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  • Preço da Guerra!

             Sentou-se no meio fio e com um olhar perdido fitou as pessoas que passavam, sacou uma pequena colher da velha calça e começou a cavar entre um dos paralelepípedos da rua e com uma destreza incomum logo o pequeno pedaço de rocha já estava totalmente solto, no entanto, colocou toda a areia de volta. Guardou a colher amassada e riu. “Tristeza isso que aconteceu com ele” Falei como esperasse uma confirmação do Seu Américo. “Sim, é verdade. O Otávio foi meu amigo de infância! A guerra foi terrível para ele”. “Alguns não conseguem mais voltar dela. Ficam perdidos para sempre. É muita dor”. Justifiquei tamanha insanidade. Seu Américo não disse nada e depois de uma longa pausa para acender seu cigarro de palha, foi visceral “Acho que todos deveriam voltar dilacerados de uma guerra. Penso que um ser humano que passa por essa experiência não deveria voltar a ser a mesma pessoa. Desconfio daqueles que voltam emocionalmente saudáveis. É paradoxal pensar assim meu filho, sei disso. Todos precisam voltar loucos para que acreditemos na natureza humana”. Definitivamente o velho Américo era a reencarnação do Buda!

    (parte do livro que estou escrevendo “memórias do lugar”)

    Prof. Luciano Mannarino

     

  • Perspectiva.

    Perspectiva.

     

              Se considerarmos somente a dimensão concreta do nosso corpo, temos a idade do universo. Segundo o “Big Bang”, todas as substâncias estavam num determinado ponto e faziam parte de um imenso caldo celeste até que  a derradeira explosão espalhou tudo. Parte desse material veio parar aqui e vem se transformando em rochas, peixes, árvores, dinossauros, no Alexandre da Macedônia e você. Todos temos cerca de 15 bilhões de anos.

     

    Prof. Luciano Mannarino.

     

    Somos o Tempo.

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  • Rugas!

    Rugas!

              “Bom dia Seu Américo? Disse a bela senhora quando passou por nós . “Bom dia Dona Carmela” prontamente respondeu o velho Américo tentando disfarçar uma admiração. Não pude ficar calado. “Taí Seu Américo, que tal o Sr. juntar as escovas de dentes com a Dona Carmela? Ela é viúva e parece gostar do Sr. Bom, mas teria que melhorar essa sua cara de uva passa. Né? Existem cremes para disfarçar essas rugas. Sabia?” Ele me olhou sorrindo e após uma pequena pausa filosofou. “Precisamos enxergar o mundo sentindo-as em nossa face. Se somos oprimidos por elas iniciamos uma batalha contra sua natureza. Se as aceitamos nos libertamos, pois entendemos seu significado. Quanto elas chegarem…aceite-as meu filho”

              Era um sábio ancião, uma das pessoas mais generosas e inteligentes que tive o prazer de conviver.

    (memórias do lugar)

    Prof. Luciano Mannarino

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  • Morte de uma lembrança!

    Morte de uma lembrança!

              Embora todos fizessem esforços para que eu lembrasse daquele momento, mas eu não conseguia. “Você estava com uma camisa listrada” disse um amigo! “Foi você que insistiu para ir” Disse outro. Não adiantava. Aquilo foi totalmente apagado da minha memória.   Era como se eu não tivesse lá – Pensei comigo.  Triste me afastei, olhei para pedreira no fundo da rua – Sempre fazia isso quando estava angustiado. Deixei-os saboreando aqueles doces momentos e fui para casa.

                “O esquecimento completo de uma lembrança é uma espécie de morte!” –  Filosofei pouco depois de olhar mais uma vez para pedreira e bater o portão. Talvez o filme da Seção da Tarde me consolasse.

     

    (parte do livro que estou escrevendo “memórias do lugar”)

    Prof. Luciano Mannarino.