Se considerarmos somente a dimensão concreta do nosso corpo, temos a idade do universo. Segundo o “Big Bang”, todas as substâncias estavam num determinado ponto e faziam parte de um imenso caldo celeste até que a derradeira explosão espalhou tudo. Parte desse material veio parar aqui e vem se transformando em rochas, peixes, árvores, dinossauros, no Alexandre da Macedônia e você. Todos temos cerca de 15 bilhões de anos.
“Bom dia Seu Américo? Disse a bela senhora quando passou por nós . “Bom dia Dona Carmela” prontamente respondeu o velho Américo tentando disfarçar uma admiração. Não pude ficar calado. “Taí Seu Américo, que tal o Sr. juntar as escovas de dentes com a Dona Carmela? Ela é viúva e parece gostar do Sr. Bom, mas teria que melhorar essa sua cara de uva passa. Né? Existem cremes para disfarçar essas rugas. Sabia?” Ele me olhou sorrindo e após uma pequena pausa filosofou. “Precisamos enxergar o mundo sentindo-as em nossa face. Se somos oprimidos por elas iniciamos uma batalha contra sua natureza. Se as aceitamos nos libertamos, pois entendemos seu significado. Quanto elas chegarem…aceite-as meu filho”
Era um sábio ancião, uma das pessoas mais generosas e inteligentes que tive o prazer de conviver.
Embora todos fizessem esforços para que eu lembrasse daquele momento, mas eu não conseguia. “Você estava com uma camisa listrada” disse um amigo! “Foi você que insistiu para ir” Disse outro. Não adiantava. Aquilo foi totalmente apagado da minha memória. Era como se eu não tivesse lá – Pensei comigo. Triste me afastei, olhei para pedreira no fundo da rua – Sempre fazia isso quando estava angustiado. Deixei-os saboreando aqueles doces momentos e fui para casa.
“O esquecimento completo de uma lembrança é uma espécie de morte!” – Filosofei pouco depois de olhar mais uma vez para pedreira e bater o portão. Talvez o filme da Seção da Tarde me consolasse.
(parte do livro que estou escrevendo “memórias do lugar”)
— Vejam uma das mais belas ilusões óticas da natureza: um arco-íris. Ele está lá, mas só podemos enxergá-lo de uma determinada perspectiva. Ele existe e não existe ao mesmo tempo.
A professora de ciências abriu as janelas da sala, deixando o cheiro da chuva entrar. As gotas ainda escorriam pelo vidro, e o ar abafado contrastava com a brisa fria que vinha de fora.
— A perspectiva é essencial para contemplar esse fenômeno — continuou ela. — Assim como muitas coisas na vida, só o vemos quando estamos na posição certa.
Essa ideia me acompanhou durante todo o caminho de volta para casa.
“Quantas coisas maravilhosas existem ao nosso redor sem que as percebamos?
A chuva voltou a cair quando cheguei em casa estava completamente ensopado.
— Você vai acabar pegando um resfriado! Fique aqui, vou pegar uma toalha para te secar. O lanche está na mesa.
Minha mãe sempre teve sete cores.
(parte do livro que estou escrevendo “memórias do lugar”)