Categoria: PENSAMENTOS

Reflexões, poesia…tudo!

  • Milton Santos e eu!

    Milton Santos e eu!

    Era uma tarde, meados da década de 1990, auditório lotado e muita impaciência, pois nosso palestrante estava quase 1 hora atrasado.

    – Será que ele vem? Pergunta o meu vizinho de cadeira.

    – Seria uma tristeza! Respondo ajeitando minhas anotações.

    A ansiedade aumentava e só foi contida com a notícia que ele já estava a caminho da mesa. Sim, havia chegado. Alguns minutos se passaram e o Professor finalmente entrou. Se acomodou e logo após uma calorosa salva de palmas, se justificou com notória rispidez.

    – Devo a Maurício de Abreu esse atraso! (O Professor Maurício de Abreu foi buscá-lo no Aeroporto)

    Ainda ajustando o microfone, alertou que não estava com anotações e, portanto, ficaria livre para refletir sobre o ambiente urbano, mas tentaria seguir um roteiro. Estava preocupado com as pessoas que escreviam observações, segundo ele: “alunos sérios” (meu caso).

    Foram quase duas horas de uma das mais belas palestras que eu tive o prazer de contemplar enquanto ainda estava envolvido com debates acadêmicos. Até hoje ecoa em minha mente a seguinte reflexão:

    E é nesse momento que a corporeidade do homem fica evidente, num mundo onde não entendo nada, o meu refúgio final é meu corpo. O fato de ter corpo, de ser corpo, e por conseguinte, ser idêntico a si mesmo e diferente dos outros. Quanto mais diferentes somos é porque juntos estamos, no caso da cidade, mais fácil é a busca de um pensamento novo”

    Milton Santos foi um ferrenho crítico da Globalização, porém sempre conservou um enorme otimismo em relação ao futuro.

    Obrigado Professor Milton Santos!

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    PROFESSOR LUCIANO MANNARINO

  • Fracasso de quem?

    Fracasso de quem?

    O uso de tropas federais numa Unidade de Federação “Intervenção no Estado do Rio de Janeiro” não representa o fracasso na política de segurança. Representa o fracasso  de uma política econômica/social que sempre se mostrou alienada!

     

    Prof. Luciano Mannarino

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  • Como uma criança…

    Como uma criança…

    Uma criança encontra um amigo quase de maneira instantânea, pois o vivem o mesmo universo lúdico. A  brincadeira é a fagulha e a  conecção se torna natural. É fase da vida onde mais conquistamos amizades, as vezes efêmeras, mas legítimas, pois o futuro não existe e o importante é o presente compartilhado.

    Quando crescemos, perdemos essa perspectiva. O passado se torna um fantasma, o futuro nos angustia e em nosso presente não conseguimos mais olhar o próximo sem o filtro dos valores e preconceitos. Nos tornamos cada vez mais solitários…

     

    Professor LUCIANO MANNARINO

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  • Malandro Carioca!

    Malandro Carioca!

     

              Nesse período pré intervenção no Estado do Rio de Janeiro, quando olhamos os comentários de alguns brasileiros em redes sociais, felizmente de uma parcela pequena, percebemos a manutenção da clássica visão estereotipada em relação ao carioca: São malandros e querem levar vantagem em tudo. 
    Existem brasileiros que realmente acreditam que povo carioca se encontra nessa situação porque optou, de maneira cínica, viver a lógica do “jeitinho brasileiro” como comportamento moral e que hoje, se estamos vivenciando nossas mazelas, é porque merecemos!!!
    Vivi toda a minha vida num subúrbio da Cidade e nunca vi o tal “malandro carioca”.
    Vi e trabalhei com muita gente séria e comprometida com seus afazeres e os brasileiros mais lúcidos sabem que o que estamos passando é fruto de uma complexa equação que tem variáveis sociais, políticas e econômicas, isto é, as mesmas que comprometem a vida de qualquer cidadão.
    Basta!

     

    Professor Luciano Mannarino.

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  • Respostas no caminho…

    Respostas no caminho…

    Qual a razão de tudo?

    Perguntou o homem ao ancião.

    – Diga-me como você chegou até aqui?

    Disse o velho homem depois de uma longa pausa.

    – Eu cheguei naquele helicóptero, são milhares de metros de subida. Vale a pena todo gasto para ouvir a voz da sabedoria.

    Com certa soberba, justificou o viajante.

    – Pois volte da onde veio e com seus próprios pés faça o mesmo caminho e aí sim, eu te darei todas as respostas para todas as suas perguntas.

    Os olhos do homem brilharam na hora, pois era notório o conhecimento do monge.

    Aceitou o desafio, deu meia volta e no dia seguinte partiu para a montanha.

    Após vários meses de uma dura caminhada desistiu.

    Voltou para casa.

    Se tornou uma pessoa melhor, mais complacente e solidário. Viveu uma vida plena.

    Na realidade ele não tinha desistido, é que ele havia encontrado todas as respostas…no caminho.

    Ao cortar caminhos para chegar ao nosso destino, deixamos de compreender os ensinamentos oferecidos por uma plena trajetória

    Luciano Mannarino é Prof. de Geografia e não tem helicóptero e se perdeu no caminho de volta porque não tem GPS.