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  • Na Amazônia, 20% das bacias sofrem alto impacto de atividades humanas

    Na Amazônia, 20% das bacias sofrem alto impacto de atividades humanas

    EM13CHS304

    Analisar os impactos socioambientais decorrentes de práticas de instituições governamentais, de empresas e de indivíduos, discutindo as origens dessas práticas, selecionando, incorporando e promovendo aquelas que favoreçam a consciência e a ética socioambiental e o consumo responsável.

    EM13CHS306

    Contextualizar, comparar e avaliar os impactos de diferentes modelos socioeconômicos no uso dos recursos naturais e na promoção da sustentabilidade econômica e socioambiental do planeta (como a adoção dos sistemas da agrobiodiversidade e agroflorestal por diferentes comunidades, entre outros).

    Projeto usou dados de estudos relacionados a hidrelétricas, rodovias, agropecuária e garimpo

    Phillippe Watanabe

    SÃO PAULO

    Pelo menos 20% das microbacias da Amazônia sofrem alto impacto de atividades ou infraestruturas que ocorrem ao seu redor, como hidrelétricas —principal agente de pressão—, mineração e garimpo ilegal, estradas e agropecuária.

    Essa é a conclusão de um novo índice, o IIAA (Índice de Impacto nas Águas da Amazônia), criado pela Ambiental Media, com apoio do Instituto Serrapilheira e participação de pesquisadores.

    O índice faz parte do projeto Aquazônia, lançado nesta quinta-feira (5).

    O IIAA vai de 0, que significa impacto muito baixo, até mais de 5, para classificação de impacto extremo.

    Águas amazônicas divididas por pedras, formando o que parecem ser pequenos rios
    Pedrais na região da Volta Grande do rio Xingu, área de influência da hidrelétrica de Belo Monte – 29.ago.2018 – Lalo de Almeida/Folhapress

    Foram analisados dados de hidroeletricidade, exploração mineral, hidrovias, agropecuária, degradação florestal, cruzamentos de rios com estradas, área urbana e mudanças climáticas em 11.216 microbacias da Amazônia Legal.

    Dessas, 2.299 apresentam um impacto tido como alto pelo IIAA.

    O top cinco de áreas mais impactadas —e, dessa forma, com números mais altos no índice— tem presença de bacias com hidrelétricas. São elas: a do Madeira, que tem a hidrelétrica Canaã, em Rondônia; a do Tapajós, com a hidrelétrica Braço Norte, em Mato Grosso; a do Xingu, região da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará; a do Tapajós, com a hidrelétrica Paranorte, em Mato Grosso; e a do Madeira, novamente, com a hidrelétrica Jamari, em Rondônia, mais uma vez.

    Filtrando pelas microbacias com impactos alto, muito alto ou extremo, cerca de 50% —o que representa 1.146— estão em áreas de afetação de hidrelétricas. Curiosamente, 478 (21%) dessas microbacias com elevados graus de impactos sofrem, ao mesmo tempo, com a presença de mineração (ou garimpo ilegal).

    Segundo o levantamento, a bacia do rio Putumayo-Içá é o corpo d’água tributário do rio Amazonas que mais sofre com mineração, com impacto em 63% do percurso.

    O índice também aponta a situação em unidades de conservação e em terras indígenas. Nas primeiras, cerca de 23% (ou 77) possuem índice de impacto alto —dez estão em Rondônia. No caso da áreas indígenas protegidas, 14% (53) têm índices de impacto altos, muito altos ou extremos.

    Na Amazônia, um bioma em que a agropecuária é conhecida como vetor de desmatamento e queimadas, logicamente a atividade também teria impactos considerável em algumas regiões.

    Segundo os dados do projeto, as bacias (todas tributárias do rio Amazonas) Curuá-una, Guamá e Pacajá estão em áreas totalmente impactadas pelo agronegócio.

    As bacias dos rios Tocantins e Xingu não estão muito atrás: 98% da área de ambas sofre impacto dessa atividade econômica.

    Vale destacar que, apesar de contar com a participação de pesquisadores, o índice não tem a intenção de ser científico. Thiago Medaglia, fundador da Ambiental Media e coordenador do projeto, afirma que se trata de uma iniciativa baseada em ciência, mas ainda assim um trabalho de cunho jornalístico.

    Medaglia diz que a ideia do projeto surgiu ao se dar conta de que, ao falar de Amazônia, o foco é quase sempre e exclusivamente a floresta.

    “Quando a gente fala em desmatamento temos cenas chocantes da floresta sendo desmatada ou conseguimos mensurar via satélite”, afirma o idealizador do Aquazônia. “Mas quando falamos de água é mais difícil que isso seja, de alguma forma, medido e percebido.”

    Daí surgiu a ideia de um índice que pudesse passar uma percepção do que está acontecendo com as águas amazônicas.

    Olhar para as águas desse bioma e de outros é algo relevante, especialmente em um contexto de mudanças climáticas. Dados do MapBiomas Água, apontam um país que seca. O Brasil perdeu, de 1991 até 2020, cerca de 15,7% da superfície de água que possuía, o equivalente a 3,1 milhões de hectares. O Pantanal teve redução de 74% da superfície de água, e a Amazônia, de cerca de 13%.

    Mas, voltando ao IIAA, para se fazer um índice, são imputados determinados pesos para diferentes elementos que o compõem. As hidrelétricas tiveram o maior peso, explicando, assim, o motivo de áreas mais impactadas serem, em geral, próximas a essas estruturas.

    Segundo Cecília Gontijo Leal, consultora científica do Aquazônia e pesquisadora da USP, isso não é à toa. “Uma hidrelétrica é uma alteração completamente drástica em um curso d’agua”, afirma. “Não tínhamos dúvida. O consenso é que hidrelétricas e barramentos são o que pode acontecer de mais drástico em um rio.”

    Apesar de o impacto dessa forma de geração de energia não ser algo necessariamente surpreendente, algumas surpresas surgiram. Gontijo Leal aponta que, pelo índice, é possível ver que, quando há hidrelétricas, outros fatores de impacto se somam, aumentando o peso dessa estrutura na equação.

    “Um impacto pode potencializar os efeitos de outro e, nos sistemas biológicos, está tudo muito interligado”, afirma a pesquisadora.

    Gontijo Leal e Medaglia questionam os licenciamentos individualizados das hidrelétricas, sem uma avaliação integrada com outras dessas estruturas e considerando efeitos cumulativos. “Licenciar uma por uma é muito fácil”, diz a cientista.

    Segundo o coordenador do Aquazônia, é preciso tomar cuidado com a máxima de que hidrelétricas são sempre soluções positivas. “Não é que não pode construir usina, mas é construir com estratégia, o que precisa englobar não só a produção de energia, como também serviços ecossistêmicos e os processos naturais dos rios. Tem vários estudos que demonstram que os estudos de impacto deveriam ser melhores e podem ser melhores. Existem métricas para isso.”

    Apesar de o mapa aquático dos impactos na Amazônia já estar bem colorido, os dados do projeto ainda não estão completos. Mas isso por falta de informações confiáveis e de qualidade para pontos como pesca e contaminação por agrotóxicos.

    Um dos objetivos da iniciativa, inclusive, é ajudar a trazer ao debate público a necessidade de mais dados sobre a saúde dos rios da Amazônia e as lacunas científicas e legislativas relacionadas ao assunto, diz Medaglia.

    “São dados importantes que precisaríamos incluir, mas eles não existem. O índice deve estar subestimando o que acontece”, diz Gontijo Leal.

    A pesquisadora da USP faz ainda outra ressalva. O IIAA aponta somente a distribuição das ameaças. Ou seja, não foi feita uma análise qualitativa das águas das bacias da Amazônia ou os possíveis impactos sobre a biodiversidade local, por exemplo.

    Folha enviou questionamentos para os ministérios do Meio Ambiente, de Minas e Energia, de Infraestrutura, para a Ana (Agência Nacional de Águas) e para a ANM (Agência Nacional de Mineração).

    Somente a Ana respondeu até a publicação desta reportagem. A agência afirma que ainda não tomou conhecimento do índice e que, no “processo de emissão da outorgas de direito de uso de recursos hídricos para águas da União (interestaduais e transfronteiriças), a Ana considera condicionantes ambientais do Ibama ou do respectivo órgão ambiental competente”.

    https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2022/05/na-amazonia-20-das-bacias-sofrem-alto-impacto-de-atividades-humanas.shtml

    Questões

    1. Explique o contexto político e econômico da criação da ANA (Agencia Nacional de Águas).

    2. Aponte impactos ambientais ligados as seguintes atividades na Amazônia:

    • Construção de rodovias
    • Construção de Hidrelétricas
    • Garimpo
    • Mineração
    • Agropecuária

    3. O que são microbacias hidrográficas?

    4. Como se formam os “rios voadores”? E qual o seu papel nos climas do Sudeste e Centro Oeste do Brasil?

    ‘Rio voador’, o fenômeno que ajuda a explicar as tempestades de verão no Brasil

    Domínio Amazônico

    Amazônia: soberania e direito amazônico

    Prof Luciano Mannarino

  • EVOLUCIONISMO, DESVIOS IDEOLÓGICOS VERSUS VALOR CIENTÍFICO.

    EVOLUCIONISMO, DESVIOS IDEOLÓGICOS VERSUS VALOR CIENTÍFICO.

    EM13CHS102

    Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.

    EM13CHS503

    Identificar diversas formas de violência (física, simbólica, psicológica etc.), suas principais vítimas, suas causas sociais, psicológicas e afetivas, seus significados e usos políticos, sociais e culturais, discutindo e avaliando mecanismos para combatê-las, com base em argumentos éticos

    EM13CHS605

    Analisar os princípios da declaração dos Direitos Humanos, recorrendo às noções de justiça, igualdade e fraternidade, identificar os progressos e entraves à concretização desses direitos nas diversas sociedades contemporâneas e promover ações concretas diante da desigualdade e das violações desses direitos em diferentes espaços de vivência, respeitando a identidade de cada grupo e de cada indivíduo.

    0 evolucionismo é uma corrente do pensamento científico tão polêmica hoje quanto foi no passado. No século XIX, assim como no século atual, o paradigma religioso foi, e é, o grande adversário dos evolucionistas, acusados de ateísmo por explicarem a origem do mundo e da humanidade com base na ciência.

    Porém, no século XX, questões sobre a teoria evolucionista envolveram política e ideologia. Desde o fim do século XIX, o evolucionismo inspirou filosofias empenhadas em hierarquizar a humanidade segundo critérios raciais, que colocam os brancos ocidentais no topo de uma civilização ideal e os nativos de outros continentes, como povos bárbaros e selvagens, próximos do “homem primitivo

    Inspirou, ainda, políticas de perseguição e extermínio de populações. O grande alvo das ideias e políticas de inspiração evolucionista que podemos caracterizar como um darwinismo social – foi a mestiçagem, tanto racial como cultural, em que o conceito de raça prevalece sobre o de cultura.

    A partir da segunda metade do século XX, sobretudo após a derrota do nazismo na Segunda Guerra Mundial, o evolucionismo foi posto em xeque exatamente por ter incentivado a desqualificação e a perseguição de povos considerados inferiores. Em 1948, ao se aprovarem “0 respeito universal e a observância dos direitos humanos e liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião”, na Declaração Universal dos Direitos do Homem da ONU, também as Ciências Humanas de tipo evolucionista foram questionadas.

    Um desdobramento dessa declaração ética, no campo das Ciências Humanas, foi a difusão da Antropologia cultural em suas várias versões, que concebe a humanidade considerando as diferenças (culturais) em vez das hierarquias (raciais).

    Associar o evolucionismo exclusivamente à etnologia racialista ou ao darwinismo social é, porém, um equívoco. O evolucionismo, quando surgiu, desafiou frontalmente o paradigma religioso que predominava havia séculos no mundo ocidental. Estimulou reflexões interdisciplinares, pesquisas etnológicas de diversas culturas, registros de grande valor antropológico que, mais tarde, favoreceriam o conhecimento antropológico das diferenças culturais.

    0 racialismo derivado do evolucionismo pode ser considerado um desvio de rota do potencial científico da obra de Darwin e de seus seguidores, provocado por razões históricas: o combate à democracia e o surgimento de ditaduras na Europa, além da competição entre as potências imperialistas pelo domínio de colônias na África e na Ásia.

    Vainfas, Ronaldo – Humanidades.doc – tempo e espaço/Ronaldo Vainfas, Sheila de Castro Faria, Jorge Ferreira, 1 edição – São Paulo – Saraiva Educação – 2020.

    Questões

    1. O nazifascismo pode ser considerado “um desvio de rota do potencial científico da obra de Darwin“? Justifique.

    2. Por que o paradigma religioso foi e é considerado o grande adversário do evolucionismo?

    3. Qual é o papel da ONU no combate ao racialismo após a 2 Guerra Mundial?

    Prof Luciano Mannarino

  • Mudanças climáticas: um guia rápido para entender o aquecimento global (EM13CHS304)

    Mudanças climáticas: um guia rápido para entender o aquecimento global (EM13CHS304)

    EM13CHS304    
    Analisar os impactos socioambientais decorrentes de práticas de instituições governamentais, de empresas e de indivíduos, discutindo as origens dessas práticas, selecionando, incorporando e promovendo aquelas que favoreçam a consciência e a ética socioambiental e o consumo responsável.

    Temperatura do planeta está aumentando em decorrência das atividades humanas

    22.abr.2022 às 12h45

    BBC NEWS BRASIL

    As temperaturas mundiais estão subindo por causa da atividade humana, e as mudanças climáticas agora ameaçam todos os aspectos da vida humana.

    Se a situação não for controlada, os humanos e a natureza passarão por um aquecimento catastrófico, com o agravamento das secas, maior aumento do nível do mar e extinção em massa de espécies.

    Enfrentamos um grande desafio, mas existem soluções potenciais.

    Clima é o conjunto de condições médias de temperatura e ambiente num lugar, ao longo de muitos anos. A mudança climática é uma mudança nessas condições médias.

    BBC News Brasil - Mudanças climáticas: um guia rápido para entender o aquecimento global.
    A temperatura do planeta está aumentando em decorrência das atividades humanas, e as mudanças climáticas ameaçam todos os aspectos da nossa vida na Terra – Getty Images

    A rápida mudança climática que estamos vendo agora é causada pelo uso humano de petróleo, gás e carvão para casas, fábricas e transporte.

    Quando esses combustíveis fósseis queimam, eles liberam gases de efeito estufa – principalmente dióxido de carbono (CO2). Esses gases retêm o calor do Sol e fazem com que a temperatura do planeta aumente.

    O planeta está agora cerca de 1,2°C mais quente do que no século 19 – e a quantidade de CO2 na atmosfera aumentou em 50%.

    O ritmo de aumento da temperatura precisa diminuir se quisermos evitar as piores consequências das mudanças climáticas, dizem os cientistas. Eles afirmam que o aquecimento global precisa ser mantido em 1,5°C até o ano 2100.

    BBC

    No entanto, a menos que outras ações sejam tomadas, o planeta ainda pode aquecer mais de 2°C até o final deste século.

    Se nada for feito, os cientistas acreditam que o aquecimento global pode ultrapassar os 4ºC, levando a ondas de calor devastadoras, milhões perdendo suas casas devido à elevação do nível do mar e perda irreversível de espécies vegetais e animais.

    QUAL O IMPACTO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS?

    Eventos climáticos extremos já estão mais intensos, ameaçando vidas e meios de subsistência.

    Com o aquecimento adicional, algumas regiões podem se tornar inabitáveis, à medida que as terras agrícolas se transformam em desertos. Em outras regiões, está acontecendo o contrário, com chuvas extremas causando inundações históricas – como visto recentemente na China, Alemanha, Bélgica e Holanda.

    As pessoas nos países mais pobres sofrerão mais, pois não têm dinheiro para se adaptar às mudanças climáticas. Muitas cidades em países em desenvolvimento já têm que suportar climas muito quentes e isso só vai piorar.

    Nossos oceanos e seus habitats também estão ameaçados. A Grande Barreira de Corais na Austrália, por exemplo, já perdeu metade de seus corais desde 1995 devido aos mares mais quentes causados ​​pela mudança climática.

    Se a temperatura média global continuar a aumentar, quase todos os corais de água mais quente poderão desaparecer – Getty Images

    Os incêndios florestais estão se tornando mais frequentes à medida que as mudanças climáticas aumentam a incidência de clima quente e seco.

    E à medida que o solo congelado derrete em lugares como a Sibéria, gases de efeito estufa aprisionados por séculos serão liberados na atmosfera, agravando a mudança climática.

    Em um mundo mais quente, os animais terão mais dificuldade para encontrar a comida e a água de que precisam para viver. Por exemplo, os ursos polares podem morrer à medida que o gelo de que dependem derrete, e os elefantes terão dificuldade em encontrar os 150-300 litros de água de que precisam por dia.

    Cientistas acreditam que pelo menos 550 espécies podem desaparecer neste século, se medidas não forem adotadas.

    COMO AS DIFERENTES PARTES DO MUNDO SERÃO AFETADAS?

    As mudanças climáticas têm efeitos distintos em diferentes áreas do mundo. Alguns lugares aquecerão mais do que outros, alguns receberão mais chuvas e outros enfrentarão mais secas.

    Se o aumento da temperatura não puder ser mantido dentro de 1,5°C:

    * O Reino Unido e a Europa serão vulneráveis ​​a inundações causadas por chuvas extremas

    * Os países do Oriente Médio passarão por ondas de calor extremas e as terras agrícolas podem se transformar em deserto

    * Nações insulares na região do Pacífico podem desaparecer com a elevação do mar

    * Muitas nações africanas podem sofrer secas e escassez de alimentos

    * As condições de seca são prováveis ​​no oeste dos EUA, enquanto outras áreas verão tempestades mais intensas

    * A Austrália provavelmente sofrerá extremos de calor e seca

    Inundações em Londres em 2021 – Getty Images

    O QUE OS GOVERNOS ESTÃO FAZENDO?

    Os países concordam que a mudança climática só pode ser enfrentada trabalhando juntos e, em um acordo histórico em Paris em 2015, eles se comprometeram a tentar manter o aquecimento global em 1,5°C.

    O Reino Unido vai sediar uma cúpula para líderes mundiais, chamada COP26, em novembro, onde os países definirão seus planos de redução de carbono para 2030.

    Muitos países se comprometeram a chegar à neutralidade de carbono até 2050. Isso significa reduzir as emissões de gases de efeito estufa tanto quanto possível e equilibrar as emissões restantes absorvendo uma quantidade equivalente da atmosfera, por meio de tecnologias de captura de carbono, por exemplo.

    A maioria dos especialistas acredita que isso é possível, mas exigirá que governos, empresas e indivíduos façam grandes mudanças.

    O QUE OS INDIVÍDUOS PODEM FAZER?

    Grandes mudanças precisam vir de governos e empresas, mas os cientistas dizem que algumas pequenas mudanças no dia a dia podem limitar nosso impacto no clima:

    * Pegue menos voos

    * Não use carros ou opte por carro elétrico

    * Compre produtos com eficiência energética, como máquinas de lavar, quando precisarem de substituição

    * Mude de um sistema de aquecimento a gás para uma bomba de calor elétrica

    * Use material que isole sua casa do frio e do calor, evitando com isso usar aquecimento e ar-condicionado

    https://g1.globo.com/meio-ambiente/aquecimento-global/noticia/2022/04/22/mudancas-climaticas-um-guia-rapido-para-entender-o-aquecimento-global.ghtml

    Questões.

    Prof. Luciano Mannarino

  • Por que Toyota, Ford e outras montadoras fugiram do ABC Paulista? (EM13CHS202)

    EM13CHS202    
    Analisar e avaliar os impactos das tecnologias na estruturação e nas dinâmicas de grupos, povos e sociedades contemporâneos (fluxos populacionais, financeiros, de mercadorias, de informações, de valores éticos e culturais etc.), bem como suas interferências nas decisões políticas, sociais, ambientais, econômicas e culturais.

    Fechada em 2019, fábrica da Ford é desmontada em São Bernardo do Campo (SP); espaço dará lugar a centro de logística

    Do UOL, em São Paulo (SP) 11/04/2022 04h00

    Formado por sete municípios da Região Metropolitana de São Paulo, o ABC é considerado o berço da indústria automotiva brasileira e chegou a abrigar quase a totalidade das fábricas de veículos instaladas no País entre as décadas de 1950 e 1970. Contudo, já faz tempo que o ABC já não tem a mesma relevância. Ao longo das últimas décadas, montadoras têm direcionado investimentos para outras localidades do Brasil e algumas, inclusive, decidiram fechar as fábricas que mantinham no histórico polo industrial paulista.

    Fechada em 2019, fábrica da Ford é desmontada em São Bernardo do Campo (SP); espaço dará lugar a centro de logística

    Neste mês, a Toyota anunciou o fechamento da sua fábrica em São Bernardo do Campo, uma das principais cidades do ABC, ao lado de Santo André e São Caetano do Sul. Inaugurada há 60 anos, a linha de produção era a primeira aberta pela marca oriental fora do território japonês. Além disso, em 2019 a Ford fechou sua fábrica no mesmo município, cujo terreno foi vendido e dará lugar a um centro de logística – após ter a aquisição descartada por montadoras…

    UOL Carros consultou especialistas para explicar os motivos dessa “fuga” do ABC – com a ressalva de que a região segue com fábricas de importantes montadoras, como General Motors, Mercedes-Benz, Scania e Volkswagen, que recentemente anunciaram investimentos bilionários para modernizar e ampliar a produção das respectivas unidades ali instaladas..

    Especificamente em relação às fábricas de Toyota e Ford, ouvimos que ambas tiveram o fechamento decretado por estarem defasadas tecnologicamente e não compensarem aporte de novos recursos para sua atualização. No caso da Toyota, a empresa decidiu transferir as atividades de São Bernardo para suas linhas mais recentes em Indaiatuba, Porto Feliz e Sorocaba, no interior paulista, com a justificativa de buscar mais “sinergia” e competitividade no mercado local.

    A unidade do ABC não produz veículos desde 2001, quando o Bandeirante saiu de linha, e hoje fabrica peças de motores. A previsão é de que feche definitivamente as portas no ano que vem.

    Já o adeus da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo precedeu o fim das atividades em Taubaté (SP) e Camaçari (BA), no ano passado, quando a Oval Azul encerrou suas operações de manufatura em solo brasileiro. “Considero que, na visão da Toyota, o investimento para modernizar São Bernardo seria muito grande, levando em conta que a marca detém fábricas mais modernas e eficientes, nas quais já tem investido”, avalia Flavio Padovan, sócio da consultoria MRD Consulting e ex-executivo de montadoras como Ford, Volkswagen e Jaguar Land Rover..

    Em relação à Ford, Padovan entende que o fechamento já fazia parte dos planos de encerrar a produção no País. “Ainda assim, não dá para ignorar que a unidade do ABC era ineficiente e antiga, representava um custo morto, sem trazer benefício”.

    Guerra fiscal pulveriza investimentos.

    Segundo o consultor, não é coincidência o fato de as linhas de Toyota e Ford serem as mais defasadas das duas companhias. que, atraídas por vantagens tributárias e imobiliárias, já direcionavam os gastos para fora daquela região. “Assim como Detroit, nos EUA, o ABC foi o primeiro polo automotivo do seu país. Só que, ao longo dos anos, outros Estados e cidades iniciaram uma guerra fiscal e melhoraram a respectiva infraestrutura, enquanto as regiões pioneiras ficaram obsoletas para novos investimentos, que passaram a ficar restritos a companhias já ali consolidadas”.

    Desde os anos 1990, montadoras que ainda não produziam no Brasil preferiram se instalar fora do ABC Paulista, enquanto marcas já instaladas aqui também decidiram erguer novas fábricas em outros locais. Toyota e Honda foram para o interior de São Paulo; Renault e Volkswagen construíram linhas em São José dos Pinhais (PR); Ford investiu em Camaçari (BA); General Motors escolheu Gravataí (RS) para fazer o Chevrolet Onix; Nissan e Peugeot/Citroën selecionaram respectivamente, Resende e Porto Real. no Rio de Janeiro; Jeep elegeu Goiana (PE); e muito antes, lá nos anos 1970, Fiat preferiu Betim (MG) para dar início à sua atividade industrial no Brasil.

    Inaugurada há 60 anos, fábrica da Toyota em São Bernardo vai encerrar atividades no fim do ano que vem.

    O também consultor Ricardo Bacellar, sócio fundador da Bacellar Advisory Boards e conselheiro da SAE Brasil, avalia que os municípios do ABC ainda reúnem localização estratégica e excelente malha rodoviária para atraírem novos aportes de montadoras. Contudo, na ponta do lápis, têm perdido para a concorrência.

    “Por conta da exigência cada vez maior de investimentos para a produção de veículos mais seguros e eficientes, associada a um momento de baixas vendas e falta de componentes, as montadoras têm sido pressionadas como nunca a buscar o melhor custo-benefício na hora de investir”, afirma Bacellar. Dentro desse cenário, diz o especialista, os incentivos fiscais têm sido o principal atrativo, sobretudo na hora de defnir o local para a fabricação de novos produtos.

    Fabrica da Renault em São José dos Pinhais (PR); não é de ontem que montadoras têm preferido outras regiões.

    “As vantagens fiscais têm sido tão importantes que a Jeep preferiu erguer do zero todo um polo automotivo em Pernambuco, incluindo a cadeia de fornecedores. O órgão mais sensível é sempre o bolso e nesse caso não foi diferente.”

    Sindicato afugenta montadora?

    O ABC Paulista também é o berço do sindicalismo no Brasil e até hoje tem entidades atuantes – dentre elas, a mais emblemática é o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que atualmente faz campanha contra o fechamento da fábrica da Toyota em São Bernardo do Campo.

    Trabalhadores mobilizados e com representatividade forte teriam motivado o afastamento de montadoras da região? Para Ricardo Bacellar, o poder de negociação dos sindicatos lá instalados já foi “muito grande” na época em que o ABC reunia quase todas as fabricantes de veículos do País.

    “De fato, a questão sindical pode influenciar na decisão de onde construir uma fábrica. Porém, a mobilização de funcionários sindicalizados não é exclusividade do ABC e acontece em outras cidades. Acredito que esse critério faça mais sentido em locais ainda sem indústria instalada”, opina. Por sua vez, Flavio Padovan diz que sindicato “pesa” na hora de uma empresa decidir onde gastar seu dinheiro, mas não é um fator decisivo.

    “É natural que o sindicato exerça o direito de lutar por sua categoria. Ao longo do tempo, à medida que determinada região vai se desenvolvendo, os trabalhadores inevitavelmente vão se organizando”

    Procuramos o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para se manifestar sobre a influência da entidade sobre a migração de investimentos para fora da região. A entidade se manifestou por meio de nota, que fala especificamente da fábrica da Toyota.

    “O Sindicato tem pautado políticas públicas que promovam o crescimento do setor industrial e garantam que as fábricas existentes possam se manter e até receber investimento, porém nem o governo do Estado nem o governo federal têm se movimentado em defesa da indústria. Isso é falta de uma política industrial. O Brasil necessita urgentemente de uma política industrial para que o setor possa voltar a gerar empregos. O ABC é mais um reflexo disso”.

    Fechamento não é problema local’, diz prefeito de SBC Fábrica da Ford em São Bernardo do Campo é desmobilizada; nenhuma montadora quis comprar instalações Imagem: André Paixão/Primeira Marcha Segundo Orlando Morando (PSDB), prefeito de São Bernardo do Campo, o fechamento das fábricas da Toyota e da Ford e o direcionamento do investimento das montadoras para outras cidades e Estados não têm relação com sua gestão.

    “O problema é a falta de uma política pública de parte do governo federal para a geração e a manutenção de empregos, o que inclui a necessidade de reforma tributária. Da forma como está, o município fica engessado na sua capacidade de agir”,

    Especificamente em relação à instalação de fábricas de montadoras no interior paulista, Morando destaca que, desde a década de 1950, o valor dos terrenos e também o custo de vida nas cidades do ABC explodiram. “Hoje, o valor do metro quadrado na Região Metropolitana de São Paulo é infinitamente superior na comparação com o interior.

    Não há condição de doar terreno para montadoras”, pontua o prefeito. Ele acrescenta que, assim como no caso da Ford, sua gestão trabalha para que o terreno da Toyota seja vendido para “gerar empregos” e não para empreendimento residencial que gere “especulação imobiliária”. Morando finaliza, informando as iniciativas que sua gestão adotou para atrair projetos industriais de montadoras ou de outros setores: IPTU congelado e com desconto condicionado à geração de empregos; ISS fixado em 2%; e extinção da taxa de incêndio.

    https://www.uol.com.br/carros/noticias/redacao/2022/04/11/por-que-toyota-ford-e-outras-montadoras-fugiram-do-abc-paulista.htm

    Questões

    O que é uma deseconomia de aglomeração?

    O que seria a “guerra fiscal”?

    Explique o contexto político e econômico da chegada das montadoras de automóveis a partir da década de 1950 no Brasil?

    O texto menciona uma outra localidade no mundo que passou por esse processo? Justifique.

    Prof Luciano Mannarino

  • Governo altera mapa do semiárido, inclui cidades do ES e exclui do Nordeste (EF06G03 – EF07GE02 – EF07GE09 – EM13CHS106)

    EM13CHS106    
    Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica, diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais, incluindo as escolares, para se comunicar, acessar e difundir informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva

    EF06GE03
    DESCREVER OS MOVIMENTOS DO PLANETA E SUA REALÇÃO COM A CIRCULAÇÃO ATMOSFÉRICA, O TEMPO ATMOSFÉRICO E OS PADRÕES CLIMÁTICOS.

    EF07GE02
    Analisar a influência dos fluxos econômicos e populacionais na formação
    socioeconômica e territorial do Brasil, compreendendo os conflitos e as tensões históricas e
    contemporâneas.

    EF07GE09
    Interpretar e elaborar mapas temáticos e históricos, inclusive utilizando
    tecnologias digitais, com informações demográficas e econômicas do Brasil (cartogramas),
    identificando padrões espaciais, regionalizações e analogias espaciais.

    Carlos Madeiro

    Carlos Madeiro é jornalista formado na Ufal (Universidade Federal de Alagoas)

    19/02/2022 04h00

    O Conselho Deliberativo da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) decidiu excluir 50 municípios do mapa do semiárido brasileiro. A decisão, tomada em reunião pelo Conselho Deliberativo, em dezembro, também aprovou a inclusão de outros 215 municípios —a maioria do Sudeste. A publicação da nova delimitação foi feita em 30 de dezembro e as cidades envolvidas têm um prazo de 60 dias para apresentar recurso. A última delimitação havia sido feita em 2017, quando foi definido que o semiárido brasileiro contava com 1.262 municípios. Agora, passa a ter 1.427 —seis deles de um estado que, até então, não estava incluído nessa, o Espírito Santo. Dos 50 municípios retirados do mapa, 42 são do Nordeste e oito são de Minas Gerais.

    Paisagem típica do semiárido, na área do Parque Nacional Serra Capivara, no interior do Piauí

    Apesar de prevista, a alteração foi criticada por organizações que atuam no Nordeste e uma das prefeituras afetadas ouvidas pela reportagem. Procurada pelo UOL, a Sudene informou que as discussões dessa revisão começaram ainda em 2020, e a pesquisa utilizou dados do clima entre os anos de 1991 e 2020 —e que seguiu padrões recomendados pela Organização Mundial de Meteorologia. O semiárido é caracterizado pela seca e aridez.

    Municípios excluídos por estado:

    PB – 10

    MG – 8

    RN e SE – 7

    PE – 5

    AL, BA e CE -4

    PI – 1

    Total – 50

    Municípios incluídos por estado:

    MG – 126

    PI – 31

    PE – 19

    MA – 14

    BA – 9

    ES – 6

    AL e PB- 4

    RN e SE – 1

    Total – 215

    O que muda para quem ‘saiu’ do semiárido Para que a área seja incluída no semiárido, são levados em conta três critérios —e basta apenas um deles para que haja a delimitação: Precipitação pluviométrica média anual igual ou inferior a 800 mm; Índice de Aridez de Thornthwaite (usado para medir o grau de aridez e acidez do solo de uma determinada região) igual ou inferior a 0,5; Percentual diário de déficit hídrico igual ou superior a 60%, considerando todos os dias do ano.

    Fora do semiárido, municípios e agricultores deixam de ter acesso a uma série de políticas públicas, em especial juros mais baixos e uma fatia maior no FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste). Para este ano, o orçamento previsto é de R$ 26,6 bilhões. Por lei, o fundo destina pelo menos metade dos recursos para o semiárido.

    Há ainda vantagens em outros programas, como o FNDE (Fundo de Desenvolvimento do Nordeste) —também administrado pela Sudene e que é maior em áreas consideradas prioritárias, como o semiárido. Já outros programas são direcionados mais efetivamente para cidades da região, como o de construção de cisternas e o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) semiárido —que financia projetos de infraestrutura hídrica e implementação de infraestrutura

    Na mudança anterior do mapa do semiárido, em 2017, o Conselho Deliberativo da Sudene definiu que os critérios técnicos e científicos utilizados para a delimitação da região seriam revistos em 2021 e a cada dez anos. “Nossa maior preocupação é que tenhamos mudanças nas taxas de juros do FNE. Procurei até me informar sobre isso com o Banco do Nordeste, mas ainda não tive retorno”, diz Hibernon Cavalcanti, secretário de Agricultura de Arapiraca (agreste de Alagoas), o mais populoso município excluído da região

    Desde 2012, o município tem decretado emergência por conta da seca (o que tem sido reconhecido pelo governo federal). A prefeitura informou ao UOL que vai recorrer da decisão por entender que parte do seu território está no semiárido. Mudança contestada A revisão do mapa desagradou a ASA (Articulação do Semiárido), organização que reúne mais de 3 mil entidades. O sociólogo e coordenador do projeto Daki Semiárido Vivo da ASA, Antônio Barbosa, questiona os critérios que a Sudene usou para mudar o mapa do semiárido e excluir e incluir cidades.

    “Faltam informações sobre que critérios aplicaram. A gente sabe que existe uma mudança climática, mas sem os dados não dá pra saber se eles atendem ou não os critérios. Queríamos revisar os dados, junto com outros pesquisadores, mas não houve transparência.”

    Antônio Barbosa, sociólogo e coordenador de projeto da ASA.

    Ele também reclama da revisão de dados em um período tão curto. “Ficou acertado que a revisão ocorreria a cada dez anos. Ocorreu em 2005 e deveria ter ocorrido em 2015 —mas atrasou dois anos e só houve em 2017. Então, ela teria de ser revista, na pior da hipótese, em 2025. Por que fazer isso em ano eleitoral?”, pontua. Para Barbosa, faltou um maior debate sobre as avaliações.

    Na sua opinião, mesmo os municípios que já estavam e permaneceram na lista serão prejudicados na divisão de recursos. “Estamos falando de um bolo que está sendo mais dividido”, diz. Para o meteorologista, professor e pesquisador da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), Humberto Barbosa, a mudança de configuração de uma área é natural dentro de um processo climatológico. Ele acredita que revisões como essa da Sudene, são feitas por critérios técnicos. “A delimitação passou a ser uma política pública estabelecida, inclusive, dentro do plano nacional de mudança climática. Ou seja, é necessário haver revisões. Antigamente, ali pelos anos 1970, acredito que isso era mais político; mas agora é uma área técnica, temos marcadores científicos para isso”,

    A gente sabe que o semiárido pode se expandir ou contrair em função das condições climáticas. A gente vê que o nosso semiárido está perdendo sua fertilidade do solo. Mapeamos isso recentemente e podemos dizer que o semiárido está em mudança, respondendo a esses extremos climáticos que são cada vez mais comuns.”

    Humberto Barbosa, meteorologista da Ufal.

    Para os próximos anos, Barbosa diz que o cenário é de imprevisibilidade sobre as condições climáticas e de como o semiárido vai se comportar diante do aumento da população, da degradação ambiental e da pressão sobre as questões hídricas. “Essa revisão dá para a gente entender a dimensão espacial territorial do semiárido e também enfatizar que esse aumento ou diminuição está muito ligada a condições extremas”, pontua.

    Sudene assegura critérios técnicos

    Ao UOL, a Sudene afirmou que a análise mais recente para delimitação do semiárido teve a participação de técnicos da entidade, de equipes da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

    “Eles contribuíram ativamente, inclusive no processamento, geração de dados, mapas e relação de municípios habilitados, posteriormente expandido, num segundo momento, para a participação de Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf)”. A Sudene ainda argumenta que, para chegar à nova conclusão, foram processados os dados de índice de aridez, precipitação pluviométrica e déficit hídrico de 2.074 municípios.

    “O trabalho seguiu padrões recomendados pela Organização Mundial de Meteorologia (WMO). De acordo com a entidade internacional, a análise climática de uma região requer o estudo de uma série de 30 anos de dados meteorológicos e ambientais.”

    Sudene.

    A instituição assegura que os governos têm prazo até o fim de fevereiro para apresentarem recurso com “considerações embasadas pelos seus respectivos institutos estaduais de meteorologia”. “O Conselho Deliberativo da Sudene procederá com nova análise, que acontecerá em até 120 dias, e apresentará os resultados na sua próxima reunião”. Sobre prejuízos aos que forem excluídos em definitivo, a nota explica que o Conselho Deliberativo da Sudene instituiu uma regra de transição para assessorar os municípios que não se enquadraram nos contornos semiáridos.

    “As empresas ou produtores localizados nestas cidades que, até a data de entrada em vigor da nova resolução, tenham formalmente apresentado propostas, consultas prévias, cartas consultas ou projetos ao Banco do Nordeste do Brasil (BNB) ou à Sudene pleiteando recursos do FNE ou do FDNE terão seus projetos ou propostas analisadas como se no semiárido estivessem, mesmo que as operações de crédito ainda não tenham sido contratadas”.

    Por fim, garante que as cidades retiradas continuarão recebendo apoio. “Os municípios excluídos continuarão a receber recursos, incentivos e apoio dos instrumentos e quaisquer outras iniciativas protagonizadas pela Superintendência”, pontua.

    https://notícias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/2022/02/19/delimitacao-do-semiarido-entra-espirito-santo.htm

    Prof Luciano Mannarino

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