desertos. Em outras regiões, está acontecendo o contrário, com chuvas extremas causando inundações históricas – como visto recentemente na China, Alemanha, Bélgica e Holanda.

    As pessoas nos países mais pobres sofrerão mais, pois não têm dinheiro para se adaptar às mudanças climáticas. Muitas cidades em países em desenvolvimento já têm que suportar climas muito quentes e isso só vai piorar.

    Nossos oceanos e seus habitats também estão ameaçados. A Grande Barreira de Corais na Austrália, por exemplo, já perdeu metade de seus corais desde 1995 devido aos mares mais quentes causados ​​pela mudança climática.

    Se a temperatura média global continuar a aumentar, quase todos os corais de água mais quente poderão desaparecer – Getty Images

    Os incêndios florestais estão se tornando mais frequentes à medida que as mudanças climáticas aumentam a incidência de clima quente e seco.

    E à medida que o solo congelado derrete em lugares como a Sibéria, gases de efeito estufa aprisionados por séculos serão liberados na atmosfera, agravando a mudança climática.

    Em um mundo mais quente, os animais terão mais dificuldade para encontrar a comida e a água de que precisam para viver. Por exemplo, os ursos polares podem morrer à medida que o gelo de que dependem derrete, e os elefantes terão dificuldade em encontrar os 150-300 litros de água de que precisam por dia.

    Cientistas acreditam que pelo menos 550 espécies podem desaparecer neste século, se medidas não forem adotadas.

    COMO AS DIFERENTES PARTES DO MUNDO SERÃO AFETADAS?

    As mudanças climáticas têm efeitos distintos em diferentes áreas do mundo. Alguns lugares aquecerão mais do que outros, alguns receberão mais chuvas e outros enfrentarão mais secas.

    Se o aumento da temperatura não puder ser mantido dentro de 1,5°C:

    * O Reino Unido e a Europa serão vulneráveis ​​a inundações causadas por chuvas extremas

    * Os países do Oriente Médio passarão por ondas de calor extremas e as terras agrícolas podem se transformar em deserto

    * Nações insulares na região do Pacífico podem desaparecer com a elevação do mar

    * Muitas nações africanas podem sofrer secas e escassez de alimentos

    * As condições de seca são prováveis ​​no oeste dos EUA, enquanto outras áreas verão tempestades mais intensas

    * A Austrália provavelmente sofrerá extremos de calor e seca

    Inundações em Londres em 2021 – Getty Images

    O QUE OS GOVERNOS ESTÃO FAZENDO?

    Os países concordam que a mudança climática só pode ser enfrentada trabalhando juntos e, em um acordo histórico em Paris em 2015, eles se comprometeram a tentar manter o aquecimento global em 1,5°C.

    O Reino Unido vai sediar uma cúpula para líderes mundiais, chamada COP26, em novembro, onde os países definirão seus planos de redução de carbono para 2030.

    Muitos países se comprometeram a chegar à neutralidade de carbono até 2050. Isso significa reduzir as emissões de gases de efeito estufa tanto quanto possível e equilibrar as emissões restantes absorvendo uma quantidade equivalente da atmosfera, por meio de tecnologias de captura de carbono, por exemplo.

    A maioria dos especialistas acredita que isso é possível, mas exigirá que governos, empresas e indivíduos façam grandes mudanças.

    O QUE OS INDIVÍDUOS PODEM FAZER?

    Grandes mudanças precisam vir de governos e empresas, mas os cientistas dizem que algumas pequenas mudanças no dia a dia podem limitar nosso impacto no clima:

    * Pegue menos voos

    * Não use carros ou opte por carro elétrico

    * Compre produtos com eficiência energética, como máquinas de lavar, quando precisarem de substituição

    * Mude de um sistema de aquecimento a gás para uma bomba de calor elétrica

    * Use material que isole sua casa do frio e do calor, evitando com isso usar aquecimento e ar-condicionado

    https://g1.globo.com/meio-ambiente/aquecimento-global/noticia/2022/04/22/mudancas-climaticas-um-guia-rapido-para-entender-o-aquecimento-global.ghtml

    Questões.

    Prof. Luciano Mannarino

  • O difícil caminho para o nosso Everest amazônico (EM13CHS306/302 – EFGE05)

    EM13CHS302
       Analisar e avaliar criticamente os impactos econômicos e socioambientais de cadeias produtivas ligadas à exploração de recursos naturais e às atividades agropecuárias em diferentes ambientes e escalas de análise, considerando o modo de vida das populações locais – entre elas as indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais -, suas práticas agroextrativistas e o compromisso com a sustentabilidade.
    EM13CHS306
    Contextualizar, comparar e avaliar os impactos de diferentes modelos socioeconômicos no uso dos recursos naturais e na promoção da sustentabilidade econômica e socioambiental do planeta (como a adoção dos sistemas da agrobiodiversidade e agroflorestal por diferentes comunidades, entre outros).

    EF06G05
    Relacionar padrões climáticos, tipos de solo, relevo e formações vegetais

    Volta das excursões ao ponto mais alto do país pede preparo físico e psicológico

    8.abr.2022 à 0h05

    Ainda nos bancos escolares aprendemos que o Brasil não tem montanhas altas por tratar-se de território mais antigo cujos maiores picos sofreram mais milhões de anos de erosão que os de outras freguesias, lembram? Há até hoje intensa discussão entre acadêmicos que questionam se podemos ou não chamar de montanhas o que, na verdade, seriam apenas montes, morros, qualquer coisa longe da imponência de cordilheiras como a dos Andes ou a do reverenciado Himalaia, essas, sim, incontestavelmente dignas de serem chamadas de montanhas.

    Mas enquanto especialistas não resolvem se temos ou não montanhas para chamar de nossas, um grupo de montanhistas conta ansioso os dias para seguir até o cume mais alto do Brasil —o pico da Neblina, a exatos 2.993,78 metros de altitude segundo medição mais recente confirmada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) com a ajuda de satélite. Ou Yaripo, ” montanha do vento”, como o chamam reverentemente os índios da etnia yanomami, moradores e donos do pedaço cobiçado por garimpeiros.

    Vista de drone do Pico da Neblina com grupo-piloto no cume – Marcos Amend -6.jun.17/Folhapress

    E é para o Pico da Neblina, ou Yaripo, que acaba de ser reaberta a possibilidade de acesso a turistas muito especiais: aqueles que têm condicionamentos físico e psicológico suficientes para encarar não apenas os perrengues habituais de uma subida, mas a jornada até sua base pelas trilhas barrentas da floresta amazônica em um Toyota velho, mais sete horas de “voadeira”, a canoa com motor de popa tradicional na região, até o coração do Parque Nacional do Pico da Neblina, dentro da Terra Indígena Yanomami. De lá, depois da bênção dos yanomamis, começa a subida. Ao todo, são de sete a dez dias de jornada, dependendo do fôlego dos participantes e das condições meteorológicas..

    Magno Souza, da Roraima Adventures, no centro, com os yanomamis que abençoam a expedição ao Pico da Neblina (Yaripo).

    A aventura não é mesmo para qualquer par de pernas e uma mochila cheia de boa vontade. O empresário Magno Souza, dono da Roraima Adventures, de Boa Vista (RR), especialista em experiências amazônicas como a subida ao monte Roraima, conta que começou a articular a operação do acesso ao pico da Neblina em 2007. Só em 2009 conseguiu subir pela primeira vez, depois de muita conversa com os yanomami, a Funai e o Ibama.

    “Só que, de repente, já em 2010, aquilo tinha virado a casa da mãe Joana, muita gente começou a querer explorar o acesso sem experiência e sem respeitar a cultura e os costumes dos yanomamis, e o Ministério Público proibiu de vez o acesso”, conta ele. O isolamento iria até 2015, quando a Funai publicou instrução normativa regulamentando o turismo em áreas indígenas. Retomadas as conversas, acabaram sendo autorizadas três operadoras que se responsabilizariam pela organização da jornada, indicadas pelo pioneiro Souza. “Não queríamos monopólio, mas precisávamos de gente que conhecesse o meio, as dificuldades específicas da região”, explica ele. Além da Roraima Adventures, estão credenciadas como operadoras a Amazon Emotions e a Ambiental Turismo.

    De conversa em conversa, a primeira expedição-piloto, realizada em parceria da Roraima Adventures e da Amazon Emotions, levou dez visitantes-cobaias para o topo, em 2017, incluindo um repórter da Folha. Estava tudo preparado para dar início aos pacotes em março de 2020 —mas aí veio a pandemia e, com ela, a suspensão de toda a programação.

    Expedição ao Pico da Neblina (Yaripo).  Magno Souza, fundador da Roraima Adventures COM  índios yanomami
( Foto: Divulgação ) *** FOTOS NO MAXIMO 4 COLUNAS ***
    Expedição ao Pico da Neblina (Yaripo). Magno Souza, fundador da Roraima Adventures COM índios yanomami ( Foto: Divulgação )

    Só há poucos dias, mais exatamente em 17 de março passado, a primeira turma de dez turistas saiu de São Gabriel da Cachoeira (AM) em direção ao Parque Nacional. Desses, dois ficaram pelo caminho.

    NA FLORESTA, O MAIS PREVISÍVEL É O IMPREVISTO

    “O impacto da floresta, da alimentação e da cultura tão diferente dos yanomamis, que acompanham os grupos em todo o percurso, forçaram dois dos membros do grupo a desistir já no segundo dia da expedição”, relata Souza. “Eles reconheceram não terem condição psicológica para enfrentar uma trilha de tanta dificuldade, e saíram a tempo”, acrescenta.

    No site das operadoras e agências parceiras é alertado sem meias tintas que se trata de uma trilha de alta dificuldade. Pessoas que estejam com mais de 10 kg acima do chamado “peso ideal” devem passar por uma entrevista antes de fechar o pacote. E quem tem problemas de joelhos, coluna ou qualquer tipo de enfermidade crônica ou psicológica só deve se dirigir ao guichê da agência depois de consultar um médico. A coisa ali é séria.

    “Não é exagero, é cuidado e responsabilidade”, ressalta Souza, lembrando que se trata de uma jornada na qual, por mais que a equipe de apoio se esforce para cuidar de acampamento, alimentação, transporte, primeiros socorros e, até comunicação por satélite para emergências, “o mais previsível é sempre o imprevisto”. E o imprevisto, em um lugar tão distante de tudo, pode ser uma grande encrenca, quando não acabar em morte.

    Mas, então, por que alguém iria querer se meter em tamanho desafio? Bom, em primeiro lugar vem sempre a célebre resposta que o alpinista britânico George Mallory deu ao repórter do The New York Times que lhe perguntou, em 1924, por que queria tanto subir ao topo do Everest (jornada, por sinal, na qual morreria): “Porque está lá”. Pois nada como saber que algo “está lá”, desafiando nossas habilidades, para forçar o primeiro passo à frente.

    Só que tem mais que perrengues, segundo Souza, que acompanhou esse primeiro grupo da retomada: “Nada pode relatar a intensidade do que se sente ao chegar ao pico depois de tantas dificuldades, muita chuva, frio, calor, umidade, a floresta, o rio, tantas experiências diferentes seguidas sem trégua”, suspira esse mato-grossense de Campo Grande com o sorriso de quem, aos 60 anos recém-cumpridos, não vê a hora de voltar a subir.

    https://www1.folha.uol.com.br/blogs/e-logo-ali/2022/04/o-dificil-caminho-para-o-nosso-everest-amazonico.shtml

    Prof Luciano Mannarino

    Na Amazônia, 20% das bacias sofrem alto impacto de atividades humanas

    Formações Vegetais do Brasil