




Quando íamos jogar uma partida de futebol no campo, quadra, etc., havia um ritual bastante interessante.
A escolha dos jogadores dos times…
Na maioria dos casos, haviam mais gente que o necessário.
Para isso recorríamos ao bom e velho “par ou ímpar”.
Aquele que vencesse escolheria primeiro jogador, o que perdesse escolheria o segundo jogador de maneira alternada até sobrar…
Simples, não???? Não!!!!
O problema é que ninguém queria sortear o par o ímpar e ficávamos num jogo de empurra…
– Não vou disputar o par o ímpar.
– Nem eu!!!
– Eu não estou afim.
– Escolhe outro…
Ninguém se prontificava.
Por que isso ocorria???
Um pouco de vaidade e política podem explicar.
Pois bem, é na escolha que sabíamos o nível de prestígio diante dos colegas. Ser escolhido em primeiro, segundo, terceiro lugares chancela o respeito.
Os últimos a serem escolhidos tinham dois caminhos: ou eram goleiros (quantos bons goleiros iniciaram a trajetórias assim) ou pior, ficava “ficava de fora”.
O futebol é algo muito além de um jogo.
Nele exercitamos:
– Solidariedade: quando voltamos para ajudar a defesa.
– Resignação: quando compreendemos nossa derrota.
– Superação: quando conseguimos vencer um time mais forte.
– Mágoa: quando não merecíamos perder.
Além de um turbilhão de sentimentos como: alegria, tristeza, violência, medo, coragem, etc.
Tudo isso em poucas dezenas de minutos.

O trabalho é o principal meio de ter acesso a renda e consequentemente aos bens e serviços que precisamos. Isso é dos motores da economia capitalista.
De maneira didática funciona assim: Um funcionário de uma montadora de automóvel recebe o seu salário e irriga a economia através do seu ato de consumo e assim por diante.
Num universo perfeito, se todos os habitantes fossem consumidores e produtores de seus próprios bens e serviços o nível de desemprego seria baixo devido a interdependencia entre esses atores.
Mas empresas sempre buscam diversas formas de baratear a produção. Uma dela é através das vantagens comparativas (salário menor, imposto menor, matéria prima mais barata, etc) onde estiverem. Isso maximiza seus lucros.
Esse mecanismo afeta a solidariedade entre produtores de bens e serviços e o mercado de consumo de um país porque empresas acabam produzindo em lugares onde não foram fabricados.
Um rápido passeio numa Hi happy (loja de brinquedos) veremos que quase todos os bens não foram produzidos no Brasil.
Os produtos dessa loja atestam o processo intenso de desindustrialização por importação que estamos assistindo e não precisamos ser especialistas para relacionar ao aumento do desemprego em nosso país e de suas perversas implicações sociais.
Se todo brasileiro produzisse tudo aquilo que consome, teríamos que importar mão de obra…
Prof. Luciano Mannarino.