Tag: reflexões

  • Ficando em silêncio!

    Ficando em silêncio!

    Tive que aprender libras e a ter cuidado no meu movimento labial quando falo, pois trata-se de surdez congênita. Minhas mãos e a boca são meticulosamente observados. É assim que ela me ouve. Conversamos muito sobre vários assuntos. Geniosa e temperamental defende seus pontos de vista de maneira contundentes. Mas há algo que me irrita quando ela não quer mais me ouvir.

    – Mas ela não é surda? Como poderia?

    – Simples! Lentamente fecha os olhos ao mesmo tempo em que abre um leve e irônico sorriso.

    Prof Luciano Mannarino.

  • As ondas!

    As ondas!

    Ondas

    Ontem eu fui a um velório de um parente.
    Não, não morreu de covid!!!
    Bom, detesto velório embora seja um evento em que você possa rever parentes e amigos.
    Depois das condolências e cumprimentos formais me retirei para pensar sobre a vida, sempre faço isso nesses momentos, até que fui abordado por uma mulher que anunciou que a cerimônia budista iria começar.

    Conheço um pouco do budismo, sei que se trata de uma forma diferente de perceber o que somos e o que fazemos por aqui.
    Resolvi me aproximar.
    Foram vários cânticos em tibetano seguidos de toques numa bacia dourada!
    Uma outra senhora teve o cuidado de dizer para os leigos o que estava acontecendo.
    Ela falou que eles estavam pedindo para que o espírito da pessoa que nos deixou pudesse voltar para perto da gente.
    Seria bom para todos.

    Até que um senhor tomou a palavra e com uma voz serena e pausada revelou que viver é como estar numa praia onde a todo momento somos assolados por ondas.
    As ondas têm um começo, um apogeu e um fim.
    Existem ondas individuais e coletivas e elas são de todos os tamanhos e intensidades.
    Alguém poderia perguntar por que a praia não poderia ter sempre águas calmas?
    Ele disse que isso teria sentido.

    Pois as ondas, em toda sua plenitude, permitem os grandes ensinamentos sobre a vida e o que somos.

    Prenda a respiração que a próxima é grande!!!

    Luciano Mannarino é Professor de Geografia e finalmente percebeu que sempre viveu no Havaí!

  • Levem e deixem esperança!

    Levem e deixem esperança!

    Acredito que quem estivesse com uma doença terminal e morresse diante das notícias que destacavam o avanço do exército da Alemanha na Europa de 1940 tenha nos deixado extremamente amargurado com a certeza de que o mundo seria subjugado pelo nazismo.

    – Temo pela sorte dos que ficarem, triste mundo! Talvez dissesse

    Bom, a construção de um modelo de sociedade totalitária não durou alguns anos.
    Em 1945 já havia terminado o pesadelo.

    Hoje, vejo esse mesmo sentimento nas narrativas das pessoas que estão diante da morte num leito do hospital.
    Depressão, frustração e a certeza de que o mundo não tem futuro.
    O que vivemos também vai passar. Como aconteceu antes.
    Nos deixem, mas confiem no ser humano.
    Vamos atravessar isso.
    Levem e deixem esperança.

    Abraços!

    Luciano Mannarino

  • HERÓI OU VILÃO?

    HERÓI OU VILÃO?

    Herói ou Vilão?

    Uma mesma pessoa pode ser considerada um vilão ou herói através do tempo? Sim. Podemos usar a trajetória de Tiradentes para demostrar. Para o Brasil Colônia foi um traidor que conspirou contra o Governo português. Para o Brasil Republicano, carente de exemplos, é considerado um mártir que deu a vida para libertar o país.

    Portanto, personagens e fatos históricos podem sofrer reinterpretações por conveniências políticas. Temos aqui uma prova de que podemos mudar o passado. De qualquer forma fico com Brecht quando reflete sobre mitos: “infeliz é a nação que precisa de heróis.”

    Luciano Mannarino é Professor de Geografia e atualmente é considerado um vilão.

  • Luto!

    Luto!

     

    Ignorar os mortos é uma necessidade militar.
    Guerras são travadas sobre cadáveres.

    Chorar nossos mortos é uma necessidade existencial.
    O luto nos humaniza.

     

    Luciano Mannarino.