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  • UM MUNDO DE MUROS (BRASIL)

    À beira da estrada, a pobreza se esconde e o crime prospera

    Milhões passam diante da Vila Esperança, seus desempregados e seu esgoto aberto, mas, graças à gestora da rodovia dos Imigrantes, não a veem.

    24.jul.2017 – 02h00

    Duas vezes por semana, a dentista Mariana Salgado, 39, passa de carro ao lado do muro de concreto que foi construído na altura do quilômetro 58,5 da rodovia dos Imigrantes, em Cubatão (SP). Quando ela está se aproximando, fica nervosa, acha que alguém vai aparecer de repente, com uma arma na mão. “Não faço a menor ideia do que tem atrás desse muro”, diz a dentista, que mora em Santos e atende em São Paulo às terças e quintas-feiras. “Só sei que duas amigas minhas foram assaltadas aí.”

    Assim como Mariana, centenas de milhares de paulistas de classe média descem para o litoral pela Imigrantes, onde o pedágio é de R$ 25,60, e não sabem o que existe atrás daquele muro de 3 metros de altura, 25 centímetros de espessura e 1 quilômetro de extensão, construído pela Ecovias em maio de 2016.

    O muro separa os turistas dos cerca de 25 mil habitantes de Vila Esperança, favela onde 12% da população não tem nenhuma renda, 14% ganham até um salário mínimo, e todos despejam seu esgoto no rio que deságua nas praias frequentadas pelos paulistas de classe média.

    Só nesse trecho de um quilômetro, houve sete assaltos em 2015, um assalto e um latrocínio em 2016 e um assalto e uma tentativa em 2017, diz a polícia rodoviária. Segundo a Ecovias, o objetivo do muro é “melhorar as condições de segurança pública da rodovia”.

    Crianças brincam em Kombi abandonada debaixo de viaduto da rodovia dos Imigrantes na comunidade de Vila Esperança, em Cubatão (Lalo de Almeida/Folhapress)

    O trecho também recebeu reforço na iluminação, e foram instaladas novas câmeras para utilização pela polícia. A favela é controlada pelo tráfico de drogas. O murou pegou os moradores de Vila Esperança de surpresa. De um dia para o outro, começou a construção. Ninguém avisou.

    “Esse muro aí, é para proteger os turistas, né? Mas e a gente? Era por lá que a gente passava para vender na pista”, diz a potiguar Luzia Gonçalves da Silva, 54. Para ela, a barreira só atrapalhou. Luzia vendia água, refrigerante, biscoito de polvilho e salgadinho sabor bacon na pista. Da janela de casa, via a estrada -se estivesse congestionada, ela comemorava.

    Enchia o isopor de mercadorias e ajeitava no carrinho de mão. Chegou a virar noite vendendo na pista, em engarrafamento de Ano Novo. Luzia foi obrigada a desistir do trabalho de ambulante. Por causa do muro, o caminho até a estrada ficou mais longo, e ela não aguenta puxar o carrinho pesado na lama. De qualquer jeito, nem adianta chegar lá, porque o guarda manda voltar.

    Abriu então o Bar da Sofrência embaixo do viaduto no bairro e vende a dose de pinga a R$ 2 e a de conhaque a R$ 2,50. “Mas o movimento está fraco. Quem vai comprar se ninguém tem emprego e os bêbados só pedem fiado?”

    Luzia migrou do Rio Grande do Norte para Cubatão aos 13 anos, no auge do “milagre econômico” da ditadura militar. Naquela época, várias indústrias se instalavam na cidade. Ela foi trabalhar na feira em Vila Parisi, bairro de baixa renda que ficou conhecido como o coração do Vale da Morte depois que 37 crianças nasceram sem cérebro, por causa da alta concentração de poluição.

    Sebastião Ribeiro, chamado de Zumbi, batizou de “muro da vergonha” a barreira de concreto construída pela Ecovias. “Quando não sabem o que fazer, constroem um muro e acham que resolveram o problema”, diz.

    “São mais de 20 mil moradores pagando pelo que uns poucos fizeram.”

    Vila Esperança nasceu em 1972, com o início da construção da rodovia dos Imigrantes. Parte dos operários que trabalhavam nas obras da estrada construiu seus barracos ou palafitas no mangue, que é área de proteção ambiental.

    Zumbi veio do Maranhão em 1980 e se instalou em um barraco com a mãe e seis irmãos. Nos anos 90, com a crise econômica, a população da favela explodiu porque muita gente no polo industrial perdeu o emprego e acabou na invasão.

    O maranhense, que hoje tem 47 anos, cresceu vendendo água mineral e cocada na Imigrantes com a mãe. Formou-se em Direito aos 44 e hoje é o principal líder comunitário de Vila Esperança, além de ser secretário de assistência Social de Cubatão. Fundou uma ONG que troca material de reciclagem por uma moeda chamada “mangue”, que pode ser usada na lojinha da organização e em estabelecimentos locais.

    Segundo Zumbi, a comunidade também tem seu muro do orgulho, que foi construído pela ALL Logística (atualmente Rumo) para separar a ferrovia da favela e, assim, evitar acidentes.

    Quando duplicou a estrada de ferro, a Rumo se comprometeu com algumas medidas compensatórias para conseguir a licença ambiental. Asfaltou a via principal, construiu passarelas, reformou a ONG e equipou uma sala de informática com 18 computadores. Além disso, o muro de 3,5 quilômetros vai sendo aos poucos grafitado por moradores de Vila Esperança, que aprendem com o grafiteiro Tuim, de uma favela próxima.

    “Qualquer obra cria transtorno para a população, por isso fizemos uma aproximação com a comunidade e identificamos projetos existentes para mitigar impactos da duplicação da ferrovia”, diz Silvia Mari Azuma, coordenadora de licenciamento ambiental da Rumo.

    A Ecovias diz que sua responsabilidade se limita à ampliação, conservação, manutenção e operação das rodovias. “Assuntos relacionados à comunidade são de responsabilidade do poder público”, afirma a empresa. De fato, segundo a Artesp, agência regulatória de transporte do Estado, a construção do muro não exigia licença ambiental, portanto não houve medidas de compensação.

    Isso não amansa os críticos. “Em pleno século 21, construíram um muro de apartheid para isolar os pobres”, diz o prefeito de Cubatão, Ademário Oliveira. “Deviam ter investido o dinheiro em moradia, água e saneamento na comunidade.” A Ecovias gastou R$ 14,4 milhões com o muro e as outras medidas de segurança.

    Moradores da Vila Esperança, em Cubatão, fazem grafite em muro que separa a comunidade de linhas do trem (Lalo de Almeida/Folhapress)

    Para a vasta maioria da população que não tem nenhuma esperança de sair da Vila, o muro não faz diferença. “Não tenho nem o que falar sobre esse muro aí, para mim tanto faz como tanto fez”, diz Carlos Alexandre Vieira de Lima, o Xambito, 23.

    Às 15h de uma segunda-feira, o campinho de futebol sob o viaduto de Vila Esperança está lotado de jovens descalços disputando o clássico Dois Poste contra Santa Cruz. Ninguém tem emprego. Xambito é um deles. “Antes tinha bico de pedreiro, R$ 60 reais o dia mais o rango, e na feira era R$ 50 no sábado, R$ 50 no domingo e trazia uns legumes. Agora não tem nada.”

    A mãe de Xambito é viciada em crack. Ficou três anos presa depois de tentar assassinar o marido alcoólatra colocando chumbinho (veneno de rato) no café dele. A irmã de Xambito também é viciada em crack e se prostitui. O pai dele matou um homem, está preso e não vê Xambito há mais de 15 anos.

    “Minha mãe nunca trabalhou; pedra, cachaça e pó acabaram com a vida dela. Quando eu falo com ela não sai mais nenhuma lágrima, entreguei na mão de Deus”, diz ele. “Se a senhora visse, a pele da minha mãe está meio branca, meio preta, aconteceu alguma coisa, está feia demais a minha mãe, a pedra acaba com a pessoa.”

    Gato ao lado de palafita construída sobre mangue na comunidade de Vila Esperança, em Cubatão (Lalo de Almeida/Folhapress)

    Xambito precisa pagar pensão para seu filho de três anos, mas não quer voltar para a “vida errada”, como diz. “Eu tinha uns 16 anos quando entrei na vida louca. Quando a gente arrumava um trabalho, saía, aí quando nós estávamos na “precisão” de um dinheiro, entrava de novo na vida errada”, conta.

    “Essa vida errada aí, biqueira [ponto de vendas de drogas], tráfico, só tem dois caminhos: cadeia ou morte; não quero nenhum desses dois, quero ver meu filho crescer, botar ele pra jogar bola, pra estudar”, diz Xambito, que anda pela favela com uma caixinha de som tocando o sertanejo Felipe Araújo. Ele está correndo atrás de um “serviço fichado” (registrado). Já foi várias vezes aos pátios das fábricas em Cubatão, mas diz que aparecem dez vagas para 500 pessoas. “Só com ajuda de Deus para ser chamado, é muita gente desempregada.”

    Na Vila, apenas 24% dos moradores concluíram o ensino médio. Xambito parou no quinto ano e já tentou voltar a estudar várias vezes. “É preciso ter força, né, porque chega dois meses, três meses, fica cansativo; começo a fumar maconha, fico boladão e volto para casa.”

    Fumar, jogar bola e tomar emprestado o wi-fi do barraco vizinho para entrar no WhatsApp e no Facebook –é esse o dia a dia de Xambito e da maioria de seus amigos em Vila Esperança. “Queria mudar minha vida, está difícil pra caramba.” Ele já tentou a religião. “Já fiquei dois, três meses indo à igreja, louvava tremendamente, mas somos falhos, né, parei de ir e entrei de novo nas paradas.”

    Na comunidade de Vila Esperança, operários que trabalhavam nas obras da rodovia dos Imigrantes construíram barracos ou palafitas sobre o mangue (Lalo de Almeida/Folhapress)

    No lado pobre do muro, oportunidade é coisa rara. “A gente acorda e fica pensando, caramba, e agora, como eu vou arrumar dinheiro, eu vou roubar? O que eu vou fazer? Eu penso nisso, em roubar, não posso falar que não penso. Mas sei que, se fizer isso, posso voltar ou não voltar pra casa.”

    Xambito diz que não quer sucumbir à vida errada. Mas a tentação é grande. “Na vida errada, a gente sai com um dinheirinho legal, mano.” No dia 27 de maio de 2016, o estudante Reinaldo Lima de Souza, 17, morreu na altura do quilômetro 59 da Imigrantes. Durante uma tentativa de roubo, Reinaldo foi atingido por uma pedra no rosto que atravessou o para-brisa do carro onde ele estava.

    O muro de concreto de três metros de altura construído pela Ecovias já estava lá, isolando Vila Esperança.

    http://arte.folha.uol.com.br/mundo/2017/um-mundo-de-muros/brasil/excluidos/

     

     

    Questões

     

    1. Quais foram as principais características do muro construído pela Ecovias na Rodovia dos Imigrantes e qual foi o objetivo oficial declarado pela empresa para a sua construção?

    2. De que maneira a construção do muro afetou a economia informal dos moradores de Vila Esperança?

    3. O muro realmente contribuiu para a redução da criminalidade na região? Justifique sua resposta com base nas informações do texto.

    4. Como a construção do muro pode ser interpretada como uma forma de segregação social? Cite exemplos do texto.

    5. Segundo o texto, qual é a posição da Ecovias em relação às responsabilidades sociais e ambientais? Como isso reflete nas ações da empresa?

    6. Quais são os problemas ambientais enfrentados pela comunidade de Vila Esperança, conforme mencionado no texto?

    7. Como a falta de consulta à comunidade local durante a construção do muro impactou os moradores de Vila Esperança?

    8. De que forma os moradores de Vila Esperança utilizam o grafite como forma de resistência e expressão cultural?

    9. Considerando os impactos descritos no texto, quais medidas poderiam ser adotadas para promover um desenvolvimento mais sustentável e inclusivo na região?

    10. Compare a situação de Vila Esperança com outro caso de construção de barreiras urbanas no Brasil ou no mundo. Quais semelhanças e diferenças você identifica?

     

    Prof. Luciano Mannarino

    UM MUNDO DE MUROS (EUA E MÉXICO)

    UM MUNDO DE MUROS (CISJORDÂNIA E ISRAEL)

  • Território, Territorialidades, Territorialização e Desterritorialização (Avaliação)

    Território, Territorialidades, Territorialização e Desterritorialização (Avaliação)

    Atividade – Ensino Médio.

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    “Da mesma maneira que o conceito de território passou por um verdadeiro processo de atualização, é importante destacar que inúmeras derivações e complementos surgiram para aumentar as possibilidades de utilização desde recorte geográfico. Marcelo Lopes de Souza (199 nos lembra que os territórios podem ser cíclicos ou ainda móveis , citando como exemplo, no primeiro caso, uma área urbana que de dia é ocupada por pessoas trabalhando em comércio e oficinas e, à noite, por prostitutas e seus clientes.

    No segundo episódio, utilizando-se também do exemplo da prostituição, uma área que, um ano antes, era dominada por prostitutas, após este período passou a ser controlada por travestis. Outro importante autor que também aprofunda as possibilidades de uso de conceito de território Haesbaert (2007), que trabalha com a concepção de território-rede, onde os fluxos podem se tornar dominantes de maneira que passam a ter caráter territorial.

    Assim, além do conceito de território, utilizamos algumas derivações teóricas para explicarmos a realidade. Afinal, se o território, com esta interpretação contemporânea rica e dinâmica, pode se locomover espacialmente, desaparecendo e renascendo, o processo de criação territorial também passa a ser de fundamental compreensão.

    Podemos denominar territorialização o processo contínuo de criação de territórios dos mais diferentes grupos sociais, de acordo com suas exigências espaciais e de exercício de poder. O processo de territorialização é contínuo, pois os conflitos sociais também são ininterruptos.

    Na tentativa de construção de seus territórios e para a manutenção dos mesmos, estes grupos sociais passam a preencher o seu espaço com sua territorialidade, ou seja, com suas características, suas ideias, suas mercadorias, suas tradições, suas histórias, suas culturas. Apesar de criticar tal asserção, Marcelo Lopes de Souza (1995) acaba definindo bem quando afirma que a territorialidade é uma espécie de comportamento espaço-territorial de um grupo social.

    Por fim, logicamente, se os grupos sociais possuem uma territorialidade específica, que permite integração e entendimento entre os homens, quando um indivíduo é isolado de seu grupo ou ainda inserido em um território que lhe é estranho, este sofre com um processo que podemos definir com desterritorialização.

    Inspirado em Milton Santos (2002), podemos afirmar que desterritorialização é uma palavra utilizada com frequência como estranhamento ou desculturalização, e é este autor que nos fornece um bom exemplo, ao lembrar a desterritorialização dos homens do campo quando vêm para a cidade grande, pois abandonam uma cultura herdada e se defrontam com um espaço desconhecido cuja história não ajudaram a construir. Para que se adaptem, estes indivíduos passarão por um processo de reterritorialização, ou seja, a lenta e gradual adequação a um território”

    CECIERJ – Fundamentos Geográficos do Turismo – Gilmar Mascarenhas/Daniella Pereira de Souza Silva/Luiz Guilherme de Souza Xavier

    Questões

    Como Marcelo Lopes de Souza (1995) diferencia territórios cíclicos de territórios móveis?

    Dê um exemplo de territorialização cíclica mencionado no texto e explique por que ele se enquadra nessa categoria.

    O que Haesbaert (2007) entende por território-rede e como ele difere do conceito tradicional de território?

    Explique o processo de territorialização e por que ele é considerado contínuo segundo o texto.

    Como a territorialidade contribui para a integração e entendimento entre os membros de um grupo social?

    Defina desterritorialização e forneça um exemplo prático descrito no texto.

    Qual é a relação entre desterritorialização e reterritorialização conforme explicado no texto?

    Por que a desterritorialização pode levar ao estranhamento ou desculturalização de um indivíduo?

    Como a mudança de domínio de uma área urbana de prostitutas para travestis exemplifica o conceito de território móvel?

    De que maneira os conflitos sociais influenciam o processo de territorialização?

      Descrição das Áreas e Competências
      TerritorializaçãoGeografiaCompreender processos de territorialização e suas dinâmicas sociaisGEOG-HS5Analisar processos de territorialização e desterritorialização e suas implicações nas dinâmicas sociais e espaciais
      DesterritorializaçãoGeografiaEntender os fenômenos de desterritorialização e suas consequênciasGEOG-HS6Investigar como a desterritorialização afeta as relações sociais e espaciais
      Território-redeGeografiaAnalisar a influência de redes na configuração territorialGEOG-HS7Estudar como os fluxos de pessoas, informações e recursos influenciam a formação de territórios
      TerritorialidadeSociologiaCompreender a territorialidade como comportamento social espacialSOC-HS5Analisar como a territorialidade contribui para a identidade e coesão dos grupos sociais
      ReterritorializaçãoGeografiaEstudar os processos de reterritorialização após desterritorializaçãoGEOG-HS8Examinar como grupos sociais se adaptam a novos territórios e estabelecem novas relações espaciais
      Territorialização contínuaSociologiaEntender a contínua criação e adaptação de territóriosSOC-HS6Analisar como conflitos sociais mantêm o processo contínuo de territorialização
      Criação de TerritóriosGeografia/SociologiaCompreender a criação de territórios conforme exigências espaciais e exercício de poderGEOG-HS9/SOC-HS7Investigar como diferentes grupos sociais criam e adaptam territórios de acordo com suas necessidades e dinâmicas de poder
      Conflitos SociaisSociologiaAnalisar as relações de poder e conflitos sociais no processo de territorializaçãoSOC-HS8Estudar como os conflitos sociais influenciam a territorialização e a desterritorialização
      Territorialização DinâmicaGeografiaCompreender a natureza dinâmica e adaptativa dos territóriosGEOG-HS10Analisar como os territórios se transformam e se adaptam às mudanças sociais e econômicas
      Integração e EntendimentoSociologiaCompreender como a territorialidade específica permite integração e entendimento entre os grupos sociaisSOC-HS9Analisar como a territorialidade facilita a integração e o entendimento entre diferentes grupos sociais

      Professor Luciano Mannarino.

      Madureira, lá, laiá…(O conceito de Lugar)

      Geografia e a Marvel (Território)

      Rugosidade – (Atividade)

      O conceito de Território (atividade)

    1. Rugosidade (Atividade)

      Rugosidade (Atividade)

      )

      O conceito de “rugosidade” em geografia, apresentado por Milton Santos, oferece uma perspectiva intrigante sobre como o espaço se transforma e, ao mesmo tempo, conserva traços de diferentes épocas. Rugosidades são aqueles elementos do espaço geográfico que permanecem como heranças do passado, sejam eles construções, ruas antigas ou estruturas industriais obsoletas. Elas resistem à passagem do tempo devido a fatores técnicos, como a dificuldade de remoção, e geográficos, como sua localização estratégica.

      Séculos “materializados” na paisagem!

      Essa inércia espacial que as rugosidades impõem revela um espaço geográfico que é, na verdade, uma colcha de retalhos de tempos e histórias, onde o antigo e o novo se entrelaçam e coexistem. Santos nos convida a enxergar o espaço não apenas como algo físico, mas como uma narrativa viva, onde a permanência e a transformação andam de mãos dadas, evidenciando a riqueza e a complexidade da paisagem em constante mutação.

      Questões.

      Aqui estão algumas questões para aprofundar a compreensão sobre o conceito de rugosidade no espaço geográfico:

      Como o conceito de rugosidade pode ser aplicado para entender a transformação de paisagens urbanas ao longo do tempo?

      Analise exemplos de como elementos arcaicos coexistem com a modernidade em uma cidade.

      De que forma as rugosidades influenciam o desenvolvimento socioeconômico e cultural de uma região?

      Considere como esses elementos do passado podem impactar o presente e o futuro de uma comunidade.

      Quais são os fatores técnicos e geográficos que contribuem para a permanência das rugosidades na paisagem?

      Explore como a localização estratégica e a complexidade técnica de remoção afetam a permanência desses elementos.

      Como o conceito de “espaço geográfico como uma acumulação desigual de tempos” desafia a ideia de progresso linear?

      Discuta como a coexistência do antigo e do novo pode revelar uma narrativa mais complexa do desenvolvimento humano.

      De que maneira as rugosidades podem contribuir para a identidade e memória coletiva de um lugar?

      Avalie como elementos arcaicos na paisagem ajudam a construir uma sensação de continuidade e pertencimento para os habitantes.

      Como a presença de rugosidades no espaço geográfico pode influenciar a experiência turística de uma região?

      Considere como o encontro com elementos históricos pode enriquecer a percepção dos visitantes sobre um lugar.

      Quais são os desafios e oportunidades de integrar rugosidades em projetos de planejamento urbano e desenvolvimento sustentável?

      Discuta como é possível preservar essas heranças enquanto se atende às demandas da modernidade.

      Como o conceito de rugosidade pode ser aplicado para entender as dinâmicas de poder e controle sobre o espaço geográfico?

      Analise como a manutenção ou remoção de certas rugosidades pode refletir interesses políticos e econômicos.

      De que forma a análise das rugosidades pode contribuir para uma compreensão mais profunda das desigualdades espaciais?

      Explore como a permanência de certos elementos arcaicos pode revelar disparidades no acesso a recursos e oportunidades.

      Como as rugosidades se relacionam com o conceito de patrimônio cultural e sua preservação em áreas urbanas e rurais?

      Avalie como a valorização desses elementos pode contribuir para a manutenção da história e cultura de uma região.

      Como o vídeo e o GIF (abaixo) sobre o Largo da Carioca ilustram a transformação do espaço natural em espaço geográfico ao longo dos séculos?

      Vídeo e GIF – Largo da Carioca (Cidade do Rio de Janeiro) ao longo dos Séculos.

      Considere as mudanças urbanas e a acumulação de diferentes tempos e funções no espaço.

      Prof. Luciano Mannarino

      Madureira, lá, laiá…(O conceito de Lugar)

      Território, Territorialidades, Territorialização e Desterritorialização (Avaliação)

      Fábricas de ódio. (Atividade 1)

      PROFESSOR LUCIANO MANNARINO

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